FOCO SELETIVO

O foco é algo muito importante, ele direciona o nosso olhar e permite vermos determinada paisagem com mais detalhes. Todavia, o foco também impede alguém de enxergar algo que não está em seu campo de visão ou mesmo que não é sua prioridade. Nós vemos apenas as coisas que focamos.

Em nossos dias, em meio aos excessos e as muitas opções que temos, o foco nos ajuda a não sermos distraídos pelas coisas que não valem a pena e a ignorar outras realidades. É o lugar que você foca, que define o que você enxerga e a direção do seu olhar. Jordan Peterson explica que:

“Onde você foca determina o que vê” (PETERSON, 2018, p. 98).

A citação diz respeito a como o ser humano vê apenas as coisas que ele foca, é uma ação intencional, que leva um indivíduo a olhar e perceber algo. A ação oposta também é verdadeira, é fácil ignorar alguns fatos, histórias ou coisas que estão acontecendo, basta olharmos para o outro lado. Onde você foca, determina o que você está enxergando, como Jordan Peterson coloca, é o foco que ajuda você a perceber ou ignorar os fatos.

Em nossa vida, é fácil focarmos nos problemas sem percebermos as pequenas vitórias, os avanços que estamos tendo em outras áreas. Ou mesmo focarmos nos sonhos, sem percebermos o hoje. O foco determina bem as coisas que vemos.

Na política, o foco ajuda muitos a ignorarem fatos. É assim que indivíduos insistem em apontar os erros dos outros, deixando passar despercebido verdades de sua ideologia que precisam ser notadas. A pessoa acusa o outro, sem notar a violência da sua ação, diminui o pensamento alheio, insistindo que ideias diferentes não podem existir, mas a sua ideia pode. Depois, esta mesma pessoa segue querendo combater a intolerância e militar por uma sociedade plural, com muitas ideias. Mas é claro, são só as ideias que ele valida que podem existir neste seu mundo dos sonhos.

Na história, a ação não difere dos militantes de esquerda. Eles acusam seus opositores das mais diversas barbáries, o capitalismo de ser injusto e o conservadorismo de ser um veneno retrógrado, mas se esquecem do que o comunismo fez na maioria dos países nos quais esteve presente. Perceba como existe em muitos discursos um foco seletivo, não é uma reflexão honesta, onde as pessoas confessam os erros que aconteceram e buscam construir um lugar melhor. É um pensamento desonesto, que aceita suas falhas, mas que insiste em apontar as falhas dos outros.

Perceba como o foco é incrivelmente impressionante e perigoso. É fácil sermos traídos pelas nossas ideologias, deixando assim de percebermos o todo de uma questão. Somos ajudados e traídos pelo nosso foco.

Jordan Peterson nesta obra explica como a visão é totalmente dependente do foco, sendo que o ser humano foca apenas nas coisas que ele dá valor e, para comprovar isso, Peterson expõe a experiência do psicólogo cognitivo Daniel Simons. Este psicólogo estudava um fenômeno chamado de “cegueira por desatenção”. Para isso, muitas pessoas participaram da sua pesquisa, se sentando em frente a um monitor que mostrava uma plantação de trigo. Depois de um tempo e de forma bem lenta, aparecia uma estrada em meio ao trigo, não era algo sutil, era uma trilha bem grande e visível, mas que a maioria dos participantes não notava (PETERSON, 2018, p. 99).

Entretanto, Daniel Simons ficou famoso por outro experimento bem interessante, que mostrava como as pessoas não conseguiam perceber um homem fantasiado de gorila, enquanto contavam quantas vezes os membros de uma equipe arremessavam uma bola entre eles (PETERSON, 2018, p. 99).

O objetivo deste pesquisador foi provar como o ser humano possui um olhar seletivo. Nós percebemos pouca coisa e focamos apenas no que nos interessa. Nós só percebemos as coisas que entram em nosso campo de visão ou em nossos interesses, o restante nós ignoramos.

A questão do foco nos mostra que precisamos aprender a olhar além, a perceber o outro com um olhar mais humano, a respeitar a opinião contrária à nossa e sermos honestos quanto às nossas ideologias e formas de pensar. Para vermos, precisamos nos posicionar e buscar enxergar além do que imaginamos. Tendo em mente que errar e deixar de perceber as nossas contradições, é algo comum. Creio que, com este posicionamento, podemos errar menos.

Cuidado com o foco seletivo, com aquela tendência de criar uma narrativa, em nome de uma ideologia e forma de pensar. É fácil sermos traídos pelos nossos pontos de vistas e escondermos a verdade de uma questão.

A verdade deve ser o nosso ponto de partida, aceitá-la, por mais amarga que ela seja, é a atitude mais inteligente que podemos ter.

Bibliografia

PETERSON, Jordan B. 12 regras para a vida: Um antídoto para o caos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2018.

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