MUDANÇA INTERIOR

São muitos os que, no afã de cultivar equilíbrio, seguem fórmulas e ensinamentos, que no final, viram fardos e não ferramentas para desenvolver a disciplina e a estabilidade. Tudo o que não vem para agregar, não vale a pena seguir. E boas dicas são sempre abertas para a adaptação, visto que somos seres humanos, com isso, é fundamental alinharmos as ferramentas e técnicas à nossa realidade.

O objetivo da busca pela simplicidade cristã é propor um estilo de vida com menos coisas e mais Deus. É descobrir a alegria de desfrutar o que temos, entendendo que o excesso não significa qualidade.

É um perigo transformar a prática em leis, convertendo o meio de se alcançar algo em um fim, tudo para justificarmos o exterior. A simplicidade é algo que começa em nós, é uma forma de contentamento que nos faz estar em paz. Richard Foster complementa falando das disciplinas espirituais, explicando que:

“As disciplinas espirituais pretendem fazer-nos bem. Elas têm a intenção de trazer a abundância de Deus para a nossa vida. No entanto, é possível transformá-las em outro conjunto de leis, que farão a alma definhar. Disciplinas presas a leis exalam o hálito da morte” (FOSTER, 2007, p. 39).

As disciplinas espirituais são ferramentas que os cristãos usam para crescer em santidade. Como, por exemplo, as disciplinas interiores, sendo elas a oração, o jejum e o estudo. Ou as disciplinas exteriores, como o serviço, a solitude e a simplicidade. E as comunitárias, como a confissão, a celebração e a adoração. São muitas as disciplinas úteis para a nossa vida espiritual, mas que não podem virar leis em nossa vida e sim, um estilo de ser, um conjunto de práticas que nos ajudarão ao longo da nossa caminhada.

Tudo começa dentro de nós, a verdadeira mudança se inicia em nosso interior, e este é o primeiro passo para que as disciplinas ou práticas, úteis para a nossa vida, não se tornem leis que não agregam, mas nos sufocam. Quando entendemos isso, aprendemos a ajustar a nossa forma de pensar, sem ligarmos para o exterior. A mudança precisa começar na mente e o propósito não deve ser parecermos algo, mas sermos indivíduos equilibrados. A prática vai muito além da aparência, é algo que muda dentro de nós.

Outro fato que revela que a mudança interior não aconteceu é quando uma pessoa pratica algo, como uma vida simples e disciplinada, e começa a apontar para o outro, se comparando ou insistindo em condená-lo, com atitudes legalistas.

O legalismo, na maioria das vezes, revela um pensamento superficial, sendo que uma boa parte destes nem pratica realmente o que falam. Mudam o seu exterior, mas o interior segue sendo o mesmo.

A dica é usar a simplicidade cristã, sendo esta uma disciplina espiritual, buscando forças em Deus para não nos contaminarmos com os anseios deste mundo. Quando é Deus que nos sustenta e nos ajuda, a mudança se torna verdadeira e frutífera.

Não precisamos de tanto para viver e o excesso pode, na verdade, nos atrapalhar. Coloque Deus no centro e as coisas, sejam elas posses, riquezas ou posição social, em segundo plano, que você vai ver a sua vida frutificar.

 A vida simples nos aproxima de Deus, nos leva a largar as bugigangas e hábitos fúteis da vida e seguir para uma vida equilibrada.

Bibliografia

FOSTER, Richard. Celebração da disciplina: O caminho do crescimento espiritual. São Paulo: Editora Vida, 2007. 

Deixe um comentário