A ODISSEIA DA DOR IX: ATALHOS

Quando eu era mais novo, costumava fazer trilhas, passávamos a noite toda percorrendo uma mata fechada só pelo prazer de andar pela natureza. Em uma destas caminhadas, conhecemos alguém que conhecia um atalho para chegar mais rápido ao fim da trilha. É claro que ficamos felizes, o grande problema foi que nós nos perdemos, e demoramos ainda mais do que se estivéssemos pegado o caminho normal.

Descobri, quando tive que lidar com este período difícil, que para você conseguir respostas e explicações realmente relevantes, você não pode pegar atalhos. Ao contrário do que muitos pensam, os atalhos não são úteis, eles cortam caminho sim, mas também cortam as experiências que deixamos de viver ou aprender ao cortarmos o caminho. Philip Yancey complementa este ponto afirmando que:

“Ansiamos por atalhos. Mas os atalhos geralmente nos afastam do crescimento, não nos aproximam dele” (2004, p. 220).

Todas as dúvidas e os questionamentos que eu tive sobre a fé, me levaram a buscar respostas. Foi isso que me motivou a ler ainda mais, pesquisar e é claro orar. Hoje conheço muitos autores importantes, além de entender a dor e o sofrimento por outro viés. O sofrimento me fez crescer, aprendi e cresci muito com ele, coisa que não iria acontecer, se tudo tivesse sido resolvido de forma mágica, com uma espécie de atalho. 

Você deixa de aprender quando pega atalhos, e por mais que buscamos em Deus por respostas e oramos pedindo um milagre. Todo o processo de busca, entrega e confiança, que depositamos em Deus, acaba sendo uma lição, que nos faz crescer e confiar ainda mais nele.

Não adianta olhar a resposta atrás do livro, é preciso se debruçar no problema matemático e procurar resolver, assim é na vida. O processo de prática, reflexão, e resolução, é a lição que trará a você aprendizado e crescimento (2004, p. 220).

Eu lembro ainda da primeira trilha que eu fiz, era uma caminhada de mais de 6 horas. O caminho era bem acidentado, tinha rios, e alguns trajetos que era preciso escalar, mas era muito legal chegar no final. A sensação de dever cumprido, a beleza e toda a experiência do trajeto, eram impagáveis.

Nem sempre (ou quase nunca), Deus responde a nossa oração de forma milagrosa. As vezes ele apenas nos dá força para enfrentar o caos, ou mesmo muda o nosso olhar ante os problemas. A oração, eu vejo muito mais como uma entrega do que como uma fórmula mágica. Pois quando Deus age, quase sempre é em nós.

Depois de todo este período, fiquei mais forte, e entendi a questão que por muitos anos, me deixava com dúvidas e sem resposta. O sofrimento me ensinou a acima de tudo, olhar para Deus, e não tirar os olhos dele. Que no mais, são atalhos, que não nos levam a lugar algum.

BIBLIOGRAFIA

YANCEY, Philip, Decepcionado com Deus: três perguntas que ninguém ousa fazer, Editora Mundo cristão, São Paulo, 2004.

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