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  • CRISTIANISMO E PÓS-VERDADE

    Certo dia fui assistir um sermão em um culto diferente e fiquei muito impressionado com a fala do pregador. O rapaz que era bem jovem, sabia comunicar super bem, a parte complicada era que tudo o que ele falava não partia da Bíblia. Era muito mais um discurso motivacional do que uma pregação.

    Ao ouvir um sermão, o que eu levo muito mais em conta é se o conteúdo que o pregador está falando parte da Bíblia. Um sermão emocional e inflamado não me toca, a exposição bíblica sim. É algo realmente profundo ouvirmos um pregador comprometido com a palavra.

    Eu creio que falar bem é muito importante, é legal estudar bons métodos de oratória para desta forma, poder passar a mensagem de um modo mais claro e efetivo, mas o cerne de uma pregação é a Bíblia. Se eu, acima de tudo, não estudar a palavra e usar apenas técnicas de oratória, terei certamente perdido o propósito da pregação. Eu costumo sempre falar que: “Nem todos os que falam bem, falam certo”. E isso é uma grande realidade na igreja. Ainda mais hoje que a falta de estudo e leitura é grande dentro da igreja, seja de estudo Bíblico ou de obras de autores importantes.

    É fácil distorcer os fatos ao partirmos de uma verdade e assim, descontextualizá-la. Ainda mais quando falamos da Bíblia, que possui um texto que demanda estudo e interpretação. Uma mensagem emocional, que foca muito mais na oratória e na emoção do que no texto bíblico, é bem próximo daqueles discursos de pós-verdade. A sua base é a emoção e não o conteúdo, os fatos ou a verdade Bíblica, são pontos secundários.

    O significado de pós-verdade, segundo o Oxford Dictionaries, conforme pontua D’Ancona é:

    “[…] situação onde os acontecimentos reais tem pouca influência em construir uma opinião pública do que as apelações emocionais e os pontos de vistas pessoais” (D’ANCONA, 2018, p. 20).

    Ou seja, para a pós-verdade o que vale é a emoção e não os fatos, as opiniões particulares e não a verdade. Com isso, a Bíblia acaba sendo moldada partindo de pontos de vistas pessoais, a sua mensagem segue sendo adaptada para os diversos fins, menos para comunicar o ensino e a vontade de Deus.

    E isso acaba sendo perigoso, visto que a Bíblia tem a sua mensagem, a nossa missão é estudar e descobrir o que ela quer nos ensinar e não construir um significado. A Bíblia interpreta a própria Bíblia, segundo uma das regras da hermenêutica, não precisamos criar ideias, basta estudarmos e deixarmos a própria Palavra de Deus falar. Lund e Nelson ensinam algo realmente fundamental sobre a disposição para o estudo da Bíblia:

    “Portanto, para o estudo e boa compreensão da Bíblia necessita-se, pelo menos, de um espírito respeitoso e dócil, amante da verdade, paciente e munido de prudência” (2011, p. 17).

    Ter paciência e prudência é fundamental para um bom tempo de estudo da palavra de Deus. Amar a verdade e fugir dos apelos emocionais é indispensável. Uma boa pregação é fundamentada na Bíblia e não é parte de uma fala emocional.

    O cristão precisa influenciar o mundo, ser luz, mas sem dúvidas, partindo sempre da Bíblia e não de opiniões próprias. Ou nos fundamentamos com a verdade, ou seguiremos as técnicas da pós-verdade, acreditando que um discurso emotivo já é uma mensagem cristã.

    BIBLIOGRAFIA

    D’ANCONA, Matthew. Pós-verdade: A nova guerra contra os fatos em tempos de Fake News. Barueri: Faro Editorial, 2018.

    LUND, E.; NELSON, P. C. Hermenêutica: princípios de interpretação das sagradas escrituras. São Paulo: Editora Vida, 2011.

  • A BANALIZAÇÃO DA NECESSIDADE: O PERIGO DA CARIDADE IRRESTRITA

    Ver alguém passando necessidade é algo que realmente me toca. Não gosto de ver ou ouvir sobre pessoas que estão nestas condições, que eu já fico sensibilizado. Passei por algumas situações complicadas durante a minha juventude, com isso, eu sinto uma certa afinidade com tais indivíduos.

    Por outro lado, hoje temos visto cada vez mais pessoas nas ruas pedindo dinheiro, desde idosos até jovens segurando cartazes com frases impactantes, com o intuito de tocar as pessoas que em meio aos muitos que pedem pelo caminho, seguem invisíveis. Tendemos a nos acostumar com as coisas, por isso que, em um primeiro momento, um pedinte pode nos deixar sensibilizados, mas depois vamos nos acostumando.

