“Deus criou a vida humana de forma que dependêssemos uns dos outros para sermos o que ele quer. Precisamos de ajuda do outro para aprender a amar a Deus. Também precisamos da ajuda do outro para aprender a amar o próximo. O cristianismo do cavaleiro solitário é uma contradição” (FOSTER, 2008, p. 213).
Eu tive a grande alegria de congregar em igrejas no qual fui útil, e também onde eu aprendi, cresci e amadureci como cristão. Sou grato a Deus por todos os pastores que me ajudaram e me ensinaram. Embora que em algumas destas ótimas igrejas, eu também tenha tido muitas decepções. É normal nos decepcionarmos, e geralmente isso acontece, por justamente gostarmos muito do lugar. É quando gostamos do ambiente, da pessoa ou do convívio, que nos ferimos mais. São justamente estas pessoas que nos atingem.
É totalmente compreensível, após uma decepção, querermos nos fechar, pararmos de irmos à igreja, e seguirmos nossa fé em carreira solo. Esta é a primeira atitude de quem se decepciona, normal. Sendo que este fenômeno dos “sem igreja”, tem crescido cada vez mais, justamente por conta das decepções com pastores, igrejas e líderes.
O grande problema do cristianismo solitário é que ele não existe. Veja bem, não é possível amar, vivendo uma vida solitária. O amor, conforme a Bíblia nos ensina, é fruto do convívio, da comunhão, da convivência. Para que possamos amar e desenvolver o amor ao próximo, eu preciso estar com as pessoas, com os nossos irmãos.
Deus nos criou para sermos um corpo, é o que Paulo fala lá em 1 Coríntios 12, quando ele fala sobre os dons na igreja. A vida cristã é uma vida comunitária, de ajuda mútua e apoio, não existe cristianismo solitário. E acaba sendo contraditório, visto que não é possível exercer o amor sozinho. Mas eu compreendo a dor de quem já passou por este tipo de decepção e não quer mais estar em uma comunidade.
Creio que o grande problema de quem passa por decepções, é justamente generalizar. Por termos nos decepcionado, generalizamos e acreditamos que todas as igrejas, pastores e líderes serão iguais. A generalização é um problema, pois impede você de ver as pessoas. De perceber como há pastores idôneos, e verdadeiros servos. Lidar com a decepção e impedir que ela contamine a sua visão é uma atitude fundamental, para que assim, você não se feche para as pessoas.
Um outro grande problema é acreditarmos que tudo deve ser da nossa maneira, e isso é um erro, dos mais graves. É possível discordarmos das coisas, mas continuarmos servindo a comunidade. Pois acima de tudo, a igreja existe para servir a Deus e não a nós. É claro que é fundamental estarmos em uma comunidade que possui um trabalho no qual você se identifica. E é legal também estarmos onde o nosso dom pode ser útil, mas precisamos tomar cuidado para não acharmos que tudo deve ser no nosso jeito.
A vida cristã é vivida em comunidade, em total apoio mútuo e serviço mútuo. É quando estamos juntos que aprendemos a amar, que crescemos e servimos. Isso é vida cristã. 1 João 3: 11 diz que devemos amar uns aos outros. A questão é que, para que isso seja possível, eu não posso estar isolado.
BIBLIOGRAFIA
FOSTER, Richard, A liberdade da simplicidade: encontrando harmonia num mundo complexo, Editora Vida, São Paulo, 2008.
