Início

  • A LEITURA PROFUNDA E A TECNOLOGIA

    Estudei em uma escola que incentivava os alunos a ler. Toda a semana tínhamos a oportunidade de levar um livro para casa e mergulhar em um novo universo. Desde então, por conta deste simples gesto de incentivo e pelo hábito que alguns membros da minha família tinham de ler, fui capturado pela leitura.

    Viajar através da leitura é, no meu ponto de vista, uma das melhores viagens que alguém pode empreender. Mergulhar na história, conhecer a fundo um tema ou mesmo se divertir com um livro bem escrito, são algumas das sensações que a leitura pode promover. A questão é que a tecnologia e os constantes estímulos mudaram e seguem mudando a rotina de estudos e leitura de muitas pessoas em nossa sociedade hiperconectada.

    Maryanne Wolf, em seu livro O cérebro no mundo digital, discorre sobre o papel da leitura profunda na vida dos leitores e mostra como a tecnologia, quando usada de forma errada, pode prejudicar o processo de leitura.

    Em primeiro lugar, é importante pontuar que os seres humanos não foram criados para ler. A obtenção do letramento foi uma das grandes realizações que o ser humano já fez. A prática da leitura acrescentou ao cérebro um circuito totalmente novo, tudo devido à invenção da escrita e leitura (WOLF, 2019, p. 9).

    Em segundo lugar, por conta dos avanços tecnológicos, a leitura profunda tem sido prejudicada. Poucos hoje, segundo a autora, conseguem colocar em prática este tipo de leitura por conta dos constantes estímulos tecnológicos. Maryanne Wolf acrescenta:

    “Basta você olhar para si próprio. Provavelmente, você já percebeu como a qualidade da atenção mudou à medida que lê mais e mais em telas e recursos digitais” (2019, p. 10).

    Wolf explica que a leitura profunda é capaz de fazer com que criemos imagens durante a nossa leitura a partir de todos os detalhes sensoriais propostos pelo autor da obra. No final, nos transportamos ao mundo do livro e ao universo apresentado pelo escritor, através da nossa imaginação (WOLF, 2019, p. 55).

    E a leitura digital, segundo ela, acaba por modificar os conjuntos de circuitos que desenvolvemos no cérebro. Como exemplo, a autora discorre sobre a nossa qualidade de atenção, mostrando o quanto ela está afetada (WOLF, 2019, p. 98).

    Os estímulos constantes e imediatos, as notificações incessantes dos aplicativos de comunicação e de Redes Sociais, nos faz termos apenas estímulos imediatos. Já para praticarmos a leitura com qualidade e uma leitura profunda, é imprescindível nos concentrarmos, sem a distração que tais notificações promovem.

    Sobre os importantes princípios da concentração, Bastos e Keller pontuam que comumente a atenção se fixa apenas em um determinado ponto, sendo possível, em alguns casos, a atenção se fixar em dois objetos, contudo, neste caso, perde-se muito da eficiência da concentração, como, por exemplo, quando alguém estuda ouvindo música (2014, p. 25). Por isso, é fundamental eliminar distrações e estímulos, para que a atenção não seja prejudicada.

    A intenção do texto não é excluir os importantes avanços tecnológicos que temos hoje e sim, expor algumas ferramentas para que a leitura profunda não se perca. É claro que a tecnologia nos trouxe mais acesso a informações e a oportunidade de compartilharmos e produzirmos conteúdos, mas saber colocar limites, é um ponto fundamental para que a nossa capacidade de ler com qualidade não seja afetada.

    A longo prazo, estes estímulos constantes podem provocar mudanças em nossa capacidade de leitura, prejudicando a concentração e a assimilação de forma assertiva de um conteúdo. Por isso que, em primeiro lugar, aprenda a parar e desligar todas as distrações na hora de ler e estudar. James Sire acrescenta pontuando que:

    “Aqui precisamos somente observar que os melhores e mais saudáveis pensamentos frequentemente surgem quando a mente está relaxada; não tentando pensar, mas simplesmente prestando atenção ou refletindo […]” (2021, p. 95).

    Construa um momento só seu, onde a leitura ou o estudo seja uma prioridade. Em segundo lugar, estabeleça um horário para que o cultivo da leitura com qualidade, possa ser praticada todos os dias. Este é um ponto fundamental, ter o tempo de leitura e estudo é uma meta importante, sendo que não precisa ser tanto tempo assim, contanto que seja diário e com constância.

    Ler é fundamental, por isso que, estar atento a nossa qualidade de leitura é também, de forma indireta, uma forma de cultivar a imaginação, o conhecimento e a saúde, visto que ler nos traz inúmeros benefícios. Lembrando que somos cristãos, ou seja, temos como centro a Bíblia sagrada, a palavra de Deus, com isso, ler e estudar bem tal texto, é o princípio para termos uma vida equilibrada.

    Por isso, aprenda a colocar limites na tecnologia, descubra formas de usá-la e não permita que ela te use!

    BIBLIOGRAFIA

    BASTOS, Cleverson.; KELLER, Vicente. Aprendendo a aprender: Introdução à metodologia científica. 28. ed. Petrópolis:  Editora Vozes, 2014.