    A primeira pergunta que eu me faço é: Quem são tais pessoas? E eu pergunto isso, justamente porque alguns parecem precisar de ajuda e outros não. Alguns aparentam estar em uma condição desesperadora, precisando de auxílio imediato. E outros seguem olhando para as pessoas com um olhar de orgulho, de superioridade, como se não precisassem. Já me deparei com pedintes rindo de forma sarcástica, quando alguém dizia que não tinha como ajudar.

    Eu tenho a impressão de que hoje temos uma banalização da necessidade, muitos pedem, mas não sabemos se todos realmente precisam. Vivem assim por estilo ou por não aceitar a ajuda de familiares. Veja bem, eu falo com conhecimento de causa, primeiro por ter passado por situações semelhantes na minha adolescência, em segundo lugar, por ter contato com projetos sociais que trabalhavam com tais públicos.

    Na rua, descobrimos quem ajuda, sabemos o cardápio do dia, entendemos todos os caminhos e oportunidades do momento e seguimos para as opções que mais nos convém. Como eu falei, passei um período de aperto na minha adolescência. Mas depois, escolhi viver vendendo arte na rua, por quatro anos, e esta foi uma das leis que descobri existir.

    Buscar entender o mínimo do contexto da pessoa que você está ajudando ou do lugar no qual você pretende realizar uma ação social, vai colaborar com a efetividade da sua ação. Ajudar só por ajudar, não é uma ação eficaz. A verdadeira ajuda surge quando você conhece o contexto, consegue acolher e proporcionar momentos de mudanças reais aquelas pessoas que passam por momentos difíceis. Yago Martins enfatiza um ponto fundamental sobre ajudar com consciência:

    “Por darmos sem nos importarmos de fato com quem recebe, acabamos gerando efeitos negativos na vida dos recebedores. Se estamos dando o que achamos que o outro deveria precisar, achamos suficiente” (2019, p. 57).

    Perceba que ajudar, de forma efetiva, envolve entendermos o que realmente alguém precisa para conseguir sair da rua. Trabalhos sociais são importantes, oferecer alimento e apoio as pessoas da rua são ações fundamentais, mas saber filtrar quem precisa, daqueles que realmente não querem compromisso, é um ponto de partida importante para não concentrarmos nossos esforços em quem realmente não quer.

    Ajudar é um conceito abstrato, precisa de princípios, de conhecimento de causa e do ambiente para que tal ajuda tenha frutos. Existem mundos que não conhecemos e ajudar sem conhecer a realidade é realmente terminar por fazer um desserviço, já que você seguirá encorajando um estilo de vida.

    Eu sei que a palavra fome não é nada bonita, quem já passou por isso, entende bem o teor do termo, contudo, a igreja precisa criar ferramentas para que as pessoas realmente consigam ter autonomia e mudar suas vidas, e também para não perder tempo com aqueles que não querem uma oportunidade, como já pontuei.

    Oferecer a mão de forma verdadeira a alguém é sempre um desafio, envolve muito mais do que apenas dar um dinheiro. É entender um indivíduo, ter contato com uma história e oferecer um caminho de mudança para aqueles que assim desejam. E é também aceitar a opção das pessoas que não estão compromissadas e querem continuar na rua. Respeitar a escolha de cada um é fundamental.

    BIBLIOGRAFIA

    MARTINS, Yago. A máfia dos mendigos: como a caridade aumenta a miséria. Rio de Janeiro: Editora Record, 2019.

  • CORRUPÇAO HUMANA: O CAOS QUE SURGE DAS BOAS INTENÇÕES

    “Quanto mais altas as pretensões do poder, mais intrometido, desumano e opressivo ele será” (LEWIS, 2018, p. 53).

    C. S. Lewis

    Algumas pessoas costumam falar que fama, riqueza e principalmente o poder, revelam quem uma pessoa realmente é. Por isso que, quando uma pessoa se encontra em uma condição privilegiada e começa a fazer um monte de bobagens, na verdade, ela está apenas revelando o seu verdadeiro lado.

    O ponto alto desta discussão é que, em primeiro lugar, eu não creio que o ser humano seja bom, até o indivíduo mais bondoso, caridoso e que ama e ajuda a todos, tem um lado ruim. O apóstolo Paulo diz justamente isso em Romanos:

    “Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer” (Romanos 3:10-12) (NVI).

    Não existe alguém realmente justo ou plenamente bom, estamos todos manchados pelo pecado. Todos se desviaram e seguem praticando o mal. Esta declaração do apóstolo Paulo, tem como paralelo um texto de Salmos (14:1-3), comprovando assim ser uma verdade bíblica. Wiersbe explica esta grande verdade pontuando que:

    “Estes versículos indicam que todo o ser interior do homem está sob o controle do pecado: sua mente (“não há quem entenda”); seu coração (“não há quem busque Deus”) e sua volição (“não há quem faça o bem”). Ao ser medido de acordo com a justiça perfeita de Deus, nenhum ser humano é inculpável” (2017, p. 678).

