Início

  • FUTILIDADES CORROSIVAS

    O dinheiro é necessário para podermos viver em sociedade, além é claro, de nos proporcionar uma vida mais tranquila. O dinheiro nunca foi um vilão, a questão é entender que, dependendo de como manuseamos este vil metal, podemos acabar construindo uma grande prisão.

    Talvez uma das verdades que mais nos incomoda é que: “não precisamos de tanto para viver”. A vida já é incrivelmente boa para que, com isso, sigamos perdendo tempo, incluindo um monte de quinquilharias em nosso dia a dia.

    Um carro é útil apenas para nossa locomoção, não precisamos gastar dinheiro para ter um apenas por conta de uma marca melhor ou um modelo mais chamativo. O mesmo podemos falar de uma casa, todos precisam de uma casa, é fundamental termos o nosso canto para viver, mas não precisamos de muito, nem de suntuosas moradias, é possível viver bem, com conforto, mesmo estando em um lugar simples.

    Muito do que o homem compra hoje, ele assim o faz pensando mais na posição social do que na utilidade das coisas, com isso, ele acaba pagando um alto preço por este luxo. E não ache que o assunto serve apenas para quem tem dinheiro, pois, sim, serve também para quem não tem tanto assim.

    Conheço muitos que adquiriram coisas, desde celulares, casas ou apartamentos, muito mais por conta do local, da marca ou status do que pela utilidade e acabam tendo problemas financeiros por conta disso. Qualidade de vida é justamente viver bem em todos os sentidos, não envolve ostentação e sim, do quão tranquilo você consegue viver com o que recebe.

    Quando a futilidade ganha ares de necessidade, você acaba prezando sempre pela marca mais famosa, o bairro mais nobre ou o apartamento maior. Tal comportamento termina por comprometer uma boa parte do seu dinheiro e você acaba seguindo sempre enforcado, no limite.

    Status e ostentação não é viver com qualidade de vida e sim, viver para mostrar um estilo de vida para as pessoas, algo que você não precisa, mas insiste, talvez por conta do seu ego.

    Pense sempre antes de gastar e cuide para que a futilidade não tenha sempre ares de necessidade, pois você pode colher consequências por conta desse costume. Não que nós não possamos ter o nosso momento de futilidade, às vezes isso é bom, o problema é quando você faz disso uma regra.

    Ninguém precisa de tanto, é possível viver bem, mas de forma moderada. Seja você de classe média ou não. Não precisamos ter as coisas só pelo status que elas proporcionam, é possível viver bem, mas com moderação, sempre atento às mudanças na economia.

    Esta é a forma sábia de viver, é entender que dinheiro nunca é para sempre. Conforme o tempo passa, as coisas mudam, pelo menos na maioria das vezes, contudo, você não se prejudica quando aprende a gastar e, no fim, consegue viver de forma moderada. 

    Perceba que algumas futilidades são extremamente corrosivas, elas danificam a nossa paz e tranquilidade, por conta disso, não valem o investimento.

  • O SOBRENATURAL DE DEUS NO COTIDIANO

    Aprendi a ver a mão de Deus em tudo, seja na natureza, que é obra das suas mãos, na igreja, que é um grupo de pessoas alcançadas pela graça do nosso eterno pai ou mesmo naqueles momentos que só podem ser explicados como milagres de Deus.

    Ser cristão é caminhar entre a vida natural, que é o contexto onde vivemos e existimos, e o sobrenatural, que são aquelas realidades que não vemos, como diria Francis Schaeffer em Verdadeira espiritualidade.

    O grande desafio, a meu ver, é entender a palavra sobrenatural, que, convenhamos, segue muito desgastada e incompreendida, devido à visão de muitos cristãos. Sendo que eu vivi em um contexto que espiritualizava tudo, por conta de muitos livros incoerentes que os cristãos seguiam. Muitos deles, por conta destas obras, viam a vida espiritual através destas lentes idealizadas e incorretas.

    O sobrenatural é tudo o que escapa aos nossos olhos naturalistas. É perceber como existe muito mais do que as nossas vistas conseguem captar. Schaeffer complementa:

    “Conforme a visão bíblica, a realidade consiste de duas partes: o mundo natural — o que vemos, normalmente, e a parte sobrenatural. Quando usamos a palavra “sobrenatural”, entretanto, é preciso cuidado. Na verdade, o sobrenatural não é mais incomum no universo, do ponto de vista bíblico, do que aquilo que normalmente chamamos de natural. A única razão de chamá-lo de parte sobrenatural é que geralmente não podemos enxergá-lo. Só isso. Do ponto de vista bíblico — a visão judaico-cristã — a realidade tem duas metades de uma laranja. Uma parte normalmente é visível, a outra é normalmente invisível” (2021, p. 70).

