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  • A RESSURREIÇÃO DE CRISTO: UMA DEFESA HISTÓRICA

    Chesterton, em um artigo chamado Sobre Crenças, do livro Sobre escrever mal, faz uma crítica ácida a um autor e um de seus sarcásticos comentários sobre a ressurreição de Jesus Cristo. Este escritor pontua que, aqueles que acreditam na ressurreição de Cristo, precisam, de igual forma, acreditar na história de Aladim e as Mil e Uma Noites. O autor transforma a ressurreição de Jesus em um conto de fadas, como se não houvessem testemunhas confirmando o que aconteceu.

    A narrativa de Chesterton me chamou atenção, justamente porque é comum vermos muitos comentários que seguem a mesma lógica. Inúmeros autores que diminuem todas as narrativas dos Evangelhos, duvidando do conteúdo destes textos. 

    Sobre Cristo e a sua ressurreição, nós temos em média dez testemunhas históricas que validam a existência de Jesus Cristo, como, por exemplo: Flávio Josefo (37 – 100 d. C), o maior historiador judeu do seu tempo; o historiador romano Tácito (56 – 117 d. C.); Plínio (23 – 79 d. C.), sendo ele um político romano; Suetônio (69 – 141 d. C.), entre tantos (GEISLER et al, 2012, p. 228). Percebam que foram muitos os que narraram a história de Cristo, validando assim o acontecimento.

    Eusébio de Cesaréia (263 – 340 d. C.), um importante historiador dos primeiros séculos da igreja. Sendo ele um sábio, incumbido de narrar a história do mundo a pedido de um rei, escrevendo assim a significativa obra História Eclesiástica, comentou como o testemunho de Flávio Josefo (38 – 100 d. C) foi fundamental para provar a história e a ressurreição de Jesus, visto que, ele não era um cristão, por isso, não tinha motivos para forjar uma história ou sustentar uma narrativa, caso ela fosse mentirosa ou duvidosa (1999, p. 40-41). Sobre Jesus Cristo, logo após falar sobre João Batista, Josefo explica que:

    “Na mesma época, havia certo Jesus, homem sábio, se de fato é apropriado chamá-lo de homem. Pois era realizador de feitos extraordinários; mestre dos homens, os quais recebiam sua doutrina com prazer; e juntou a si muitos dos judeus, muitos também gregos. Esse era o Cristo. Depois que Pilatos infligiu a punição da cruz a Ele, sob acusação de nossos principais homens, os que antes estavam ligados a Ele não deixaram de amá-lo, pois apareceu novamente vivo no terceiro dia, de acordo com os santos profetas que haviam declarado essas e inumeráveis outras coisas a respeito dEle” (apud CESARÉIA, 1999, p. 41-42).

    A explicação é realmente maravilhosa por se tratar de alguém que viveu no primeiro século da igreja e também por ser judeu e não cristão, tendo todos os motivos para não apoiar o cristianismo, como já mencionei, contudo, ele testemunhou um fato que realmente aconteceu, caso contrário, certamente ele teria desmentido a narrativa.

    O Apóstolo Paulo fala da morte e ressurreição de Cristo (1 Coríntios 15:6), enfatizando como o acontecimento foi real e foi presenciado pelos doze discípulos, e também por mais de quinhentos irmãos. Notem que, se fosse algo forjado, como alguns acreditam, certamente o equívoco teria sido desmentido por conta do grande número de testemunhas, mas ao contrário, foram muitos os que viram Jesus ressurreto e confirmaram a sua ressurreição. O cristianismo não é fundamentado em fábulas e historinhas para dormir. Muitos escreveram sobre isso e perceberam a veracidade da história.

    Apesar disso, precisamos levar em consideração outro ponto fundamental, os apóstolos e discípulos de Cristo foram perseguidos em seu tempo, muitos morreram e foram torturados, sendo assim, se fosse uma fraude, certamente algum dos muitos discípulos, teriam revelado a mentira. Chesterton complementa justamente este fato quando pontua que:

    “Os Apóstolos o poderiam ter escondido para anunciar um milagre falso, mas é muito difícil imaginar que homens sejam torturados e mortos pela veracidade de um milagre que sabiam ser uma fraude” (2021, p. 42).

    O cristianismo por conta da sua mensagem e tudo o que Jesus Cristo fez, inclusive por confrontar o judaísmo e o contexto da época, teria tudo para dar errado, mas no final, tudo serviu como uma garantia da veracidade dos fatos. Jesus caminhou contra a lógica do seu tempo e nos deixou uma importante mensagem e a história confirma todos os seus feitos, a sua morte e ressurreição, comprovando que a narrativa bíblica é fiel.

