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  • ESTE TEXTO NÃO É SENSACIONALISTA

    Um costume bem comum, praticado por aqueles que produzem conteúdo na internet, é criar títulos chamativos para vídeos, notícias ou textos. Isso chama a atenção das pessoas, principalmente quando ele é sensacionalista.

    Ser notado é uma das leis da internet, ter engajamento é o objetivo de quase todas as pessoas. Números são muito mais importantes do que a própria qualidade ou mesmo o retorno que a prática de produzir conteúdo traz. Já que desenvolvemos as nossas habilidades produzindo textos ou vídeos, e isso já é muito válido.

    Desde o começo deste site, não foquei em momento algum em números. Eu queria produzir e escrever conteúdos teológicos, apenas isso. Fico feliz pelos retornos, mas sigo apenas produzindo e buscando oferecer materiais de qualidade aos cristãos.

    O retorno que eu já tive escrevendo é muito grande, eu sou outro escritor, depois de quase dez anos de escrita neste site, no mais, o que importa é o conteúdo. No afã de produzir apenas para criar engajamento, muitos se esquecem da qualidade do que estão criando e assim, terminam por oferecer assuntos sem fundamentos.

    Este texto não é sensacionalista, justamente porque fala da realidade, da minha vivência como escritor, de alguém que só queria escrever e produzir bons textos. Não ignoro o fato que ter um retorno é algo legal, sendo que isso nos motiva a continuar, a questão é que o retorno não deve ser o objetivo final. Como mencionei, o aprendizado que adquiri compondo tais textos, já são retornos mais do que suficientes. A busca incessante por likes e números, faz muitos se esquecerem do processo e de todo o crescimento que a prática da escrita e do estudo nos trazem.

    Perceba que o site segue meio que na contramão de forma proposital, não aderi a algumas técnicas que comumente são usadas em sites e blogs, como, por exemplo: imagens no começo do texto para chamar a atenção das pessoas ou títulos sensacionalistas. Decidi fazer algo sem excessos e sóbrio, busquei usar a minha criatividade, mas sem me adequar aos padrões dos sites conhecidos. Paguei e pago um preço alto por isso, mas fico feliz com o caminho sóbrio que estou trilhando.

    Como o foco não era números, segui sem peso na consciência, construindo um formato que melhor me agradava. O propósito era ser um referencial de bons materiais, onde o leitor poderia acessar temas dos mais diversos, estudos e textos de opinião que agregassem em suas vidas. O que eu colho com esta atitude é um caminho mais leve, não tenho aquela pressão de gerar likes, sendo assim, posso focar na qualidade do que escrevo.

    Há uma beleza em poder parar e escrever, existem algumas habilidades que construímos com as nossas pesquisas e estudos, e isso é impagável. Ver um texto ganhando vida e perceber o quanto crescemos desenvolvendo nossas habilidades, é algo não só maravilhoso, mas que levamos para a vida.

    O modo como você se propõe a fazer algo, faz toda a diferença, deixa o caminho mais leve e você não fica refém de coisas que não agregam. No mais, Soli Deo Gloria!

  • RECLAMAÇÃO GRATUITA

    Conheci um reclamão que era a negatividade em pessoa, sua habilidade em reclamar era tão surpreendente que ele conseguia encontrar defeitos em coisas que a maioria acharia impossível, tudo para conseguir reclamar. Era um prazer mórbido que ele tinha com a reclamação. Assim sendo, uma bela e paradisíaca praia, se tornava um local qualquer. Um saboroso lanche, virava um tira gosto desagradável, parecia que nada agradava aquela pessoa.

    Era curioso observar este colega ouvindo os planos dos seus amigos, visto que, sem demora, a sua resposta era sempre a mesma: “não vai dar certo”. E quando dava certo, ele insistia em colocar defeitos na conquista alheia e diminuir o êxito do próximo.

    Uma pessoa que murmura demais é antes de tudo alguém injusto, que não percebe o valor da vida e tem o prazer em diminuir o outro. Para estes, nada está certo, tudo tem um problema e uma conspiração envolvida, sendo que, era comum vermos ele sabotar os seus planos e projetos. No final, este reclamão não só apontava o dedo para as escolhas e os planos dos seus amigos, mas também para os seus e assim, ele seguia sem concluir e construir nada em sua vida.

