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CONSTRUINDO BOAS REFLEXÕES
Considero fundamental para a vida de qualquer pessoa a oportunidade de cursar uma graduação. O aprendizado e todo o crescimento que conseguimos ter é único. Mas isso não é um fator determinante caso você queira ter uma reflexão coerente. Saber olhar e não se deixar convencer, sem antes empreender uma boa pesquisa com ponderação, é um ponto fundamental.
Não é difícil mergulhar em temas sem senso crítico, e também não é raro, vermos pessoas estudarem e mergulharem apenas em um lado das ideias. Nem todos olham uma questão a partir de vários pontos de partida, antes de emitir uma opinião. Aliás, é mais fácil alguém ouvir e já se convencer, sem buscar ter bons fundamentos, do que encontrarmos uma pessoa centrada, que olha um tema por todos os vieses.
Sou uma pessoa bem desconfiada, por isso, busco sempre me aprofundar em um assunto e ter contato com todos os materiais, até daqueles de autores que pensam de forma oposta ao meu pensamento. É só depois disso que formulo a minha opinião. Ver um tema a partir de um panorama bem grande, nos dá a capacidade de entendermos um conceito de modo muito mais aprofundado. Eu também costumo ter contato com os textos críticos da linha de pensamento que eu concordo, é importante vermos os argumentos contrários ao nosso para assim termos mais subsídios para pensar e formular uma reflexão centrada.
Quando cursei teologia, segui justamente por este caminho, me profundei em autores realmente relevantes, acadêmicos que realmente entendiam a palavra de Deus. Mas eu também busquei ler as críticas. Com isso, eu conseguia entender o assunto e perceber as contradições dos muitos que acreditavam que tinham uma fórmula infalível.
Outra coisa que eu aprendi com a graduação é que nem sempre teremos a opinião formada sobre tudo. Existem assuntos que são realmente complexos, nos quais eu não tenho opinião alguma e isso não é um sinal de estupidez e sim, de inteligência, visto que, não é possível entender tudo. Sendo que não precisamos ter opinião formada sobre todos os temas.
Aliás, desconfie daqueles que possuem ideias formadas sobre tudo, que possuem resposta para todas as coisas ou entende de todos os assuntos. Certamente esta pessoa é ignorante, não sabe do que está falando. Desconfio daqueles que falam como se conhecessem tudo. Eu acredito que o princípio da ignorância é justamente alguém acreditar que está apto para entender todos temas ou crer que é capaz de ter um parecer fundamentado sobre qualquer assunto.
O saber é algo intrínseco, visto que, demanda tempo, dedicação e construção. Sendo que nenhum ser humano na terra conhece tudo e tal verdade só é percebida, quando uma pessoa busca ter uma vida de estudos e leitura. Esta é uma das primeiras lições que percebemos.
É enquanto construímos o saber que vamos conseguindo ver e enxergar o quanto a nossa ignorância é realmente grande, só é possível perceber nesta hora. E mesmo ao nos aprofundarmos em um tipo de teologia, filosofia ou área do saber, conhecendo realmente a fundo um conteúdo, que temos a plena certeza que precisamos conhecer mais.
O estudo nos abre a visão, nos dá a capacidade de olhar e perceber o quanto as boas análises partem da demorada pesquisa, estudo e de um posicionamento coerente.
As boas reflexões são oriundas mais de um posicionamento, de um tipo de olhar, do que apenas de um conteúdo!
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VIDA COMPLETA
Ser professor é uma das minhas maiores alegrias, ainda mais porque eu gosto muito de estudar e pesquisar, com isso, a minha profissão acaba sendo uma atividade prazerosa.
Todavia, o risco que eu e muitos acadêmicos correm por gostar muito de estudar e passar horas estudando é justamente o do sedentarismo. Sendo que, eu já ouvi muitos acadêmicos e estudantes afirmarem que as suas prioridades eram apenas malhar o cérebro e não o corpo, desdenhando assim, daqueles que se dedicam aos esportes. O Poeta romano Juvenal, autor de inúmeras sátiras, acaba desconstruindo este ponto de vista com uma inteligente frase, oriunda da sua Sátira X, ao responder o que o ser humano deveria desejar na vida:
“Uma mente sã, num corpo são”.
É inevitável cultivarmos uma boa saúde, para que a prática de estudos possa fluir. Comer bem e de forma saudável, além de praticar exercícios regularmente, é também uma atividade intelectual. Ao cuidar do corpo, você também cuida do cérebro.
Lembre-se que o cérebro faz parte do corpo, por isso que, um corpo saudável, termina por dar bem mais resultados nos estudos do que alguém que não está com a saúde em dia. Acreditar que há alguma vantagem em malhar apenas a mente é não perceber o ser humano como um todo, entendendo que precisamos estar bem em todas as áreas da nossa vida, para obtermos bons resultados. Sertillanges em seu livro A Vida Intelectual, pontua justamente isso:
“Tudo, em um intelectual, deve ser intelectual” (SERTILLANGES, 2019, p. 49).
