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  • POLÍTICA E MILITÂNCIA

    Eu me identifico muito com o modo como Chesterton fala de política, no livro O que há de errado com o mundo. O autor não se limita a tomar um partido, muito menos se ausenta de tecer críticas, apenas porque é do mesmo lado político no qual ele está analisando, como vemos hoje, ao contrário, ele pontua suas análises e coloca o dedo na ferida, quando precisa arrancar alguma infecção do sistema político que for.

    Não creio que devemos fechar os nossos olhos quando alguma coisa equivocada está acontecendo, ainda mais nós que somos cristãos. Creio que o nosso papel é fiscalizar, elogiar quem for preciso, mas também fazer nossas críticas, quando o fato assim exigir.

    É curioso perceber como alguns militantes políticos não criticam ou apontam os erros do seu candidato, quando este está no poder. É perceptível isso hoje, com a mudança política que passamos. As mesmas pessoas que criticavam o antigo governo se calam diante de exageros absurdos da atual gestão. Algumas de suas falas preconceituosas, grosseiras e equivocadas são ignoradas de uma forma muito irreal, como se não estivesse acontecendo nada de errado. Enquanto nada do antigo governo passava despercebido, o do atual é ignorado de modo surreal.

    O meu parecer sobre a dinâmica da discussão política atual é sobre a crença de que você precisa ter um lado, sendo que isso não é verdade, o meu lado é o da política coerente e justa, apenas isso. E o pior é quando fazemos críticas ao lado oposto, já nos acusam de opositores, como se não pudéssemos apontar os erros e equívocos da gestão atual. Sobre lados vencedores ou perdedores, gosto de uma frase de Chesterton que resume bem o problema:

    “Não há como lutar do lado vencedor, pois se luta exatamente para descobrir qual é o lado vencedor” (CHESTERTON, 2013, p. 31).

    No final, é tudo uma guerra, uma disputa para ver quem tem a teoria mais acertada ou quem é o vencedor, e este é o meu medo, visto que a política se aproveita desta nossa guerra para impor e manipular em nome dos seus ideais obscuros.

    Precisamos aprender a ser honestos e a não nos vendermos para político algum. Eles são funcionários públicos, que precisam ser fiscalizados, e fazer um trabalho digno é o mínimo que a função deles exige. A política hoje é vista como uma forma de conseguir status e dinheiro, mas a mentalidade não deveria ser esta. O político é um servidor da população, mas como as pessoas não fiscalizam, a política virou uma festa com o dinheiro público.

    Busque ter a mentalidade certa quanto à política, entenda o quanto é perigoso entrar em discussões polarizadas, justamente porque estas pessoas simplificam o assunto. Política é algo sério, sendo que a boa política aceita críticas e possui um ambiente onde a prestação de contas é algo usual.

    Precisamos fiscalizar e colocar na política pessoas que estão preocupadas com o país e não indivíduos que ligam apenas para os seus interesses. Ignorar os equívocos dos nossos candidatos é colaborar para que a corrupção ou os gastos excessivos estejam cada vez mais presentes.

    Ou aprendemos a nos posicionar, sem sermos militantes de político algum, ou seremos cada vez mais manipulados!

    BIBLIOGRAFIA

    CHESTERTON, G. K. O que há de errado com o mundo. Campinas: Ecclesiae, 2013.

  • DESAFIOS DA ESPIRITUALIDADE CRISTÃ II: AS DUAS ABORDAGENS

    Nossas escolhas e prioridades quase sempre nos definem, sendo que as nossas ações são mediadas justamente por nossas prioridades e pensamentos. É impossível desligar as nossas crenças, das ações, por isso que, precisamos ser cristãos conscientes e centrados em nossa maneira de ser, com fundamentos sólidos na palavra. Seguir a Deus é uma prática, resumida em obediência e equilíbrio, já que, tudo passa pela mente, em como acreditamos. A Bíblia dá um bom exemplo disso, quando ela fala de Marta e Maria (Lucas 10:38-42).

    No texto bíblico lemos que Jesus ao chegar em um povoado, foi recebido por Marta e Maria. Sendo que Maria optou em ficar sentada aos pés de Cristo para ouvir e aprender com ele (Lucas 10:39). E Marta já preferiu se concentrar no serviço, ela estava bem inquieta para servir da melhor forma possível e não gostou do posicionamento de Marta, terminando por exigir que Cristo pedisse para ela ajudá-la (Lucas 10: 40).

