Em algumas igrejas cristãs, o anti-intelectualismo é muito comum. Não é raro ouvirmos que “a letra mata, mas o espírito vivifica”, citado de forma totalmente descontextualizada e com uma interpretação totalmente equivocada de Segunda Epístola aos Coríntios 3:3, como se o texto nos avisasse que não precisamos estudar a Bíblia, ou que o conhecimento intelectual mata a fé.
Crer nunca foi desligado do pensar, orar e buscar em Deus a iluminação e a sabedoria não nos isenta de estudar e procurar conhecer a palavra, ou algumas ferramentas de interpretação bíblica. Entenda que Deus nos fez seres racionais, indivíduos pensantes, ao contrário dos animais, que vivem por instinto:
“Deus fez o homem à própria imagem, e uma das mais nobres características da semelhança divina é a capacidade do homem de pensar” (STOTT, 2012, p. 29).
Fomos criados para pensar, com isso, é totalmente contraditório achar que ser cristão é ser algo oposto ao modo como Deus nos criou.
Paulo usou o seu conhecimento da cultura grega para pregar no Areópago. Jesus usou do seu conhecimento bíblico para rebater as tentações no deserto e a Bíblia toda é recheada de orientações que falam de aprender, conhecer e estudar.
No fim, o que acho é que muitos cristãos têm preguiça e, para justificar a sua falta de comprometimento com o estudo, eles acabam por demonizar o estudo e enfatizar somente a oração.
Jonh Sttot enfatiza o modo racional de como o evangelho chegou até nós, mostrando a contradição que é achar que o pensar também não faz parte da vida cristã:
“Deus se revelou por meio de palavras direcionadas a mentes. A revelação é uma revelação racional para criaturas racionais” (STOTT, 2012, p. 35).
Ser cristão é com certeza orar, buscar a Deus e ter intimidade com Ele, mas também é gastar um tempo entendendo a Sua palavra e também o mundo ao nosso redor, para que, como Paulo, no Areópago (Atos 17:15-34), possamos transmitir a mensagem com sabedoria.
Crer e pensar é tão importante quanto ter fé. Só ensina quem sabe, só auxilia o próximo quem tem vida com Deus e conhecimento. Caso contrário, seguiremos ensinando coisas que a Bíblia não ensina, como temos visto nas igrejas.
BIBLIOGRAFIA
STOTT, John. Crer é também pensar. São Paulo: ABU Editora, 2012.