     Em segundo lugar, o poder acaba apenas amplificando ainda mais o pecado e a barbárie interna que existem em todos os seres humanos, já que com o poder o ser humano consegue fazer qualquer coisa. O poder nos revela, ele nos tenta e dá voz ao nosso pecado, a algo que já está dentro de nós, no qual precisamos constantemente lutar, buscando em Deus a sua ajuda.

    Alguns regimes comunistas, que tiveram uma intenção primária de combater algumas injustiças que o capitalismo ou a política produziu em alguns lugares, revelou justamente isso, como algo pode começar com uma boa intenção, mas terminar em uma verdadeira barbárie “em nome do bem”.

    Quanto mais alta as pretensões do poder, mesmo que as suas intenções sejam boas, maior é a possibilidade de caos, visto que, o ser humano é corrompido pelo pecado. E este é o cerne do cristianismo, esta verdade aponta para Cristo, o único justo, o único que pode salvar o ser humano.

    O poder desmascara o ser humano, revela toda a nossa corrupção e quais são as verdadeiras intenções do nosso coração. O poder corrompe e se Deus não estiver no centro, nós certamente nos perderemos e transformaremos qualquer coisa boa, em uma genuína balbúrdia.

    Não há outra forma de estabelecer a paz, é somente através do evangelho. Se Deus não for o fundamento da nossa vida, o caos certamente será. Só há esperança em Deus.

    “Na verdade, que não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque” (Eclesiastes 7:20).

    BIBLIOGRAFIA

    LEWIS, C. S. A última noite do mundo. Rio de janeiro: Thomas Nelson, 2018.

    WIERSBE, Warren W. Comentário bíblico expositivo: Novo testamento: Volume I. Santo André: geográfica Editora, 2017.

  • O AUTORITARISMO DO POLITICAMENTE CORRETO

    Houve um tempo onde as coisas eram bem mais simples e não existiam tantas militâncias ensandecidas tentando descobrir um erro em uma inocente frase. Hoje as palavras são medidas e averiguadas com o intuito de verificar se não há um duplo sentido nefasto em algum termo. Lembrando que para eles, os errados são sempre os outros, nunca eles.

    Diante destes fatos, é impossível não lembrar do livro 1984 de George Orwell, visto que no livro, havia o Ministério da Verdade, pronto para determinar o que era ou não verdadeiro, segundo os seus propósitos, além de um idioma próprio, imposto a todos. Para um livro lançado em 1949, ele ainda é muito atual.

    Compreendo que algumas palavras ou termos podem ser grosseiros e ofensivos, contudo, a patrulha ideológica estabelece como ofensivos termos totalmente inocentes, além de obrigar as pessoas a usar um tipo de linguagem que transcende a lógica. E quem não se comunica desta forma, é ignorante, sendo que, a pior parte é a imposição.

    O politicamente correto tem crescido cada vez mais em nossos dias. O princípio do pensamento é que o ser humano é bom, contudo, é corrompido pelo capitalismo, pela religião e os chamados conservadores (um termo que hoje é usado de forma errada). Pondé tece críticas bem ácidas a eles quando diz que:

    “O problema com o politicamente correto é que ele acabou por criar uma agenda de mentiras intelectuais (filosóficas, históricas, psicológicas, antropológicas etc.) a serviço do “bem”, gerando censura e perseguições nas universidades e na mídia para aqueles que ousam pôr em dúvida suas mentiras “do bem”” (2012, p. 32).

    Perceba que é normal tais militantes falarem do cristianismo, pontuando como tal religião na Idade Média, perseguiu muitas pessoas através da Inquisição, mas eles não falam das perseguições em países comunistas, por conta de opiniões divergentes ou credo religioso. O mesmo acontece com o capitalismo, que é pai de todas as atrocidades do mundo, segundo estes, mas o comunismo em nenhum momento também é criticado pela profusão de atrocidades que cometeu.

    Cuidado com as “mentiras do bem” do politicamente correto e com toda a distorção da história, realizado em nome de um ideal. Uma coisa é dialogarmos e brigarmos por respeito diante das injustiças que acontecem no mundo. Outra coisa é construir narrativas deturpadas, em nome de estabelecer uma falsa verdade.

    Eu sempre digo que o cerne do problema é o ser humano, por isso que, ideologias políticas sempre serão falhas, visto que, é um reflexo da forma falha de pensar, que todos os seres humanos têm. É por isso que o diálogo, precisa existir. Com o diálogo, conseguimos ver os pontos incoerentes e ajustar uma política coerente com a realidade.