    O meu desafio, quanto a este assunto, é que eu já estou bastante calejado por conta dos muitos exageros, mas eu acredito na realidade espiritual. Eu entendo que existe muito mais do que nós vemos, mas se prestarmos atenção, até o que aparentemente é natural, pode ser sobrenatural. A vida, a criação ou uma célula, pode revelar a maravilha da criação de Deus, um milagre que revela a sua existência. A Bíblia fala que Deus pode ser conhecido através da criação (Romanos 1: 20), e esta verdade, muitos cristãos estão perdendo, pela ênfase em querer ver o milagre em todos os lugares, sem perceberem, que no final, tudo é um milagre.

    Por espiritualizarmos tudo, muitas vezes não notamos Deus nas pequenas coisas. O mesmo podemos falar do inimigo, que tira a nossa paz e a nossa confiança em Deus, agindo através das coisas aparentemente banais, sem nos darmos conta disso. E perceba como estas literaturas ditas cristãs, que falam de batalhas espirituais, partindo muito mais de histórias mirabolantes do que dos princípios bíblicos, termina por trazer muito mais preocupações, do que a busca genuína por Deus. Não estou negando uma realidade e sim, deixando claro como alguns livros são perigosos e antibíblicos, motivando você a agir com a intenção errada.

    Assim como é possível ver Deus nas pequenas coisas, na criação e em tudo o que ele criou, é possível perceber como o inimigo também usa as pequenas coisas para minar a nossa paz e confiança em Deus.

    Aprenda a olhar a vida cristã com um olhar amplo para perceber que existe uma realidade que muitas vezes não nos damos conta. Por isso, busque olhar a vida ou as boas oportunidades, como milagres divinos, já que tudo é fruto da sua dádiva. Nós fomos salvos, resgatados do pecado, assim sendo, a nossa vida é um milagre, por conta de graça do nosso pai. No final, tudo o que vivemos é fruto da sua misericórdia, sendo assim, um milagre. Aprendi a ser grato por tudo e a ver Deus agindo em tudo, inclusive no mais simples acontecimento.

    E cuide com aquelas literaturas ditas cristãs, que ensinam você a olhar além, para uma batalha espiritual, mas que impede de você ver que no simples, nas coisas que não vemos, podemos perceber também Deus agindo. E fique atento as obras que falam sobre o inimigo, mas que impede você de ver seus erros, naqueles pecados que muitas vezes já são aceitáveis, que nem são vistos como pecado mais em sua vida.

    A vida cristã é uma prática diária, é um modo de ser que exige que tenhamos um estilo de vida e a mentalidade que parte da Bíblia. É a palavra de Deus o nosso referencial central, assim sendo, fuja de tudo o que não possui fundamentos neste sagrado livro e que motiva você a agir com os propósitos errados.

    BIBLIOGRAFIA

    SCHAEFFER, Francis. Verdadeira espiritualidade. São Paulo: Cultura Cristã, 2021.

  • NARRATIVAS MILITANTES

    Na maioria das narrativas militantes, o culpado é sempre o outro. O opressor é quem discorda ou tenta dialogar. Não existe outro ponto de vista, apenas um e todos precisam aceitar. O errado, neste ambiente, nunca é quem milita. É justamente por este motivo que tenho algumas reservas com militantes. Onde não há diálogo, não vale apena estar.

    Madeleine Lacsko no livro Cancelando o cancelamento, aborda o que ela chama de Identidarismo, como ferramenta desta militância que quer impor e combater aqueles que discordam das suas visões.

    Existem pautas identitárias que são genuínas, como o racismo, por exemplo, que é um tema importante e precisa ser debatido. Entretanto, o identitarismo, que é um neologismo criado pela autora, descreve as pessoas que usam tais temas genuínos para militar, impor e vender virtudes. Madeleine Lacsko complementa:

    “Ignorar a objetividade, racionalidade e realidade é uma característica intrínseca do identitarismo. Chega a ser irônico e tem consequências práticas que se proponha como combate à opressão, exatamente as mesmas práticas dos opressores (2023, p. 28).

