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  • A MEDIOCRIDADE DE OURO

    Algumas palavras perdem o seu verdadeiro significado com o tempo. As mudanças da sociedade ou a falta de reflexão levam as pessoas a se esquecerem dos reais significados de alguns termos ou mesmo a ressignificarem algumas expressões. O termo medíocre é um deles.

    Entender que estar na média não é algo negativo, nesta sociedade de exageros, é o que menos vemos hoje em dia. Todos querem estar no topo, mas em meio à busca, esquecem de viver o hoje e não entendem como a média é um patamar, na verdade, muito elevado, que poucos conseguem chegar.

    No século XVIII, pegando alguns princípios da Antiguidade Clássica, o Arcadismo propôs uma série de lemas que apresentam ideais atemporais interessantes para alguém seguir. Assim sendo, tais lemas valem tanto para nós quanto para as outras gerações (BARROS, 2023, p. 19).

    E alguns destes lemas são inutiliza truncat (cortar o que é supérfluo), carpe diem (aproveite o dia), aurea mediocritas (a mediocridade de ouro) e mais alguns lemas bem interessantes, que em um primeiro momento, soam contraditórios e equivocados, mas que são lemas fundamentais.

    O significado da palavra medíocre, atualmente, não é nada positivo. Medíocre é algo inferior, sem qualidade, afirmarão muitos. O medíocre é alguém incompetente, que não sabe fazer as coisas e vive de forma equivocada. Estar na média, hoje em dia, é um grande defeito, o homem de sucesso é aquele que busca ficar no topo, segundo a atual ideologia. Com isso, as pessoas anulam a sua vida para conseguir chegar neste patamar. Passam seus dias correndo atrás do sucesso, se esquecendo de viver o hoje. É a chamada tirania da vitória, que estabelece suas normas ao custo da própria paz e da vida, que é limitada.

    Não quero afirmar que você não deve se esforçar para conseguir colocar seus planos em ação. Às vezes precisamos renunciar algumas coisas, para conseguirmos avançar mais em nossa carreira ou empreendimento. Eu estou falando apenas da importância do equilíbrio, criticando aqueles discursos motivacionais que pregam o sucesso a qualquer custo. Será que vale a pena abdicar da família, pela carreira ou de um descanso adequado, pelos nossos empreendimentos? Em alguns períodos, eu sei que podemos até abrir algumas exceções, o perigo é fazer das exceções regras.

     A justa medida é uma das importantes regras da cultura grega antiga. Entre as máximas dos sete Sábios, escritas no templo de Delfos, estavam as frases: “A medida é a melhor coisa” e “nada de excessivo”. A primeira atribuída a Cleóbulo e a segunda a Sólon. Estas máximas inspiraram muitos poetas e pensadores, sendo que Platão aprofundou o tema em um nível realmente significativo. E Aristóteles também separou um espaço em sua ética das virtudes para falar do justo meio (ANTISERI; REALE, 2017, p. 244-245). Desde a antiguidade, o equilíbrio era uma prática importante e estar na média o melhor caminho.

    A mediocridade de ouro (Aurea mediocritas) fala sobre um meio-termo seguro e aceitavelmente bom. A intenção não é fazer uma apologia à pobreza e sim uma proteção contra a ganância sem medida e a petulância. A falta não é legal, passar por necessidades é realmente prejudicial para a nossa vida, contudo, a ambição desmedida é também um grande problema (BARROS, 2023, p. 42). Daniel Martins de Barros (2023), complementa:

    “Aurea mediocritas: a “mediocridade de ouro” valoriza a moderação, o meio-termo, e nos relembra que “medíocre” originalmente significa “o que está no meio””.

    Lembre-se daqueles que muitas vezes são sinônimos de sucesso, mas que vivem para o trabalho e o seu empreendimento, sem descansar por um segundo. Ou dos indivíduos que não se contentam nunca, não conseguem estar satisfeitos com nada, querem sempre mais. O capitalismo tem este poder de inculcar nas pessoas a sede por dinheiro. Como se as riquezas fossem tudo na vida.

    Estar na média é conseguir chegar em um ponto equilibrado, é aprender a estar satisfeito e não permitir que o excesso seja a sua principal ação. É possível estar satisfeito, aproveitar tudo o que temos e colocar limites importantes para a sanidade mental. Nunca as pessoas tiveram tantas facilidades, mas também tantas doenças, fruto desta falta de equilíbrio.

    Construir uma vida equilibrada é um grande desafio, é muito mais fácil seguir os exageros do que o justo meio, por isso que, aqueles que conseguem estar na média, na verdade, não são pessoas fracas ou inferiores, mas indivíduos que entenderam as verdadeiras prioridades da vida e seguiram pelo complexo caminho do meio.

    Bibliografia

    ANTISERI, Dario.; REALE, Giovanni. Filosofia: Antiguidade e Idade Média. São Paulo: Paulus, 2017.

    BARROS, Daniel Martins. Viver é melhor sem ter que ser o melhor: E outros princípios do Arcadismo para os dias de hoje. Rio de Janeiro: Sextante, 2023.

  • SALMO 48: GUIADOS POR DEUS

    “Pois assim é nosso Deus; ele é nosso Deus para todo o sempre e nos guiará até o dia de nossa morte. (Salmos 48:14) (NVI).

