Não tem preço a oportunidade de poder passar o dia inteiro em contato com a natureza, na companhia de amigos e familiares. Os conhecidos retiros, que algumas igrejas promovem em chácaras, ou mesmo as caminhadas na natureza, que algumas cidades organizam, têm o poder de mostrar o que realmente vale a pena, mas que às vezes nos esquecemos, por estarmos mergulhados nesta incessante vida urbana.
A vida simples e a busca pelo equilíbrio nesta nossa sociedade complexa, que estabelece o consumismo como modelo de vida, acabam sendo uma revolução, uma prática que segue na contramão da lógica atual. E sair deste ciclo ilógico é o melhor caminho para vivermos bem e de forma saudável. Ana Cláudia Quintana Arantes resume bem a arte de valorizarmos aquelas coisas que não têm preço:
“Se essa gente boa se preocupasse em cuidar bem de perto de tudo que a gente não pode comprar seria muito mais fácil ser feliz, porque na vida o que conta mesmo é o que não se conta” (2020, p. 48).
Aprendi ainda bem novo, perdendo muitos parentes queridos e amigos, que nada é para sempre, pelo menos aqui na terra. A nossa vida segue sempre em constante mudança e transformação, sendo assim, valorizar os momentos e as coisas que o dinheiro não pode comprar é indispensável.
Por mais importante que seja conseguirmos um bom trabalho, avançar na carreira profissional, entre tantas conquistas que são essenciais, estas coisas se vão com o tempo. Seja pela mudança na economia, sociedade ou as nossas prioridades que mudam. Mas a lembrança e a experiência de estar em um lugar lindo, na companhia daqueles que amamos, permanecem na memória. Estas lembranças seguem com você.
A vida simples e equilibrada, como tenho buscado enfatizar nesta série de textos, é a oportunidade de viver, saboreando cada momento, sem deixar que as coisas nublam o nosso dia. É legal ter, mas viver só para comprar, nos esquecendo dos momentos simples e ricos, desfrutando das coisas que o dinheiro não compra, é muito mais precioso do que viver somente para acumular coisas.
O que conta não é o que se compra, e sim, são as pessoas, a convivência e o sabor de um dia bem desfrutado. Isso não tem preço. Aprenda a somar experiências, a desfrutar de momentos e construir lembranças, que permanecerão com você. Entenda que estes episódios precisam ser construídos, é uma atitude intencional de valorizar a convivência e as pessoas ao invés das posses.
O consumismo foca nas coisas, a vida simples nas experiências e pessoas, que permanecem, não tenha dúvidas. Lembro de momentos com amigos e parentes que já não estão mais entre nós, e carrego estas vivências para o resto da minha vida. A única coisa que carregamos conosco são as boas recordações e as lições que aprendemos durante a nossa caminhada. Por isso, valorize o que realmente é importante, acumulando lembranças ao invés de riquezas!
Bibliografia
ARANTES, Ana Cláudia Quintana. Histórias lindas de morrer. Rio de Janeiro: Sextante, 2020.