    Eles combatem um inimigo, forjando narrativas e perseguindo certas pessoas de uma forma muito violenta. É claro que eles ou os seus aliados podem ser violentos e agredir pessoas mais fracas, desde que estes estejam do seu lado, é claro. Há justificativa para a violência e a agressão. A violência que estas pessoas praticam, é permitida, já que faz parte da agenda deles. É a violência do outro que não pode ser aceita. Sendo tal atitude muito contraditória e arrogante.

    Perceba como existem temas verdadeiros em suas pautas, mas são usados de uma forma errada, apenas como ferramenta para manipular uma massa em nome de um interesse pessoal.

    Eu já encontrei muitos destes que acreditam que existe um lugar de fala. E se não estamos inseridos no contexto, não temos permissão de discorrer sobre um assunto. Ou se alguém usa algo que não é da sua cultura, ele é execrado por estes militantes, por estar se apropriando de algo que não é dele.

    Não há diálogo neste contexto, sendo que as pessoas que coordenam estes movimentos, não fazem parte de grupos minoritários e muito menos são pessoas que realmente buscam soluções, ao contrário, a maioria é da elite, que busca apenas atenção. São militantes que usam temas reais, para combater um suposto inimigo. O problema é que a maioria quer apenas pagar de bons moços, poucos querem resolver o problema.

    Aprendi a observar bem o que uma pessoa diz e também a verificar suas atitudes perante a opinião oposta, por isso que, com o tempo, entendi que muitos não querem ouvir e muito menos dialogar. É por isso que eu não perco tempo com estes.

    Ou dialogamos e construímos saídas para tais problemas, ou seguiremos para um embate sem fim. Aprenda a diferenciar quem milita em nome de uma causa, sem espaço para qualquer diálogo, daqueles que se unem para propor uma solução para um problema.

    Há uma narrativa construída para impor um ponto de vista, existe uma ação para calar as pessoas e tomar o poder. Por isso, tome cuidado com as narrativas militantes, que usam princípios genuínos, mas que possuem fins escusos.

    BIBLIOGRAFIA

    LACSKO, Madeleine. Cancelando o cancelamento: Como o identitarismo da militância tabajara ameaça a democracia. São Paulo: LVM Editora, 2023.

  • A PAZ COMO ÁRBITRO

    Existe um certo senso comum que permeia a igreja cristã, que acredita em uma série de equívocos, como se fossem ensinamentos bíblicos. Por isso, ler e estudar a Bíblia é fundamental para fugirmos de tais ensinos e fundamentar a nossa fé na palavra de Deus.

    A paz como árbitro é uma destas crenças que ouvimos na igreja. Se você está em paz, dizem eles, é porque vem de Deus, evocando o texto de Colossenses. E o texto pontua:

    “Que a paz de Cristo seja o juiz em seus corações, visto que vocês foram chamados a viver em paz, como membros de um só corpo. E sejam agradecidos” (Colossenses 3:15) (NVI).

    Aparentemente, ao lermos apenas este versículo, podemos ter justamente esta conclusão e, dependendo da tradução bíblica, a opinião fica ainda mais nítida. Mas, ao lermos a perícope inteira (a divisão do assunto no texto), perceberemos justamente que Paulo, na Epístola aos Colossenses, não quer ensinar isso.

    Entretanto, não se engane, visto que a paz é um dos frutos do espírito (Gálatas 5:22), Deus oferece esta paz para a nossa vida, contudo, não é sobre esta paz que estou me referindo, eu estou falando da paz como árbitro. É quando as pessoas usam a sensação de paz (ou a falta dela) como juiz para tomar uma decisão.

    Neste texto, Paulo fala para uma igreja que vivia em conflito, por conta de falsos ensinos que circulavam naquela comunidade. Diante disso, nesta passagem (Colossenses 3:12-17), ele incentiva os cristãos a revestirem-se de misericórdia, bondade, humildade, mansidão e longanimidade (v. 12) e se suportarem, bem como, perdoarem uns aos outros (v. 13). E que, acima de tudo, o amor (v. 14) e também a paz sejam o juiz entre eles. Perceba que o contexto é justamente a convivência, visto que, na segunda parte do versículo, ele fala que os cristãos foram chamados para viver em unidade, em um só corpo (v. 15). A paz que o texto menciona está ligada à comunhão. Ou seja, que a paz entre os irmãos seja o juiz, o norte e a prioridade da igreja. Peter O’Brien complementa:

    “Mas a paz de Cristo não é uma referência à paz pessoal ou interior. Em vez disso, é a paz que ele personifica e traz (cf. Jo 14.27) e é equivalente à salvação. Além disso, não é uma questão de a paz de Cristo “agir como árbitro”. Antes, o verbo significa governar, o próprio Cristo, que é o senhor da paz (cf. Ef 2.14; 2Ts 3.16), deve estar presente e governar em seu meio” (CARSON et al., 2012, p. 1915).