    SIRE, J. W. Hábitos da mente: A vida intelectual como um chamado cristão. São Paulo: Vida NOVA, 2021.

    WOLF, Maryanna. O cérebro no mundo digital: os desafios da leitura na nossa era. 1. ed. São Paulo: Contexto, 2019.

  • AUTORITARISMO CRISTÃO

    A comunhão é um elemento definidor na vida cristã, ninguém é cristão sozinho. Por outro lado, a comunhão gera atritos e em alguns casos, muitos problemas. Mas quando a igreja tem bons líderes, os problemas são dirimidos. O mesmo não é possível falar quando os líderes são autoritários e não têm o mínimo de sabedoria. Muitos são os cristãos que são feridos em nome de Deus, sendo que, o motivo para isso acontecer é diverso, conforme pontua Gene Edwards no livro Cartas a um cristão arrasado.

    Gene inicia a obra falando como o autoritarismo é visto em todo o período da história tanto da igreja quanto do mundo. No entanto, foi fora da igreja que o autoritarismo ganhou vida. A começar pelo Império Romano, por exemplo, que mostrou justamente isso, além de outros regimes políticos durante a história que também revelaram a sua faceta autoritária. O Autoritarismo parece estar na genética do ser humano. Ele é o veneno que destrói o relacionamento das pessoas.

    Um ponto que me chamou muita atenção no livro, foi quando Gene Edwards enfatizou que o autoritarismo só existe porque ele é aceito no ambiente. E ao investigarmos algumas igrejas com pastores autoritários o que encontramos é justamente isso. Irmãos que aceitam o autoritarismo, enquanto outros são feridos pelos líderes autoritários, e ninguém faz nada.

    A leitura deste livro me fez ter muitas reflexões, não só porque eu gosto do tema, mas também porque já estive inserido em tais contextos. Durante a leitura, foi praticamente impossível não fazer pontes com eventos que infelizmente presenciei.

    Nos primeiros capítulos da obra, Gene se concentra em mostrar alguns atributos do autoritarismo para que com tais informações, uma pessoa consiga se distanciar destes lugares. E dois deles que eu quero destacar são: O sentimento de serem especiais e a necessidade de uma proteção de um líder especial. Estes dois são os principais elementos que facilitam o surgimento de líderes autoritários.

    Alguns movimentos ou igrejas acreditam serem únicas e especiais, um povo ungido e separado de forma muito singular por Deus. Estas igrejas creem que quem está fora da sua comunidade, está fora da vontade de Deus. É preciso sempre ter algum cuidado com este tipo de movimento. Ou a igreja tem como foco principal Deus e servir a todos de coração e com humildade, ou certamente o autoritarismo surgirá fruto deste sentimento de superioridade (EDWARDS, 2006, p.13).

    A necessidade de proteção é outro ponto importante. Muitas igrejas seguem líderes de forma cega, elegendo-os como seus protetores, como guardiões especiais, os ungidos de Deus. Sendo que este é outro elemento que facilita o surgimento do autoritarismo dentro da igreja (EDWARDS, 2006, p. 20).

    Mas o autoritarismo tem sua raiz no medo e na insegurança. E Gene pontua como ele surge do temor que um líder tem de presenciar uma divisão em sua igreja ou movimento. Quem sabe algum fracasso passado deste líder o faça ter esta atitude autoritária, contudo, isso não justifica a sua ação (EDWARDS, 2006, p. 24). É imprescindível um pastor inseguro ser autoritário. A própria incapacidade de dialogar, já é um indício de uma insegurança e revela muito quem este líder é. Gene Edwards complementa:

    “Independentemente da aparência externa, homens que exercem muito controle sobre a vida de outras pessoas são sobretudo bastante inseguros e não têm certeza de que foram chamados e enviados por Deus” (EDWARDS, 2006, p. 24).

    O livro é bem didático e trabalha como ninguém pontos importantes do contexto de uma igreja autoritária, fugindo daquele senso comum que diz que cristãos não devem se decepcionar com seres humanos. Tal frase é equivocada justamente porque a igreja deveria ser um lugar seguro e acolhedor. Um local onde servir com amor, deveria ser o ponto de partida. Sendo que, é inevitável nos decepcionarmos, quando estamos em ambientes ácidos e corrosivos.

    Este texto é apenas um breve panorama da obra, sendo que eu optei em destacar apenas estes pontos, mas Gene Edwards é ainda mais minucioso. O livro é uma ótima ferramenta para detectarmos igrejas com ambientes autoritários e perigosos.

    E quando for escolher uma igreja para congregar, opte sempre por uma igreja onde o diálogo e a conversa seja possível. Discordar, dialogar e a acessibilidade, são elementos que revelam justamente a coerência e a relevância deste líder. Se um pastor não é acessível e não dialoga, este já é um indício que tal comunidade possa ter algum problema.

    BIBLIOGRAFIA

    EDWARDS, Gene. Cartas a um cristão arrasado. São Paulo: Editora Vida, 2006.

  • ATITUDES NEGATIVAS

    “Outra pessoa cometeu uma falta que me atingiu? Isso diz respeito a ela. São suas disposições pessoais, suas ações pessoais” (2019, p. 61).