    Mateus termina a sua narrativa falando primeiro sobre a ressurreição de Cristo (Mateus 28:1-10) e depois sobre um episódio onde os sacerdotes subornam os guardas do túmulo, para que eles afirmassem que o corpo de Jesus havia sido roubado, em um momento que eles estavam dormindo (Mateus 28: 11-15).

    Havia toda uma força tentando invalidar tudo o que aconteceu, isso desde o começo do ministério de Jesus. Mas os inúmeros testemunhos mostram uma verdade apenas: “Jesus Cristo morreu e ressuscitou, esta é uma importante verdade do evangelho!”.

    Durante os quarenta dias após seu sofrimento e morte, Jesus apareceu aos apóstolos diversas vezes. Ele lhes apresentou muitas provas claras de que estava vivo e lhes falou do reino de Deus (Atos 1:3).

    BIBLIOGRAFIA

    CESAREIA, Eusébio. História eclesiástica: Os primeiros quatro séculos da Igreja cristã. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

    CHESTERTON, Gilbert K. Sobre escrever mal: E outros escritos. Rio de Janeiro: Editora CDB, 2021.

    GEISLER, Norman.; TUREK, Frank. Não tenho fé suficiente para ser ateu. São Paulo: Editora Vida, 2012.

  • O DIA DO TEÓLOGO

    Já ouvi muitos proferirem críticas a teologia e aos teólogos, como se a teologia servisse apenas para complicar a vida dos cristãos. Entretanto, por mais que possam existir teólogos que compliquem a mensagem do evangelho, a boa teologia serve como ferramenta para entendermos a bíblia. Ela nos ajuda a não cairmos em erros e contradições. Uma boa teologia aproxima o leitor das boas interpretações, por isso, estudar teologia é fundamental, principalmente para aqueles que pretender trabalhar na obra de Deus.

    Gosto de estudar, sendo que eu sou um daqueles indivíduos que descobriu a alegria que é poder estudar a Bíblia. Entender a mensagem de Deus e crescer como cristão, passa pelo caminho de entendermos a sua palavra. É indispensável estudarmos a Palavra de Deus, para assim seguirmos a sua vontade.

    Conforme o tempo passava, senti a necessidade de cursar um Bacharelado em teologia. Eu sentia que precisava aprender mais e conhecer todas as ferramentas que nos ajudam a interpretar o texto bíblico, por isso, hoje eu sou teólogo. Já na conclusão da minha graduação resolvi montar este blog para propor reflexões e teologia prática aos cristãos.

    Um bom teólogo ajuda as pessoas a entenderem a Bíblia, ele adapta ferramentas úteis para a compreensão do evangelho e também, propõe estudos e interpretações para textos bíblicos complicados.

    A Bíblia é a palavra de Deus, escrita com linguagem humana, sendo assim, entender o contexto histórico e as línguas originais são ações importantes para que o cristão tenha uma compreensão realmente acurada da palavra de Deus. E o teólogo é aquele profissional que possui as ferramentas necessárias para este desafio.

    Dia 30 de novembro comemoramos o dia do teólogo, sendo ele, o profissional que ajuda os cristãos a terem uma acurada interpretação da Bíblia. Que neste dia, possamos valorizar aqueles que gastam o seu tempo debruçado em livros, com o intuito de entender e interpretar a Bíblia de forma relevante.

    É bom nos lembrar que a maioria dos pastores sérios, estudaram teologia e tiveram em sua caminhada de estudos, a presença destes teólogos, ajudando-os e auxiliando-os a compreenderem e mergulharem mais a fundo no texto bíblico.

    Valorize aqueles que ajudam você a entender ainda mais a palavra de Deus!

  • A FÓRMULA DA BENÇÃO

    Sou alguém que costuma se planejar, gosto de entender quais são os passos importantes para um projeto dar certo e criar uma estratégia para ir executando de forma assertiva um determinado objetivo. Todavia, quando falamos de oração, falamos de uma entrega, da ação de colocar nas mãos de Deus os nossos enseios e dificuldades e esperar que ele atenda, conforme a sua sabedoria e não a nossa.

    Costumamos colocar Deus em uma caixinha quando acreditamos que ele age apenas se formos ungidos com o óleo certo, ou que a oração precisa ser feita por determinado pastor. A ação de Deus não depende de alguém, do que fazemos ou deixamos de fazer e sim, apenas da sua soberana vontade. Dan Allender e Larry Crabb acrescentam:

    “Banalizamos a Deus quando dependemos mais da precisão de nossa tática do que de seu coração amoroso” (1998, p. 55).

