“Não julguem, para que vocês não sejam julgados” (Referência: Mateus 7:1-5) (NVI).
Este versículo é constantemente mal interpretado. Eu tenho ouvido muitas pessoas falarem que não podemos julgar, o que é um erro, pois não é o que o texto diz. E para que você entenda bem, aconselho a ler a perícope (assunto) inteira, que vai do versículo 1 ao 5.
O texto começa falando não julguem, mas ele não para por aí. E o texto não faz alusão a todos os tipos de julgamentos e sim, a pessoa que julga de modo repreensivo e injusto. Mais uma vez o texto faz uma referência ao modo hipócrita e sem amor de julgar dos fariseus (CHAMPLIN, 2013, p. 334). Rienecker explica que:
“A que se refere o Senhor com o “julgar” que é condenável? Ele se refere à atitude condenável de julgar sem amor, a qual ocorre com especial facilidade pelas costas do próximo. E qual é em geral o motivo do julgamento frio e da condenação pelas costas? É a nossa satisfação malévola secreta com a desgraça do próximo” (RIENECKER, 2012, p.114-115).
Jesus julgou os fariseus várias vezes, a Bíblia nos manda examinar, julgar e precaver-nos. No evangelho de João, Cristo diz algo importante enquanto alguns judeus procuravam uma brecha para matá-lo:
“Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” (João 7:24) (ACF).
Inúmeras passagem da Bíblia nos convida a julgar (Lc 7:43, 12:57, 1Co 10:15), mas o que ela nos proíbe é fazer isso sem amor, de maneira hipócrita, tal qual os fariseus. E sobre esta passagem, Eugene Peterson na Bíblia A Mensagem, parafraseia este texto de forma genial:
“Não bombardeiem de críticas as pessoas quando elas cometem um erro, a menos que queiram receber o mesmo tratamento. O espírito crítico é como um bumerangue. É fácil ver uma mancha no rosto do próximo e esquecer-se do feio riso de escárnio no próprio rosto. Vocês têm o cinismo de dizer: ‘Deixe-me limpar o seu rosto’, quando o rosto de vocês está distorcido pelo desprezo? Isso também é teatro, é fazer o jogo do ‘sou mais santo que você’, em vez de simplesmente viver a vida. Tire o cinismo do rosto e, então, você poderá oferecer uma toalha ao seu próximo, para que ele também limpe o rosto” (2012, p. 1386).
A falta de amor com o próximo, à hipocrisia crônica que muitas vezes gruda em nossa vida faz-nos ver o próximo sem amor e julgarmos suas atitudes como se estivéssemos isentos de cair no mesmo erro.
Eu gosto de um filme chamado: Galera do Mal. O filme relata a hipocrisia que às vezes vemos em igrejas e escolas. Uma das garotas, que era vista como santinha, era uma baita hipócrita, condenava os outros, mas fazia tudo apenas para aparecer e pagar de santinha. No fim do filme, a sua máscara cai e todos veem quem ela realmente era e é este o destino dos hipócritas.
Somos farinha do mesmo saco, sujeito a erros e derrapadas, quando nos esquecemos disso acabamos nos fazendo de perversos. Julgue, medite, pondere, não engula qualquer coisa. Temos que ter censo crítico, pé no chão e olhos bem abertos. Porém, quando ver o próximo cair, seja como o bom samaritano (Lucas 10:25-37), demore em julgar, procure mais agir. E acima de tudo, quando for exortar alguém, corrigir algum erro, que o amor se faça presente, não faça nada visando vangloria e sim, o apoio e ajuda ao próximo.
BIBLIOGRAFIA
PETERSON, Eugene H, A Mensagem, Bíblia em linguagem contemporânea, Editora Vida, São Paulo, 2012.
CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.
RIENCKER, Fritz, Evangelho de Mateus, Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 2012.
