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O SENSO DO MISTÉRIO
“Quem pensa que compreendeu tudo, prova, por isso mesmo, que nada compreendeu” (SERTILLANGES, 2019, p. 127).
Quando eu mergulhei no estudo do calvinismo e do arminianismo, que são duas correntes teológicas bem opostas uma à outra, para um livro no qual estava escrevendo, tive que estudar a obra de muitos autores. Estes livros me levaram a outros livros e a inúmeras variantes e formas de interpretar a Bíblia. Estes autores me impulsionaram a conhecer ainda mais obras clássicas, como os livros de Agostinho e os Pais da Igreja. E quando eu paro, vejo o caminho que percorri e o quanto preciso ainda percorrer, percebo que a epígrafe do começo do texto é verdadeira. Quem realmente compreendeu algo, percebe o quanto há para conhecer e quem acredita saber de tudo, na verdade, não sabe de nada.
Meus estudos me levaram a ter alguma compreensão, mas a minha maior certeza é sobre a própria infinitude do conhecimento e como ele é intrínseco, complexo e misterioso. Para quem não conhece muito, um livro já basta, já satisfaz o seu apetite. Contudo, para quem estuda e busca o conhecimento, não. Um livro ou um tema de estudo é apenas uma ponte para uma gigantesca montanha. Ainda mais quando estudamos a Bíblia e o mistério do nosso soberano e inesgotável Deus.
Os meus hábitos de estudo me mostraram o tamanho da minha ignorância. Sendo que é o próprio senso de mistério que nos move e provoca em nossa mente a sede pelo saber. E por mais que tenhamos encontrado a verdade e respostas para uma determinada área, sabemos que existem variantes e elas nunca responderão por completo diversos assuntos, que o limitado ser humano, não consegue esgotar.
A ignorância nos deixa ancorados no terreno da certeza, vendo apenas onde os olhos alcançam. O estudo, leva um indivíduo e ver mais e a ter a convicção de como a maioria dos temas e assuntos, são normalmente muito mais complexos do que imaginamos.
Perceba como o conhecimento amplia a visão e nos traz aquele senso de mistério, por conta da dimensão do conhecimento. Já a falta de conhecimento nos traz certezas, tudo e, porque não somos capazes de perceber o tamanho do saber. Eu creio que sempre posso aprender, sempre há uma coisa nova para descobrir, esta é a mentalidade daqueles que aprendem. Já quem não tem tanto repertório se fecha, acreditando já saber de tudo.
Não perca o senso de mistério por conta das falsas certezas, estude, leia e nunca se esqueça que quanto mais estudamos, mais percebemos que não conhecemos, sendo que é isso que nos move e nos faz a sempre estarmos em busca do saber.
BIBLIOGRAFIA
SERTILLANGES, A. D, A vida intelectual, Editora Kírion, Campinas, 2019.
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CRISTÃOS NARCISISTAS
Gosto de reler alguns livros, existem autores que eu releio quase todos os anos. O bom livro é aquele que você lê mais de uma vez e ainda é tocado por ele. E uma das leituras recentes foi um livro do Ricardo Barbosa chamado Identidade perdida.
É incrível perceber como já no primeiro capítulo o autor consegue definir de forma muito assertiva a realidade da nossa sociedade tecnológica, isso que o livro não é tão novo. Como eu havia lido este livro há muito tempo, eu não lembrava e me impressionei ao perceber a coerente leitura que o autor faz do nosso cenário político atual e como ele fala de temas como política, corrupção, do vazio do ser humano e de todo o nosso contexto político e religioso, com uma atualidade muito grande.
A verdade é que o ser humano segue vazio, tentando preencher esse espaço que só Deus pode preencher. O homem insiste em buscar a razão para sua existência em inúmeras coisas, sem perceber que é só Deus que consegue dar sentido a nossa existência.
Neste primeiro capítulo o autor foca no egoísmo humano no geral, mostrando como esse egoísmo é bem escancarado. Me toca o exemplo que ele dá quando diz que, algumas décadas passadas, quando uma mulher entrava em um ônibus, os homens levantavam para dar lugar, não precisava a mulher estar grávida ou ser uma idosa. Existia uma educação e uma nobreza que está em falta em nossos dias.
O ser humano insiste em querer apenas ser servido, ele olha apenas para si e esquece dos outros, da vida e de estender a mão ao próximo, enfim, o egocentrismo é sempre o seu ponto de partida. O ser humano está a cada dia perdendo a sua humanidade ao focar penas em si. Ter a consciência de que não existimos sem o outro é fundamental, para assim, conseguirmos mudar a nossa atitude.
No segundo capítulo ele faz essa mesma crítica, mas dessa vez dirigindo-se a igreja, ele argumenta que ela está cada vez mais narcisista, interessada apenas em ter seus desejos, sonhos e planos respondidos.
O cristianismo possui uma natureza bem pessoal, seguimos a Cristo, sendo que, ao segui-lo, temos um padrão que vem dele. E como consequência de sermos seguidores de Jesus, servimos também ao próximo.