    Marco Aurélio

    Existem indivíduos que possuem aquele mórbido prazer de obscurecer um ambiente quando chegam. São pessoas que costumam ofender, diminuir ou mesmo provocar pessoas, com sua ânsia em vê-los em uma situação ruim. Infelizmente, conheço alguns assim.

    E a verdade é que algumas pessoas nos atingem quando insistem em nos fazer mal. O problema é que tal situação não é tão fácil de se lidar. Diante de uma atitude negativa, algumas vezes, terminamos por responder de uma forma também negativa, replicando assim a mesma ação errada.

    É um grande problema quando a atitude negativa nos faz ser quem nós não somos ou reagirmos de forma errada, fugindo dos nossos próprios padrões. Ser contaminado pela negatividade da atitude do outro é uma questão muito intrincada. 

    Cada ser humano faz o que está acostumado a fazer. O arrogante busca ser o centro das atenções e tenta ser a prioridade. O indivíduo irascível trata a todos com grosseria quando está irritado. Já o orgulhoso destila a sua superioridade ilusória. Sendo que estas são as suas disposições e formas de agir. Aprender a reagir a tais cenários é importante para não nos tornarmos parecidos com eles. Sofrer uma ofensa não é nada legal, mas replicar um mal, é ainda pior.

    Responder à altura de uma ofensa, na verdade, é se rebaixar, é se tornar igual ao ofensor. A pessoa que é realmente forte busca sempre desenvolver ferramentas para administrar tais situações de forma sábia, de um modo no qual ele não deixará de ser quem ele é. Marco Aurélio, neste mesmo livro, pontua que:

    “A melhor forma de se defender das pessoas hostis é não se tornar semelhante a elas” (2019, p. 65).

    Assim como atitudes positivas nos influenciam, as negativas, da mesma forma, nos levam a agir igual ao ofensor, em muitos casos. Ter a sobriedade para ser diferente é sempre desafiador.

    Eu sei bem como não é tão fácil termos controle diante de provocações, visto que algumas delas nos tiram realmente do sério. Principalmente quando a afirmação é injusta e bem equivocada. Contudo, não ceder a provocação demonstra não só autocontrole, mas também que a pessoa está realmente errada, visto que um equívoco, por ser um erro, não deveria nos tocar. Como normalmente estas pessoas nem pretendem nos ouvir, o silêncio é sempre mais válido. É um modo de comunicar o quanto eles estão errados.

    O autocontrole é sempre um desafio, seja ele em que âmbito for. Exercitar a nossa capacidade de não responder a estímulos negativos é um difícil, mas importante exercício.

    Quando sou provocado, o meu primeiro passo é tentar não levar a ofensa para o lado pessoal, me lembrando que eu não sou o que o ofensor afirma que eu sou. E quando você busca se conhecer bem, tal exercício se torna um pouco mais usual.

    Pare para entender bem quem você é, entenda seus defeitos e qualidades, aprenda a se conhecer para que, diante de uma afronta, tais palavras não provoquem mágoas e suscitem ira. Se você sabe quem você é, tais provocações não surtirão efeito.

    Não quero vender a você uma fórmula, visto que nós sabemos que não existe tal receita. Eu também sei que existem dias nos quais não estamos bem e tais provocações ganham uma dimensão ainda maior. Contudo, descer ao nível do provocador é um caminho que trará ainda mais resultados negativos. Por isso, cuide com as atitudes negativas e busque não se rebaixar ao nível do ofensor.

    BIBLIOGRAFIA

    AURÉLIO, Marco. Meditações. São Paulo: Edipro, 2019.

  • LADRÕES DO TEMPO: O PERIGO DA FALTA DE LIMITES  

    Nem sempre nos damos conta que possuímos muitas riquezas em nossas mãos, sendo que o tempo é um destes tesouros que muitas vezes desperdiçamos como se fossem objetos sem valor. Tempo é vida, ele é um dos nossos maiores bens, não dá para desperdiçar vivendo de qualquer forma.

    E neste sentido, é possível encontrarmos aqueles que vivem contando as horas para sair do trabalho. Ou contando os dias para o seu final de semana de descanso, se esquecendo de viver o hoje, de desfrutar o tempo e aproveitar o que vale a pena. Nem sempre vivemos do modo que achamos ideal, mas podemos viver bem e ser relevantes com o que Deus nos deu, basta aprendermos a valorizar o que temos.

    A tecnologia surgiu para que conseguíssemos economizar tempo e tivéssemos acesso a notícias em tempo real ou conseguíssemos nos aproximar daqueles amigos que estão distantes. Contudo, a tecnologia tem servido para nos escravizar, ao invés de nos ajudar. Muitos gastam horas rolando o feed e não investem seu tempo em atividades construtivas. O que surgiu para facilitar, virou uma âncora que rouba todo o nosso tempo.

    Creio que um dos pontos que o excesso de tecnologia deixou claro é que o ser humano tem dificuldade de estabelecer limites. A tecnologia é ótima, como pontuei, mas quando não colocamos limites, mergulhamos em uma prisão. Perceba que a tecnologia não mudou, o que muda é o nosso posicionamento diante dela. Gosto de uma frase do William Douglas e do Davi Lago (2016):

    “Afinal, quem mata tempo não é assassino; é suicida”.

