HOMEM BOM

É curioso como falamos de problemas políticos, economia ou problemas em nosso casamento, de uma forma como se a culpa não fosse nossa. Como se também não fôssemos responsáveis, seja por atitudes erradas, por nos calar ante a injustiça ou por termos votado no político errado. Considero realmente desanimador quando os debates políticos se resumem em terceirizar a culpa, ao invés de assumir seus equívocos e buscar mudança. Acredito que a política é um resumo do modo como em sua maioria pensamos. O poeta romano Juvenal há muitos anos atrás apontou de forma perfeita este nosso problema:

“Que homem bom não considera qualquer desgraça como algo da conta dele?” (LEWIS, 2017, p. 87)

Diante desta premissa, que com certeza contém várias variantes, e sem querer ser simplista, o que concluímos? Que não somos bons? E se nós somos, então por que quando olhamos as desgraças do mundo muitas vezes não nos posicionamos ou buscamos ter atitudes a fim de exterminá-la? Gosto de outra frase, que citarei a fim de engrossar ainda mais a reflexão e torná-la ainda mais ampla:

“Há dois tipos de injustiças: A primeira se encontra naqueles que prejudicam os outros, a segunda, naqueles que falham em proteger outra pessoa do prejuízo” (LEWIS,2017, p. 105)

Esquecemos constantemente que nos calar ante a injustiça também é errado. Deixar o caos perpetrar, com a frase furada “isso não me diz respeito” é também colaborar com o mal. Com isso, continuo com a pergunta “nós somos bons?”

Há muito tempo atrás o vídeo do deputado Tiririca foi compartilhado como se ele fosse um herói, quando o deputado afirmou que estava decepcionado com a política. Neste mesmo vídeo ele deu a entender que existia muita falcatrua e estava decepcionado com aquilo, por conta disso estava saindo da política. Porém, em momento algum ele se prestou em ir contra os fatos, preferiu se calar, como se a sua atitude fosse louvável, o que não foi. Quem se cala ante o mal, consente.

Cristo foi perseguido aqui na terra, pois não concordou com a religião legalista e mentirosa. Ele não demorou em denunciar e a bater de frente, mas muitos de nós, entre eles alguns que se dizem seu imitador, se calam.

Eu não me impressiono mais com a corrupção, já são tantos anos que infelizmente me acostumei, o que me tira a paz é a apatia da população quanto a ela e os constantes erros em eleger gente que não tem caráter e nem é honesto.

É fácil, ao avistarmos o caos e desgraça, desviarmos da rota e fazer de conta que aquilo não nos diz respeito, abraçar a causa, oferecer a mão que é o desafio. Levítico 19:18 diz:

“ame cada um o seu próximo como a si mesmo”

Jesus disse o mesmo em Mateus 7:12 e Confúcio também diz algo parecido:

“Nunca faça aos outros o que não gostaria que fizessem com você” (LEWIS,2017, p. 105)

Sendo que em todas estas frases, temos apenas um conceito absoluto e verdadeiro, o homem bom olha para o outro.  É impossível um homem bom ver o mal e se calar, se o mal ao próximo não te constranger e não te tirar à paz, você tem algum problema, com isso, você deveria revisar seu ponto de vista caso você se considere um homem bom!

 

BIBLIOGRAFIA

LEWIS, C. S, A abolição do homem, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro,2017

 

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