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  • O PREÇO DA AFRONTA

    Sou alguém relativamente calmo, mas perco a calma facilmente diante de algumas atitudes, principalmente quando elas não são justas. Não gosto de arrogância e o insulto de pessoas que acreditam estarem em níveis mais altos. Sendo assim, como conseguir manter a calma diante do insulto e da afronta? Principalmente quando a pessoa está sendo injusta ou mentirosa? A raiva é automática em meio a uma situação destas e controlar o impulso vira um desafio.

    A primeira técnica é aprender a dar uma pausa e tentar não responder no calor do momento. Perceba como esta pausa para a reflexão serve para tudo. Por exemplo, sempre que eu faço algo por impulso, sem tirar um tempo para refletir e avaliar uma situação, eu me arrependo depois. Por isso, aprenda a parar, conte até dez e responda, de preferência, com a cabeça um pouco mais calma.

    Permitir que a raiva ou o calor da emoção responda por você é aumentar ainda mais um problema. Sendo assim, busque uma forma de responder apenas depois que estes sentimentos já foram embora. E caso seja uma decisão que você precise tomar, use a mesma técnica, não decida por impulso.

    A segunda técnica é um fato, nem tudo precisa ser respondido. Algumas afrontas merecem o silêncio mesmo. Não cabe resposta alguma em atitudes que são incoerentes. Sem contar que nem todos querem ouvir você, alguns ouvem apenas para responder e não para pensar sobre o assunto ou mesmo para aprender. A escuta hoje é uma ação bem rara. Infelizmente, o ser humano tem seguido cada vez mais autocentrado, surdo para o próximo, mas querendo ser ouvido.

    A afronta custa caro, ela cobra um valor alto que é a nossa paz, a nossa alegria, além de desconstruir relações e amizades. Sendo assim, precisamos aprender a nos posicionar para não piorar ainda mais um inconveniente. É normal se sentir diminuído pelo desrespeito, mas o que vai definir realmente é o seu posicionamento, é você aceitar ou não a desconsideração.

    No entanto, o problema da afronta é que ela nos faz agir de um modo errado, de uma forma que normalmente não agimos. Terminamos por não sermos nós, diante de algumas situações. E este já é, a meu ver, um valor muito alto a pagar.

    Por isso, aprenda a parar, respirar fundo e tomar a atitude mais assertiva que você conseguir. Lembre-se que você sabe quem é, assim sendo, você não precisa aceitar a afronta e o que uma pessoa diz sobre você.

    Trocar a nossa paz, por uma resposta que certamente nos tirará a paz ou mesmo que nos fará agir de uma forma errada, é um valor muito caro a se pagar. O preço da afronta é justamente a nossa paz e quem nós realmente somos, que acaba se comprometendo com a nossa ação instintiva. E este valor não vale a pena pagar!

  • A LEI DO RETORNO: MAIS ALGUNS EQUÍVOCOS

    Quando você faz algo bom, a sua ação volta para você. E esta é a chamada “Lei do retorno”, um ensino muito repetido pelas pessoas do “bem”. Sendo assim, são muitos os que disseminam o “bem”, em busca do lucro que ele pode oferecer.

    Ignorando a própria contradição desta lei, visto que, é um fato que pessoas desonestas e más, muitas vezes estão em ótimas situações e a cada atitude má, o retorno parece ser ainda mais positivo. No final, muitas vezes os justos sofrem e os maus, prosperam. No entanto, esta lei tem outras contradições.

    Segundo esta galera do “bem”, uma pessoa boa, só faz coisas boas, já que a lei do retorno devolve a sua ação, um tempo depois, como pontuei. A contradição é que, se alguém faz o bem esperando um retorno, um pagamento, a sua ação não é boa. O bem é silencioso, ou seja, ele não faz propaganda de sua atitude, como muitos fazem nas redes sociais, e o bem também não espera nada em troca.

    Se a minha atitude é motivada por receber um retorno do universo, que é como eles dizem, a minha ação termina por não ser boa, já que ela tem origem no desejo de ter algo em troca, existe um pagamento aguardado pela minha ação.

    A lei do retorno tem ressurgido em nossos dias, porque faz parte de um espírito da época, onde as pessoas fazem as coisas aguardando um lucro ou uma retribuição. Seja por meio de likes ou elogios à sua “bondosa atitude”. O bem já é bom em si, não precisa de nenhum benefício, e falando em bem e bondade, temos o próprio Jesus Cristo como a personificação do bem.