    Não existem táticas infalíveis ou receitas prontas que validem a nossa oração, o que existe é a oração sincera e a plena confiança de que Deus nos atenderá, segundo a sua vontade. É evidente que devemos buscar a Deus, orar e cultivar uma vida diária de oração, a questão é que precisamos colocar de lado as “fórmulas” e aprender a seguir, confiando em sua vontade, visto que, nem sempre somos atendidos como acreditamos que deveríamos ser. E isso não se dá por termos orado de forma “errada” e sim devido à santa vontade de Deus.

    A resposta a oração não parte do ser humano, de sua força ou técnica, ela começa em Deus, a ação é sua, e não depende de uma fórmula infalível. Orar é se entregar, é buscar a Deus, focando não em nossos desejos, mas na vontade plena de ter contato e intimidade com o criador.

    Não existe fórmula da benção e sim, um momento de entrega e intimidade, que, no mais, são acréscimos. Os cristãos precisam entender quão maravilhoso é a oração, a oportunidade de estar em secreto com Deus, desfrutando da sua presença é um momento único. É claro que neste momento nós pedimos, agradecemos e derramamos nosso coração a Deus. Mas o foco deve ser a intimidade sincera de estar falando com o nosso Criador.

    É evidente que temos um ótimo modelo de oração lá em Mateus (6:9-13), sendo que tal oração não é um mantra, mas um exemplo a seguir, com o propósito de cultivarmos uma oração mais madura, contudo, na dúvida, apenas ore, em todo o tempo, persevere sempre na oração. Efésios diz:

    “Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos” (Efésios 6:18).

    Eu agradeço por ter um Deus no qual eu posso falar e ser ouvido, isso não tem preço e confiar nele é imprescindível para vivermos uma vida mais centrada. Ore em todo o tempo e em qualquer ocasião, seja para agradecer, pedir ou cultivar um momento de intimidade com o criador, entendendo que Deus responde segundo a sua sabedoria e vontade.

    Creia que Deus é aquele que nos ouve e também o único que nos compreende de forma plena!

    BIBLIOGRAFIA

    ALLENDER, Dan.; CRABB, Larry. Esperança no sofrimento. São Paulo: Editora Sepal, 1998.

  • INQUIETAÇÃO CONSTRUTIVA

    Algumas verdades nos tiram do comum e nos obrigam a parar, pensar e buscar mudança. Esta inquietação não é ruim, pelo contrário, o princípio da transformação, do aprendizado e crescimento vem justamente desta inquietação.

    A mudança vem somente para aqueles que se incomodam, para os insatisfeitos que não aceitam a mediocridade em suas vidas. A inquietação nos arrebata da zona de estagnação e nos faz olharmos além, buscando sempre o crescimento. É claro que eu estou me referindo aquela inquietação saudável, que nos empurra para a renovação. Sergio Queiroz nos ensina que:

    “Verdade que não produz inquietação no coração não abre espaço para mudanças. Ninguém luta para mudar e reconstruir aquilo que antes não o incomodava” (2015, p. 36).

    Por conta da inquietação, fiz uma faculdade, queria aprender mais e me preparar. Eu não acreditava que o meu saber era suficiente, eu precisava aprender mais, conhecer mais autores, ferramentas e vivências. Foi devido à inquietação que me pós-graduei e continuei estudando, aprendendo e lendo muito. Não me contentei com a graduação, na verdade, foi justamente ela que me mostrou como havia muita coisa para aprender. E eu sou grato por estes desafios, aprendi muito com todos os professores e materiais no qual tive contato.

    É claro que eu não estou falando que a estabilidade é ruim, ela é ótima, principalmente quando você consegue alcançar algum objetivo ou avançar em sua carreira profissional. O perigo apenas é estagnar, parar de aprender e buscar sempre o conhecimento e o aperfeiçoamento.

    Se você não está incomodado, arrisca estar estagnado, vivendo a mesmice, permanecendo sem crescer. É de desafios que crescemos e aprendemos, estar inquieto revela justamente isso, o desejo de sair do comum e crescer.

    Quem realmente mergulhou no conhecimento sabe como o saber é infinito, que o aprendizado é constante. Quem acredita que sabe, na verdade, não sabe de nada e não percebe o quanto tem para aprender.