A vida cristã egoísta, segundo a Bíblia, é contraditória. Ser um seguidor de Cristo é não estar fechado em nossos desejos pessoais ou apenas buscar satisfazer as nossas vontades. Ricardo Barbosa enfatiza justamente isso quando diz que:
“O mandamento de Cristo envolve “amar a Deus e ao próximo”, e isso requer um relacionamento pessoal […]” (2014, p. 42).
Seguir a Cristo nos faz discípulos, mas também nos leva a servirmos. Um discípulo de Jesus é alguém que também faz discípulos. Assim sendo, não há lugar para uma vida narcisista e autocentrada no cristianismo. Novamente Ricardo Barbosa define de forma assertiva o narcisismo impregnado no comportamento humano quando diz que:
“O narcisismo é uma disfunção de caráter que tem dominado o cenário cultural, arrastando consigo os cristãos. O comportamento narcisista é definido como um sentimento de autoestima elevado, auto-absorvido, com fantasias de sucesso ilimitado, poder, inteligência, beleza ou amor ideal, alimentado pela crença de ser “especial”, que leva a explorar relacionamentos em busca de admiração […]. Para um narcisista, a realidade é concebida apenas dentro de seu universo fechado e egoísta” (2014, p. 27).
É muito perigoso termos uma opinião por demais elevada sobre nós, ao mesmo tempo que a baixa autoestima também é nociva. O equilibro é fundamental para conseguirmos ser cristãos centrados. O narcisismo nos leva a termos um comportamento autocentrado, que nos faz esquecermos do próximo. Não podemos esquecer que o mundo não gira em torno do nosso umbigo.
Quem me conhece e acompanha o meu site sabe que eu tenho a mesma opinião tanto da igreja quanto da sociedade. É visível o fato que a igreja está cada vez mais parecida com o mundo. Em vez de influenciar a sociedade com o evangelho, ela está se deixando moldar por ensinos equivocados.
É triste vermos o ser humano cada vez mais centrado em si, se esquecendo do próximo e é triste ver a igreja reproduzindo este mesmo comportamento. Ser Cristão é estar em comunhão, caminhando juntos. A igreja, como ele diz no livro, é uma pessoa, a igreja é Cristo e nós somos o corpo, por isso que a união é imprescindível.
O cristianismo é uma prática comunitária onde o egoísmo e o narcisismo não têm espaço!
BIBLIOGRAFIA
BARBOSA, Ricardo. Identidade perdida. Curitiba: Editora Encontro, 2014.
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CRIATIVIDADE ANULADA
Me preparei para uma reunião muito importante sobre um evento que deveria acontecer e precisava dar certo. É sempre complicado ser responsável por um projeto-piloto, mas eu tinha muitas ideias e algumas delas iriam nos salvar.
Não é tão fácil explicar a criatividade, a questão é que eu sempre fui criativo e tive ótimos insights. Saber solucionar um problema ou mesmo criar algo do zero são algumas das tarefas que uma mente criativa consegue empreender. O único problema é quando o seu líder não gosta muito de boas ideias.
Me preparei para a reunião e como sempre, precisei lidar com uma mente engessada, que não conseguia sair do lugar e visualizar o todo. Boas ideias, para surtir efeito, devem encontrar mentes que sabem escutar, que entendem que o nosso saber às vezes nos engana e por isso, não se abrem para o novo.
É comum alguém não ver o todo e com isso, não encontrar a solução para um problema ou mesmo agir da mesma forma, reproduzindo assim velhos erros e trabalhos rasos e sem conteúdo. Para conseguirmos mudar, aprender e crescer, não podemos ter medo do novo e precisamos, com isso, experimentar sempre estradas novas.
Uma mentalidade fixa refreia a criatividade e não aceita qualquer ideia. Um líder que não escuta, usa o seu orgulho e prepotência para calar a inspiração e pintar todo o ambiente de cinza.
Não é possível seguir fazendo as mesmas coisas, parafraseando uma antiga máxima, e acreditar que desta forma alguém vai obter resultados diferentes. Olhar além de nós, ouvindo e refletindo sobre novas ideias é o caminho para o crescimento.
Algumas situações nos colocam em caminhos sem saída, principalmente quando o trabalho não depende de nós. Com isso, nos resta colher as consequências de conviver com pessoas que não conseguem observar além de seus pontos de vista.
Quando a liderança não consegue olhar além e é rápida em calar quem tenta sair do senso comum, o ambiente se escurece e a criatividade ganha tons de loucura.
Uma boa liderança sabe da importância de escuta e do respeito, ele entende que pode não estar enxergando a solução que o seu liderado enxerga e é por isso que ele procura sempre dar voz as pessoas. Ter humildade para ouvir e a capacidade de admitir seus equívocos e limitações é o ponto de partida para incentivar as pessoas a trabalhar cada vez mais com excelência.
No final, guardei as minhas boas soluções e segui as orientações que me fariam executar o trabalho de forma muito mais demorada e sofrida, enquanto o líder do projeto aguardaria o momento para me responsabilizar, caso empreendimento não acontecesse como deveria.
Este é o ciclo de alguém que tem um líder com uma mentalidade engessada!