    Mesmo sendo Deus, ele encarnou, e aqui na terra, ajudou as pessoas sem esperar nada em troca. Morreu por indivíduos que não mereciam a mínima misericórdia e nos deu a oportunidade de sermos chamados de filhos de Deus. Jesus Cristo e a graça de Deus, são ótimos resumos do que realmente é o bem, ou seja, fazer algo, sem esperar nada em troca. Paulo em Filipenses resume bem a sua ação e nos incentiva a vivermos segundo Cristo:

    Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz! (Filipenses 2:5-8) (NVI).

    O ser humano precisa descobrir a graça em seu sentido pleno para assim entender como nem tudo é retorno e a atitude de Jesus, incentiva justamente isso. Ele foi um servo, morreu por nós sem esperar nada em troca e nos amou, mesmo sem merecermos. E Cristo nos incentiva isso quando nos ensina a amarmos os nossos inimigos:

    Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos (Mateus 5:44,45) (NVI).

    Ame, faça o bem, ore pelas pessoas que te perseguem, mas não esperando qualquer retorno, mas pela grande misericórdia de Deus, que é aquele que faz raiar o sol para todos, não só para as pessoas boas.

    Perceba que perdoamos porque fomos perdoados (Mateus 18: 21-35), nós amamos porque Deus nos amou primeiro (1 João 4:19-21), não há um retorno na vida cristã, a lógica é justamente oposta. Por termos sido alvos da graça de Deus, nós somos bons. A graça de Deus, a ação deste Deus misericordioso, nos incentiva a vivermos com o mesmo princípio.

    Não existe amor mais verdadeiro do que este e a lei do retorno incentiva as pessoas a agirem, aguardando uma retribuição por suas atitudes, ela impõe uma mentalidade de troca e isso não é um bem, é comércio.

    O bem faz sem esperar retorno, o bem morre em uma cruz, por indivíduos que não mereciam ajuda alguma!

  • A VERDADEIRA ESPIRITUALIDADE

    Sou convertido há muitos anos, contudo, ainda me lembro da minha importante decisão de seguir a Cristo. A minha família era cristã, mas nasci de novo muitos anos depois da adolescência. Esquecemos que nem todos os membros de famílias cristãs, são realmente cristãos, às vezes são apenas religiosos, gostam dos amigos da igreja ou cumprem um protocolo estabelecido pelos pais. Por isso que, orar para que eles nasçam de novo é fundamental.

    A vida começa com o nascimento, mesmo a pessoa mais importante, culta ou poderosa, precisou nascer um dia e da mesma forma que alguém humilde nasceu. Na vida cristã a dinâmica é semelhante, é preciso nascer de novo, para que a espiritualidade tenha um início. E é desta forma que Francis Schaeffer inicia o seu livro Verdadeira espiritualidade.

    Gosto do estilo centrado e coeso que este autor tem, em meio ao mar de conteúdos, livros e pregadores destes nossos dias tecnológicos. Conhecer autores centrados, que meditam a partir da Bíblia é muito importante. 

    Schaeffer continua o capítulo falando da verdadeira espiritualidade, enfatizando que ela começa no interior. Lutar contra o pecado e enfrentar todas as nossas lutas, é uma atitude que começa dentro de nós. É muito mais do que seguir aquelas listas do que podemos ou não fazer, ou seguir sonhando com o céu, sem levar em conta que a vida cristã se inicia aqui. É uma busca consciente por fazer a vontade de Deus, uma ação interior que reflete em nosso exterior. A vida cristã se inicia com o novo nascimento, mas não se paralisa apenas nisto. Ela segue para uma busca de uma vida muito mais profunda do que apenas seguir um protocolo, é entender que tudo começa dentro de nós. Francis Schaeffer explica que:

    “Quando falamos da vida cristã ou da verdadeira espiritualidade, quando falamos sobre ficar livre das algemas do pecado, devemos lutar contra os problemas interiores de não cobiçar contra Deus e os homens, de amar a Deus e os homens, e não meramente de algum conjunto de coisas exteriores” (2021, p. 17).

