Uma vida centrada começa com bons princípios pessoais, são eles que nos guiam e permitem seguirmos de modo coerente, sendo que alguns dos principais preceitos são: honestidade, respeito, justiça, etc. Um indivíduo que possui bons princípios não os negocia por oportunidade ou dinheiro algum. Sem contar que, para quem é cristão, tais valores são fundamentais.
Alguns amigos não entendem porque tenho os meus receios em fazer download de livros sem pagar por eles. Segundo estas pessoas, as editoras têm muito dinheiro e por isso, não seriam prejudicadas por um download ilegal.
Outros já acham estranho quando afirmo que gosto de ter uma vida simples, sem exageros e de modo centrado. A vida equilibrada e correta soa estranha para muitas pessoas, por isso que nem sempre é fácil ser cristão.
Vivemos dias onde alguns valores estão trocados, viver pela aparência é a lógica da vida, parecer bem é muito mais importante do que estar realmente bem. Por isso, a parte externa acaba sendo muito mais valorizada que o nosso interior, o que realmente sentimos e somos.
Ter bons princípios pessoais envolve não negociarmos o que acreditamos por lucro algum. Um indivíduo equilibrado não negocia seus princípios. Confúcio tem uma citação que descreve muito bem a realidade da nossa atual sociedade:
“Quando o nada passa a ser algo, o vazio passa por tudo e a miséria passa por prosperidade, é difícil ter princípios” (CONFÚCIO, 2013, p. 51).
Quando opto em não baixar livros piratas, não procedo assim devido às editoras. A minha principal motivação é que creio que não tenho o direito de pegar ou distribuir algo que não é meu. Se determinado objeto não me pertence, não é correto eu me apropriar dele. O ponto de partida são os meus valores, as coisas nas quais acredito e que me guiam.
O mesmo digo sobre a vida simples. Eu nunca me importei em ostentar, acredito ser uma perda de tempo comprar coisas só pela posição social que este bem traz. Compro as coisas pela utilidade e pela qualidade e não pela marca. E vivo uma vida simples porque creio que a ostentação é inútil.
Alguns vivem com o que acreditam ser suficiente porque entendem de verdade o que é ser rico. E outros possuem muito dinheiro ou ganham bem, mas vivem uma vida miserável, sem paz e tranquilidade, justamente porque não sabem lidar com o dinheiro. No final, estes indivíduos seguem cercados por uma redoma falsa de alegria e sucesso.
As redes sociais conseguem transformar miséria em poder. É aquela vida de aparência onde o exterior é muito mais valorizado. E enquanto estes ostentam, a falta de paz e a infelicidade aumentam ainda mais. Quanto mais cresce a fatura do cartão de crédito, mais a paz e a tranquilidade vão se esvaindo.
Hoje, ostentação é ter muitos seguidores, ou seja, o nada e a vida vazia virou a nova visão de riqueza. A vida miserável é sinônimo de ostentação e muitos não percebem a contradição desta visão. É uma existência que prioriza somente o externo, em parecer bem. É bom ter dinheiro, contudo, ele deve ser colocado em seu devido lugar. O dinheiro é apenas um servo, uma ferramenta que nos dá acessos, mas colocar o dinheiro no centro de tudo é o primeiro passo para cultivarmos a falta de paz e o caos em nossa vida.
Gosto da citação de Confúcio justamente porque ela nos mostra como é fácil as pessoas inverterem os valores e negociarem seus princípios. Negociar nossos valores é seguir pela correnteza do senso comum que prioriza muito mais o externo do que o interno.
Quando uma sociedade insiste em negociar seus princípios, fica difícil ter uma vida equilibrada!
Bibliografia
CONFÚCIO. As lições do mestre. São Paulo: Editora Jardim dos Livros, 2013.
