INSANIDADE

Trabalhei em uma empresa um tempo atrás que estava tendo problemas de furo em seu estoque quando eu fui contratado. Analisei o processo, pontuei os problemas e achei uma solução, que por sinal era simples em vista do grande incômodo que causava. O grande embaraço era que eles queriam mudanças, sem mudar, queriam uma solução, sem arranjar uma nova e melhor forma de trabalhar. Foi um problemão, pois do momento que eu comecei a trabalhar em diante fui taxado como o autor daquele aborrecimento, que inclusive se arrastava por anos, o que me faz me lembrar da definição de insanidade:

“Fazer a mesma coisa, esperando um resultado diferente”.

 Uma prática um tanto comum nos dias de hoje, muitos querem mudar, realizar novas coisas, fazendo as mesmas velhas práticas.

Quantas vezes diante de problemas queremos mudanças, sem mudar? Parece piada, mas não é o ser humano é bem acomodado, se acostuma fácil com rotinas e mudanças para alguns soam como pesadelo.

Mateus 19:16 narra a história de um jovem que queria mudanças, ele queria saber de Jesus como ele conseguia herdar a vida eterna. Ou, como era comum para os judeus naquela época, herdar “o mundo vindouro”. E Cristo pronto a ajudá-lo mandou-o guardar os mandamentos, sem esquecer que os judeus tinham 613 leis para guardar. E aquele jovem, que provavelmente era um estudioso e conhecia estas leis, disse que guardava todas elas (V20).

Alguns vão falar que aquele homem era orgulhoso, se achava melhor que os outros homens por isso que ele respondeu que guardava as leis. Mas não podemos julgar a sinceridade ou não sinceridade daquele jovem. O que podemos afirmar era que no fim do diálogo, Cristo manda ele vender tudo o que tinha e dar aos pobres, porém aquele jovem não teve coragem de atender aquele pedido, já que era muito rico terminando o diálogo indo embora decepcionado (CHAMPLIN, 2014, PG 540,541).

Ele não teve coragem de mudar. Não sabemos o porquê Jesus pediu aquilo para aquele jovem, mas sabemos que o jovem fez uma escolha, o dinheiro. Quem sabe não valia a pena no ponto de vista daquele jovem aquela troca, ou quem sabe o rapaz queria mudanças sem mudar, queria uma nova vida, sem abandonar velhas práticas. O jovem rico preferiu seus próprios conceitos ao invés de seguir os ensinamentos de Cristo. Mudar requer ação, requer confiança, requer negar a si mesmo e seguir. John Macarthur faz uma pontuação interessante:

“O Senhor fez esse jovem passar por um teste. Ele teve de fazer uma escolha entre suas propriedades e o senhor. Não passou no teste. A despeito de sua crença, uma vez que não estava disposto as abandonar tudo, não pode tornar-se um discípulo de Cristo. A salvação é para aqueles que estão dispostos a abandonar tudo (MACARTHUR, 2015, PG 105)”.

Mas a Bíblia fala em Lucas 19:2-10 de outro personagem, Zaqueu, um chefe de publicanos, que eram judeus contratados para cobrar impostos sendo que geralmente estes homens cobravam um dinheiro a mais das pessoas para embolsar uma grana extra. Eles eram conhecidos por serem desonestos, e ninguém frequentava a casa de um homem destes. Eram pecadores demais para que alguém de bem entrasse, mas Cristo entrou e aquele homem se arrependeu de uma forma que não hesitou em devolver o dinheiro que porventura tivesse roubado (V8).

O evangelho é um convite a mudança de vida, Cristo nos chama para uma nova experiência e para isso acontecer, precisamos abandonar a velha vida. Zaqueu e o Jovem Rico sabiam o que era preciso, mas apenas um se arrependeu, e se consertou de seus maus caminhos. Seguir a Cristo é ter uma nova vida, mudar significa ter uma nova postura diante de tudo e não temos isso se não agimos diferente.

BIBLIOGRAFIA

CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.

MACARTHUR, John, O Evangelho Segundo Jesus, Editora Fiel, São Paulo, 2015.

Deixe um comentário