Durante a crise de 2017 fiquei desempregado, normal, mais ou menos 14 milhões de pessoas também ficaram, algo comum durante uma crise, porém, algo um tanto quanto difícil de passar.
Sempre me recoloquei rápido no mercado de trabalho, mas desta vez a coisa não foi fácil, cheguei a gastar todo o meu dinheiro e ainda precisei vender alguns equipamentos extras de bateria para conseguir pagar as minhas contas, porém no fim consegui um trabalho, apesar das perdas.
O maior problema em estar desempregado sem qualquer perspectiva de trabalho é o sentimento de impotência, de não poder fazer nada. O desamparo e a falta de condições de pagar nossas contas nos faz ver o mundo de outra forma. É inevitável esmorecer, olhar para o céu azul e só ver escuridão.
O lado bom de estar sem um emprego é que prestamos mais atenção no próximo. Acabamos por ter mais empatia com quem não tem nada e acabamos até ajudando mais. Eu sou um cara que sempre tenta ver o mundo com os olhos da empatia, tento sempre me colocar no lugar dos outros antes de emitir uma opinião, mas às vezes as facilidades da vida nos cegam, tapam nossa visão quanto ao sofrimento alheio
Neste momento de desemprego eu vi muita gente sorrindo, mesmo que sem esperança. E mesmo que muitos me julgavam por estar sem trabalho já há tempos, pude ver como outros se preocupavam comigo. Foi realmente animador ouvir as palavras de apoio da minha esposa, foi gratificante ver amigos se preocupando, não tem preço saber que não estamos sozinhos.
É claro que eu já fiquei desempregado antes, não estou fazendo tempestade em um copo de água, mas há um tempo eu era solteiro, não tinha tantas responsabilidades e compromissos, por isso, o sentimento era diferente, o que eu tenho passado é algo totalmente novo para mim.
O maior problema de um desempregado é o sentimento de não poder fazer nada, de depender de algo externo para seguir. É claro que podemos sair vendendo coisas na rua, podemos correr atrás das coisas com nosso próprio esforço, mas a segurança do salário mensal não tem preço, sem contar que nem sempre temos o desprendimento de sair na rua para vender coisas.
Foi durante o meu desemprego que pontuei melhor o que iria fazer do meu futuro, foi neste período de falta que entendi o que queria para a minha vida daqui para frente. É no caos que construímos, é ante os problemas que prestamos mais atenção nas possibilidades, é quando estamos sem saída que achamos uma solução.
A falta de segurança nos faz sair do cômodo, a incerteza nos faz termos ideias e progredir, por isso, agradeço a Deus pelos períodos incertos, a escola do deserto é sempre a melhor, sem dúvida alguma, a dificuldade sempre nos traz uma lição, principalmente quando estamos abertos a ela.
