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O ARQUIPÉLAGO GULAG I: A INDÚSTRIA CARCERÁRIA
“As prisões se propagavam pelas ruas e casas como uma epidemia. Montes de vítimas! Bolos de vítimas!” (SOLJENÍTSYN, 2019, p. 73).
Aleksandr Soljenítsyn
O ser humano esquece facilmente de algumas lições. Em meio às facilidades modernas, ele muitas vezes apaga da memória fatos e acontecimentos históricos importantes, por isso, termina, em muitos casos, por repetir erros e equívocos, ainda mais quando o tema é política. A parte boa é que os livros deixam registrados os acontecimentos, para que o ser humano não repita erros passados, mas como nem todos leem tais obras, muitos dos equívocos se repetem.
O livro Arquipélago Gulag, escrito por Aleksandr Soljenítsyn, é uma destas importantes obras, que relatam os horrores dos Gulags soviéticos, nos revelando a realidade mórbida do totalitarismo.
A palavra Gulag é um acrônico de Administração Geral dos Campos, sendo que esta divisão era uma das cinco mais importantes do Ministério do Interior (SOLJENÍTSYN, 2019, p. 672). Os Gulags eram campos de trabalhos forçados para opositores da União Soviética, presos políticos e criminosos.
No primeiro capítulo da obra, chamado de Indústria carcerária, o livro começa relatando como as pessoas enviadas para os Gulags, eram presas de forma misteriosa e surreal. Pessoas eram assaltadas a noite, muitas vezes acordadas de forma repentina em suas casas e levadas sem explicação alguma. Ou presos na rua em plena luz do dia, nas vistas de todos.
Em um dos casos, uma mulher foi presa enquanto assistia à peça do Teatro Bolchói com um homem que a cortejava, mas que acabou prendendo-a. Outras pessoas eram detidas por meio de agentes que se disfarçavam de eletricistas, vizinhos ou motoristas, com o intuito de efetuar a prisão. E o motivo ninguém sabia e por mais que alguns tivessem a esperança da prisão ter sido “equivocada” e o engano posteriormente ser resolvido, normalmente não era. As pessoas eram presas, sem saber o porquê ou mesmo por motivos banais, e permaneciam sofrendo naqueles lugares.
Soljenítsyn mesmo, havia sido preso pela censura, por chamar Stálin de chefão, em uma correspondência secreta com um amigo de escola. Perceba como a censura não admitia erro algum, mesmo um inocente apelido (SOLJENÍTSYN, 2019, p. 14). Tais fatos descritos no livro me salta aos olhos e me obriga a olhar para a nossa atual fase política, para a imposição e censura que parece estar surgindo em nosso país. Soljenítsyn comenta que:
“Durante algumas décadas, as nossas prisões políticas distinguiram-se justamente por capturar pessoas que não eram culpadas de nada, e por isso mesmo despreparadas para qualquer resistência (SOLJENÍTSYN, 2019, p. 46)”.
A parte surreal do livro é que aos poucos as pessoas iam se acostumando e se conformando com aquelas prisões políticas, em uma estranha atitude de aceitação e estagnação. Era uma vida de terror, onde o medo de ser preso a qualquer momento, era uma das realidades. E ninguém conseguia reagir.
A perseguição religiosa também aconteceu com ares de Revolução eclesiástica, mostrando uma das conhecidas facetas do comunismo. A igreja Ortodoxa Russa foi perseguida e muitas pessoas presas, não pela sua crença, segundo eles, e sim por expressarem sua fé em voz alta e por educar os filhos na mesma religião, como se isso fosse errado. Por fim, apenas os membros da Igreja viva, que era um movimento de renovação eclesiástica, aceitaram as mudanças que o governo impôs as igrejas (SOLJENÍTSYN, 2019, p. 62-63).
Muitos outros grupos também foram perseguidos pelos motivos mais diversos, inclusive por serem de outras nacionalidades, imitando o que o próprio nazismo fez, revelando como um governo consegue instaurar o caos, quando não parte de princípios justos e da liberdade. O totalitarismo é assim, ele dita as regras e limita quem discorda ou pensa diferente. Soljenítsyn conclui o tema pontuando de forma bem realista que:
“A narrativa acima deveria, aparentemente, mostrar que, no desalojamento de milhões e no povoamento do Gulag, havia uma lógica calculada a sangue-frio e uma obstinação permanente. Que nossas prisões nunca estavam vazias, mas sempre cheias, ou desmedidamente superlotadas” (SOLJENÍTSYN, 2019, p. 80).
O livro é um alerta e nos ensina como a liberdade não tem preço e também revela como a maldade humana pode tomar proporções malignas. Isso que este texto fala apenas do primeiro capítulo da obra, a narrativa é bem longa e triste.
Idealizar um político ou um sistema de governo é perigoso. Brigar por um país com leis justas, que combatam este tipo de crueldade é fundamental para que nenhum país ressuscite tais atrocidades.
