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  • A ERA DA SUPERFICIALIDADE

    Quando estou na praia ou piscina, não sou bom em boiar, é fácil me ver afundar como se eu fosse uma pedra. Na área do conhecimento é o mesmo. Eu gosto de estudar e mergulhar a fundo no conhecimento, não me conformo em ficar na superfície do saber.

    Na era do acesso ao conhecimento, o que mais vemos é o senso comum ditando as normas, estabelecendo, de tempos em tempos, o pensamento da vez. A internet deu voz a todos, este é o lado bom e também o ruim desta tecnologia, pois precisamos de critérios, para não ficarmos à deriva e sermos influenciados pelo senso comum.

    Houve um tempo onde era preciso ir às bibliotecas para buscar algum saber, hoje temos tudo na palma de nossa mão, mas optamos em gastar nossos dias em outras atividades. A internet trouxe muita informação, mas também distração, com isso, o senso comum continua ditando o ritmo da sociedade. É claro que é bom nos distrair, não há problema algum usar a tecnologia para isso, o problema, a meu ver, é que a distração virou uma norma e não uma exceção.

    A minha crítica aos nossos dias é a simplificação de temas que são muito mais complexos do que eles aparentam ser e a complicação de temas que são simples. Resumindo, vemos uma grande exposição de indivíduos que carecem de profundidade.

    Uma coisa que precisamos ter em mente é que ninguém tem profundidade em tudo. Mesmo alguém erudito ou que estuda muito, tem as suas limitações, por isso, precisamos ser sábios na hora de ouvir e avaliar bem um conteúdo.

    É moda hoje vermos palestrantes falar sobre Mindset, e quando entendemos tal tema, percebemos como o assunto é muitas vezes usado de forma deturpada. A teoria resume duas formas de pensar que o ser humano tem que é o Mindset Fixo e o de Crescimento, sendo que uma delas sempre está mais destacada. Ter um bom Mindset é fundamental, mas não é só isso que você precisa para sair do lugar ou crescer como profissional ou como ser humano. Precisamos de estudo e boas rotinas.

    Uma palestra apenas não muda a sua vida, o que muda são boas atitudes, por isso, só se motivar não adianta, cultivar a constância é uma ação fundamental para assim gerarmos resultados. Ou você separa um tempo diário para a construção do saber, ou seguirá sem muitos resultados concisos.

    O senso comum insiste em vender fórmulas, mas o caminho é sempre construir boas rotinas, é buscar ter diariamente hábitos positivos, como ler, estudar, fazer exercícios e ter uma mente aberta para aprender, ouvir críticas e crescer.

    Entenda que a vida não é fácil e nunca será, sempre, mesmo com dinheiro ou estabilidade, teremos um problema para aprender a lidar e a dor estará mais viva do que nunca. Quem pensa diferente disso não percebe a complexidade da vida. Byung-Chul Han pontua que:

    “A sociedade positiva tampouco admite qualquer sentimento negativo. Desse modo, esquecemos como se lida com o sofrimento e a dor, esquecemos como dar-lhes forma” (2020, p. 18).

    Aceitar a dor é o primeiro passo para conseguir dar significado e propósito em sua vida. Entender que boas rotinas são frutos de muito sofrimento, dor e insistência, é o primeiro passo para que você consiga construir hábitos e rotinas relevantes.

    Procrastinar é uma ação habitual, fugir de empreitadas complexas, que levam um tempo para dar algum prazer, é uma ação rotineira entre os seres humanos, mas é quem consegue nadar contra esta maré que produz resultados.

    O mundo não é tão colorido como muitos fazem parecer, mas também não é um vilão tão obscuro, basta ter a mentalidade certa, que você conseguirá chegar onde pretende chegar!

    BIBLIOGRAFIA

    HAN, Byung-chul. Sociedade da transparência. Petrópolis: Editora Vozes, 2020.

  • OS FRUTOS DA REFORMA PROTESTANTE

    A Reforma Protestante foi um marco para a igreja, ela marca um momento de grande mudança, de avanço e muitas novidades. E apesar da ação não ter sido inédita, visto que alguns pré-reformadores, como John Wycliffe (c. 1325-1384) e John Huss (c. 1372-1415), também se levantaram contra algumas irregularidades da Igreja da época, foi em Lutero que a reforma aconteceu.

