Nossas escolhas e prioridades quase sempre nos definem, sendo que as nossas ações são mediadas justamente por nossas prioridades e pensamentos. É impossível desligar as nossas crenças, das ações, por isso que, precisamos ser cristãos conscientes e centrados em nossa maneira de ser, com fundamentos sólidos na palavra. Seguir a Deus é uma prática, resumida em obediência e equilíbrio, já que, tudo passa pela mente, em como acreditamos. A Bíblia dá um bom exemplo disso, quando ela fala de Marta e Maria (Lucas 10:38-42).
No texto bíblico lemos que Jesus ao chegar em um povoado, foi recebido por Marta e Maria. Sendo que Maria optou em ficar sentada aos pés de Cristo para ouvir e aprender com ele (Lucas 10:39). E Marta já preferiu se concentrar no serviço, ela estava bem inquieta para servir da melhor forma possível e não gostou do posicionamento de Marta, terminando por exigir que Cristo pedisse para ela ajudá-la (Lucas 10: 40).
Perceba que o texto bíblico fala de duas abordagens, duas formas de viver a vida cristã. A primeira é a abordagem da Marta, que servia de forma ativa, mas estava ausente de Cristo, distante de sua presença. O propósito dela era fazer as coisas, trabalhar em prol do reino, apenas isso. Peter Scazzero explica um pouco a abordagem de Marta:
“O problema de Marta vai além de sua ocupação. Sua vida está fora de centro e dividida. Desconfio que, se Marta tivesse de sentar-se aos pés de Jesus, ainda estaria distraída com tudo em sua mente. Sua pessoa interior é sensível, irritável e ansiosa. Um dos sinais mais óbvios de sua vida estar com defeito é que ela chega a dizer a Deus o que fazer! (2013, p. 63).
Imagine que você tem a oportunidade de receber o próprio Cristo em pessoa, igual Marta e Maria, qual seria a sua atitude diante desta possibilidade? Este exercício serve também para avaliarmos a nossa vida espiritual. Qual é a sua prioridade, o trabalho e o ativismo, ou a sua comunhão com Deus?
A segunda abordagem é a de Maria, alguém que quando foi visitada por Jesus, optou em ouvi-lo e desfrutar da sua presença. Não tem outra forma de ouvirmos Deus, é só parando e escolhendo ficar aos seus pés. Alguém que não para de maneira alguma, nunca vai conseguir ouvir. É preciso ter atitude e um comportamento para assim conseguirmos ouvir Deus e as pessoas.
Conheço cristãos que passam a semana inteira na igreja, são pessoas que trabalham de forma ativa na igreja, mas se esquecem da sua vida espiritual. Veja bem, é fundamental trabalharmos na obra de Deus, contudo, temos uma prioridade que é nossa espiritualidade. Tudo começa com o seu secreto, com uma vida de oração e leitura da palavra, estes são os primeiros passos de um cristão. O ativismo nos distancia de Deus e cultivar um período de ócio, reflexão na palavra e oração, nos faz termos intimidade com ele.
Precisamos ficar atentos, visto que, um mundo que valoriza muito mais o fazer, as atividades e o trabalho, nos leva a ignorar o nosso secreto com Deus. Isso que eu nem falei da importância de ter um tempo de qualidade com a família, que também é fundamental. Scazzero novamente complementa:
“Quando eu tenho suficiente “tempo de desaceleração” sozinho, descubro que minha atividade é marcada por uma profunda e carinhosa comunhão com Deus. Então a vida de Cristo, na maioria das vezes, flui de mim para outras pessoas” (2013, p. 66).
A espiritualidade saudável é marcada tanto pelo serviço, quanto pelo secreto com Deus. Não é possível sermos relevantes se não paramos para falar com Deus e ouvi-lo através da sua palavra. Sendo que tal prática flui para outros, como a citação pontua. Como vamos oferecer algo se nós estamos vazios?
O desafio do equilíbrio na espiritualidade cristã é sempre grande. Servir a igreja, mas também prestar atenção em Deus e a sua palavra, é igualmente fundamental. O ativismo é um veneno, uma igreja saudável consegue mesclar o trabalho com o tempo de descanso e contemplação. Como vamos ouvir se não paramos para prestar atenção em Deus? Em contrapartida, viver uma vida estática, sem servir é de igual forma perigosa, por isso que o equilíbrio na vida cristã é um elemento definidor. Fritz Rienecker resume de modo assertivo as abordagens de Marta e Maria, mostrando como as duas práticas são fundamentais:
“O zelo de Marta e o sossego devoto de Maria podem, quando unificados, favorecer o bem e a harmonia da igreja fiel” (2005, p. 246).
Precisamos trabalhar, porém, também nos aquietar. A vida cristã é uma vida de serviço sem ativismo, com quietude, mas sem estagnação. Por isso, busque sempre ter zelo pela obra, servindo de coração, no entanto, aprenda também que existe a hora de parar e ouvir Deus.
BIBLIOGRAFIA
RIENECKER, Fritz. Evangelho de Lucas: Comentário Esperança. Curitiba, Editora Evangélica esperança, 2005.
SCAZZERO, Peter. Espiritualidade Emocionalmente Saudável: Desencadeie uma revolução em sua vida com Cristo. São Paulo: Hagnos, 2013.
