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A IMPORTANTE ARTE DE DECIDIR
Há muito tempo decidi ser professor. Influenciado e encantado com as aulas dos meus excelentes mestres, acreditei que esta profissão era a que eu queria exercer para o resto da minha vida.
Por conta disso e com o intuito de errar menos, gastei um tempo pesquisando, planejando e conversando com amigos formados na área. E o que ouvi me animou. É legal conhecer a profissão por meio de alguém que vivencia aquela realidade. A parte complicada foi que eu descobri que a minha sonhada empreitada, envolvia um grande investimento de tempo, dinheiro e perseverança. Viver é decidir, planejar e persistir em nossos planos, pois nem tudo vem fácil. Sendo que no final, a vida é o que acontece depois que decidimos.
E não adianta fugir ou procrastinar, visto que, mesmo quando você decide não fazer nada, você já tomou uma decisão. Não fazer, procrastinar e fugir das partes complicadas de um plano, é também decidir. Por isso, é melhor tomar boas decisões, do que decidir ficar estacionado.
Fui movido por um sonho, e para alcançar meus objetivos tive que atravessar inúmeros obstáculos. Dormi pouco, por ter que trabalhar e estudar, gastei um bom dinheiro com a minha formação, e em alguns momentos, precisei trocar um final de semana de lazer, para focar em meus estudos.
Creio que mais do que tomar decisões, o planejamento e a persistência, são atitudes importantes para o sucesso de uma empreitada. Não existe outro caminho, ou você decide fazer, mergulhar em algo e aceitar todos os desafios, ou fica estagnado, vivendo só de sonhos, mas sem nenhuma realização.
A vida não é só ser produtivo, eu sei bem disso. O ócio, o lazer e os momentos de descontração, são fundamentais, mas ela também não é só sonhar e muito menos, ficar estacionado, sem produzirmos ou fazermos algo que traga bons resultados em nossa vida.
É fundamental sonhar, os propósitos começam com sonhos, mas depois, eles precisam virar objetivos, metas para alcançarmos. Mesmo que com elas, você tenha alguns fracassos, não importa, ou tentamos, ou estagnamos e não realizamos nada.
Descubra a importância de se dedicar para sair do comum. O crescimento e o aprendizado que você vai conseguir quando aprender a empreender, é realmente enriquecedor, e o estudo é sempre um ótimo primeiro passo.
Por isso, decida fazer, se disponha a construir o seu caminho sem desanimar!
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A FÉ E A REVELAÇÃO DE DEUS
Sabemos o quanto a fé e a razão são importantes, crer é tão fundamental quanto pensar, sendo que uma ação não exclui a outra, porém, precisamos nos lembrar de que quando falamos de Deus, nos referimos a alguém que se revelou a nós e não de um ser encontrado através da razão.
Étienne Gilson no livro O filósofo e a teologia, discute justamente o papel da revelação de Deus e critica alguns filósofos e teólogos que tentavam colocar a razão acima de tudo, como se fosse possível encontrar Deus apenas com ela.
“A revelação cristã não é somente necessária para que se possa crer no Deus da religião cristã, como também não tem sentido imaginar que se possa conhecer a existência desse mesmo Deus de outro modo que não pela fé em sua própria revelação” (GILSON, 2021, p. 88).
Deus se revelou ao ser humano, esta é uma verdade básica que precisamos entender. Se ele não se revelasse, não o encontraríamos de modo algum. Crer que é possível encontrar Deus através apenas da razão é não perceber a dimensão e infinitude que o nosso Deus tem, e desconsiderar o tamanho da nossa ignorância.
Falar sobre Deus, um ser eterno e incriado, é discorrer sobre um ente inalcançável, visto que, além de pecadores, somos criaturas, seres que um dia tiveram um início de vida. Olhar para o Deus eterno com os nossos olhos e compreendê-lo é uma conclusão bem complexa, isso se nós tivéssemos capacidade de olhar e ainda estarmos vivos. Gosto da passagem de Êxodo, quando Moisés pede para Deus mostrar a sua glória.
“Você não poderá ver a minha face, porque ninguém poderá ver-me e continuar vivo” (Referência: Êxodo 33:18-20) (NVI).
Ninguém pode ver Deus e sobreviver, quanto mais achá-lo, por isso, somos gratos por que um dia ele se revelou.
Cresci muito ao aceitar que a razão tem um limite, perceba como, em vários assuntos, ela consegue ir apenas até um ponto. Isso nos traz humildade e aquele senso de prudência, já que entendemos como podemos estar errados. Nem sempre a inteligência é capaz de compreender algo e, sobre isso, Agostinho pontua que:
“E se a inteligência não for capaz de compreender, apegue-se à fé, até que brilhe nos corações aquele que disse pelo profeta: Se não crerdes, não entendereis (Is 7,9)” (AGOSTINHO, 2020, p. 258).
Crer é o primeiro passo para conseguirmos entender algo, mas nem sempre a mente consegue adentrar em alguns temas, ainda mais quando falamos de Deus, um ser infinito e soberano. Sendo assim, precisamos nos apegar apenas à fé na revelação de Deus.
A fé e a razão são fundamentais, mas não se aplicam ao conhecimento de Deus. Nós o conhecemos devido a uma ação sua e não nossa. Crer que um dia constataremos que existe um Deus seria uma incoerência. Se Deus não se revelasse, certamente nunca o encontraríamos. E a Bíblia é um relato espirado por este Deus que se revela.
