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  • CAÇADORES DE RECOMPENSAS

    Gosto de definir a vida como uma caminhada, visto que, tal exemplo, a meu ver, indica a dinâmica de como é viver. A vida é uma caminhada em uma estrada que nem sempre é fácil. Saber avançar, vencendo todos os obstáculos do caminho é a arte daqueles que entendem o que é viver.

    O grande problema de viver a vida buscando apenas recompensas é se esquecer que a maioria das coisas que realmente valem a pena levam tempo, como por exemplo, cursar uma faculdade, fazer exercícios, estudar e empreender. Para termos sucesso nestas empreitadas, precisamos primeiro ter em mente que o real prazer vem a longo prazo. Leva tempo concluirmos algo ou colhermos os frutos dos nossos projetos. Susan Cain fala justamente disso quando diz que:

    “A sensibilidade à recompensa a todo vapor leva as pessoas a todo tipo de problema. Ficamos tão entusiasmados com a possibilidade de prêmios convidativos, como ganhar muito dinheiro no mercado de ações, que corremos riscos desmedidos e ignoramos possíveis sinais de alerta” (2012, p. 157).

    O nosso foco não deve ser as recompensas e sim o processo, já que estradas que levam aos melhores destinos são na maioria das vezes esburacadas, com isso, ter persistência para vencer todos os empecilhos é fundamental. A recompensa nunca deve ser o princípio das nossas atividades, mas o fim. Ela deve ser o resultado de todo o trabalho e insistência que alguém empreende em uma determinada área.

    Outra coisa é que quem vive em busca apenas de emoções e prazeres baratos, também ignoram sinais de alerta, visto que, estão muito mais preocupados com os estímulos, para desta forma, conseguirem olhar em volta e verem seus equívocos e escolhas que não produzem frutos.

    A saída é ter sempre moderação e entender que nem sempre o prazer momentâneo é válido. Opte sempre em investir seu tempo em planos a longo prazo, que assim, não será preciso ficar procurando novos estímulos. Condicione o seu cérebro a entender que as coisas que são importantes, demandam mais esforços e dedicação. Mais uma vez Susan Cain complementa nos ensinando que:

    “O ponto é que tendemos a supervalorizar a euforia e rebaixar os riscos da sensibilidade à recompensa: precisamos achar um equilíbrio entre ação e reflexão” (2012, p. 170).

    A recompensa, o retorno ou o estímulo não devem ser o Norte, não que estas coisas não existam, o problema é serem as principais motivações. É bom colher frutos e recompensas, mas isso precisa estar bem equilibrado com o fato que a recompensa não é tudo.

    Não existe glamour algum na persistência, parafraseando Susan Cain (2012, p. 169). Precisamos entender que por mais que o brilho da vitória seja legal e prazeroso, precisamos focar as nossas forças no trabalho árduo e justamente na persistência, para depois, colher os resultados. Este é o caminho seguro para o êxito!

    BIBLIOGRAFIA

    CAIN, Susan. O poder dos quietos: Como os tímidos e introvertidos podem mudar um mundo que não para de falar. Rio de Janeiro: Agir, 2012.

  • NADA ME FALTARÁ

    Quando lemos a Bíblia, percebemos como ela é real, retratando as verdades de Deus, mas sem esconder os equívocos humanos, gosto disso na Bíblia. Sendo que, ela é inspirada por Deus, contudo, escrita com linguagem humana e por isso, precisamos entender o contexto das passagens Bíblicas, para que consigamos compreender o texto de uma forma mais completa. E é isso que Phillip Keller faz no livro Nada me faltará.

    Este livro fala do Salmo 23 a partir da experiência de um pastor de ovelhas. E é fundamental entendermos que a Bíblia foi escrita, quase que em sua maioria, pelas mãos de pessoas humildes e do campo, com a orientação de Deus. Por isso, muitas lições podem se perder por não conhecermos as realidades rurais dos locais bíblicos, ainda mais hoje, que a maioria das pessoas vivem em centros urbanos (KELLER, 1984, p. 9).

