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  • A PAZ COMO ÁRBITRO

    Existe um certo senso comum que permeia a igreja cristã, que acredita em uma série de equívocos, como se fossem ensinamentos bíblicos. Por isso, ler e estudar a Bíblia é fundamental para fugirmos de tais ensinos e fundamentar a nossa fé na palavra de Deus.

    A paz como árbitro é uma destas crenças que ouvimos na igreja. Se você está em paz, dizem eles, é porque vem de Deus, evocando o texto de Colossenses. E o texto pontua:

    “Que a paz de Cristo seja o juiz em seus corações, visto que vocês foram chamados a viver em paz, como membros de um só corpo. E sejam agradecidos” (Colossenses 3:15) (NVI).

    Aparentemente, ao lermos apenas este versículo, podemos ter justamente esta conclusão e, dependendo da tradução bíblica, a opinião fica ainda mais nítida. Mas, ao lermos a perícope inteira (a divisão do assunto no texto), perceberemos justamente que Paulo, na Epístola aos Colossenses, não quer ensinar isso.

    Entretanto, não se engane, visto que a paz é um dos frutos do espírito (Gálatas 5:22), Deus oferece esta paz para a nossa vida, contudo, não é sobre esta paz que estou me referindo, eu estou falando da paz como árbitro. É quando as pessoas usam a sensação de paz (ou a falta dela) como juiz para tomar uma decisão.

    Neste texto, Paulo fala para uma igreja que vivia em conflito, por conta de falsos ensinos que circulavam naquela comunidade. Diante disso, nesta passagem (Colossenses 3:12-17), ele incentiva os cristãos a revestirem-se de misericórdia, bondade, humildade, mansidão e longanimidade (v. 12) e se suportarem, bem como, perdoarem uns aos outros (v. 13). E que, acima de tudo, o amor (v. 14) e também a paz sejam o juiz entre eles. Perceba que o contexto é justamente a convivência, visto que, na segunda parte do versículo, ele fala que os cristãos foram chamados para viver em unidade, em um só corpo (v. 15). A paz que o texto menciona está ligada à comunhão. Ou seja, que a paz entre os irmãos seja o juiz, o norte e a prioridade da igreja. Peter O’Brien complementa:

    “Mas a paz de Cristo não é uma referência à paz pessoal ou interior. Em vez disso, é a paz que ele personifica e traz (cf. Jo 14.27) e é equivalente à salvação. Além disso, não é uma questão de a paz de Cristo “agir como árbitro”. Antes, o verbo significa governar, o próprio Cristo, que é o senhor da paz (cf. Ef 2.14; 2Ts 3.16), deve estar presente e governar em seu meio” (CARSON et al., 2012, p. 1915).

    Quando estamos em paz, estaremos, de igual forma, em paz na igreja. Nós, cristãos, temos a missão de sermos apenas um corpo, sendo que a nossa relação na igreja deve ser harmônica e com muita paz. Quando não estamos no centro da vontade de Deus, indubitavelmente, levaremos para o ambiente da congregação muita discórdia e desarmonia. Jonas é um bom exemplo deste fato. Ele desobedeceu a Deus, mas dormiu tranquilo e aparentemente com muita paz (a falsa paz). O seu pecado trouxe transtorno e uma tempestade para o local no qual estava (WIERSBE, 2020, p. 182).

    Que a paz governe o coração e a vida dos irmãos. Que Cristo seja Senhor e apenas Ele a prioridade de nossa vida. Que Ele governe tudo e não as nossas falhas vontades. Perceba que o texto não oferece uma forma de decidir, baseada na paz do coração, e sim, o modo de viver, tendo Jesus como centro de tudo. Quando Ele é a prioridade, a igreja consegue caminhar sem contendas. E Jeremias nos dá um aviso importante:

    O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo? (Jeremias 17:9) (NVI).

    O pecado é uma enfermidade do coração. No Antigo Testamento, o coração pode ser entendido como a razão, ou o lugar onde a vontade e as ações humanas surgem. O coração é corrupto por causa do pecado (PFEIFFER, 2017, p. 1120).

    Não siga o seu coração, os nossos sentimentos e opiniões são passíveis de erro. Guie-se pela palavra de Deus, busque nele a orientação. Sendo que alguns dos nossos desafios, muitas vezes, nos tiram a paz. Principalmente quando são coisas grandes ou complicadas, por isso a paz é um péssimo guia. Nem sempre temos paz ao entrarmos em alguns desafios desconhecidos e radicais, mas temos Deus, que sempre estará conosco nos dando força.