Sem a ação de Deus, certamente, a nossa limitada mente seguiria fechada em sua própria ignorância!
BIBLIOGRAFIA
AGOSTINHO, Santo. A trindade. 1. ed. 2020. São Paulo: Paulus, 2020.
GILSON, Étienne. O filósofo e a teologia. São Paulo: Academia Cristã; Editora Paulus, 2021.
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O ANTISSEMITISMO VELADO NO BRASIL
Alguns assuntos são muito complexos, por isso, quando circulam em meio ao povo, seguem com fundamentos simplistas. Sem contar que a maioria não pesquisa e por isso, insistem em opinar de forma equivocada. Não é possível conversarmos sobre algo baseado apenas em nossos achismos, precisamos primeiro entender e nos aprofundar sobre um tema, para depois opinar de forma coerente.
Nunca pensei que um dia o antissemitismo seria visto e praticado novamente em alguma sociedade, mas estamos vendo os inúmeros posicionamentos do governo e das pessoas públicas, que revelam justamente isso. A perseguição aos judeus novamente começou e tem ficado cada dia mais escancarado.
Eu sempre quis entender como o nazismo conseguiu manipular uma nação inteira e colocá-la contra os judeus. Sempre me pareceu algo surreal, até estar nesta mesma realidade, onde as pessoas públicas e professores, que possuem muita influência, expõem seus mentirosos discursos, e a população ouve, sem conferir se a fala é verdadeira.
Hoje é possível ver pessoas defendendo o Hamas (Movimento de Resistência Islâmica), que é um grupo terrorista e que possui, como uma das suas missões centrais, eliminar todos os judeus. Diante deste fato, o que eu tento entender é se esta defesa é fruto de falta de informação ou má índole mesmo. Defender terroristas que decapitam crianças, torturam seres humanos e matam sem clemência alguma, é uma atitude por demais surreal e ignorante. Sendo que, existem muitos vídeos e materiais que provam esta barbárie, o suficiente para constatarmos o quanto o Hamas é um movimento incoerente.
Precisamos deixar claro que foi inevitável os judeus se posicionarem, após a ofensiva do Hamas. Não seria coerente eles não se defenderem. E as acusações que muitos estão fazendo contra Israel são injustas, visto que, esta nação tem se mostrado ética em meio a guerra. Edgar Morin no livro O mundo moderno e a questão judaica, já deixou claro como o povo judeu durante a história, foi acusado inúmeras vezes de muitas barbáries:
“Os judeus viram-se acusados não somente das catástrofes que açoitaram a cristandade, tais como as epidemias de peste e de cólera, mas também de sacrilégios horríveis (sacrifícios de crianças cristãs na Páscoa judaica, profanação das hóstias etc.). Foram não somente aviltados, mas também demonizados. Condenados à reclusão nos guetos, estavam, além disso, ameaçados de expulsão ou de pogroms” (MORIN, 2007, p. 17).
No final, percebemos como a tática ainda é a mesma, ou seja, acusar este povo de atitudes injustas, violência e inúmeras falsas narrativas. E eles não falam nada do Hamas, um grupo terrorista que tem espalhado dor e morte por onde passam. A história judaica é triste, mas também é de superação e mesmo assim, vemos muitas ações humanitárias praticadas por eles. Como aconteceu em 2019 (dia 28), quando eles vieram com uma equipe de 130 soldados para ajudar na operação de resgate na catástrofe que aconteceu com o rompimento da barragem de Brumadinho. Ou recentemente, quando enviaram equipamentos para ajudar as vítimas da enchente do Rio Grande do Sul.
Neste mesmo livro, Morin conclui a obra expondo sobre o perigo do perseguido virar o perseguidor, impondo e cometendo as mesmas injustiças que cometeram contra eles, uma observação que eu considero fundamental. Entretanto, sobre o embate de Israel e o Hamas, é impossível ficar do lado deste grupo terrorista. E por mais que possa existir assuntos importantes sobre Israel e a Palestina, quanto ao território. Sendo que o embate existe desde da metade do século XX, por conta do crescimento da população judia na Palestina, o posicionamento violento do Hamas, não tem qualquer justificativa e muito menos as comemorações de oito meses do ataque terrorista, que alguns partidos fizeram recentemente.
Muitas vidas inocentes foram mortas das formas mais cruéis e injustas. Ficar do lado do Hamas é apoiar um regime extremista, que não tem medo algum de matar, em nome de sua ideologia e religião. Sou a favor da vida, do diálogo e da liberdade, por isso que, ao ver este antissemitismo acontecendo em nosso país, fico preocupado com a narrativa que muitos estão usando, para manipular opiniões.
Bibliografia
MORIN, Edgar. O mundo moderno e a questão judaica. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.
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SOMBRAS DA IGNORÂNCIA
Quando estamos de frente para a luz, é inevitável percebermos uma sombra ao nosso lado. O sol da verdade revela justamente as nossas falhas e inconsistências, as sombras da nossa ignorância. O problema é que nem sempre aceitamos ou mesmo notamos os nossos equívocos.