    Quando estamos em paz, estaremos, de igual forma, em paz na igreja. Nós, cristãos, temos a missão de sermos apenas um corpo, sendo que a nossa relação na igreja deve ser harmônica e com muita paz. Quando não estamos no centro da vontade de Deus, indubitavelmente, levaremos para o ambiente da congregação muita discórdia e desarmonia. Jonas é um bom exemplo deste fato. Ele desobedeceu a Deus, mas dormiu tranquilo e aparentemente com muita paz (a falsa paz). O seu pecado trouxe transtorno e uma tempestade para o local no qual estava (WIERSBE, 2020, p. 182).

    Que a paz governe o coração e a vida dos irmãos. Que Cristo seja Senhor e apenas Ele a prioridade de nossa vida. Que Ele governe tudo e não as nossas falhas vontades. Perceba que o texto não oferece uma forma de decidir, baseada na paz do coração, e sim, o modo de viver, tendo Jesus como centro de tudo. Quando Ele é a prioridade, a igreja consegue caminhar sem contendas. E Jeremias nos dá um aviso importante:

    O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo? (Jeremias 17:9) (NVI).

    O pecado é uma enfermidade do coração. No Antigo Testamento, o coração pode ser entendido como a razão, ou o lugar onde a vontade e as ações humanas surgem. O coração é corrupto por causa do pecado (PFEIFFER, 2017, p. 1120).

    Não siga o seu coração, os nossos sentimentos e opiniões são passíveis de erro. Guie-se pela palavra de Deus, busque nele a orientação. Sendo que alguns dos nossos desafios, muitas vezes, nos tiram a paz. Principalmente quando são coisas grandes ou complicadas, por isso a paz é um péssimo guia. Nem sempre temos paz ao entrarmos em alguns desafios desconhecidos e radicais, mas temos Deus, que sempre estará conosco nos dando força.

    Tenho um bom exemplo de como a paz no coração pode nos enganar. Pedi muito a Deus que ele abrisse as portas para eu conseguir fazer mestrado em uma instituição pública, por conta do custo. No final, passei no processo seletivo da Universidade Estadual de Maringá, uma ótima instituição, mas que fica a 424 km da cidade em que eu moro.

    Em um primeiro momento, eu não fiquei em paz, visto que eu precisaria viajar uma vez por semana até aquela cidade durante quase um ano para conseguir cursar todas as disciplinas do mestrado. No final, consegui a dispensa de um dia no trabalho, viajei toda a semana e consegui concluir as etapas necessárias para o mestrado. Foi um trabalho árduo, mas que valeu a pena, visto que, hoje, sou mestre em filosofia, mas se eu tivesse seguido a minha paz, não receberia esta bênção de Deus.

    Nem sempre estaremos em paz, por isso, aprenda a avaliar a situação com muita cautela e cuidado. Às vezes temos boas oportunidades, mas que nos trazem medo e falta de paz, pelo tamanho do desafio, como foi o meu caso.

    Que Deus nos ajude a tomarmos boas decisões, que aprendamos a confiar nele, entendendo que não estamos sozinhos.

    BIBLIOGRAFIA

    CARSON. D. A.; FRANCE, R.T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

    PFEIFFER, Charles F. Comentário bíblico Moody: Volume 1. São Paulo: Batista Regular do Brasil, 2017.

    O’BRIEN, Peter T. Colossenses. In: CARSON. D. A.; FRANCE, R.T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

    WIERSBE, Warren W. Comentário bíblico expositivo: Novo Testamento: Volume II. Santo André, Geográfica Editora, 2020.

  • CONFIE EM DEUS

    “Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas” (Provérbios 3:5,6) (NVI).

    Não é tão simples falarmos sobre confiar em Deus quando estamos em meio ao vendaval da vida. Quando tudo parece ruir e a desesperança parece ser a única realidade, a última coisa que pensamos nestes momentos é em confiar. Mas isso não significa que confiar não seja algo fundamental.