    Eu sei muito bem como nem sempre a nossa vida é colorida, é comum passarmos por dificuldades e momentos cinzas, mas quem reclama demais, é antes de tudo, um preguiçoso, que na maioria das vezes, escolhe colocar defeitos nas coisas, ao invés de colocar uma ideia em prática.

    A vida não é nada fácil, contudo, sentar e ficar reclamando, de forma gratuita e sem qualquer ação e mudança de atitude, não é a solução. Aprender a agir e lidar com os percalços é a melhor opção, caso contrário, certamente você afastará todas as pessoas da sua vida e nunca conseguirá colocar algum plano em prática.  

    Lembre-se que reclamar não é fazer uma crítica ou observação, muito menos é dar uma opinião a um amigo e sim, é lamentar sem medida, tendo como foco a lamúria, ao invés da busca por solução. É uma reclamação gratuita, sem qualquer propósito, em nome apenas de murmurar sem medida. O apóstolo Paulo nos traz um importante aviso sobre a murmuração:

    “Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas; para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo; retendo a palavra da vida, para que, no Dia de Cristo, possa gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão” (Filipenses 2:14-16) (ARC).

    A palavra murmurar no grego é goggusmos, e significa queixume e desprazer, são aquelas falas de total descontentamento. É aquela murmuração constante, como aconteceu com os israelitas nos quarenta anos que eles ficaram no deserto, sendo que, é provável que o apóstolo Paulo tivesse este fato em mente quando falou sobre murmuração. Neste episódio, nada do que Moisés fazia agradava o povo de Israel, eles estavam sempre reclamando e colocando defeitos em tudo o que estava sendo feito (CHAMPLIN, 2014, p. 47). Champlin faz uma observação bem importante sobre o tema:

    “Portanto, Paulo denuncia aqui o “espírito amargoso”, o descontentamento secreto que sempre envenena as relações entre as pessoas” (CHAMPLIN, 2014, p. 47).

    Assim como este conhecido que eu mencionei, o povo de Israel não demorava em reclamar e colocar defeitos em tudo o que estava sendo feito. Ao invés de agradecer a Deus por serem salvos da opressão, eles seguiam com uma atitude descontente e amarga, e isso envenenava os seus relacionamentos, tal qual o exemplo que citei.

    Compartilhar a vida com alguém que só se queixa, que não consegue ser grato a Deus por nada e que insiste em colocar defeito nos planos de todas as pessoas não é nada fácil.

    Entenda que toda a crítica que diminui uma pessoa não é uma crítica, mas uma ofensa. Aprender a falar, sem diminuir o esforço que um amigo teve é imprescindível. Aprender a olhar de uma forma diferente, se alegrar pelas conquistas dos outros e ser menos crítico e mais proativo, é fundamental para conseguirmos colocar nossos planos em prática e sermos apoiadores dos amigos e não um estraga prazeres.

    Bibliografia

    CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo: Volume 5. São Paulo: Hagnos, 2014.

  • DESAFIOS DA ESPIRITUALIDADE CRISTÃ I: IMATURIDADE ESPIRITUAL

    Maturidade é um elemento definidor em nossa vida. O problema é que nem todos percebem como ela é intrinsecamente ligada à vida cristã. Sem uma espiritualidade madura e emocionalmente saudável, certamente falharemos em muitos pontos durante nossa caminhada.

    No livro Espiritualidade Emocionalmente Saudável, Peter Scazzero trata justamente deste assunto, revelando o quanto a maturidade espiritual é importante, sendo que é normal alguém ser cristão por muitos anos, mas imaturo, justamente porque muitos seguem modelos propostos que são fracos e contraditórios, visto que a igreja não dá ênfase neste tema. É possível encontrarmos cristãos que oram, leem a Bíblia e buscam fazer a vontade de Deus, mas que são imaturos. E este é o grande ponto da saúde emocional e espiritualidade, áreas que precisam ser trabalhadas. Scazzero complementa:

    “Não é possível ser espiritualmente maduro enquanto se permanece emocionalmente imaturo” (2013, p. 25).

    Já percebeu como muitos se escondem atrás de atividades na igreja, revelando uma espiritualidade totalmente enferma? Como, por exemplo, usar Deus para fugir de Deus, como o autor coloca, que nada mais é do que criar inúmeras atividades para Deus, mas, que no final são desculpas para satisfazer o ego pessoal ou para ignorar pontos da vida em que é preciso trabalhar (SCAZZERO, 2013, p. 33).