    O autor deste livro é um pastor, que em sua juventude, foi também um pastor de ovelhas em uma região da África bem semelhante ao Oriente Médio no qual Davi, o autor do Salmo, foi criado. Com isso, Phillip Keller expõe detalhes que apenas um pastor desta região iria compreender, mostrando ensinos importantes deste texto e enriquecendo a nossa compreensão deste conhecido Salmo (KELLER, 1984, p. 10).

    O primeiro capítulo desta obra começa com uma ênfase importante: “o nosso Deus é um bom pastor”. E é fundamental entendermos que a sorte da ovelha depende sempre do pastor. Um bom pastor, cuida bem de sua ovelha, já um pastor ruim não (KELLER, 1984, p. 15). A Bíblia diz que O Senhor é o nosso pastor (Salmo 23:1), que Cristo é o bom pastor e dá a sua vida por nós, suas ovelhas (João 10:11), por isso, não precisamos nos preocupar. E ter um bom pastor é fundamental tanto para ovelhas, quanto para nós, seguidores de Cristo.

    Outra ênfase que o livro dá é o fato que as ovelhas não cuidam de si mesmas, se não for pelo bom pastor, elas perecerão e o autor descreve alguns acontecimentos, mostrando o tamanho da fragilidade destes animais e a importância da presença e do cuidado do pastor na vida das ovelhas (KELLER, 1984, p. 18). E perceba como isso diz respeito também ao ser humano, sem Deus, seguiremos para o abismo. As ovelhas se sentem seguras quando o bom pastor está presente, assim como nós, por isso, não foi impensado a Bíblia ter usado a metáfora de pastor e ovelhas, se referindo a nós, seres humanos complexos e frágeis. Phillip Keller complementa explicando uma dinâmica que acontece com as ovelhas, mas também conosco, seguidores do bom pastor:

    “Com o passar do tempo, descobri que nada as tranquilizava mais do que ver-me no campo. A presença de seu dono, senhor e protetor as acalmava de uma forma que nada mais acalmaria, e isto ocorria tanto de dia como de noite” (KELLER, 1984, p. 32).

    Em meio as nossas dificuldades, saber que Cristo, o bom pastor, está conosco não tem preço. Apesar do cenário sombrio que podemos estar enfrentando, ao entendermos que não estamos sozinhos, passamos a ver uma luz em meio ao caos. A presença do bom pastor nos acalma e traz esperança ao nosso coração.

    Outro ponto em comum das ovelhas com as pessoas é a sua sede. As ovelhas precisam beber muita água e se o pastor não proporcionar água limpa e em abundância, certamente elas beberão águas impuras e impróprias para a saúde delas. Estas ovelhas fazem de tudo para aplacar a sua sede e com os seres humanos, não é muito diferente (KELLER, 1984, p. 43-44).

    Nem sempre nós sabemos o que é melhor para a nossa vida e em alguns casos, no afã de aplacarmos a nossa sede espiritual, tomamos águas impuras, que nos deixam doentes. É só o bom pastor que nos dá a água da vida, que aplaca a nossa sede com águas saudáveis. Jesus é a água da vida, se não bebermos dele, certamente seguiremos insatisfeitos, doentes e com muita sede.

    O Salmo narra estas verdades a partir da ovelha ao bom pastor. O texto é uma declaração de quem segue a Deus, que aponta para os benefícios de ser cuidado por ele (KELLER, 1984, p. 50).

    A obra toda é muito relevante, mas é um grande desafio destacar apenas uma ou outra parte do texto, mas estes são os pontos que falam muito ao meu coração. Certamente, se você ler, encontrará outras ênfases, mas de modo geral, os temas discorrem sobre as incoerentes atitudes das ovelhas, apontando sempre para a importância do pastor na vida delas.

     Sem o pastor as ovelhas seguem perdidas e indefesas, sem ele, elas não conseguem nem ao menos se virarem sozinhas e certamente elas se prejudicarão muito sem o auxílio do bom pastor. Pense em um ser frágil e teimoso, assim são as ovelhas e também os seres humanos, a comparação não foi feita à toa.

    O pastor é uma figura fundamental na vida das ovelhas, assim como Deus é em nossa vida, por isso, se entregue aos cuidados do bom pastor e não deixe que a sua teimosia impeça de segui-lo.

    “Sei que a bondade e a fidelidade me acompanharão todos os dias da minha vida, e voltarei à casa do Senhor enquanto eu viver” (Salmo 23:6) (NVI).

