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  • A FORÇA DA UNIÃO

    “Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste”. (Referência: João 17:20-26).

    Toquei em bandas por muitos anos, sendo que a maior lição que pude tirar deste tempo foi o entrosamento. Em uma banda, estar entrosado define o sucesso ou fracasso de um show. O entrosamento é a arte de entender o contexto e estar bem-adaptado a uma realidade. E isso vai depender do quanto somos dedicados e empenhados em compreender e conhecer bem o próximo e a sua realidade.

    A união na vida cristã é um ponto fundamental, estar unido ou entrosado, segundo a linguagem musical, é uma atitude muito importante. Ser cristão é justamente estar ajudando e caminhando sempre com as outras pessoas. 

    Sobre o contexto do versículo, percebam que Cristo está fazendo uma oração, ele começa orando pelos discípulos e depois passa a interceder por aqueles que creriam em sua mensagem através deles (v. 20). Veja que profundo, Jesus está orando por todas as pessoas que iriam crer nele. Ele está orando por nós, e nesta oração, temos alguns ensinamentos fundamentais, quero destacar apenas três.

     1) O padrão de Unidade

    O primeiro ponto que eu quero destacar do texto é justamente o padrão de unidade. Perceba que existe um padrão a partir do próprio relacionamento entre Cristo e Deus. A base de tudo é permanecer no Pai e no Filho, e sermos desta forma unidos Nele como igreja (v. 21) (CARSON et al, 2012, p. 1593).

    E viver o evangelho é ter isso em mente, não vivemos para nós, muito menos, temos como ponto de partida nossos pontos de vistas e conceitos pessoais e sim Deus. Se não amarmos como ele nos ama, se não nos unirmos como Cristo é unido com o Pai, certamente seguiremos nos desconstruindo por meio dos nossos falhos conceitos.

    2) O ciclo da fé

    O segundo ponto que eu quero destacar desta passagem bíblica é o ciclo da fé. O texto fala da fé, que leva os irmãos a serem unidos, mas que também conduz outros à fé (v. 21). É um ciclo que começa com a união e termina, gerando frutos. Donald Guthrie complementa:

    “O ciclo que se estabelece aqui é a fé conduzindo a unidade que, por sua vez, conduz outros a fé” (2012, p. 1594).

    Quanto mais nos unimos, nos fortalecemos e nos ajudamos, mais alcançamos outras pessoas. É um ciclo lógico, que começa tendo a Trindade como princípio e um resultado como consequência, sendo ele a união e o alcance de outras pessoas. E juntos somos mais fortes!

    3) A Glória de Cristo

    Por fim, chegamos a um ponto essencial do texto, que é a glória de Cristo (v. 24). Quanto mais Jesus é o centro, mais estamos unidos. E o oposto não é diferente, quanto mais outras coisas são prioridades, mais nos desunimos. O ponto aqui é justamente a prioridade certa, e no momento em que temos Cristo como centro de tudo, o resto flui, mas quando ele não é o centro, a igreja, os relacionamentos e a comunhão vão ruindo. Sobre o papel da comunhão, John Stott complementa:

    “Portanto, para que eu seja eu mesmo, tenho que negar-me a mim mesmo e dar de mim em amor a Deus e aos outros. A fim de ser livre, tenho de servir. A fim de viver, tenho de morrer para a minha própria autocentralidade” (2004, p. 100-101).

    Ser igreja é ser um corpo (1 Coríntios 12:27), a união é a base da vida cristã. Sendo assim, ou estamos unidos, ou viveremos longe dos propósitos do evangelho. A união é um princípio fundamental do cristianismo. E a verdadeira liberdade é viver segundo a vontade de Deus, servindo, amando a Deus e ao próximo, colocando de lado todo o nosso egoísmo.

     Nem sempre entendemos o outro por estarmos em outras realidades, mas sempre podemos estar juntos. Ter com quem contar não tem preço e este apoio é um dos pilares da vida cristã.

    BIBLIOGRAFIA

    CARSON. D. A.; FRANCE, R.T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova, São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

    GUTHRIE, Donald. In: CARSON. D. A.; FRANCE, R.T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova, São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

    STOTT, John. Por que sou cristão. Viçosa: Ultimato, 2004.

  • O ARQUIPÉLAGO GULAG III: OS CAMPOS DE TRABALHO E EXTERMÍNIO

    Eu terminei de ler o Arquipélago Gulag, mas não consegui tirar o livro da minha mente e da minha vida. A história e os fatos narrados caminham agora comigo, como uma lembrança de como o ser humano, sem Deus, pode ser muito cruel. É impossível não me relembrar que, longe de Deus, o ser humano é capaz de tudo.

    Quanto à história dos Gulags, não é incomum encontrarmos pessoas tentando mudar os fatos, para assim, limpar a imagem do comunismo. Durante a minha leitura, encontrei vídeos e materiais que distorciam e deturpavam todas as narrativas, por isso, tome cuidado. Muitos são os autores especializados no assunto que comprovam como a barbárie nestes campos infelizmente aconteceu. Não deveria existir ideologia política envolvida nestas histórias, o horror do totalitarismo deveria ser discutido por todas as vertentes políticas, para não cairmos mais nos mesmos erros. E este é um dos propósitos destes textos, mas a militância tenta invalidar o fato.