    Peter Scazzero (2013) também enfatiza que a espiritualidade enferma ignora emoções genuínas como a raiva, tristeza e o medo, acreditando serem pecados. Ou vivem uma vida dividida em áreas como o sagrado e o secular, esquecendo que ser cristão é ser, em todos os lugares e momentos. Há também aqueles que insistem em ser ativistas, optando mais em fazer as coisas para Deus do que estar com ele, entre tantos pontos que o autor coloca, que revela o quanto algumas espiritualidades são equivocadas. Perceba como todas as atividades são legítimas, mas estão no lugar errado.

    É fácil errarmos apenas por estarmos justamente com o padrão trocado, sendo que, muitas vezes, não percebemos isso e fazemos tais atividades de um modo bem sincero, apesar de equivocado. Buscar ter autocontrole e uma vida emocional saudável é fundamental para sermos cristãos centrados, que andam de forma coerente no caminho da verdade e esta é uma ação interna, que cabe a nós. 1 Tessalonicenses 4:4-5 diz:

    “Cada um saiba controlar o seu próprio corpo de maneira santa e honrosa, não dominado pela paixão de desejos desenfreados, como os pagãos que desconhecem a Deus” (NVI).

    O texto bíblico se inicia com uma ênfase importante que é agradar a Deus (1Tessalonicences 4:1), ao buscarmos fazer a sua vontade. Sendo que nós cristãos precisamos ter como meta viver uma vida longe do pecado e o autocontrole, como o versículo aponta, é um objetivo fundamental para todos os cristãos, sendo que a maturidade é o elemento definidor desta prática.

    A nossa vida é como um iceberg, como exemplifica Scazzero, a ponta do iceberg é a parte que todos veem e nem sempre se resume na verdade. O externo, as aparências, podem nos enganar, visto que nem sempre o externo define o que estamos sentindo, por isso, cuide da sua mente, busque ajuda e ferramentas para tratar da sua saúde emocional e busque ser um cristão maduro ou pelo menos tenha o amadurecimento como meta em sua vida.

    BIBLIOGRAFIA

    SCAZZERO, Peter. Espiritualidade Emocionalmente Saudável: Desencadeie uma revolução em sua vida com Cristo. São Paulo: Hagnos, 2013.

  • COMO ENCARAR OS PROBLEMAS

    “Quando algo acontece, a única coisa que está em seu poder é sua atitude com relação ao fato” (apud LEBELL, 2018, p. 27)

    Epicteto.

    Uma das grandes verdades da vida é que não temos controle de tudo, aliás, arrisco afirmar que controlamos realmente pouca coisa. Com isso, nem sempre nos resta muito a fazer quando algo ruim acontece em nossa vida. E a principal atitude diante do caos é buscar aprender a agir de modo assertivo. Na maioria das vezes, nós controlamos apenas a nossa ação diante de uma situação, como a epígrafe enfatiza.

    A questão aqui não é fecharmos os olhos para as incertezas e nem ignorarmos os nossos problemas, e sim, se posicionar e aceitar o problema, para desta forma conseguirmos buscar uma saída e também descobrir um modo de seguir em frente, não deixando que o ocorrido nos desanime. Perceba como aceitar e ter uma boa atitude são os primeiros passos para a solução. Existe uma mentalidade, uma forma de encarar um fato para assim agirmos de modo coerente.

    O modo como você encara um problema faz toda a diferença. Como reagimos ao caos ou a uma situação desafiadora, determina o nosso sucesso ou mesmo o revés. Por isso, é fundamental sabermos reagir para não estacionarmos no meio do caminho. A única coisa que controlamos é a nossa atitude quanto aos fatos.

    Tendo em mente que algumas dificuldades não têm saída, precisamos aceitar e aprender com os problemas. E uma lição aprendida já é uma vitória, visto que ela nos ajudará a não repetir os erros. Perceba que tudo vai depender de uma mentalidade, da forma como você avalia e reage a uma situação.

    Enfrentamos as mais diversas situações, os problemas surgem sempre nas horas mais inadequadas, sendo assim, precisamos agir para que um pequeno obstáculo não se torne uma enorme montanha. E constate como muitas das vezes somos nós que aumentamos a dificuldade ao não aceitar um infortúnio.

    Há sempre uma saída, basta não nos desesperarmos e meditarmos sobre a situação. Na vida, não controlamos quase nada, mas controlamos o modo como reagimos a uma situação e saber reagir de forma assertiva, já faz toda a diferença.