Para o filósofo Platão, no conhecido Mito da caverna, o sol é a verdade que ilumina e revela o mundo real ao ser humano, as coisas que estão além da nossa percepção. Para quem vivia preso na caverna da ignorância, a luz que arde os olhos e incomoda a mente revela a verdade que o ser humano não estava percebendo. Platão, no livro VII da obra A república, complementa:
“Portanto, se alguém o forçasse a olhar para a própria luz, doer-lhe-iam os olhos e voltar-se-ia, para buscar refúgio junto dos objetos para os quais podia olhar […]” (2004, p. 211).
Quando alguém sai de um lugar bem escuro em direção à luz, é imprescindível que, em um primeiro momento, os olhos ardam. A luz incomoda quem fica muito tempo na escuridão. É só após olhar para a luz que as vistas começam a se acostumar.
A verdade tem esta função, além de iluminar o nosso caminho, ela incomoda, nos tira do comum e realinha os nossos passos rumo a rota certa, é a luz que revela os perigos e equívocos do caminho. O único ponto essencial é que você precisa querer. É preciso aceitar a sua ação e dar passos para fora da caverna da ignorância, caso contrário, você permanecerá no lugar, acreditando que ali é o mundo real. Sobre Deus, a Bíblia diz uma verdade fundamental, que vai de encontro a este assunto:
“Mas para vocês que reverenciam o meu nome, o sol da justiça se levantará trazendo cura em suas asas” (Malaquias 4:2).
Deus é o sol da justiça, ele é aquela luz que ofusca os nossos olhos e nos faz perceber a verdade sobre o mundo e a nossa vida. Ele nos tira da caverna da ignorância, para nos mostrar quem nós somos. Deus é também a cura, ele restaura a nossa vida e nos coloca no caminho certo.
Não há como encontramos a verdade através das nossas habilidades, por sermos falhos e pecadores, nos perdemos no meio do caminho. Esta sombra da ignorância que nos acompanha, nos atrapalha. Podemos perceber sinais, notas e possibilidades de que existe um Deus, visto que, a criação revela justamente isso (Romanos 1:20), mas o ser humano mesmo percebendo, está sempre trocando a verdade por enganos (Romanos 1:21-23). Este é o grande dilema dos seres humanos, eles se perdem por não perceberem as sombras de ignorância que os perseguem.
Avalie o contexto de Malaquias, o profeta havia sido levantado por Deus para expor os erros e pecados que o povo de Israel estava cometendo naquele tempo, chamando-os para olharem novamente para Deus. Tal período foi um tempo de decadência espiritual na região de Judá, sendo que, eles precisavam ouvir a mensagem de Deus e relembrar o caminho, até então esquecido (WIERSBE, 2020, p. 589-590).
O povo de Israel, que sempre foram salvos e cuidados por Deus, estavam há tempos distantes da luz. Mas a luz estava vindo para corrigir e castigar aqueles que estavam distantes do seu caminho.
Esta sombra da ignorância em nossa vida pode ser qualquer coisa que nos aliena, que nos impede de ver e sermos libertos pela verdade. Sendo que algumas mentiras se vestem de verdade para nos enganar.
Já teve algumas certezas sobre assuntos onde um tempo depois, você descobre que o conceito ou ponto de vista era totalmente equivocado? Esta é a sombra da ignorância, é a pseudoverdade que compramos muitas vezes, acreditando ser algo certo.
Para descobrir a verdade, você precisa buscar enxergar para além de si, você precisa também da humildade em confessar que não sabe de tudo. O núcleo da ignorância é justamente crer que você sabe, sem ao menos conferir, revisar e buscar entender se as coisas que você acredita são verdades.
É fácil se desviar da luz, a sombra da ignorância nos persegue, o pecado que habita em nós, nos faz desviarmos do caminho. Em vista disso, olhe sempre para luz, mesmo que em um primeiro momento ela te incomode, revele seus erros e fracassos. E tal revelação que nos levará a buscar cura e mudança.
Nós mudamos apenas quando somos confrontados pela luz da verdade!
Bibliografia
PLATÃO. A república. São Paulo: Editora Martin Claret, 2004.
WIERSBE, Warren W. Comentário bíblico expositivo: Proféticos. Santo André: Geográfica Editora, 2020.
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APRENDENDO A NÃO DESISTIR
Não quero simplificar a vida, muito menos compará-la a um jogo de cartas. Viver não é competir, apesar de haver muita competição em alguns ambientes ou etapas da nossa vida. Viver é seguir superando nossas metas, é caminhar e buscar melhorar dia após dia, enquanto aprendemos a superar os inúmeros desafios que surgem na estrada.
Nem sempre temos boas cartas nas mãos, muitas vezes largamos bem atrás dos outros, carecemos de ferramentas e oportunidades para conseguirmos alcançar nossos objetivos, contudo, isso não significa que temos que desistir ou seguir nos lamentando e sim, que precisamos aprender a lidar com a situação e buscar melhorar dia após dia. Haddon Robinsson pontua que:
“A maneira como nos saímos na vida não é meramente uma questão de receber as cartas certas, mas de como as jogamos” (2017, p. 37).
Tudo vai depender de como jogamos, como planejamos e lidamos com as dificuldades. Quem não está preparado para um desafio inesperado, se organiza e aprende, adapta a sua situação a realidade e segue na perseverança.