    É importante pontuar que o objetivo de Lutero não foi dividir a igreja e sim reformar, acabar com algumas ações enganosas no qual a igreja estava mergulhada, mas a reforma protestante acabou dividindo a igreja, e apesar da divisão, a própria igreja, após a reforma, acabou se reunindo e propondo mudanças, que foram influenciadas pela reforma. A igreja católica antes da reforma era outra.

    Foi por conta da reforma que a Bíblia foi traduzida para a língua de sua época. O que antes era apenas em latim, terminou sendo um livro na linguagem do povo, sendo que ele foi o responsável por dar o pontapé inicial na organização da língua alemã, que na época, era dividida em vários dialetos, aliás, até hoje estes dialetos existem, porém, existe também uma língua oficial. Ele também acreditava que a educação não deveria ser uma missão da igreja e sim do estado, defendendo que todos deveriam ter acesso ao ensino. Claudino Piletti e Nelson Piletti complementam:

    “Lutero foi um dos responsáveis pela formulação do sistema de ensino público que serviu de modelo para a nossa escola atual. É dele a ideia da escola pública para todos organizada em três siclos: fundamental, médio a superior” (2016, p. 63).

    Foi Lutero que brigou por uma educação para todos e inúmeras ideias que influenciaram a sociedade até os nossos dias. Sendo que foi através da Bíblia que ele traduziu, que inclusive foi impressa várias vezes, que as pessoas aprenderam a ler e conseguiram dar os seus primeiros passos na educação formal.

    Dia 31 de outubro comemoramos o dia da reforma protestante, sendo que a data inaugura muito mais do que o surgimento de uma nova igreja. A Reforma marca o momento de muitos avanços na educação e no conhecimento.

    Optei em mencionar apenas algumas coisas que Lutero trouxe com a Reforma Protestante, contudo, existem muitos outros pontos que revolucionaram a sociedade da época, impactando toda a cultura ocidental, vale a pena pesquisar todos os frutos da Reforma.

    Por isso que ao lembrar-se da Reforma Protestante, relembre também que este foi um marco para mudanças importantes, foi o dia em que as pessoas começaram a ter acesso a coisas que eram reservadas apenas para uma elite da igreja da época. A Reforma mudou uma realidade e uma forma de pensar, por isso que, esta data não é só religiosa, é o marco de mudanças que influenciaram o Ocidente.

    BIBLIOGRAFIA

    PILETTI, C. PILETTI, N. História da educação: de Confúcio a Paulo Freire. 1. ed. São Paulo: Contexto, 2016.

    (mais…)
  • A LÓGICA DA VIDA

    “Os dias passam rápido e para acompanhar, deves desacelerar a sua vida”.

    Guilherme Augusto.

    Existe uma lógica no bem viver, para acompanhar os dias que não param, desacelerar é preciso. Acalmar é imprescindível, caso queira ver o amanhecer e os mistérios do existir.

    Quanto mais rápido andamos, mais nos desconectamos do sentido de ser, nos desfiguramos até parecermos homens sábios, mas sem sabedoria. O mundo aparência reina, quem crê que sabe segue em frente, comandando e sendo influente, embora sem ver os dias, pelo excesso de estímulos que a sociedade anuncia.

    Basta fazer uma escolha, você quer ter ou ser? Aquele que tem desfruta da vida, do melhor que existe na sociedade, mas tem que se esconder da verdade, que brilha como o sol. Quem tem, só tem, não vive a vida, e nem vê passar na avenida a beleza, que só a vida simples propõe.

    Quem é, vai na terceira classe, mas viaja de primeira, é visto como pária, estranho ou sem estribeiras, embora desfrute do mais doce néctar da certeza, que é ver a vida seguir, e aprender com a beleza que ganhamos durante a partilha.

    Neste mundo invertido, o sábio é quem tem, é o que seguiu a fórmula e construiu castelos com o suor dos seus dias, de tempos que não voltam. Embora a verdade seja, que o sábio é o que sabe olhar, ver e desfrutar de todo instante. Percebendo que de semelhante só temos a aparência. No fim, o rei é quem não se deixa moldar por qualquer pensamento fabricado, pré-moldado pelo minuto da emoção.

    Para não acabar perdendo a conta, sonhe, mas segure as pontas da realidade. Quem vive de futuro, não tem tempo para a verdade. Para ver e usufruir do hoje, dos dias que seguem, vive só da saudade, que nada mais é que a lembrança, dos dias que se foram com a criança que morreu.