    Tenho um bom exemplo de como a paz no coração pode nos enganar. Pedi muito a Deus que ele abrisse as portas para eu conseguir fazer mestrado em uma instituição pública, por conta do custo. No final, passei no processo seletivo da Universidade Estadual de Maringá, uma ótima instituição, mas que fica a 424 km da cidade em que eu moro.

    Em um primeiro momento, eu não fiquei em paz, visto que eu precisaria viajar uma vez por semana até aquela cidade durante quase um ano para conseguir cursar todas as disciplinas do mestrado. No final, consegui a dispensa de um dia no trabalho, viajei toda a semana e consegui concluir as etapas necessárias para o mestrado. Foi um trabalho árduo, mas que valeu a pena, visto que, hoje, sou mestre em filosofia, mas se eu tivesse seguido a minha paz, não receberia esta bênção de Deus.

    Nem sempre estaremos em paz, por isso, aprenda a avaliar a situação com muita cautela e cuidado. Às vezes temos boas oportunidades, mas que nos trazem medo e falta de paz, pelo tamanho do desafio, como foi o meu caso.

    Que Deus nos ajude a tomarmos boas decisões, que aprendamos a confiar nele, entendendo que não estamos sozinhos.

    BIBLIOGRAFIA

    CARSON. D. A.; FRANCE, R.T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

    PFEIFFER, Charles F. Comentário bíblico Moody: Volume 1. São Paulo: Batista Regular do Brasil, 2017.

    O’BRIEN, Peter T. Colossenses. In: CARSON. D. A.; FRANCE, R.T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

    WIERSBE, Warren W. Comentário bíblico expositivo: Novo Testamento: Volume II. Santo André, Geográfica Editora, 2020.

  • CONFIE EM DEUS

    “Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas” (Provérbios 3:5,6) (NVI).

    Não é tão simples falarmos sobre confiar em Deus quando estamos em meio ao vendaval da vida. Quando tudo parece ruir e a desesperança parece ser a única realidade, a última coisa que pensamos nestes momentos é em confiar. Mas isso não significa que confiar não seja algo fundamental.

    Alguns assuntos, dependendo de como a nossa vida está, se tornam complexos. É fácil falar que em tudo Deus tem um propósito, quando estamos com a vida boa. Ou falar em confiar, quanto a nossa vida está tranquila. Mas, em meio ao caos, o assunto se torna desafiador. Somos seres humanos, temos as nossas dificuldades diante de alguns desafios.

    Confiar é algo bem ambivalente, ao mesmo tempo que precisamos crer que somos capazes de fazer as coisas, de realizar algumas atividades, confiar em excesso nos leva para um caminho de engano. Alguns confiam tanto em si, que não percebem seus equívocos e seguem fechados para a autoavaliação, tudo porque acreditam que sabem o que estão fazendo. E este é o caminho do equívoco.

    O texto começa a nos ensinar um importante ponto de partida, confie de todo o coração primeiramente em Deus (v. 5). Confiar no senhor é sempre a primeira atitude, visto que nós, seres humanos pecadores, caímos facilmente no autoengano. Constate como confiar em Deus e não se apoiar em um entendimento próprio é um ponto de partida imprescindível do texto (v. 5). Sendo assim, primeiramente confie, busque em Deus auxílio e exercite a sua mente a descansar nele. É fácil focarmos nos vendavais e tempestades da vida, mas o grande alívio é que não estamos sozinhos, Deus não nos abandonou, confie no senhor.

    Outro ensino importante deste texto é que não devemos nos apoiar em nosso entendimento (v. 5). É fácil nos equivocarmos ou entendermos uma questão de forma errada. É comum termos uma opinião exagerada de nós e é isso que nos coloca em inúmeros problemas.

    Nos metemos em confusão sempre que nos apoiamos de forma intensa em nós, precisamos sempre ter cuidado e equilíbrio quando falamos sobre os nossos entendimentos.

    O autoengano é comum na vida de todos os seres humanos, mas confiar em Deus é um primeiro passo para uma vida equilibrada. Tudo parte dele e da sua palavra, inclusive quando falamos sobre ter uma visão equilibrada de quem somos. E o texto continua a nos ajudar:

    “Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema ao Senhor e evite o mal. Isso lhe dará saúde ao corpo e vigor aos ossos” (Provérbios 3:7,8) (NVI).

     Não veja a si como um sábio, isso é perigoso e pode levar você a cometer erros. Confie em Deus, tema a ele e fuja do mal. Este é o caminho da vida equilibrada. John Goldingay explica que:

    “Sábio aos próprios olhos não denota meramente orgulho de sua própria sabedoria, mas autossuficiência nela e por isso a falta de percepção da necessidade de levar as coisas a Deus (sem dúvida, uma tentação persistente para pessoas empenhadas em buscas sabedoria)” (2012, p. 891).