    Bibliografia

    KELLER, Phillip. Nada me faltará: O Salmo 23 à luz das experiências de um pastor de ovelhas. Venda Nova: Editora Betânia, 1984.

  • A SABEDORIA QUE VEM DE DEUS

    “Quem é sábio e tem entendimento entre vocês? Que o demonstre por seu bom procedimento, mediante obras praticadas com a humildade que provém da sabedoria” (Referência: Tiago 3:13-18) (NVI).

    Não é tão difícil identificar uma pessoa arrogante, basta notar como ele trata as pessoas, como olha para elas e conversa. Um arrogante normalmente não tem paciência de ouvir alguém e quando ouve, não demora em diminuir o que a pessoa fala. Na igreja, a identificação fica ainda mais fácil, visto que, os arrogantes normalmente se colocam acima dos outros, eles são os “ungidos de Deus”, os “inerrantes e superiores”, o que eles falam é lei. Apenas isso já é o suficiente para identificarmos os humildes dos arrogantes, uma identificação necessária caso não queira se incomodar ou perder o seu tempo com tais indivíduos.  

    A arrogância não caminha com a sabedoria, na verdade, é a humildade que anda lado a lado com ela, visto que, para ser sábio, ouvir, saber olhar e refletir, se faz necessário, e para tais ações, é imprescindível sermos humildes.

    Sem a humildade, não confessamos nossas limitações e com isso, podemos cair em inúmeros autoenganos. Sem a humildade, deixamos de ouvir realmente alguém, por não considerarmos que a pessoa tem algo importante para falar, sendo que muitas vezes ela tem. Eu já aprendi lições com todos os tipos de pessoas. Sem a humildade, seguiremos cegos, fechados em nós mesmos, sem notar os detalhes em volta e perceber o outro, as lições da vida e muitas coisas significativas. Carson, comenta sobre esta passagem e explica que:

    “Tiago começa a sua discussão mostrando a diferença entre a pessoa que tem sabedoria divina e a que não a tem. A pessoa verdadeiramente sábia é caracterizada por condigno proceder (“bom procedimento”, NVI), que significa um modo de vida que é bom de acordo com o ensino de Jesus. Essa pessoa também demonstrará a “humildade que provém da sabedoria” (13, NVI)” (2009, p. 2043).

    Uma tradução um pouco mais próxima deste termo é brandura ou mansidão. Sendo que um dos grandes contratempos que existia nas igrejas que Tiago tinha algum contato era que havia muitas discussões e brigas entre os mestres, que se defendiam de forma bem brutal. A brandura é uma característica totalmente antagônica a violência (CARSON et al, 2009, p. 2043).

    Ser cristão em uma sociedade que coloca o homem no centro e relativiza tudo, é um desafio, saber responder com sabedoria e a brandura que vem do alto, é fundamental. Lembre-se de como Jesus respondia aqueles que o desafiava, era sempre com humildade e uma sabedoria impressionante.

    Controlar a nossa língua e principalmente o nosso humor, é uma ação importante, saber lidar com as opiniões opostas e oferecer respostas sábias faz toda a diferença para conseguirmos deixar uma porta aberta para o diálogo, e desta forma, para também pregarmos o evangelho. Eu sei que nem todos conseguirão dialogar, mas alguém vai querer, e são com estes que não podemos perder a oportunidade. Tiago conclui o capítulo pontuando que:

    “Mas a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sincera. O fruto da justiça semeia-se em paz para os pacificadores” (Tiago 3:17,18) (NVI).

    É esta sabedoria que precisamos buscar e é ela que fará toda a diferença em nossa vida. Não há lugar para a arrogância na vida cristã, o orgulho é contraditório, já que o nosso Deus se fez homem e morreu por nós, de forma humilde.

    A sabedoria divina é antes de tudo pura, compreensível e amável, entre tantas importantes características. Tendo estes pontos como princípios, é possível fazermos uma avaliação pessoal para entendermos como estamos procedendo, principalmente quando falamos com o próximo. Ou nós buscamos ser humildes, ou não entenderemos o evangelho de forma plena.

