O PERIGO DA INDEPENDÊNCIA

“A recusa em ser dependente dos outros não é um sinal de maturidade, mas de imaturidade” (STOTT, 2011, p. 91).

Quando eu era novo, um dos meus grandes anseios era ser independente. Eu queria muito sair, trabalhar e viver a minha vida. Sendo que um tempo depois eu consegui fazer isso e aprendi que na verdade, não somos totalmente independentes.

Vivemos em sociedade e como é característico nesta forma de viver, cada um depende um pouco do outro. Não é possível sermos totalmente independentes, visto que precisamos uns dos outros para termos a mínima condição de existir. Desde o profissional que faz o pão, aquele que corta a carne, dependemos dos agricultores e nas inúmeras pessoas que nos prestam serviços. Não dá para viver sozinho, ninguém é uma ilha, totalmente independente. 

O dinheiro tem a característica de nos dar este sentimento de superioridade e independência. As riquezas nos colocam em um patamar e conseguem separar as pessoas em classes. Mas quando refletimos e aprendemos a pensar, percebemos como somos dependentes. Até o mais rico dos homens, depende dos trabalhadores para o seu negócio, a sua casa ou projeto. Sem as pessoas, nada em sua vida conseguiria ir para frente.

Na igreja não é diferente, pois é impossível sermos cristãos solitários. Precisamos uns dos outros, o próprio ato de amar, aprender e conviver, que são pontos essenciais da fé cristã, são ações que não podem ser praticadas sozinhas. Não existe cristianismo quando estamos trancados em nossas quatro paredes. A fé é exercida através da vida em comunidade. 

Isso sem contar que todos os trabalhos dentro da igreja possuem a sua importância. O pastor prega e pastoreia as pessoas, o músico toca no louvor, o pessoal da limpeza faz a manutenção do prédio e por aí vai. Todos dentro da obra são importantes. Não há hierarquia dentro do reino, pois todos possuem as suas funções. O que há são responsabilidades diferentes, sendo que algumas funções possuem responsabilidades maiores e mais desafiadoras, mas todos estão unidos em um propósito apenas.

Lembre-se que somos um corpo só, sendo que Jesus é a cabeça deste corpo (Romanos 12:4-5). A igreja é uma só, sendo composta por várias partes, cada uma com a sua função, igual ao corpo humano. Não há lugar para a caminhada solitária quando falamos de vida cristã e muito menos há uma função mais importante do que outra no reino. Todos são úteis e fundamentais para a obra de Deus.

Por isso, cuide do seu sentimento de independência, perceba como somos dependentes e o quando a vida em comunidade é essencial. Caminhar com os outros e aprendermos a servir uns aos outros é um ponto fundamental do evangelho. 

Somos dependentes um dos outros, a vida cristã é isso, é viver em comunhão, apoiando e cuidando como um cristão maduro deve ser!  

BIBLIOGRAFIA

STOTT, John. O discípulo radical. 1. ed. Viçosa: Ultimato, 2011.

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