A INFLUÊNCIA DO DESEJO NAS AÇÕES HUMANAS

Nem sempre temos a plena consciência das coisas que nos guiam. Por vezes, colocamos a razão e o saber como as nossas principais bússolas sem perceber os verdadeiros guias da nossa vida. O autoengano é uma das principais características dos seres humanos, e por esse motivo, é comum não percebermos as influências e motivações das nossas ações.

Como seres humanos que somos, um dos nossos atributos mais naturais é termos nossos gostos, sonhos e anseios, sendo que estas coisas não somente nos movem, mas também nos influenciam demais, muito mais do que imaginamos. Estes nossos amores acabam virando guias, bússolas que nos levam a seguir e optar por algumas direções.

O ser humano tem a racionalidade como uma importante característica, entretanto, nossos amores e anseios interferem muito em nossas decisões e em como desejamos ser, conforme explica James Smith em seu livro Você é aquilo que ama. Smith explica que:

“Nossas vontades, anseios e desejos estão no cerne de nossa identidade, a fonte de onde fluem nossas ações e comportamentos. Nosso querer reverbera o que há em nosso coração, o epicentro da pessoa humana” (SMITH, 2017, p. 20).

E por mais que o conhecimento seja importante e agregue muito em nossa vida, o que desejamos e o que amamos, na verdade, define muito mais as nossas ações, coisa que o conhecimento nem sempre proporciona. O saber é fundamental, não tenha dúvidas, mas entender os anseios do nosso coração e quais são as coisas que nos movem é uma atitude igualmente essencial (SMITH, 2017), conforme novamente explica James Smith:

“São meus desejos que me definem. Em resumo, você é o que ama” (SMITH, 2017, p. 29).

E esta explicação de James Smith traz muitos esclarecimentos para as ações humanas, sendo que muitas delas são contraditórias. A Bíblia caminha nesta mesma direção, quando nos aconselha, na conhecida passagem de Provérbios, a guardarmos nosso coração:

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Provérbios 5:23) (ACF).

Smith (2017) explica que quando a Bíblia fala do coração (kardia, em grego), ela não está se referindo a algum tipo de sentimentalismo, típico dos nossos dias. O coração precisa ser entendido como o núcleo básico de todos os nossos anseios mais intrínsecos: ele é uma bússola interna que orienta subconscientemente o ser humano.

 No final, é a palavra de Deus que nos ensina a sermos verdadeiramente humanos (SMITH, 2017). Ela nos mostra quem devemos amar e qual é o Deus que deve estar no âmago de toda a nossa vida. Amar a Deus é deixar no centro de tudo aquele que precisa ser a bússola e o nosso único guia e influenciador.

O livro Você é aquilo que ama oferece ao leitor um importante pano de fundo para entendermos como as coisas que amamos nos influenciam muito, sendo que depois, ele disponibiliza algumas ótimas ferramentas e rituais formadores, que nos auxiliarão a amarmos as coisas certas. Vale a pena ler o livro e aplicar o conteúdo em sua rotina diária. Porém, o cerne da obra é entendermos como os nossos amores dirigem a nossa vida e o nosso pensamento.

Reflita sobre a sua forma de viver, identifique o quanto as coisas que você ama manipulam você. Diante disto, busque sempre colocar Deus no centro de tudo, sem esquecer que este exercício de autoavaliação é diário, já que o autoengano faz parte da nossa vida.

Bibliografia

SMITH, James K. A. Você é aquilo que ama: O poder espiritual do hábito. São Paulo: Vida Nova, 2017.

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