    Por isso, mantenha-se sempre ativo, aprenda a parar e desfrutar de suas conquistas, pois isso é ótimo, mas descubra também como é poderoso continuar aprendendo, se desafiando e crescendo.

    A grande alegria em ser professor universitário e pesquisador é que nós sempre estamos aprendendo, pesquisando e descobrindo. E quem é professor entende que nós seremos eternos alunos, pois não existe um ponto final no aprendizado e um professor relevante sabe muito bem disso.

    Quando mais eu estudo e leio, mais percebo como eu não sei de nada. Quem acredita que sabe de tudo e que não precisa mais estudar, com certeza, leu pouco, pois esta certeza revela justamente isso, já que quanto mais estudamos, mais percebemos que não sabemos.

    Estudar é algo realmente maravilhoso, nos permite conhecer, crescer e nos impressionar com o saber. Por isso, mantenha sempre viva esta inquietação construtiva, que mantém você nos trilhos, sedento pelo saber. É ela que impulsionará você rumo ao conhecimento e ao constante desenvolvimento.

    BIBLIOGRAFIA

    QUEIROZ, Sérgio. Gloriosas ruínas: O caminho bíblico para a restauração. São Paulo: Mundo Cristão, 2015.

  • CONTRADIÇÕES E AUTOENGANOS

    “Quando, porém, Pedro veio a Antioquia, enfrentei-o face a face, por sua atitude condenável” (Referência: Gálatas 2:11-14).

    O autoengano não é algo incomum, aliás, é muito mais fácil agirmos de modo contraditório, sem percebermos nossas incoerências e divergências. E é assim que eu percebo o episódio que Paulo narra na Epístola aos Gálatas. Pedro estava se esquecendo de uma lição importante, seguindo desta forma, alguns costumes antigos, e agindo de modo contraditório, tudo e porque estava entre irmãos judeus.

    Nesta passagem o apóstolo Paulo discorre sobre um embate que teve há uns cinco anos com o apóstolo Pedro, que havia tido uma recaída quanto as leis e costumes judaicos. Uma vez que seguidores da lei judaica haviam aparecido e insistiam em exigir à igreja cristã seus costumes. Mais uma vez, Paulo precisou enfrentar esta investida que levava a igreja a privilegiar algumas pessoas em detrimento de outras. Neste texto, Paulo faz uma ponte com o que aconteceu com os cristãos da igreja de Gálatas, visto que eles estavam em risco caírem novamente no mesmo erro (POHL, 1999, p. 77-78).

    Paulo fala que Pedro, enquanto estava com os irmãos não judeus da comunidade, fazia suas refeições normalmente com eles. Contudo, quando judeus foram visitar aquela igreja, Pedro passou a não mais fazer suas refeições com os não judeus. Sendo que outros, que também eram judeus, começaram a imitar Pedro (Gálatas 2: 12-13).

    Perceba que um ponto importante nesta passagem é o exemplo. Em uma igreja, quem está em cargo de liderança ou mesmo em evidência, acaba sempre sendo avaliado e em muitos casos imitado. E o apóstolo Pedro, como um bom judeu e discípulo direto de Cristo, não percebia a sua contraditória atitude. Quando estava com os não judeus, agia de uma forma, mas quando estava com os judeus, seu comportamento era outro e assim, a igreja seguia se dividindo.

    Vemos a mesma história se repetir em nossos dias. Algumas igrejas insistem em guardar costumes, títulos e até ritos, que não são cristãos e assim, ela segue se dividindo cada vez mais e longe da palavra de Deus.

    No final, o apóstolo Paulo repreende Pedro de modo bem duro (Gálatas 2:11-14), fazendo-o enxergar suas contradições e mudar seu comportamento. Pedro dava um mau exemplo e tinha um comportamento diferente, dependendo do grupo de pessoas que estava com ele. John Stott explica que:

    “Se Paulo não tivesse adotado uma postura firme com Pedro nessa ocasião, toda a igreja cristã teria se arrastado para um comodismo judaico e estagnado, ou teria havido uma ruptura permanente entre os cristãos gentios e os cristãos judeus. A coragem notável de Paulo, naquela ocasião, em resistir a Pedro preservou tanto a verdade do evangelho como a comunhão internacional da igreja” (2018, p. 38).