BIBLIOGRAFIA
SOLJENÍTSYN, Aleksandr. Arquipélago Gulag: Um experimento de investigação artística 1918 – 1956. São Paulo: Carambaia, 2019.
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AMOR PELO REINO
Eu sempre fui uma pessoa bem ativa na igreja, pregando, tocando e servindo. Sendo que esta é a minha visão de Reino de Deus: “Servir ao invés de ficar esperando ser servido”. Poder ajudar a obra de Deus seguir, participar de modo ativo na igreja é um resumo do que eu creio ser cristão. Cada um tem um chamado e poder exercer tal chamado é fundamental.
E eu confesso que esta é também uma das minhas decepções ao conhecer a realidade de muitas igrejas e cristãos. Conheço lugares onde a mentalidade é outra e ser servido, é o ponto de partida. Inclusive é comum ouvirmos: “precisamos ir à igreja para nos alimentar, para recarregarmos as nossas baterias”. Uma frase que é por si só equivocada, já que, se você não se alimentar em casa, em seu secreto, se não estudar a Bíblia e buscar a Deus diariamente, certamente você estará passando fome, por ouvir a palavra apenas uma ou duas vezes por semana.
A alegria em poder seguir a Cristo é justamente poder servir, é estar junto em comunhão e aprendendo também, é claro, não nego isto, mas o foco é nos ajudar mutualmente. Paulo fala da igreja como um corpo, mostrando como cada membro tem a sua função (Romanos 12: 4-5), isso é ser igreja. É exercer a sua função em prol do reino.
Este site, que hoje tem outros propósitos, surgiu também como uma forma de fazer algo, em um período no qual eu não tinha espaço na igreja. Com o tempo, ele me ajudou a manter uma rotina de estudos e de leitura. Conhecer a palavra de Deus e bons autores, vai refletir em nossa ação como cristãos.
Lembrando que servir não é viver super atarefado, visto que com isso, caímos em outros extremos tão perigosos quanto o de não servir, que é o ativismo. O problema do ativismo é que você gasta todo o seu tempo no serviço da igreja, mas nenhum no seu secreto com Deus, ou lendo e estudando a Bíblia, entre tantas atividades que precisamos priorizar. Ter um certo equilíbrio é fundamental na vida cristã.
Ser cristão não é viver para buscar benefícios próprios, esperando algum retorno de uma vida dedicada e fiel. É comum vermos muitos vivendo a partir da motivação em apenas querer ter, acumular coisas e bençãos, mas o correto posicionamento é a obediência, tendo um coração grato por tudo o que Deus fez por nós. A lógica bíblica é justamente a renúncia. Em Mateus Cristo nos dá justamente este ensinamento:
“Então Jesus disse aos seus discípulos: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mateus 16:24) (NVI).
O que significa negar a si mesmo? É uma ação de renúncia, é confessar os nossos pecados e se entregar de forma verdadeira nas mãos de Deus, cortando da nossa vida todas as coisas que não estão consoantes com o evangelho de Cristo (RIENECKER, 2012, p. 295).
O que significa tomar a sua cruz? Naquele tempo, era de praxe entre os romanos que aquele que havia sido condenado a morte, levasse a sua cruz até o local da sua execução. Sendo assim, tomar a cruz seria executar o seu eu, as suas vontades, em nome do reino. É um apelo a rendição e obediência, morrendo, se for preciso, em nome do evangelho (RIENECKER, 2012, p. 295).
É ser uma testemunha do Reino, custe o que custar. Significa servir e estar de prontidão para cumprir o propósito de Deus, para alcançar cada vez mais pessoas para o evangelho. Gosto como a Bíblia NTLH traduz esta passagem:
“E Jesus disse aos discípulos: —Se alguém quer ser meu seguidor, esqueça os seus próprios interesses, esteja pronto para morrer como eu vou morrer e me acompanhe” (Mateus 16:24) (NTLH).
A grande sacada é entender que o modo como pensamos e encaramos as situações definem muita coisa. Precisamos ter uma mentalidade de servo de Deus. Esta mentalidade é muito mais útil do que ser um mero ativista, que busca cumprir uma agenda, mas que não age motivado pela ação correta. Com tal mentalidade servimos em qualquer lugar, seja no trabalho, igreja ou onde Deus quiser nos colocar. O Apóstolo Paulo, lá no texto de Gálatas, nos dá um ensinamento importante para finalizarmos esta reflexão:
“Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gálatas 2:20) (NVI).
Quem entrega a sua vida a Deus, serve ao Reino, entende que obediência e um compromisso real, é muito melhor do que apenas seguir um cronograma.
BIBLIOGRAFIA
RIENECKER, Fritz. Evangelho de Mateus: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 2012.
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PERSISTÊNCIA E RENÚNCIA: A COMPLEXA ARTE DE DESISTIR
Nem tudo na vida é fácil e por isso, cultivar a habilidade de persistir é inevitável. Entender que projetos demandam insistência e constância, é imprescindível para não desistirmos nos primeiros desafios. A obra O velho e o mar de Ernest Hemingway (alerta de spoiler), discorre um pouco sobre isso.