    Alguns assuntos, dependendo de como a nossa vida está, se tornam complexos. É fácil falar que em tudo Deus tem um propósito, quando estamos com a vida boa. Ou falar em confiar, quanto a nossa vida está tranquila. Mas, em meio ao caos, o assunto se torna desafiador. Somos seres humanos, temos as nossas dificuldades diante de alguns desafios.

    Confiar é algo bem ambivalente, ao mesmo tempo que precisamos crer que somos capazes de fazer as coisas, de realizar algumas atividades, confiar em excesso nos leva para um caminho de engano. Alguns confiam tanto em si, que não percebem seus equívocos e seguem fechados para a autoavaliação, tudo porque acreditam que sabem o que estão fazendo. E este é o caminho do equívoco.

    O texto começa a nos ensinar um importante ponto de partida, confie de todo o coração primeiramente em Deus (v. 5). Confiar no senhor é sempre a primeira atitude, visto que nós, seres humanos pecadores, caímos facilmente no autoengano. Constate como confiar em Deus e não se apoiar em um entendimento próprio é um ponto de partida imprescindível do texto (v. 5). Sendo assim, primeiramente confie, busque em Deus auxílio e exercite a sua mente a descansar nele. É fácil focarmos nos vendavais e tempestades da vida, mas o grande alívio é que não estamos sozinhos, Deus não nos abandonou, confie no senhor.

    Outro ensino importante deste texto é que não devemos nos apoiar em nosso entendimento (v. 5). É fácil nos equivocarmos ou entendermos uma questão de forma errada. É comum termos uma opinião exagerada de nós e é isso que nos coloca em inúmeros problemas.

    Nos metemos em confusão sempre que nos apoiamos de forma intensa em nós, precisamos sempre ter cuidado e equilíbrio quando falamos sobre os nossos entendimentos.

    O autoengano é comum na vida de todos os seres humanos, mas confiar em Deus é um primeiro passo para uma vida equilibrada. Tudo parte dele e da sua palavra, inclusive quando falamos sobre ter uma visão equilibrada de quem somos. E o texto continua a nos ajudar:

    “Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema ao Senhor e evite o mal. Isso lhe dará saúde ao corpo e vigor aos ossos” (Provérbios 3:7,8) (NVI).

     Não veja a si como um sábio, isso é perigoso e pode levar você a cometer erros. Confie em Deus, tema a ele e fuja do mal. Este é o caminho da vida equilibrada. John Goldingay explica que:

    “Sábio aos próprios olhos não denota meramente orgulho de sua própria sabedoria, mas autossuficiência nela e por isso a falta de percepção da necessidade de levar as coisas a Deus (sem dúvida, uma tentação persistente para pessoas empenhadas em buscas sabedoria)” (2012, p. 891).

     Não somos autossuficientes, ao contrário, todo o caos e pecado do mundo nos mostra como o ser humano precisa de Deus. Ou depositamos a nossa confiança nele, ou certamente seguiremos rumo ao erro. Segundo o dicionário, autossuficiente significa:

    “Condição do que se basta a si próprio” (Dicionário Priberam).

    Sábio é aquele que confia primeiramente em Deus, que coloca Nele toda a sua esperança. Uma pessoa sábia entende como o equívoco faz parte da estrutura do ser humano e, por conta disso, ele sempre toma cuidado. Tudo primeiramente precisa partir de Deus, ele precisa ser o padrão e o nosso guia.

    BIBLIOGRAFIA

    “Autossuficiência”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2008-2024, https://dicionario.priberam.org/autossufici%C3%AAncia.

    CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. Ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.

    GOLDINGAY, John. In: CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. Ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.

  • A SABEDORIA DO CANSAÇO

    Chegamos a um ponto da nossa caminhada que inevitavelmente cansamos. O esforço perde um pouco do sentido e nossos planos e projetos se esvaem, como fumaça. Aparentemente parece ser o começo do fim, contudo, percebemos depois que tinha sido, na verdade, o começo de tudo.

    A sociedade tem ensinado a fórmula infalível da busca frenética pela felicidade. Tudo parte da ação, do esforço, de correr atrás dos sonhos. E quem não consegue, segundo estes, é porque não se esforçou o suficiente.  Esta é a receita de sucesso que estes palestrantes motivacionais insanos esbravejam, com isso, a sociedade segue olhando para o futuro, para seus planos e metas, mas sem viver o hoje. 