    Temo a militância, principalmente porque com eles não existe diálogo, apenas aquela imposição que o totalitarismo tem. E a falta de diálogo já construiu inúmeros problemas, tudo feito “em nome do bem”. Sem contar com toda a mentira, disfarçada de verdade e o relativismo, usado para desconstruir bases importantes.

    O autoritarismo impede o diálogo e a construção de um mundo melhor, pautado no respeito a diversidade de crenças e opiniões. Quando eu imponho, me abstenho de ouvir e entender algo a partir do outro.

    Respeito todas as formas de pensar, por isso mesmo, não acredito que a minha opinião precise ser o padrão para tudo. Liberdade e respeito, são termos que precisam caminhar juntos e quando isso não acontece, precisamos abrir os olhos.

    BIBLIOGRAFIA

    PONDÉ, Luiz Felipe. Guia politicamente incorreto da filosofia: Ensaio de ironia. São Paulo: Leya, 2012.

  • NARRADORES: A COMPLEXA ARTE DE INTERPRETAR FATOS

    Todos os dias são oportunidades e dependendo da sua mentalidade, é possível acordar com alegria e esperança ou mesmo com desânimo, como se a vida fosse um fardo ao invés de uma dádiva de Deus.

    Somos narradores e em nossa narrativa, a visão das coisas que acontecem conosco e a nossa fé faz toda a diferença na hora de ver, interpretar e narrar os fatos da vida. Perceba como é fácil exagerar e contar aos outros uma história bem mais triste e equivocada. Ao mesmo tempo que você esquece da graça de Deus em sua narrativa.

    Algumas histórias parecem que nascem fatídicas, prontas para revelar o caos e a desesperança, mas em meio a narrativa, Deus faz com que o fim seja bom. A minha história mesmo tinha tudo para ser ruim, desde o começo da minha vida, mas Deus a todo o momento me ajudou a transpor todas as dificuldades. Nem todos são fiéis em sua narrativa, muitos a exageram e se esquecem de Deus ou mesmo mantém-se como vítimas.

    Nós somos narradores da nossa história e em meio a narrativa, podemos nos colocar como vítimas, como seres superiores e arrogantes ou mesmo como protagonistas, que entendem que a vida é um misto de atitude e falta de controle. Tudo vai da mentalidade, de como lidamos com os fracasso e vitórias. E como a narrativa quem constrói somos nós, precisamos nos lembrar que em meio a nossa história há um Deus cuidando de tudo.

    Por sermos narradores, a nossa explanação envolve sempre uma interpretação dos fatos que acontecem em nossa vida e por isso, arriscamos distorcer e modificar o que aconteceu. É fácil exagerar e mudar a verdadeira história, principalmente quando há fracassos e muita emoção envolvida.

    Existem histórias bem fieis aos fatos, onde o narrador apenas se limita a contar o ocorrido, e outras baseadas na emoção que o acontecimento por si só proporciona. Temo pessoas emocionais, que no calor das suas narrativas exagera. O mesmo temor eu tenho com os militantes, visto que suas narrativas são construídas para outros fins e partem muito mais da emoção do que da verdade.

    O protagonismo envolve posicionamento e um tipo certo de pensar. É aceitar fatos, já que cada ser nasce em uma realidade, mas também é buscar oportunidades, é insistir e realizar, já que a vida não é estática.

    No final, tudo vai depender de quem você coloca no centro da sua história, se é você, ela tem tudo para ser vitimista, exagerada e distorcida. Nós somos egoístas por natureza, é fácil olharmos apenas para nós e ignorarmos os outros. Mas se é Deus, a confiança é o princípio da caminhada e olhar o próximo, uma atitude que faz parte da vida cristã.

    Não é correto vivermos como vítimas, culpando a todos e a tudo, seguir confiando e aceitando as mudanças, é o caminho dos narradores que entendem que a vida é complicada, mas não precisamos complicá-la ainda mais.

    Que Deus nos ajude a estarmos no centro da sua vontade e narrar a verdade que aponta somente para ele e o cuidado que ele tem por nós. Soli Deo Gloria!

  • PAULO: UM APÓSTOLO LEGÍTIMO

    Irmãos, quero que saibam que o evangelho por mim anunciado não é de origem humana. Não o recebi de pessoa alguma nem me foi ele ensinado; pelo contrário, eu o recebi de Jesus Cristo por revelação (V. 11, 12) (Referência: Gálatas 1: 11-24) (NVI).

