DESAFIOS DA ESPIRITUALIDADE CRISTÃ IX: ADORAÇÃO FORMADORA

O ser humano é alguém que cria ritos de forma totalmente automática, sendo que estas liturgias seculares moldam a mentalidade e o modo como ele enxerga o mundo, como James Smith explica em Liturgias Seculares. Em contrapartida, o culto em que todos os cristãos participam pode se tornar uma adoração formadora, que molda a mente e a atitude, ajudando-o a caminhar segundo a vontade de Deus.

Se a sociedade influencia todos os cristãos, sendo que em alguns casos isso acontece sem ele se dar conta, em contrapartida, o culto pode ser um período de aprendizado e o início do cultivo de boas práticas.

James Smith (2017) explica que a adoração formadora desenha a bela imagem da beleza de Deus em um resumo da sua vontade para o mundo de um modo tão claro, que isso acaba tomando conta da imaginação do cristão. Se a ação humana se resume a agir conforme os desejos que conquistam a sua imaginação, a adoração formadora precisa conquistar a mente humana para poder fazer diferença. Smith complementa:

“Nossas imaginações são órgãos estéticos. Nosso coração é como um instrumento de corda dedilhado por histórias, poesia, metáforas e imagens. Batemos nossos pés existenciais no ritmo dos tambores de nossa imaginação” (SMITH, 2017, p. 127).

Desejar a Deus, ter este anseio por buscar fazer a sua vontade, é o primeiro passo para a ação virar prática e vivência. Trabalhar a imaginação para que este desejo vire ação é fundamental, sendo que a adoração formadora possui justamente esta finalidade, introjetar na vida do cristão a verdade bíblica.

O culto precisa contar uma história, ele precisa mostrar um caminho que faça o cristão querer seguir em direção ao eterno Deus, fazendo brotar no coração aquele desejo pela pátria celestial, a qual é o reino vindouro (Hebreus 11:16) (SMITH, 2017, p. 128). Um momento de culto a Deus não é apenas um período de adoração ao nosso eterno pai, mas é também um tempo de aprendermos e cultivarmos em nosso coração a verdadeira e correta aspiração. O culto é um tempo de redirecionamento das nossas rotas e anelos. James Smith novamente complementa explicando que:

“O culto que nos restaura é aquele que nos dá uma nova história. O culto que renova é aquele que reconta nossa identidade num nível inconsciente. Para fazer isso, o culto cristão precisa ser governado pela história bíblica e nos convidar a entrar, levando-nos a incorporá-la” (SMITH, 2017, p. 131–132).

É fácil se perder quando os ensinos do mundo lentamente acabam entrando em nossa vida; por isso, é importante estarmos unidos como cristãos, inseridos em uma igreja onde a adoração também é formadora, nos ensinando e auxiliando a incorporarmos a verdade do evangelho em nossa vida.

Somos renovados quando entendemos a nova história que Deus nos dá. Crescemos como cristãos quando entendemos a nossa identidade a partir do evangelho. E o culto é este local pedagógico, que nos ensina e introjeta em nossa vida a verdade do evangelho.

Enquanto o mundo tenta confundir a nossa mente e nos leva a nos desviarmos da verdade do evangelho por meio das suas liturgias seculares, uma boa igreja introjeta em nossa vida a verdade por meio da adoração formadora.

Bibliografia

SMITH, James K. A. Você é aquilo que ama: O poder espiritual do hábito. São Paulo: Vida Nova, 2017.

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