    Se você é um cristão arrogante, eu o convido a se aproximar mais da Bíblia, para que você possa contatar a sua contradição. Precisamos mudar os nossos princípios e buscamos a sabedoria que vem de Deus, ou seguiremos os complicados fundamentos do mundo e nos destruiremos entre as vãs discussões!

    BIBLIOGRAFIA

    CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2009.

  • O PREÇO DA AFRONTA

    Sou alguém relativamente calmo, mas perco a calma facilmente diante de algumas atitudes, principalmente quando elas não são justas. Não gosto de arrogância e o insulto de pessoas que acreditam estarem em níveis mais altos. Sendo assim, como conseguir manter a calma diante do insulto e da afronta? Principalmente quando a pessoa está sendo injusta ou mentirosa? A raiva é automática em meio a uma situação destas e controlar o impulso vira um desafio.

    A primeira técnica é aprender a dar uma pausa e tentar não responder no calor do momento. Perceba como esta pausa para a reflexão serve para tudo. Por exemplo, sempre que eu faço algo por impulso, sem tirar um tempo para refletir e avaliar uma situação, eu me arrependo depois. Por isso, aprenda a parar, conte até dez e responda, de preferência, com a cabeça um pouco mais calma.

    Permitir que a raiva ou o calor da emoção responda por você é aumentar ainda mais um problema. Sendo assim, busque uma forma de responder apenas depois que estes sentimentos já foram embora. E caso seja uma decisão que você precise tomar, use a mesma técnica, não decida por impulso.

    A segunda técnica é um fato, nem tudo precisa ser respondido. Algumas afrontas merecem o silêncio mesmo. Não cabe resposta alguma em atitudes que são incoerentes. Sem contar que nem todos querem ouvir você, alguns ouvem apenas para responder e não para pensar sobre o assunto ou mesmo para aprender. A escuta hoje é uma ação bem rara. Infelizmente, o ser humano tem seguido cada vez mais autocentrado, surdo para o próximo, mas querendo ser ouvido.

    A afronta custa caro, ela cobra um valor alto que é a nossa paz, a nossa alegria, além de desconstruir relações e amizades. Sendo assim, precisamos aprender a nos posicionar para não piorar ainda mais um inconveniente. É normal se sentir diminuído pelo desrespeito, mas o que vai definir realmente é o seu posicionamento, é você aceitar ou não a desconsideração.

    No entanto, o problema da afronta é que ela nos faz agir de um modo errado, de uma forma que normalmente não agimos. Terminamos por não sermos nós, diante de algumas situações. E este já é, a meu ver, um valor muito alto a pagar.

    Por isso, aprenda a parar, respirar fundo e tomar a atitude mais assertiva que você conseguir. Lembre-se que você sabe quem é, assim sendo, você não precisa aceitar a afronta e o que uma pessoa diz sobre você.

    Trocar a nossa paz, por uma resposta que certamente nos tirará a paz ou mesmo que nos fará agir de uma forma errada, é um valor muito caro a se pagar. O preço da afronta é justamente a nossa paz e quem nós realmente somos, que acaba se comprometendo com a nossa ação instintiva. E este valor não vale a pena pagar!

  • A LEI DO RETORNO: MAIS ALGUNS EQUÍVOCOS

    Quando você faz algo bom, a sua ação volta para você. E esta é a chamada “Lei do retorno”, um ensino muito repetido pelas pessoas do “bem”. Sendo assim, são muitos os que disseminam o “bem”, em busca do lucro que ele pode oferecer.

    Ignorando a própria contradição desta lei, visto que, é um fato que pessoas desonestas e más, muitas vezes estão em ótimas situações e a cada atitude má, o retorno parece ser ainda mais positivo. No final, muitas vezes os justos sofrem e os maus, prosperam. No entanto, esta lei tem outras contradições.

    Segundo esta galera do “bem”, uma pessoa boa, só faz coisas boas, já que a lei do retorno devolve a sua ação, um tempo depois, como pontuei. A contradição é que, se alguém faz o bem esperando um retorno, um pagamento, a sua ação não é boa. O bem é silencioso, ou seja, ele não faz propaganda de sua atitude, como muitos fazem nas redes sociais, e o bem também não espera nada em troca.