     Não somos autossuficientes, ao contrário, todo o caos e pecado do mundo nos mostra como o ser humano precisa de Deus. Ou depositamos a nossa confiança nele, ou certamente seguiremos rumo ao erro. Segundo o dicionário, autossuficiente significa:

    “Condição do que se basta a si próprio” (Dicionário Priberam).

    Sábio é aquele que confia primeiramente em Deus, que coloca Nele toda a sua esperança. Uma pessoa sábia entende como o equívoco faz parte da estrutura do ser humano e, por conta disso, ele sempre toma cuidado. Tudo primeiramente precisa partir de Deus, ele precisa ser o padrão e o nosso guia.

    BIBLIOGRAFIA

    “Autossuficiência”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2008-2024, https://dicionario.priberam.org/autossufici%C3%AAncia.

    CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. Ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.

    GOLDINGAY, John. In: CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. Ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.

  • A SABEDORIA DO CANSAÇO

    Chegamos a um ponto da nossa caminhada que inevitavelmente cansamos. O esforço perde um pouco do sentido e nossos planos e projetos se esvaem, como fumaça. Aparentemente parece ser o começo do fim, contudo, percebemos depois que tinha sido, na verdade, o começo de tudo.

    A sociedade tem ensinado a fórmula infalível da busca frenética pela felicidade. Tudo parte da ação, do esforço, de correr atrás dos sonhos. E quem não consegue, segundo estes, é porque não se esforçou o suficiente.  Esta é a receita de sucesso que estes palestrantes motivacionais insanos esbravejam, com isso, a sociedade segue olhando para o futuro, para seus planos e metas, mas sem viver o hoje. 

    Não é possível simplificar a vida, muito menos generalizar todas as situações. A vida é muito complexa para colocarmos em um molde, visto que cada ser humano está em um estágio, olhando-a de uma altura da estrada.

    Ao me cansar, percebi muito mais o hoje e descobri que desfrutar do momento é uma das nossas maiores alegrias. Às vezes, na tentativa de buscarmos ser felizes, abandonamos tudo, deixamos de olhar em volta e perceber a riqueza do simples, do belo ou das coisas que Deus nos deu. É fundamental aprendermos a ser satisfeitos, a insatisfação é perigosa. Pondé tem uma frase que simplifica bem esta realidade:

    “O cansaço nos liberta da tentativa de ser feliz” (PONDÉ, 2019, p. 199).

    É claro que é importante se planejar, fazer metas e projetos, mas precisamos também manter os nossos pés no chão, sendo gratos a Deus e desfrutando do que ele nos deu. Na tentativa de seguir fórmulas, alguns complicam ainda mais suas vidas, produzindo muito mais tristezas e problemas do que planos e sonhos.

    A busca pela felicidade pode se revelar amarga. O contentamento, a gratidão, nos mantém no hoje, olhando para Deus e assim, sendo felizes. Em alguns momentos, é melhor parar e desfrutar do presente. Agradecendo e percebendo como Deus em todos os instantes tem sido bom. O cansaço faz justamente isso, a tirânica busca pela felicidade, não.

    O mundo de hoje insiste em vender uma vida de vitórias, o sucesso parece ser o fator preponderante de todos os seres humanos. Gente feliz e inteligente, precisa ter sucesso e divulgar as suas vitórias a todos, segundo tais pessoas. Entretanto, na vida não colhemos só vitórias, o fracasso faz parte da existência e viver é saber apreciar a viagem, compreender os momentos da nossa vida e às vezes se aquietar.

    O cansaço nos faz parar e perceber que existe muito mais do que apenas olhar para o futuro ou ter sucesso. É saber viver, entendendo que não existem receitas prontas na vida.

    Depois de um tempo, percebemos que viver não é somar lucros e vitórias, mas aprender em todos os momentos e desfrutar do que temos com muita sabedoria. O nosso tempo aqui na terra é curto, por isso, aprecie a viagem.

    Bibliografia

    PONDÉ, Luiz Felipe. Como aprendi a pensar. São Paulo: Planeta do Brasil, 2019.

  • FUNDAMENTOS DA VIDA CRISTÃ: EBOOK GRATUITO

    A obra Fundamentos da Vida Cristã (2024), escrita por Alexssandro de Lima e Guilherme Augusto, é um livro no qual trata de bases para uma vida cristã saudável, trazendo uma perspectiva bíblica sobre os alicerces da nossa fé, além de conter experiências pessoais sobre este tema.

    O livro nasceu com a proposta de poder colaborar com o ensino cristão, discipulado e orientações de práticas que devem acompanhar a vida cristã.