    A terceira parte do livro aborda de forma detalhada justamente a realidade nos Campos de trabalho e extermínio. Sendo que um dos fatos, como o autor enfatiza, é que os campos foram criados para exterminar pessoas e não para oferecer trabalho apenas. Soljenítsyn complementa:

    “O que terá lugar nesta parte é inabarcável. Para que se compreenda e alcance esse sentido selvagem, é preciso que muitas vidas tenham sido arrastadas para os campos – aqueles campos nos quais é impossível, sem algum privilégio, sobreviver a uma só sentença, pois esses campos foram inventados para o extermínio” (SOLJENÍTSYN 2019, p. 247).

    E este é um dos pontos que liga o regime comunista da União Soviética, com a barbárie nazista. Não era só com o intuito de ter mão de obra escrava, que os campos foram criados, mas também para exterminar pessoas. Lembrando o que eu já pontuei nos outros textos, a menor discordância, ou o mais inocente comentário era visto como um erro e a pessoa era presa como inimiga.

    Em alguns campos, conforme Soljenítsyn deixa claro, o trabalho era ainda mais duro, devido a projetos com prazos de conclusão absurdos impostos pelo governo, como a construção de um canal, que ceifou a vida de muitas pessoas que trabalharam sem parar, dormiam na neve e morriam congeladas.

    No final, a tortura dos Gulags começava com a falta de alimentos e de condições mínimas para alguém viver, e seguia com torturas das mais cruéis e o trabalho escravo, que, em alguns campos, beiravam a exaustão. Pessoas morriam de tanto trabalhar. A câmara de gás Russa, fazendo uma comparação com o nazismo, era obrigar as pessoas a trabalharem até a morte!

    E ao contrário do que alguns órgãos de comunicação afirmaram na época, os campos de concentração (Gulags) surgiram em 1917 a 1918, com os primeiros passos da revolução bolchevique. O livro aponta obras e documentos para validar sua argumentação, como, por exemplo, as Obras completas de Lênin, onde ele comenta que já no começo da revolução de outubro, ele já tinha uma lista de punições para opositores do governo ou os desobedientes, como o embargo de bens, detenção, e envio para o trabalho obrigatório. Já havia uma ideia para a criação destes campos, contudo, a lei foi promulgada apenas em 1918. Soljenítsyn sustenta a sua afirmação não apenas nesta obra, mas também nas legislações e documentações do Governo. Está tudo registrado, existe inclusive um telegrama de Lênin que confirma o fato. Entretanto, como o propósito deste texto é comentar a obra Arquipélago Gulag, não me estenderei comentando tais textos, mas fica a sugestão para consulta (SOLJENÍTSYN, 2019, p. 248-249).

    É incrível perceber como um governo totalitário consegue pegar uma atividade tão nobre e importante, que é trabalhar, e transformar em algo obscuro. Eu queria estar exagerando neste texto, mas ao ler o livro e empreender algumas pesquisas, durante a leitura, constatei o quanto os Gulags foram cruéis. A realidade destes campos foi assombrosa, mas precisamos conhecer, para não sermos manipulados por narrativas falsas.

    Na quinta parte do livro, o que me chama atenção é quando Soljenítsyn fala das novas guardas que eram compostas por soldados que nasceram após a guerra e não tinham tantas informações sobre a história e os presos destes campos. Neste tempo, os Gulags eram movidos pela ignorância. Não havia muitas informações, sendo que, o instrutor político estava sempre pronto para manipular a informação e instruir os soldados novos com ideias mentirosas sobre os presos. Sendo assim, estes soldados se mostravam muito cruéis, já que para eles os presos eram as piores espécies de seres humanos. É evidente que haviam exceções, alguns eram misericordiosos e descobriam a verdadeira história, mas a maioria não era e por isso, o medo e o caos reinavam ainda mais nos Gulags (SOLJENÍTSYN 2019, p. 540-541). Soljenítsyn acrescenta:

    “Esses moleques ficam o tempo todo olhando para nós, tanto do cordão como das torres; não têm autorização para saber nada de nós, mas têm o direito de atirar sem avisar. Ah, se eles pudessem ir até os nossos barracões à noite, se pudessem se sentar em nossos tabuados e ouvir: o motivo pelo qual esse velho está preso, o motivo pelo qual esse pai está preso. Aquelas torres ficariam vazias, e as submetralhadoras não disparariam” (SOLJENÍTSYN 2019, p. 541).

    Estes instrutores políticos, me leva a olhar para a nossa política e constatar como existe uma manipulação acontecendo em nossa história. Uma narrativa foi construída e uma verdade manipulada em nome dos ideais políticos. E muitos acreditam em tais narrativas de modo obcecado e alienado.

    O princípio do totalitarismo é a imposição, é forçar um país a seguir suas regras sem qualquer princípio democrático, sendo que o que aconteceu na União Soviética foi justamente isso, como pontuei nos outros textos. E sobre os instrutores políticos que Soljenítsyn menciona na obra, é impossível deixarmos de fazer uma comparação com toda a manipulação que é feita em nossos dias na mídia e escolas, para manipular as pessoas. Hoje existem estes instrutores que tentam contar uma mentira e culpar o regime político oposto. Todos são culpados, menos eles.