    Existe uma verdade que nunca podemos esquecer: “a vida é mudança”, sendo que em alguns momentos, é por desejo nosso, em outros, é por conta dos fatores da vida. Mudar é viver e saber lidar com todos os períodos de mudança é fundamental.

    São muitos os caminhos, questões que surgem e tempestades que precisamos administrar. A mudança sempre nos traz surpresas, sendo importante estar preparado, sem se esquecer de que Deus é quem nos guia. Gosto de uma frase atribuída a Lutero que fala justamente deste nosso divino guia:

    “Não sei por quais caminhos Deus me conduz, mas conheço bem meu guia” (Lutero).

    Em meio aos meus tempos de mudança e todas as incertezas que precisei enfrentar, uma convicção eu sempre tive: “eu não estava sozinho, Deus me guiava em meio às tempestades”. É Deus que nos guia e, por mais que a vida traga surpresas no meio do caminho, sabemos quem comanda a nossa embarcação. Ele é o nosso comandante até a morte.

    Este Salmo é um convite a conhecermos Jerusalém, os primeiros versículos enfatizam justamente isso (Salmo 48: 1-3, 9-11). Através deste texto, o salmista abriu as portas da cidade e descreveu todas as partes desta cidade as pessoas. Neste texto, Israel é descrita como a alegria de toda a terra (Salmos 48:2) e Deus recebe louvores de todos os lugares e nações, não só do seu povo (Salmos 48:10) (CONNELLY, 2017, p. 127). O salmista pontua:

    “Ó Deus, em teu amor meditamos enquanto adoramos em teu templo. Como teu nome merece, ó Deus, serás louvado até os confins da terra; tua forte mão direita está cheia de vitória” (Salmos 48:9-10) (NVI).

    Deus é soberanamente justo e o seu louvor chega até aos mais remotos lugares. E o Salmo se encerra com a citação da epígrafe do texto, mostrando como ele é o nosso Deus e guia. Este Salmo busca não apenas registrar um cântico a sua geração, mas a todas as gerações do mundo todo. É um louvor que ultrapassa gerações, nações e tempos e nos lembra quem Deus é de verdade (CONNELLY, 2017, p. 128).

    A história do povo de Israel é bem complexa, eles enfrentaram muitos problemas e em muitos momentos, confiar nele foi fundamental. Em meio a nossa vida e as mudanças que enfrentamos, ter um bom guia é algo indispensável para não cairmos em ciladas no meio do caminho. E Deus é este guia que nos protege, basta abrirmos o mapa que ele nos deu (A Bíblia) e deixarmos que a sua vontade seja o nosso norte.

    Nem sempre entendemos os caminhos, mudanças e desafios que a vida nos traz, mas sabemos bem quem é o nosso guia. Confiar em Deus é importante, para não permitirmos que as angústias e preocupações abalem a nossa paz e nos desvie do caminho da verdade.

    Bibliografia

    CONNELLY, Douglas. Guia fácil para entender Salmos: Tudo sobre os Salmos, reunido e organizado de maneira completa e acessível. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2017.

  • COMUNICAÇÃO QUE TRANSFORMA

    Comunicar é uma arte, ouvir alguém que fala bem e sabe passar um conteúdo é algo prazeroso. Sendo que as lições aprendidas são as riquezas que ganhamos destes comunicadores. E sobre a boa comunicação, Andy Stanley e Lane Jones, no livro Comunicação que transforma, propõem uma técnica interessante de pregação que pode ajudar muitos pastores, que são os importantes comunicadores da igreja.  

    Curiosamente, lembro apenas de alguns poucos sermões na minha vida, um deles eu ouvi há muitos anos e ainda carrego a lição em meu coração. Em contrapartida, é comum encontrar verdadeiros palavrórios de pregadores que insistem em falar uma quantidade grande de conteúdo, mas que se esquecem que o ponto que importa não é a quantidade e sim a qualidade, é deixar um ensinamento introjetado na vida do cristão.

    Andy Stanley e Lane Jones, neste livro, oferecem um tipo de pregação chamado de Sermão de um ponto só, que propõe oferecer uma pregação prática, que deixa na vida das pessoas a mensagem gravada em seus corações e os desafia a praticar o que foi ensinado.

    Se pensarmos que uma boa parte das pessoas não se lembra do sermão de domingo, vamos perceber como precisamos construir uma forma de comunicar muito mais eficaz na igreja. Os pregadores precisam entender que a pregação não é mera formalidade do culto e precisa gerar mudança, sendo que, a boa comunicação é responsabilidade do pregador.

    As estradas foram construídas para conduzir motoristas a um determinado local. E um sermão deve ser construído com o mesmo propósito. Pregar ou mesmo palestrar, é uma ação intencional, precisa ser feita a partir de propósitos definidos, buscando levar os ouvintes a um determinado lugar. Andy Stanley e Lane Jones complementam:

    “Todo sermão deveria conduzir os ouvintes a determinado lugar” (2010, p. 13).