    Se a minha atitude é motivada por receber um retorno do universo, que é como eles dizem, a minha ação termina por não ser boa, já que ela tem origem no desejo de ter algo em troca, existe um pagamento aguardado pela minha ação.

    A lei do retorno tem ressurgido em nossos dias, porque faz parte de um espírito da época, onde as pessoas fazem as coisas aguardando um lucro ou uma retribuição. Seja por meio de likes ou elogios à sua “bondosa atitude”. O bem já é bom em si, não precisa de nenhum benefício, e falando em bem e bondade, temos o próprio Jesus Cristo como a personificação do bem.

    Mesmo sendo Deus, ele encarnou, e aqui na terra, ajudou as pessoas sem esperar nada em troca. Morreu por indivíduos que não mereciam a mínima misericórdia e nos deu a oportunidade de sermos chamados de filhos de Deus. Jesus Cristo e a graça de Deus, são ótimos resumos do que realmente é o bem, ou seja, fazer algo, sem esperar nada em troca. Paulo em Filipenses resume bem a sua ação e nos incentiva a vivermos segundo Cristo:

    Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz! (Filipenses 2:5-8) (NVI).

    O ser humano precisa descobrir a graça em seu sentido pleno para assim entender como nem tudo é retorno e a atitude de Jesus, incentiva justamente isso. Ele foi um servo, morreu por nós sem esperar nada em troca e nos amou, mesmo sem merecermos. E Cristo nos incentiva isso quando nos ensina a amarmos os nossos inimigos:

    Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos (Mateus 5:44,45) (NVI).

    Ame, faça o bem, ore pelas pessoas que te perseguem, mas não esperando qualquer retorno, mas pela grande misericórdia de Deus, que é aquele que faz raiar o sol para todos, não só para as pessoas boas.

    Perceba que perdoamos porque fomos perdoados (Mateus 18: 21-35), nós amamos porque Deus nos amou primeiro (1 João 4:19-21), não há um retorno na vida cristã, a lógica é justamente oposta. Por termos sido alvos da graça de Deus, nós somos bons. A graça de Deus, a ação deste Deus misericordioso, nos incentiva a vivermos com o mesmo princípio.

    Não existe amor mais verdadeiro do que este e a lei do retorno incentiva as pessoas a agirem, aguardando uma retribuição por suas atitudes, ela impõe uma mentalidade de troca e isso não é um bem, é comércio.

    O bem faz sem esperar retorno, o bem morre em uma cruz, por indivíduos que não mereciam ajuda alguma!

  • A VERDADEIRA ESPIRITUALIDADE

    Sou convertido há muitos anos, contudo, ainda me lembro da minha importante decisão de seguir a Cristo. A minha família era cristã, mas nasci de novo muitos anos depois da adolescência. Esquecemos que nem todos os membros de famílias cristãs, são realmente cristãos, às vezes são apenas religiosos, gostam dos amigos da igreja ou cumprem um protocolo estabelecido pelos pais. Por isso que, orar para que eles nasçam de novo é fundamental.

    A vida começa com o nascimento, mesmo a pessoa mais importante, culta ou poderosa, precisou nascer um dia e da mesma forma que alguém humilde nasceu. Na vida cristã a dinâmica é semelhante, é preciso nascer de novo, para que a espiritualidade tenha um início. E é desta forma que Francis Schaeffer inicia o seu livro Verdadeira espiritualidade.

    Gosto do estilo centrado e coeso que este autor tem, em meio ao mar de conteúdos, livros e pregadores destes nossos dias tecnológicos. Conhecer autores centrados, que meditam a partir da Bíblia é muito importante. 

    Schaeffer continua o capítulo falando da verdadeira espiritualidade, enfatizando que ela começa no interior. Lutar contra o pecado e enfrentar todas as nossas lutas, é uma atitude que começa dentro de nós. É muito mais do que seguir aquelas listas do que podemos ou não fazer, ou seguir sonhando com o céu, sem levar em conta que a vida cristã se inicia aqui. É uma busca consciente por fazer a vontade de Deus, uma ação interior que reflete em nosso exterior. A vida cristã se inicia com o novo nascimento, mas não se paralisa apenas nisto. Ela segue para uma busca de uma vida muito mais profunda do que apenas seguir um protocolo, é entender que tudo começa dentro de nós. Francis Schaeffer explica que:

    “Quando falamos da vida cristã ou da verdadeira espiritualidade, quando falamos sobre ficar livre das algemas do pecado, devemos lutar contra os problemas interiores de não cobiçar contra Deus e os homens, de amar a Deus e os homens, e não meramente de algum conjunto de coisas exteriores” (2021, p. 17).

