“Por trás do cadáver no reservatório,
Por trás do ressentimento em uma relação,
Por trás da senhora que dança e do homem que bebe de forma insana,
Por trás do olhar de fadiga, da crise de enxaqueca e do suspiro,
Há sempre outra história, há mais do que nos chega aos olhos” (W. H. Auden) (YANCEY, 2004, p.
29).
Há muito tempo fomos convidados para uma comemoração. O casal queria reunir os amigos para celebrar um momento muito especial em suas vidas, a grande questão era que eles não tinham condições de pagar por uma festa, por conta disso, propuseram uma festa nos moldes “festa por adesão”, mais conhecido como “cada um paga o seu”.
Foi legal ir e participar daquele momento especial e ainda poder rever os amigos. O restaurante era ótimo além de não ser tão caro, e o momento muito especial, por isso, nenhum amigo deixou de ir. O problema era que nem todos podiam pagar a conta, pois em meio a festa, um convidado tomava apenas um refrigerante. Era destoante, totalmente contraditório, mas ninguém via, todos estavam preocupados em comemorar.
O poema de W. H. Auden toca muito o meu coração, ele revela uma mensagem muito importante que eu resumiria como: “cada um tem as suas batalhas, nós não conhecemos a luta do próximo”.
Nem sempre o que vemos é o todo, quase sempre o que enxergamos é apenas uma ponta do que realmente está acontecendo. Existem histórias por trás das pessoas, batalhas que só quem está passando sabe como funciona.
Em meio a comemoração, ou entre nossas realizações e conquistas, existem muitos que enfrentam batalhas que muitas vezes nós não vemos. E quando descobrimos, muitas vezes não entendemos. São muitas variáveis para que consigamos entender o outro de forma plena. Seja o nosso ponto de vista, nossas crenças, as coisas que consideramos desafiadoras que muitas vezes usamos como medida para entender o próximo e nossas vivências que influenciam o modo como ouvimos e interpretamos o outro.
Por isso que, o respeito é importante na hora de ouvir alguém e compreender suas dificuldades.
Este meu amigo estava passando por dificuldades financeiras e estava com vergonha de falar. E como ele queria estar entre amigos, pediu só uma bebida, dando uma desculpa qualquer para não comer, a maioria aceitou a desculpa, o “problema” foi que alguns desconfiaram e resolveram investigar mais. É claro que nós intervimos e de forma sutil ajudamos. Ninguém tinha sobrando, mas foi fácil nos unir para acudir o amigo.
Em meio as suas comemorações aprenda a olhar em volta, às vezes por conta da alegria e do momento de comemoração, não vemos o outro. Aprenda que cada um tem suas dificuldades, entenda que sempre há uma história por trás de uma pessoa, e esta história deve ser ouvida e compreendida sem nossos pontos de vistas. Cada um sabe onde dói o calo, cada um tem seus medos e dificuldades, diminuir a dificuldade alheia por achar ser uma dificuldade pequena é seguir sem empatia, acreditando que tudo gira em volta de você.
Nem sempre a luta que você vê é a que está sendo travada. Quase sempre existe muito mais história do que o que apenas vemos ou ouvimos. Pois uma luta é única, cada batalha tem um teor e um nível de dificuldade que só quem está enfrentando sabe como é.
BIBLIOGRAFIA
YANCEY, Philip. Rumores de outro mundo: A realidade sobrenatural da fé. São Paulo: Editora Vida, 2004.