Nem todas as pessoas que tiveram sucesso em sua vida, tinham as cartas certas, elas souberam apenas jogar. E persistir é sempre o melhor ponto de partida, tendo aquela consciência de que nem tudo é fácil.
Com o tempo, perdi aquela mania de me comparar ou de reclamar e aprendi a seguir tentando, planejando e dando os passos, com as condições que eu tinha naquele momento. Sendo que com o tempo, à medida que seguia melhorando, aprendia a caminhar de uma forma mais assertiva.
Não é papo de autoajuda, ao contrário, quero apenas deixar claro que o caminho para a realização é sempre bem íngreme e trabalhoso, mas que desistir, nunca é uma boa opção. Além do fato que, ninguém começa grande, há sempre o primeiro passo, seguido de insistência e busca pelo constante aperfeiçoamento.
O esporte e a música, pode nos ajudar a contextualizar este ensinamento, visto que, para ambas as atividades, persistir e continuar é o ponto de partida. Pense que um bom músico é, na verdade, alguém que estudou e praticou muito. Para cada solo de guitarra, entenda que existe muita prática, tentativas e erros. O mesmo podemos falar dos atletas. A constância e a disciplina são elementos essenciais daqueles que chegaram na habilidade plena. Não há vitória sem constância e sem insistência.
É fácil vermos alguém habilidoso executar algo, isso porque, nós não vemos todos os seus dias de estudo. Talento nato é raro, e mesmo aqueles que possuem uma certa facilidade, precisam estudar e persistir para evoluir em sua área.
Aprenda a não desistir, crie disciplina e o hábito de diariamente estudar e praticar para crescer. Aprenda a jogar as cartas certas, descubra como a disciplina e a insistência, são ferramentas muito mais assertivas do que desejar ter tudo nas mãos.
Quem desiste não entende como as coisas que realmente são importantes, custam um pouco mais de esforço!
BIBLIOGRAFIA
ROBINSON. Haddon W. Decisões: Fazendo escolhas com sabedoria. Curitiba: Publicações Pão Diário, 2017.
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CRISTO E A LEI
Ó gálatas insensatos! Quem os enfeitiçou? Não foi diante dos seus olhos que Jesus Cristo foi exposto como crucificado? Gostaria de saber apenas uma coisa: foi pela prática da lei que vocês receberam o Espírito, ou pela fé naquilo que ouviram? (Referência: Gálatas 3:1-14) (NVI).
Alguns costumes cristãos fascinam, a própria mistura que algumas igrejas fazem da teologia cristã, com elementos judaicos, são atrativos e evidencia justamente isso, já que a cultura judaica é legal e muito rica. O problema apenas é que a junção de judaísmo e cristianismo não é correta, como estamos vendo nesta série da Epístola de Paulo aos Gálatas.
Os cristãos dos nossos dias insistem em seguir ritos e símbolos judaicos, isso é visível em muitas igrejas. E neste texto, o apóstolo Paulo discorre justamente sobre isso. Ele fala sobre a fé em Jesus e a lei, mostrando o equívoco que os cristãos cometem em seguir a lei.
O capítulo três da Epístola aos Gálatas se inicia com uma pergunta e a palavra fascinar aparece em algumas traduções, sendo que em outras o termo usado é enfeitiçar. Tais palavras, a meu ver, resumem um dos problemas destas igrejas sionistas. Elas foram fascinadas por conceitos que não são corretos, o coração destas pessoas foi seduzido por ensinos equivocados. A caminhada cristã precisa partir dos reais fundamentos bíblicos e não de costumes e ritos vazios.
Neste texto o apóstolo Paulo busca explicar a dinâmica da lei e da fé em Jesus, para demonstrar como obedecer à lei não é uma ação correta. Ele começa falando da morte de Cristo na cruz e como o seu sacrifício foi importante e ele exorta a igreja perguntando se eles não estavam enfeitiçados por estes falsos ensinos (v. 1). E ao olharmos para algumas igrejas a sensação é realmente esta, parece que alguns cristãos foram enfeitiçados pelos ritos e símbolos judaicos.
Mas o apóstolo continua explicando como o cristão recebeu o Espírito Santo não por seguir a lei e sim, por acreditar na mensagem (v. 2). Aquela igreja havia aceitado Jesus através do Espírito Santo, mas depois insistiram em seguir a sua caminhada cristã por meio da lei e de suas próprias forças (v. 3). O evangelho segue justamente na contramão deste fato, somos salvos pela graça, não temos qualquer participação na dinâmica da nossa salvação. Se não fosse a graça e o amor de Deus, estaríamos perdidos. Lamentações enfatiza justamente isso.
“Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis” (Lamentações 3:22) (NVI).
O ponto de partida é sempre de Deus e a lei dá a entender justamente o contrário. Se eu obedeço e sigo a lei, colho alguns frutos por meus próprios méritos e este é o equívoco que Paulo quer demonstrar à igreja e, para isso, ele revisita a história de Abraão, ao afirmar como ele creu em Deus e, por conta disso, foi aceito (v. 6), conforme Gênesis 15:6. Desde o começo, a graça já estava presente, visto que, por nossas forças, nós não conseguimos coisa alguma. Moisés Silva explica de um modo mais detalhado esta questão:
“A citação de Gênesis 15:6 se torna um fator-chave para Paulo, e ele vai usar esse texto de novo em Romanos 4, em que ele amplia o significado de Abraão. O ponto é simples: Se Deus creditou justiça a Abraão porque ele creu, então certamente os verdadeiros filhos de Abraão são aqueles que creem como ele creu” (cf. Rm 4.11, 12). Além disso, Paulo cita mais uma afirmação de Gênesis que focaliza no significado da vida de Abraão para os gentios: Em ti, serão abençoados todos os povos (Gn 18.18; 22.18; cf. Gn 12.3; 26.4; 28.4). É como se o evangelho da liberdade estivesse sendo pregado muito tempo antes da vinda de Cristo (SILVA, 2012, p. 1824-1825).