    Perceba que o texto bíblico fala de duas abordagens, duas formas de viver a vida cristã. A primeira é a abordagem da Marta, que servia de forma ativa, mas estava ausente de Cristo, distante de sua presença. O propósito dela era fazer as coisas, trabalhar em prol do reino, apenas isso. Peter Scazzero explica um pouco a abordagem de Marta:

    “O problema de Marta vai além de sua ocupação. Sua vida está fora de centro e dividida. Desconfio que, se Marta tivesse de sentar-se aos pés de Jesus, ainda estaria distraída com tudo em sua mente. Sua pessoa interior é sensível, irritável e ansiosa. Um dos sinais mais óbvios de sua vida estar com defeito é que ela chega a dizer a Deus o que fazer! (2013, p. 63).

    Imagine que você tem a oportunidade de receber o próprio Cristo em pessoa, igual Marta e Maria, qual seria a sua atitude diante desta possibilidade? Este exercício serve também para avaliarmos a nossa vida espiritual. Qual é a sua prioridade, o trabalho e o ativismo, ou a sua comunhão com Deus?

    A segunda abordagem é a de Maria, alguém que quando foi visitada por Jesus, optou em ouvi-lo e desfrutar da sua presença. Não tem outra forma de ouvirmos Deus, é só parando e escolhendo ficar aos seus pés. Alguém que não para de maneira alguma, nunca vai conseguir ouvir. É preciso ter atitude e um comportamento para assim conseguirmos ouvir Deus e as pessoas.

    Conheço cristãos que passam a semana inteira na igreja, são pessoas que trabalham de forma ativa na igreja, mas se esquecem da sua vida espiritual. Veja bem, é fundamental trabalharmos na obra de Deus, contudo, temos uma prioridade que é nossa espiritualidade. Tudo começa com o seu secreto, com uma vida de oração e leitura da palavra, estes são os primeiros passos de um cristão. O ativismo nos distancia de Deus e cultivar um período de ócio, reflexão na palavra e oração, nos faz termos intimidade com ele.

    Precisamos ficar atentos, visto que, um mundo que valoriza muito mais o fazer, as atividades e o trabalho, nos leva a ignorar o nosso secreto com Deus. Isso que eu nem falei da importância de ter um tempo de qualidade com a família, que também é fundamental. Scazzero novamente complementa:

    “Quando eu tenho suficiente “tempo de desaceleração” sozinho, descubro que minha atividade é marcada por uma profunda e carinhosa comunhão com Deus. Então a vida de Cristo, na maioria das vezes, flui de mim para outras pessoas” (2013, p. 66).

    A espiritualidade saudável é marcada tanto pelo serviço, quanto pelo secreto com Deus. Não é possível sermos relevantes se não paramos para falar com Deus e ouvi-lo através da sua palavra. Sendo que tal prática flui para outros, como a citação pontua. Como vamos oferecer algo se nós estamos vazios?

    O desafio do equilíbrio na espiritualidade cristã é sempre grande. Servir a igreja, mas também prestar atenção em Deus e a sua palavra, é igualmente fundamental. O ativismo é um veneno, uma igreja saudável consegue mesclar o trabalho com o tempo de descanso e contemplação. Como vamos ouvir se não paramos para prestar atenção em Deus? Em contrapartida, viver uma vida estática, sem servir é de igual forma perigosa, por isso que o equilíbrio na vida cristã é um elemento definidor. Fritz Rienecker resume de modo assertivo as abordagens de Marta e Maria, mostrando como as duas práticas são fundamentais:

    “O zelo de Marta e o sossego devoto de Maria podem, quando unificados, favorecer o bem e a harmonia da igreja fiel” (2005, p. 246).

    Precisamos trabalhar, porém, também nos aquietar. A vida cristã é uma vida de serviço sem ativismo, com quietude, mas sem estagnação. Por isso, busque sempre ter zelo pela obra, servindo de coração, no entanto, aprenda também que existe a hora de parar e ouvir Deus.

    BIBLIOGRAFIA

    RIENECKER, Fritz. Evangelho de Lucas: Comentário Esperança. Curitiba, Editora Evangélica esperança, 2005.

    SCAZZERO, Peter. Espiritualidade Emocionalmente Saudável: Desencadeie uma revolução em sua vida com Cristo. São Paulo: Hagnos, 2013.

  • MARCAS DE UM LEGÍTIMO CRISTÃO

    “Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!” (Mateus 6: 23) (NVI).

    Não existe nada mais perigoso do que algo falso que tem cara de legítimo e verdadeiro, visto que, ele pode até ter sido feito com um intuito honesto, mas não é autêntico e acaba enganando as pessoas.