    Um dos problemas dos nossos dias são os ensinos deturpados, anunciados como se fossem verdades bíblicas por pastores famosos. Sendo que alguns deles acabam tendo muito mais alcance do que aqueles pastores que não são conhecidos, mas que possuem compromisso com a Bíblia. E nestes casos, é complicado competir com a fama que estes têm.

    No começo do capítulo, Paulo fala dos ensinos deturpados que alguns estavam ministrando, muitos falsos mestres estavam tentando judaizar o evangelho. E neste versículo, continuando a sua argumentação, ele dá uma ênfase importante em seus ensinos. Ele enfatiza que o evangelho que ele anunciava não era fruto da sua opinião ou de um ponto de vista qualquer e sim, uma revelação do próprio Cristo. Com isso, quando ela argumenta e busca refutar o falso evangelho que estava sendo pregado, ele faz com a autoridade e ensino que havia recebido de Jesus. É como se ele estivesse mostrando as suas credenciais e ressaltando que a relevância do seu ensino, não vinha de si. Carson enfatiza que:

    “Tem sido dito que nessa carta Paulo se vê obrigado a defender-se a si mesmo antes de defender o seu evangelho. Há uma medida de verdade nessa análise. Os ataques à sua mensagem de liberdade para os gentios estavam inextricavelmente vinculados às questões que tinham sido levantadas acerca de sua autoridade apostólica (2012, p. 1819).

    Com qual autoridade Paulo falava? Será que os seus ensinos e a sua autoridade apostólica eram válidos? Era este problema que o apóstolo estava enfrentando. Já não bastava enfrentar os falsos mestres, ele também precisava refutar aqueles que duvidavam de sua autoridade.

    A legitimidade de um orador faz toda a diferença para ouvirmos ou não o que a pessoa está falando. O valor do discurso, como a filosofia ensina, é intrinsecamente ligado a legitimidade do porta-voz. Se você não é visto como legítimo, as pessoas não o ouvirão. Mas como Paulo enfatiza na epígrafe do texto, a sua mensagem não era oriunda de um ponto de vista, de uma opinião própria. Ele recebeu de Cristo por revelação ou mesmo, recebeu a revelação de Cristo em sua vida. O texto possui os dois significados.

    Adolf Pohl acrescenta explicando justamente que a gramática deste texto no original, permite que um leitor encontre dois significados, o que acaba dividindo os exegetas. O primeiro é que a revelação da mensagem da graça, que coloca a lei de lado, foi revelado ao apóstolo Paulo por Cristo. Sendo assim, Jesus se opõe aos sábios humanos, na parte A do versículo (v.11). O segundo significado é que o texto fala de uma revelação sobre Jesus. Cristo foi a pessoa revelada ao apóstolo Paulo (1999, p. 46).

    Aprendi ao longo da minha caminhada como teólogo, que estudar é fundamental, quanto mais conhecemos a palavra de Deus, mais crescemos como cristãos. Contudo, eu não estou fechado para a ação do Espírito Santo em minha vida. Eu sei que ele nos ajuda, ilumina a nossa mente e nos ensina. O que não exclui a importância de estarmos sempre estudando.

    Diante disso, não vou escolher um lado sobre esta questão, independentemente se Paulo recebeu a revelação da mensagem ou se o Cristo foi a revelação na vida dele, o ponto central é que ele era alguém compromissado, uma pessoa que conhecia a palavra. Como um bom judeu, o Apóstolo estudou e entendia também o evangelho da graça que ele estava pregando.

    Paulo era alguém legítimo, compromissado, com isso, quando ele refutava os falsos mestres, ele assim fazia por conta da sua autoridade e compromisso com a palavra de Deus.

    Que possamos ser pessoas compromissadas com o evangelho, centradas na palavra, estudando e buscando sempre conhecer a vontade de Deus através do seu evangelho.

    BIBLIOGRAFIA

    CARSON. DA.; FRANCE, RT.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo, Editora Vida Nova, 2012.

    STOTT, John. Lendo Gálatas com John Stott. Viçosa: Ultimato, 2018.

    POHL, Adolf. Carta aos Gálatas: Comentário esperança. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 1999.

  • À PROCURA DE NOVIDADES

    Não sou a pessoa mais aventureira que existe, sou muito mais propício a cultivar hábitos e rotina, do que ir em direção ao novo. É claro que bons hábitos são importantes, mas fazer algo novo de tempos em tempos também é fundamental. É por conta disso que sempre que possível, busco por alguma novidade.

    Seja descobrir um caminho novo para ir ao trabalho, um tema de livro que eu não costumo ler ou um restaurante diferente. É fundamental em alguns momentos sairmos do comum e termos uma nova experiência e novos aprendizados.