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O ARQUIPÉLAGO GULAG II: INQUÉRITOS COM TORTURAS
A criatividade é algo fenomenal. É com ela que ideias surgem, obras importantes ganham vida e belas músicas inundam a nossa realidade. Entretanto, ao ler o Arquipélago Gulag, constatei o lado obscuro da criatividade, quando o autor do livro narra as torturas que eram praticadas nos inquéritos na União Soviética.
Como mencionei no primeiro texto, no período do comunismo Russo, as pessoas eram presas sem saber o motivo. E em alguns casos, a censura prendia as pessoas por motivos banais. Sendo que a maioria dos presos passavam por inquéritos, e as torturas praticadas pelos responsáveis dos inquéritos faziam as pessoas confessarem crimes que não haviam praticado, tamanha a brutalidade dos atos. A lista de formas de tortura era grande, revelando uma obscura criatividade que aquelas pessoas tinham para torturar seres humanos.
Soljenítsyn (2019) explica que os métodos mais simples, que não deixavam vestígios de tortura, iam de ameaças, xingamentos grosseiros, humilhação, intimidação, entre tantas outras táticas. Em torturas mais complexas, os guardas deixavam o preso o dia inteiro em um lugar com uma luz muito forte, ou apertados em um compartimento minúsculo sem espaço algum para o indivíduo se mexer. Às vezes eles deixavam a pessoa em pé por dias sem beber nada ou mesmo com privação de sono e comida. As surras e alguns métodos mais insanos de tortura, também eram praticadas, em uma lista realmente grande e impressionante. Na abertura deste capítulo, Soljenítsyn já faz um resumo próprio, que já demonstra um pouco dos malignos métodos de tortura, fazendo uma conexão com as obras de Tchékhov:
“Se contassem aos intelectuais tchekhovianos, que sempre conjecturavam a respeito do que aconteceria dali a vinte, trinta, quarenta anos, que dali a quarenta anos, na velha Rússia, haveria inquéritos com tortura — que comprimiriam crânios com aros de ferro, que mergulhariam as pessoas em banheiras com ácido, que as torturariam, nuas e amarradas, com formigas, com percevejos, que pegariam varetas incandescentes, tiradas do fogareiro, e cravariam no orifício anal (a “marcação secreta”), e que, na variante mais branda, torturariam por uma semana com a privação de sono, com a sede, e que surrariam até deixar em carne viva —, nenhuma peça tchekhoviana teria chegado ao fim, todos os heróis teriam ido para o manicômio (SOLJENÍTSYN, 2019, p. 82).
Os inquéritos não tinham o objetivo de descobrir a verdade e sim, obrigar as pessoas a confessarem erros, para desta forma, justificar a sua prisão, sendo que alguns órgãos públicos podiam punir, sem que o réu precisasse passar por julgamento. Sendo assim, milhões de pessoas pagaram por crimes que não cometeram, sendo que a maioria morreu nestes campos de trabalho.
Sobre os julgamentos, em uma série de capítulos onde o autor fala das leis e de como foram julgados alguns casos, uma infeliz verdade ficou evidente, a intenção e a ação para eles eram a mesma coisa e o réu era condenado de igual forma. Este era um dos princípios das leis naquele tempo. Soljenítsyn complementa:
“Se a pessoa, na cama, sussurrou para a esposa que seria bom derrubar o governo soviético, ou se fez campanha durante as eleições, ou se jogou uma bomba — é tudo igual! A punição era a mesma!!!” (SOLJENÍTSYN, 2019, p. 171).
Como viver em um lugar onde a lei é relativa e aplicada de um modo totalmente autoritário? No final, tais processos serviam apenas de desculpas, não havia justiça, apenas imposição.
O autor faz uma observação importante sobre tudo o que aconteceu na Rússia e na Alemanha. Em 1966, na Alemanha Ocidental, muitos criminosos nazistas foram condenados. Sendo que os jornais e meios de comunicação da época não pouparam críticas ao terror realizado por eles. A pergunta que ele levanta é: por que a Rússia também não puniu os seus malfeitores, por conta do tamanho das atrocidades praticadas? (SOLJENÍTSYN, 2019, p. 109-110).
A maldade humana não tem medida, principalmente quando as pessoas cruzam a linha da coerência e da sanidade. Mais uma vez, diante de tais narrativas, não consigo me esquecer do texto bíblico que diz que não há um justo sequer, visto que tais atrocidades revelam justamente isso (Romanos 3:10-26). O ser humano longe de Deus é capaz de muitas coisas!
“Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só” (Romanos 3:10-12).
BIBLIOGRAFIA
SOLJENÍTSYN, Aleksandr. Arquipélago Gulag: Um experimento de investigação artística 1918 – 1956. São Paulo: Carambaia, 2019.
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PÃO E CIRCO: EQUÍVOCOS DA IGREJA CRISTÃ
Quando falamos em pão e circo, logo nos lembramos da política, roubalheira, dinheiro gasto em excessos, enquanto muitos ignoram o que acontece com o nosso país. Esta expressão nasceu durante o domínio de Roma, onde imperadores a fim de manterem a paz em seus reinos distribuíam divertimento e comida ao povo para mantê-los contentes e controlados. Isso acontecia há muitos anos, contudo, o assunto ainda é muito atual. Visto que, vemos em tempos de eleição as mesmas táticas em ação em prol de alienar e manipular pessoas.