    Nosso desejo é que, quando realizar esta leitura, você possa ser edificado e também possa transmitir este conhecimento a outros.

  • ENCARANDO A DOR

    O sofrimento não é nada belo, ele fere, nos joga no chão e algumas vezes nos paralisa, contudo, o sofrimento faz parte da vida. O normal é sofrermos e lidarmos com situações complicadas. Quem entende isso, não só percebe a dinâmica da vida, mas também não amplifica a dor.

    Não tem como não sofrer, a dor é parte do existir, e não desejar sofrer é sofrer ainda mais. A melhor saída é aceitar, viver o período de dor e caminhar em busca da saída, pois uma hora ou outra ela vai aparecer.

    De modo algum agir assim é ser apático, muito menos relapso quanto aos problemas e sim, aceitar que a dor existe, não é saudável fugir deste fato. A melhor atitude é aceitar e seguir em busca da cura, caso seja possível, ou pelo menos entender que viver dói.

    A dor nos mostra que há algo errado, ela é um sinal que demonstra que existe um problema. A dor também revela que estamos vivos, que conseguimos sentir, que existir é uma realidade. O que seria o prazer sem a dor? Já que ambos revelam o que sentimos. O que seria do alívio sem o sofrimento? E em ambos os casos, conseguimos extrair lições. A dor ensina e nos deixa mais empáticos.

    Sofremos muito com as nossas decepções e com o modo como lidamos com as tribulações. No final, amplificamos o problema e seguimos sem aceitar a situação, transformando a dor em um problema ainda maior. Alan Watts pontua justamente isso, quando diz que:

    “Querer sair da dor é a dor; não é a “reação” de um “eu” distinto dela” (WATTS, 2017, p. 102).

    Aceitar é entender a fragilidade humana, tendo em mente que o sofrer é parte da existência, e diante disso, a dor diminui, você percebe o seu entorno e constata como nem tudo está perdido.

    São muitos os que resistem, não aceitam e seguem remoendo ainda mais os problemas, amplificando uma dificuldade, que em muitos casos já é grande o suficiente. Aceitar, não é se entregar, mas usar sua força e foco para buscar a solução ao invés de seguir se lamentando, ou mesmo aceitar a dor e seguir, ao invés de construir ainda mais problemas. Perceba que tudo vai depender da mentalidade, de como você se porta em meio ao caos.

    Por isso, quando doer, relembre que viver dói, procure entender a lição que a dor traz e cresça com ela. Que no mais, aos poucos ela segue se esvaindo, se esgotando perante a aceitabilidade. Sendo que o alívio, depois disso, vem de um modo mais significativo que a própria dor. A sensação de ver um problema resolvido é realmente impressionante.

    BIBLIOGRAFIA

    WATTS, Alan. A sabedoria da insegurança: Como sobreviver na era da ansiedade. São Paulo: Editora Alaúde, 2017.

  • DIVINO RESGATE

    Quando não conhecemos a Bíblia ou não buscamos sempre consultar a palavra de Deus ao ouvirmos uma mensagem, corremos o risco de virarmos reféns de ensinos que não são bíblicos. É fácil, justamente pela falta de conhecimento, acreditar que alguns sermões são bíblicos. Sendo que hoje, este perigo é ainda maior, visto que, estamos muito mais expostos a vídeos, pregações e palestras. Conhecer a palavra de Deus e as bases da fé, é ter a certeza de que você não cairá em ciladas, por conta dos seus fundamentos.

    É comum vermos ensinos equivocados propagados como verdades. Um destes ensinos eu tenho visto muito nas redes sociais, mas já li em alguns livros cristãos também, que se resume em: “Deus não amaria algo que não tivesse algum valor, se Deus nos ama é porque eu tenho atributos específicos que merecem tal amor”. Se Deus me ama, diz tal conceito, é porque eu tenho algo de especial. Cristo não morreria por indivíduos que não valem nada, segundo estes. Um conceito que carece um pouco de reflexão.

    O amor de Deus por nós, não é fruto de algo especial que qualquer um tenha. Quando Deus nos ama e decide morrer por amor, a motivação é a sua santa misericórdia e não nós e algo especial que o ser humano tenha. O poder de Deus e o evangelho nos faz filhos amados, mas o seu sacrifício não é oriundo de algo que temos de bom.

    Diminuímos o que Deus fez na cruz quando acrescentamos qualquer possibilidade, mérito ou valor a sua ação. Somos salvos por conta da poderosa graça de Deus. O mérito, o amor e a misericórdia, parte sempre dele e não de algo que temos. Ele olha para nós, seres humanos pecadores e decide nos transformar, mudar a nossa realidade e nos salvar. John Stott acrescenta algo fundamental:

    “O cristianismo é uma religião de resgate” (2018, p. 17).