    Uma igreja, por exemplo, tem a capacidade de provocar justamente isso. Ela foi construída com um propósito legítimo, o pastor prega usando um livro sagrado, mas dependendo da sua teologia e do quanto ele estuda realmente a Bíblia, esta comunidade cristã acaba sendo uma porta para trevas e não para a luz. Por isso que vemos muitas delas mergulhadas em erros, imposição e problemas. Carson pontua que:

    “A pessoa cujas trevas são mais densas é aquela que acredita que essas trevas são luz […]” (2019, p. 89).

    É por conta disso que eu insisto tanto em estudarmos sempre a Bíblia. É apenas quando conhecemos este livro sagrado que conseguimos identificar as igrejas que estão bem distantes da palavra de Deus e também entendemos qual deve ser o nosso posicionamento como cristãos. Uma boa igreja tem uma boa teologia e também um pastor centrado. Sendo que, estas são as primeiras marcas de um legítimo cristão, equilíbrio e uma teologia fundamentada na palavra de Deus.

    A segunda marca é a humildade. É contraditório alguém ser cristão e, ao mesmo tempo, arrogante. Principalmente porque seguimos um Deus que também serviu e mandou que nós o imitássemos. E não é só isso.

    Quem foi realmente alcançado pela graça, é grato a Deus por isso e como consequência, não é arrogante. A gratidão a Deus e a consciência de quem somos e do quanto não merecemos a sua graça, traz humildade para a nossa vida.

    A terceira marca é o autoconhecimento, é entender bem quem nós somos, quais são as nossas falhas, dificuldades e também quais são as nossas qualidades para que desta forma, possamos avaliar as nossas atitudes e entendermos que tipo de cristãos estamos sendo. Carson explica que:

    “Nós seres humanos, demonstramos uma enorme capacidade de autoengano. Por exemplo, adulteramos a justiça, tornando-a justiça própria — uma arrogância de superioridade moral — e transformamos a perfeição em nossa reputação perfeita. Mas realizamos essa adulteração com tanta habilidade que, na melhor das hipóteses, temos apenas vaga consciência da monstruosidade que forjamos” (2019, p. 109).

    Acreditar que estamos sendo luz, sem perceber que estamos mergulhados nas trevas, é um grande perigo. Não entender a dimensão das nossas atitudes é uma das características dos seres humanos, que nem sempre têm consciência do seu autoengano. Na verdade, uma pessoa assim certamente é um indivíduo alheio às suas contradições, que segue, infelizmente, sem perceber seus erros. Por isso, que o autoconhecimento é necessário.

    Ricardo Barbosa em seu livro Identidade perdida, usando um conceito de Agostinho de Hipona, nos ensina um princípio muito importante, que é ter Cristo como modelo. É inevitável conhecermos primeiro a Jesus Cristo, o Deus que foi o ser humano perfeito, para assim, conseguirmos julgar de uma forma coerente a nossa humanidade. Ele é a base, o ponto de partida e o ser humano perfeito que precisamos ter como padrão (2012, p. 81). Barbosa complementa:

    “O duplo conhecimento” de Deus e de nós é uma dádiva da graça de Deus” (2012, p. 82).

    Conhecer a Deus e entender quem somos é uma ação totalmente interligada e muito necessária. É inevitável conhecermos a Deus, para assim, conseguirmos nos conhecer. Uma ação dependa da outra (2012, p. 81-82). E este é o caminho para conseguirmos ser cristãos equilibrados, ter Jesus Cristo como modelo, e buscar também cultivar o autoconhecimento.   

    A vida cristã nos traz desafios, não é fácil seguir tanto na contramão do mundo, quanto lidar com os nossos erros e autoenganos, mas precisamos persistir, alicerçados da palavra de Deus e tendo Cristo como exemplo.

    Bibliografia

    BARBOSA, Ricardo. Identidade perdida. Curitiba: Encontro Publicações, 2012.

    CARSON, D. A. O sermão do monte. São Paulo: Vida Nova, 2019.

  • ESTE TEXTO NÃO É SENSACIONALISTA

    Um costume bem comum, praticado por aqueles que produzem conteúdo na internet, é criar títulos chamativos para vídeos, notícias ou textos. Isso chama a atenção das pessoas, principalmente quando ele é sensacionalista.

    Ser notado é uma das leis da internet, ter engajamento é o objetivo de quase todas as pessoas. Números são muito mais importantes do que a própria qualidade ou mesmo o retorno que a prática de produzir conteúdo traz. Já que desenvolvemos as nossas habilidades produzindo textos ou vídeos, e isso já é muito válido.