    Paulo foi bem rígido com Pedro, quebrando, inclusive, protocolos de diálogos e ensinos, que nós mesmo aprendemos, de como exortar o próximo. Mas ao nos lembrarmos de quem Pedro era e o quanto a sua influência deveria ser grande na igreja, entendemos o quão importante e amoroso foi a intervenção do apóstolo. A igreja poderia sofrer uma grande cisão por conta do exemplo equivocado de Pedro. Paulo termina o assunto pontuando que:

    Mas sabemos que todos são aceitos por Deus somente pela fé em Jesus Cristo e não por fazerem o que a lei manda. Assim, nós também temos crido em Cristo Jesus a fim de sermos aceitos por Deus pela nossa fé em Cristo e não por fazermos o que a lei manda. Pois ninguém é aceito por Deus por fazer o que a lei manda (Gálatas 2:16) (NTLH).

    Não é pela lei que o ser humano é salvo e sim, pela bondosa e infinita graça de Deus. É pela fé que somos salvos, por isso que a lei e os costumes judaicos, que muitas igrejas insistem em ressuscitar, são grandes equívocos.

     Estamos sempre sendo observados, sendo nós líderes diretos ou não. Em algum grau nós influenciamos, mesmo que em um nível pequeno, por isso que precisamos fundamentar a nossa fé na palavra de Deus, para que as nossas ações e discursos, sejam reflexos da sua palavra.  

    BIBLIOGRAFIA

    POHL, Adolf. Carta aos Gálatas: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Esperança, 1999.

    STOTT, John. Lendo Gálatas com John Stott. Viçosa: Ultimato, 2018.

  • O SOM DO SILÊNCIO

    É no silêncio que eu escrevo ou componho. É em meio ao som do silêncio que eu organizo as minhas ideias, estudo ou sigo em busca de inspiração para escrever e produzir. Quem sabe usar a solitude e o silêncio, entende como é realmente produtivo cultivar tais momentos.

    Não se espera de braços cruzados a inspiração, aguardando estático um convidado nos visitar, para depois começar a fazer. E sim, você aguarda trabalhando, é em meio a labuta e o esforço que a iluminação chega e inunda a nossa mente com ideias. E este processo não é possível acontecer se não nos retirarmos para poder compor, a solidão e o silêncio são elementos importantes para que a tímida inspiração possa chegar. Sertillanges pontua que:

    “O retiro é o laboratório do espírito; a solidão interior e o silêncio são suas asas” (SERTILLANGES, 2019, p. 60).

    Para alguns a solidão tem uma conotação negativa, soa mórbido para estes ficar sozinho. Para outros, é um momento para soltar a imaginação e conseguir construir algo. Muitos afirmarão que vai depender do tipo da pessoa, para que este estado de solidão seja benéfico. Um ponto é verdadeiro, os introvertidos terminam por ter mais habilidade que os extrovertidos, quanto ao retiro e a solitude. Contudo, eu creio que é possível cultivar o hábito de ter estes momentos, basta construirmos um ambiente propício para este tipo de retiro e cultivar tal hábito.

    Muitos não conseguem ficar sozinhos, precisam de constantes estímulos, barulhos e conversa. Inúmeros amigos e alunos me falam que o silêncio incomoda, ele grita e tira a sua paz. Nem todos veem a solidão como benéfica, mas eu creio que vai depender do quanto você tem intimidade com ela.

    Saber ficar em silêncio é saber ouvir, é aprender e produzir, silenciando a mente e encontrando combustível para criar e aprender. O silêncio incomoda porque ninguém controla, é um momento de aceitação e entrega e é quando você aprende a ver e a ouvir. Quem muito fala, pouco ouve, quem vive em meio aos estímulos diários das redes sociais ou não faz uma pausa para refletir, não conseguem parar e pensar.

    O silêncio produz um som único, uma melodia que só quando nos aquietamos, conseguimos perceber. É durante o silêncio que olhamos em volta e a nossa mente se solta para a inspiração.

    Quando acordo, logo bem cedo, costumo ficar em silêncio, largo o controle e acalmo a minha mente. Depois, tomo um café e sigo para o meu devocional, e após isso, para a leitura, estudo e escrita. É em meio a solidão interior que eu crio e dou asas a minha imaginação.

    Caso você seja uma pessoa que não gosta de silêncio, que está sempre rolando o feed de uma rede social ou em meio ao barulho da nossa atual sociedade, aprenda a construir momentos de silêncio. Comece com um tempo curto, habitue-se a não acordar e acessar as redes sociais, e cultive um tempo de solitude aliado a leitura ou ao teu devocional.

    Deixe Deus falar, permita que a imaginação surja, ampliando suas ideias e dando asas a sua mente. Ou você constrói um tempo de liberdade e criatividade ou será sempre um prisioneiro, acorrentado aos estímulos que só trazem ansiedade e aprisionam a mente.