    O livro me deixou pensativo e preocupado com a realidade da igreja. Será que os pastores têm buscado ser assertivos e práticos em suas pregações? Não adianta falarmos muito, se pouco, ou nada, ficará com as pessoas. Já ouvi sermões onde o pregador citava uma infinidade de textos bíblicos e não conseguia oferecer um conteúdo prático aos ouvintes. Outros pregadores seguiam as fórmulas que haviam aprendido nos seminários e faculdades teológicas, sem buscarem novos métodos de oratória e pregação. Conhecer tais técnicas pode ajudar muito um pregador.

    E u creio que as lições que esta obra oferece, podem ser usadas como ferramentas, para o pregador criar a sua forma de pregar ou mesmo, serem adaptadas ao modo como o pastor já prega.

    O livro é muito mais extenso e prático, e propõe sete pontos que definem este tipo de sermão, que tem como proposta central uma mensagem mais prática, que deixe gravado no coração das pessoas um ensino, vale a pena ler. Mas a reflexão que eu deixo é justamente sobre a intencionalidade das pregações que estão sendo feitas nas igrejas. Precisamos rever nossas técnicas e verificar se ela tem cumprido o seu papel.

    Avalie com a sua comunidade e liderança, busque ver se, durante o sermão, as pessoas não seguem distraídas, pensando em outras coisas. Este é um bom sinal de que a comunicação do sermão precisa ser aprimorada. E que este fato leve você a buscar aprender mais sobre comunicação e, quem sabe, a ler este livro.

    Quem faz a obra é o Espírito Santo, mas quem comunica somos nós, por isso que precisamos aprender a falar e comunicar de uma forma mais eficaz a mensagem de Deus.

    Bibliografia

    STANLEY, Andy.; JONES, Lane. Comunicação que transforma. São Paulo: Editora Vida, 2010.

  • A VERDADEIRA IGREJA

    Uma igreja estruturada é bem útil, ter um espaço amplo, um templo bonito e bem cuidado é ótimo, contudo, isso não define uma igreja, ela é muito mais do que suas quatro paredes. Ela precisa ser uma mentalidade, uma forma de ser e ajudar o próximo.

    A igreja é um lugar de socorro, um local de apoio e auxílio mútuo, onde uma pessoa pode se abrir sem medo e conseguir ajuda. Sendo que é comum a formalidade tomar conta da igreja e este princípio se perder, principalmente quando ela começa a crescer. Charles Swindoll, no seu ótimo livro Vivendo sem máscaras, resume bem o papel que a igreja deve exercer:

    “Nossas igrejas precisam parar de ser santuários nacionais e ser mais como um barzinho de bairro, parar de ser catedrais inacessíveis e ser mais como hospitais bem procurados, lugares onde as pessoas levam seu sofrimento, e não monumentos para serem admirados; lugares onde as pessoas podem tirar a máscara e se abrir totalmente; lugares onde se possam curar feridas” (SWINDOLL, 1987, p. 136).

    Precisamos entender que a igreja precisa ser tão acessível quanto um hospital ou barzinho, como a citação apontou. Saber acolher as pessoas, sem julgar, é muito melhor do que investir apenas em uma bela estrutura. Pedro complementa:

    “Sejam mutuamente hospitaleiros, sem reclamação” (1 Pedro 4:9) (NVI).

    O termo hospitaleiro se perdeu, ele não é muito usado hoje em dia, contudo, segundo o dicionário (Dicio), significa: “acolher de modo bondoso, com muita satisfação”. E é esta prática que precisamos incentivar na igreja, receber e acolher as pessoas, como nós gostamos de ser acolhidos, ou seja, com bondade e alegria.

    Muitos cristãos se dedicam tanto em anunciar o evangelho as pessoas, que às vezes se esquecem de construir um local que proporcione acolhimento e apoio a quem chega. Um espaço de vida e crescimento.

    Reflita comigo agora, se aparecer em sua igreja uma pessoa bem diferente, como, por exemplo, alguém todo tatuado, com piercings e um visual bem fora do comum. Ou um mendigo, com roupas bem sujas e rasgadas, como a sua igreja vai receber tais pessoas? Este é um ótimo exercício para verificarmos se a nossa comunidade está apta para receber todos os tipos de pessoas, com qualquer problema ou aparência.

    Não adianta muito pregar o evangelho para todos se a igreja não está preparada para acolher as pessoas de um modo correto, ajudando em seus problemas, necessidades e dificuldades, apontando o caminho da vida aos novos convertidos.  

    Ser igreja é um modo de agir, de acolher e ajudar os outros. E isso é muito mais valioso do que ter um belo templo ou uma ótima estrutura. Eu sei que um lugar bem estruturado é muito bom, mas se não tivermos a mentalidade correta, seguiremos em uma igreja organizada, mas sem sermos realmente cristãos, pessoas que recebem a todos, como Cristo recebia.

    Bibliografia

    HOSPITALEIRO. In: DICIO, Dicionário Online de Português. Porto: 7Graus, 2024. Disponível em: https://www.dicio.com.br/hospitaleiro. Acesso em: 16/03/2024.

    SWINDOLL, Charles R. Vivendo sem máscaras: Como cultivar relacionamentos abertos e leais. Venda Nova: Editora Betânia, 1987.