    Desde o começo deste site, não foquei em momento algum em números. Eu queria produzir e escrever conteúdos teológicos, apenas isso. Fico feliz pelos retornos, mas sigo apenas produzindo e buscando oferecer materiais de qualidade aos cristãos.

    O retorno que eu já tive escrevendo é muito grande, eu sou outro escritor, depois de quase dez anos de escrita neste site, no mais, o que importa é o conteúdo. No afã de produzir apenas para criar engajamento, muitos se esquecem da qualidade do que estão criando e assim, terminam por oferecer assuntos sem fundamentos.

    Este texto não é sensacionalista, justamente porque fala da realidade, da minha vivência como escritor, de alguém que só queria escrever e produzir bons textos. Não ignoro o fato que ter um retorno é algo legal, sendo que isso nos motiva a continuar, a questão é que o retorno não deve ser o objetivo final. Como mencionei, o aprendizado que adquiri compondo tais textos, já são retornos mais do que suficientes. A busca incessante por likes e números, faz muitos se esquecerem do processo e de todo o crescimento que a prática da escrita e do estudo nos trazem.

    Perceba que o site segue meio que na contramão de forma proposital, não aderi a algumas técnicas que comumente são usadas em sites e blogs, como, por exemplo: imagens no começo do texto para chamar a atenção das pessoas ou títulos sensacionalistas. Decidi fazer algo sem excessos e sóbrio, busquei usar a minha criatividade, mas sem me adequar aos padrões dos sites conhecidos. Paguei e pago um preço alto por isso, mas fico feliz com o caminho sóbrio que estou trilhando.

    Como o foco não era números, segui sem peso na consciência, construindo um formato que melhor me agradava. O propósito era ser um referencial de bons materiais, onde o leitor poderia acessar temas dos mais diversos, estudos e textos de opinião que agregassem em suas vidas. O que eu colho com esta atitude é um caminho mais leve, não tenho aquela pressão de gerar likes, sendo assim, posso focar na qualidade do que escrevo.

    Há uma beleza em poder parar e escrever, existem algumas habilidades que construímos com as nossas pesquisas e estudos, e isso é impagável. Ver um texto ganhando vida e perceber o quanto crescemos desenvolvendo nossas habilidades, é algo não só maravilhoso, mas que levamos para a vida.

    O modo como você se propõe a fazer algo, faz toda a diferença, deixa o caminho mais leve e você não fica refém de coisas que não agregam. No mais, Soli Deo Gloria!

  • RECLAMAÇÃO GRATUITA

    Conheci um reclamão que era a negatividade em pessoa, sua habilidade em reclamar era tão surpreendente que ele conseguia encontrar defeitos em coisas que a maioria acharia impossível, tudo para conseguir reclamar. Era um prazer mórbido que ele tinha com a reclamação. Assim sendo, uma bela e paradisíaca praia, se tornava um local qualquer. Um saboroso lanche, virava um tira gosto desagradável, parecia que nada agradava aquela pessoa.

    Era curioso observar este colega ouvindo os planos dos seus amigos, visto que, sem demora, a sua resposta era sempre a mesma: “não vai dar certo”. E quando dava certo, ele insistia em colocar defeitos na conquista alheia e diminuir o êxito do próximo.

    Uma pessoa que murmura demais é antes de tudo alguém injusto, que não percebe o valor da vida e tem o prazer em diminuir o outro. Para estes, nada está certo, tudo tem um problema e uma conspiração envolvida, sendo que, era comum vermos ele sabotar os seus planos e projetos. No final, este reclamão não só apontava o dedo para as escolhas e os planos dos seus amigos, mas também para os seus e assim, ele seguia sem concluir e construir nada em sua vida.

    Eu sei muito bem como nem sempre a nossa vida é colorida, é comum passarmos por dificuldades e momentos cinzas, mas quem reclama demais, é antes de tudo, um preguiçoso, que na maioria das vezes, escolhe colocar defeitos nas coisas, ao invés de colocar uma ideia em prática.

    A vida não é nada fácil, contudo, sentar e ficar reclamando, de forma gratuita e sem qualquer ação e mudança de atitude, não é a solução. Aprender a agir e lidar com os percalços é a melhor opção, caso contrário, certamente você afastará todas as pessoas da sua vida e nunca conseguirá colocar algum plano em prática.  