    O hábito não é algo ruim, como eu já pontuei, ele é uma ótima ferramenta para desenvolvermos boas rotinas, seja de estudo, exercício ou leituras. O hábito nos ajuda a termos constância e a crescermos com o estudo e a prática. Só assim conseguiremos nos aprofundar em algo, conquanto, é igualmente essencial também buscarmos o inédito, caso contrário, ficaremos sempre presos as mesmas coisas sem olhar e experimentar experiências e visões novas.   

    Quem não busca coisas novas, deixa de conhecer, sendo que muitas vezes nem imaginamos como existe muito mais experiências do que apenas as coisas que conhecemos. É fácil nos estagnarmos quando não experimentamos novas possibilidades, nem que seja apenas breves experiências.

    Pense que acreditar saber, como eu sempre falo aqui no site, é um dos nossos grandes problemas e fontes de muitos enganos. Com isso, ao não experimentarmos algo novo, seja por crer que não será bom, medo de desafios ou por desconhecemos tal realidade, nos privamos de termos novas experiências e todas aquelas novidades que nos abrem os olhos. Todas e quaisquer experiências, refrigeram a nossa mente e nos faz vermos mais.

    Montei o meu primeiro blog por sugestão de um amigo, há muitos anos, contudo, não era algo que eu gostava, mas passei a gostar, conforme aprendia. E hoje eu tenho este blog de teologia e filosofia. O mesmo posso dizer da minha licenciatura em pedagogia. Eu cursei pedagogia apenas por ter surgido uma oportunidade, sendo que na época eu quase não cursei, mas fui impulsionado por minha curiosidade e ao mergulhar neste tema, que era muito diferente da minha área de estudos naquele tempo, eu pude conhecer outro mundo, um universo que tem me ajudado muito como professor.

    Muitas coisas que eu faço hoje, eu comecei a fazer por pura curiosidade, sou um sujeito curioso, por isso, não tenho medo de ter novas experiências. É claro que podemos nos decepcionar também, mas isso não deixa de ser aprendizado. Sendo que, quando você aprender a fazer algo diferente, você perceberá que normalmente os resultados são positivos.

    É comum termos padrões e fazermos tudo do modo mais habitual possível, mas quebrar tais rotinas, nos faz vermos o novo, e experimentar coisas novas ou mesmo, apenas aprender a fazer de forma diferente a mesma coisa.

    Aprenda a fazer alguma coisa diferente de tempos em tempos, descubra como às vezes sair da rotina nos ajuda a vermos um pouco mais e a termos experiências realmente restauradoras. Isso faz bem para a mente e para a nossa vida, já que nos auxilia em todos os sentidos. Além do fato de anos ajudar a enfrentarmos mudanças.

    Quem vive para a rotina, não vê nada mais do que está acostumado a enxergar. Já quem de tempos em tempos, faz algo novo, enxerga um pouco mais adiante e traz um frescor a mente!

  • VIVENDO E APRENDENDO

    “Mestre é quem sabe o antigo e descobre o novo” (CONFÚCIO, 2019, p. 8).

    Em qualquer área de trabalho, o conhecimento é imprescindível, ainda mais se queremos fazer algo que seja realmente relevante. Ter um bom repertório e propriedade nas coisas que estamos fazendo é um elemento definidor. O mesmo serve para a nossa vida particular, o conhecimento nos ajuda como cidadãos neste complexo mundo.

    Conhecer o processo histórico de uma determinada área, entender como tudo surgiu e quais são os principais fundamentos deste campo é fundamental, pois é imprescindível, para uma boa reflexão, entender todos os principais pontos antes de agir. A informação e o conhecimento são os importantes fundamentos da pessoa relevante.

    Em contrapartida, a nossa vida não é estática, tal atitude de busca e reciclagem deve ser constante para que nós possamos seguir em constante crescimento. Pois o mundo está sempre evoluindo e mudando, entender e acompanhar a mudança é fundamental.

    Creio que a epígrafe de Confúcio do início do texto, não pode ser mais acertada. O mestre ou o bom acadêmico é aquele que sabe o antigo, que entende o fundamento e como a ideia surgiu, mas também é alguém que descobre o novo, que busca novas formas de pensar e entender uma questão.

    Quase sempre uma atividade pode ser executada de várias formas, por isso, é importante conhecer todos os caminhos e sair da nossa zona de estagnação, para podermos aprender e crescer tendo uma visão ampla de tudo e de todas as possibilidades.

    Ser bom em algo, dominar certa área do conhecimento é fundamental, só precisamos sempre nos lembrar que o conhecimento não é estático, e caso não o acompanharmos, arriscamos ficarmos parados no tempo. 

    Estudos, ferramentas tecnológicas e muitos conteúdos estão sempre surgindo e agregam em nossa vida profissional e particular também, como mencionei. Ter o costume de sempre se aprimorar é básico, e o caminho para ser um acadêmico realmente relevante.