Porém, engana-se quem acha que este método é usado somente na política, a igreja também tem suas artimanhas. Se olharmos para a igreja atual, veremos alguns pastores aplicando golpes semelhantes, usando tal tática para manipular seus fiéis.
A começar pela falta de ensino, que leva estas pessoas a viverem uma vida alienada e dependente. Contudo, se formos falar de todos os golpes que aplicam e todas as distorções que fazem da palavra, este texto viraria um livro, porém vale a pena analisar duas de suas principais distorções.
1) Não toque no ungido do senhor (1Samuel 26:9)
Este texto é muito usado em igrejas das mais diversas, por pastores que buscam serem intocáveis, fugindo de questionamentos. E é desta maneira, se colocando acima dos outros como soberanos, que eles seguem brincando de ser pastor. O engraçado é que a Bíblia diz: quem quer ser o primeiro, que seja o servo de todos (Mateus 20:26-27), mas este versículo eles esquecem. Porém, o que este texto quer dizer, “sobre não tocar no ungido”, é algo bem diferente. O texto aqui fala que Saul tinha levado um exército para caçar Davi, e este tendo oportunidade de matar o rei, não quis, por ser um ungido do senhor (CARSON, 2012, p. 485). O ungido do senhor, no contexto deste texto, seriam somente os reis, que eram escolhidos por Deus e ungidos com óleo. Este texto é muito usado por pastores, mas não se encaixa no conceito pastoral.
No Velho Testamento é possível vermos vários tipos de unção, o primeiro tipo é a unção de coisas, como os escudos que eram consagrados para a batalha (2 Samuel 1:21; Isaias 21:5), além do tabernáculo, o altar e também os móveis (Êxodo 30:26-29, 40:94; Gênesis 28:18, 35:14). O segundo tipo de unção era de pessoas, como os reis que eram ungidos para o trabalho, ou os sacerdotes e profetas (1 Reis 19:16; Levíticos 7:3, 10:7, 4:3; 1 Reis 1:39, 46; 19:16; 1 Samuel 10:1), que eram representantes de Deus na terra, entre tantos exemplos de unção que podemos encontrar na Bíblia. É interessante perceber que o adjetivo Cristo, ou seja, ungido, é encontrado por mais de quinhentas vezes no Novo Testamento, sendo que o próprio Jesus foi ungido com a presença do Espírito Santo (Lucas 4:18), que o capacitou a cumprir o seu chamado. E o próprio Cristo, quando foi ungido nos pés por uma mulher, disse que o seu hospedeiro poderia o ter ungido (Lucas 7:44-46), mostrando que ungir convidados era um costume da época (CHAMPLIN, 2013, p. 524). Naquele tempo, era normal oferecer um óleo perfumado aos convidados. Sendo assim, precisamos tomar cuidado com um termo que possui muitas aplicações.
Ser pastor é servir, ajudar, estender e mão, e não governar com mãos de ferro. Não há erro algum em nos corrigirmos, já que estamos todos sujeitos a erros. Em uma igreja cristã saudável, o prestar contas ou o fato do pastor ser aberto para questionamentos, com o respeito que todo o ser humano merece é claro, é uma prática importante e fundamental, para formar cristãos maduros e relevantes.
Eu não tenho problema algum em ser questionado, e muito menos de confessar um erro, quando eu assim o cometo. Todos nós erramos sendo nossa principal missão nos corrigir, então, tome cuidado com lideranças abusivas e orgulhosas.
2) Nascemos para ser cabeça e não cauda (Deuteronômio 28:13)
Este é outro texto usado de forma equivocada, que eu ouvi muito quando era novo, de pessoas que almejavam status, dinheiro e poder e pensavam, de forma errônea, que ser cristão era isso, reinar, ser poderoso e desfrutar do bom e do melhor. Contudo, o que o texto se referre é sobre algo totalmente diferente. Fala sobre a aliança de Israel, e as bênçãos e maldições provenientes do seu cumprimento ou da falta dele. Fala do povo de Israel, e do seu relacionamento com Deus (CARSON et al, 2012, p. 345).
Usar este texto como pretexto para ser abençoado é complicado, ainda mais para nós, que fomos avisados por Cristo que passaríamos por aflições (João 16:33). E se olharmos apenas para o Velho Testamento procurando benefícios materiais, fecharemos os olhos para o Novo Testamento, que mostra os apóstolos passando dificuldades, fome, e morrendo nas mãos de seus inimigos, desta forma, teremos uma suposta contradição.
Eu sempre digo que temos que ter cuidado de olhar para o Velho Testamento, sem o Novo nas mãos, caso contrário, certamente cometeremos equívocos. Ricardo Barbosa resume a intenção de muitos ao usar este texto de forma errada:
“Segundo alguns afirmam, fomos criados para sermos “cabeça e não cauda”, numa referência clara da cadeia de consumo, seja o consumo pelo poder (devemos ser cabeças nas empresas em que trabalhamos), seja no consumo de bens (melhores carros, casas, viagens). O maior sinal da benção do deus deste século é a prosperidade econômica e o bem-estar material” (2014, p. 68-69).