O livro fala de um pescador idoso chamado Santiago, que sai para pescar, em um período de sua vida onde ele não conseguia apanhar peixe algum. No entanto, em um determinado dia, onde ele sai sozinho para pescar, Santiago apanha um peixe de um tamanho descomunal.
Com um texto bem fluído e escrita agradável, Hemingway segue contando o desafio que foi para este pescador conseguir vencer a batalha com o enorme peixe. Ele fica por dias tentando puxá-lo em uma verdadeira luta heroica sem soltar da linha que havia fisgado o grande animal marinho. O pior era que o bicho era insistente e não se dava por vencido, contudo, Santiago também não.
A história chama a atenção principalmente pela persistência do pescador. É possível aprendermos como é importante entrar em uma empreitada e não desistir nos primeiros contratempos. O livro fala de coragem, persistência e superação. E é realmente legal, quando já quase no final do livro, depois de muitos problemas e superações que Santiago enfrenta para não soltar da linha e deixar que o peixe fosse embora, ver o pescador conseguir abater o peixe e enfim, ganhar a batalha.
Os desafios fazem parte da nossa vida, com isso, persistir e não se entregar é fundamental, caso tenhamos a pretensão de concluir e finalizar as nossas iniciativas. Todos e quaisquer projetos não são fáceis, superar tais adversidades é necessário caso queira vencer. Conheço pessoas que acreditam que a vida é fácil e tudo vem em um piscar de olhos, mas a vida não é assim, persistir e vencer os obstáculos é necessário, é uma ação diária em nossa vida.
No entanto, a história não acaba neste ponto. Quando Santiago vence, amarra o peixe na lateral do barco e começa a voltar para casa, o pescador precisa vencer novas intempéries que são os tubarões que tentam abocanhar o enorme animal. E no final, ele chega em terra firme só com a carcaça do peixe. Aquele grande animal marinho que iria render um dinheiro que ajudaria muito o velho pescador que passava por uma grande dificuldade financeira, acabou se perdendo. Tudo foi embora e o livro terminou com aquela impressão de que todos os dias que Santiago gastou para pescar e enfim abater o peixe, foram perdidos.
Não costumo desistir tão fácil dos meus planos, sou insistente e sigo sempre firme rumo a conclusão e a vitória. Mas eu também aprendi como algumas missões já nascem perdidas e nem sempre vale a pena entrar em algumas batalhas.
Santiago levou dias para conseguir pescar o peixe, mas no final perdeu a sua conquista para os tubarões. E algumas das nossas missões são iguais, de igual forma já nascem perdidas, já nascem sem sucesso algum. Aparentemente alguns planos são ótimos, mas possuem pontos que revelam como no final eles não valem a pena.
Aprenda a planejar antes de entrar em uma empreitada e não desistir diante das primeiras dificuldades é fundamental, não podemos nos entregar por qualquer contrariedade, mas desistir de missões que já nascem falidas, também é importante. No caso do Santiago, se ele soubesse o que iria acontecer depois de ter pescado o peixe, ele poderia ter soltado a linha e continuado a sua pesca.
Por isso, aprenda a planejar e avaliar tudo antes de começar um novo projeto. E seja bem realista e pé no chão para não ser enganado por desafios que já nascem arruinados.
Persistir é fundamental, mas em alguns momentos é uma atitude sábia desistir de alguns projetos, principalmente aqueles que já nascem perdidos!
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A RESSURREIÇÃO DE CRISTO: UMA DEFESA HISTÓRICA
Chesterton, em um artigo chamado Sobre Crenças, do livro Sobre escrever mal, faz uma crítica ácida a um autor e um de seus sarcásticos comentários sobre a ressurreição de Jesus Cristo. Este escritor pontua que, aqueles que acreditam na ressurreição de Cristo, precisam, de igual forma, acreditar na história de Aladim e as Mil e Uma Noites. O autor transforma a ressurreição de Jesus em um conto de fadas, como se não houvessem testemunhas confirmando o que aconteceu.
A narrativa de Chesterton me chamou atenção, justamente porque é comum vermos muitos comentários que seguem a mesma lógica. Inúmeros autores que diminuem todas as narrativas dos Evangelhos, duvidando do conteúdo destes textos.
Sobre Cristo e a sua ressurreição, nós temos em média dez testemunhas históricas que validam a existência de Jesus Cristo, como, por exemplo: Flávio Josefo (37 – 100 d. C), o maior historiador judeu do seu tempo; o historiador romano Tácito (56 – 117 d. C.); Plínio (23 – 79 d. C.), sendo ele um político romano; Suetônio (69 – 141 d. C.), entre tantos (GEISLER et al, 2012, p. 228). Percebam que foram muitos os que narraram a história de Cristo, validando assim o acontecimento.