  • FOCO SELETIVO

    O foco é algo muito importante, ele direciona o nosso olhar e permite vermos determinada paisagem com mais detalhes. Todavia, o foco também impede alguém de enxergar algo que não está em seu campo de visão ou mesmo que não é sua prioridade. Nós vemos apenas as coisas que focamos.

    Em nossos dias, em meio aos excessos e as muitas opções que temos, o foco nos ajuda a não sermos distraídos pelas coisas que não valem a pena e a ignorar outras realidades. É o lugar que você foca, que define o que você enxerga e a direção do seu olhar. Jordan Peterson explica que:

    “Onde você foca determina o que vê” (PETERSON, 2018, p. 98).

    A citação diz respeito a como o ser humano vê apenas as coisas que ele foca, é uma ação intencional, que leva um indivíduo a olhar e perceber algo. A ação oposta também é verdadeira, é fácil ignorar alguns fatos, histórias ou coisas que estão acontecendo, basta olharmos para o outro lado. Onde você foca, determina o que você está enxergando, como Jordan Peterson coloca, é o foco que ajuda você a perceber ou ignorar os fatos.

    Em nossa vida, é fácil focarmos nos problemas sem percebermos as pequenas vitórias, os avanços que estamos tendo em outras áreas. Ou mesmo focarmos nos sonhos, sem percebermos o hoje. O foco determina bem as coisas que vemos.

    Na política, o foco ajuda muitos a ignorarem fatos. É assim que indivíduos insistem em apontar os erros dos outros, deixando passar despercebido verdades de sua ideologia que precisam ser notadas. A pessoa acusa o outro, sem notar a violência da sua ação, diminui o pensamento alheio, insistindo que ideias diferentes não podem existir, mas a sua ideia pode. Depois, esta mesma pessoa segue querendo combater a intolerância e militar por uma sociedade plural, com muitas ideias. Mas é claro, são só as ideias que ele valida que podem existir neste seu mundo dos sonhos.

    Na história, a ação não difere dos militantes de esquerda. Eles acusam seus opositores das mais diversas barbáries, o capitalismo de ser injusto e o conservadorismo de ser um veneno retrógrado, mas se esquecem do que o comunismo fez na maioria dos países nos quais esteve presente. Perceba como existe em muitos discursos um foco seletivo, não é uma reflexão honesta, onde as pessoas confessam os erros que aconteceram e buscam construir um lugar melhor. É um pensamento desonesto, que aceita suas falhas, mas que insiste em apontar as falhas dos outros.

    Perceba como o foco é incrivelmente impressionante e perigoso. É fácil sermos traídos pelas nossas ideologias, deixando assim de percebermos o todo de uma questão. Somos ajudados e traídos pelo nosso foco.

    Jordan Peterson nesta obra explica como a visão é totalmente dependente do foco, sendo que o ser humano foca apenas nas coisas que ele dá valor e, para comprovar isso, Peterson expõe a experiência do psicólogo cognitivo Daniel Simons. Este psicólogo estudava um fenômeno chamado de “cegueira por desatenção”. Para isso, muitas pessoas participaram da sua pesquisa, se sentando em frente a um monitor que mostrava uma plantação de trigo. Depois de um tempo e de forma bem lenta, aparecia uma estrada em meio ao trigo, não era algo sutil, era uma trilha bem grande e visível, mas que a maioria dos participantes não notava (PETERSON, 2018, p. 99).

    Entretanto, Daniel Simons ficou famoso por outro experimento bem interessante, que mostrava como as pessoas não conseguiam perceber um homem fantasiado de gorila, enquanto contavam quantas vezes os membros de uma equipe arremessavam uma bola entre eles (PETERSON, 2018, p. 99).

    O objetivo deste pesquisador foi provar como o ser humano possui um olhar seletivo. Nós percebemos pouca coisa e focamos apenas no que nos interessa. Nós só percebemos as coisas que entram em nosso campo de visão ou em nossos interesses, o restante nós ignoramos.

    A questão do foco nos mostra que precisamos aprender a olhar além, a perceber o outro com um olhar mais humano, a respeitar a opinião contrária à nossa e sermos honestos quanto às nossas ideologias e formas de pensar. Para vermos, precisamos nos posicionar e buscar enxergar além do que imaginamos. Tendo em mente que errar e deixar de perceber as nossas contradições, é algo comum. Creio que, com este posicionamento, podemos errar menos.

    Cuidado com o foco seletivo, com aquela tendência de criar uma narrativa, em nome de uma ideologia e forma de pensar. É fácil sermos traídos pelos nossos pontos de vistas e escondermos a verdade de uma questão.

    A verdade deve ser o nosso ponto de partida, aceitá-la, por mais amarga que ela seja, é a atitude mais inteligente que podemos ter.

    Bibliografia

    PETERSON, Jordan B. 12 regras para a vida: Um antídoto para o caos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2018.

  • DISCIPLINA INTELECTUAL

    A disciplina é uma ferramenta poderosa, com certeza, é uma das principais caso você seja alguém que pretenda estudar ou ampliar o seu hábito de leitura e estudo. É com ela que você consegue ter constância no dia a dia, para conseguir seguir cumprindo com os seus objetivos de estudo e preparo. A vida intelectual é um chamado, é a missão daqueles que são designados por Deus para o saber.