    BIBLIOGRAFIA

    SERTILLANGES, A. D, A vida intelectual, Campinas: Editora Kírion, 2019.

  • O DEUS BANAL

    Nem todos conseguem abordar um assunto de forma coerente e confiável. Não é raro vermos o senso comum dar a sua voz em muitos ambientes. E Deus, é um destes temas que além de termos inúmeras interpretações, observamos também muitos equívocos.

    Eu já percebi como a teologia correta é ofuscada pelos ensinos daquelas igrejas neopentecostais que por mais que sejam famosas, passam longe da palavra de Deus. Por elas terem muito mais alcance, a sua teologia distorcida termina por ser o padrão usado por aqueles que não são cristãos.

    Em vários ambientes, Deus não é um assunto abordado de forma positiva pela maioria das pessoas. Muitos têm ideias erradas, seja de Deus, do cristianismo e da vida cristã e com isso emitem opiniões equivocadas sobre o tema. Não é raro vermos pessoas pegarem as atitudes distorcidas de igrejas que estão na mídia e atribuírem aqueles ensinos a todas as igrejas. Este senso comum, vemos em todos os lugares, seja na academia ou entre grupos de amigos, é difícil vermos pessoas investigarem uma questão olhando por todos os viéses.

    O deus da filosofia, por exemplo, de tempos em tempos morre ou cede a pressão humana que tenta explicá-lo a luz dos seus próprios conceitos errôneos. Como se os seres humanos tivessem a capacidade de explicar algo infinito.

    Mal sabem que o banal pode ser destruído, mas o eterno não. O ídolo que o homem pinta, cai ao chão ou cede a pressão do tempo e se desconstrói. Agora o Deus eterno e soberano, não pode ser comparado a este baluarte que muitos constroem e dizem ser Deus. Halík, no livro “Quero que sejas”, descreve justamente o Deus banal da filosofia, aquele que constantemente é aviltado e destruído. Sendo que um dos papéis da teologia é justamente oferecer os verdadeiros conceitos de Deus e rejeitar tal deus banal (2012, p. 84). Halík acrescenta:

    “Uma grande tarefa da teologia e do acompanhamento espiritual consiste hoje na rejeição do Deus banal (proclamado pelo fundamentalismo e recusado pelo ateísmo) e na busca do Deus vivo da Bíblia e dos místicos […]” (2012, p. 84).

    Ao ouvir argumentos contra o conceito de deus segundo os vários filósofos e pensadores, eu sempre acreditei que em partes eles estavam certos. Pois o deus que eles combatiam não era realmente Deus, não aquele que a Bíblia revela e sim, um espantalho, um rascunho criado a partir de conceitos falhos.

    Nas aulas de mestrado em filosofia, um dos ótimos professores, que apesar de ser bom em sua matéria, não gostava muito de cristãos e estava sempre pronto a tecer críticas ao cristianismo, o que não há nada de errado, eu pelo menos não ligo. O problema era que toda a sua crítica tinha como ponto de partida a teologia (ou falta de teologia) destas igrejas públicas, que falam sobre o evangelho do medo, de imposição e da força. A maioria das considerações que ele fazia a igreja, eu até concordava, visto que, estas igrejas não partem do real ensino da palavra.

    Por isso que discutir sobre este assunto com estas pessoas, se torna complicado já que primeiro eu tenho que mostrar como as suas opiniões se originam do senso comum, para depois discutir. Não há como dialogar de forma construtiva, sem antes expor quem é o Deus da Bíblia. O Deus bíblico, não é nada parecido com o deus banal que eles descrevem.

     E partindo desta verdade, eu nem condeno tais pessoas, visto que, o fundamentalismo cristão e os neopentecostais, também tem oferecido uma descrição de Deus que está aquém do Deus que a Bíblia descreve. Existem muitos cristianismos que partem muito mais de uma prática cristã retributiva do que um cristianismo calcado na graça e na obediência a Deus.

    O deus banal é muito visível na mídia hoje em dia, mas tal espantalho está bem longe do Deus soberano que a palavra revela. Existe um espantalho que muitos estão combatendo, mal sabem eles que tal ídolo está longe de ser o Deus Bíblico.

    BIBLIOGRAFIA

    Halík, T. Quero que sejas: Podemos acreditar no Deus do amor?. Petrópolis: Editora Vozes, 2012.