Eusébio de Cesaréia (263 – 340 d. C.), um importante historiador dos primeiros séculos da igreja. Sendo ele um sábio, incumbido de narrar a história do mundo a pedido de um rei, escrevendo assim a significativa obra História Eclesiástica, comentou como o testemunho de Flávio Josefo (38 – 100 d. C) foi fundamental para provar a história e a ressurreição de Jesus, visto que, ele não era um cristão, por isso, não tinha motivos para forjar uma história ou sustentar uma narrativa, caso ela fosse mentirosa ou duvidosa (1999, p. 40-41). Sobre Jesus Cristo, logo após falar sobre João Batista, Josefo explica que:
“Na mesma época, havia certo Jesus, homem sábio, se de fato é apropriado chamá-lo de homem. Pois era realizador de feitos extraordinários; mestre dos homens, os quais recebiam sua doutrina com prazer; e juntou a si muitos dos judeus, muitos também gregos. Esse era o Cristo. Depois que Pilatos infligiu a punição da cruz a Ele, sob acusação de nossos principais homens, os que antes estavam ligados a Ele não deixaram de amá-lo, pois apareceu novamente vivo no terceiro dia, de acordo com os santos profetas que haviam declarado essas e inumeráveis outras coisas a respeito dEle” (apud CESARÉIA, 1999, p. 41-42).
A explicação é realmente maravilhosa por se tratar de alguém que viveu no primeiro século da igreja e também por ser judeu e não cristão, tendo todos os motivos para não apoiar o cristianismo, como já mencionei, contudo, ele testemunhou um fato que realmente aconteceu, caso contrário, certamente ele teria desmentido a narrativa.
O Apóstolo Paulo fala da morte e ressurreição de Cristo (1 Coríntios 15:6), enfatizando como o acontecimento foi real e foi presenciado pelos doze discípulos, e também por mais de quinhentos irmãos. Notem que, se fosse algo forjado, como alguns acreditam, certamente o equívoco teria sido desmentido por conta do grande número de testemunhas, mas ao contrário, foram muitos os que viram Jesus ressurreto e confirmaram a sua ressurreição. O cristianismo não é fundamentado em fábulas e historinhas para dormir. Muitos escreveram sobre isso e perceberam a veracidade da história.
Apesar disso, precisamos levar em consideração outro ponto fundamental, os apóstolos e discípulos de Cristo foram perseguidos em seu tempo, muitos morreram e foram torturados, sendo assim, se fosse uma fraude, certamente algum dos muitos discípulos, teriam revelado a mentira. Chesterton complementa justamente este fato quando pontua que:
“Os Apóstolos o poderiam ter escondido para anunciar um milagre falso, mas é muito difícil imaginar que homens sejam torturados e mortos pela veracidade de um milagre que sabiam ser uma fraude” (2021, p. 42).
O cristianismo por conta da sua mensagem e tudo o que Jesus Cristo fez, inclusive por confrontar o judaísmo e o contexto da época, teria tudo para dar errado, mas no final, tudo serviu como uma garantia da veracidade dos fatos. Jesus caminhou contra a lógica do seu tempo e nos deixou uma importante mensagem e a história confirma todos os seus feitos, a sua morte e ressurreição, comprovando que a narrativa bíblica é fiel.
Mateus termina a sua narrativa falando primeiro sobre a ressurreição de Cristo (Mateus 28:1-10) e depois sobre um episódio onde os sacerdotes subornam os guardas do túmulo, para que eles afirmassem que o corpo de Jesus havia sido roubado, em um momento que eles estavam dormindo (Mateus 28: 11-15).
Havia toda uma força tentando invalidar tudo o que aconteceu, isso desde o começo do ministério de Jesus. Mas os inúmeros testemunhos mostram uma verdade apenas: “Jesus Cristo morreu e ressuscitou, esta é uma importante verdade do evangelho!”.
Durante os quarenta dias após seu sofrimento e morte, Jesus apareceu aos apóstolos diversas vezes. Ele lhes apresentou muitas provas claras de que estava vivo e lhes falou do reino de Deus (Atos 1:3).
BIBLIOGRAFIA
CESAREIA, Eusébio. História eclesiástica: Os primeiros quatro séculos da Igreja cristã. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
CHESTERTON, Gilbert K. Sobre escrever mal: E outros escritos. Rio de Janeiro: Editora CDB, 2021.
GEISLER, Norman.; TUREK, Frank. Não tenho fé suficiente para ser ateu. São Paulo: Editora Vida, 2012.
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O DIA DO TEÓLOGO
Já ouvi muitos proferirem críticas a teologia e aos teólogos, como se a teologia servisse apenas para complicar a vida dos cristãos. Entretanto, por mais que possam existir teólogos que compliquem a mensagem do evangelho, a boa teologia serve como ferramenta para entendermos a bíblia. Ela nos ajuda a não cairmos em erros e contradições. Uma boa teologia aproxima o leitor das boas interpretações, por isso, estudar teologia é fundamental, principalmente para aqueles que pretender trabalhar na obra de Deus.
Gosto de estudar, sendo que eu sou um daqueles indivíduos que descobriu a alegria que é poder estudar a Bíblia. Entender a mensagem de Deus e crescer como cristão, passa pelo caminho de entendermos a sua palavra. É indispensável estudarmos a Palavra de Deus, para assim seguirmos a sua vontade.