    Eu diria que um indivíduo disciplinado é aquele que sabe muito bem quem ele é, e por conta disso, busca sempre ferramentas e conhecimento para estar sempre avançando. Ele é um sujeito que sabe refletir, ponderar e aceitar. Nem sempre conseguimos acertar o alvo no primeiro lançamento. Às vezes, insistir, se preparar e continuar é a melhor resposta, e é aí que a disciplina entra.

    Você já aprendeu a executar algo sem aquela vontade de fazer? Quem tem disciplina sabe que a motivação não é uma ferramenta tão útil assim, visto que nem sempre estamos motivados. James Sire discorre bem sobre o intelecto disciplinado, explicando que:

    “Já o intelecto que foi disciplinado até alcançar a perfeição de suas capacidades; que conhece e pondera, enquanto conhece; que aprendeu a fermentar a densa massa de fatos e acontecimentos com a força elástica da razão – um intelecto assim não pode ser parcial, não pode ser excludente, não pode ser impetuoso, não pode ser indeciso, mas precisa ser paciente, controlado e majestosamente calmo; pois discerne o fim de cada início, a origem de cada fim, bem como a lei em cada interrupção, o limite em cada atraso; pois sempre sabe onde está situado, e como seu caminho se estende de um ponto a outro” (2021, p. 64).

     A citação pontua várias características importantes sobre a mente disciplinada, segundo o autor. Focarei em alguns pontos que eu, particularmente, creio serem fundamentais.

    Controlar a mente impetuosa ou impulsiva é uma das ações que eu considero centrais para quem busca disciplina intelectual. Ser impulsivo é complicado, visto que a maioria dos resultados das práticas intelectuais é visto tardiamente. O estudo é um processo lento, que demanda constância e paciência. Ninguém consegue conhecer e se aprofundar em algo da noite para o dia. É como eu sempre digo, é um passo de cada vez. Seja durante o estudo de um livro, uma graduação ou pesquisa para compor um artigo acadêmico. A impetuosidade estraga o processo de aquisição de conhecimento. A paciência é a chave, buscar seguir com equilíbrio, sem queimar etapas é o caminho de quem pretende construir fundamentos sólidos em sua área de estudos.

    Por isso, caso você seja impulsivo e tenha em mente planos para cultivar hábitos de leitura e estudo, combater tal impulsividade é uma ação necessária. A vida acadêmica é muito mais uma caminhada do que uma corrida. É entender que a constância e os pequenos passos dados diariamente, resultam em uma colheita realmente profícua a longo prazo. É apenas quem sabe esperar, que conseguirá colher os frutos do saber.

    A indecisão é um perigo bem semelhante, visto que ela paralisa você em um estágio, fazendo com que você não saia do lugar. Entenda que a dúvida sempre vai existir, por isso que saber refletir e também ser prático é um bom caminho. Lembrando que nem sempre conseguimos as coisas pelo caminho ideal, ou pela estrada que pensávamos que trilharíamos. Se você se prender no ideal, nunca conseguirá fazer algo. Às vezes é melhor decidir e aceitar os resultados da decisão do que ficar preso em uma espiral de dúvidas.

    Disciplina é a palavra que inicia a citação e que define muita coisa, como pontua James Sire. Sendo que o disciplinado é alguém realmente livre, que faz o que precisa ser feito, que não cede à preguiça e aos estímulos imediatos. Um indivíduo disciplinado é alguém que realmente faz, que entende que a vida acadêmica é uma jornada. É preciso aceitar, se planejar e seguir, sendo que é através dela que conseguiremos cultivar hábitos relevantes e combater aqueles tropeços que insistem em nos ancorar.

    A vida intelectual nem sempre é valorizada dentro da igreja. Não são todos que compreendem este chamado, que é muito importante. A questão é que, para conseguirmos adquirir tais hábitos, precisamos construir uma mentalidade e um posicionamento que resulta nesta prática. Ou mudamos de mentalidade e aprendermos a ser disciplinados, ou seguiremos a correnteza, sem produzir nada de relevante.

    O reino de Deus precisa de intelectuais, de pensadores significativos que sejam luz e referência no campo acadêmico, por isso, cultive tais disciplinas, para que assim, você consiga ser ferramenta nas mãos de Deus nestas áreas.

    BIBLIOGRAFIA

    SIRE, J. W. Hábitos da mente: A vida intelectual como um chamado cristão. São Paulo: Vida Nova, 2021.

  • O SENHOR DO TEMPO

    O tique-taque dos relógios antigos era uma espécie de música, que em seu compassado ritmo, anunciava que o tempo estava passando. Era a música do tempo e esta música nos levava a olhar para o relógio.

    A parte interessante sobre o tempo é que, quando somos novos, não ligamos muito para ele e o deixamos passar sem qualquer medida ou peso na consciência, mas conforme ficamos mais velhos, vamos mudando a nossa forma de pensar.

    Depois de uma idade, não é difícil olharmos para trás e percebermos quanto tempo se passou. O surreal é que, depois de um tempo, parece que os dias não passam e sim, escorrem pelas mãos. Abraham Joshua Heschel descreve o tempo como um sarcástico e astuto monstro. Heschel explica que:

    “O tempo para nós é sarcasmo, um astuto monstro traiçoeiro com uma mandíbula como uma fornalha, incinerando cada momento de nossas vidas” (2014, p. 12).