    A espiritualidade cristã é uma prática que começa dentro de nós, para depois se fazer presente no mundo exterior. Tudo começa em nossa mente, com boas ideias, como diria Schaeffer. O evangelho é, em um primeiro momento, boas ideias, não placas de igreja. Pregar o evangelho é anunciar uma mensagem de salvação, uma mensagem que se mostra verdadeira. Sendo assim, precisamos entender bem tal ideia e termos fundamentos, para que, desta forma, não arrisquemos anunciar uma mensagem falsa. 

    Tudo começa dentro de nós e a nossa intimidade com Deus e a sua palavra, fará toda a diferença. Perceba como amar a Deus é uma ação interna, é algo que começa dentro de nós. O mesmo podemos falar quanto a amar ao próximo. Se eu não decido amar ou não entendo o amor a partir da Bíblia, a minha ação não surtirá efeito, visto que, o meu interior, o meu entendimento quanto a mensagem cristã, não está fundamentado.

    Boas ideias produzem vida e entender de forma plena o evangelho surtirá efeito no mundo exterior. Boas atitudes são frutos de bons fundamentos, de ideias alicerçadas na palavra de Deus.

    BIBLIOGRAFIA

    SCHAEFFER, Francis. Verdadeira espiritualidade. São Paulo: Cultura Cristã, 2021.

  • POESIAS NO CAMINHO: EBOOK GRATUITO

    A obra Poesias no Caminho escrita por nós, Guilherme Augusto, Luiz Henrique Silva dos Santos e Thauane dos Santos Cordeiro, é um livro que reúne algumas das poesias que escrevemos durante nossa caminhada com Cristo Jesus. Ele, o Caminho, é a fonte da nossa inspiração. É sobre Ele que escrevemos, é através da vida com Ele que aqui compartilhamos as orações, os anseios e reflexões que se fizeram presentes em nossa jornada.
    Esperamos que ao ler essas poesias, você, leitor, possa ter as experiências gentis e confortantes que as poesias podem nos trazer, de identificação, que nos levam a afirmar: “é isso o que eu sinto”. E, assim, quem sabe, você poderá recitá-las, poderá tê-las como parte da sua caminhada.

  • DA SOLIDÃO A SOLITUDE

    Ainda muito novo precisei lidar com a solidão, quando os acontecimentos da vida e também as minhas escolhas, me levaram a caminhar sozinho, sem família e parentes. Eu sempre fui uma pessoa mais reservada e introvertida, mas mudei de estilo e ambiente muito rápido. Antes eu nunca estava sozinho em casa, depois segui em completa solidão ao morar sozinho com pouca idade.

    Estar sozinho e solidão são coisas totalmente diferentes, como muito bem explica Anselm Grün no livro A sublime arte de envelhecer. A solidão é a sensação de alguém que não consegue ficar sozinho. Já estar sozinho é um tempo que usamos para nos dedicar a algo, seja a leitura, meditação ou escrita, entre tantas atividades que podemos realizar. É quando estou sozinho que reflito, produzo ou mesmo relaxo. Não consigo descansar em um lugar cheio de pessoas (GRÜN, 2021, p. 37).

    Este tempo que precisei lidar com a solidão, aprendi a usar o meu tempo, descobri como a solitude é realmente poderosa. Serve para nos dedicarmos a coisas ou até para cultivarmos momentos de ócio criativo.

    Sou uma pessoa que gosta muito do silêncio, pois é no silêncio que ouvimos, que percebemos e conseguimos enxergar os detalhes da vida. Quem está sempre ouvindo alguma coisa ou mantém a televisão ligada o dia inteiro, além de não conseguir refletir, está sempre poluindo a mente com inutilidades ou assuntos que não servem para o seu desenvolvimento. Para pensarmos e refletirmos nas coisas, precisamos de um pouco de silêncio, daquele momento de solitude e reflexão.