    O nosso tempo é curto, não dá para gastar à toa, por isso, use-o com sabedoria e aprenda a usar o seu dia, a tecnologia e tudo o que você tem em mãos de uma forma sábia, com limites. Não permita que nada tome o seu tempo, já que é suicida, aquele que não entende a riqueza que é o tempo, e segue desperdiçando como se ele não valesse nada.

    Costumo me desligar da tecnologia em um período do meu dia, principalmente quando vou estudar, escrever ou caminhar no parque. Gosto de aproveitar estes momentos ao máximo, sem distrações. É muito prejudicial dividir o nosso foco com duas coisas ao mesmo tempo, sendo que, no final, não aproveitamos nenhuma das atividades.

    Principalmente porque é impossível termos dois focos simultâneos, por isso, precisamos estar livres para estudar, ler ou aproveitarmos o ambiente e a natureza plenamente.

    Muitos estão em um local somente de corpo presente, visto que a mente está navegando em outros locais. Por isso, cultive o hábito de desligar o celular e aproveitar o ambiente. Ou busque separar um período para estudar e ler de forma concentrada e eficaz.

    Pense neste momento como um jejum de internet, como um tempo para você recuperar e mergulhar em algo de modo verdadeiro. Este limite tecnológico fará você realmente ver e desfrutar dos momentos.

    Nós só temos o tempo, sendo que ele é muito limitado, por isso, fuja dos ladrões de tempo e aprenda a aproveitar seus dias com sabedoria.

    BIBLIOGRAFIA

    DOUGLAS, William.; LAGO, Davi. Formigas: Lições da sociedade mais bem-sucedida da terra. São Paulo: Mundo Cristão, 2016.

  • O DEUS QUE O SER HUMANO CONSTRUIU

    A Bíblia existe para nos dar um norte, ela é a nossa bússola, o manual que nos orienta e nos guia rumo ao centro da vontade de Deus. Como não é possível encontrar Deus sem que ele se revele, ele se revelou e nos deixou a sua palavra para que o seguíssemos. Mas convenhamos, não é incomum encontramos pessoas que insistem em interpretar a Bíblia de forma equivocada e construir um deus, que é bem o oposto ao que está revelado em sua palavra.

    Um espiritualista chamado Joseph Murphy, sendo ele um autor que eu já vi muitos cristãos seguirem os seus ensinos, afirma em seu livro O poder da oração, que:

    “Deus é para você aquilo que você quer que ele seja” (1958, p. 1).

    Ou seja, Deus é uma interpretação, uma conclusão montada ao bel prazer do ser humano. Perceba como o próprio conceito de divindade é aviltado diante de tal afirmação. Imagine um Deus que parte da concepção de seres humanos falhos e finitos?

    Mariones ao explicar a metafísica das criaturas e de Deus, segundo Santo Agostinho, afirma que em meio a diversidade de seres que existem, Deus é um ente ilimitado. Alguns afirmam que alguns seres criados, possuem perfeições; contudo, Deus é a definição de perfeição. Todos os seres criados são e não foram. Já Deus é para todo o sempre (2022, p. 87). Em sua obra A trindade, Agostinho complementa a definição de Deus, explicando que:

    “Deus é, sem dúvida, uma substância ou (se o termo for mais adequado) uma essência, a qual os gregos denominam “ousia” […]. Outras substâncias ou essências admitem acidentes, causas de pequenas e grandes mudanças. Deus, porém, não é susceptível de acidentes, e por isso, nele existe unicamente uma substância ou essência imutável” (2020, p. 193).

    Deus é, ele não muda, enquanto nós, seres humanos criados, além de termos tido um início, também mudamos. Sendo assim, acreditar que Deus pode ser o que nós decidirmos que ele seja, como Joseph Murphy afirmou, é uma afirmação incoerente, além de arrogante. Este conceito transforma Deus em uma criatura como nós, mera marionete nas mãos do finito ser humano. Gosto da crítica que Santo Agostinho faz a nós, seres humanos, neste mesmo livro:

    “Pois, com que ato de inteligência quer o homem entender a Deus se ele nem mesmo é capaz de entender a própria inteligência com a qual pretende entender a Deus?” (2020, p. 192).

    É fácil nos posicionarmos como arrogantes e acreditarmos ter o controle de tudo, sem percebermos todas as nossas falibilidades. Erramos ao não percebermos o tamanho da nossa limitação. Apocalipse diz:

    “Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que é, que era e que há de vir” (Apocalipse 1:8) (NTLH).

    O alfa é a primeira letra do alfabeto grego e o ômega é a última, sendo que, tal frase demonstra como o nosso Pai Eterno não foi criado e muito menos pode ser moldado pelas definições humanas. Deus é e sempre foi, não teve um início e nunca terá um fim, este é o nosso Deus.

    E servir um Deus assim nos dá uma certeza de que só ele já basta, que só o seu cuidado já nos sustenta e nos dá segurança para caminharmos neste mundo incerto. Seguir um deus que é fruto da concepção finita do ser humano é servir a uma divindade que certamente falhará, não tenha dúvida.

    BIBLIOGRAFIA

    AGOSTINHO, Santo. A trindade. 1. ed. São Paulo: Paulus, 2020.

    MARIONES, Francisco. Teologia de Santo Agostinho. 1. ed. Sal Paulo: Paulus; São Paulo: Academia Cristã, 2022.