Constate como a palavra da verdade já estava sendo pregada há muito tempo. E a figura de Abraão é importante, justamente porque a Bíblia diz que através dele muitos povos seriam abençoados (Gn 18.18; 22.18).
Ao citar o exemplo de Abraão justamente neste assunto sobre salvação, ele assim o faz não como um exemplo aleatório. A salvação oferecida por Deus precisa passar por Abraão, não é à toa que ele é citado 73 vezes na Bíblia (POHL, 1999, p. 104). Existe uma promessa feita a Abraão lá em Gênesis, por isso que ele é citado quando o assunto é justamente este.
E o apóstolo continua pontuando que os verdadeiros descendentes de Abraão são aqueles que têm fé (v. 7), aqueles que não são judeus são aceitos justamente por meio da fé em Cristo (v. 8). E Paulo novamente enfatiza:
“Assim, os que são da fé são abençoados juntamente com Abraão, homem de fé” (Gálatas 3:9) (NVI).
Assim sendo, Paulo retifica a tradição judaica ao ensinar que Deus considerou Abraão justo, não pela lei, mas devido à sua fé (POHL, 1999, p. 107). O apóstolo corrige o equívoco que estava acontecendo dentro da igreja, interpretando de forma correta a tradição judaica.
Quem coloca a sua confiança na lei, certamente, está embaixo do juízo de Deus, visto que, a pessoa que não segue exatamente o que a lei manda, está debaixo da maldição Divina (v. 10). Lembrando que são 613 mandamentos da lei judaica, por conta disso, torna-se praticamente impossível alguém seguir exatamente todos os pontos desta lei.
Somos salvos pela fé em Cristo, visto que, ser humano algum tem a capacidade de se salvar, mesmo o mais motivado, não consegue por seus próprios méritos obter salvação. E o apóstolo Paulo novamente enfatiza:
“É evidente que diante de Deus ninguém é justificado pela lei, pois “o justo viverá pela fé”” (Gálatas 3:11) (NVI).
Somos salvos pela fé em Jesus, se não fosse a graça divina, certamente estaríamos perdidos. A salvação é fruto da ação de Deus e não nossa e é justamente isso que Paulo quer ensinar a uma igreja que insistia em seguir a lei.
A lei tem a sua utilidade, como vamos ver em outro texto, contudo, a salvação é fruto da graça de Deus. Se Jesus Cristo não tivesse morrido por nós, estaríamos perdidos, tentando, sem sucesso, seguir as orientações da lei.
“Cristo nos redimiu da maldição da lei quando se tornou maldição em nosso lugar, pois está escrito: “Maldito todo aquele que for pendurado num madeiro”. Isso para que em Cristo Jesus a bênção de Abraão chegasse também aos gentios, para que recebêssemos a promessa do Espírito mediante a fé” (Gálatas 3:13,14) (NVI).
BIBLIOGRAFIA
CARSON. DA.; FRANCE, RT.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo, Editora Vida Nova, 2012.
POHL, Adolf. Carta aos Gálatas: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Esperança, 1999.
SILVA, Moisés. In: CARSON. DA.; FRANCE, RT.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo, Editora Vida Nova, 2012.
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OS BENEFÍCIOS DO ÓCIO
Para quem escreve, compõe músicas ou arte em geral, os inúmeros estímulos da internet são perigosos. Caso a pessoa não tenha um momento de silêncio, reflexão e ócio, será levado por todos os conteúdos que não permitirão que as ideias fluam em sua mente.
Costumo separar um tempo pela manhã e alguns finais de semanas para me isolar da internet, com isso, ligo o meu modo ermitão e sigo me dedicando a leitura, escrita e reflexão, ou apenas ao ócio. Para muitos, o celular desligado é um verdadeiro martírio, para outros, sendo que eu estou entre estes, é um momento para refletir, criar e ver as coisas a sua volta.
O isolamento pode provocar um grande tédio na maioria das pessoas, principalmente quando a pessoa está em um lugar sem tecnologia, internet ou até luz elétrica. Ou mesmo quando decide desligar o celular em um final de semana, como mencionei. Sendo que algo realmente bom, como o celular, termina por ser um verdadeiro veneno, quando usado da forma como está sendo usado atualmente. É impressionante perceber como um simples aparelho, impede as pessoas de verem e desfrutarem de um local. Já fui em locais paradisíacos, realmente belos, onde eu encontrava pessoas conectadas em todo o momento, olhando o mundo através dos seus celulares.
Perceba como tudo depende do modo como o aparelho é usado, dependendo da quantidade ou da forma como uma pessoa usa, um benefício pode virar um veneno, uma máquina de escravizar e alienar.