    Viver é basicamente aprender, é estar sempre caminhando pela estrada do saber, entendendo que o aprendizado não se esgota. E ter a mentalidade certa, é a garantia que a nossa vida seguirá sempre em direção ao conhecimento. É fácil alguém se estagnar, principalmente quando esta pessoa consegue colher frutos do seu estudo e dedicação. Pior do que não conseguir ter resultados é justamente ter e acabar paralisado.

    Olhar sempre para frente e construir uma rotina de estudos é o princípio daqueles que estão sempre crescendo.

    BIBLIOGRAFIA

    CONFÚCIO. As lições do mestre. São Paulo: Jardim dos Livros, 2019.

  • IDEOLOGIA OU ARMADILHA?

    “Ideologia é um pensar sistemático em relação à realidade da história, pensar esse que vira premissa absoluta, pela qual se vê e se julga a vida (FÁBIO, 1991, p. 24-25).

    Ideologia é algo que todos têm, cada ser humano possui princípios que acabam por definir suas escolhas e formas de pensar. Este pensar sistemático é algo que faz parte da vida de muitos, mas que nem sempre ajuda. É comum sermos prejudicarmos por nossas ideologias, sem ao menos nos darmos conta.

    O problema da ideologia é que ela nos divide. E se o ideólogo é extremo, a ideologia acaba funcionando como um muro ou mesmo arma de ofensa. Por ser um músico que teve banda, vivi esta realidade na pele quando era novo. E hoje, muitos ainda vivem se dividindo por inúmeros motivos, como o estilo musical, como mencionei, mas também religião, política ou condição financeira.

    O problema aqui não é ir contra a um grupo de interesses, faz parte da dinâmica da vida termos os nossos interesses além de ser realmente benéfico, visto que, é possível partilhar gostos iguais, aprendizados em um grupo de amigos. O problema é quando a ideologia se transforma em um modo de dividir as pessoas ou mesmo em um carro de combate, que segue ofendendo e passando por cima daqueles que pensam de modo oposto. Transformando o mundo em um grande campo de batalha.

    A política se torna o melhor exemplo sobre este assunto, desde que o mundo existe, ela tem sido ferramenta de divisão, transformando o próximo em um inimigo. É o conhecido pensamento “nós” contra “eles”, sendo que a sua lógica é que todos estão errados, menos eles.

    Quando eu creio que a minha fórmula é infalível, que a minha forma de pensar é a única correta, o equilíbrio e o respeito vão embora e o extremismo dá as caras. Considerar a possibilidade de estarmos errados e pesquisar o ponto de vista oposto ao nosso, é um bom princípio para não cairmos nos armadilhas do extremismo.

    A questão não é que eu sou contra a ideologia e muito menos o pensar sistemático, o problema é que o respeito ao próximo nem sempre se faz presente nestas horas. Dividir e ofender acaba sendo a regra, um bom exemplo disso é Jonas.

    Jonas tinha uma grande missão que era pregar em Nínive (Jonas 1: 1, 2), a questão é que ele permitiu que a sua ideologia influenciasse a vontade de Deus. Em todo o momento, ele buscou fazer o que ele achava melhor ao invés de seguir o mandamento de Deus.

    Veja bem, Deus chamou Jonas para pregar para um povo bem complicado, visto que eram muito violentos, mas não é só isso, eles também eram inimigos, e para o profeta, era muito mais viável ver o juízo de Deus pesar contra aqueles inimigos, do que dar-lhes uma oportunidade de se arrepender. Warren Wiersbe enfatiza isso quando diz que:

    “A atitude incorreta de Jonas com relação à vontade de Deus teve origem num sentimento de que o Senhor estava lhe pedindo para fazer algo impossível. Deus ordenou que o profeta fosse até a Assíria – uma nação inimiga de Israel – e desse à cidade de Nínive a oportunidade de se arrepender, sendo que Jonas preferia muito mais ver a cidade destruída” (2020, p. 468).

    Imagine Deus mandar você pregar para o seu pior e mais cruel inimigo. Alguém que havia maltratado muito você, diante deste fato, não é incomum querermos fugir. Jonas é criticado, mas diante deste contexto, compreendemos a sua fuga.

    Andar na contramão do mundo, que é um dos propósitos da vida cristã, nem sempre é fácil, exige calarmos o nosso ego, nossas ideologias e pontos de vistas e seguir cumprindo o que Deus quer que façamos.

    No fundo, nós muitas vezes acreditamos que somos melhores, justamente porque fomos alcançados por Deus. Criamos uma espécie de ideologia cristã por nos acharmos superiores. Mas a verdade é que ninguém merece, somos todos pecadores, alcançados pela soberana e inexplicável misericórdia de Deus.