    No final, este monstro do tempo só revela a nossa fragilidade perante os dias, que se findam sem demora. Não controlamos tudo e o tempo revela justamente isso. É fácil nos apegarmos às coisas, mas tal apego só revela a nossa falibilidade, de quem não controla minuto algum dos seus dias. Ao contrário de Deus.

    Gosto quando a Bíblia descreve Deus como eterno (Jeremias 10:10; Isaías 57:15; Salmos 90:2; Romanos 6:23), visto que a eternidade revela o tamanho do seu poder. Alguns cristãos ficam impressionados com as ruas de ouro que a Bíblia descreve quando fala do céu (Apocalipse 21:21), mas a eternidade de Deus é o que me deixa mais estupefato. Deus é um ser que está fora do tempo, isso é muito impressionante.

    Agostinho de Hipona, na obra Confissões, trabalha justamente a questão de tempo e eternidade, argumentando como Deus, por ser imortal, está fora do tempo e nunca muda. E sobre Deus, no livro XII das Confissões ele afirma que:

    “Já me disseste, Senhor, com voz forte no meu íntimo, que és eterno, o único a possuir a imortalidade, pois nunca mudas nem de forma nem de movimento, e tua vontade não varia conforme o tempo, pois uma vontade mutável não pode ser imortal” (2016, p. 372).

    Por ser imortal, argumenta Agostinho, ele não muda, sendo que a sua vontade também não varia, já que Deus é imortal. Tal observação, a meu ver, resume um pouco da soberania de Deus. Paulo também faz uma observação interessante quando diz que:

    “Ele é o bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, o único que é imortal e habita em luz inacessível, a quem ninguém viu nem pode ver. A ele sejam honra e poder para sempre. Amém (1 Timóteo 6:15-16) (NVI).

    Este é o nosso Deus, um ser eterno e imutável, bem diferente do que nós, seres humanos falíveis, somos. Eu acho difícil não me impressionar com tal verdade, em um mundo onde o tempo é o nosso inimigo.

    Deus é o senhor do tempo. Enquanto para nós o tempo é um inimigo, para Deus os dias apenas são. Não há variação ou mudança, ele vive em um eterno agora, desde sempre até a eternidade.

    O céu, as maravilhas da criação e tudo o que Deus fez e fará, no vindouro céu, não é nem próximo do que o próprio Deus é, sendo que esta é uma das maravilhosas riquezas do futuro, estar perto de um Deus que eternamente é, sem sombra de variação alguma.

    E quando enfim estivermos ao lado de Deus, o tempo será mera lembrança!

    BIBLIOGRAFIA

    AGOSTINHO, Santo. Confissões. São Paulo: Paulus, 2016.

    HESCHEL, Abraham Joshua. O schabat: seu significado para o homem moderno. São Paulo: Perspectiva, 2014.

  • A LEI E A PROMESSA

    “Irmãos, humanamente falando, ninguém pode anular um testamento depois de ratificado, nem acrescentar-lhe algo. Assim também as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. A Escritura não diz: “E aos seus descendentes”, como se falando de muitos, mas: “Ao seu descendente”, dando a entender que se trata de um só, isto é, Cristo” (Referência: Gálatas 3:15-25) (NVI).

    Um testamento quando está pronto, não pode ser mudado, visto que, ele foi escrito, partindo da vontade daquele que redigiu o texto. Por mais que alguém possa discordar da pessoa que formulou o documento, o que lhe resta é aceitar a vontade do testador. É desta forma que podemos ver as promessas feitas a Abraão e ao seu descendente, como Paulo coloca em Gálatas, segundo a epígrafe do texto. 

    Vimos no texto passado como o ser humano não é salvo pelos seus méritos e pelo cumprimento da lei. Somos salvos pela graça, mediante a fé em Cristo. Mas o apóstolo continua a sua explicação, evidenciando assim a ineficácia da lei e a eficácia da morte de Jesus na cruz.

    Adolf Pohl explica que a lei precisa ser entendida como a revelação de Deus que aconteceu no Monte Sinai ao povo de Israel. Sendo que, todos os questionamentos sobre guardar o sábado e circuncisão, que surgiram na discussão entre Paulo e os seus antagonistas, não podem ser discutidas de modo isolado e sim, a partir de toda a história da salvação (1999, p. 117). Não é à toa que Paulo fala sobre Abraão, que é uma peça fundamental na revelação de Deus e na história cristã. 

    Paulo segue expondo sobre a lei e a graça, e para contextualizar a ação da lei, ele usa como metáfora um testamento, explicando como o acordo feito por este documento não pode ser quebrado e muito menos modificado (v. 15). Isto posto, quando Deus fez as suas promessas a Abraão e todos os seus descendentes, o que o texto está afirmando é que a promessa foi feita a Abraão e a Cristo (v. 16). E a lei que foi dada muitos anos depois, não pode quebrar esta aliança e muito menos anular a promessa feita por Deus (v. 17). Moisés Silva complementa explicando que:

    “Tendo se expressado bastante negativamente acerca da lei, Paulo pode ter sentido a necessidade de ampliar o tópico de como essa lei se encaixa nos propósitos de Deus. Exatamente quais é a relação entre ela e a promessa a Abrão? A sua resposta focaliza no fato de que a lei é tanto posterior à entrega da promessa (15-18) quanto anterior ao cumprimento da promessa (19-25)” (CARSON et al, 2012, p. 1826).