    Lembre-se que reclamar não é fazer uma crítica ou observação, muito menos é dar uma opinião a um amigo e sim, é lamentar sem medida, tendo como foco a lamúria, ao invés da busca por solução. É uma reclamação gratuita, sem qualquer propósito, em nome apenas de murmurar sem medida. O apóstolo Paulo nos traz um importante aviso sobre a murmuração:

    “Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas; para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo; retendo a palavra da vida, para que, no Dia de Cristo, possa gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão” (Filipenses 2:14-16) (ARC).

    A palavra murmurar no grego é goggusmos, e significa queixume e desprazer, são aquelas falas de total descontentamento. É aquela murmuração constante, como aconteceu com os israelitas nos quarenta anos que eles ficaram no deserto, sendo que, é provável que o apóstolo Paulo tivesse este fato em mente quando falou sobre murmuração. Neste episódio, nada do que Moisés fazia agradava o povo de Israel, eles estavam sempre reclamando e colocando defeitos em tudo o que estava sendo feito (CHAMPLIN, 2014, p. 47). Champlin faz uma observação bem importante sobre o tema:

    “Portanto, Paulo denuncia aqui o “espírito amargoso”, o descontentamento secreto que sempre envenena as relações entre as pessoas” (CHAMPLIN, 2014, p. 47).

    Assim como este conhecido que eu mencionei, o povo de Israel não demorava em reclamar e colocar defeitos em tudo o que estava sendo feito. Ao invés de agradecer a Deus por serem salvos da opressão, eles seguiam com uma atitude descontente e amarga, e isso envenenava os seus relacionamentos, tal qual o exemplo que citei.

    Compartilhar a vida com alguém que só se queixa, que não consegue ser grato a Deus por nada e que insiste em colocar defeito nos planos de todas as pessoas não é nada fácil.

    Entenda que toda a crítica que diminui uma pessoa não é uma crítica, mas uma ofensa. Aprender a falar, sem diminuir o esforço que um amigo teve é imprescindível. Aprender a olhar de uma forma diferente, se alegrar pelas conquistas dos outros e ser menos crítico e mais proativo, é fundamental para conseguirmos colocar nossos planos em prática e sermos apoiadores dos amigos e não um estraga prazeres.

    Bibliografia

    CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo: Volume 5. São Paulo: Hagnos, 2014.

  • DESAFIOS DA ESPIRITUALIDADE CRISTÃ I: IMATURIDADE ESPIRITUAL

    Maturidade é um elemento definidor em nossa vida. O problema é que nem todos percebem como ela é intrinsecamente ligada à vida cristã. Sem uma espiritualidade madura e emocionalmente saudável, certamente falharemos em muitos pontos durante nossa caminhada.

    No livro Espiritualidade Emocionalmente Saudável, Peter Scazzero trata justamente deste assunto, revelando o quanto a maturidade espiritual é importante, sendo que é normal alguém ser cristão por muitos anos, mas imaturo, justamente porque muitos seguem modelos propostos que são fracos e contraditórios, visto que a igreja não dá ênfase neste tema. É possível encontrarmos cristãos que oram, leem a Bíblia e buscam fazer a vontade de Deus, mas que são imaturos. E este é o grande ponto da saúde emocional e espiritualidade, áreas que precisam ser trabalhadas. Scazzero complementa:

    “Não é possível ser espiritualmente maduro enquanto se permanece emocionalmente imaturo” (2013, p. 25).

    Já percebeu como muitos se escondem atrás de atividades na igreja, revelando uma espiritualidade totalmente enferma? Como, por exemplo, usar Deus para fugir de Deus, como o autor coloca, que nada mais é do que criar inúmeras atividades para Deus, mas, que no final são desculpas para satisfazer o ego pessoal ou para ignorar pontos da vida em que é preciso trabalhar (SCAZZERO, 2013, p. 33).

    Peter Scazzero (2013) também enfatiza que a espiritualidade enferma ignora emoções genuínas como a raiva, tristeza e o medo, acreditando serem pecados. Ou vivem uma vida dividida em áreas como o sagrado e o secular, esquecendo que ser cristão é ser, em todos os lugares e momentos. Há também aqueles que insistem em ser ativistas, optando mais em fazer as coisas para Deus do que estar com ele, entre tantos pontos que o autor coloca, que revela o quanto algumas espiritualidades são equivocadas. Perceba como todas as atividades são legítimas, mas estão no lugar errado.

