Existe uma diferença bem grande entre as igrejas que procuram incentivar seus membros a viverem uma vida de santidade, acompanhando e apoiando as pessoas, auxiliando-as a conseguirem imitar a Cristo. Daquelas igrejas que tentam impor, segregar e humilhar aqueles cristãos que falham. É um grande desafio ser cristão, às vezes, em meio à caminhada, cometemos erros.
A tolerância foi um dos grandes presentes que recebi de uma igreja que frequentei por anos. O pastor não demorava em apoiar e dar uma nova chance àqueles que cometiam erros. Por conta disso, muitos cresceram e aprenderam a seguir o evangelho de modo genuíno.
O ponto importante sobre a tolerância é justamente entender que só é tolerante aquele que entende que todo mundo erra, inclusive ele. O pastor ou o líder que têm esta mentalidade normalmente é flexível. A consciência da falibilidade humana gera um espírito paciente.
Lembro-me de um amigo que foi pedir ajuda para este mesmo pastor, em uma área em que ele (o pastor) também tinha dificuldade. E este amigo ficou admirado com a sinceridade do pastor ao confessar a mesma falha e, neste caso, ele conseguiu ajudar ainda mais o amigo com a troca de experiências e ainda quebrar aquela visão errônea que muitos têm em acreditar que todos os pastores são perfeitos. Saber que não somos os únicos a passar por certas dificuldades nos ajuda, além de termos o apoio de quem entende bem nossos desafios.
O tolerante é alguém consciente e clemente, por entender a condição humana e se colocar como apoio e não como juiz inclemente. Normalmente, em ambientes onde os líderes são intolerantes, uma boa parte dos membros acaba sendo tolhido de falarem dos seus erros e por isso, estes nem sempre conseguem mudar e o ambiente acaba se tornando tirânico, onde o diálogo e a mudança não existem. Augusto Cury fala sobre isso, quando pontua que:
“Quando não existe tolerância e afetividade, o melhor dos ambientes, mesmo que religioso, é tirânico” (2006, p. 65).
Onde não há espaço para sermos quem somos e não há apoio para mudarmos e crescermos espiritualmente, também não há verdade. No final, são apenas pessoas interpretando um papel, usando máscaras para esconder suas reais aparências.
E a igreja, por ser um hospital de almas, precisa ser um lugar onde falar das dificuldades seja algo comum, sendo este o primeiro passo da mudança. Confessamos para buscar a cura, enquanto nos apoiamos mutualmente, para conseguirmos vencer as nossas dificuldades. Só mudamos quando confessamos os nossos erros e seguimos na busca por mudança.
Não existem líderes infalíveis, todo mundo erra, sendo que o intolerante acaba errando duas vezes. Primeiro por não confessar que é falível; segundo, por não dar espaço para os irmãos se confessarem e tratarem suas dificuldades. Uma igreja saudável é um local de compreensão e apoio.
Uma igreja precisa ser primeiramente bíblica, a palavra de Deus deve estar sempre no centro da comunidade e também precisa ser um espaço de apoio e cura. Um lugar onde confessar nossos erros e sermos acompanhados seja uma prioridade.
Bibliografia
CURY, Augusto. Os segredos do Pai-Nosso: A solidão de Deus. Rio de Janeiro: Sextante, 2006.