    Nós fomos resgatados por um Deus que teve misericórdia, não porque temos valor e sim, porque ele é amor. O mérito é sempre dele e não nosso. Acreditar que temos algum valor, justamente porque Deus morreu por nós, é acreditar que nós o motivamos.

    Quando alguém é salvo por qualquer mérito ou valor que seja, a pessoa já não é salva mais pela graça. A graça pressupõe justamente que não merecemos, que não temos qualquer mérito, mas Deus decide nos salvar, pois ele é santo e misericordioso. O apóstolo Paulo em Efésios diz:

    “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9) (NVI).

    Nós somos salvos pela graça, não por mérito e muito menos obras, justamente para não nos gloriarmos, para não acreditarmos sermos merecedores de tal sacrifício. Hahn e Boor explicam que:

    “Tudo o que o ser humano visa realizar “a partir de si” para a sua salvação é “obra”, e por isso insuficiente. A graça de Deus exclui o sinergismo humano, porque somente assim é e continua sendo cabalmente graça (2006, p. 46-47).

    Deus nos salvou e nos fez especiais, amados e filhos, não porque merecemos, mas justamente porque ele é bom. Tudo o que temos é dádiva de Deus e fruto de sua graça.

    Eu gosto de esculturas, é legal ver como um artista consegue pegar uma pedra bruta e transformar em algo belo e com muito valor. Quando eu observo as imagens da escultura chamada de Davi, de Michelangelo, eu fico abismado com todos os detalhes e em como o artista conseguiu pegar uma pedra sem valor algum e transformar em algo majestosamente e belo. Assim somos nós, Deus pegou uma pedra bruta, sem valor algum e através da graça nos transformou, não foi por mérito nosso e sim, por conta da sua soberana misericórdia e poder.

    A grandeza da morte de Cristo na cruz se dá justamente porque ser humano algum merece tal ato, mas mesmo assim, ele morreu por nós e nos chamou de filhos. Por isso, não diminua a graça de Deus acreditando que você tem algum mérito.

    BIBLIOGRAFIA

    HAHN, Eberhard.; BOOR, Werner.Carta aos Efésios, Filipenses e Colossenses: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 2006.

    STOTT, John. Lendo Gálatas com John Stott. Viçosa: Ultimato, 2018.

  • ARROGÂNCIA ACADÊMICA

    Quando optei pela carreira de docente, assim o fiz, muito mais pela alegria e pelo prazer de ensinar e pesquisar do que pelo dinheiro. Ser professor é seguir aprendendo sempre, para, desta forma, ensinar com relevância. Quem não gosta de aprender não deveria ensinar.

    A parte difícil de estar neste meio, já que nem tudo é perfeito, é ter que lidar com a mente fechada de muitos docentes, principalmente quando se trata de autores chamados públicos, daqueles escritores da mídia. Muitos possuem opiniões negativas quanto a eles, sem terem o menor contato com suas obras e reflexões, o que é muito contraditório, já que aprendemos em nossa caminhada acadêmica a falar apenas do que conhecemos e estudamos.

    Existe uma espécie de arrogância que permeia a mente de muitas pessoas que fecham os seus olhos para bons autores, mesmo sendo eles escritores famosos. E quando um aluno cita qualquer um destes autores, é normal ouvirmos respostas arrogantes destes “detentores do saber”, desmerecendo os livros ou quaisquer conteúdos destes escritores.

    Sou alguém muito curioso e, como preciso lidar com diversos tipos de pessoas e públicos, às vezes busco ler alguns destes escritores que os alunos citam, só para entender a realidade destas pessoas e o ponto de partida das suas reflexões, leituras e conhecimento. A verdade é que já aprendi com muitos deles, e mesmo sabendo que estas obras não são ideais para produzir conteúdo acadêmico, o aprendizado que muitas vezes nos traz já é válido.

    A arrogância no meio acadêmico é sempre perigosa, principalmente quando ela leva um professor a fazer um juízo de valor, sem ao menos conhecer o que está criticando. Aprender a ter contato com tais livros, pelo menos para conseguir fazer um julgamento mais justo, é ser honesto consigo mesmo, caso contrário, é melhor falar que não tem opinião sobre determinada obra justamente por não ter lido.

    Ter a humildade de falar que não conhece determinado autor é uma atitude inteligente, como eu já falei muito aqui no blog. Não é vergonha dizer a palavra, não sei, a vergonha é falar de algo sem conhecer.