    É fácil errarmos apenas por estarmos justamente com o padrão trocado, sendo que, muitas vezes, não percebemos isso e fazemos tais atividades de um modo bem sincero, apesar de equivocado. Buscar ter autocontrole e uma vida emocional saudável é fundamental para sermos cristãos centrados, que andam de forma coerente no caminho da verdade e esta é uma ação interna, que cabe a nós. 1 Tessalonicenses 4:4-5 diz:

    “Cada um saiba controlar o seu próprio corpo de maneira santa e honrosa, não dominado pela paixão de desejos desenfreados, como os pagãos que desconhecem a Deus” (NVI).

    O texto bíblico se inicia com uma ênfase importante que é agradar a Deus (1Tessalonicences 4:1), ao buscarmos fazer a sua vontade. Sendo que nós cristãos precisamos ter como meta viver uma vida longe do pecado e o autocontrole, como o versículo aponta, é um objetivo fundamental para todos os cristãos, sendo que a maturidade é o elemento definidor desta prática.

    A nossa vida é como um iceberg, como exemplifica Scazzero, a ponta do iceberg é a parte que todos veem e nem sempre se resume na verdade. O externo, as aparências, podem nos enganar, visto que nem sempre o externo define o que estamos sentindo, por isso, cuide da sua mente, busque ajuda e ferramentas para tratar da sua saúde emocional e busque ser um cristão maduro ou pelo menos tenha o amadurecimento como meta em sua vida.

    BIBLIOGRAFIA

    SCAZZERO, Peter. Espiritualidade Emocionalmente Saudável: Desencadeie uma revolução em sua vida com Cristo. São Paulo: Hagnos, 2013.

  • COMO ENCARAR OS PROBLEMAS

    “Quando algo acontece, a única coisa que está em seu poder é sua atitude com relação ao fato” (apud LEBELL, 2018, p. 27)

    Epicteto.

    Uma das grandes verdades da vida é que não temos controle de tudo, aliás, arrisco afirmar que controlamos realmente pouca coisa. Com isso, nem sempre nos resta muito a fazer quando algo ruim acontece em nossa vida. E a principal atitude diante do caos é buscar aprender a agir de modo assertivo. Na maioria das vezes, nós controlamos apenas a nossa ação diante de uma situação, como a epígrafe enfatiza.

    A questão aqui não é fecharmos os olhos para as incertezas e nem ignorarmos os nossos problemas, e sim, se posicionar e aceitar o problema, para desta forma conseguirmos buscar uma saída e também descobrir um modo de seguir em frente, não deixando que o ocorrido nos desanime. Perceba como aceitar e ter uma boa atitude são os primeiros passos para a solução. Existe uma mentalidade, uma forma de encarar um fato para assim agirmos de modo coerente.

    O modo como você encara um problema faz toda a diferença. Como reagimos ao caos ou a uma situação desafiadora, determina o nosso sucesso ou mesmo o revés. Por isso, é fundamental sabermos reagir para não estacionarmos no meio do caminho. A única coisa que controlamos é a nossa atitude quanto aos fatos.

    Tendo em mente que algumas dificuldades não têm saída, precisamos aceitar e aprender com os problemas. E uma lição aprendida já é uma vitória, visto que ela nos ajudará a não repetir os erros. Perceba que tudo vai depender de uma mentalidade, da forma como você avalia e reage a uma situação.

    Enfrentamos as mais diversas situações, os problemas surgem sempre nas horas mais inadequadas, sendo assim, precisamos agir para que um pequeno obstáculo não se torne uma enorme montanha. E constate como muitas das vezes somos nós que aumentamos a dificuldade ao não aceitar um infortúnio.

    Há sempre uma saída, basta não nos desesperarmos e meditarmos sobre a situação. Na vida, não controlamos quase nada, mas controlamos o modo como reagimos a uma situação e saber reagir de forma assertiva, já faz toda a diferença.

    E quem aconselha você é Epicteto (55-135), um filósofo que era escravo e também tinha um problema na perna. Epicteto estava longe de ser um daqueles palestrantes motivacionais que não entendem os problemas da vida. No final, devido à sua dedicação em conhecer e estudar, ele conseguiu a sua liberdade e deixou o seu nome registrado na história. Um dos seus conselhos que fundamenta a nossa reflexão é justamente:

    “Veja as coisas como elas são” (apud LEBELL, 2018, p. 27).

    Este filósofo primeiro precisou entender a sua realidade, para depois tomar uma atitude. Você não muda a sua história sem antes aceitá-la. Constate a dinâmica da ação de Epicteto, ele não podia mudar a sua realidade de escravo e muito menos a sua má-formação na perna. Entretanto, ele aceitou a sua situação e fez o que estava ao seu alcance. A sua atitude gerou frutos, sendo eles a sua liberdade e a fama como um exímio professor.