Quando eu falo sobre este tema, bato sempre na mesma tecla, ser cristão não é “ter” ou “ser o melhor”. O chamado de Cristo sempre foi o do arrependimento, de voltarmos os olhos para Deus. O cristão não é aquele que não tem problemas e é próspero, e sim, o que guarda e segue os mandamentos de Cristo (João 14:21).
É fácil um cristão se influenciar com as prioridades do deus deste século e adaptar a mensagem cristã a seu bel-prazer. Principalmente hoje, que vemos muitos pastores vendendo uma mensagem como se fosse o evangelho, por existirem muitos que acreditam que ser cristão é isso.
Eu sempre digo, repetindo os ensinos da palavra: Cuidado com os falsos mestres, não aceite tudo sem refletir ou questionar. Tenha certeza do que está sendo ensinado e na dúvida, consulte a Bíblia. Muitas vezes o problema está dentro de nossas próprias igrejas, cabe a nós sermos relevantes, para confrontar, mudando assim esta realidade. E é só com o pleno entendimento da palavra que conseguiremos fazer isso.
BIBLIOGRAFIA
BARBOSA, Ricardo. Identidade perdida. Curitiba: Editora Encontro, 2014.
CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2012.
CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, teologia & filosofia: Volume 6. São Paulo: Hagnos, 2013.
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ADAPTANDO OS NOSSOS DESEJOS A REALIDADE
“Adapte seus desejos à realidade” (2018, p. 41).
Epicteto
A arte de viver bem está ligada ao quanto conseguimos nos adaptar a nossa realidade financeira. Quem consegue viver de modo equilibrado com o que tem, acaba tendo menos problemas para resolver.
Conheci muitos que viviam uma vida de carência e falta, por não saber gastar e não conseguir se adequar a sua realidade. Algumas destas pessoas até tinham bons salários, mas viviam de modo nababesco, sempre gastando mais do que tinham.
Antes de tomar uma atitude para mudar a sua realidade financeira, seja estudando ou empreendendo, é fundamental aprender a viver com o que tem e adequar seus desejos a realidade no qual você vive. Aprender a gastar, avaliar se você precisa de tudo o que sonha ter, é fundamental.
A princípio, quando eu vou comprar algo, eu sempre reflito e penso se necessito daquele objeto. Não é vantajoso adquirir algo, que não será tão usado. E se me for útil, busco o melhor e mais adequado a minha realidade. Muitos se guiam pelo prestígio que o bem pode trazer e assim, acabam gastando mais do que pode. Ter algo apenas para vender uma imagem não é lucrativo, visto que, no final, a motivação é agradar ou impressionar outros, algo quer eu considero puramente fútil e sem necessidade.
Quem vive de forma exagerada não tem paz, está sempre preocupado, no limite e tapando buracos. E tal situação, reflete em todas as outras áreas da sua vida em um espiral de falta de paz, preocupação e desânimo.
Já quem sabe se adequar, vive mais tranquilo, aproveitando o que tem de modo centrado e sem incômodos. São nestes momentos que usamos a criatividade para fazer muitas coisas e acabamos aproveitando ainda mais. Visitei parques realmente lindos, em tempos que eu não tinha condições de viajar. Conheci lugares maravilhosos, quando eu conseguia viajar apenas para lugares próximos. É disso que eu estou falando, nem tudo é dinheiro e a criatividade ajuda muito nestes momentos.
Não podemos ter tudo, mas podemos viver satisfeitos com o que temos, e conforme seguimos, podemos planejar dar passos para mudar a nossa situação. E esta satisfação nos acompanha, tendo ou não condições. Coisa que nem sempre acontece com aqueles que possuem muito dinheiro.
Saber adaptar as coisas que você deseja a sua realidade é um princípio que ajuda você a viver bem e com alguma paz. Dar passos coesos e seguros, para aos poucos ir dando passos maiores é muito melhor do que seguir sem paz.
Ou você aprende a se adaptar e dar passos coerentes, ou seguirá como um refém das coisas. Se aproveitar a vida é isso, eu não quero aproveitar!
BIBLIOGRAFIA
EPICTETO. A arte de viver: Epicteto, uma nova interpretação de Sharon Lebell. Rio de janeiro: Sextante, 2018.
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CARTA AO LEITOR: VOZ SOLITÁRIA
Sou apenas mais uma voz neste mar de opções que é a internet, uma voz insistente, que não se guia por números, fama ou destaques. Faço o que eu gosto de fazer e sigo, colhendo frutos e o aprendizado que o estudo e a escrita propõem. É sempre complicado definir o que é sucesso, mas de maneira simples e direta, ter sucesso é perceber o crescimento que conquistamos durante a caminhada.
Uma coisa que aprendi com todos os projetos que empreendi, desde a banda Hawthorn, no qual eu tive a oportunidade de levar a palavra de Deus nos mais diversos lugares, além de ter gravado CDs. Até os livros que escrevi e este site, é que o retorno nem sempre é o que esperamos e saber olhar um projeto de forma clara, tendo assim expectativas coesas são elementos definidores para que você consiga continuar de modo produtivo.