    E quem aconselha você é Epicteto (55-135), um filósofo que era escravo e também tinha um problema na perna. Epicteto estava longe de ser um daqueles palestrantes motivacionais que não entendem os problemas da vida. No final, devido à sua dedicação em conhecer e estudar, ele conseguiu a sua liberdade e deixou o seu nome registrado na história. Um dos seus conselhos que fundamenta a nossa reflexão é justamente:

    “Veja as coisas como elas são” (apud LEBELL, 2018, p. 27).

    Este filósofo primeiro precisou entender a sua realidade, para depois tomar uma atitude. Você não muda a sua história sem antes aceitá-la. Constate a dinâmica da ação de Epicteto, ele não podia mudar a sua realidade de escravo e muito menos a sua má-formação na perna. Entretanto, ele aceitou a sua situação e fez o que estava ao seu alcance. A sua atitude gerou frutos, sendo eles a sua liberdade e a fama como um exímio professor.

    Encare os seus problemas de frente, aceite a sua situação atual e busque o caminho de mudança. É a nossa atitude a única coisa que está em nosso poder, sendo que uma mentalidade certa é o primeiro passo para seguirmos em direção às mudanças.

    BIBLIOGRAFIA

    LEBELL, Sharon. A arte de viver: Epicteto, uma nova interpretação de Sharon Lebell. Rio de Janeiro: Sextante, 2018.

  • VIDA CRISTÃ NA PRÁTICA: MEDITAÇÕES PARA PEQUENOS GRUPOS I: EBOOK GRATUITO

    O cristianismo prático se inicia na comunhão, ser cristão é caminhar junto, é compartilhar a mesa, sendo desta forma um corpo, com Cristo sendo o cabeça da igreja. O cristianismo solitário escapa da definição de cristão, segundo a Bíblia. No entanto, a vida em comunhão dos traz alguns desafios e nos leva a olharmos além de nós, colocando o outro como um indivíduo igual a nós.

    E nesta caminhada, desafios, lições e aprendizados surgem para fundamentar a nossa relação como igreja. A vida cristã na prática, é um caminho com muitas lições para o nosso crescimento e para aqueles que entendem que a graça divina é o ponto de partida de todos os cristãos. É por isso que convivemos, perdoamos e amamos, pois se não fosse a graça de Deus, estaríamos certamente perdidos.

    Nesta obra, proponho algumas meditações importantes para serem divididas em contextos de pequenos grupos. A proposta é oferecer um material prático, bíblico e que seja útil para ser compartilhado com os irmãos.

  • INCOMPREENSÍVEL GRAÇA

    Trabalhei por muito tempo com alguém que também era cristão, a grande diferença era que ele não entendia e muito menos aceitava a graça de Deus. Na sua visão meritocrática, a graça não tinha sentido e Deus não deveria salvar aqueles que não se esforçavam para segui-lo.

    Este colega de trabalho, de tempos em tempos, chegava no trabalho indignado e me perguntava sobre a conversão. Ele não aceitava que, se alguém muito ruim se convertesse no final da sua vida, ele seria salvo. Além de não aceitar esta verdade, este indivíduo não conseguia entender que todos, até o ser humano aparentemente bom ou mesmo ele, não eram dignos da graça de Deus. O texto bíblico que nos ensina que todos pecaram e são carentes da graça divina (Romanos 3:23-26), era quase que uma afronta para ele.

    A parábola do Filho pródigo (Lucas 15:11-32), fala justamente disso, da incompreensível graça divina. O filho mais novo havia pedido a sua herança ao seu pai (v. 12), uma atitude bem egoísta inclusive, já que ele não tinha o direito de fazer este pedido ao pai que ainda estava vivo. Mas ele pede e recebe todo o dinheiro e após isso, resolve sair de casa. Este filho pródigo queria viver a sua vida longe do pai.

    O problema foi que ele esbanjou todo o dinheiro vivendo nababescamente, e termina por voltar arrependido para casa (v. 13-14). Após lembrar como em sua casa tinha tudo e que os trabalhadores tinham comida à vontade, ele resolve voltar como um simples trabalhador, não mais como filho (v. 17-19). Contudo, o seu pai perdoa o filho e o recebe novamente em sua casa e faz uma festa de comemoração pela volta do seu filho querido (v. 23).

    Mas a história tem um segundo personagem muito importante, que era o filho mais velho. Enquanto ele voltava do campo (v. 25), certamente ele estava trabalhando, ouviu a música e a festa, e recebeu a notícia que o seu irmão havia voltado sendo recebido novamente em casa (v. 27).