    MURPHY, Joseph. O poder da oração. Rio de Janeiro: Editora Record, 1958.

  • EXTREMISMO POLÍTICO: OS PERIGOS DA POLARIZAÇÃO E O SEU IMPACTO NA SOCIEDADE

    Tudo o que é extremo não é agradável, penso que o extremismo, seja ele qual for, tem aquele ar de ignorância e falta de reflexão, além da própria aspereza que o ato possui. Uma coisa é muito certa, sempre há o outro lado da história, sempre existirão as exceções e as falhas de interpretação, pontos que alguém que é muito extremo não considera.

    E quando falamos em extremismo político, a coisa piora ainda mais, principalmente por conta da infalibilidade que algumas pessoas teimam em colocar em alguns políticos, teorias políticas e formas de pensar, transformando em deuses, pessoas e filosofias, que já nasceram fracassadas.

    Sou demasiadamente protestante para me prestar a ter uma fé cega em qualquer político ou filosofia. Desde que o mundo é mundo, percebemos que o mal é fruto do ser humano corrompido pelo pecado, e insiste em propor caos disfarçado de soluções políticas.

    E em se tratando de exageros, não vejo diferença entre a esquerda e a direita política, ambas cometem erros quando decidem não dialogar e seguem buscando militar por uma causa de forma compulsiva. A mesma ferramenta exagerada e sem diálogo é vista por grupos de ambos os lados. É claro que existem exceções, mas ultimamente os dois lados seguem iguais.

    A primeira semelhança é a gana de endeusar um político, feito de um modo tão incoerente, que não permite que as pessoas percebam os equívocos e enganos das suas escolhas políticas. Na política, quem nós escolhemos para nos representar deve ser visto de um modo coerente, sem negarmos os pontos em que eles estão errando e os que eles estão acertando. Precisamos cobrar e estarmos atentos para que a política tenha frutos e os políticos percebam que estão sendo acompanhados.

    Críticas não são só saudáveis, elas são fundamentais. Não é porque gostamos de um político que não vamos fazer as nossas críticas. Não podemos aceitar qualquer coisa, não é sábio colocar um político como intocável e seguir tentando justificar seus erros.

    A segunda semelhança é crer que o viés político contrário precisa ser calado, democracia não é isso, democracia é entender que existem espaços para ambos os lados e o respeito deve vir em primeiro lugar.

    Quem acompanha os meus textos, sabe das minhas reservas com o comunismo, justamente porque em todos os governos em que ele esteve presente, eles calaram e eliminaram a oposição. Isso não é um pensamento democrático e não pode ser aceito pelo viés político que seja.

    A pena é que o nosso país está mergulhado em corrupção, gastos excessivos e desnecessários e para piorar mais ainda, muitas vezes ambos os lados não percebem tais equívocos ou percebem e não ligam, já que são beneficiados por tais problemas. Por isso que o debate é importante, tais questões precisam ser dialogadas e alinhadas, tudo com respeito e com o intuito de propor soluções.

    Ou nos unimos, ou seguiremos cada vez mais prejudicados pela máquina pública, que insiste em onerar o cidadão trabalhador. Todos os políticos precisam ser colocados no patamar de servidor, de alguém que precisa ser cobrado por bons serviços.

  • O PESO DAS PREOCUPAÇÕES: COMO A INQUIETAÇÃO POTENCIALIZA O SOFRIMENTO

    “Permanecer estável é se abster de tentar se separar de uma dor por saber que é impossível” (WATTS, 2017, p. 101).

    Alan Watts

    O sofrimento é inevitável, mais dia ou menos dia, precisaremos lidar com alguma dor, e descobriremos que nem sempre existe anestesia. Com isso, a cabeça fria e o autocontrole são necessários para podermos agir com a mente tranquila. A questão é que, nestas horas, quase sempre isso não é possível. Sofremos muito mais quando tentamos fugir da dor, sendo que assim duplicamos o que já é bem complicado.

    Quando não aceitamos, passamos a quantificar a dor e colocá-la em patamares ainda mais altos. E sofremos ainda mais por conta deste posicionamento. O esforço em não aceitar o que está acontecendo ou de negar a dor produz ainda mais aflição.

    A dor é inevitável, quem a sente é porque está bem vivo, a dor faz parte da vida de todos os seres humanos, seja a pessoa que for, por isso, entendê-la e aceitá-la é fundamental. Não me refiro a sermos apáticos ou amantes da dor e sim, entendemos que é preciso aceitar o que não tem solução, para que, assim, consigamos prosseguir.

    Gastamos muito das nossas forças nos preocupando com o que não tem saída, e isso faz com que a dor e o sofrimento multipliquem, aumentamos ela por estarmos gastando a nossa energia da forma errada. Aceitar e aprender a continuar é melhor do que parar, e ficar lamentando e sofrendo ainda mais. Quem aceita sossega, mergulha na dor e a esgota. Quem entende que sofrer é inevitável, arranja uma forma de continuar a caminhada.

    Há muitos anos tive um problema bem grave de saúde, ele me pegou desprevenido. Na urgência do problema, precisei me preparar para uma cirurgia, visto que, quanto mais o tempo passava, mais a enfermidade poderia piorar.