Este site, por exemplo, possui muitas visualizações, mas perto dos sites grandes, eu sou um grão de areia. Mas perceba que as minhas expectativas são modestas, sendo que o meu maior retorno é estar sempre escrevendo e estudando, e isso não tem preço e reflete na minha vida pessoal e profissional.
É fácil você desanimar caso entre em um empreendimento comparando os seus resultados, com os resultados de outras pessoas. O que você precisa fazer, para não cair neste equívoco, é olhar para a sua história e perceber o seu crescimento. É injusto e perigoso nos compararmos com outros. No entanto, é prazeroso olharmos para trás e percebemos o percurso da nossa jornada.
Por isso, inicie sempre algo com os dois pés no chão, definindo metas e resultados coesos, buscando crescer um pouco a cada dia. Aprenda olhar para a sua história e constatar seu crescimento diante de uma vida de bons hábitos e constância. E comemore cada pequeno resultado.
O site me fez crescer e o hábito de leitura e escrita, virar uma rotina. Só isso já é um motivo de comemoração, é algo que me faz continuar e não desistir. Não espero milhões de acessos, sigo minha caminhada, propondo conteúdos e escrevendo sempre e sem parar.
Quando entendemos que números nem sempre são justos, aprendemos a fazer algo, focado no processo e na qualidade das coisas que fazemos. E se podemos ajudar as pessoas, mesmo não sendo muitas, já podemos nos considerar vitoriosos. Que no mais, são só lições e ferramentas que servem para o nosso crescimento.
O escritor que eu sou hoje aprendeu muito ao buscar manter este site atualizado e isso não tem preço. Quando eu olho para trás e lembro quem eu era e quem eu sou agora, não consigo ficar triste. E isso já basta para me fazer continuar.
É disto que eu estou falando, aprenda a medir o sucesso a partir do seu crescimento, o restante, são só acréscimos!
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O ARQUIPÉLAGO GULAG I: A INDÚSTRIA CARCERÁRIA
“As prisões se propagavam pelas ruas e casas como uma epidemia. Montes de vítimas! Bolos de vítimas!” (SOLJENÍTSYN, 2019, p. 73).
Aleksandr Soljenítsyn
O ser humano esquece facilmente de algumas lições. Em meio às facilidades modernas, ele muitas vezes apaga da memória fatos e acontecimentos históricos importantes, por isso, termina, em muitos casos, por repetir erros e equívocos, ainda mais quando o tema é política. A parte boa é que os livros deixam registrados os acontecimentos, para que o ser humano não repita erros passados, mas como nem todos leem tais obras, muitos dos equívocos se repetem.
O livro Arquipélago Gulag, escrito por Aleksandr Soljenítsyn, é uma destas importantes obras, que relatam os horrores dos Gulags soviéticos, nos revelando a realidade mórbida do totalitarismo.
A palavra Gulag é um acrônico de Administração Geral dos Campos, sendo que esta divisão era uma das cinco mais importantes do Ministério do Interior (SOLJENÍTSYN, 2019, p. 672). Os Gulags eram campos de trabalhos forçados para opositores da União Soviética, presos políticos e criminosos.
No primeiro capítulo da obra, chamado de Indústria carcerária, o livro começa relatando como as pessoas enviadas para os Gulags, eram presas de forma misteriosa e surreal. Pessoas eram assaltadas a noite, muitas vezes acordadas de forma repentina em suas casas e levadas sem explicação alguma. Ou presos na rua em plena luz do dia, nas vistas de todos.
Em um dos casos, uma mulher foi presa enquanto assistia à peça do Teatro Bolchói com um homem que a cortejava, mas que acabou prendendo-a. Outras pessoas eram detidas por meio de agentes que se disfarçavam de eletricistas, vizinhos ou motoristas, com o intuito de efetuar a prisão. E o motivo ninguém sabia e por mais que alguns tivessem a esperança da prisão ter sido “equivocada” e o engano posteriormente ser resolvido, normalmente não era. As pessoas eram presas, sem saber o porquê ou mesmo por motivos banais, e permaneciam sofrendo naqueles lugares.
Soljenítsyn mesmo, havia sido preso pela censura, por chamar Stálin de chefão, em uma correspondência secreta com um amigo de escola. Perceba como a censura não admitia erro algum, mesmo um inocente apelido (SOLJENÍTSYN, 2019, p. 14). Tais fatos descritos no livro me salta aos olhos e me obriga a olhar para a nossa atual fase política, para a imposição e censura que parece estar surgindo em nosso país. Soljenítsyn comenta que:
“Durante algumas décadas, as nossas prisões políticas distinguiram-se justamente por capturar pessoas que não eram culpadas de nada, e por isso mesmo despreparadas para qualquer resistência (SOLJENÍTSYN, 2019, p. 46)”.
A parte surreal do livro é que aos poucos as pessoas iam se acostumando e se conformando com aquelas prisões políticas, em uma estranha atitude de aceitação e estagnação. Era uma vida de terror, onde o medo de ser preso a qualquer momento, era uma das realidades. E ninguém conseguia reagir.