O ócio possui grandes benefícios, o primeiro deles é realmente nos desligar de estímulos. Perceba como seus estímulos diários, impedem você de se desligar, aprisionando seu dia em inúmeras recompensas diárias, que não são benéficas. Aliás, em muitos casos, só trazem aborrecimento.
É preciso ter consciência que é só postergando estes estímulos, que conseguiremos criar algo realmente relevante, visto que as coisas duradouras, exigem tempo, dedicação e a consciência de que a recompensa não é imediata. Durante um curso de graduação ou pós-graduação, isso fica muito bem visível, visto que a recompensa nunca é momentânea. É preciso de tempo, de muito trabalho e estudo, para que por fim, consigamos ter o diploma como prêmio.
Como segundo benefício, podemos pontuar que o ócio é um dos principais elementos da criatividade, por conta do período ocioso, ideias novas fluem justamente nestes momentos de inação. Domenico de Masi, tem uma explicação profunda e poética sobre o ócio e a arte, onde ele diz que:
“Na atividade criativa, o ócio representa aquela espécie de sonolência do espírito durante o qual as intuições evaporam do inconsciente e vão se condensar em novas ideias. É o ócio que permite o necessário destaque aos problemas preocupantes e a imersão nesse limbo mental onde flutua o plâncton da nossa criatividade” (2000, p. 311-312).
Aprender a parar, a contemplar o belo e a ficar em solitude, é uma ação importante. Se você não aprender a se desligar, pode cair no limbo do ativismo e se perder nos excessos. Com isso, você aos poucos vai perdendo seus momentos criativos e cai no automatismo da vida conectada.
Quem para, segue em um momento de contemplação e através do descanso, acessa novas ideias. Quem não consegue parar, segue preocupado e preenchido pelos excessos que não agregam, que não frutificam em novos projetos, textos ou arte.
O descanso é um terceiro benefício. O ser humano hoje em dia, parece estar sempre cansado, por conta dos excessos e toda a enxurrada de conteúdo, trabalho e compromissos que ele acaba assumindo. A internet facilitou a nossa vida, quebrou as barreiras e permitiu que tivéssemos contato com todos a qualquer hora, contudo, se não estabelecermos limites, construiremos mais problemas do que benefícios. Aprender a parar, limitar a internet e cultivar um pouco de ócio é também olhar para a saúde, construindo um momento para se recompor e arejar a cabeça.
Conheço pessoas que não conseguem parar por um segundo sequer, e estes não percebem o perigo e a contradição deste tipo de atitude. Eles estão sempre ocupados, preocupados e fazendo algo.
Seja você um artista, escritor ou não, descubra o poder que é parar, desligar a tecnologia e desfrutar realmente de um lugar. Aprenda também cultivar um pouco de ócio e solitude, refrigere a sua mente e permita que este momento sirva como uma ponte para o novo ou para um real momento de descanso e descontração.
A sua vida vai mudar quando você descobrir o poder que existe nos momentos de ócio!
BIBLIOGRAFIA
MASI, Domenico. O futuro do trabalho: Fadiga e ócio na sociedade pós-industrial. 5. ed. Rio de Janeiro: Editora UNB, 2000.
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CAÇADORES DE RECOMPENSAS
Gosto de definir a vida como uma caminhada, visto que, tal exemplo, a meu ver, indica a dinâmica de como é viver. A vida é uma caminhada em uma estrada que nem sempre é fácil. Saber avançar, vencendo todos os obstáculos do caminho é a arte daqueles que entendem o que é viver.
O grande problema de viver a vida buscando apenas recompensas é se esquecer que a maioria das coisas que realmente valem a pena levam tempo, como por exemplo, cursar uma faculdade, fazer exercícios, estudar e empreender. Para termos sucesso nestas empreitadas, precisamos primeiro ter em mente que o real prazer vem a longo prazo. Leva tempo concluirmos algo ou colhermos os frutos dos nossos projetos. Susan Cain fala justamente disso quando diz que:
“A sensibilidade à recompensa a todo vapor leva as pessoas a todo tipo de problema. Ficamos tão entusiasmados com a possibilidade de prêmios convidativos, como ganhar muito dinheiro no mercado de ações, que corremos riscos desmedidos e ignoramos possíveis sinais de alerta” (2012, p. 157).
O nosso foco não deve ser as recompensas e sim o processo, já que estradas que levam aos melhores destinos são na maioria das vezes esburacadas, com isso, ter persistência para vencer todos os empecilhos é fundamental. A recompensa nunca deve ser o princípio das nossas atividades, mas o fim. Ela deve ser o resultado de todo o trabalho e insistência que alguém empreende em uma determinada área.
Outra coisa é que quem vive em busca apenas de emoções e prazeres baratos, também ignoram sinais de alerta, visto que, estão muito mais preocupados com os estímulos, para desta forma, conseguirem olhar em volta e verem seus equívocos e escolhas que não produzem frutos.
A saída é ter sempre moderação e entender que nem sempre o prazer momentâneo é válido. Opte sempre em investir seu tempo em planos a longo prazo, que assim, não será preciso ficar procurando novos estímulos. Condicione o seu cérebro a entender que as coisas que são importantes, demandam mais esforços e dedicação. Mais uma vez Susan Cain complementa nos ensinando que:
“O ponto é que tendemos a supervalorizar a euforia e rebaixar os riscos da sensibilidade à recompensa: precisamos achar um equilíbrio entre ação e reflexão” (2012, p. 170).