    A espiritualidade cristã é uma prática que começa dentro de nós, para depois se fazer presente no mundo exterior. Tudo começa em nossa mente, com boas ideias, como diria Schaeffer. O evangelho é, em um primeiro momento, boas ideias, não placas de igreja. Pregar o evangelho é anunciar uma mensagem de salvação, uma mensagem que se mostra verdadeira. Sendo assim, precisamos entender bem tal ideia e termos fundamentos, para que, desta forma, não arrisquemos anunciar uma mensagem falsa. 

    Tudo começa dentro de nós e a nossa intimidade com Deus e a sua palavra, fará toda a diferença. Perceba como amar a Deus é uma ação interna, é algo que começa dentro de nós. O mesmo podemos falar quanto a amar ao próximo. Se eu não decido amar ou não entendo o amor a partir da Bíblia, a minha ação não surtirá efeito, visto que, o meu interior, o meu entendimento quanto a mensagem cristã, não está fundamentado.

    Boas ideias produzem vida e entender de forma plena o evangelho surtirá efeito no mundo exterior. Boas atitudes são frutos de bons fundamentos, de ideias alicerçadas na palavra de Deus.

    BIBLIOGRAFIA

    SCHAEFFER, Francis. Verdadeira espiritualidade. São Paulo: Cultura Cristã, 2021.

  • POESIAS NO CAMINHO: EBOOK GRATUITO

    A obra Poesias no Caminho escrita por nós, Guilherme Augusto, Luiz Henrique Silva dos Santos e Thauane dos Santos Cordeiro, é um livro que reúne algumas das poesias que escrevemos durante nossa caminhada com Cristo Jesus. Ele, o Caminho, é a fonte da nossa inspiração. É sobre Ele que escrevemos, é através da vida com Ele que aqui compartilhamos as orações, os anseios e reflexões que se fizeram presentes em nossa jornada.
    Esperamos que ao ler essas poesias, você, leitor, possa ter as experiências gentis e confortantes que as poesias podem nos trazer, de identificação, que nos levam a afirmar: “é isso o que eu sinto”. E, assim, quem sabe, você poderá recitá-las, poderá tê-las como parte da sua caminhada.

  • DA SOLIDÃO A SOLITUDE

    Ainda muito novo precisei lidar com a solidão, quando os acontecimentos da vida e também as minhas escolhas, me levaram a caminhar sozinho, sem família e parentes. Eu sempre fui uma pessoa mais reservada e introvertida, mas mudei de estilo e ambiente muito rápido. Antes eu nunca estava sozinho em casa, depois segui em completa solidão ao morar sozinho com pouca idade.

    Estar sozinho e solidão são coisas totalmente diferentes, como muito bem explica Anselm Grün no livro A sublime arte de envelhecer. A solidão é a sensação de alguém que não consegue ficar sozinho. Já estar sozinho é um tempo que usamos para nos dedicar a algo, seja a leitura, meditação ou escrita, entre tantas atividades que podemos realizar. É quando estou sozinho que reflito, produzo ou mesmo relaxo. Não consigo descansar em um lugar cheio de pessoas (GRÜN, 2021, p. 37).

    Este tempo que precisei lidar com a solidão, aprendi a usar o meu tempo, descobri como a solitude é realmente poderosa. Serve para nos dedicarmos a coisas ou até para cultivarmos momentos de ócio criativo.

    Sou uma pessoa que gosta muito do silêncio, pois é no silêncio que ouvimos, que percebemos e conseguimos enxergar os detalhes da vida. Quem está sempre ouvindo alguma coisa ou mantém a televisão ligada o dia inteiro, além de não conseguir refletir, está sempre poluindo a mente com inutilidades ou assuntos que não servem para o seu desenvolvimento. Para pensarmos e refletirmos nas coisas, precisamos de um pouco de silêncio, daquele momento de solitude e reflexão.

    Outro ponto fundamental sobre estar sozinho é que a vida nem sempre é como aquelas festas lotadas. Conforme o tempo vai passando, vamos perdendo as pessoas. Algumas falecem, seguindo a lógica da vida. Outras se mudam, seguindo seus sonhos ou prioridades. A vida é assim mesmo e mais dia ou menos dia, precisaremos lidar com o fato que estaremos sós, sendo que, quanto mais cedo aprendermos a ficar sozinhos, mais cedo conseguiremos fugir das armadilhas da solidão.

    Saber estar sozinho é entender que mesmo só, podemos aproveitar o tempo, degustando um momento que você pode tornar especial. É saber viver e lidar com as mudanças que a vida traz a todos os instantes.