    Este filho se zangou muito (v. 28), para ele a atitude do seu pai era inadmissível. Como o seu pai pôde perdoar o seu irmão? A parábola fala justamente sobre esta dinâmica cristã que o meu amigo tinha dificuldade de entender. Como Deus pode perdoar alguém que errou muito, que viveu dissolutamente e pecou contra ele? Enquanto eu sigo fiel a ele, trabalhando em sua obra incansavelmente? Entender a graça de Deus nem sempre é fácil, ainda mais nesta sociedade que prega o mérito a qualquer custo. E a parte complexa é que muitos acreditam que são dignos da graça de Deus, que merecem o cuidado dele. O que estes não entendem é que ninguém merece, nós não recebemos a graça por qualquer mérito pessoal, mas pela divina misericórdia.

    A palavra pródigo significa esbanjador, mas simboliza alguém que não tem qualquer ponderação e termina por gastar tudo o que tem. E Timothy Keller faz uma observação bem interessante sobre o pai do pródigo, que representa Deus, segundo a parábola. Ele nos mostra como o pai nesta parábola também foi pródigo, visto que, ele esbanjou perdão, e não ponderou em nos acolher e nos perdoar (KELLER, 2018, p. 13).

    A graça é escandalosa, e vai de encontro com a forma de pensar do mundo. Ela desconstrói a nossa realidade e forma de pensar, transformando o mérito humano em um conceito vazio e fraco.

    Nem todos entendem que ninguém é merecedor de qualquer cuidado e que não há nada que possamos fazer para merecermos a graça divina. A salvação nunca esteve ligada a algo que nós, seres humanos falhos e pecadores, podemos fazer e sim, com Deus.

    A graça faz parte da ação de um Deus que ama e tem misericórdia, cabe a nós apenas aceitarmos e obedecermos a este Deus de graça.

    Bibliografia

    KELLER, Timothy. O Deus pródigo: recuperando a essência da fé cristã. São Paulo: Vida Nova, 2018.

  • DILEMAS DA VIDA CRISTÃ

    É fácil se sabotar, basta permitir que os acontecimentos externos, as dores e lutas, minem a certeza que você tem no coração. As dificuldades ou trazem consigo perguntas e questionamentos sobre Deus ou faz você se aproximar ainda mais dele. Na maioria dos casos, as pessoas pegam um destes dois caminhos. Vai depender apenas do seu posicionamento, da sua intimidade e do compromisso com o nosso soberano pai.

    A vida cristã tem esta ambivalência e a notícia ruim é que não há receita mágica para fugir deste dilema já que, mesmo nos aproximando de Deus, estamos sujeitos a tais intempéries. Mas é muito melhor estar próximo dele do que longe.

    Entre tantos dilemas da vida cristã está o sofrimento e entender que Deus continua sendo fiel mesmo quando sofremos. O sofrimento é o resultado da condição pecaminosa do ser humano e não deve ser visto como a ausência de Deus.

    O sofrimento nos faz olharmos apenas para nós e nos posicionarmos como vítimas, como se apenas nós sofrêssemos, ignorando assim Deus e tudo o que ele já fez em nossa vida. Nem sempre entendemos o silêncio de Deus, mas é importante deixar vivo em nossa mente uma verdade valiosa: “ele não nos deixou sozinhos”. Apesar das tempestades, é ele que está cuidando do barco. Larry Crabb e Dan Allender fala algo muito interessante sobre os problemas inexplicáveis, sendo estes os piores tipos de sofrimento:

    “Não somos perturbados tanto pelo tamanho do problema, quanto pelo grau de mistério que ele apresenta. Não é saber o que está errado que nos causa mais medo. É o mistério que nos assusta porque nos coloca fora de controle e nos deixa com uma opção que não gostamos — ter que confiar em alguém que não seja nós mesmos” (1998, p. 16).

    Entender o sofrimento ou o motivo pelo qual estamos passando por algumas situações é sempre complicado, visto que, nem tudo tem explicação. Sem contar que são nestes momentos que perguntamos sobre Deus e queremos saber onde ele está enquanto enfrentamos as nossas tempestades. A dúvida aumenta ainda mais os problemas e nem sempre nos achamos aptos para enfrentar as intempéries. Por isso que você precisa olhar para Deus e entregar a ele o controle de tudo.