    Eu lembro bem de um episódio que explica nitidamente este fato, foi quando um docente começou a desmerecer e rebaixar o filósofo Luiz Felipe Pondé, como se ele não soubesse de nada relacionado à filosofia. A ação foi contraditória, visto que, Pondé é graduado, mestre e doutor em filosofia. Tal autor estudou e passou por todos os crivos que todos os acadêmicos passam, como banca de graduação, mestrado e doutorado. Com isso, algum conhecimento você imagina que ele tenha. E é claro, você pode não concordar com o autor, mas humilhar alguém que possui uma formação é uma atitude complicada para um acadêmico. Eu mesmo já li inúmeros ótimos livros dele, mesmo sendo um estilo de texto menos acadêmico, mas é igualmente bom. Admiro a proposta do autor de oferecer uma filosofia mais prática e acessível às pessoas.

    Para quem quer entrar na carreira de docente e pesquisador, entenda que a humildade é tudo e falar do que você conhece, leu e se informou é primordial. Acreditar estar acima, ser melhor que todos e desmerecer as pessoas, não é uma atitude inteligente.

    Opte em seguir sempre pelo caminho da humildade, estando, assim, aberto para o saber e fechado para falar das coisas nas quais você não teve contato.

  • UNIDOS EM CRISTO

    “Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum” (Atos 2:44) (NVI).

    A igreja teve o seu início vivendo uma união sem tamanho, com os cristãos compartilhando tudo, vivendo com tudo em comum como o texto bíblico pontua. A vida cristã e a vida cotidiana destes primeiros cristãos, se confundiam, já que todos venderam o que tinham para viverem unidos em um só propósito, como narra o texto de Atos dos Apóstolos.

    O livro de Atos é um texto importante, visto que, discorre sobre o início da igreja, logo após a ascensão de Cristo. Atos é uma continuação do Evangelho de Lucas, sendo assim, a segunda parte de um projeto, como fica claro no primeiro versículo de Atos dos Apóstolos (1:1).

    O texto começa a sua narrativa focando na igreja da Judeia e a divulgação do evangelho até a Samaria, contudo, depois o foco do livro muda e Lucas passa a se preocupar com a mensagem no mundo todo. No início é possível perceber que o personagem-chave era Pedro, mas depois passa a ser Paulo, um apóstolo muito importante na história da igreja (RICHARDS, 2013, p. 874).

    Em nossos tempos complicados, onde a igreja insiste em se dividir cada vez mais, tal narrativa me deixa impressionado e envergonhado, já que, como cristão, eu tenho consciência de que nós somos responsáveis, direta ou indiretamente, por estas divisões na Igreja.

    Não estou incentivando os cristãos a venderem tudo e irem viver com os outros irmãos e sim, meditar neste espírito de comunhão que muitas vezes falta na Igreja no geral. Me parece que a maioria das igrejas se fecham em seus guetos.

    Perceba que muitas vezes conhecemos pouco o outro e seguimos cada vez mais distantes. Estamos ao lado das pessoas, mas mentalmente muito afastados. A comunhão e a amizade é muito mais uma mentalidade. É um modo de ser que o cristão tem esquecido. Não é viver cercado de pessoas, é estar realmente ao lado ouvindo e partilhando a vida e os anseios do próximo.

    Gosto da palavra reciprocidade, ela delimita muito bem o assunto e nos mostra como temos vivido uma vida autocentrada, naquela religião do self que descreve muitos os nossos dias egoístas, onde focamos apenas em nós. Esta palavra nos mostra como precisamos cultivar a reciprocidade em nossas vidas. Segundo o dicionário Reciprocidade é:

    “Reciprocidade é um substantivo feminino que significa mutualidade, representando a característica do que é recíproco. Reciprocidade significa dar e receber, por isso, é uma condição essencial para a qualidade das relações entre as pessoas” (Significados, 2011).

    Mutualidade também é uma das definições do termo, e é a qualidade de algo que é recíproco. Você dá e recebe, você ouve e é ouvido. Uma definição que eu entendo que deveria descrever a dinâmica da igreja cristã, como o próprio texto de Atos nos mostra. O capítulo termina de um modo bem interessante:

    “Todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração, louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo. E o Senhor lhes acrescentava todos os dias os que iam sendo salvos” (Atos 2:46,47) (NVI).

    Parecia que havia na igreja algo orgânico, uma vontade real de estarem juntos e compartilharem a vida. Hoje, percebo mais o costume de seguir um ritual do que uma vontade genuína de ir à igreja e compartilhar de modo genuíno a vida. É claro que não existe qualquer negatividade na liturgia de um culto, ela existe para nos proporcionar um momento de adoração e compartilhamento da palavra. Uma boa liturgia nos ajuda a cultuarmos a Deus de modo sincero. O grande ponto é que não é apenas isso.

