DILEMAS DA CRUZ

“É um dilema inexplicável – como duas pessoas podem ouvir as mesmas palavras e ver o mesmo Salvador, e uma ver esperança e a outra nada ver além de si mesma” (LUCADO, 2007, p. 93).

Se formos enumerar os motivos nos quais alguém vai a igreja, perceberemos como eles são muitos. Algumas pessoas vão a igreja para se sentirem bem, outros por conta da música, tem gente que vai por causa de amigos ou eventos. E com isso alguns passam a frequentar e se convertem e muitos não, apesar de gostarem do ambiente. Esta dinâmica sobre o porquê algumas pessoas aceitam a Jesus e outras não, me deixa pensativo.

O evangelho é misterioso, não é só Deus que é inexplicável, com certeza todo o processo de conversão também é. E a parte mais complicada é entender o motivo no qual Deus morreria por seres humanos caídos, nunca entenderemos o seu amor e muito menos descobriremos por que uma divindade lavaria os pés de discípulos, além de ter mandado que nós fizéssemos o mesmo. O evangelho é loucura, a salvação é inexplicável, não tenha dúvidas. O evangelho usa uma lógica bem oposta a lógica humana.

O episódio que Max Lucado se refere na epígrafe do texto é o da crucificação. Cristo estava pregado e ao seu lado também estavam dois criminosos. O dilema, que considero difícil de explicar, é que um dos criminosos estava vendo um salvador e o outro, via apenas um homem, e zombava dele, como todos em volta zombavam. Um seguia a multidão, mas o outro visualizava um salvador e percebia o quão injusto era aquela crucificação.

Em nosso cotidiano é possível vermos atitudes semelhantes, pessoas que ouvem o evangelho e se convertem, vivendo depois uma vida dedicada a Deus. E outras que ouvem e até acham legal a mensagem, mas não se convertem, a mensagem não toca em seus corações.

Desde os pais da igreja, como Agostinho, até alguns reformadores, como Calvino, este mistério segue sem explicação. Alguns até tentam explicar, mas a verdade é que não podemos concluir de forma realmente acertada tal assunto.

Algumas sementes frutificam, outras não, e são sufocadas pelos espinhos deste mundo (Mateus 13:22-23). Principalmente quando acreditamos estarmos certos, quando cremos que sabemos qual é o melhor caminho para seguir.

O orgulho é uma doença perigosa, acreditar que estamos certos e todos os outros errados, nos impede de realmente ouvirmos e entendermos de verdade as coisas espirituais e principalmente, impede que o Espírito Santo trabalhe em nosso coração.

A Bíblia diz que é o Espírito Santo que convence do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8). É ele que nos mostra quem somos e do quanto precisamos da graça. Contudo, a Bíblia também nos dá um alerta e nos manda não resistirmos ao Espírito Santo (Atos 7:51). Com isso, quando optamos em resistir, seguindo assim nosso orgulho, certamente pereceremos. 

A cruz é o sinal de um tempo, um período onde Deus veio até a terra, morreu por nós e nos trouxe salvação. Mas para que ela seja efetiva em nossa vida, precisamos permitir que o Espírito Santo atue. A salvação não é um mérito nosso, ela é única e exclusivamente oriunda da graça de Deus através da sua graça capacitadora, mas precisamos permitir que o Espírito atue e transforme a nossa vida. Caso contrário, seguiremos os nossos próprios caminhos e vontades, sem frutificar, sem termos a vida transformada, nos perdendo em nosso próprio engano.

BIBLIOGRAFIA

LUCADO, Max. Seis horas de uma sexta-feira. 2. ed. São Paulo: Editora Vida, 2007. 

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