Sou daqueles que não fogem de bons desafios. Um obstáculo ou um problema, dificilmente me faz abandonar uma empreitada. Isso é bom, segundo alguns é a características dos fortes, pra mim é só um modo de ver a vida mesmo. Porém, durante momentos difíceis, muitas vezes eu me pergunto se não estou sendo teimoso ao invés de persistente. Teimosia segundo o dicionário é: Apego obstinado às próprias ideias. E persistência: Qualidade do que dura.
Penso que para tudo existe um limite, e em tudo além de colhermos frutos, também colhemos consequências, é a lei da semeadura, a vida é assim. Então como tomarmos uma decisão certa? Por quais valores devemos nos guiar? Eu sei que a resposta não é fácil, mas particularmente tenho as minhas prioridades e conceitos inegociáveis, que dirigem minhas decisões, e é isso que acaba me ajudando nestes momentos cruciais.
O primeiro conceito é a saúde. Não abro mão dela, e quando o que eu estou fazendo seja trabalho, estudo, banda, ministério etc., começa a prejudicar a minha saúde. Logo penso que não vale a pena prosseguir. Para tudo tem um limite e saúde, às vezes não volta. Já ouvi falar de pastores que chegaram à linha tênue da insanidade, por conta de muito estresse e mesmo assim não largaram o osso. Eu sei que Deus nos deu uma missão, porém, temos que entender que há tempo para tudo. Não vale a pena dar murro em ponta de faca e as vezes a melhor decisão é desistir antes que seja tarde demais.
O segundo é a família. Sem dúvida, o que Deus nos deu para que cuidássemos foi à família, ela é o nosso maior ministério. E se não a cuidamos com zelo e dedicação, o resto não vale muita coisa. Eu gosto de uma frase atribuída a Jaqueline Kenedy que diz:
“Se você fracassar na educação de seus filhos, nada que fizer bem terá muita importância”.
Não sou pai, mas esta frase nos mostra que algumas de nossas missões devem ser inegociáveis. E família, deve ser uma delas, afinal, ela é a nossa âncora, nosso porto seguro, nossa missão. São eles nossos melhores amigos e as pessoas com quem sempre podemos contar.
O terceiro conceito e mais óbvio é Deus. Ele é a minha vida, o motivo de minha existência e abrir a mão dele é beirar a loucura, insanidade pura. As coisas do mundo têm o dom de transformar valores importantes em besteiras. Mas abandonar Deus, é largar o alicerce, é construir uma casa na areia, sem bases e boa sustentação.
Eu tenho gravado comigo alguns outros conceitos, mas penso serem estes os mais essenciais para a minha caminhada. Às vezes planejamos, e esquecemo-nos do básico, o primordial que sustenta a nossa vida toda. Eu sei bem como é difícil tomar decisões ou abrir mão de sonhos mas certas decisões devem ser feitas. O segredo talvez seja o que eu já falei e venho falando ao longo do tempo: Equilíbrio e limite. Estes são dois ótimos conceitos que temos que guardar e nos relembrar todos os dias. O que me faz lembrar de uma frase do Silvio Santos, quando foi indagado sobre dinheiro, que acaba sendo um dos grandes dilemas do homem:
“Eu vivo como um cidadão de classe média americana. Ninguém precisa de tanto dinheiro para viver. Pra mim o dinheiro representa apenas troféus de minhas conquistas”.
Gosto desta frase e acho uma maneira de pensar bem lúcida, de alguém que tem muita grana, mas que coloca limite em seu padrão de vida. Eu não sei se ele vive de acordo com o que diz, contudo, isso não torna a frase uma mentira. Equilíbrio, limites e aprender a se satisfazer com o que temos, é uma boa maneira de viver. Para quando planejarmos algo, traçarmos objetivos ou construirmos sonhos, não sejamos escravos destes desejos e realizações. Sonhar não é pecado, ser escravos dos sonhos sim.
