“Se você está se sentindo distante de Deus, adivinhe quem mudou” (YANCEY, 2006, p. 52).
Em uma altura da minha vida, há alguns anos atrás, tive a impressão que tudo não fazia mais sentido. Não tinha mais lógica ler a Bíblia, quando eu orava, parecia que estava falando com as paredes, e na igreja, não sentia mais Deus como antes. Era estranho, parecia que eu caminhava sozinho, distante de tudo e de todos, inclusive de Deus. Sendo que foi nestes dias que os primeiros questionamentos sobre Deus e a sua existência, surgiram. Será que Deus realmente existia? Esta era a pergunta que retumbava em minha mente e foi a partir deste ponto, e de algumas dificuldades, como eu falei em outros textos, que eu comecei a ter problemas com a minha fé, e a empreender a minha odisseia.
A história de Jó me impressiona justamente por conta disso. Era nítido o fato de que Deus tinha abandonado Jó. Inclusive os amigos que haviam vindo para consolá-lo, deram a entender também isso. Deus estava castigando Jó, Deus havia abandonado aquele homem. Resumindo um pensamento que fazia parte da cultura da época. Se você estava sofrendo, eles acreditavam que era por sua culpa ou mesmo culpa dos seus pais.
A parte interessante na narrativa de Jó é que ele não virou as costas para Deus. Em meio a dúvida, por conta da situação que ele se encontrava, até uma audiência com Deus ele pediu (Jó 13:3), contudo, desistir de Deus não era uma de suas opções.
É normal passarmos por vales, por momentos que temos a impressão de que Deus não está mais olhando para nós ou o pior, como eu mesmo pensei, acreditar que Deus não existia.
A questão é que ao me lembrar destes momentos de dúvida, percebi que foram fases que justamente eu estava mais frio, não orava mais, nem lia a Bíblia. Acreditava que Deus havia me abandonado, mas na verdade, era eu que havia abandonado a minha comunhão com ele.
Na vida corrida, sem querer vamos mudando de prioridade. Nos dedicamos ao estudo, nos preparamos para a nossa profissão, procuramos ser honestos e não deixamos de frequentar os cultos, só esquecemos do principal, que é a nossa comunhão com Deus.
Quando começamos a crer que Deus está distante, a verdade é que nós é que nos distanciamos dele. O colocamos em segundo plano, e não damos as devidas prioridades que um Deus poderoso, como o nosso, deveria ter em nossa vida.
A vida cristã é uma prática, não um costume mecânico, mas uma busca incessante por um Deus que prioriza a comunhão. Tal busca não pode ser baseada em emoção e em sentir. É preciso buscar em amor, por um Deus que anseia estar conosco. A busca é racional e sincera.
As vezes aquelas orações que pareciam frias, que não passavam do teto, só resumiam a minha própria condição, e o quanto eu estava priorizando estar com o Criador. Naqueles dias eu estava sentindo Deus distante de mim, mas na verdade, era eu que estava distante dele, era eu que havia desanimado e não mais confiava em sua graça.
Pense nisso, quando você se sentir assim e lembre-se que a prioridade de orar e ler a palavra de Deus é a atitude fundamental para quem quer estar mais perto do criador. As vezes acreditamos que Deus se distanciou de nós, mas não percebemos que fomos nós que nos distanciamos dele.
BIBLIOGRAFIA
YANCEY, Philip, A Bíblia que Jesus lia, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2006.