    Aprenda a criar, refletir ou usar estes momentos a seu favor, cultivando vida ao invés de sofrer com os martírios da solidão. Você vai se impressionar ao descobrir como este retiro pode oferecer momentos criativos e realmente construtivos. Ou mesmo um momento de paz diante do criador, onde você pode orar e meditar em sua palavra. Sem a solitude, estas atividades ficam prejudicadas.

    BIBLIOGRAFIA

    GRÜN, Anselm. Caderno de espiritualidade: A sublime arte de envelhecer. 1. ed. Petrópolis: Vozes, 2021.

  • PALAVRAS SÁBIAS

    “As palavras dos sábios espalham conhecimento; mas o coração dos tolos não é assim” (Provérbios 15:7) (NVI).

    Existe uma grande diferença entre conhecimento e senso comum ou aquelas teorias da conspiração, que estão longe de serem opiniões embasadas. O conhecimento é fruto de fundamentos, provas e fatos. Ele se sustenta na verdade e em evidências. O senso comum já tem a sua origem em opiniões sem conhecimento e profundidade alguma. Na prática, são teorias que não partem da verdade concreta.

    Uma opinião embasada é construída com muito trabalho e dedicação. Ler, estudar ou conferir os fatos, antes de emitirmos um parecer, dá muito trabalho, não é uma atitude tão fácil de se tomar. Mas quando você aprende e incorpora em sua rotina o estudo e a leitura, tais atitudes se tornam hábitos.

    É visível a diferença da fala de alguém que busca estudar sempre, daqueles que seguem seus achismos. Quem conhece fala com propriedade e não tem medo de afirmar que não sabe, quando alguém lhe pergunta algo que não é da sua esfera de conhecimento. Um tolo, como a epígrafe diz, ou alguém que não estuda, tem sempre muitas certezas, mas pouca bibliografia, horas de estudo e leitura ou experiência. Com isso, é inevitável que tal pessoa espalhe qualquer coisa, menos o conhecimento.

    Uma das características dos sábios, segundo o livro de Provérbios, é serem pessoas que buscam bons conhecimentos, principalmente o conhecimento Bíblico. E ao falarmos sobre opinião embasada e senso comum, também nos referirmos à igreja, já que infelizmente é visível a falta de fundamentos, estudo e leitura dentro da igreja. Warren Wiersbe complementa:

    “Além disso, os sábios não desperdiçam seu tempo ouvindo tolices e mentiras. Têm cuidado com o que leem, ouvem e veem e também com o que falam em suas conversas no dia-a-dia” (2020, p. 391).

    Percebam como tudo vai depender do estilo de vida de cada um, sendo que a opinião infundada é fruto não só de falta de conhecimento, mas de uma vida que não aprendeu a buscar o saber e que ainda insiste em opinar sobre tudo. Na verdade, é uma ação que falta alguma humildade para reconhecer que não sabe e que precisa buscar entender mais e melhorar seu repertório.

    E mesmo para alguém que lê e estuda muito, é impossível tal indivíduo saber de tudo. E uma pessoa assim sabe muito bem disso. Por isso, quando ela vai opinar sobre algo que não conhece, normalmente ele deixa bem claro que é um ponto de vista raso, já que ele não conhece do assunto. Contudo, diante de situações desconhecidas, o melhor mesmo é nem opinar, principalmente quando o tema é complexo.

    O curioso é que o ignorante não só opina, mas fala como se entendesse. Tais tolos não percebem a contradição de acreditar saber, mesmo sem buscar o conhecimento. E eu não ignoro o fato que muitos aprendem lições importantes com a vida, com os fracassos e decepções, mas isso não exclui o fato que buscar ler e estudar é fundamental. É uma prática, um estilo de vida, que é preciso aprender a construir.

    Espalhar o conhecimento é um modo de ser, ensinar a palavra de Deus às pessoas, é falar das coisas que você entende e estuda, é fugir de opinar sem saber. Agora, o tolo fala de tudo, opina e ensina, sem ao menos ter certeza dos fatos. Por isso, escolha sempre o caminho dos sábios, entenda que não sabemos de tudo e se limite a ensinar ou discorrer apenas sobre as áreas que você entende bem.

    E não esqueça também de estudar a Bíblia e falar partindo do que você tem vivência e conhecimento, que, no mais, é ação do Espírito Santo.