    Encare os seus problemas de frente, aceite a sua situação atual e busque o caminho de mudança. É a nossa atitude a única coisa que está em nosso poder, sendo que uma mentalidade certa é o primeiro passo para seguirmos em direção às mudanças.

    BIBLIOGRAFIA

    LEBELL, Sharon. A arte de viver: Epicteto, uma nova interpretação de Sharon Lebell. Rio de Janeiro: Sextante, 2018.

  • VIDA CRISTÃ NA PRÁTICA: MEDITAÇÕES PARA PEQUENOS GRUPOS I: EBOOK GRATUITO

    O cristianismo prático se inicia na comunhão, ser cristão é caminhar junto, é compartilhar a mesa, sendo desta forma um corpo, com Cristo sendo o cabeça da igreja. O cristianismo solitário escapa da definição de cristão, segundo a Bíblia. No entanto, a vida em comunhão dos traz alguns desafios e nos leva a olharmos além de nós, colocando o outro como um indivíduo igual a nós.

    E nesta caminhada, desafios, lições e aprendizados surgem para fundamentar a nossa relação como igreja. A vida cristã na prática, é um caminho com muitas lições para o nosso crescimento e para aqueles que entendem que a graça divina é o ponto de partida de todos os cristãos. É por isso que convivemos, perdoamos e amamos, pois se não fosse a graça de Deus, estaríamos certamente perdidos.

    Nesta obra, proponho algumas meditações importantes para serem divididas em contextos de pequenos grupos. A proposta é oferecer um material prático, bíblico e que seja útil para ser compartilhado com os irmãos.

  • INCOMPREENSÍVEL GRAÇA

    Trabalhei por muito tempo com alguém que também era cristão, a grande diferença era que ele não entendia e muito menos aceitava a graça de Deus. Na sua visão meritocrática, a graça não tinha sentido e Deus não deveria salvar aqueles que não se esforçavam para segui-lo.

    Este colega de trabalho, de tempos em tempos, chegava no trabalho indignado e me perguntava sobre a conversão. Ele não aceitava que, se alguém muito ruim se convertesse no final da sua vida, ele seria salvo. Além de não aceitar esta verdade, este indivíduo não conseguia entender que todos, até o ser humano aparentemente bom ou mesmo ele, não eram dignos da graça de Deus. O texto bíblico que nos ensina que todos pecaram e são carentes da graça divina (Romanos 3:23-26), era quase que uma afronta para ele.

    A parábola do Filho pródigo (Lucas 15:11-32), fala justamente disso, da incompreensível graça divina. O filho mais novo havia pedido a sua herança ao seu pai (v. 12), uma atitude bem egoísta inclusive, já que ele não tinha o direito de fazer este pedido ao pai que ainda estava vivo. Mas ele pede e recebe todo o dinheiro e após isso, resolve sair de casa. Este filho pródigo queria viver a sua vida longe do pai.

    O problema foi que ele esbanjou todo o dinheiro vivendo nababescamente, e termina por voltar arrependido para casa (v. 13-14). Após lembrar como em sua casa tinha tudo e que os trabalhadores tinham comida à vontade, ele resolve voltar como um simples trabalhador, não mais como filho (v. 17-19). Contudo, o seu pai perdoa o filho e o recebe novamente em sua casa e faz uma festa de comemoração pela volta do seu filho querido (v. 23).

    Mas a história tem um segundo personagem muito importante, que era o filho mais velho. Enquanto ele voltava do campo (v. 25), certamente ele estava trabalhando, ouviu a música e a festa, e recebeu a notícia que o seu irmão havia voltado sendo recebido novamente em casa (v. 27).

    Este filho se zangou muito (v. 28), para ele a atitude do seu pai era inadmissível. Como o seu pai pôde perdoar o seu irmão? A parábola fala justamente sobre esta dinâmica cristã que o meu amigo tinha dificuldade de entender. Como Deus pode perdoar alguém que errou muito, que viveu dissolutamente e pecou contra ele? Enquanto eu sigo fiel a ele, trabalhando em sua obra incansavelmente? Entender a graça de Deus nem sempre é fácil, ainda mais nesta sociedade que prega o mérito a qualquer custo. E a parte complexa é que muitos acreditam que são dignos da graça de Deus, que merecem o cuidado dele. O que estes não entendem é que ninguém merece, nós não recebemos a graça por qualquer mérito pessoal, mas pela divina misericórdia.