    A lei veio bem depois da promessa e da aliança abraâmica e é anterior ao seu cumprimento, com a vinda de Jesus Cristo. E se as coisas que Deus dá dependem da lei, com isso, o que ele dá não é fruto de sua promessa, contudo, tudo o que Deus deu, foi justamente fruto de sua promessa (v. 18). Mas desta forma surge uma pergunta, qual é o motivo da lei? A lei serve como um parâmetro, como um mapa que mostra todas as coisas que desagradam a Deus, sendo que a lei dura até a vinda de Cristo, o descendente de Abraão, visto que a promessa foi feita a este descendente (v. 19). Adolf Pohl acrescenta:

    “Nesse aspecto também reside o ponto em que a finalidade da lei se diferencia totalmente da finalidade do evangelho. Ela rotula o pecador como “culpado!”, sem torná-lo, depois, inocente nem declará-lo justo (Gl 2.16; 3.11)” (1999, p. 124).

    Assim sendo, Paulo pergunta sobre a razão da lei, e ele responde que a lei existe por causa de todas as transgressões humanas (v. 19), sendo que a lei é um tutor, que nos conduz a Jesus (v. 24), e após a vinda de Cristo, nós não estamos mais debaixo deste tutor, que é a lei (v. 25). Vivemos para Cristo, agora é ele que nos conduz, a lei não tem mais finalidade. Paulo complementa:

    “Assim, a lei foi o nosso tutor até Cristo, para que fôssemos justificados pela fé. Agora, porém, tendo chegado a fé, já não estamos mais sob o controle do tutor” (Gálatas 3:24-25) (NVI).

    A lei simplesmente aponta para Jesus Cristo, ela mostra que sem ele não somos nada. No final, a lei mostra como o ser humano é pequeno e falível, e indica o único que deve ser louvado, que é Jesus Cristo. No final a lei serve como um holofote que mostra quem nós somos e aponta para o nosso soberano salvador.

    Nós não seguimos mais a lei e sim Cristo, e por mais que ela tenha tido a sua utilidade, não estamos mais debaixo da lei.  Hoje nós seguimos a Jesus, sendo ele o nosso norte e a quem imitamos.

    Bibliografia

    CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.

    SILVA, Moisés. Gálatas. In: CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.

    POHL, Adolf. Carta aos Gálatas: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 1999.

  • MUNDO CÍCLICO: O FUNDAMENTALISMO QUE RESSURGE NA HISTÓRIA

    Eu creio que o mundo é muito mais cíclico do que imaginamos, é fácil notar como a maioria das coisas que acontecem voltam, seguindo um padrão de comportamento, mostrando que, no final, o homem não tem nada de novo. Apesar das diferenças de pensamento, cultura ou formas de olhar o mundo, me parece que existem padrões que se repetem na história.

    O legalismo e o fundamentalismo são alguns destes padrões que ressurgem de tempos em tempos. E, por mais que o termo hoje seja muito usado para nos referirmos aos pastores e religiosos que impõem suas formas de pensar, é possível avistarmos este tipo de pessoas em vários setores da sociedade. Um dos significados de fundamentalismo, segundo o dicionário, é:

    “Atitude de intransigência ou rigidez na obediência a determinados princípios ou regras” (PRIBERAM).

     Na política, os fundamentalistas são aqueles que acreditam que o seu modelo político é único, é a solução milagrosa para todos os problemas na terra. E por conta desta crença, não é raro encontrarmos falas que beiram a imposição. Vemos isso em vários movimentos, que inclusive são legítimos, com causas importantes e relevantes, mas estragadas pela forma de agir destas pessoas.

    Na música também podemos ver fundamentalistas, que acreditam que apenas o seu estilo musical é bom e o resto é música inferior. Toda a tentativa de imposição e segregação acaba sendo um fundamentalismo, uma tentativa de provar que ele é o melhor e o resto está abaixo dele.

    Parece-me que quando alguns encontram a solução para os seus problemas ou quando estes aprendem uma lição, passam a ter a gana de impor aquele ponto de vista à força, considerando como errados todos os que não percebem que a solução que eles propõem são relevantes ou mesmo únicas.

    É fácil olhar para a história e mostrar como a inquisição impôs um pensamento, e acusar assim o catolicismo de cometer tal erro. O desafio é perceber como o ser humano segue uma tendência semelhante em muitos momentos, não dá para focar apenas em um acontecimento, para sermos justos, precisamos aprender a olhar o todo da história.

    O erro do ser humano acaba sendo o de não enxergar, não perceber suas ações e muito menos as suas contradições, pois muitas vezes repetimos atitudes más, quando acreditamos que o nosso posicionamento tem um fim em si. E, principalmente, é fácil defendermos algumas causas justas, mas de forma autoritária. O fundamentalismo nem sempre é percebido. É aquela velha máxima: “O mal são sempre os outros”. E é neste ponto que reside o problema, nos posicionar contra uma injustiça, mas de forma injusta e autoritária.