Conforme o tempo passava, senti a necessidade de cursar um Bacharelado em teologia. Eu sentia que precisava aprender mais e conhecer todas as ferramentas que nos ajudam a interpretar o texto bíblico, por isso, hoje eu sou teólogo. Já na conclusão da minha graduação resolvi montar este blog para propor reflexões e teologia prática aos cristãos.
Um bom teólogo ajuda as pessoas a entenderem a Bíblia, ele adapta ferramentas úteis para a compreensão do evangelho e também, propõe estudos e interpretações para textos bíblicos complicados.
A Bíblia é a palavra de Deus, escrita com linguagem humana, sendo assim, entender o contexto histórico e as línguas originais são ações importantes para que o cristão tenha uma compreensão realmente acurada da palavra de Deus. E o teólogo é aquele profissional que possui as ferramentas necessárias para este desafio.
Dia 30 de novembro comemoramos o dia do teólogo, sendo ele, o profissional que ajuda os cristãos a terem uma acurada interpretação da Bíblia. Que neste dia, possamos valorizar aqueles que gastam o seu tempo debruçado em livros, com o intuito de entender e interpretar a Bíblia de forma relevante.
É bom nos lembrar que a maioria dos pastores sérios, estudaram teologia e tiveram em sua caminhada de estudos, a presença destes teólogos, ajudando-os e auxiliando-os a compreenderem e mergulharem mais a fundo no texto bíblico.
Valorize aqueles que ajudam você a entender ainda mais a palavra de Deus!
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A FÓRMULA DA BENÇÃO
Sou alguém que costuma se planejar, gosto de entender quais são os passos importantes para um projeto dar certo e criar uma estratégia para ir executando de forma assertiva um determinado objetivo. Todavia, quando falamos de oração, falamos de uma entrega, da ação de colocar nas mãos de Deus os nossos enseios e dificuldades e esperar que ele atenda, conforme a sua sabedoria e não a nossa.
Costumamos colocar Deus em uma caixinha quando acreditamos que ele age apenas se formos ungidos com o óleo certo, ou que a oração precisa ser feita por determinado pastor. A ação de Deus não depende de alguém, do que fazemos ou deixamos de fazer e sim, apenas da sua soberana vontade. Dan Allender e Larry Crabb acrescentam:
“Banalizamos a Deus quando dependemos mais da precisão de nossa tática do que de seu coração amoroso” (1998, p. 55).
Não existem táticas infalíveis ou receitas prontas que validem a nossa oração, o que existe é a oração sincera e a plena confiança de que Deus nos atenderá, segundo a sua vontade. É evidente que devemos buscar a Deus, orar e cultivar uma vida diária de oração, a questão é que precisamos colocar de lado as “fórmulas” e aprender a seguir, confiando em sua vontade, visto que, nem sempre somos atendidos como acreditamos que deveríamos ser. E isso não se dá por termos orado de forma “errada” e sim devido à santa vontade de Deus.
A resposta a oração não parte do ser humano, de sua força ou técnica, ela começa em Deus, a ação é sua, e não depende de uma fórmula infalível. Orar é se entregar, é buscar a Deus, focando não em nossos desejos, mas na vontade plena de ter contato e intimidade com o criador.
Não existe fórmula da benção e sim, um momento de entrega e intimidade, que, no mais, são acréscimos. Os cristãos precisam entender quão maravilhoso é a oração, a oportunidade de estar em secreto com Deus, desfrutando da sua presença é um momento único. É claro que neste momento nós pedimos, agradecemos e derramamos nosso coração a Deus. Mas o foco deve ser a intimidade sincera de estar falando com o nosso Criador.
É evidente que temos um ótimo modelo de oração lá em Mateus (6:9-13), sendo que tal oração não é um mantra, mas um exemplo a seguir, com o propósito de cultivarmos uma oração mais madura, contudo, na dúvida, apenas ore, em todo o tempo, persevere sempre na oração. Efésios diz:
“Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos” (Efésios 6:18).
Eu agradeço por ter um Deus no qual eu posso falar e ser ouvido, isso não tem preço e confiar nele é imprescindível para vivermos uma vida mais centrada. Ore em todo o tempo e em qualquer ocasião, seja para agradecer, pedir ou cultivar um momento de intimidade com o criador, entendendo que Deus responde segundo a sua sabedoria e vontade.
Creia que Deus é aquele que nos ouve e também o único que nos compreende de forma plena!
BIBLIOGRAFIA
ALLENDER, Dan.; CRABB, Larry. Esperança no sofrimento. São Paulo: Editora Sepal, 1998.
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INQUIETAÇÃO CONSTRUTIVA
Algumas verdades nos tiram do comum e nos obrigam a parar, pensar e buscar mudança. Esta inquietação não é ruim, pelo contrário, o princípio da transformação, do aprendizado e crescimento vem justamente desta inquietação.