A perseguição religiosa também aconteceu com ares de Revolução eclesiástica, mostrando uma das conhecidas facetas do comunismo. A igreja Ortodoxa Russa foi perseguida e muitas pessoas presas, não pela sua crença, segundo eles, e sim por expressarem sua fé em voz alta e por educar os filhos na mesma religião, como se isso fosse errado. Por fim, apenas os membros da Igreja viva, que era um movimento de renovação eclesiástica, aceitaram as mudanças que o governo impôs as igrejas (SOLJENÍTSYN, 2019, p. 62-63).
Muitos outros grupos também foram perseguidos pelos motivos mais diversos, inclusive por serem de outras nacionalidades, imitando o que o próprio nazismo fez, revelando como um governo consegue instaurar o caos, quando não parte de princípios justos e da liberdade. O totalitarismo é assim, ele dita as regras e limita quem discorda ou pensa diferente. Soljenítsyn conclui o tema pontuando de forma bem realista que:
“A narrativa acima deveria, aparentemente, mostrar que, no desalojamento de milhões e no povoamento do Gulag, havia uma lógica calculada a sangue-frio e uma obstinação permanente. Que nossas prisões nunca estavam vazias, mas sempre cheias, ou desmedidamente superlotadas” (SOLJENÍTSYN, 2019, p. 80).
O livro é um alerta e nos ensina como a liberdade não tem preço e também revela como a maldade humana pode tomar proporções malignas. Isso que este texto fala apenas do primeiro capítulo da obra, a narrativa é bem longa e triste.
Idealizar um político ou um sistema de governo é perigoso. Brigar por um país com leis justas, que combatam este tipo de crueldade é fundamental para que nenhum país ressuscite tais atrocidades.
BIBLIOGRAFIA
SOLJENÍTSYN, Aleksandr. Arquipélago Gulag: Um experimento de investigação artística 1918 – 1956. São Paulo: Carambaia, 2019.
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AMOR PELO REINO
Eu sempre fui uma pessoa bem ativa na igreja, pregando, tocando e servindo. Sendo que esta é a minha visão de Reino de Deus: “Servir ao invés de ficar esperando ser servido”. Poder ajudar a obra de Deus seguir, participar de modo ativo na igreja é um resumo do que eu creio ser cristão. Cada um tem um chamado e poder exercer tal chamado é fundamental.
E eu confesso que esta é também uma das minhas decepções ao conhecer a realidade de muitas igrejas e cristãos. Conheço lugares onde a mentalidade é outra e ser servido, é o ponto de partida. Inclusive é comum ouvirmos: “precisamos ir à igreja para nos alimentar, para recarregarmos as nossas baterias”. Uma frase que é por si só equivocada, já que, se você não se alimentar em casa, em seu secreto, se não estudar a Bíblia e buscar a Deus diariamente, certamente você estará passando fome, por ouvir a palavra apenas uma ou duas vezes por semana.
A alegria em poder seguir a Cristo é justamente poder servir, é estar junto em comunhão e aprendendo também, é claro, não nego isto, mas o foco é nos ajudar mutualmente. Paulo fala da igreja como um corpo, mostrando como cada membro tem a sua função (Romanos 12: 4-5), isso é ser igreja. É exercer a sua função em prol do reino.
Este site, que hoje tem outros propósitos, surgiu também como uma forma de fazer algo, em um período no qual eu não tinha espaço na igreja. Com o tempo, ele me ajudou a manter uma rotina de estudos e de leitura. Conhecer a palavra de Deus e bons autores, vai refletir em nossa ação como cristãos.
Lembrando que servir não é viver super atarefado, visto que com isso, caímos em outros extremos tão perigosos quanto o de não servir, que é o ativismo. O problema do ativismo é que você gasta todo o seu tempo no serviço da igreja, mas nenhum no seu secreto com Deus, ou lendo e estudando a Bíblia, entre tantas atividades que precisamos priorizar. Ter um certo equilíbrio é fundamental na vida cristã.
Ser cristão não é viver para buscar benefícios próprios, esperando algum retorno de uma vida dedicada e fiel. É comum vermos muitos vivendo a partir da motivação em apenas querer ter, acumular coisas e bençãos, mas o correto posicionamento é a obediência, tendo um coração grato por tudo o que Deus fez por nós. A lógica bíblica é justamente a renúncia. Em Mateus Cristo nos dá justamente este ensinamento:
“Então Jesus disse aos seus discípulos: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mateus 16:24) (NVI).
O que significa negar a si mesmo? É uma ação de renúncia, é confessar os nossos pecados e se entregar de forma verdadeira nas mãos de Deus, cortando da nossa vida todas as coisas que não estão consoantes com o evangelho de Cristo (RIENECKER, 2012, p. 295).
O que significa tomar a sua cruz? Naquele tempo, era de praxe entre os romanos que aquele que havia sido condenado a morte, levasse a sua cruz até o local da sua execução. Sendo assim, tomar a cruz seria executar o seu eu, as suas vontades, em nome do reino. É um apelo a rendição e obediência, morrendo, se for preciso, em nome do evangelho (RIENECKER, 2012, p. 295).