    Não é possível simplificar a vida, muito menos generalizar todas as situações. A vida é muito complexa para colocarmos em um molde, visto que cada ser humano está em um estágio, olhando-a de uma altura da estrada.

    Ao me cansar, percebi muito mais o hoje e descobri que desfrutar do momento é uma das nossas maiores alegrias. Às vezes, na tentativa de buscarmos ser felizes, abandonamos tudo, deixamos de olhar em volta e perceber a riqueza do simples, do belo ou das coisas que Deus nos deu. É fundamental aprendermos a ser satisfeitos, a insatisfação é perigosa. Pondé tem uma frase que simplifica bem esta realidade:

    “O cansaço nos liberta da tentativa de ser feliz” (PONDÉ, 2019, p. 199).

    É claro que é importante se planejar, fazer metas e projetos, mas precisamos também manter os nossos pés no chão, sendo gratos a Deus e desfrutando do que ele nos deu. Na tentativa de seguir fórmulas, alguns complicam ainda mais suas vidas, produzindo muito mais tristezas e problemas do que planos e sonhos.

    A busca pela felicidade pode se revelar amarga. O contentamento, a gratidão, nos mantém no hoje, olhando para Deus e assim, sendo felizes. Em alguns momentos, é melhor parar e desfrutar do presente. Agradecendo e percebendo como Deus em todos os instantes tem sido bom. O cansaço faz justamente isso, a tirânica busca pela felicidade, não.

    O mundo de hoje insiste em vender uma vida de vitórias, o sucesso parece ser o fator preponderante de todos os seres humanos. Gente feliz e inteligente, precisa ter sucesso e divulgar as suas vitórias a todos, segundo tais pessoas. Entretanto, na vida não colhemos só vitórias, o fracasso faz parte da existência e viver é saber apreciar a viagem, compreender os momentos da nossa vida e às vezes se aquietar.

    O cansaço nos faz parar e perceber que existe muito mais do que apenas olhar para o futuro ou ter sucesso. É saber viver, entendendo que não existem receitas prontas na vida.

    Depois de um tempo, percebemos que viver não é somar lucros e vitórias, mas aprender em todos os momentos e desfrutar do que temos com muita sabedoria. O nosso tempo aqui na terra é curto, por isso, aprecie a viagem.

    Bibliografia

    PONDÉ, Luiz Felipe. Como aprendi a pensar. São Paulo: Planeta do Brasil, 2019.

  • FUNDAMENTOS DA VIDA CRISTÃ: EBOOK GRATUITO

    A obra Fundamentos da Vida Cristã (2024), escrita por Alexssandro de Lima e Guilherme Augusto, é um livro no qual trata de bases para uma vida cristã saudável, trazendo uma perspectiva bíblica sobre os alicerces da nossa fé, além de conter experiências pessoais sobre este tema.

    O livro nasceu com a proposta de poder colaborar com o ensino cristão, discipulado e orientações de práticas que devem acompanhar a vida cristã.

    Nosso desejo é que, quando realizar esta leitura, você possa ser edificado e também possa transmitir este conhecimento a outros.

  • ENCARANDO A DOR

    O sofrimento não é nada belo, ele fere, nos joga no chão e algumas vezes nos paralisa, contudo, o sofrimento faz parte da vida. O normal é sofrermos e lidarmos com situações complicadas. Quem entende isso, não só percebe a dinâmica da vida, mas também não amplifica a dor.

    Não tem como não sofrer, a dor é parte do existir, e não desejar sofrer é sofrer ainda mais. A melhor saída é aceitar, viver o período de dor e caminhar em busca da saída, pois uma hora ou outra ela vai aparecer.

    De modo algum agir assim é ser apático, muito menos relapso quanto aos problemas e sim, aceitar que a dor existe, não é saudável fugir deste fato. A melhor atitude é aceitar e seguir em busca da cura, caso seja possível, ou pelo menos entender que viver dói.

    A dor nos mostra que há algo errado, ela é um sinal que demonstra que existe um problema. A dor também revela que estamos vivos, que conseguimos sentir, que existir é uma realidade. O que seria o prazer sem a dor? Já que ambos revelam o que sentimos. O que seria do alívio sem o sofrimento? E em ambos os casos, conseguimos extrair lições. A dor ensina e nos deixa mais empáticos.

    Sofremos muito com as nossas decepções e com o modo como lidamos com as tribulações. No final, amplificamos o problema e seguimos sem aceitar a situação, transformando a dor em um problema ainda maior. Alan Watts pontua justamente isso, quando diz que:

    “Querer sair da dor é a dor; não é a “reação” de um “eu” distinto dela” (WATTS, 2017, p. 102).