A mudança vem somente para aqueles que se incomodam, para os insatisfeitos que não aceitam a mediocridade em suas vidas. A inquietação nos arrebata da zona de estagnação e nos faz olharmos além, buscando sempre o crescimento. É claro que eu estou me referindo aquela inquietação saudável, que nos empurra para a renovação. Sergio Queiroz nos ensina que:
“Verdade que não produz inquietação no coração não abre espaço para mudanças. Ninguém luta para mudar e reconstruir aquilo que antes não o incomodava” (2015, p. 36).
Por conta da inquietação, fiz uma faculdade, queria aprender mais e me preparar. Eu não acreditava que o meu saber era suficiente, eu precisava aprender mais, conhecer mais autores, ferramentas e vivências. Foi devido à inquietação que me pós-graduei e continuei estudando, aprendendo e lendo muito. Não me contentei com a graduação, na verdade, foi justamente ela que me mostrou como havia muita coisa para aprender. E eu sou grato por estes desafios, aprendi muito com todos os professores e materiais no qual tive contato.
É claro que eu não estou falando que a estabilidade é ruim, ela é ótima, principalmente quando você consegue alcançar algum objetivo ou avançar em sua carreira profissional. O perigo apenas é estagnar, parar de aprender e buscar sempre o conhecimento e o aperfeiçoamento.
Se você não está incomodado, arrisca estar estagnado, vivendo a mesmice, permanecendo sem crescer. É de desafios que crescemos e aprendemos, estar inquieto revela justamente isso, o desejo de sair do comum e crescer.
Quem realmente mergulhou no conhecimento sabe como o saber é infinito, que o aprendizado é constante. Quem acredita que sabe, na verdade, não sabe de nada e não percebe o quanto tem para aprender.
Por isso, mantenha-se sempre ativo, aprenda a parar e desfrutar de suas conquistas, pois isso é ótimo, mas descubra também como é poderoso continuar aprendendo, se desafiando e crescendo.
A grande alegria em ser professor universitário e pesquisador é que nós sempre estamos aprendendo, pesquisando e descobrindo. E quem é professor entende que nós seremos eternos alunos, pois não existe um ponto final no aprendizado e um professor relevante sabe muito bem disso.
Quando mais eu estudo e leio, mais percebo como eu não sei de nada. Quem acredita que sabe de tudo e que não precisa mais estudar, com certeza, leu pouco, pois esta certeza revela justamente isso, já que quanto mais estudamos, mais percebemos que não sabemos.
Estudar é algo realmente maravilhoso, nos permite conhecer, crescer e nos impressionar com o saber. Por isso, mantenha sempre viva esta inquietação construtiva, que mantém você nos trilhos, sedento pelo saber. É ela que impulsionará você rumo ao conhecimento e ao constante desenvolvimento.
BIBLIOGRAFIA
QUEIROZ, Sérgio. Gloriosas ruínas: O caminho bíblico para a restauração. São Paulo: Mundo Cristão, 2015.
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CONTRADIÇÕES E AUTOENGANOS
“Quando, porém, Pedro veio a Antioquia, enfrentei-o face a face, por sua atitude condenável” (Referência: Gálatas 2:11-14).
O autoengano não é algo incomum, aliás, é muito mais fácil agirmos de modo contraditório, sem percebermos nossas incoerências e divergências. E é assim que eu percebo o episódio que Paulo narra na Epístola aos Gálatas. Pedro estava se esquecendo de uma lição importante, seguindo desta forma, alguns costumes antigos, e agindo de modo contraditório, tudo e porque estava entre irmãos judeus.
Nesta passagem o apóstolo Paulo discorre sobre um embate que teve há uns cinco anos com o apóstolo Pedro, que havia tido uma recaída quanto as leis e costumes judaicos. Uma vez que seguidores da lei judaica haviam aparecido e insistiam em exigir à igreja cristã seus costumes. Mais uma vez, Paulo precisou enfrentar esta investida que levava a igreja a privilegiar algumas pessoas em detrimento de outras. Neste texto, Paulo faz uma ponte com o que aconteceu com os cristãos da igreja de Gálatas, visto que eles estavam em risco caírem novamente no mesmo erro (POHL, 1999, p. 77-78).
Paulo fala que Pedro, enquanto estava com os irmãos não judeus da comunidade, fazia suas refeições normalmente com eles. Contudo, quando judeus foram visitar aquela igreja, Pedro passou a não mais fazer suas refeições com os não judeus. Sendo que outros, que também eram judeus, começaram a imitar Pedro (Gálatas 2: 12-13).
Perceba que um ponto importante nesta passagem é o exemplo. Em uma igreja, quem está em cargo de liderança ou mesmo em evidência, acaba sempre sendo avaliado e em muitos casos imitado. E o apóstolo Pedro, como um bom judeu e discípulo direto de Cristo, não percebia a sua contraditória atitude. Quando estava com os não judeus, agia de uma forma, mas quando estava com os judeus, seu comportamento era outro e assim, a igreja seguia se dividindo.