É ser uma testemunha do Reino, custe o que custar. Significa servir e estar de prontidão para cumprir o propósito de Deus, para alcançar cada vez mais pessoas para o evangelho. Gosto como a Bíblia NTLH traduz esta passagem:
“E Jesus disse aos discípulos: —Se alguém quer ser meu seguidor, esqueça os seus próprios interesses, esteja pronto para morrer como eu vou morrer e me acompanhe” (Mateus 16:24) (NTLH).
A grande sacada é entender que o modo como pensamos e encaramos as situações definem muita coisa. Precisamos ter uma mentalidade de servo de Deus. Esta mentalidade é muito mais útil do que ser um mero ativista, que busca cumprir uma agenda, mas que não age motivado pela ação correta. Com tal mentalidade servimos em qualquer lugar, seja no trabalho, igreja ou onde Deus quiser nos colocar. O Apóstolo Paulo, lá no texto de Gálatas, nos dá um ensinamento importante para finalizarmos esta reflexão:
“Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gálatas 2:20) (NVI).
Quem entrega a sua vida a Deus, serve ao Reino, entende que obediência e um compromisso real, é muito melhor do que apenas seguir um cronograma.
BIBLIOGRAFIA
RIENECKER, Fritz. Evangelho de Mateus: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 2012.
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PERSISTÊNCIA E RENÚNCIA: A COMPLEXA ARTE DE DESISTIR
Nem tudo na vida é fácil e por isso, cultivar a habilidade de persistir é inevitável. Entender que projetos demandam insistência e constância, é imprescindível para não desistirmos nos primeiros desafios. A obra O velho e o mar de Ernest Hemingway (alerta de spoiler), discorre um pouco sobre isso.
O livro fala de um pescador idoso chamado Santiago, que sai para pescar, em um período de sua vida onde ele não conseguia apanhar peixe algum. No entanto, em um determinado dia, onde ele sai sozinho para pescar, Santiago apanha um peixe de um tamanho descomunal.
Com um texto bem fluído e escrita agradável, Hemingway segue contando o desafio que foi para este pescador conseguir vencer a batalha com o enorme peixe. Ele fica por dias tentando puxá-lo em uma verdadeira luta heroica sem soltar da linha que havia fisgado o grande animal marinho. O pior era que o bicho era insistente e não se dava por vencido, contudo, Santiago também não.
A história chama a atenção principalmente pela persistência do pescador. É possível aprendermos como é importante entrar em uma empreitada e não desistir nos primeiros contratempos. O livro fala de coragem, persistência e superação. E é realmente legal, quando já quase no final do livro, depois de muitos problemas e superações que Santiago enfrenta para não soltar da linha e deixar que o peixe fosse embora, ver o pescador conseguir abater o peixe e enfim, ganhar a batalha.
Os desafios fazem parte da nossa vida, com isso, persistir e não se entregar é fundamental, caso tenhamos a pretensão de concluir e finalizar as nossas iniciativas. Todos e quaisquer projetos não são fáceis, superar tais adversidades é necessário caso queira vencer. Conheço pessoas que acreditam que a vida é fácil e tudo vem em um piscar de olhos, mas a vida não é assim, persistir e vencer os obstáculos é necessário, é uma ação diária em nossa vida.
No entanto, a história não acaba neste ponto. Quando Santiago vence, amarra o peixe na lateral do barco e começa a voltar para casa, o pescador precisa vencer novas intempéries que são os tubarões que tentam abocanhar o enorme animal. E no final, ele chega em terra firme só com a carcaça do peixe. Aquele grande animal marinho que iria render um dinheiro que ajudaria muito o velho pescador que passava por uma grande dificuldade financeira, acabou se perdendo. Tudo foi embora e o livro terminou com aquela impressão de que todos os dias que Santiago gastou para pescar e enfim abater o peixe, foram perdidos.
Não costumo desistir tão fácil dos meus planos, sou insistente e sigo sempre firme rumo a conclusão e a vitória. Mas eu também aprendi como algumas missões já nascem perdidas e nem sempre vale a pena entrar em algumas batalhas.
Santiago levou dias para conseguir pescar o peixe, mas no final perdeu a sua conquista para os tubarões. E algumas das nossas missões são iguais, de igual forma já nascem perdidas, já nascem sem sucesso algum. Aparentemente alguns planos são ótimos, mas possuem pontos que revelam como no final eles não valem a pena.
Aprenda a planejar antes de entrar em uma empreitada e não desistir diante das primeiras dificuldades é fundamental, não podemos nos entregar por qualquer contrariedade, mas desistir de missões que já nascem falidas, também é importante. No caso do Santiago, se ele soubesse o que iria acontecer depois de ter pescado o peixe, ele poderia ter soltado a linha e continuado a sua pesca.
Por isso, aprenda a planejar e avaliar tudo antes de começar um novo projeto. E seja bem realista e pé no chão para não ser enganado por desafios que já nascem arruinados.
Persistir é fundamental, mas em alguns momentos é uma atitude sábia desistir de alguns projetos, principalmente aqueles que já nascem perdidos!