    Não pretendo escrever o conteúdo todo do livro, este é apenas um panorama e os fatos que me chamam a atenção neste texto. Vale a pena ler esta e outras obras sobre o assunto, sendo que, durante a leitura, é impossível não perceber algumas semelhanças quanto a imposição e manipulação da informação.

    Para concluir este texto, cito na íntegra uma prece que encerra o sexto capítulo do livro. Após descrever o seu atribulado e atarefado dia, onde o autor trabalhou na chuva o dia inteiro, sem comer coisa alguma, Soljenítsyn faz uma oração, relembrando os tempos na guerra:

    “Senhor, Senhor! Debaixo de projéteis e de bombas, eu Te pedi que protegesses a minha vida. Mas agora eu Te peço – envia-me a morte…” (2019, p. 304).

    Esta oração, a meu ver, define o tamanho do desespero que é estar nestas condições!

    BIBLIOGRAFIA

    SOLJENÍTSYN, Aleksandr. Arquipélago Gulag: Um experimento de investigação artística 1918 – 1956. São Paulo: Carambaia, 2019.

  • O PODER DA SABEDORIA

    Eu já tive o prazer de conhecer inúmeras pessoas inteligentes. Profissionais, músicos ou artistas, que eram realmente habilidosos no que faziam, mas que nem sempre haviam progredido, apesar dos seus talentos, pois faltava sabedoria. De alguma forma, por conta da falta de sabedoria, estas pessoas estavam sempre em situações difíceis ou sem perspectivas.

    Uma coisa que o tempo me ensinou foi que, não adianta termos diplomas, conhecimento ou habilidades acumuladas, se não temos sabedoria. Conheci os melhores, que haviam estudado nas instituições mais consideradas, mas que viviam tomando decisões erradas.

    A sabedoria é tudo na vida e ela pode ser definida como “a arte de saber usar o conhecimento que temos, para tomarmos as decisões mais acertadas”. Ou usar todo o nosso preparo e repertório da melhor forma possível. Alguns pensadores até atribuem à inteligência emocional, como peça-chave da sabedoria, pois sem ela, o ser humano pode se perder em decisões impensadas e impulsivas. Sobre o termo sabedoria, Allan Percy complementa:

    “A sabedoria pode ser definida como a capacidade de aplicar o conjunto de conhecimentos e experiências vividas, com sensatez e reflexão, sempre em direção a uma evolução ou resolução positiva dos desafios ou problemas” (PERCY, 2016, p. 54).

     A sabedoria é a arte de saber agir com o conhecimento e as habilidades que temos. Sábio é aquele que sabe tomar boas decisões ou mesmo, lidar com momentos de fracassos e dificuldades. No final, seja o resultado (ou não) que alguém tenha tido em sua vida, o sábio é aquele que saberá tirar um bom proveito da situação.

    Não adianta trabalharmos apenas o conhecimento se não buscamos também a sabedoria. É importante, além de estudar, ler e buscar o saber, pedirmos a Deus sabedoria, para que assim, possamos tomar as melhores decisões e fazer a obra dele da melhor forma possível. Apenas ter um vasto repertório não é de proveito algum, se não tivermos sabedoria suficiente para usá-lo e produzir frutos conforme a vontade de Deus.

    Saber aplicar nosso conhecimento com reflexão e sensatez é o ponto-chave para conseguirmos progredir e construir caminhos coerentes. Sendo que pedir sabedoria a Deus é o caminho do cristão que faz a vontade de Deus deve tomar. 

    BIBLIOGRAFIA

    PERCY, Allan, Platão para sonhadores: 80 pílulas de filosofia cotidiana para transformar suas melhores ideias em realidade, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2016.

  • O SENSO DO MISTÉRIO

    Quem pensa que compreendeu tudo, prova, por isso mesmo, que nada compreendeu” (SERTILLANGES, 2019, p. 127).

    Quando eu mergulhei no estudo do calvinismo e do arminianismo, que são duas correntes teológicas bem opostas uma à outra, para um livro no qual estava escrevendo, tive que estudar a obra de muitos autores. Estes livros me levaram a outros livros e a inúmeras variantes e formas de interpretar a Bíblia. Estes autores me impulsionaram a conhecer ainda mais obras clássicas, como os livros de Agostinho e os Pais da Igreja. E quando eu paro, vejo o caminho que percorri e o quanto preciso ainda percorrer, percebo que a epígrafe do começo do texto é verdadeira. Quem realmente compreendeu algo, percebe o quanto há para conhecer e quem acredita saber de tudo, na verdade, não sabe de nada.

    Meus estudos me levaram a ter alguma compreensão, mas a minha maior certeza é sobre a própria infinitude do conhecimento e como ele é intrínseco, complexo e misterioso. Para quem não conhece muito, um livro já basta, já satisfaz o seu apetite. Contudo, para quem estuda e busca o conhecimento, não. Um livro ou um tema de estudo é apenas uma ponte para uma gigantesca montanha. Ainda mais quando estudamos a Bíblia e o mistério do nosso soberano e inesgotável Deus.

    Os meus hábitos de estudo me mostraram o tamanho da minha ignorância. Sendo que é o próprio senso de mistério que nos move e provoca em nossa mente a sede pelo saber. E por mais que tenhamos encontrado a verdade e respostas para uma determinada área, sabemos que existem variantes e elas nunca responderão por completo diversos assuntos, que o limitado ser humano, não consegue esgotar.