A recompensa, o retorno ou o estímulo não devem ser o Norte, não que estas coisas não existam, o problema é serem as principais motivações. É bom colher frutos e recompensas, mas isso precisa estar bem equilibrado com o fato que a recompensa não é tudo.
Não existe glamour algum na persistência, parafraseando Susan Cain (2012, p. 169). Precisamos entender que por mais que o brilho da vitória seja legal e prazeroso, precisamos focar as nossas forças no trabalho árduo e justamente na persistência, para depois, colher os resultados. Este é o caminho seguro para o êxito!
BIBLIOGRAFIA
CAIN, Susan. O poder dos quietos: Como os tímidos e introvertidos podem mudar um mundo que não para de falar. Rio de Janeiro: Agir, 2012.
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NADA ME FALTARÁ
Quando lemos a Bíblia, percebemos como ela é real, retratando as verdades de Deus, mas sem esconder os equívocos humanos, gosto disso na Bíblia. Sendo que, ela é inspirada por Deus, contudo, escrita com linguagem humana e por isso, precisamos entender o contexto das passagens Bíblicas, para que consigamos compreender o texto de uma forma mais completa. E é isso que Phillip Keller faz no livro Nada me faltará.
Este livro fala do Salmo 23 a partir da experiência de um pastor de ovelhas. E é fundamental entendermos que a Bíblia foi escrita, quase que em sua maioria, pelas mãos de pessoas humildes e do campo, com a orientação de Deus. Por isso, muitas lições podem se perder por não conhecermos as realidades rurais dos locais bíblicos, ainda mais hoje, que a maioria das pessoas vivem em centros urbanos (KELLER, 1984, p. 9).
O autor deste livro é um pastor, que em sua juventude, foi também um pastor de ovelhas em uma região da África bem semelhante ao Oriente Médio no qual Davi, o autor do Salmo, foi criado. Com isso, Phillip Keller expõe detalhes que apenas um pastor desta região iria compreender, mostrando ensinos importantes deste texto e enriquecendo a nossa compreensão deste conhecido Salmo (KELLER, 1984, p. 10).
O primeiro capítulo desta obra começa com uma ênfase importante: “o nosso Deus é um bom pastor”. E é fundamental entendermos que a sorte da ovelha depende sempre do pastor. Um bom pastor, cuida bem de sua ovelha, já um pastor ruim não (KELLER, 1984, p. 15). A Bíblia diz que O Senhor é o nosso pastor (Salmo 23:1), que Cristo é o bom pastor e dá a sua vida por nós, suas ovelhas (João 10:11), por isso, não precisamos nos preocupar. E ter um bom pastor é fundamental tanto para ovelhas, quanto para nós, seguidores de Cristo.
Outra ênfase que o livro dá é o fato que as ovelhas não cuidam de si mesmas, se não for pelo bom pastor, elas perecerão e o autor descreve alguns acontecimentos, mostrando o tamanho da fragilidade destes animais e a importância da presença e do cuidado do pastor na vida das ovelhas (KELLER, 1984, p. 18). E perceba como isso diz respeito também ao ser humano, sem Deus, seguiremos para o abismo. As ovelhas se sentem seguras quando o bom pastor está presente, assim como nós, por isso, não foi impensado a Bíblia ter usado a metáfora de pastor e ovelhas, se referindo a nós, seres humanos complexos e frágeis. Phillip Keller complementa explicando uma dinâmica que acontece com as ovelhas, mas também conosco, seguidores do bom pastor:
“Com o passar do tempo, descobri que nada as tranquilizava mais do que ver-me no campo. A presença de seu dono, senhor e protetor as acalmava de uma forma que nada mais acalmaria, e isto ocorria tanto de dia como de noite” (KELLER, 1984, p. 32).
Em meio as nossas dificuldades, saber que Cristo, o bom pastor, está conosco não tem preço. Apesar do cenário sombrio que podemos estar enfrentando, ao entendermos que não estamos sozinhos, passamos a ver uma luz em meio ao caos. A presença do bom pastor nos acalma e traz esperança ao nosso coração.
Outro ponto em comum das ovelhas com as pessoas é a sua sede. As ovelhas precisam beber muita água e se o pastor não proporcionar água limpa e em abundância, certamente elas beberão águas impuras e impróprias para a saúde delas. Estas ovelhas fazem de tudo para aplacar a sua sede e com os seres humanos, não é muito diferente (KELLER, 1984, p. 43-44).
Nem sempre nós sabemos o que é melhor para a nossa vida e em alguns casos, no afã de aplacarmos a nossa sede espiritual, tomamos águas impuras, que nos deixam doentes. É só o bom pastor que nos dá a água da vida, que aplaca a nossa sede com águas saudáveis. Jesus é a água da vida, se não bebermos dele, certamente seguiremos insatisfeitos, doentes e com muita sede.
O Salmo narra estas verdades a partir da ovelha ao bom pastor. O texto é uma declaração de quem segue a Deus, que aponta para os benefícios de ser cuidado por ele (KELLER, 1984, p. 50).
