A briga entra calvinistas e arminianos dura séculos e até hoje não cessa.
Conhecido através de João Calvino e Jacó Armínio, estas duas doutrinas têm como ponto central de divergência a predestinação. Um lado acredita que Deus escolhe salvar quem quer e o outro crê que tem uma participação no plano divino, aceitando ou não a Deus, entre outras coisas.
Alguns Calvinistas falarão que tudo o que acontece é da vontade de Deus, tudo, até o mal. Outros falarão que isso não é possível, sem colocar Deus como culpado. Isso sem contar inúmeros calvinistas que se sentem privilegiados por seres predestinados. Coisa que Calvino não admitia, ele acreditava que o homem não deveria se vangloriar de uma dádiva recebida por Deus.
Sproul disse em seu livro Eleitos de Deus que: “Quem não acredita na predestinação deve ser um ateu convicto”. Como se a teoria calvinista fosse essencial para a vida cristã.
Já Jerry Walls disse: “O calvinista deve sacrificar uma clara noção da bondade de Deus a fim de manter sua visão dos decretos soberanos de Deus”. Como se realmente tivéssemos uma noção real de como é a bondade de nosso Pai. Sabemos que ele é bondoso, mas a ideia que temos é muito pequena e ínfima.
E por aí vai, a guerra nunca vai acabar, pois cada um vai achar as suas desculpas e explicações melhores que a dos outros. Sem contar que a grande maioria destas pessoas não buscam estudar para achar a verdade e sim, para apenas estarem certos e validarem os seus pontos de vista, o que é um erro.
Se você pesquisar toda a história, perceberá o quanto deu pano pra manga, arminianos já foram caçados como hereges, calvinistas condenados como heterodoxos. Mas a grande verdade da discussão, que inclusive nunca terá fim, já que a Bíblia dá base para as duas teorias, é que estas teologias no meu ponto de vista, não são nem de perto fundamentais, direi por quê!
Há tempos que penso e estudo estes dois lados, até ler um dia destes um versículo em Romanos 11:33-34:
“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Por que quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro?”.
Esta passagem é tirada de Isaías 40:13 e repetida em Coríntios 2:16, contendo apenas algumas variações. Demonstra a profunda consciência da condição de superioridade de Deus e como é impossível penetrar em sua mente, ou entender seus desígnios (CHAMPLIN, 2014, p. 978).
O que isso significa?
Que nunca entenderemos os pensamentos de Deus, nunca conseguiremos saber os seus propósitos. Acreditar que através de algumas teologias forjadas com o intuito de segregar, você pode entender a mente de Deus é ser muito pretensioso. Gosto de um versículo de Êxodo 33:22-23 onde Moisés pede para ver a glória de Deus:
“Quando a minha glória passar, eu o colocarei numa fenda da rocha e o cobrirei com a minha mão até que eu tenha acabado de passar. Então tirarei a minha mão e você verá as minhas costas; mas a minha face ninguém poderá ver”.
Ele viu apenas as costas de Deus, pois ver a sua face, ou tentar entendê-lo é impossível, quanto mais explicar como ele age e pensa.
Uma vez em um programa de entrevistas, o apresentador perguntou a um teólogo por que ele não era arminiano, o homem respondeu: porque eu leio a Bíblia. Achei a resposta um tanto quanto não cristã, afinal, uma coisa temos certeza sobre Deus: Ele é amor (João 4:8) e deu o seu filho para morrer por nós (João 3:16) tamanho o amor que tinha. E segregar, humilhar ou achar que a sua forma de pensar é a certa e todos estão errados, não é agir com amor.
Eu frequentei por muito tempo uma igreja onde o pastor chamava arminianos de burros, eu me ofendia com aquele extremismo todo. Isso gerou em mim mágoas e ressentimentos, e hoje eu sei muito bem como este tipo de atitude é nociva. Eu acredito no diálogo, na troca de experiências e em aceitar o ponto de vista diferente ao meu, isso é saudável, isso é ser cristão.
Eu sei que a Bíblia existe para estudarmos e assim extrairmos o máximo dos ensinos para as nossas vidas. Mas o propósito deste livro sagrado, nunca foi separar e sim unir, não é classificar pessoas, mas trazer o plano de salvação a cada indivíduo.
Então, se você tem algum destes posicionamentos não segregue, muito menos ofenda quem pensa diferente de você. Não é pecado ter a sua corrente teológica, o pecado é ofender, discriminar e diminuir as pessoas.
Em 1Coríntios 12:12, Paulo descreve a igreja como um corpo, sendo Cristo o cabeça, é por isso que devemos sempre estar unidos, um membro separado do corpo, certamente morrerá.
Sem Cristo, a sua graça e o seu amor, nós não somos nada, este é o cerne da mensagem Cristã, é neste ponto que todos se unem. E é esta a palavra que deve ser pregada, o resto; bem… O resto não importa!
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje. São Paulo: Ed. Soc. Bíblica do Brasil ; 2005.
CARSON, D.A.- Comentário Bíblico Vida Nova. 2 ed. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.
CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.
BRUCE, FF. Comentário Bíblico NVI. São Paulo: Editora Vida Nova, 2008.
OLSON, Roger. Contra Calvinismo. São Paulo: Editora Reflexão, 2013.
MCDERMOTT, Gerald R. Grandes Teólogos: Uma Síntese do Pensamento Teológico em 21 Séculos de Igreja. São Paulo: Editora Vida Nova, 2013.