    Entender nem sempre é a melhor opção, em alguns casos, as vezes, o primeiro e melhor passo que podemos dar é confiar e buscar em Deus a esperança. O salmista já nos aconselhou e não podemos esquecer desta dica:

    “Descanse no Senhor e aguarde por ele com paciência; não se aborreça com o sucesso dos outros, nem com aqueles que maquinam o mal” (Salmos 37:7) (NVI).

    Descanse no Senhor, entregue a ele o seu caminho e acredite que ele vai agir (Salmos 37:5). Este é o antídoto para os nossos dilemas, para os problemas que insistem em nos colocar no centro de tudo, como injustiçados e sofredores. Relembre todas os vendavais que você já enfrentou em sua vida e perceba que em todos eles, Deus esteve com você, sendo que no final tudo deu certo.

    Não permita que a dúvida e os inexplicáveis problemas afastem você do nosso soberano pai e faça você se esquecer do cuidado que ele sempre teve por você, confie em Deus e descanse em seu cuidado.

    BIBLIOGRAFIA

    CRABB, Larry.; ALLENDER, Dan. Esperança no sofrimento. São Paulo: Editora Sepal, 1998.

  • A MEDIOCRIDADE DE OURO

    Algumas palavras perdem o seu verdadeiro significado com o tempo. As mudanças da sociedade ou a falta de reflexão levam as pessoas a se esquecerem dos reais significados de alguns termos ou mesmo a ressignificarem algumas expressões. O termo medíocre é um deles.

    Entender que estar na média não é algo negativo, nesta sociedade de exageros, é o que menos vemos hoje em dia. Todos querem estar no topo, mas em meio à busca, esquecem de viver o hoje e não entendem como a média é um patamar, na verdade, muito elevado, que poucos conseguem chegar.

    No século XVIII, pegando alguns princípios da Antiguidade Clássica, o Arcadismo propôs uma série de lemas que apresentam ideais atemporais interessantes para alguém seguir. Assim sendo, tais lemas valem tanto para nós quanto para as outras gerações (BARROS, 2023, p. 19).

    E alguns destes lemas são inutiliza truncat (cortar o que é supérfluo), carpe diem (aproveite o dia), aurea mediocritas (a mediocridade de ouro) e mais alguns lemas bem interessantes, que em um primeiro momento, soam contraditórios e equivocados, mas que são lemas fundamentais.

    O significado da palavra medíocre, atualmente, não é nada positivo. Medíocre é algo inferior, sem qualidade, afirmarão muitos. O medíocre é alguém incompetente, que não sabe fazer as coisas e vive de forma equivocada. Estar na média, hoje em dia, é um grande defeito, o homem de sucesso é aquele que busca ficar no topo, segundo a atual ideologia. Com isso, as pessoas anulam a sua vida para conseguir chegar neste patamar. Passam seus dias correndo atrás do sucesso, se esquecendo de viver o hoje. É a chamada tirania da vitória, que estabelece suas normas ao custo da própria paz e da vida, que é limitada.

    Não quero afirmar que você não deve se esforçar para conseguir colocar seus planos em ação. Às vezes precisamos renunciar algumas coisas, para conseguirmos avançar mais em nossa carreira ou empreendimento. Eu estou falando apenas da importância do equilíbrio, criticando aqueles discursos motivacionais que pregam o sucesso a qualquer custo. Será que vale a pena abdicar da família, pela carreira ou de um descanso adequado, pelos nossos empreendimentos? Em alguns períodos, eu sei que podemos até abrir algumas exceções, o perigo é fazer das exceções regras.

     A justa medida é uma das importantes regras da cultura grega antiga. Entre as máximas dos sete Sábios, escritas no templo de Delfos, estavam as frases: “A medida é a melhor coisa” e “nada de excessivo”. A primeira atribuída a Cleóbulo e a segunda a Sólon. Estas máximas inspiraram muitos poetas e pensadores, sendo que Platão aprofundou o tema em um nível realmente significativo. E Aristóteles também separou um espaço em sua ética das virtudes para falar do justo meio (ANTISERI; REALE, 2017, p. 244-245). Desde a antiguidade, o equilíbrio era uma prática importante e estar na média o melhor caminho.