    O nosso coração precisa querer estar entre os irmãos, ter vontade de servir e vivenciar um momento unidos como igreja. A igreja precisa aprender a estar conectada, sem deixar que uma placa de igreja separe o real propósito do que é ser cristão.

    É imprescindível colocarmos as nossas diferenças culturais de lado e aprendermos a nos unir, tendo como foco a cruz. Como cristãos, temos muito mais coisas em comum do que apenas as diferenças que nos separam, sendo assim, que possamos focar nestes pontos.

    BIBLIOGRAFIA

    RICHARDS, Lawrence. Comentário bíblico do professor: Um guia didático completo para ajudar no ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse. São Paulo: Editora Vida, 2013.

    “Reciprocidade”, in: Dicionário Significados, 2011-2023. Disponível em: https://www.significados.com.br/reciprocidade/ Acesso em 20/11/2023.

  • VIVENDO NO AUTOMÁTICO

    Um dos meus maiores medos é seguir vivendo no automático, sem perceber a vida acontecendo, transformando coisas legítimas, como trabalho e ministério dentro da igreja, em verdadeiras prisões que nos distanciam de Deus. Somos mestres em nos enganar e nos autossabotar.

    Eu creio que quando transformamos coisas boas em fardos, é porque já perdemos o propósito central daquela atividade e por isso, é preciso rever e avaliar os nossos planos e o que Deus quer de nós. É comum transformarmos ministérios legítimos em fardos perigosos.

    Não que a vida deva ser sempre fácil, sabemos que ela não é, e sim que precisamos avaliar bem e prestar atenção em nossas prioridades, buscando entender se não trocamos a lógica das coisas, transformando o fim em um meio. É fácil perdermos o foco e transformar a vontade de Deus ou um trabalho em algo que fica muito longe do que Deus quer de nós. E neste sentido, às vezes algumas dificuldades e empecilhos que encontramos em nossos ministérios nos mostram justamente os nossos equívocos e como trocamos as prioridades.

    Deixa-me dar um exemplo. Eu tive uma banda que tinha o propósito de pregar o evangelho, mas com o tempo e após lançarmos CDs e tocarmos em inúmeros lugares importantes, a prioridade básica (pregar o evangelho) se perdeu. O foco era divulgar a banda, fazer o nome e não mais Deus. Sendo assim, quando a banda começou a enfrentar alguns problemas internos, entendi que era a hora de parar. Como o objetivo não era mais Deus, não me dispus a consertar tais embates e sim, encerrar as atividades.

    Em alguns casos, alguns problemas em nossas empreitadas nos obrigam a sermos mais persistentes, em outros casos ele revela a nossa teimosia em insistir em algo que não vale a pena. Avaliar de modo coerente é sempre um desafio. Não existe fórmula, nem sempre conseguimos perceber se estamos sendo persistentes ou teimosos.

    Conheço pessoas ativistas na obra de Deus, contudo, tal ativismo é tão extremo que este cristão não tem tempo de ter o seu secreto com Deus, de orar e meditar na sua palavra. Sendo assim, o ativismo na igreja terminou por distanciar estes cristãos de Deus. Irônico, não é?

    É fácil continuarmos no erro por acreditarmos que o trabalho ou ministério é legítimo e por não percebermos como ele já não tem mais o propósito inicial. Em alguns casos a pessoa está vivendo no automático, sem se dar conta deste erro. E esta reflexão vale para o ministério que exercemos dentro da igreja ou mesmo para o trabalho, que muitos colocam em um patamar importante em suas vidas. Lembre-se, tudo o que te distancia de Deus, seja a atividade mais legítima que for, não é algo que agrada Deus. É um ídolo que nos faz estarmos distantes do nosso Pai.

    Nem sempre desistir é perder, às vezes é só renunciando algo, que conseguiremos ter uma oportunidade melhor. É sair do automático para iniciar algo com mais coerência e que agrade a Deus.

    Cuidado para não trocar as prioridades e viver no automático, colocando Deus de lado e transformando as coisas legítimas em armadilhas que te afastam Dele. A nossa vida é dele, e precisamos abandonar tudo o que nos afasta da sua perfeita vontade.

  • RECONHECENDO O EXTRAORDINÁRIO DO ORDINÁRIO

    Este é o dia em que o Senhor agiu; alegremo-nos e exultemos neste dia (Salmos 118:22-24) (NVI).