    BIBLIOGRAFIA

    WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Poéticos. Santo André: Geográfica Editora, 2020.

  • MUITO ALÉM DO FRACASSO: DESCOBRINDO A HUMANIDADE POR TRÁS DAS QUEDAS

    “Afinal, qualquer pessoa minimamente madura sabe que o fracasso humaniza, ao passo que o sucesso é um abismo moral de vaidade” (PONDÉ, 2019, p. 112).

    É só quando alguém passa por um grande período de dificuldades que entende realmente o que é fracassar, normalmente, tais situações deixam uma pessoa muito mais empática e compreensiva.

    Foi por não ter tudo na mão, por correr muito atrás dos objetivos e, consequentemente, ter fracassado muito, que hoje consigo compreender muitas pessoas. Sendo que, não é tão fácil compreender o próximo, principalmente quando a vida é feita muito mais de vitórias do que de derrotas.

    O fracasso humaniza as pessoas, ele faz o ser humano olhar para o outro de forma mais empática do que apática, já que em seu olhar, contém toda a compreensão, que a pessoa que fracassou muito, acaba obtendo. As derrotas nos mostram que na teoria tudo é bonito, mas é na prática que o saber é construído, em meio as falhas, erros e acertos.

    Em contrapartida, não tenho tanta compreensão com aqueles que se fazem de vítima, ou mesmo, com as pessoas que acreditam que tudo vem fácil e embrulhado com um papel de presente. Normalmente é mediante ao suor do rosto, as batalhas e muitas tentativas, que conseguimos dar passos tímidos rumo ao êxito.

    As derrotas nos deixam mais humanos, a dor nos equaliza e muda o nosso olhar. O sucesso faz parecer que tudo é fácil e assim, nos leva a julgarmos quem está tentando e não consegue. Sem contar que é em meio ao fracasso que conseguimos força e resiliência, que aprendermos a persistir e a não desistir.

    Não é nada bonito fracassar, sofrer e estar diante de problemas, mas é fundamental, já que as dificuldades nos moldam, ensinam e nos afiam. As vitórias nos dão aquela sensação de que nós temos capacidade de agir, contudo, às vezes nos fazem olhar o próximo com aquele espírito de altivez. Se eu consigo, a pessoa também precisa conseguir, com isso, a falta de empatia dá a sua voz.

    Somos seres únicos e muito diferentes uns dos outros, temos qualidades e dificuldades e nascemos em um ambiente que nos influencia muito. Saber pensar fora da nossa realidade é fundamental para darmos os primeiros passos rumo a empatia, sendo que o fracasso acelera este processo.

    Hoje creio que sou muito mais forte, a couraça que adquiri fracassando me ajuda, sendo que após tantos fracassos, consigo entender mais o próximo e suas dificuldades. O fracasso nos coloca no chão e nos ajuda a olhar o outro através de lentes muito menos idealizadas.

    Diante das minhas vitórias, muitas vezes me vi como invencível e capaz, mas foi em meio aos fracassos que eu me percebi como um ser humano que sou sujeito a erros e falhas, e isso influi no modo como eu trato o outro.

    É fracassando que nos tornamos mais humanos!

    BIBLIOGRAFIA

    PONDÉ, Luiz Felipe. Filosofia do cotidiano: um pequeno tratado sobre questões menores. São Paulo: Editora Contexto, 2019.

  • A LEI DO RETORNO E SEUS EQUÍVOCOS

    Uma frase que eu cresci ouvindo e que ainda reverbera em nossos dias é: “Quem planta o bem, colhe o bem”, sendo tal máxima um resumo da chamada lei do retorno. Faça o bem, estas pessoas dizem, que ele volta para você.

    O equívoco que eu vejo neste tipo de pensamento se encontra no termo bem. O que seria fazer o bem? A resposta óbvia é, ajudar o próximo, e eu concordo com a definição. A minha dúvida é se podemos chamar de bem, uma atitude calcada no retorno. Se eu ajudo alguém ou faço o bem a uma pessoa esperando algo em troca, este bem já não seria um bem, em sua definição exata. Seria uma ação feita em troca de algo. E o retorno é o pagamento resultante de uma ação. 

    O bem, para ser realmente um bem, é despretensioso e ajuda sem esperar algo. Uma boa ação, que aguarda likes, fama e retorno, não é uma boa ação, é mero marketing pessoal, é um comércio de egos, onde um indivíduo faz algo buscando um retorno.