    Aceitar é entender a fragilidade humana, tendo em mente que o sofrer é parte da existência, e diante disso, a dor diminui, você percebe o seu entorno e constata como nem tudo está perdido.

    São muitos os que resistem, não aceitam e seguem remoendo ainda mais os problemas, amplificando uma dificuldade, que em muitos casos já é grande o suficiente. Aceitar, não é se entregar, mas usar sua força e foco para buscar a solução ao invés de seguir se lamentando, ou mesmo aceitar a dor e seguir, ao invés de construir ainda mais problemas. Perceba que tudo vai depender da mentalidade, de como você se porta em meio ao caos.

    Por isso, quando doer, relembre que viver dói, procure entender a lição que a dor traz e cresça com ela. Que no mais, aos poucos ela segue se esvaindo, se esgotando perante a aceitabilidade. Sendo que o alívio, depois disso, vem de um modo mais significativo que a própria dor. A sensação de ver um problema resolvido é realmente impressionante.

    BIBLIOGRAFIA

    WATTS, Alan. A sabedoria da insegurança: Como sobreviver na era da ansiedade. São Paulo: Editora Alaúde, 2017.

  • DIVINO RESGATE

    Quando não conhecemos a Bíblia ou não buscamos sempre consultar a palavra de Deus ao ouvirmos uma mensagem, corremos o risco de virarmos reféns de ensinos que não são bíblicos. É fácil, justamente pela falta de conhecimento, acreditar que alguns sermões são bíblicos. Sendo que hoje, este perigo é ainda maior, visto que, estamos muito mais expostos a vídeos, pregações e palestras. Conhecer a palavra de Deus e as bases da fé, é ter a certeza de que você não cairá em ciladas, por conta dos seus fundamentos.

    É comum vermos ensinos equivocados propagados como verdades. Um destes ensinos eu tenho visto muito nas redes sociais, mas já li em alguns livros cristãos também, que se resume em: “Deus não amaria algo que não tivesse algum valor, se Deus nos ama é porque eu tenho atributos específicos que merecem tal amor”. Se Deus me ama, diz tal conceito, é porque eu tenho algo de especial. Cristo não morreria por indivíduos que não valem nada, segundo estes. Um conceito que carece um pouco de reflexão.

    O amor de Deus por nós, não é fruto de algo especial que qualquer um tenha. Quando Deus nos ama e decide morrer por amor, a motivação é a sua santa misericórdia e não nós e algo especial que o ser humano tenha. O poder de Deus e o evangelho nos faz filhos amados, mas o seu sacrifício não é oriundo de algo que temos de bom.

    Diminuímos o que Deus fez na cruz quando acrescentamos qualquer possibilidade, mérito ou valor a sua ação. Somos salvos por conta da poderosa graça de Deus. O mérito, o amor e a misericórdia, parte sempre dele e não de algo que temos. Ele olha para nós, seres humanos pecadores e decide nos transformar, mudar a nossa realidade e nos salvar. John Stott acrescenta algo fundamental:

    “O cristianismo é uma religião de resgate” (2018, p. 17).

    Nós fomos resgatados por um Deus que teve misericórdia, não porque temos valor e sim, porque ele é amor. O mérito é sempre dele e não nosso. Acreditar que temos algum valor, justamente porque Deus morreu por nós, é acreditar que nós o motivamos.

    Quando alguém é salvo por qualquer mérito ou valor que seja, a pessoa já não é salva mais pela graça. A graça pressupõe justamente que não merecemos, que não temos qualquer mérito, mas Deus decide nos salvar, pois ele é santo e misericordioso. O apóstolo Paulo em Efésios diz:

    “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9) (NVI).

    Nós somos salvos pela graça, não por mérito e muito menos obras, justamente para não nos gloriarmos, para não acreditarmos sermos merecedores de tal sacrifício. Hahn e Boor explicam que:

    “Tudo o que o ser humano visa realizar “a partir de si” para a sua salvação é “obra”, e por isso insuficiente. A graça de Deus exclui o sinergismo humano, porque somente assim é e continua sendo cabalmente graça (2006, p. 46-47).

    Deus nos salvou e nos fez especiais, amados e filhos, não porque merecemos, mas justamente porque ele é bom. Tudo o que temos é dádiva de Deus e fruto de sua graça.