    Acordo todos os dias bem cedo e, indo na contramão da opinião da maioria das pessoas, eu gosto muito. O silêncio da manhã me restaura, é um momento para pensar, meditar e me preparar para os desafios do dia. Sem contar que acabo tendo um dia com muito mais tempo, já que durmo apenas o suficiente.

    Costumamos não ligar muito para o que é aparentemente trivial e, por conta disso, deixamos de perceber momentos importantes. Você já parou para pensar como muitas vezes deixamos de valorizar aquelas coisas simples, mas fundamentais da vida?

    A vida é composta de muitas trivialidades e como escolhemos viver e valorizar estas coisas, faz muita diferença. Teimamos em focar naqueles planos que não dão certo e esquecemos de agradecer a Deus pelas demais coisas que ignoramos. Tish Warren, em seu belo livro Liturgia do ordinário, cita uma frase muito esclarecedora de Annie Dillard que ajuda nesta reflexão:

    “Obviamente, como passamos o nosso dia é como passamos as nossas vidas” (apud WARREN, 2021, p. 34).

    Idealizamos vidas heroicas e inundadas de grandes feitos, mas nos esquecemos do ordinário de cada dia, que também é importante e constante. É necessário valorizar o simples e procurar viver de modo sincero, apreciando o dia que Deus nos deu. Seja nas atividades mais comuns ou mesmo no seu trabalho, no cuidado das coisas que estão em sua responsabilidade, tudo faz parte do seu dia e da vida que Deus te deu.

    Nunca tive o prazer de ver um milagre acontecendo, como, por exemplo, alguém ressuscitar ou ser curado de uma enfermidade bem visível. Mas se olharmos em volta, poderemos perceber como a vida, nossa existência e esperança são milagres. Na verdade, tudo é um milagre, nós é que deixamos de perceber. Aceitar que o padrão consumista do mundo nos guie é fechar os olhos para as coisas que Deus tem feito.

    Não podemos permitir que o caos faça sombra em todas as maravilhas do nosso Pai eterno. É comum nos acostumarmos com os presentes de Deus, principalmente quando deixamos de agradecer. Após um tempo, paramos de ver todas as dádivas divinas em nossa vida e é justamente isso que não podemos permitir.

    No livro, Tish Warren (2021) nos desafia a relembrarmos do nosso batismo, que é uma data importante, afinal, ele inaugura a nossa entrada no reino de Deus. Mas ela enfatiza que, com o tempo, esta data torna-se banal, isso quando não nos esquecemos. Perceba como é fácil menosprezarmos as coisas importantes, os pontos definidores da vida cristã, para focarmos apenas nos problemas ou em questões menores.

    Cristo morreu em nosso lugar, ele foi rejeitado e crucificado para nos salvar. Esta é a grande verdade da vida cristã, este é um presente que não podemos esquecer. Gosto de como Tish Warren comenta o Salmo que está na epígrafe, que revela justamente isso:

    “O salmista declara: “Este é o dia que o Senhor fez”. Este aqui. Não acordamos para uma misericórdia vaga ou genérica de um Deus distante. Deus, com prazer e em sabedoria, fez, nomeou e abençoou este dia comum. O que eu na minha fraqueza vejo como mais um dia monótono numa série de dias, Deus me deu como um presente singular” (2021, p. 32).

    A história de Israel mostra como a misericórdia de Deus não tem fim. Se não fosse por ele, estaríamos perdidos, mas costumamos nos esquecer desta mensagem e deixamos de valorizar a morte que nos trouxe vida. Só isso já deveria ser o motivo para nunca mais reclamarmos e valorizarmos o nosso dia como nunca, mas é claro que muitas vezes nós esquecemos.

    Este é o dia que Deus fez, agradeça, desfrute, aproveite e não permita que os problemas definam o seu humor e nem que eles façam você esquecer destes detalhes importantes. A vida é quase toda feita de momentos ordinários, de coisas simples, que às vezes não damos valor. Mas o grande ponto está nesta simplicidade, ela que é o detalhe mais importante. É como vivemos, o simples e o ordinário, ou como pensamos e agradecemos a Deus, que vai fazer a grande diferença.

    Se hoje temos vida, é devido à infinita misericórdia de Deus, sendo assim, não se esqueça de relembrar desta verdade todos os dias, cultivando assim um coração grato por tudo o que Deus fez e tem feito em sua vida.

    BIBLIOGRAFIA

    CONNELLY, Douglas.; RICHARDS, Larry. Guia Fácil Para Entender Salmos: Tudo Sobre os Salmos, Reunido e Organizado de Maneira Completa e Acessível. Rio de Janeiro: Editora Thomas Nelson, 2017.

    WARREN, Tish H. Liturgia do ordinário. São Paulo: Pilgrim Serviços e Aplicações; Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2021.