    O mundo é cíclico e muitas coisas se repetem, visto que o homem tem dentro de si um autoengano que não permite que ele veja suas contradições. Uma boa causa, colocada de forma autoritária, torna-se má e é por isso que vemos se repetir em nossa sociedade alguns episódios infelizes.

    Eu desconfio muito de pessoas que se consideram boazinhas e defensoras dos fracos e dos oprimidos. E também daqueles que se consideram militantes da causa justa, em busca de ajudar os necessitados, pois muitas vezes são estes que se portam como fundamentalistas.

    A causa justa deve ser discutida com muito diálogo e humildade, partindo do pressuposto de que muitos problemas são muito mais complicados do que imaginamos, e principalmente, que não somos perfeitos e, por isso, podemos estar equivocados. Este deveria ser o parâmetro de toda a nossa conduta.

    Sem diálogo, arriscamos construir muito mais problemas do que soluções e é justamente este um dos perigos do fundamentalismo!

    BIBLIOGRAFIA

    “Fundamentalismo”, in: Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2008-2023. Disponível em: https://dicionario.priberam.org/fundamentalismo. Acesso em 13/11/2023.

  • O EVANGELHO DE DEUS & O EVANGELHO DO HOMEM

    Conheci Paul Wascher através de seus vídeos na internet. Tendo uma fala concisa e realista, suas pregações são bem objetivas e centradas na palavra. Ele não mede esforços para pregar o real evangelho, sendo que, por conta disto, ele é muito criticado.

    Gosto de conhecer um autor através dos seus livros e alguns deles são capazes de revelar quem uma pessoa realmente é, e a obra O evangelho de Deus & o evangelho do homem tem justamente esta característica.

    Paul Wascher inicia o livro falando da teologia da prosperidade, mostrando como ela é contraditória e se distancia muito da mensagem do evangelho. Muitos destes pastores pregam tudo, menos a mensagem bíblica. É comum encontrarmos em todos os lugares mensagens misturadas com equívocos, fruto deste tipo de teologia.

    Aprendi a levar muito a sério a Bíblia, por conta disso, quando vou pregar ou compor um texto para este site, busco estudar e expor o que a Bíblia quer realmente nos ensinar e não as minhas falhas opiniões. A vida cristã é algo sério, a mensagem de Deus precisa ser compartilhada de modo coerente e eficaz, sem misturas e barganhas. E isso Paul Wascher faz muito bem nesta obra.

    Quero destacar o profundo compromisso que o autor tem com o evangelho. O resumo que ele faz do evangelho de Deus, em contraposição a todo o evangelho humano que está sendo pregado e divulgado como mensagem cristã, é realmente relevante. Em um contexto de pouca leitura e estudo bíblico, sendo esta a realidade atual da igreja cristã. Ter obras centradas na palavra de Deus é muito importante.

    O pecado é a raiz de todos os problemas humanos, o mundo segue em meio a erros e maldades, por conta desta condição humana. Se não fosse pelo pecado, o mundo não seria este caos que é hoje. E por conta desta nossa condição, a única coisa que merecemos é a morte, o justo juízo de Deus.

    A nossa condição não é favorável, por conta do pecado. Não existe ninguém justo, e mesmo aquela pessoa que aparenta ser boa não é, visto que o pecado nos faz indivíduos injustos e inúteis, como o texto aponta. Entretanto, o ponto principal desta questão é que o pecado desagrada a Deus, ele é cometido contra um Deus que é justo e digno. Wascher explica que:

    “Por qual motivo o pecado é tão horrível? Será que é porque resulta em morte? Não! Será que é porque atrapalha a sociedade? Não! Por que é tão horrível? Porque é cometido contra um Deus que é absolutamente digno, o qual é merecedor de toda a adoração, louvor e obediência” (2018, p. 31).

    Mas Deus ofereceu Cristo para morrer em nosso lugar e para que, através dele, tivéssemos vida. Por conta da desobediência humana, todos merecem morrer, mas Deus, o justo juiz, que não negocia o seu caráter, nos deu uma chance ao oferecer Jesus para morrer por nós. Este é o cerne do evangelho e não todas aquelas mensagens que colocam o ser humano no centro de tudo ou que focam em bens e prosperidade. O evangelho fala de coisas eternas e não de bens passageiros.

    O meu receio com todas as mensagens aguadas que encontramos em algumas igrejas é que tais palavras focam em coisas passageiras. É uma mensagem humana, que não traduz nem um pouco o que o evangelho quer ensinar às pessoas.

    Não quero, com isso, defender uma vida de faltas e necessidades e sim deixar claro que a grande ênfase da Bíblia não é a prosperidade. E é isto que Paul Washer faz muito bem neste livro. Este texto é apenas um resumo de uma mensagem detalhada, focada no verdadeiro evangelho.

    Se você quer entender bem a verdadeira mensagem cristã, leia O evangelho de Deus & o evangelho do homem, uma leitura indispensável para todos os cristãos.

    Bibliografia

    WASHER, Paul. O evangelho de Deus & o evangelho do homem. São Paulo: Hagnos, 2018.