    É claro que fiquei com um baita medo, as sequelas da cirurgia não eram legais, mas não fazer nada era ainda pior. Diante desse cenário, precisei esfriar a cabeça para controlar o mostro que o problema de saúde havia se tornado. No entanto, com este posicionamento, a criatura diminuiu, sendo que, por fim, toda a cirurgia correu bem e eu não fiquei com sequelas.

    Perceba que, em meio a um cenário incerto, eu estava criando muito mais problemas do que soluções. O diagnóstico e os possíveis resultados da cirurgia me levaram a construir um gigante que não era real. Tudo mudou quando eu aceitei, entreguei a situação nas mãos de Deus e segui para a cirurgia. Decidi encarar o processo com tranquilidade e aceitar os resultados. Desta hora em diante, já com a mente um pouco mais tranquila, pude raciocinar com calma e aguardar os resultados, que terminaram por ser bons. Veja como eu estava prestes a construir problemas e gerar preocupações que nem existiam.

    A dor para ser controlada precisa ser aceita, é preciso bater de frente contra o inevitável, contra aquelas questões que não podem ser mudadas e que nos fazem perder tempo e gastar energia de forma errada. Mas quando aceitamos e entregamos o nosso problema a Deus, ela diminui, até percebermos que uma parte do problema era apenas a forma como estávamos percebendo a situação.

    BIBLIOGRAFIA

    WATTS, Alan. A sabedoria da insegurança. São Paulo: Alaúde Editorial, 2017.

  • A FORÇA DA UNIÃO

    “Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste”. (Referência: João 17:20-26).

    Toquei em bandas por muitos anos, sendo que a maior lição que pude tirar deste tempo foi o entrosamento. Em uma banda, estar entrosado define o sucesso ou fracasso de um show. O entrosamento é a arte de entender o contexto e estar bem-adaptado a uma realidade. E isso vai depender do quanto somos dedicados e empenhados em compreender e conhecer bem o próximo e a sua realidade.

    A união na vida cristã é um ponto fundamental, estar unido ou entrosado, segundo a linguagem musical, é uma atitude muito importante. Ser cristão é justamente estar ajudando e caminhando sempre com as outras pessoas. 

    Sobre o contexto do versículo, percebam que Cristo está fazendo uma oração, ele começa orando pelos discípulos e depois passa a interceder por aqueles que creriam em sua mensagem através deles (v. 20). Veja que profundo, Jesus está orando por todas as pessoas que iriam crer nele. Ele está orando por nós, e nesta oração, temos alguns ensinamentos fundamentais, quero destacar apenas três.

     1) O padrão de Unidade

    O primeiro ponto que eu quero destacar do texto é justamente o padrão de unidade. Perceba que existe um padrão a partir do próprio relacionamento entre Cristo e Deus. A base de tudo é permanecer no Pai e no Filho, e sermos desta forma unidos Nele como igreja (v. 21) (CARSON et al, 2012, p. 1593).

    E viver o evangelho é ter isso em mente, não vivemos para nós, muito menos, temos como ponto de partida nossos pontos de vistas e conceitos pessoais e sim Deus. Se não amarmos como ele nos ama, se não nos unirmos como Cristo é unido com o Pai, certamente seguiremos nos desconstruindo por meio dos nossos falhos conceitos.

    2) O ciclo da fé

    O segundo ponto que eu quero destacar desta passagem bíblica é o ciclo da fé. O texto fala da fé, que leva os irmãos a serem unidos, mas que também conduz outros à fé (v. 21). É um ciclo que começa com a união e termina, gerando frutos. Donald Guthrie complementa:

    “O ciclo que se estabelece aqui é a fé conduzindo a unidade que, por sua vez, conduz outros a fé” (2012, p. 1594).

    Quanto mais nos unimos, nos fortalecemos e nos ajudamos, mais alcançamos outras pessoas. É um ciclo lógico, que começa tendo a Trindade como princípio e um resultado como consequência, sendo ele a união e o alcance de outras pessoas. E juntos somos mais fortes!

    3) A Glória de Cristo

    Por fim, chegamos a um ponto essencial do texto, que é a glória de Cristo (v. 24). Quanto mais Jesus é o centro, mais estamos unidos. E o oposto não é diferente, quanto mais outras coisas são prioridades, mais nos desunimos. O ponto aqui é justamente a prioridade certa, e no momento em que temos Cristo como centro de tudo, o resto flui, mas quando ele não é o centro, a igreja, os relacionamentos e a comunhão vão ruindo. Sobre o papel da comunhão, John Stott complementa:

    “Portanto, para que eu seja eu mesmo, tenho que negar-me a mim mesmo e dar de mim em amor a Deus e aos outros. A fim de ser livre, tenho de servir. A fim de viver, tenho de morrer para a minha própria autocentralidade” (2004, p. 100-101).

    Ser igreja é ser um corpo (1 Coríntios 12:27), a união é a base da vida cristã. Sendo assim, ou estamos unidos, ou viveremos longe dos propósitos do evangelho. A união é um princípio fundamental do cristianismo. E a verdadeira liberdade é viver segundo a vontade de Deus, servindo, amando a Deus e ao próximo, colocando de lado todo o nosso egoísmo.