    A tempestade que assolou a embarcação enquanto ele seguia fugindo de Deus e também o peixe que o engoliu é a parte no qual mais me impressiona, visto que, por mais que parecesse um castigo divino, na verdade, era a mão de Deus trazendo Jonas novamente para o cerne da sua vontade. Contudo, o livro termina com ele não aceitando a conversão e a transformação que Deus realizou em Nínive através de sua pregação.

    “Jonas, porém, ficou profundamente descontente com isso e enfureceu-se” (Jonas 4:1).

    Por terem se arrependido (Jonas 3: 10), Deus teve misericórdia daquele povo e não destruiu a cidade, mas o profeta não aceitou isso, e o livro termina com Deus explicando e tentando mostrar a Jonas como a sua atitude era incoerente. A ideologia do profeta e o seu profundo nacionalismo, o impedia de ver a transformação que Deus havia realizado naquela cidade.

    É um problema quando a nossa ideologia ou crença, vira uma premissa absoluta pelo qual vemos o mundo ou refletimos sobre a vida, como enfatiza a epígrafe, já que o nosso norte deve ser a palavra de Deus e não as nossas ideologias.

    Perceba que apesar das nossas diferenças ideológicas, existe algo que nos une que é a palavra de Deus. Na Bíblia há um cerne que nos faz irmãos, mesmo que tenhamos discordâncias em outras áreas.

    Que o evangelho seja o fundamento de tudo, que no mais são apenas pontos de vista!

    BIBLIOGRAFIA

    FÁBIO, Caio. Jonas: O sucesso do fracasso. Niterói: Vinde, 1991.

    WIERSBE, Warren W. Comentário bíblico expositivo: Antigo Testamento volume IV, proféticos. Santo André: Geográfica Editora, 2020.

  • A DANÇA DA CANETA: OS DESAFIOS E AS RECOMPENSAS DA PRÁTICA DA ESCRITA

    Nem todos compreendem a maravilha que é escrever. Perceber uma história ganhar vida, um mundo ser construído ou um fato ser narrado é algo realmente deslumbrante. Bons textos permanecem e podem se tornar as vozes daqueles que se foram.

    Quando eu comecei o site, foi movido pelo sincero desejo de produzir bons conteúdos aos cristãos, além de ter uma ferramenta que me incentivasse a estar sempre estudando. Contudo, eu não escrevia tanto, por isso que durante os anos, precisei me aprimorar na escrita.

    É como diz o ditado, “nós aprendemos a escrever, escrevendo”, e comigo não foi diferente. E é por conta disso que você conseguirá perceber como os primeiros textos são bem diferentes dos atuais. Com o passar dos anos, fui me aprimorando, como ainda hoje continuo a me aprimorar. O estudo é contínuo, é uma prática diária e constante, já que, sempre há o que aprender.

    Escrever é um exercício, além de ser uma ótima ferramenta para construir ideias. Por mais que os primeiros textos soassem simples, aos poucos, conforme fui pegando fôlego, condicionamento e aprendizado, acabei crescendo e escrevendo cada vez melhor. Perceba como tudo é um processo, o aprimoramento se dá com um passo por vez. E veja também como um propósito, no meu caso, o site, me motivou a continuar e a não desistir.

    Estamos em um tempo onde ler bons livros e escrever, não é algo tão praticado. A maioria prefere os estímulos da internet do que gastar um tempo na companhia de bons livros ou mesmo escrevendo e construindo o saber.

    A leitura, para a escrita, é fundamental para produzir resultados satisfatórios, mas se não nos motivarmos ou arranjarmos ferramentas que nos mantenham no trilho, certamente, seguiremos reféns das coisas que nos dão estímulos rápidos, mas que não proporcionam crescimento.

    Construa um ambiente para você estudar e escrever, busque ferramentas que te levem a não parar e muito menos desistir, que com o tempo, você verá e ficará feliz ao perceber o seu crescimento. Escreva sempre e muito, mas também leia e construa repertorio. A leitura é um combustível que nos traz boas ideias e conhecimento para que bons textos surjam.

    Perceba como escrever, assim como estudar ou fazer exercícios, não são atividades fáceis de se cultivar. Requer disciplina e insistência. E esta é justamente uma das características das atividades relevantes. O que é bom e significativo, demanda tempo e construção de hábito. Já as coisas insignificantes, são fáceis, mas também passageiras, não oferecem resultados duradouros.

    Por isso, busque sempre escolher os caminhos que produzem bons resultados, frutos que podemos carregar durante toda a nossa vida. Eu sei que tais estradas não são fáceis, mas valem todo o esforço.

    Cordialmente, Guilherme.