    A mediocridade de ouro (Aurea mediocritas) fala sobre um meio-termo seguro e aceitavelmente bom. A intenção não é fazer uma apologia à pobreza e sim uma proteção contra a ganância sem medida e a petulância. A falta não é legal, passar por necessidades é realmente prejudicial para a nossa vida, contudo, a ambição desmedida é também um grande problema (BARROS, 2023, p. 42). Daniel Martins de Barros (2023), complementa:

    “Aurea mediocritas: a “mediocridade de ouro” valoriza a moderação, o meio-termo, e nos relembra que “medíocre” originalmente significa “o que está no meio””.

    Lembre-se daqueles que muitas vezes são sinônimos de sucesso, mas que vivem para o trabalho e o seu empreendimento, sem descansar por um segundo. Ou dos indivíduos que não se contentam nunca, não conseguem estar satisfeitos com nada, querem sempre mais. O capitalismo tem este poder de inculcar nas pessoas a sede por dinheiro. Como se as riquezas fossem tudo na vida.

    Estar na média é conseguir chegar em um ponto equilibrado, é aprender a estar satisfeito e não permitir que o excesso seja a sua principal ação. É possível estar satisfeito, aproveitar tudo o que temos e colocar limites importantes para a sanidade mental. Nunca as pessoas tiveram tantas facilidades, mas também tantas doenças, fruto desta falta de equilíbrio.

    Construir uma vida equilibrada é um grande desafio, é muito mais fácil seguir os exageros do que o justo meio, por isso que, aqueles que conseguem estar na média, na verdade, não são pessoas fracas ou inferiores, mas indivíduos que entenderam as verdadeiras prioridades da vida e seguiram pelo complexo caminho do meio.

    Bibliografia

    ANTISERI, Dario.; REALE, Giovanni. Filosofia: Antiguidade e Idade Média. São Paulo: Paulus, 2017.

    BARROS, Daniel Martins. Viver é melhor sem ter que ser o melhor: E outros princípios do Arcadismo para os dias de hoje. Rio de Janeiro: Sextante, 2023.

  • SALMO 48: GUIADOS POR DEUS

    “Pois assim é nosso Deus; ele é nosso Deus para todo o sempre e nos guiará até o dia de nossa morte. (Salmos 48:14) (NVI).

    Existe uma verdade que nunca podemos esquecer: “a vida é mudança”, sendo que em alguns momentos, é por desejo nosso, em outros, é por conta dos fatores da vida. Mudar é viver e saber lidar com todos os períodos de mudança é fundamental.

    São muitos os caminhos, questões que surgem e tempestades que precisamos administrar. A mudança sempre nos traz surpresas, sendo importante estar preparado, sem se esquecer de que Deus é quem nos guia. Gosto de uma frase atribuída a Lutero que fala justamente deste nosso divino guia:

    “Não sei por quais caminhos Deus me conduz, mas conheço bem meu guia” (Lutero).

    Em meio aos meus tempos de mudança e todas as incertezas que precisei enfrentar, uma convicção eu sempre tive: “eu não estava sozinho, Deus me guiava em meio às tempestades”. É Deus que nos guia e, por mais que a vida traga surpresas no meio do caminho, sabemos quem comanda a nossa embarcação. Ele é o nosso comandante até a morte.

    Este Salmo é um convite a conhecermos Jerusalém, os primeiros versículos enfatizam justamente isso (Salmo 48: 1-3, 9-11). Através deste texto, o salmista abriu as portas da cidade e descreveu todas as partes desta cidade as pessoas. Neste texto, Israel é descrita como a alegria de toda a terra (Salmos 48:2) e Deus recebe louvores de todos os lugares e nações, não só do seu povo (Salmos 48:10) (CONNELLY, 2017, p. 127). O salmista pontua:

    “Ó Deus, em teu amor meditamos enquanto adoramos em teu templo. Como teu nome merece, ó Deus, serás louvado até os confins da terra; tua forte mão direita está cheia de vitória” (Salmos 48:9-10) (NVI).

    Deus é soberanamente justo e o seu louvor chega até aos mais remotos lugares. E o Salmo se encerra com a citação da epígrafe do texto, mostrando como ele é o nosso Deus e guia. Este Salmo busca não apenas registrar um cântico a sua geração, mas a todas as gerações do mundo todo. É um louvor que ultrapassa gerações, nações e tempos e nos lembra quem Deus é de verdade (CONNELLY, 2017, p. 128).