Vemos a mesma história se repetir em nossos dias. Algumas igrejas insistem em guardar costumes, títulos e até ritos, que não são cristãos e assim, ela segue se dividindo cada vez mais e longe da palavra de Deus.
No final, o apóstolo Paulo repreende Pedro de modo bem duro (Gálatas 2:11-14), fazendo-o enxergar suas contradições e mudar seu comportamento. Pedro dava um mau exemplo e tinha um comportamento diferente, dependendo do grupo de pessoas que estava com ele. John Stott explica que:
“Se Paulo não tivesse adotado uma postura firme com Pedro nessa ocasião, toda a igreja cristã teria se arrastado para um comodismo judaico e estagnado, ou teria havido uma ruptura permanente entre os cristãos gentios e os cristãos judeus. A coragem notável de Paulo, naquela ocasião, em resistir a Pedro preservou tanto a verdade do evangelho como a comunhão internacional da igreja” (2018, p. 38).
Paulo foi bem rígido com Pedro, quebrando, inclusive, protocolos de diálogos e ensinos, que nós mesmo aprendemos, de como exortar o próximo. Mas ao nos lembrarmos de quem Pedro era e o quanto a sua influência deveria ser grande na igreja, entendemos o quão importante e amoroso foi a intervenção do apóstolo. A igreja poderia sofrer uma grande cisão por conta do exemplo equivocado de Pedro. Paulo termina o assunto pontuando que:
Mas sabemos que todos são aceitos por Deus somente pela fé em Jesus Cristo e não por fazerem o que a lei manda. Assim, nós também temos crido em Cristo Jesus a fim de sermos aceitos por Deus pela nossa fé em Cristo e não por fazermos o que a lei manda. Pois ninguém é aceito por Deus por fazer o que a lei manda (Gálatas 2:16) (NTLH).
Não é pela lei que o ser humano é salvo e sim, pela bondosa e infinita graça de Deus. É pela fé que somos salvos, por isso que a lei e os costumes judaicos, que muitas igrejas insistem em ressuscitar, são grandes equívocos.
Estamos sempre sendo observados, sendo nós líderes diretos ou não. Em algum grau nós influenciamos, mesmo que em um nível pequeno, por isso que precisamos fundamentar a nossa fé na palavra de Deus, para que as nossas ações e discursos, sejam reflexos da sua palavra.
BIBLIOGRAFIA
POHL, Adolf. Carta aos Gálatas: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Esperança, 1999.
STOTT, John. Lendo Gálatas com John Stott. Viçosa: Ultimato, 2018.
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O SOM DO SILÊNCIO
É no silêncio que eu escrevo ou componho. É em meio ao som do silêncio que eu organizo as minhas ideias, estudo ou sigo em busca de inspiração para escrever e produzir. Quem sabe usar a solitude e o silêncio, entende como é realmente produtivo cultivar tais momentos.
Não se espera de braços cruzados a inspiração, aguardando estático um convidado nos visitar, para depois começar a fazer. E sim, você aguarda trabalhando, é em meio a labuta e o esforço que a iluminação chega e inunda a nossa mente com ideias. E este processo não é possível acontecer se não nos retirarmos para poder compor, a solidão e o silêncio são elementos importantes para que a tímida inspiração possa chegar. Sertillanges pontua que:
“O retiro é o laboratório do espírito; a solidão interior e o silêncio são suas asas” (SERTILLANGES, 2019, p. 60).
Para alguns a solidão tem uma conotação negativa, soa mórbido para estes ficar sozinho. Para outros, é um momento para soltar a imaginação e conseguir construir algo. Muitos afirmarão que vai depender do tipo da pessoa, para que este estado de solidão seja benéfico. Um ponto é verdadeiro, os introvertidos terminam por ter mais habilidade que os extrovertidos, quanto ao retiro e a solitude. Contudo, eu creio que é possível cultivar o hábito de ter estes momentos, basta construirmos um ambiente propício para este tipo de retiro e cultivar tal hábito.
Muitos não conseguem ficar sozinhos, precisam de constantes estímulos, barulhos e conversa. Inúmeros amigos e alunos me falam que o silêncio incomoda, ele grita e tira a sua paz. Nem todos veem a solidão como benéfica, mas eu creio que vai depender do quanto você tem intimidade com ela.
Saber ficar em silêncio é saber ouvir, é aprender e produzir, silenciando a mente e encontrando combustível para criar e aprender. O silêncio incomoda porque ninguém controla, é um momento de aceitação e entrega e é quando você aprende a ver e a ouvir. Quem muito fala, pouco ouve, quem vive em meio aos estímulos diários das redes sociais ou não faz uma pausa para refletir, não conseguem parar e pensar.
O silêncio produz um som único, uma melodia que só quando nos aquietamos, conseguimos perceber. É durante o silêncio que olhamos em volta e a nossa mente se solta para a inspiração.
Quando acordo, logo bem cedo, costumo ficar em silêncio, largo o controle e acalmo a minha mente. Depois, tomo um café e sigo para o meu devocional, e após isso, para a leitura, estudo e escrita. É em meio a solidão interior que eu crio e dou asas a minha imaginação.