    A ignorância nos deixa ancorados no terreno da certeza, vendo apenas onde os olhos alcançam. O estudo, leva um indivíduo e ver mais e a ter a convicção de como a maioria dos temas e assuntos, são normalmente muito mais complexos do que imaginamos.

    Perceba como o conhecimento amplia a visão e nos traz aquele senso de mistério, por conta da dimensão do conhecimento. Já a falta de conhecimento nos traz certezas, tudo e, porque não somos capazes de perceber o tamanho do saber. Eu creio que sempre posso aprender, sempre há uma coisa nova para descobrir, esta é a mentalidade daqueles que aprendem. Já quem não tem tanto repertório se fecha, acreditando já saber de tudo.

    Não perca o senso de mistério por conta das falsas certezas, estude, leia e nunca se esqueça que quanto mais estudamos, mais percebemos que não conhecemos, sendo que é isso que nos move e nos faz a sempre estarmos em busca do saber.

    BIBLIOGRAFIA

    SERTILLANGES, A. D, A vida intelectual, Editora Kírion, Campinas, 2019.

  • CRISTÃOS NARCISISTAS

    Gosto de reler alguns livros, existem autores que eu releio quase todos os anos. O bom livro é aquele que você lê mais de uma vez e ainda é tocado por ele. E uma das leituras recentes foi um livro do Ricardo Barbosa chamado Identidade perdida.

    É incrível perceber como já no primeiro capítulo o autor consegue definir de forma muito assertiva a realidade da nossa sociedade tecnológica, isso que o livro não é tão novo. Como eu havia lido este livro há muito tempo, eu não lembrava e me impressionei ao perceber a coerente leitura que o autor faz do nosso cenário político atual e como ele fala de temas como política, corrupção, do vazio do ser humano e de todo o nosso contexto político e religioso, com uma atualidade muito grande.

    A verdade é que o ser humano segue vazio, tentando preencher esse espaço que só Deus pode preencher. O homem insiste em buscar a razão para sua existência em inúmeras coisas, sem perceber que é só Deus que consegue dar sentido a nossa existência.

    Neste primeiro capítulo o autor foca no egoísmo humano no geral, mostrando como esse egoísmo é bem escancarado. Me toca o exemplo que ele dá quando diz que, algumas décadas passadas, quando uma mulher entrava em um ônibus, os homens levantavam para dar lugar, não precisava a mulher estar grávida ou ser uma idosa. Existia uma educação e uma nobreza que está em falta em nossos dias.

    O ser humano insiste em querer apenas ser servido, ele olha apenas para si e esquece dos outros, da vida e de estender a mão ao próximo, enfim, o egocentrismo é sempre o seu ponto de partida. O ser humano está a cada dia perdendo a sua humanidade ao focar penas em si. Ter a consciência de que não existimos sem o outro é fundamental, para assim, conseguirmos mudar a nossa atitude.

    No segundo capítulo ele faz essa mesma crítica, mas dessa vez dirigindo-se a igreja, ele argumenta que ela está cada vez mais narcisista, interessada apenas em ter seus desejos, sonhos e planos respondidos.

    O cristianismo possui uma natureza bem pessoal, seguimos a Cristo, sendo que, ao segui-lo, temos um padrão que vem dele. E como consequência de sermos seguidores de Jesus, servimos também ao próximo.

    A vida cristã egoísta, segundo a Bíblia, é contraditória. Ser um seguidor de Cristo é não estar fechado em nossos desejos pessoais ou apenas buscar satisfazer as nossas vontades. Ricardo Barbosa enfatiza justamente isso quando diz que:

    “O mandamento de Cristo envolve “amar a Deus e ao próximo”, e isso requer um relacionamento pessoal […]” (2014, p. 42).

    Seguir a Cristo nos faz discípulos, mas também nos leva a servirmos. Um discípulo de Jesus é alguém que também faz discípulos. Assim sendo, não há lugar para uma vida narcisista e autocentrada no cristianismo. Novamente Ricardo Barbosa define de forma assertiva o narcisismo impregnado no comportamento humano quando diz que:

    “O narcisismo é uma disfunção de caráter que tem dominado o cenário cultural, arrastando consigo os cristãos. O comportamento narcisista é definido como um sentimento de autoestima elevado, auto-absorvido, com fantasias de sucesso ilimitado, poder, inteligência, beleza ou amor ideal, alimentado pela crença de ser “especial”, que leva a explorar relacionamentos em busca de admiração […]. Para um narcisista, a realidade é concebida apenas dentro de seu universo fechado e egoísta” (2014, p. 27).

    É muito perigoso termos uma opinião por demais elevada sobre nós, ao mesmo tempo que a baixa autoestima também é nociva. O equilibro é fundamental para conseguirmos ser cristãos centrados. O narcisismo nos leva a termos um comportamento autocentrado, que nos faz esquecermos do próximo. Não podemos esquecer que o mundo não gira em torno do nosso umbigo.

    Quem me conhece e acompanha o meu site sabe que eu tenho a mesma opinião tanto da igreja quanto da sociedade. É visível o fato que a igreja está cada vez mais parecida com o mundo. Em vez de influenciar a sociedade com o evangelho, ela está se deixando moldar por ensinos equivocados.