    Eu gosto de esculturas, é legal ver como um artista consegue pegar uma pedra bruta e transformar em algo belo e com muito valor. Quando eu observo as imagens da escultura chamada de Davi, de Michelangelo, eu fico abismado com todos os detalhes e em como o artista conseguiu pegar uma pedra sem valor algum e transformar em algo majestosamente e belo. Assim somos nós, Deus pegou uma pedra bruta, sem valor algum e através da graça nos transformou, não foi por mérito nosso e sim, por conta da sua soberana misericórdia e poder.

    A grandeza da morte de Cristo na cruz se dá justamente porque ser humano algum merece tal ato, mas mesmo assim, ele morreu por nós e nos chamou de filhos. Por isso, não diminua a graça de Deus acreditando que você tem algum mérito.

    BIBLIOGRAFIA

    HAHN, Eberhard.; BOOR, Werner.Carta aos Efésios, Filipenses e Colossenses: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 2006.

    STOTT, John. Lendo Gálatas com John Stott. Viçosa: Ultimato, 2018.

  • ARROGÂNCIA ACADÊMICA

    Quando optei pela carreira de docente, assim o fiz, muito mais pela alegria e pelo prazer de ensinar e pesquisar do que pelo dinheiro. Ser professor é seguir aprendendo sempre, para, desta forma, ensinar com relevância. Quem não gosta de aprender não deveria ensinar.

    A parte difícil de estar neste meio, já que nem tudo é perfeito, é ter que lidar com a mente fechada de muitos docentes, principalmente quando se trata de autores chamados públicos, daqueles escritores da mídia. Muitos possuem opiniões negativas quanto a eles, sem terem o menor contato com suas obras e reflexões, o que é muito contraditório, já que aprendemos em nossa caminhada acadêmica a falar apenas do que conhecemos e estudamos.

    Existe uma espécie de arrogância que permeia a mente de muitas pessoas que fecham os seus olhos para bons autores, mesmo sendo eles escritores famosos. E quando um aluno cita qualquer um destes autores, é normal ouvirmos respostas arrogantes destes “detentores do saber”, desmerecendo os livros ou quaisquer conteúdos destes escritores.

    Sou alguém muito curioso e, como preciso lidar com diversos tipos de pessoas e públicos, às vezes busco ler alguns destes escritores que os alunos citam, só para entender a realidade destas pessoas e o ponto de partida das suas reflexões, leituras e conhecimento. A verdade é que já aprendi com muitos deles, e mesmo sabendo que estas obras não são ideais para produzir conteúdo acadêmico, o aprendizado que muitas vezes nos traz já é válido.

    A arrogância no meio acadêmico é sempre perigosa, principalmente quando ela leva um professor a fazer um juízo de valor, sem ao menos conhecer o que está criticando. Aprender a ter contato com tais livros, pelo menos para conseguir fazer um julgamento mais justo, é ser honesto consigo mesmo, caso contrário, é melhor falar que não tem opinião sobre determinada obra justamente por não ter lido.

    Ter a humildade de falar que não conhece determinado autor é uma atitude inteligente, como eu já falei muito aqui no blog. Não é vergonha dizer a palavra, não sei, a vergonha é falar de algo sem conhecer.

    Eu lembro bem de um episódio que explica nitidamente este fato, foi quando um docente começou a desmerecer e rebaixar o filósofo Luiz Felipe Pondé, como se ele não soubesse de nada relacionado à filosofia. A ação foi contraditória, visto que, Pondé é graduado, mestre e doutor em filosofia. Tal autor estudou e passou por todos os crivos que todos os acadêmicos passam, como banca de graduação, mestrado e doutorado. Com isso, algum conhecimento você imagina que ele tenha. E é claro, você pode não concordar com o autor, mas humilhar alguém que possui uma formação é uma atitude complicada para um acadêmico. Eu mesmo já li inúmeros ótimos livros dele, mesmo sendo um estilo de texto menos acadêmico, mas é igualmente bom. Admiro a proposta do autor de oferecer uma filosofia mais prática e acessível às pessoas.

    Para quem quer entrar na carreira de docente e pesquisador, entenda que a humildade é tudo e falar do que você conhece, leu e se informou é primordial. Acreditar estar acima, ser melhor que todos e desmerecer as pessoas, não é uma atitude inteligente.

    Opte em seguir sempre pelo caminho da humildade, estando, assim, aberto para o saber e fechado para falar das coisas nas quais você não teve contato.