  • A ERA DA SUPERFICIALIDADE

    Quando estou na praia ou piscina, não sou bom em boiar, é fácil me ver afundar como se eu fosse uma pedra. Na área do conhecimento é o mesmo. Eu gosto de estudar e mergulhar a fundo no conhecimento, não me conformo em ficar na superfície do saber.

    Na era do acesso ao conhecimento, o que mais vemos é o senso comum ditando as normas, estabelecendo, de tempos em tempos, o pensamento da vez. A internet deu voz a todos, este é o lado bom e também o ruim desta tecnologia, pois precisamos de critérios, para não ficarmos à deriva e sermos influenciados pelo senso comum.

    Houve um tempo onde era preciso ir às bibliotecas para buscar algum saber, hoje temos tudo na palma de nossa mão, mas optamos em gastar nossos dias em outras atividades. A internet trouxe muita informação, mas também distração, com isso, o senso comum continua ditando o ritmo da sociedade. É claro que é bom nos distrair, não há problema algum usar a tecnologia para isso, o problema, a meu ver, é que a distração virou uma norma e não uma exceção.

    A minha crítica aos nossos dias é a simplificação de temas que são muito mais complexos do que eles aparentam ser e a complicação de temas que são simples. Resumindo, vemos uma grande exposição de indivíduos que carecem de profundidade.

    Uma coisa que precisamos ter em mente é que ninguém tem profundidade em tudo. Mesmo alguém erudito ou que estuda muito, tem as suas limitações, por isso, precisamos ser sábios na hora de ouvir e avaliar bem um conteúdo.

    É moda hoje vermos palestrantes falar sobre Mindset, e quando entendemos tal tema, percebemos como o assunto é muitas vezes usado de forma deturpada. A teoria resume duas formas de pensar que o ser humano tem que é o Mindset Fixo e o de Crescimento, sendo que uma delas sempre está mais destacada. Ter um bom Mindset é fundamental, mas não é só isso que você precisa para sair do lugar ou crescer como profissional ou como ser humano. Precisamos de estudo e boas rotinas.

    Uma palestra apenas não muda a sua vida, o que muda são boas atitudes, por isso, só se motivar não adianta, cultivar a constância é uma ação fundamental para assim gerarmos resultados. Ou você separa um tempo diário para a construção do saber, ou seguirá sem muitos resultados concisos.

    O senso comum insiste em vender fórmulas, mas o caminho é sempre construir boas rotinas, é buscar ter diariamente hábitos positivos, como ler, estudar, fazer exercícios e ter uma mente aberta para aprender, ouvir críticas e crescer.

    Entenda que a vida não é fácil e nunca será, sempre, mesmo com dinheiro ou estabilidade, teremos um problema para aprender a lidar e a dor estará mais viva do que nunca. Quem pensa diferente disso não percebe a complexidade da vida. Byung-Chul Han pontua que:

    “A sociedade positiva tampouco admite qualquer sentimento negativo. Desse modo, esquecemos como se lida com o sofrimento e a dor, esquecemos como dar-lhes forma” (2020, p. 18).

    Aceitar a dor é o primeiro passo para conseguir dar significado e propósito em sua vida. Entender que boas rotinas são frutos de muito sofrimento, dor e insistência, é o primeiro passo para que você consiga construir hábitos e rotinas relevantes.

    Procrastinar é uma ação habitual, fugir de empreitadas complexas, que levam um tempo para dar algum prazer, é uma ação rotineira entre os seres humanos, mas é quem consegue nadar contra esta maré que produz resultados.

    O mundo não é tão colorido como muitos fazem parecer, mas também não é um vilão tão obscuro, basta ter a mentalidade certa, que você conseguirá chegar onde pretende chegar!

    BIBLIOGRAFIA

    HAN, Byung-chul. Sociedade da transparência. Petrópolis: Editora Vozes, 2020.

  • OS FRUTOS DA REFORMA PROTESTANTE

    A Reforma Protestante foi um marco para a igreja, ela marca um momento de grande mudança, de avanço e muitas novidades. E apesar da ação não ter sido inédita, visto que alguns pré-reformadores, como John Wycliffe (c. 1325-1384) e John Huss (c. 1372-1415), também se levantaram contra algumas irregularidades da Igreja da época, foi em Lutero que a reforma aconteceu.

    É importante pontuar que o objetivo de Lutero não foi dividir a igreja e sim reformar, acabar com algumas ações enganosas no qual a igreja estava mergulhada, mas a reforma protestante acabou dividindo a igreja, e apesar da divisão, a própria igreja, após a reforma, acabou se reunindo e propondo mudanças, que foram influenciadas pela reforma. A igreja católica antes da reforma era outra.

