NATAL INFELIZ NATAL

Hoje é o primeiro dia após o natal, em um dia que poderia ser como todos, se não fosse pelo natal e a lembrança de que um dia um Deus veio ao mundo para morrer por nós, salvando o homem do pecado e unindo o homem em uma grande família, em um corpo onde Cristo é o cabeça. A pergunta que fica no ar é: “Que corpo?” Pois penso que depois deste nosso período político podemos ter certeza (pois eu já desconfiava) que o corpo de Cristo está cada vez mais dividido.

Não são só diferenças teológicas ou aquela velha briga de pentecostais e reformados. A discussão não é mais entorno da Bíblia ou como a interpretamos e sim sobre quem está certo e quem está errado. Quem tem a melhor visão política e quem não é inteligente (segundo estes). No fim a discussão é velha, remete aos tempos de Jesus e os velhos fariseus, que hoje trocam a túnica pelo paletó e gravata.

Quando eu vejo este caos todo eu tenho a plena certeza de que a conversão é justamente termos a certeza de quem nós somos, do quão pecador e podres os homens são e do quando precisamos de Deus, sendo que quanto mais vejo cristãos discutindo, mais tenho certeza que muitos cristãos precisam de Deus. Anselm Grün tem uma frase que resume muito bom a questão:

Onde não há humildade, também não há Deus (GRÜN, 1994, p. 106)

E penso que o que nos têm faltado é justamente a humildade e aquela percepção do quão pecador somos.

O natal é aquele momento de união, um momento de partilha a de graça, onde nos unimos comemorando o nascimento de quem veio para nos salvar. Mas que seja também um momento para refletirmos e percebemos como temos sido realmente hipócritas. Não adianta nos unirmos uma vez por ano, se no resto dele demonstramos o quão longe estamos de estar imitando a Cristo.

Não é que eu acredito que não devemos discutir e expor a nossa forma de pensar e sim como estamos expondo a nossa opinião.

Eu sempre digo que a forma como colocamos a nossa opinião diz muito mais o que somos, do que a própria opinião em si, sendo que as nossas atitudes e os frutos que surgem depois da conversão são visíveis justamente nessas horas.

 

BIBLIOGRAFIA

GRÜN, Anselm, O céu começa em você, A sabedoria dos padres do deserto para hoje, Editora Vozes, Rio de Janeiro, 1994

 

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