     Nem sempre entendemos o outro por estarmos em outras realidades, mas sempre podemos estar juntos. Ter com quem contar não tem preço e este apoio é um dos pilares da vida cristã.

    BIBLIOGRAFIA

    CARSON. D. A.; FRANCE, R.T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova, São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

    GUTHRIE, Donald. In: CARSON. D. A.; FRANCE, R.T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova, São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

    STOTT, John. Por que sou cristão. Viçosa: Ultimato, 2004.

  • O ARQUIPÉLAGO GULAG III: OS CAMPOS DE TRABALHO E EXTERMÍNIO

    Eu terminei de ler o Arquipélago Gulag, mas não consegui tirar o livro da minha mente e da minha vida. A história e os fatos narrados caminham agora comigo, como uma lembrança de como o ser humano, sem Deus, pode ser muito cruel. É impossível não me relembrar que, longe de Deus, o ser humano é capaz de tudo.

    Quanto à história dos Gulags, não é incomum encontrarmos pessoas tentando mudar os fatos, para assim, limpar a imagem do comunismo. Durante a minha leitura, encontrei vídeos e materiais que distorciam e deturpavam todas as narrativas, por isso, tome cuidado. Muitos são os autores especializados no assunto que comprovam como a barbárie nestes campos infelizmente aconteceu. Não deveria existir ideologia política envolvida nestas histórias, o horror do totalitarismo deveria ser discutido por todas as vertentes políticas, para não cairmos mais nos mesmos erros. E este é um dos propósitos destes textos, mas a militância tenta invalidar o fato.

    A terceira parte do livro aborda de forma detalhada justamente a realidade nos Campos de trabalho e extermínio. Sendo que um dos fatos, como o autor enfatiza, é que os campos foram criados para exterminar pessoas e não para oferecer trabalho apenas. Soljenítsyn complementa:

    “O que terá lugar nesta parte é inabarcável. Para que se compreenda e alcance esse sentido selvagem, é preciso que muitas vidas tenham sido arrastadas para os campos – aqueles campos nos quais é impossível, sem algum privilégio, sobreviver a uma só sentença, pois esses campos foram inventados para o extermínio” (SOLJENÍTSYN 2019, p. 247).

    E este é um dos pontos que liga o regime comunista da União Soviética, com a barbárie nazista. Não era só com o intuito de ter mão de obra escrava, que os campos foram criados, mas também para exterminar pessoas. Lembrando o que eu já pontuei nos outros textos, a menor discordância, ou o mais inocente comentário era visto como um erro e a pessoa era presa como inimiga.

    Em alguns campos, conforme Soljenítsyn deixa claro, o trabalho era ainda mais duro, devido a projetos com prazos de conclusão absurdos impostos pelo governo, como a construção de um canal, que ceifou a vida de muitas pessoas que trabalharam sem parar, dormiam na neve e morriam congeladas.

    No final, a tortura dos Gulags começava com a falta de alimentos e de condições mínimas para alguém viver, e seguia com torturas das mais cruéis e o trabalho escravo, que, em alguns campos, beiravam a exaustão. Pessoas morriam de tanto trabalhar. A câmara de gás Russa, fazendo uma comparação com o nazismo, era obrigar as pessoas a trabalharem até a morte!

    E ao contrário do que alguns órgãos de comunicação afirmaram na época, os campos de concentração (Gulags) surgiram em 1917 a 1918, com os primeiros passos da revolução bolchevique. O livro aponta obras e documentos para validar sua argumentação, como, por exemplo, as Obras completas de Lênin, onde ele comenta que já no começo da revolução de outubro, ele já tinha uma lista de punições para opositores do governo ou os desobedientes, como o embargo de bens, detenção, e envio para o trabalho obrigatório. Já havia uma ideia para a criação destes campos, contudo, a lei foi promulgada apenas em 1918. Soljenítsyn sustenta a sua afirmação não apenas nesta obra, mas também nas legislações e documentações do Governo. Está tudo registrado, existe inclusive um telegrama de Lênin que confirma o fato. Entretanto, como o propósito deste texto é comentar a obra Arquipélago Gulag, não me estenderei comentando tais textos, mas fica a sugestão para consulta (SOLJENÍTSYN, 2019, p. 248-249).

    É incrível perceber como um governo totalitário consegue pegar uma atividade tão nobre e importante, que é trabalhar, e transformar em algo obscuro. Eu queria estar exagerando neste texto, mas ao ler o livro e empreender algumas pesquisas, durante a leitura, constatei o quanto os Gulags foram cruéis. A realidade destes campos foi assombrosa, mas precisamos conhecer, para não sermos manipulados por narrativas falsas.