Caso você seja uma pessoa que não gosta de silêncio, que está sempre rolando o feed de uma rede social ou em meio ao barulho da nossa atual sociedade, aprenda a construir momentos de silêncio. Comece com um tempo curto, habitue-se a não acordar e acessar as redes sociais, e cultive um tempo de solitude aliado a leitura ou ao teu devocional.
Deixe Deus falar, permita que a imaginação surja, ampliando suas ideias e dando asas a sua mente. Ou você constrói um tempo de liberdade e criatividade ou será sempre um prisioneiro, acorrentado aos estímulos que só trazem ansiedade e aprisionam a mente.
BIBLIOGRAFIA
SERTILLANGES, A. D, A vida intelectual, Campinas: Editora Kírion, 2019.
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O DEUS BANAL
Nem todos conseguem abordar um assunto de forma coerente e confiável. Não é raro vermos o senso comum dar a sua voz em muitos ambientes. E Deus, é um destes temas que além de termos inúmeras interpretações, observamos também muitos equívocos.
Eu já percebi como a teologia correta é ofuscada pelos ensinos daquelas igrejas neopentecostais que por mais que sejam famosas, passam longe da palavra de Deus. Por elas terem muito mais alcance, a sua teologia distorcida termina por ser o padrão usado por aqueles que não são cristãos.
Em vários ambientes, Deus não é um assunto abordado de forma positiva pela maioria das pessoas. Muitos têm ideias erradas, seja de Deus, do cristianismo e da vida cristã e com isso emitem opiniões equivocadas sobre o tema. Não é raro vermos pessoas pegarem as atitudes distorcidas de igrejas que estão na mídia e atribuírem aqueles ensinos a todas as igrejas. Este senso comum, vemos em todos os lugares, seja na academia ou entre grupos de amigos, é difícil vermos pessoas investigarem uma questão olhando por todos os viéses.
O deus da filosofia, por exemplo, de tempos em tempos morre ou cede a pressão humana que tenta explicá-lo a luz dos seus próprios conceitos errôneos. Como se os seres humanos tivessem a capacidade de explicar algo infinito.
Mal sabem que o banal pode ser destruído, mas o eterno não. O ídolo que o homem pinta, cai ao chão ou cede a pressão do tempo e se desconstrói. Agora o Deus eterno e soberano, não pode ser comparado a este baluarte que muitos constroem e dizem ser Deus. Halík, no livro “Quero que sejas”, descreve justamente o Deus banal da filosofia, aquele que constantemente é aviltado e destruído. Sendo que um dos papéis da teologia é justamente oferecer os verdadeiros conceitos de Deus e rejeitar tal deus banal (2012, p. 84). Halík acrescenta:
“Uma grande tarefa da teologia e do acompanhamento espiritual consiste hoje na rejeição do Deus banal (proclamado pelo fundamentalismo e recusado pelo ateísmo) e na busca do Deus vivo da Bíblia e dos místicos […]” (2012, p. 84).
Ao ouvir argumentos contra o conceito de deus segundo os vários filósofos e pensadores, eu sempre acreditei que em partes eles estavam certos. Pois o deus que eles combatiam não era realmente Deus, não aquele que a Bíblia revela e sim, um espantalho, um rascunho criado a partir de conceitos falhos.
Nas aulas de mestrado em filosofia, um dos ótimos professores, que apesar de ser bom em sua matéria, não gostava muito de cristãos e estava sempre pronto a tecer críticas ao cristianismo, o que não há nada de errado, eu pelo menos não ligo. O problema era que toda a sua crítica tinha como ponto de partida a teologia (ou falta de teologia) destas igrejas públicas, que falam sobre o evangelho do medo, de imposição e da força. A maioria das considerações que ele fazia a igreja, eu até concordava, visto que, estas igrejas não partem do real ensino da palavra.
Por isso que discutir sobre este assunto com estas pessoas, se torna complicado já que primeiro eu tenho que mostrar como as suas opiniões se originam do senso comum, para depois discutir. Não há como dialogar de forma construtiva, sem antes expor quem é o Deus da Bíblia. O Deus bíblico, não é nada parecido com o deus banal que eles descrevem.
E partindo desta verdade, eu nem condeno tais pessoas, visto que, o fundamentalismo cristão e os neopentecostais, também tem oferecido uma descrição de Deus que está aquém do Deus que a Bíblia descreve. Existem muitos cristianismos que partem muito mais de uma prática cristã retributiva do que um cristianismo calcado na graça e na obediência a Deus.
O deus banal é muito visível na mídia hoje em dia, mas tal espantalho está bem longe do Deus soberano que a palavra revela. Existe um espantalho que muitos estão combatendo, mal sabem eles que tal ídolo está longe de ser o Deus Bíblico.
BIBLIOGRAFIA
Halík, T. Quero que sejas: Podemos acreditar no Deus do amor?. Petrópolis: Editora Vozes, 2012.