    O futuro é uma projeção, ele não existe, é a ação de sonhar e ver passar os dias. Já o passado, é uma idealização, de uma vida que vivemos sem razão, mas que guardamos na saudade. O presente é o que existe, é o que passa e o que muitos insistem em ignorar.

  • CRISTIANISMO E PÓS-VERDADE

    Certo dia fui assistir um sermão em um culto diferente e fiquei muito impressionado com a fala do pregador. O rapaz que era bem jovem, sabia comunicar super bem, a parte complicada era que tudo o que ele falava não partia da Bíblia. Era muito mais um discurso motivacional do que uma pregação.

    Ao ouvir um sermão, o que eu levo muito mais em conta é se o conteúdo que o pregador está falando parte da Bíblia. Um sermão emocional e inflamado não me toca, a exposição bíblica sim. É algo realmente profundo ouvirmos um pregador comprometido com a palavra.

    Eu creio que falar bem é muito importante, é legal estudar bons métodos de oratória para desta forma, poder passar a mensagem de um modo mais claro e efetivo, mas o cerne de uma pregação é a Bíblia. Se eu, acima de tudo, não estudar a palavra e usar apenas técnicas de oratória, terei certamente perdido o propósito da pregação. Eu costumo sempre falar que: “Nem todos os que falam bem, falam certo”. E isso é uma grande realidade na igreja. Ainda mais hoje que a falta de estudo e leitura é grande dentro da igreja, seja de estudo Bíblico ou de obras de autores importantes.

    É fácil distorcer os fatos ao partirmos de uma verdade e assim, descontextualizá-la. Ainda mais quando falamos da Bíblia, que possui um texto que demanda estudo e interpretação. Uma mensagem emocional, que foca muito mais na oratória e na emoção do que no texto bíblico, é bem próximo daqueles discursos de pós-verdade. A sua base é a emoção e não o conteúdo, os fatos ou a verdade Bíblica, são pontos secundários.

    O significado de pós-verdade, segundo o Oxford Dictionaries, conforme pontua D’Ancona é:

    “[…] situação onde os acontecimentos reais tem pouca influência em construir uma opinião pública do que as apelações emocionais e os pontos de vistas pessoais” (D’ANCONA, 2018, p. 20).

    Ou seja, para a pós-verdade o que vale é a emoção e não os fatos, as opiniões particulares e não a verdade. Com isso, a Bíblia acaba sendo moldada partindo de pontos de vistas pessoais, a sua mensagem segue sendo adaptada para os diversos fins, menos para comunicar o ensino e a vontade de Deus.

    E isso acaba sendo perigoso, visto que a Bíblia tem a sua mensagem, a nossa missão é estudar e descobrir o que ela quer nos ensinar e não construir um significado. A Bíblia interpreta a própria Bíblia, segundo uma das regras da hermenêutica, não precisamos criar ideias, basta estudarmos e deixarmos a própria Palavra de Deus falar. Lund e Nelson ensinam algo realmente fundamental sobre a disposição para o estudo da Bíblia:

    “Portanto, para o estudo e boa compreensão da Bíblia necessita-se, pelo menos, de um espírito respeitoso e dócil, amante da verdade, paciente e munido de prudência” (2011, p. 17).

    Ter paciência e prudência é fundamental para um bom tempo de estudo da palavra de Deus. Amar a verdade e fugir dos apelos emocionais é indispensável. Uma boa pregação é fundamentada na Bíblia e não é parte de uma fala emocional.

    O cristão precisa influenciar o mundo, ser luz, mas sem dúvidas, partindo sempre da Bíblia e não de opiniões próprias. Ou nos fundamentamos com a verdade, ou seguiremos as técnicas da pós-verdade, acreditando que um discurso emotivo já é uma mensagem cristã.

    BIBLIOGRAFIA

    D’ANCONA, Matthew. Pós-verdade: A nova guerra contra os fatos em tempos de Fake News. Barueri: Faro Editorial, 2018.

    LUND, E.; NELSON, P. C. Hermenêutica: princípios de interpretação das sagradas escrituras. São Paulo: Editora Vida, 2011.

  • A BANALIZAÇÃO DA NECESSIDADE: O PERIGO DA CARIDADE IRRESTRITA

    Ver alguém passando necessidade é algo que realmente me toca. Não gosto de ver ou ouvir sobre pessoas que estão nestas condições, que eu já fico sensibilizado. Passei por algumas situações complicadas durante a minha juventude, com isso, eu sinto uma certa afinidade com tais indivíduos.