    A palavra pródigo significa esbanjador, mas simboliza alguém que não tem qualquer ponderação e termina por gastar tudo o que tem. E Timothy Keller faz uma observação bem interessante sobre o pai do pródigo, que representa Deus, segundo a parábola. Ele nos mostra como o pai nesta parábola também foi pródigo, visto que, ele esbanjou perdão, e não ponderou em nos acolher e nos perdoar (KELLER, 2018, p. 13).

    A graça é escandalosa, e vai de encontro com a forma de pensar do mundo. Ela desconstrói a nossa realidade e forma de pensar, transformando o mérito humano em um conceito vazio e fraco.

    Nem todos entendem que ninguém é merecedor de qualquer cuidado e que não há nada que possamos fazer para merecermos a graça divina. A salvação nunca esteve ligada a algo que nós, seres humanos falhos e pecadores, podemos fazer e sim, com Deus.

    A graça faz parte da ação de um Deus que ama e tem misericórdia, cabe a nós apenas aceitarmos e obedecermos a este Deus de graça.

    Bibliografia

    KELLER, Timothy. O Deus pródigo: recuperando a essência da fé cristã. São Paulo: Vida Nova, 2018.

  • DILEMAS DA VIDA CRISTÃ

    É fácil se sabotar, basta permitir que os acontecimentos externos, as dores e lutas, minem a certeza que você tem no coração. As dificuldades ou trazem consigo perguntas e questionamentos sobre Deus ou faz você se aproximar ainda mais dele. Na maioria dos casos, as pessoas pegam um destes dois caminhos. Vai depender apenas do seu posicionamento, da sua intimidade e do compromisso com o nosso soberano pai.

    A vida cristã tem esta ambivalência e a notícia ruim é que não há receita mágica para fugir deste dilema já que, mesmo nos aproximando de Deus, estamos sujeitos a tais intempéries. Mas é muito melhor estar próximo dele do que longe.

    Entre tantos dilemas da vida cristã está o sofrimento e entender que Deus continua sendo fiel mesmo quando sofremos. O sofrimento é o resultado da condição pecaminosa do ser humano e não deve ser visto como a ausência de Deus.

    O sofrimento nos faz olharmos apenas para nós e nos posicionarmos como vítimas, como se apenas nós sofrêssemos, ignorando assim Deus e tudo o que ele já fez em nossa vida. Nem sempre entendemos o silêncio de Deus, mas é importante deixar vivo em nossa mente uma verdade valiosa: “ele não nos deixou sozinhos”. Apesar das tempestades, é ele que está cuidando do barco. Larry Crabb e Dan Allender fala algo muito interessante sobre os problemas inexplicáveis, sendo estes os piores tipos de sofrimento:

    “Não somos perturbados tanto pelo tamanho do problema, quanto pelo grau de mistério que ele apresenta. Não é saber o que está errado que nos causa mais medo. É o mistério que nos assusta porque nos coloca fora de controle e nos deixa com uma opção que não gostamos — ter que confiar em alguém que não seja nós mesmos” (1998, p. 16).

    Entender o sofrimento ou o motivo pelo qual estamos passando por algumas situações é sempre complicado, visto que, nem tudo tem explicação. Sem contar que são nestes momentos que perguntamos sobre Deus e queremos saber onde ele está enquanto enfrentamos as nossas tempestades. A dúvida aumenta ainda mais os problemas e nem sempre nos achamos aptos para enfrentar as intempéries. Por isso que você precisa olhar para Deus e entregar a ele o controle de tudo.

    Entender nem sempre é a melhor opção, em alguns casos, as vezes, o primeiro e melhor passo que podemos dar é confiar e buscar em Deus a esperança. O salmista já nos aconselhou e não podemos esquecer desta dica:

    “Descanse no Senhor e aguarde por ele com paciência; não se aborreça com o sucesso dos outros, nem com aqueles que maquinam o mal” (Salmos 37:7) (NVI).

    Descanse no Senhor, entregue a ele o seu caminho e acredite que ele vai agir (Salmos 37:5). Este é o antídoto para os nossos dilemas, para os problemas que insistem em nos colocar no centro de tudo, como injustiçados e sofredores. Relembre todas os vendavais que você já enfrentou em sua vida e perceba que em todos eles, Deus esteve com você, sendo que no final tudo deu certo.

    Não permita que a dúvida e os inexplicáveis problemas afastem você do nosso soberano pai e faça você se esquecer do cuidado que ele sempre teve por você, confie em Deus e descanse em seu cuidado.

    BIBLIOGRAFIA

    CRABB, Larry.; ALLENDER, Dan. Esperança no sofrimento. São Paulo: Editora Sepal, 1998.