    Outro ponto fundamental sobre estar sozinho é que a vida nem sempre é como aquelas festas lotadas. Conforme o tempo vai passando, vamos perdendo as pessoas. Algumas falecem, seguindo a lógica da vida. Outras se mudam, seguindo seus sonhos ou prioridades. A vida é assim mesmo e mais dia ou menos dia, precisaremos lidar com o fato que estaremos sós, sendo que, quanto mais cedo aprendermos a ficar sozinhos, mais cedo conseguiremos fugir das armadilhas da solidão.

    Saber estar sozinho é entender que mesmo só, podemos aproveitar o tempo, degustando um momento que você pode tornar especial. É saber viver e lidar com as mudanças que a vida traz a todos os instantes.

    Aprenda a criar, refletir ou usar estes momentos a seu favor, cultivando vida ao invés de sofrer com os martírios da solidão. Você vai se impressionar ao descobrir como este retiro pode oferecer momentos criativos e realmente construtivos. Ou mesmo um momento de paz diante do criador, onde você pode orar e meditar em sua palavra. Sem a solitude, estas atividades ficam prejudicadas.

    BIBLIOGRAFIA

    GRÜN, Anselm. Caderno de espiritualidade: A sublime arte de envelhecer. 1. ed. Petrópolis: Vozes, 2021.

  • PALAVRAS SÁBIAS

    “As palavras dos sábios espalham conhecimento; mas o coração dos tolos não é assim” (Provérbios 15:7) (NVI).

    Existe uma grande diferença entre conhecimento e senso comum ou aquelas teorias da conspiração, que estão longe de serem opiniões embasadas. O conhecimento é fruto de fundamentos, provas e fatos. Ele se sustenta na verdade e em evidências. O senso comum já tem a sua origem em opiniões sem conhecimento e profundidade alguma. Na prática, são teorias que não partem da verdade concreta.

    Uma opinião embasada é construída com muito trabalho e dedicação. Ler, estudar ou conferir os fatos, antes de emitirmos um parecer, dá muito trabalho, não é uma atitude tão fácil de se tomar. Mas quando você aprende e incorpora em sua rotina o estudo e a leitura, tais atitudes se tornam hábitos.

    É visível a diferença da fala de alguém que busca estudar sempre, daqueles que seguem seus achismos. Quem conhece fala com propriedade e não tem medo de afirmar que não sabe, quando alguém lhe pergunta algo que não é da sua esfera de conhecimento. Um tolo, como a epígrafe diz, ou alguém que não estuda, tem sempre muitas certezas, mas pouca bibliografia, horas de estudo e leitura ou experiência. Com isso, é inevitável que tal pessoa espalhe qualquer coisa, menos o conhecimento.

    Uma das características dos sábios, segundo o livro de Provérbios, é serem pessoas que buscam bons conhecimentos, principalmente o conhecimento Bíblico. E ao falarmos sobre opinião embasada e senso comum, também nos referirmos à igreja, já que infelizmente é visível a falta de fundamentos, estudo e leitura dentro da igreja. Warren Wiersbe complementa:

    “Além disso, os sábios não desperdiçam seu tempo ouvindo tolices e mentiras. Têm cuidado com o que leem, ouvem e veem e também com o que falam em suas conversas no dia-a-dia” (2020, p. 391).

    Percebam como tudo vai depender do estilo de vida de cada um, sendo que a opinião infundada é fruto não só de falta de conhecimento, mas de uma vida que não aprendeu a buscar o saber e que ainda insiste em opinar sobre tudo. Na verdade, é uma ação que falta alguma humildade para reconhecer que não sabe e que precisa buscar entender mais e melhorar seu repertório.

    E mesmo para alguém que lê e estuda muito, é impossível tal indivíduo saber de tudo. E uma pessoa assim sabe muito bem disso. Por isso, quando ela vai opinar sobre algo que não conhece, normalmente ele deixa bem claro que é um ponto de vista raso, já que ele não conhece do assunto. Contudo, diante de situações desconhecidas, o melhor mesmo é nem opinar, principalmente quando o tema é complexo.