    Por outro lado, hoje temos visto cada vez mais pessoas nas ruas pedindo dinheiro, desde idosos até jovens segurando cartazes com frases impactantes, com o intuito de tocar as pessoas que em meio aos muitos que pedem pelo caminho, seguem invisíveis. Tendemos a nos acostumar com as coisas, por isso que, em um primeiro momento, um pedinte pode nos deixar sensibilizados, mas depois vamos nos acostumando.

    A primeira pergunta que eu me faço é: Quem são tais pessoas? E eu pergunto isso, justamente porque alguns parecem precisar de ajuda e outros não. Alguns aparentam estar em uma condição desesperadora, precisando de auxílio imediato. E outros seguem olhando para as pessoas com um olhar de orgulho, de superioridade, como se não precisassem. Já me deparei com pedintes rindo de forma sarcástica, quando alguém dizia que não tinha como ajudar.

    Eu tenho a impressão de que hoje temos uma banalização da necessidade, muitos pedem, mas não sabemos se todos realmente precisam. Vivem assim por estilo ou por não aceitar a ajuda de familiares. Veja bem, eu falo com conhecimento de causa, primeiro por ter passado por situações semelhantes na minha adolescência, em segundo lugar, por ter contato com projetos sociais que trabalhavam com tais públicos.

    Na rua, descobrimos quem ajuda, sabemos o cardápio do dia, entendemos todos os caminhos e oportunidades do momento e seguimos para as opções que mais nos convém. Como eu falei, passei um período de aperto na minha adolescência. Mas depois, escolhi viver vendendo arte na rua, por quatro anos, e esta foi uma das leis que descobri existir.

    Buscar entender o mínimo do contexto da pessoa que você está ajudando ou do lugar no qual você pretende realizar uma ação social, vai colaborar com a efetividade da sua ação. Ajudar só por ajudar, não é uma ação eficaz. A verdadeira ajuda surge quando você conhece o contexto, consegue acolher e proporcionar momentos de mudanças reais aquelas pessoas que passam por momentos difíceis. Yago Martins enfatiza um ponto fundamental sobre ajudar com consciência:

    “Por darmos sem nos importarmos de fato com quem recebe, acabamos gerando efeitos negativos na vida dos recebedores. Se estamos dando o que achamos que o outro deveria precisar, achamos suficiente” (2019, p. 57).

    Perceba que ajudar, de forma efetiva, envolve entendermos o que realmente alguém precisa para conseguir sair da rua. Trabalhos sociais são importantes, oferecer alimento e apoio as pessoas da rua são ações fundamentais, mas saber filtrar quem precisa, daqueles que realmente não querem compromisso, é um ponto de partida importante para não concentrarmos nossos esforços em quem realmente não quer.

    Ajudar é um conceito abstrato, precisa de princípios, de conhecimento de causa e do ambiente para que tal ajuda tenha frutos. Existem mundos que não conhecemos e ajudar sem conhecer a realidade é realmente terminar por fazer um desserviço, já que você seguirá encorajando um estilo de vida.

    Eu sei que a palavra fome não é nada bonita, quem já passou por isso, entende bem o teor do termo, contudo, a igreja precisa criar ferramentas para que as pessoas realmente consigam ter autonomia e mudar suas vidas, e também para não perder tempo com aqueles que não querem uma oportunidade, como já pontuei.

    Oferecer a mão de forma verdadeira a alguém é sempre um desafio, envolve muito mais do que apenas dar um dinheiro. É entender um indivíduo, ter contato com uma história e oferecer um caminho de mudança para aqueles que assim desejam. E é também aceitar a opção das pessoas que não estão compromissadas e querem continuar na rua. Respeitar a escolha de cada um é fundamental.

    BIBLIOGRAFIA

    MARTINS, Yago. A máfia dos mendigos: como a caridade aumenta a miséria. Rio de Janeiro: Editora Record, 2019.

  • CORRUPÇAO HUMANA: O CAOS QUE SURGE DAS BOAS INTENÇÕES

    “Quanto mais altas as pretensões do poder, mais intrometido, desumano e opressivo ele será” (LEWIS, 2018, p. 53).

    C. S. Lewis

    Algumas pessoas costumam falar que fama, riqueza e principalmente o poder, revelam quem uma pessoa realmente é. Por isso que, quando uma pessoa se encontra em uma condição privilegiada e começa a fazer um monte de bobagens, na verdade, ela está apenas revelando o seu verdadeiro lado.

