HIPOCRISIA CRÔNICA

Estamos em um período onde a insatisfação política é a bola da vez. No Facebook, nas rodas de conversas e em todos os cantos o assunto é sobre o atual governo e todas as roubalheiras que veio a tona este ano.

Ninguém gosta de ser feito de idiota, muito menos alguém gosta de ser roubado. E enquanto milhões de dólares são descobertos nas mãos de corruptos e ladrões, os impostos sobem e as verbas públicas para as diversas áreas da sociedade são cortadas. É um período de incertezas.

O curioso nesta conversa toda é que o culpado é apenas o governo, nós como cidadãos, não temos responsabilidade alguma, ao contrário, somos santos e não temos o mínimo de culpa cartório. A começar por nossas vidas, vivemos tentando ganhar vantagens em tudo, seja no troco errado que não devolvemos, na compra de filmes piratas ou nos downloads de músicas e livros na internet. E o pior é que algumas destas práticas são feitas como se não fossem erradas, como se não fossem ilegais.

Certo dia alguém me perguntou se é errado fazer downloads, a minha resposta quase virou um debate quando eu disse que a prática era incorreta. Afinal, se não é seu, se aquilo que você esta baixando de graça você não pagou, é roubo, simples assim. Se o autor não disponibilizou um conteúdo de forma gratuita, você esta roubando.

Isso sem contar com as pessoas que compram coisas piratas e dão a desculpa que não estão prejudicando alguém pobre, estão tirando grana de quem tem dinheiro. Como se com esta premissa, o erro fosse justificável.

Roubar é roubar, seja de quem tem ou não tem dinheiro, a questão é caráter, se você tem caráter, você não faz, ou tenta não fazer.  Não estou aqui para acusar alguém e sim mostrar como olhamos mais para outras pessoas e se esquecemos de tirar as traves de nossos olhos, como se fôssemos santos e perfeitos. Exigimos algo que não somos e seguimos vivendo uma vida hipócrita, Provérbios 29:27 diz:

 Os justos detestam os desonestos, já os ímpios detestam os íntegros.

Estes dias eu estava vendo um vídeo de um corredor espanhol chamado Ivan Fernandes Anaya, que no final de uma corrida de Cross country, na Espanha, onde ele era o segundo lugar, deu uma lição de honestidade que pode servir de exemplo para muitos de nós brasileiros. No final da corrida o corredor Abel Mutai, que estava em primeiro lugar, achou que já tinha cruzado a linha de chegada e diminuiu o ritmo para comemorar. Ivan podia ter passado pelo corredor distraído e vencido a prova, mas achou mais justo e honesto avisar aquele adversário do seu engano, empurrando e indicando a ele que a linha da chegada estava à sua frente. Este corredor honesto tirou o segundo lugar naquela corrida, mas venceu na prova mais difícil de nossas vidas, a prova de honestidade. Em um vídeo onde Ivan fala de honestidade, ele diz uma frase interessante:

“Estão em nossos valores fazer a honestidade aparecer ou não. E depende muito da educação que recebemos quando somos jovens”.

 E a reflexão que faço é: que exemplo estamos deixando para a próxima geração de brasileiros? Qual é o valor que estamos passando para nossos amigos, filhos ou conhecidos?

O povo brasileiro é conhecido por ser o povo do “jeitinho”, será que estamos nos esforçando para ser conhecidos para sermos um povo da honestidade?

A construção de uma sociedade justa começa com a sociedade sendo honesta e não só os políticos. É não aceitar as injustiças quer tenhamos parte na situação ou não. Não deveria ser notícia de jornal, pessoas devolvendo dinheiro, mas infelizmente é, afinal, estas atitudes nos deixam impressionados por não termos o costume de praticar.

Quando praticarmos o bem e nos acostumarmos em fazer o que é certo, todo o resto vira consequência e assim, podemos dormir em paz, com a certeza que a próxima geração terá valores e conceitos sólidos para seguir, ou ao menos bons exemplos para imitar.

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