    A história do povo de Israel é bem complexa, eles enfrentaram muitos problemas e em muitos momentos, confiar nele foi fundamental. Em meio a nossa vida e as mudanças que enfrentamos, ter um bom guia é algo indispensável para não cairmos em ciladas no meio do caminho. E Deus é este guia que nos protege, basta abrirmos o mapa que ele nos deu (A Bíblia) e deixarmos que a sua vontade seja o nosso norte.

    Nem sempre entendemos os caminhos, mudanças e desafios que a vida nos traz, mas sabemos bem quem é o nosso guia. Confiar em Deus é importante, para não permitirmos que as angústias e preocupações abalem a nossa paz e nos desvie do caminho da verdade.

    Bibliografia

    CONNELLY, Douglas. Guia fácil para entender Salmos: Tudo sobre os Salmos, reunido e organizado de maneira completa e acessível. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2017.

  • COMUNICAÇÃO QUE TRANSFORMA

    Comunicar é uma arte, ouvir alguém que fala bem e sabe passar um conteúdo é algo prazeroso. Sendo que as lições aprendidas são as riquezas que ganhamos destes comunicadores. E sobre a boa comunicação, Andy Stanley e Lane Jones, no livro Comunicação que transforma, propõem uma técnica interessante de pregação que pode ajudar muitos pastores, que são os importantes comunicadores da igreja.  

    Curiosamente, lembro apenas de alguns poucos sermões na minha vida, um deles eu ouvi há muitos anos e ainda carrego a lição em meu coração. Em contrapartida, é comum encontrar verdadeiros palavrórios de pregadores que insistem em falar uma quantidade grande de conteúdo, mas que se esquecem que o ponto que importa não é a quantidade e sim a qualidade, é deixar um ensinamento introjetado na vida do cristão.

    Andy Stanley e Lane Jones, neste livro, oferecem um tipo de pregação chamado de Sermão de um ponto só, que propõe oferecer uma pregação prática, que deixa na vida das pessoas a mensagem gravada em seus corações e os desafia a praticar o que foi ensinado.

    Se pensarmos que uma boa parte das pessoas não se lembra do sermão de domingo, vamos perceber como precisamos construir uma forma de comunicar muito mais eficaz na igreja. Os pregadores precisam entender que a pregação não é mera formalidade do culto e precisa gerar mudança, sendo que, a boa comunicação é responsabilidade do pregador.

    As estradas foram construídas para conduzir motoristas a um determinado local. E um sermão deve ser construído com o mesmo propósito. Pregar ou mesmo palestrar, é uma ação intencional, precisa ser feita a partir de propósitos definidos, buscando levar os ouvintes a um determinado lugar. Andy Stanley e Lane Jones complementam:

    “Todo sermão deveria conduzir os ouvintes a determinado lugar” (2010, p. 13).

    O livro me deixou pensativo e preocupado com a realidade da igreja. Será que os pastores têm buscado ser assertivos e práticos em suas pregações? Não adianta falarmos muito, se pouco, ou nada, ficará com as pessoas. Já ouvi sermões onde o pregador citava uma infinidade de textos bíblicos e não conseguia oferecer um conteúdo prático aos ouvintes. Outros pregadores seguiam as fórmulas que haviam aprendido nos seminários e faculdades teológicas, sem buscarem novos métodos de oratória e pregação. Conhecer tais técnicas pode ajudar muito um pregador.

    E u creio que as lições que esta obra oferece, podem ser usadas como ferramentas, para o pregador criar a sua forma de pregar ou mesmo, serem adaptadas ao modo como o pastor já prega.

    O livro é muito mais extenso e prático, e propõe sete pontos que definem este tipo de sermão, que tem como proposta central uma mensagem mais prática, que deixe gravado no coração das pessoas um ensino, vale a pena ler. Mas a reflexão que eu deixo é justamente sobre a intencionalidade das pregações que estão sendo feitas nas igrejas. Precisamos rever nossas técnicas e verificar se ela tem cumprido o seu papel.

    Avalie com a sua comunidade e liderança, busque ver se, durante o sermão, as pessoas não seguem distraídas, pensando em outras coisas. Este é um bom sinal de que a comunicação do sermão precisa ser aprimorada. E que este fato leve você a buscar aprender mais sobre comunicação e, quem sabe, a ler este livro.

    Quem faz a obra é o Espírito Santo, mas quem comunica somos nós, por isso que precisamos aprender a falar e comunicar de uma forma mais eficaz a mensagem de Deus.

    Bibliografia

    STANLEY, Andy.; JONES, Lane. Comunicação que transforma. São Paulo: Editora Vida, 2010.