    O ponto alto desta discussão é que, em primeiro lugar, eu não creio que o ser humano seja bom, até o indivíduo mais bondoso, caridoso e que ama e ajuda a todos, tem um lado ruim. O apóstolo Paulo diz justamente isso em Romanos:

    “Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer” (Romanos 3:10-12) (NVI).

    Não existe alguém realmente justo ou plenamente bom, estamos todos manchados pelo pecado. Todos se desviaram e seguem praticando o mal. Esta declaração do apóstolo Paulo, tem como paralelo um texto de Salmos (14:1-3), comprovando assim ser uma verdade bíblica. Wiersbe explica esta grande verdade pontuando que:

    “Estes versículos indicam que todo o ser interior do homem está sob o controle do pecado: sua mente (“não há quem entenda”); seu coração (“não há quem busque Deus”) e sua volição (“não há quem faça o bem”). Ao ser medido de acordo com a justiça perfeita de Deus, nenhum ser humano é inculpável” (2017, p. 678).

     Em segundo lugar, o poder acaba apenas amplificando ainda mais o pecado e a barbárie interna que existem em todos os seres humanos, já que com o poder o ser humano consegue fazer qualquer coisa. O poder nos revela, ele nos tenta e dá voz ao nosso pecado, a algo que já está dentro de nós, no qual precisamos constantemente lutar, buscando em Deus a sua ajuda.

    Alguns regimes comunistas, que tiveram uma intenção primária de combater algumas injustiças que o capitalismo ou a política produziu em alguns lugares, revelou justamente isso, como algo pode começar com uma boa intenção, mas terminar em uma verdadeira barbárie “em nome do bem”.

    Quanto mais alta as pretensões do poder, mesmo que as suas intenções sejam boas, maior é a possibilidade de caos, visto que, o ser humano é corrompido pelo pecado. E este é o cerne do cristianismo, esta verdade aponta para Cristo, o único justo, o único que pode salvar o ser humano.

    O poder desmascara o ser humano, revela toda a nossa corrupção e quais são as verdadeiras intenções do nosso coração. O poder corrompe e se Deus não estiver no centro, nós certamente nos perderemos e transformaremos qualquer coisa boa, em uma genuína balbúrdia.

    Não há outra forma de estabelecer a paz, é somente através do evangelho. Se Deus não for o fundamento da nossa vida, o caos certamente será. Só há esperança em Deus.

    “Na verdade, que não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque” (Eclesiastes 7:20).

    BIBLIOGRAFIA

    LEWIS, C. S. A última noite do mundo. Rio de janeiro: Thomas Nelson, 2018.

    WIERSBE, Warren W. Comentário bíblico expositivo: Novo testamento: Volume I. Santo André: geográfica Editora, 2017.

  • O AUTORITARISMO DO POLITICAMENTE CORRETO

    Houve um tempo onde as coisas eram bem mais simples e não existiam tantas militâncias ensandecidas tentando descobrir um erro em uma inocente frase. Hoje as palavras são medidas e averiguadas com o intuito de verificar se não há um duplo sentido nefasto em algum termo. Lembrando que para eles, os errados são sempre os outros, nunca eles.

    Diante destes fatos, é impossível não lembrar do livro 1984 de George Orwell, visto que no livro, havia o Ministério da Verdade, pronto para determinar o que era ou não verdadeiro, segundo os seus propósitos, além de um idioma próprio, imposto a todos. Para um livro lançado em 1949, ele ainda é muito atual.

    Compreendo que algumas palavras ou termos podem ser grosseiros e ofensivos, contudo, a patrulha ideológica estabelece como ofensivos termos totalmente inocentes, além de obrigar as pessoas a usar um tipo de linguagem que transcende a lógica. E quem não se comunica desta forma, é ignorante, sendo que, a pior parte é a imposição.

    O politicamente correto tem crescido cada vez mais em nossos dias. O princípio do pensamento é que o ser humano é bom, contudo, é corrompido pelo capitalismo, pela religião e os chamados conservadores (um termo que hoje é usado de forma errada). Pondé tece críticas bem ácidas a eles quando diz que:

    “O problema com o politicamente correto é que ele acabou por criar uma agenda de mentiras intelectuais (filosóficas, históricas, psicológicas, antropológicas etc.) a serviço do “bem”, gerando censura e perseguições nas universidades e na mídia para aqueles que ousam pôr em dúvida suas mentiras “do bem”” (2012, p. 32).