    É triste vermos o ser humano cada vez mais centrado em si, se esquecendo do próximo e é triste ver a igreja reproduzindo este mesmo comportamento. Ser Cristão é estar em comunhão, caminhando juntos. A igreja, como ele diz no livro, é uma pessoa, a igreja é Cristo e nós somos o corpo, por isso que a união é imprescindível.

    O cristianismo é uma prática comunitária onde o egoísmo e o narcisismo não têm espaço!

    BIBLIOGRAFIA

    BARBOSA, Ricardo. Identidade perdida. Curitiba: Editora Encontro, 2014.

  • CRIATIVIDADE ANULADA

    Me preparei para uma reunião muito importante sobre um evento que deveria acontecer e precisava dar certo. É sempre complicado ser responsável por um projeto-piloto, mas eu tinha muitas ideias e algumas delas iriam nos salvar.

    Não é tão fácil explicar a criatividade, a questão é que eu sempre fui criativo e tive ótimos insights. Saber solucionar um problema ou mesmo criar algo do zero são algumas das tarefas que uma mente criativa consegue empreender. O único problema é quando o seu líder não gosta muito de boas ideias.

    Me preparei para a reunião e como sempre, precisei lidar com uma mente engessada, que não conseguia sair do lugar e visualizar o todo. Boas ideias, para surtir efeito, devem encontrar mentes que sabem escutar, que entendem que o nosso saber às vezes nos engana e por isso, não se abrem para o novo.

    É comum alguém não ver o todo e com isso, não encontrar a solução para um problema ou mesmo agir da mesma forma, reproduzindo assim velhos erros e trabalhos rasos e sem conteúdo. Para conseguirmos mudar, aprender e crescer, não podemos ter medo do novo e precisamos, com isso, experimentar sempre estradas novas.

    Uma mentalidade fixa refreia a criatividade e não aceita qualquer ideia. Um líder que não escuta, usa o seu orgulho e prepotência para calar a inspiração e pintar todo o ambiente de cinza.

    Não é possível seguir fazendo as mesmas coisas, parafraseando uma antiga máxima, e acreditar que desta forma alguém vai obter resultados diferentes. Olhar além de nós, ouvindo e refletindo sobre novas ideias é o caminho para o crescimento.

    Algumas situações nos colocam em caminhos sem saída, principalmente quando o trabalho não depende de nós. Com isso, nos resta colher as consequências de conviver com pessoas que não conseguem observar além de seus pontos de vista.

    Quando a liderança não consegue olhar além e é rápida em calar quem tenta sair do senso comum, o ambiente se escurece e a criatividade ganha tons de loucura.

    Uma boa liderança sabe da importância de escuta e do respeito, ele entende que pode não estar enxergando a solução que o seu liderado enxerga e é por isso que ele procura sempre dar voz as pessoas. Ter humildade para ouvir e a capacidade de admitir seus equívocos e limitações é o ponto de partida para incentivar as pessoas a trabalhar cada vez mais com excelência. 

    No final, guardei as minhas boas soluções e segui as orientações que me fariam executar o trabalho de forma muito mais demorada e sofrida, enquanto o líder do projeto aguardaria o momento para me responsabilizar, caso empreendimento não acontecesse como deveria.

    Este é o ciclo de alguém que tem um líder com uma mentalidade engessada!

  • O ARQUIPÉLAGO GULAG II: INQUÉRITOS COM TORTURAS

    A criatividade é algo fenomenal. É com ela que ideias surgem, obras importantes ganham vida e belas músicas inundam a nossa realidade. Entretanto, ao ler o Arquipélago Gulag, constatei o lado obscuro da criatividade, quando o autor do livro narra as torturas que eram praticadas nos inquéritos na União Soviética.

    Como mencionei no primeiro texto, no período do comunismo Russo, as pessoas eram presas sem saber o motivo. E em alguns casos, a censura prendia as pessoas por motivos banais. Sendo que a maioria dos presos passavam por inquéritos, e as torturas praticadas pelos responsáveis dos inquéritos faziam as pessoas confessarem crimes que não haviam praticado, tamanha a brutalidade dos atos. A lista de formas de tortura era grande, revelando uma obscura criatividade que aquelas pessoas tinham para torturar seres humanos.

    Soljenítsyn (2019) explica que os métodos mais simples, que não deixavam vestígios de tortura, iam de ameaças, xingamentos grosseiros, humilhação, intimidação, entre tantas outras táticas. Em torturas mais complexas, os guardas deixavam o preso o dia inteiro em um lugar com uma luz muito forte, ou apertados em um compartimento minúsculo sem espaço algum para o indivíduo se mexer. Às vezes eles deixavam a pessoa em pé por dias sem beber nada ou mesmo com privação de sono e comida. As surras e alguns métodos mais insanos de tortura, também eram praticadas, em uma lista realmente grande e impressionante. Na abertura deste capítulo, Soljenítsyn já faz um resumo próprio, que já demonstra um pouco dos malignos métodos de tortura, fazendo uma conexão com as obras de Tchékhov:

    “Se contassem aos intelectuais tchekhovianos, que sempre conjecturavam a respeito do que aconteceria dali a vinte, trinta, quarenta anos, que dali a quarenta anos, na velha Rússia, haveria inquéritos com tortura — que comprimiriam crânios com aros de ferro, que mergulhariam as pessoas em banheiras com ácido, que as torturariam, nuas e amarradas, com formigas, com percevejos, que pegariam varetas incandescentes, tiradas do fogareiro, e cravariam no orifício anal (a “marcação secreta”), e que, na variante mais branda, torturariam por uma semana com a privação de sono, com a sede, e que surrariam até deixar em carne viva —, nenhuma peça tchekhoviana teria chegado ao fim, todos os heróis teriam ido para o manicômio (SOLJENÍTSYN, 2019, p. 82).