    Em um famoso podcast, uma celebridade que estava sendo entrevistada, explicava ao entrevistador sobre a importância de fazer o bem as pessoas, quando o entrevistador cortando o seu raciocínio pergunta: O que você ganha fazendo o bem? No que ele respondeu, nada. Uma boa ação não espera o retorno e sim, age pela ação em si. O bem faz o bem, sem esperar nada em troca. Na verdade, fazer o bem é isso.

    A nossa sociedade está sempre à procura de lucros. Poucos fazem o bem pelo bem e é este um dos nossos problemas. O ser humano precisa entender que a vida não é esperar lucros e sim, ajudar visando sempre o bem ao nosso semelhante. E como cristãos, temos que entender esta missão, tendo em mente que ajudar o próximo e ser servo, é o cerne da vida cristã, não podemos dizer que amamos, se não ajudamos o próximo, quando ele está passando necessidade (Marcos 10:43, 44; 1 Joao 3:17, 18).

    Amar é fazer, não são meras palavras e fazer esperando algo, é um grande equívoco. Quem ama faz, não vive só de palavras, visto que ele entende que amar é uma ação despretensiosa.

    É claro que os nossos atos têm consequência, nós colhemos apenas as coisas que plantamos, contudo, a lei do retorno não é bíblica, agir esperando algo em troca é ser calculista, um mero interesseiro e não um seguidor de Cristo. Cuidado com textos bíblicos descontextualizados, usados de forma equivocada.

    Perceba como muitos equívocos são vendidos como verdade na igreja, sendo que algumas destas frases, são postadas inclusive por cristãos. Fazer algo esperando um retorno é um grande erro, opte em ser realmente um cristão, em ajudar e espalhar coisas boas, mas sem esperar qualquer retorno.

    “Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus” (Lucas 6:35) (ARA).

  • A TIRANIA DA FELICIDADE E DO SUCESSO

    Perceba como a nossa sociedade direta ou indiretamente está sempre tentando vender algo. Seja um estilo de vida, que envolve posses e consumo ou um padrão de comportamento que serve como um modelo que todas as pessoas de “sucesso” precisam seguir. O curioso é que tal fôrma não serve em todos, mas é vendido como se fosse possível existir um modelo de felicidade que servisse em todas as pessoas.

    A tirania se resume em criar uma narrativa e vender fórmulas, como é visto em qualquer livro de autoajuda. Siga os sete passos que tudo vai dar certo. Adquira a fórmula mágica do sucesso que tudo vai mudar. Mas não somos iguais e a vida não pode ser vivida com receitas. Ela é muito mais um fluxo, com mudanças acontecendo o tempo todo, como diria Heráclito, e quem sabe viver em meio a tais mudanças, vive bem.

    A ânsia em ser feliz produz muito mais infelicidade, a vontade de ser igual aos modelos que os tiranos do sucesso vendem, nos deixa piores. Ou você larga o controle e segue com o que você tem, ou será cada vez mais bombardeado com as fórmulas motivacionais que muito mais atrapalham do que ajudam. Pondé, com a sua clássica ironia complementa:

    “A ordem das coisas do mundo de hoje desconhece essa condição: desistir da felicidade é uma forma de chegar mais perto dela, assim como saber-se mau é estar mais perto de Deus, e não o contrário” (2021, p. 19).

    A arte de desistir da felicidade consiste em aprender a aceitar a condição atual, para assim conseguir seguir, não partindo de padrões que a sociedade impõe e sim, do que temos no momento.

    Ser feliz é um estado de espírito e o sucesso é conseguir avançar um pouco a cada dia, com as condições e ferramentas que nós temos. Ela é fruto de esforço, fé em Deus e de um coração grato. Conseguir seguir com o que temos é um ótimo primeiro passo, para depois aos poucos, ir nos preparando e melhorando ainda mais.

    Muitos tem tudo, mas não possuem nada, visto que seguem correndo atrás do vento, sem nunca estarem satisfeitos, tais pessoas nunca tem o suficiente, acreditam estar precisando sempre de mais coisas e isso é uma grande fonte de aflição. É a velha máxima do capitalismo: “Quem tem, quer ainda mais”. Se felicidade é isso, prefiro ser infeliz, mas com paz e contentamento no coração.