    Perceba que é normal tais militantes falarem do cristianismo, pontuando como tal religião na Idade Média, perseguiu muitas pessoas através da Inquisição, mas eles não falam das perseguições em países comunistas, por conta de opiniões divergentes ou credo religioso. O mesmo acontece com o capitalismo, que é pai de todas as atrocidades do mundo, segundo estes, mas o comunismo em nenhum momento também é criticado pela profusão de atrocidades que cometeu.

    Cuidado com as “mentiras do bem” do politicamente correto e com toda a distorção da história, realizado em nome de um ideal. Uma coisa é dialogarmos e brigarmos por respeito diante das injustiças que acontecem no mundo. Outra coisa é construir narrativas deturpadas, em nome de estabelecer uma falsa verdade.

    Eu sempre digo que o cerne do problema é o ser humano, por isso que, ideologias políticas sempre serão falhas, visto que, é um reflexo da forma falha de pensar, que todos os seres humanos têm. É por isso que o diálogo, precisa existir. Com o diálogo, conseguimos ver os pontos incoerentes e ajustar uma política coerente com a realidade.

    Temo a militância, principalmente porque com eles não existe diálogo, apenas aquela imposição que o totalitarismo tem. E a falta de diálogo já construiu inúmeros problemas, tudo feito “em nome do bem”. Sem contar com toda a mentira, disfarçada de verdade e o relativismo, usado para desconstruir bases importantes.

    O autoritarismo impede o diálogo e a construção de um mundo melhor, pautado no respeito a diversidade de crenças e opiniões. Quando eu imponho, me abstenho de ouvir e entender algo a partir do outro.

    Respeito todas as formas de pensar, por isso mesmo, não acredito que a minha opinião precise ser o padrão para tudo. Liberdade e respeito, são termos que precisam caminhar juntos e quando isso não acontece, precisamos abrir os olhos.

    BIBLIOGRAFIA

    PONDÉ, Luiz Felipe. Guia politicamente incorreto da filosofia: Ensaio de ironia. São Paulo: Leya, 2012.

  • NARRADORES: A COMPLEXA ARTE DE INTERPRETAR FATOS

    Todos os dias são oportunidades e dependendo da sua mentalidade, é possível acordar com alegria e esperança ou mesmo com desânimo, como se a vida fosse um fardo ao invés de uma dádiva de Deus.

    Somos narradores e em nossa narrativa, a visão das coisas que acontecem conosco e a nossa fé faz toda a diferença na hora de ver, interpretar e narrar os fatos da vida. Perceba como é fácil exagerar e contar aos outros uma história bem mais triste e equivocada. Ao mesmo tempo que você esquece da graça de Deus em sua narrativa.

    Algumas histórias parecem que nascem fatídicas, prontas para revelar o caos e a desesperança, mas em meio a narrativa, Deus faz com que o fim seja bom. A minha história mesmo tinha tudo para ser ruim, desde o começo da minha vida, mas Deus a todo o momento me ajudou a transpor todas as dificuldades. Nem todos são fiéis em sua narrativa, muitos a exageram e se esquecem de Deus ou mesmo mantém-se como vítimas.

    Nós somos narradores da nossa história e em meio a narrativa, podemos nos colocar como vítimas, como seres superiores e arrogantes ou mesmo como protagonistas, que entendem que a vida é um misto de atitude e falta de controle. Tudo vai da mentalidade, de como lidamos com os fracasso e vitórias. E como a narrativa quem constrói somos nós, precisamos nos lembrar que em meio a nossa história há um Deus cuidando de tudo.

    Por sermos narradores, a nossa explanação envolve sempre uma interpretação dos fatos que acontecem em nossa vida e por isso, arriscamos distorcer e modificar o que aconteceu. É fácil exagerar e mudar a verdadeira história, principalmente quando há fracassos e muita emoção envolvida.

    Existem histórias bem fieis aos fatos, onde o narrador apenas se limita a contar o ocorrido, e outras baseadas na emoção que o acontecimento por si só proporciona. Temo pessoas emocionais, que no calor das suas narrativas exagera. O mesmo temor eu tenho com os militantes, visto que suas narrativas são construídas para outros fins e partem muito mais da emoção do que da verdade.

    O protagonismo envolve posicionamento e um tipo certo de pensar. É aceitar fatos, já que cada ser nasce em uma realidade, mas também é buscar oportunidades, é insistir e realizar, já que a vida não é estática.