    Os inquéritos não tinham o objetivo de descobrir a verdade e sim, obrigar as pessoas a confessarem erros, para desta forma, justificar a sua prisão, sendo que alguns órgãos públicos podiam punir, sem que o réu precisasse passar por julgamento. Sendo assim, milhões de pessoas pagaram por crimes que não cometeram, sendo que a maioria morreu nestes campos de trabalho.

    Sobre os julgamentos, em uma série de capítulos onde o autor fala das leis e de como foram julgados alguns casos, uma infeliz verdade ficou evidente, a intenção e a ação para eles eram a mesma coisa e o réu era condenado de igual forma. Este era um dos princípios das leis naquele tempo. Soljenítsyn complementa:

    “Se a pessoa, na cama, sussurrou para a esposa que seria bom derrubar o governo soviético, ou se fez campanha durante as eleições, ou se jogou uma bomba — é tudo igual! A punição era a mesma!!!”  (SOLJENÍTSYN, 2019, p. 171).

    Como viver em um lugar onde a lei é relativa e aplicada de um modo totalmente autoritário? No final, tais processos serviam apenas de desculpas, não havia justiça, apenas imposição.

    O autor faz uma observação importante sobre tudo o que aconteceu na Rússia e na Alemanha. Em 1966, na Alemanha Ocidental, muitos criminosos nazistas foram condenados. Sendo que os jornais e meios de comunicação da época não pouparam críticas ao terror realizado por eles. A pergunta que ele levanta é: por que a Rússia também não puniu os seus malfeitores, por conta do tamanho das atrocidades praticadas? (SOLJENÍTSYN, 2019, p. 109-110).

    A maldade humana não tem medida, principalmente quando as pessoas cruzam a linha da coerência e da sanidade. Mais uma vez, diante de tais narrativas, não consigo me esquecer do texto bíblico que diz que não há um justo sequer, visto que tais atrocidades revelam justamente isso (Romanos 3:10-26). O ser humano longe de Deus é capaz de muitas coisas!

    “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só” (Romanos 3:10-12).

    BIBLIOGRAFIA

    SOLJENÍTSYN, Aleksandr. Arquipélago Gulag: Um experimento de investigação artística 1918 – 1956. São Paulo: Carambaia, 2019.

  • PÃO E CIRCO: EQUÍVOCOS DA IGREJA CRISTÃ

    Quando falamos em pão e circo, logo nos lembramos da política, roubalheira, dinheiro gasto em excessos, enquanto muitos ignoram o que acontece com o nosso país. Esta expressão nasceu durante o domínio de Roma, onde imperadores a fim de manterem a paz em seus reinos distribuíam divertimento e comida ao povo para mantê-los contentes e controlados. Isso acontecia há muitos anos, contudo, o assunto ainda é muito atual. Visto que, vemos em tempos de eleição as mesmas táticas em ação em prol de alienar e manipular pessoas.

    Porém, engana-se quem acha que este método é usado somente na política, a igreja também tem suas artimanhas. Se olharmos para a igreja atual, veremos alguns pastores aplicando golpes semelhantes, usando tal tática para manipular seus fiéis.

    A começar pela falta de ensino, que leva estas pessoas a viverem uma vida alienada e dependente. Contudo, se formos falar de todos os golpes que aplicam e todas as distorções que fazem da palavra, este texto viraria um livro, porém vale a pena analisar duas de suas principais distorções.

    1) Não toque no ungido do senhor (1Samuel 26:9)

    Este texto é muito usado em igrejas das mais diversas, por pastores que buscam serem intocáveis, fugindo de questionamentos. E é desta maneira, se colocando acima dos outros como soberanos, que eles seguem brincando de ser pastor. O engraçado é que a Bíblia diz: quem quer ser o primeiro, que seja o servo de todos (Mateus 20:26-27), mas este versículo eles esquecem. Porém, o que este texto quer dizer, “sobre não tocar no ungido”, é algo bem diferente. O texto aqui fala que Saul tinha levado um exército para caçar Davi, e este tendo oportunidade de matar o rei, não quis, por ser um ungido do senhor (CARSON, 2012, p. 485). O ungido do senhor, no contexto deste texto, seriam somente os reis, que eram escolhidos por Deus e ungidos com óleo. Este texto é muito usado por pastores, mas não se encaixa no conceito pastoral.