    Foi por conta da reforma que a Bíblia foi traduzida para a língua de sua época. O que antes era apenas em latim, terminou sendo um livro na linguagem do povo, sendo que ele foi o responsável por dar o pontapé inicial na organização da língua alemã, que na época, era dividida em vários dialetos, aliás, até hoje estes dialetos existem, porém, existe também uma língua oficial. Ele também acreditava que a educação não deveria ser uma missão da igreja e sim do estado, defendendo que todos deveriam ter acesso ao ensino. Claudino Piletti e Nelson Piletti complementam:

    “Lutero foi um dos responsáveis pela formulação do sistema de ensino público que serviu de modelo para a nossa escola atual. É dele a ideia da escola pública para todos organizada em três siclos: fundamental, médio a superior” (2016, p. 63).

    Foi Lutero que brigou por uma educação para todos e inúmeras ideias que influenciaram a sociedade até os nossos dias. Sendo que foi através da Bíblia que ele traduziu, que inclusive foi impressa várias vezes, que as pessoas aprenderam a ler e conseguiram dar os seus primeiros passos na educação formal.

    Dia 31 de outubro comemoramos o dia da reforma protestante, sendo que a data inaugura muito mais do que o surgimento de uma nova igreja. A Reforma marca o momento de muitos avanços na educação e no conhecimento.

    Optei em mencionar apenas algumas coisas que Lutero trouxe com a Reforma Protestante, contudo, existem muitos outros pontos que revolucionaram a sociedade da época, impactando toda a cultura ocidental, vale a pena pesquisar todos os frutos da Reforma.

    Por isso que ao lembrar-se da Reforma Protestante, relembre também que este foi um marco para mudanças importantes, foi o dia em que as pessoas começaram a ter acesso a coisas que eram reservadas apenas para uma elite da igreja da época. A Reforma mudou uma realidade e uma forma de pensar, por isso que, esta data não é só religiosa, é o marco de mudanças que influenciaram o Ocidente.

    BIBLIOGRAFIA

    PILETTI, C. PILETTI, N. História da educação: de Confúcio a Paulo Freire. 1. ed. São Paulo: Contexto, 2016.

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  • A LÓGICA DA VIDA

    “Os dias passam rápido e para acompanhar, deves desacelerar a sua vida”.

    Guilherme Augusto.

    Existe uma lógica no bem viver, para acompanhar os dias que não param, desacelerar é preciso. Acalmar é imprescindível, caso queira ver o amanhecer e os mistérios do existir.

    Quanto mais rápido andamos, mais nos desconectamos do sentido de ser, nos desfiguramos até parecermos homens sábios, mas sem sabedoria. O mundo aparência reina, quem crê que sabe segue em frente, comandando e sendo influente, embora sem ver os dias, pelo excesso de estímulos que a sociedade anuncia.

    Basta fazer uma escolha, você quer ter ou ser? Aquele que tem desfruta da vida, do melhor que existe na sociedade, mas tem que se esconder da verdade, que brilha como o sol. Quem tem, só tem, não vive a vida, e nem vê passar na avenida a beleza, que só a vida simples propõe.

    Quem é, vai na terceira classe, mas viaja de primeira, é visto como pária, estranho ou sem estribeiras, embora desfrute do mais doce néctar da certeza, que é ver a vida seguir, e aprender com a beleza que ganhamos durante a partilha.

    Neste mundo invertido, o sábio é quem tem, é o que seguiu a fórmula e construiu castelos com o suor dos seus dias, de tempos que não voltam. Embora a verdade seja, que o sábio é o que sabe olhar, ver e desfrutar de todo instante. Percebendo que de semelhante só temos a aparência. No fim, o rei é quem não se deixa moldar por qualquer pensamento fabricado, pré-moldado pelo minuto da emoção.

    Para não acabar perdendo a conta, sonhe, mas segure as pontas da realidade. Quem vive de futuro, não tem tempo para a verdade. Para ver e usufruir do hoje, dos dias que seguem, vive só da saudade, que nada mais é que a lembrança, dos dias que se foram com a criança que morreu.

    O futuro é uma projeção, ele não existe, é a ação de sonhar e ver passar os dias. Já o passado, é uma idealização, de uma vida que vivemos sem razão, mas que guardamos na saudade. O presente é o que existe, é o que passa e o que muitos insistem em ignorar.