    No final, tudo vai depender de quem você coloca no centro da sua história, se é você, ela tem tudo para ser vitimista, exagerada e distorcida. Nós somos egoístas por natureza, é fácil olharmos apenas para nós e ignorarmos os outros. Mas se é Deus, a confiança é o princípio da caminhada e olhar o próximo, uma atitude que faz parte da vida cristã.

    Não é correto vivermos como vítimas, culpando a todos e a tudo, seguir confiando e aceitando as mudanças, é o caminho dos narradores que entendem que a vida é complicada, mas não precisamos complicá-la ainda mais.

    Que Deus nos ajude a estarmos no centro da sua vontade e narrar a verdade que aponta somente para ele e o cuidado que ele tem por nós. Soli Deo Gloria!

  • PAULO: UM APÓSTOLO LEGÍTIMO

    Irmãos, quero que saibam que o evangelho por mim anunciado não é de origem humana. Não o recebi de pessoa alguma nem me foi ele ensinado; pelo contrário, eu o recebi de Jesus Cristo por revelação (V. 11, 12) (Referência: Gálatas 1: 11-24) (NVI).

    Um dos problemas dos nossos dias são os ensinos deturpados, anunciados como se fossem verdades bíblicas por pastores famosos. Sendo que alguns deles acabam tendo muito mais alcance do que aqueles pastores que não são conhecidos, mas que possuem compromisso com a Bíblia. E nestes casos, é complicado competir com a fama que estes têm.

    No começo do capítulo, Paulo fala dos ensinos deturpados que alguns estavam ministrando, muitos falsos mestres estavam tentando judaizar o evangelho. E neste versículo, continuando a sua argumentação, ele dá uma ênfase importante em seus ensinos. Ele enfatiza que o evangelho que ele anunciava não era fruto da sua opinião ou de um ponto de vista qualquer e sim, uma revelação do próprio Cristo. Com isso, quando ela argumenta e busca refutar o falso evangelho que estava sendo pregado, ele faz com a autoridade e ensino que havia recebido de Jesus. É como se ele estivesse mostrando as suas credenciais e ressaltando que a relevância do seu ensino, não vinha de si. Carson enfatiza que:

    “Tem sido dito que nessa carta Paulo se vê obrigado a defender-se a si mesmo antes de defender o seu evangelho. Há uma medida de verdade nessa análise. Os ataques à sua mensagem de liberdade para os gentios estavam inextricavelmente vinculados às questões que tinham sido levantadas acerca de sua autoridade apostólica (2012, p. 1819).

    Com qual autoridade Paulo falava? Será que os seus ensinos e a sua autoridade apostólica eram válidos? Era este problema que o apóstolo estava enfrentando. Já não bastava enfrentar os falsos mestres, ele também precisava refutar aqueles que duvidavam de sua autoridade.

    A legitimidade de um orador faz toda a diferença para ouvirmos ou não o que a pessoa está falando. O valor do discurso, como a filosofia ensina, é intrinsecamente ligado a legitimidade do porta-voz. Se você não é visto como legítimo, as pessoas não o ouvirão. Mas como Paulo enfatiza na epígrafe do texto, a sua mensagem não era oriunda de um ponto de vista, de uma opinião própria. Ele recebeu de Cristo por revelação ou mesmo, recebeu a revelação de Cristo em sua vida. O texto possui os dois significados.

    Adolf Pohl acrescenta explicando justamente que a gramática deste texto no original, permite que um leitor encontre dois significados, o que acaba dividindo os exegetas. O primeiro é que a revelação da mensagem da graça, que coloca a lei de lado, foi revelado ao apóstolo Paulo por Cristo. Sendo assim, Jesus se opõe aos sábios humanos, na parte A do versículo (v.11). O segundo significado é que o texto fala de uma revelação sobre Jesus. Cristo foi a pessoa revelada ao apóstolo Paulo (1999, p. 46).

    Aprendi ao longo da minha caminhada como teólogo, que estudar é fundamental, quanto mais conhecemos a palavra de Deus, mais crescemos como cristãos. Contudo, eu não estou fechado para a ação do Espírito Santo em minha vida. Eu sei que ele nos ajuda, ilumina a nossa mente e nos ensina. O que não exclui a importância de estarmos sempre estudando.