    No Velho Testamento é possível vermos vários tipos de unção, o primeiro tipo é a unção de coisas, como os escudos que eram consagrados para a batalha (2 Samuel 1:21; Isaias 21:5), além do tabernáculo, o altar e também os móveis (Êxodo 30:26-29, 40:94; Gênesis 28:18, 35:14). O segundo tipo de unção era de pessoas, como os reis que eram ungidos para o trabalho, ou os sacerdotes e profetas (1 Reis 19:16; Levíticos 7:3, 10:7, 4:3; 1 Reis 1:39, 46; 19:16; 1 Samuel 10:1), que eram representantes de Deus na terra, entre tantos exemplos de unção que podemos encontrar na Bíblia. É interessante perceber que o adjetivo Cristo, ou seja, ungido, é encontrado por mais de quinhentas vezes no Novo Testamento, sendo que o próprio Jesus foi ungido com a presença do Espírito Santo (Lucas 4:18), que o capacitou a cumprir o seu chamado. E o próprio Cristo, quando foi ungido nos pés por uma mulher, disse que o seu hospedeiro poderia o ter ungido (Lucas 7:44-46), mostrando que ungir convidados era um costume da época (CHAMPLIN, 2013, p. 524). Naquele tempo, era normal oferecer um óleo perfumado aos convidados. Sendo assim, precisamos tomar cuidado com um termo que possui muitas aplicações.

    Ser pastor é servir, ajudar, estender e mão, e não governar com mãos de ferro. Não há erro algum em nos corrigirmos, já que estamos todos sujeitos a erros. Em uma igreja cristã saudável, o prestar contas ou o fato do pastor ser aberto para questionamentos, com o respeito que todo o ser humano merece é claro, é uma prática importante e fundamental, para formar cristãos maduros e relevantes.

    Eu não tenho problema algum em ser questionado, e muito menos de confessar um erro, quando eu assim o cometo. Todos nós erramos sendo nossa principal missão nos corrigir, então, tome cuidado com lideranças abusivas e orgulhosas.

    2) Nascemos para ser cabeça e não cauda (Deuteronômio 28:13)

    Este é outro texto usado de forma equivocada, que eu ouvi muito quando era novo, de pessoas que almejavam status, dinheiro e poder e pensavam, de forma errônea, que ser cristão era isso, reinar, ser poderoso e desfrutar do bom e do melhor. Contudo, o que o texto se referre é sobre algo totalmente diferente. Fala sobre a aliança de Israel, e as bênçãos e maldições provenientes do seu cumprimento ou da falta dele. Fala do povo de Israel, e do seu relacionamento com Deus (CARSON et al, 2012, p. 345).

    Usar este texto como pretexto para ser abençoado é complicado, ainda mais para nós, que fomos avisados por Cristo que passaríamos por aflições (João 16:33). E se olharmos apenas para o Velho Testamento procurando benefícios materiais, fecharemos os olhos para o Novo Testamento, que mostra os apóstolos passando dificuldades, fome, e morrendo nas mãos de seus inimigos, desta forma, teremos uma suposta contradição.

    Eu sempre digo que temos que ter cuidado de olhar para o Velho Testamento, sem o Novo nas mãos, caso contrário, certamente cometeremos equívocos. Ricardo Barbosa resume a intenção de muitos ao usar este texto de forma errada:

    “Segundo alguns afirmam, fomos criados para sermos “cabeça e não cauda”, numa referência clara da cadeia de consumo, seja o consumo pelo poder (devemos ser cabeças nas empresas em que trabalhamos), seja no consumo de bens (melhores carros, casas, viagens). O maior sinal da benção do deus deste século é a prosperidade econômica e o bem-estar material” (2014, p. 68-69).

    Quando eu falo sobre este tema, bato sempre na mesma tecla, ser cristão não é “ter” ou “ser o melhor”. O chamado de Cristo sempre foi o do arrependimento, de voltarmos os olhos para Deus. O cristão não é aquele que não tem problemas e é próspero, e sim, o que guarda e segue os mandamentos de Cristo (João 14:21).

    É fácil um cristão se influenciar com as prioridades do deus deste século e adaptar a mensagem cristã a seu bel-prazer. Principalmente hoje, que vemos muitos pastores vendendo uma mensagem como se fosse o evangelho, por existirem muitos que acreditam que ser cristão é isso.

    Eu sempre digo, repetindo os ensinos da palavra: Cuidado com os falsos mestres, não aceite tudo sem refletir ou questionar. Tenha certeza do que está sendo ensinado e na dúvida, consulte a Bíblia. Muitas vezes o problema está dentro de nossas próprias igrejas, cabe a nós sermos relevantes, para confrontar, mudando assim esta realidade. E é só com o pleno entendimento da palavra que conseguiremos fazer isso.

    BIBLIOGRAFIA

    BARBOSA, Ricardo. Identidade perdida. Curitiba: Editora Encontro, 2014.

    CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2012.

    CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, teologia & filosofia: Volume 6. São Paulo: Hagnos, 2013.

  • ADAPTANDO OS NOSSOS DESEJOS A REALIDADE

    “Adapte seus desejos à realidade” (2018, p. 41).

    Epicteto

    A arte de viver bem está ligada ao quanto conseguimos nos adaptar a nossa realidade financeira. Quem consegue viver de modo equilibrado com o que tem, acaba tendo menos problemas para resolver.