    O curioso é que o ignorante não só opina, mas fala como se entendesse. Tais tolos não percebem a contradição de acreditar saber, mesmo sem buscar o conhecimento. E eu não ignoro o fato que muitos aprendem lições importantes com a vida, com os fracassos e decepções, mas isso não exclui o fato que buscar ler e estudar é fundamental. É uma prática, um estilo de vida, que é preciso aprender a construir.

    Espalhar o conhecimento é um modo de ser, ensinar a palavra de Deus às pessoas, é falar das coisas que você entende e estuda, é fugir de opinar sem saber. Agora, o tolo fala de tudo, opina e ensina, sem ao menos ter certeza dos fatos. Por isso, escolha sempre o caminho dos sábios, entenda que não sabemos de tudo e se limite a ensinar ou discorrer apenas sobre as áreas que você entende bem.

    E não esqueça também de estudar a Bíblia e falar partindo do que você tem vivência e conhecimento, que, no mais, é ação do Espírito Santo.

    BIBLIOGRAFIA

    WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Poéticos. Santo André: Geográfica Editora, 2020.

  • MUITO ALÉM DO FRACASSO: DESCOBRINDO A HUMANIDADE POR TRÁS DAS QUEDAS

    “Afinal, qualquer pessoa minimamente madura sabe que o fracasso humaniza, ao passo que o sucesso é um abismo moral de vaidade” (PONDÉ, 2019, p. 112).

    É só quando alguém passa por um grande período de dificuldades que entende realmente o que é fracassar, normalmente, tais situações deixam uma pessoa muito mais empática e compreensiva.

    Foi por não ter tudo na mão, por correr muito atrás dos objetivos e, consequentemente, ter fracassado muito, que hoje consigo compreender muitas pessoas. Sendo que, não é tão fácil compreender o próximo, principalmente quando a vida é feita muito mais de vitórias do que de derrotas.

    O fracasso humaniza as pessoas, ele faz o ser humano olhar para o outro de forma mais empática do que apática, já que em seu olhar, contém toda a compreensão, que a pessoa que fracassou muito, acaba obtendo. As derrotas nos mostram que na teoria tudo é bonito, mas é na prática que o saber é construído, em meio as falhas, erros e acertos.

    Em contrapartida, não tenho tanta compreensão com aqueles que se fazem de vítima, ou mesmo, com as pessoas que acreditam que tudo vem fácil e embrulhado com um papel de presente. Normalmente é mediante ao suor do rosto, as batalhas e muitas tentativas, que conseguimos dar passos tímidos rumo ao êxito.

    As derrotas nos deixam mais humanos, a dor nos equaliza e muda o nosso olhar. O sucesso faz parecer que tudo é fácil e assim, nos leva a julgarmos quem está tentando e não consegue. Sem contar que é em meio ao fracasso que conseguimos força e resiliência, que aprendermos a persistir e a não desistir.

    Não é nada bonito fracassar, sofrer e estar diante de problemas, mas é fundamental, já que as dificuldades nos moldam, ensinam e nos afiam. As vitórias nos dão aquela sensação de que nós temos capacidade de agir, contudo, às vezes nos fazem olhar o próximo com aquele espírito de altivez. Se eu consigo, a pessoa também precisa conseguir, com isso, a falta de empatia dá a sua voz.

    Somos seres únicos e muito diferentes uns dos outros, temos qualidades e dificuldades e nascemos em um ambiente que nos influencia muito. Saber pensar fora da nossa realidade é fundamental para darmos os primeiros passos rumo a empatia, sendo que o fracasso acelera este processo.

    Hoje creio que sou muito mais forte, a couraça que adquiri fracassando me ajuda, sendo que após tantos fracassos, consigo entender mais o próximo e suas dificuldades. O fracasso nos coloca no chão e nos ajuda a olhar o outro através de lentes muito menos idealizadas.

    Diante das minhas vitórias, muitas vezes me vi como invencível e capaz, mas foi em meio aos fracassos que eu me percebi como um ser humano que sou sujeito a erros e falhas, e isso influi no modo como eu trato o outro.

    É fracassando que nos tornamos mais humanos!

    BIBLIOGRAFIA

    PONDÉ, Luiz Felipe. Filosofia do cotidiano: um pequeno tratado sobre questões menores. São Paulo: Editora Contexto, 2019.