    Não existe uma receita infalível, contudo, aprender a estarmos satisfeitos com o que temos é um ótimo primeiro passo. É comum não darmos valor as pequenas conquistas, as vitórias que parecem ser simples, contudo, é de passo em passo que vamos conseguindo.

    Assumir a nossa realidade e seguir de onde estamos, dando passos pequenos, mas sólidos, é o primeiro passo seguro para conseguirmos chegar em nosso destino. E seguir um modelo proposto que promete resultados rápidos é bem perigoso, já que a vida não é uma fórmula, cada pessoa precisa descobrir o seu caminho. Não precisamos seguir os gurus das receitas prontas e muito menos os padrões que o mundo vende.

    Aprenda a ser feliz hoje, valorize o pouco que tem e descubra como dar os primeiros passos para a mudança. Não existem receitar milagrosas de felicidade ou de sucesso em alguma área, é na tentativa e erro, dando passos pequenos, mas consistentes.

    A tirania da felicidade insiste em impor uma fórmula, mas não existe tal formula, ser feliz é mais uma condição mental, é saber ser grato e entender que não precisamos de tudo.

    BIBLIOGRAFIA

    PONDÉ, Luiz Felipe. (In) Felicidade para corajosos: Exercícios filosóficos. São Paulo: Planeta, 2021.

  • O PRINCÍPIO DA VIDA CRISTÃ

    Não é raro hoje ouvirmos discursos motivacionais disfarçados de pregações, onde pastores falam de tudo, menos da palavra de Deus. Sem contar que a Bíblia em vários momentos até é usada, mas de forma distorcida. Ao invés de exaltarem a Deus, colocando-o no centro de tudo, exaltam o ser humano e insistem em colocá-lo como protagonista, o superior, o ser que precisa ser servido. Um protagonismo que não existe, ele é falso desde a raiz, segundo à Bíblia. Nós somos coadjuvantes, este é o real princípio do evangelho.

    Quando eu vou à igreja, o que eu espero ouvir durante a pregação é uma exposição da palavra. A intenção é ouvir o que Deus tem para falar conosco através da Bíblia. Esta é a genuína pregação, o resto é emoção de pastores que são muito mais coaches do que pregadores, que insistem em colocar o ser humano no centro de tudo e tirar o foco de Deus.

    Desde João Batista, que teve a missão de abrir o caminho para o Messias, até os apóstolos e Paulo, um dos maiores pensadores cristãos, a ênfase da Bíblia sempre foi unânime. Somos coadjuvantes, quem deve aparecer é Deus e não nós. E sobre servir, Paulo nos dá um aviso importante:

    Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens (Filipenses 2:5-7) (NVI).

     Jesus era Deus antes de se colocar como criatura, mas o texto nos informa como ele colocou toda a sua glória de lado para vir ao mundo como um simples ser humano. Sendo assim, Cristo se esvaziou, mas não da sua divindade, já que ele era 100% Deus e ser humano e sim, de toda a sua glória, abrindo mão do que era legitimamente seu para servir e ser obediente a sua missão. E é esta mentalidade que precisamos ter (CARSON et al, 2009, p. 1883).

    Perceba que temos um padrão de vida, que é Cristo, e ele mesmo sendo Deus serviu, sendo assim, ter a mentalidade de servos é fundamental para todos os cristãos. A obra não é nossa e servir deve ser o nosso principal ponto de partida.

    Um coadjuvante é um personagem secundário, em um filme, ele não tem o papel principal. Sendo que o coadjuvante tem a função de colaborar com uma missão em comum. Perceba como este exemplo, já descreve a dinâmica da vida cristã, visto que, Deus nos deu uma missão, só que o centro de tudo é Ele.

    Esta mentalidade nos coloca no eixo e dentro do propósito de Deus. Ao entendermos nosso papel, certamente, tomaremos cuidado com algumas situações que insistem em mudar o nosso entendimento. Cargos e reconhecimento, não são coisas ruins, mas podem nos influenciar e mudar a nossa mentalidade, por isso, precisamos estar atentos.

    Se afaste do discurso “cristão” que insiste em colocar você como protagonista. Lembre-se que seguimos a Jesus Cristo e ele mesmo foi obediente. Nós somos apenas coadjuvantes, tudo o que fazermos ou qualquer reconhecimento que possamos ter, deve ser devolvido a Deus, já que é ele que precisa estar no centro de tudo.

    BIBLIOGRAFIA

    CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2009.