    Conheci muitos que viviam uma vida de carência e falta, por não saber gastar e não conseguir se adequar a sua realidade. Algumas destas pessoas até tinham bons salários, mas viviam de modo nababesco, sempre gastando mais do que tinham.

    Antes de tomar uma atitude para mudar a sua realidade financeira, seja estudando ou empreendendo, é fundamental aprender a viver com o que tem e adequar seus desejos a realidade no qual você vive. Aprender a gastar, avaliar se você precisa de tudo o que sonha ter, é fundamental.

    A princípio, quando eu vou comprar algo, eu sempre reflito e penso se necessito daquele objeto. Não é vantajoso adquirir algo, que não será tão usado. E se me for útil, busco o melhor e mais adequado a minha realidade. Muitos se guiam pelo prestígio que o bem pode trazer e assim, acabam gastando mais do que pode. Ter algo apenas para vender uma imagem não é lucrativo, visto que, no final, a motivação é agradar ou impressionar outros, algo quer eu considero puramente fútil e sem necessidade.

    Quem vive de forma exagerada não tem paz, está sempre preocupado, no limite e tapando buracos. E tal situação, reflete em todas as outras áreas da sua vida em um espiral de falta de paz, preocupação e desânimo.

    Já quem sabe se adequar, vive mais tranquilo, aproveitando o que tem de modo centrado e sem incômodos. São nestes momentos que usamos a criatividade para fazer muitas coisas e acabamos aproveitando ainda mais. Visitei parques realmente lindos, em tempos que eu não tinha condições de viajar. Conheci lugares maravilhosos, quando eu conseguia viajar apenas para lugares próximos. É disso que eu estou falando, nem tudo é dinheiro e a criatividade ajuda muito nestes momentos.

    Não podemos ter tudo, mas podemos viver satisfeitos com o que temos, e conforme seguimos, podemos planejar dar passos para mudar a nossa situação. E esta satisfação nos acompanha, tendo ou não condições. Coisa que nem sempre acontece com aqueles que possuem muito dinheiro.

    Saber adaptar as coisas que você deseja a sua realidade é um princípio que ajuda você a viver bem e com alguma paz. Dar passos coesos e seguros, para aos poucos ir dando passos maiores é muito melhor do que seguir sem paz.

    Ou você aprende a se adaptar e dar passos coerentes, ou seguirá como um refém das coisas. Se aproveitar a vida é isso, eu não quero aproveitar!

    BIBLIOGRAFIA

    EPICTETO. A arte de viver: Epicteto, uma nova interpretação de Sharon Lebell. Rio de janeiro: Sextante, 2018.

  • CARTA AO LEITOR: VOZ SOLITÁRIA

    Sou apenas mais uma voz neste mar de opções que é a internet, uma voz insistente, que não se guia por números, fama ou destaques. Faço o que eu gosto de fazer e sigo, colhendo frutos e o aprendizado que o estudo e a escrita propõem. É sempre complicado definir o que é sucesso, mas de maneira simples e direta, ter sucesso é perceber o crescimento que conquistamos durante a caminhada. 

    Uma coisa que aprendi com todos os projetos que empreendi, desde a banda Hawthorn, no qual eu tive a oportunidade de levar a palavra de Deus nos mais diversos lugares, além de ter gravado CDs. Até os livros que escrevi e este site, é que o retorno nem sempre é o que esperamos e saber olhar um projeto de forma clara, tendo assim expectativas coesas são elementos definidores para que você consiga continuar de modo produtivo.

    Este site, por exemplo, possui muitas visualizações, mas perto dos sites grandes, eu sou um grão de areia. Mas perceba que as minhas expectativas são modestas, sendo que o meu maior retorno é estar sempre escrevendo e estudando, e isso não tem preço e reflete na minha vida pessoal e profissional.

    É fácil você desanimar caso entre em um empreendimento comparando os seus resultados, com os resultados de outras pessoas. O que você precisa fazer, para não cair neste equívoco, é olhar para a sua história e perceber o seu crescimento. É injusto e perigoso nos compararmos com outros. No entanto, é prazeroso olharmos para trás e percebemos o percurso da nossa jornada.

    Por isso, inicie sempre algo com os dois pés no chão, definindo metas e resultados coesos, buscando crescer um pouco a cada dia. Aprenda olhar para a sua história e constatar seu crescimento diante de uma vida de bons hábitos e constância. E comemore cada pequeno resultado.

    O site me fez crescer e o hábito de leitura e escrita, virar uma rotina. Só isso já é um motivo de comemoração, é algo que me faz continuar e não desistir. Não espero milhões de acessos, sigo minha caminhada, propondo conteúdos e escrevendo sempre e sem parar.

    Quando entendemos que números nem sempre são justos, aprendemos a fazer algo, focado no processo e na qualidade das coisas que fazemos. E se podemos ajudar as pessoas, mesmo não sendo muitas, já podemos nos considerar vitoriosos. Que no mais, são só lições e ferramentas que servem para o nosso crescimento.

    O escritor que eu sou hoje aprendeu muito ao buscar manter este site atualizado e isso não tem preço. Quando eu olho para trás e lembro quem eu era e quem eu sou agora, não consigo ficar triste. E isso já basta para me fazer continuar.

     É disto que eu estou falando, aprenda a medir o sucesso a partir do seu crescimento, o restante, são só acréscimos!