A obra toda é muito relevante, mas é um grande desafio destacar apenas uma ou outra parte do texto, mas estes são os pontos que falam muito ao meu coração. Certamente, se você ler, encontrará outras ênfases, mas de modo geral, os temas discorrem sobre as incoerentes atitudes das ovelhas, apontando sempre para a importância do pastor na vida delas.
Sem o pastor as ovelhas seguem perdidas e indefesas, sem ele, elas não conseguem nem ao menos se virarem sozinhas e certamente elas se prejudicarão muito sem o auxílio do bom pastor. Pense em um ser frágil e teimoso, assim são as ovelhas e também os seres humanos, a comparação não foi feita à toa.
O pastor é uma figura fundamental na vida das ovelhas, assim como Deus é em nossa vida, por isso, se entregue aos cuidados do bom pastor e não deixe que a sua teimosia impeça de segui-lo.
“Sei que a bondade e a fidelidade me acompanharão todos os dias da minha vida, e voltarei à casa do Senhor enquanto eu viver” (Salmo 23:6) (NVI).
Bibliografia
KELLER, Phillip. Nada me faltará: O Salmo 23 à luz das experiências de um pastor de ovelhas. Venda Nova: Editora Betânia, 1984.
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A SABEDORIA QUE VEM DE DEUS
“Quem é sábio e tem entendimento entre vocês? Que o demonstre por seu bom procedimento, mediante obras praticadas com a humildade que provém da sabedoria” (Referência: Tiago 3:13-18) (NVI).
Não é tão difícil identificar uma pessoa arrogante, basta notar como ele trata as pessoas, como olha para elas e conversa. Um arrogante normalmente não tem paciência de ouvir alguém e quando ouve, não demora em diminuir o que a pessoa fala. Na igreja, a identificação fica ainda mais fácil, visto que, os arrogantes normalmente se colocam acima dos outros, eles são os “ungidos de Deus”, os “inerrantes e superiores”, o que eles falam é lei. Apenas isso já é o suficiente para identificarmos os humildes dos arrogantes, uma identificação necessária caso não queira se incomodar ou perder o seu tempo com tais indivíduos.
A arrogância não caminha com a sabedoria, na verdade, é a humildade que anda lado a lado com ela, visto que, para ser sábio, ouvir, saber olhar e refletir, se faz necessário, e para tais ações, é imprescindível sermos humildes.
Sem a humildade, não confessamos nossas limitações e com isso, podemos cair em inúmeros autoenganos. Sem a humildade, deixamos de ouvir realmente alguém, por não considerarmos que a pessoa tem algo importante para falar, sendo que muitas vezes ela tem. Eu já aprendi lições com todos os tipos de pessoas. Sem a humildade, seguiremos cegos, fechados em nós mesmos, sem notar os detalhes em volta e perceber o outro, as lições da vida e muitas coisas significativas. Carson, comenta sobre esta passagem e explica que:
“Tiago começa a sua discussão mostrando a diferença entre a pessoa que tem sabedoria divina e a que não a tem. A pessoa verdadeiramente sábia é caracterizada por condigno proceder (“bom procedimento”, NVI), que significa um modo de vida que é bom de acordo com o ensino de Jesus. Essa pessoa também demonstrará a “humildade que provém da sabedoria” (13, NVI)” (2009, p. 2043).
Uma tradução um pouco mais próxima deste termo é brandura ou mansidão. Sendo que um dos grandes contratempos que existia nas igrejas que Tiago tinha algum contato era que havia muitas discussões e brigas entre os mestres, que se defendiam de forma bem brutal. A brandura é uma característica totalmente antagônica a violência (CARSON et al, 2009, p. 2043).
Ser cristão em uma sociedade que coloca o homem no centro e relativiza tudo, é um desafio, saber responder com sabedoria e a brandura que vem do alto, é fundamental. Lembre-se de como Jesus respondia aqueles que o desafiava, era sempre com humildade e uma sabedoria impressionante.
Controlar a nossa língua e principalmente o nosso humor, é uma ação importante, saber lidar com as opiniões opostas e oferecer respostas sábias faz toda a diferença para conseguirmos deixar uma porta aberta para o diálogo, e desta forma, para também pregarmos o evangelho. Eu sei que nem todos conseguirão dialogar, mas alguém vai querer, e são com estes que não podemos perder a oportunidade. Tiago conclui o capítulo pontuando que:
“Mas a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sincera. O fruto da justiça semeia-se em paz para os pacificadores” (Tiago 3:17,18) (NVI).
É esta sabedoria que precisamos buscar e é ela que fará toda a diferença em nossa vida. Não há lugar para a arrogância na vida cristã, o orgulho é contraditório, já que o nosso Deus se fez homem e morreu por nós, de forma humilde.
A sabedoria divina é antes de tudo pura, compreensível e amável, entre tantas importantes características. Tendo estes pontos como princípios, é possível fazermos uma avaliação pessoal para entendermos como estamos procedendo, principalmente quando falamos com o próximo. Ou nós buscamos ser humildes, ou não entenderemos o evangelho de forma plena.
Se você é um cristão arrogante, eu o convido a se aproximar mais da Bíblia, para que você possa contatar a sua contradição. Precisamos mudar os nossos princípios e buscamos a sabedoria que vem de Deus, ou seguiremos os complicados fundamentos do mundo e nos destruiremos entre as vãs discussões!
BIBLIOGRAFIA
CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2009.
