MEDITAÇÕES SOBRE OS DIAS DE TRISTEZA

Eu sempre encontrava a mesma pessoa todas as manhãs, um indivíduo que transpirava alegria e motivação. Gosto muito de levantar cedo, mas desconfio de pessoas muito alegres, principalmente daqueles que você raramente vê triste ou mesmo indiferente, tal qual, aqueles dias que não sabemos se estamos melancólicos ou alegres. A vida não é uma constante explosão de felicidade e motivação, como muitos fazem parecer, ela tem seus altos e baixos, e não há nada de errado nisso.

Existe uma certa ingenuidade nas pessoas muito motivadas e felizes, é como se a vida precisasse ser sempre divertida, como se a tristeza não fosse um sentimento genuíno e não tivesse a sua utilidade.

Nos momentos de tristeza eu escrevo, medito e componho poesias. Presto mais atenção nas coisas quando estou um pouco mais melancólico. Nos momentos de alegria, a vida, a meu ver, parece mais rápida e instantânea, parecida com aqueles filmes ou músicas tocadas em uma velocidade rápida, onde as pessoas só vivenciam para cumprir um protocolo social, mas que no final, não estão conseguindo entender e desfrutar de nada.

Gosto de assistir à vida em câmera lenta, desfrutar dos minutos e tentar ver todos os detalhes do momento. É por isso que busco sempre não ter tantos compromissos, seguindo o caminho, sem tantas bagagens e atividades. Menos é sempre mais, e nos dá o poder de aproveitar os momentos com mais cuidado. O excesso de atividades não nos permite desfrutarmos da vida.

O tédio é ótimo e a vida é muito mais do que seguir em busca da tal felicidade, que só existe conceitualmente. Viver é desfrutar de todas as oportunidades que Deus nos proporciona com muita calma, vivenciando todos os instantes. Sejam eles de tristeza, que pode ser um momento de reflexão, um dia de euforia, que pode ser um período de comemoração ou alegria. Ou aqueles momentos de solitude, contemplação e tédio. Não há problema algum em vivenciar tais ocasiões, o erro é ficar mergulhado nestes episódios de tristeza, euforia ou ócio. É por isso que eu me preocupo muito com pessoas exageradamente alegres ou eufóricas, visto que, são indivíduos que só veem a música tocar, sem aproveitar a melodia.

Aprecio a sabedoria de Eclesiastes, em um dos mais conhecidos capítulos ele nos ensina que para tudo há um tempo certo (Eclesiastes 3:1), a vida é assim, como ele explica no texto. Existe o tempo de nascer e morrer, de plantar e colher o que foi plantado (v. 2), e no versículo quatro ele diz que há o tempo de chorar e também rir (v. 4). Há um tempo certo para tudo e nestes momentos, não precisamos disfarçar, sendo que, é possível aproveitar as etapas da vida como elas são, como pontuei, seja escrevendo, pensando ou desfrutando do dia.

A natureza tem as suas estações e quando aprendemos a acompanhar o ciclo da vida, aproveitando cada instante como ele é, seguimos mais leves, lembrando que tudo é dádiva de Deus. No verão aproveitamos o calor, as flores e a vida pulsante. No inverno, nos recolhemos, cultivamos a solitude e o calor de uma boa conversa com os nossos amigos e familiares.

Viver é isso, é saber passar por todas as estações da vida, aproveitando-as da melhor forma possível.

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