    Diante disso, não vou escolher um lado sobre esta questão, independentemente se Paulo recebeu a revelação da mensagem ou se o Cristo foi a revelação na vida dele, o ponto central é que ele era alguém compromissado, uma pessoa que conhecia a palavra. Como um bom judeu, o Apóstolo estudou e entendia também o evangelho da graça que ele estava pregando.

    Paulo era alguém legítimo, compromissado, com isso, quando ele refutava os falsos mestres, ele assim fazia por conta da sua autoridade e compromisso com a palavra de Deus.

    Que possamos ser pessoas compromissadas com o evangelho, centradas na palavra, estudando e buscando sempre conhecer a vontade de Deus através do seu evangelho.

    BIBLIOGRAFIA

    CARSON. DA.; FRANCE, RT.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo, Editora Vida Nova, 2012.

    STOTT, John. Lendo Gálatas com John Stott. Viçosa: Ultimato, 2018.

    POHL, Adolf. Carta aos Gálatas: Comentário esperança. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 1999.

  • À PROCURA DE NOVIDADES

    Não sou a pessoa mais aventureira que existe, sou muito mais propício a cultivar hábitos e rotina, do que ir em direção ao novo. É claro que bons hábitos são importantes, mas fazer algo novo de tempos em tempos também é fundamental. É por conta disso que sempre que possível, busco por alguma novidade.

    Seja descobrir um caminho novo para ir ao trabalho, um tema de livro que eu não costumo ler ou um restaurante diferente. É fundamental em alguns momentos sairmos do comum e termos uma nova experiência e novos aprendizados.

    O hábito não é algo ruim, como eu já pontuei, ele é uma ótima ferramenta para desenvolvermos boas rotinas, seja de estudo, exercício ou leituras. O hábito nos ajuda a termos constância e a crescermos com o estudo e a prática. Só assim conseguiremos nos aprofundar em algo, conquanto, é igualmente essencial também buscarmos o inédito, caso contrário, ficaremos sempre presos as mesmas coisas sem olhar e experimentar experiências e visões novas.   

    Quem não busca coisas novas, deixa de conhecer, sendo que muitas vezes nem imaginamos como existe muito mais experiências do que apenas as coisas que conhecemos. É fácil nos estagnarmos quando não experimentamos novas possibilidades, nem que seja apenas breves experiências.

    Pense que acreditar saber, como eu sempre falo aqui no site, é um dos nossos grandes problemas e fontes de muitos enganos. Com isso, ao não experimentarmos algo novo, seja por crer que não será bom, medo de desafios ou por desconhecemos tal realidade, nos privamos de termos novas experiências e todas aquelas novidades que nos abrem os olhos. Todas e quaisquer experiências, refrigeram a nossa mente e nos faz vermos mais.

    Montei o meu primeiro blog por sugestão de um amigo, há muitos anos, contudo, não era algo que eu gostava, mas passei a gostar, conforme aprendia. E hoje eu tenho este blog de teologia e filosofia. O mesmo posso dizer da minha licenciatura em pedagogia. Eu cursei pedagogia apenas por ter surgido uma oportunidade, sendo que na época eu quase não cursei, mas fui impulsionado por minha curiosidade e ao mergulhar neste tema, que era muito diferente da minha área de estudos naquele tempo, eu pude conhecer outro mundo, um universo que tem me ajudado muito como professor.

    Muitas coisas que eu faço hoje, eu comecei a fazer por pura curiosidade, sou um sujeito curioso, por isso, não tenho medo de ter novas experiências. É claro que podemos nos decepcionar também, mas isso não deixa de ser aprendizado. Sendo que, quando você aprender a fazer algo diferente, você perceberá que normalmente os resultados são positivos.

    É comum termos padrões e fazermos tudo do modo mais habitual possível, mas quebrar tais rotinas, nos faz vermos o novo, e experimentar coisas novas ou mesmo, apenas aprender a fazer de forma diferente a mesma coisa.

    Aprenda a fazer alguma coisa diferente de tempos em tempos, descubra como às vezes sair da rotina nos ajuda a vermos um pouco mais e a termos experiências realmente restauradoras. Isso faz bem para a mente e para a nossa vida, já que nos auxilia em todos os sentidos. Além do fato de anos ajudar a enfrentarmos mudanças.

    Quem vive para a rotina, não vê nada mais do que está acostumado a enxergar. Já quem de tempos em tempos, faz algo novo, enxerga um pouco mais adiante e traz um frescor a mente!