    Na quinta parte do livro, o que me chama atenção é quando Soljenítsyn fala das novas guardas que eram compostas por soldados que nasceram após a guerra e não tinham tantas informações sobre a história e os presos destes campos. Neste tempo, os Gulags eram movidos pela ignorância. Não havia muitas informações, sendo que, o instrutor político estava sempre pronto para manipular a informação e instruir os soldados novos com ideias mentirosas sobre os presos. Sendo assim, estes soldados se mostravam muito cruéis, já que para eles os presos eram as piores espécies de seres humanos. É evidente que haviam exceções, alguns eram misericordiosos e descobriam a verdadeira história, mas a maioria não era e por isso, o medo e o caos reinavam ainda mais nos Gulags (SOLJENÍTSYN 2019, p. 540-541). Soljenítsyn acrescenta:

    “Esses moleques ficam o tempo todo olhando para nós, tanto do cordão como das torres; não têm autorização para saber nada de nós, mas têm o direito de atirar sem avisar. Ah, se eles pudessem ir até os nossos barracões à noite, se pudessem se sentar em nossos tabuados e ouvir: o motivo pelo qual esse velho está preso, o motivo pelo qual esse pai está preso. Aquelas torres ficariam vazias, e as submetralhadoras não disparariam” (SOLJENÍTSYN 2019, p. 541).

    Estes instrutores políticos, me leva a olhar para a nossa política e constatar como existe uma manipulação acontecendo em nossa história. Uma narrativa foi construída e uma verdade manipulada em nome dos ideais políticos. E muitos acreditam em tais narrativas de modo obcecado e alienado.

    O princípio do totalitarismo é a imposição, é forçar um país a seguir suas regras sem qualquer princípio democrático, sendo que o que aconteceu na União Soviética foi justamente isso, como pontuei nos outros textos. E sobre os instrutores políticos que Soljenítsyn menciona na obra, é impossível deixarmos de fazer uma comparação com toda a manipulação que é feita em nossos dias na mídia e escolas, para manipular as pessoas. Hoje existem estes instrutores que tentam contar uma mentira e culpar o regime político oposto. Todos são culpados, menos eles.

    Não pretendo escrever o conteúdo todo do livro, este é apenas um panorama e os fatos que me chamam a atenção neste texto. Vale a pena ler esta e outras obras sobre o assunto, sendo que, durante a leitura, é impossível não perceber algumas semelhanças quanto a imposição e manipulação da informação.

    Para concluir este texto, cito na íntegra uma prece que encerra o sexto capítulo do livro. Após descrever o seu atribulado e atarefado dia, onde o autor trabalhou na chuva o dia inteiro, sem comer coisa alguma, Soljenítsyn faz uma oração, relembrando os tempos na guerra:

    “Senhor, Senhor! Debaixo de projéteis e de bombas, eu Te pedi que protegesses a minha vida. Mas agora eu Te peço – envia-me a morte…” (2019, p. 304).

    Esta oração, a meu ver, define o tamanho do desespero que é estar nestas condições!

    BIBLIOGRAFIA

    SOLJENÍTSYN, Aleksandr. Arquipélago Gulag: Um experimento de investigação artística 1918 – 1956. São Paulo: Carambaia, 2019.

  • O PODER DA SABEDORIA

    Eu já tive o prazer de conhecer inúmeras pessoas inteligentes. Profissionais, músicos ou artistas, que eram realmente habilidosos no que faziam, mas que nem sempre haviam progredido, apesar dos seus talentos, pois faltava sabedoria. De alguma forma, por conta da falta de sabedoria, estas pessoas estavam sempre em situações difíceis ou sem perspectivas.

    Uma coisa que o tempo me ensinou foi que, não adianta termos diplomas, conhecimento ou habilidades acumuladas, se não temos sabedoria. Conheci os melhores, que haviam estudado nas instituições mais consideradas, mas que viviam tomando decisões erradas.

    A sabedoria é tudo na vida e ela pode ser definida como “a arte de saber usar o conhecimento que temos, para tomarmos as decisões mais acertadas”. Ou usar todo o nosso preparo e repertório da melhor forma possível. Alguns pensadores até atribuem à inteligência emocional, como peça-chave da sabedoria, pois sem ela, o ser humano pode se perder em decisões impensadas e impulsivas. Sobre o termo sabedoria, Allan Percy complementa:

    “A sabedoria pode ser definida como a capacidade de aplicar o conjunto de conhecimentos e experiências vividas, com sensatez e reflexão, sempre em direção a uma evolução ou resolução positiva dos desafios ou problemas” (PERCY, 2016, p. 54).

     A sabedoria é a arte de saber agir com o conhecimento e as habilidades que temos. Sábio é aquele que sabe tomar boas decisões ou mesmo, lidar com momentos de fracassos e dificuldades. No final, seja o resultado (ou não) que alguém tenha tido em sua vida, o sábio é aquele que saberá tirar um bom proveito da situação.

    Não adianta trabalharmos apenas o conhecimento se não buscamos também a sabedoria. É importante, além de estudar, ler e buscar o saber, pedirmos a Deus sabedoria, para que assim, possamos tomar as melhores decisões e fazer a obra dele da melhor forma possível. Apenas ter um vasto repertório não é de proveito algum, se não tivermos sabedoria suficiente para usá-lo e produzir frutos conforme a vontade de Deus.

    Saber aplicar nosso conhecimento com reflexão e sensatez é o ponto-chave para conseguirmos progredir e construir caminhos coerentes. Sendo que pedir sabedoria a Deus é o caminho do cristão que faz a vontade de Deus deve tomar. 

    BIBLIOGRAFIA

    PERCY, Allan, Platão para sonhadores: 80 pílulas de filosofia cotidiana para transformar suas melhores ideias em realidade, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2016.