O estudo e a prática intelectual, devem vir acompanhado do cuidado físico. Pois afinal, o intelectual é impreterivelmente alguém dotado de corpo e mente, com isso, ele deve ser um intelectual em todas as áreas da sua vida.
Cultive bons hábitos, priorize malhar o corpo e também a mente, não menospreze a atividade física, visto que somos uma coisa só. Um corpo saudável, com um bom condicionamento, propicia um melhor desenvolvimento intelectual, maior concentração e força para estudar e ler.
A vida intelectual deve ser sempre completa, é um estilo de ser que envolve o cuidado de todas as partes da nossa vida. Aprenda a ser um ser humano completo, separe tempo para praticar exercícios e leve este hábito como prioridade, junto com o hábito de estudar e ler, que com certeza, você vai perceber a sua atividade acadêmica dando mais resultados.
BIBLIOGRAFIA
SERTILLANGES, A. D. A vida intelectual. Campinas: Editora Kírion, 2019.
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PENSAR EM EXCESSO: O MAL DO SÉCULO
Eu admiro demais alguns pensadores, muitos criaram conceitos, filosofias ou soluções para problemas filosóficos realmente impressionantes. E uma coisa que a maioria deles tem em comum é o período de reclusão ou de contemplação. Quem gosta de escrever e estudar sabe o quão importante é se desconectar e tirar um tempo de qualidade para estas atividades.
Acalmar a mente, fugir dos excessos é um ponto fundamental para a imaginação. Não é possível seguir hiperconectado e ao mesmo tempo criativo e produtivo. Pensar demais ou se preocupar em demasia é um veneno para a criatividade e para a saúde mental. Augusto Cury explica que:
“Pensar é bom, pensar com consciência crítica é melhor ainda, mas pensar excessivamente é uma bomba contra a qualidade de vida, uma emoção equilibrada, um intelecto criativo e produtivo” (2014, p. 98).
A vida acadêmica exige um ambiente, é imprescindível criar um espaço para que a criatividade e o foco fluam, caso contrário, caminharemos aos tropeços na via da produção acadêmica. É impossível ter dois focos ou estudar em um local inadequado com barulhos e distrações, por isso que, criar um espaço é uma ação importante.
E para a nossa rotina diária, é igualmente fundamental aprendermos a parar, se desligar e aproveitar um pouco mais o lugar, o tempo e o ambiente que nós estamos vivenciando.
Creio que a palavra “estar presente” é a que resume o propósito deste texto, visto que, a internet e as redes sociais impediram que o ser humano estivesse realmente presente em um lugar. Já não bastam as distrações corriqueiras, temos mais um empecilho para lidar.
Por isso, quando estiver estudando, esteja realmente no processo de estudos. Desligue os aparelhos que distraem e mergulhe neste importante tempo de construção do saber. Caso contrário, o seu foco dividido em mais de uma coisa, prejudicará a absorção do conhecimento. E quando estiver visitando um local, ou conversando com um amigo, esteja neste lugar de corpo e mente. Converse, escute, aprecie o local. Sendo que para isso, aprender a parar, estar em solitude e refletir, é um ponto de partida definidor. A pessoa que não para e não pratica a contemplação, não consegue ver, admirar e escutar, está sempre respondendo aos estímulos. Hoje poucos estão realmente presentes e a hiperconectividade tem prejudicado a saúde mental de muitas pessoas justamente neste quesito.
O silêncio é poderoso, saber se calar, seja interna ou externamente é o princípio para conseguir ouvir, observar e realmente ver. A internet, que é ótima, tem sido usada de forma equivocada, gerando pessoas ansiosas e com a mente hiperpensante.
Maryanne Wolf, uma importante neurocientista, no livro: O cérebro no mundo digital, após pontuar várias consequências negativas das pessoas que estão sempre conectadas na internet, pontua que:
“A relação crítica entre a qualidade de leitura e a qualidade do pensamento é fortemente influenciada pelas mudanças na atenção e por aquilo que chamei, mais intuitiva do que cientificamente, paciência cognitiva” (2019, p. 109).
O excesso de estímulos prejudica áreas onde a paciência é fundamental, como em um momento de leitura, reflexão e escrita. Muitos por não aprenderem a se desligar, tem seguido impacientes, sem qualidade em seus pensamentos e sem qualidade de vida. Com isso, poucos acabam lendo de forma profunda ou ouvindo as pessoas de modo sincero e verdadeiro.
Aprender a se desligar e colocar limites tecnológicos é cultivar uma mente sadia, reflexiva e saudável. Capaz de exercer um trabalho intelectual de qualidade e ter uma vida onde o indivíduo é o protagonista e não os estímulos da internet.
A verdadeira liberdade reside na capacidade de fazermos aquilo que não queremos, mas que é fundamental para nós. Aprenda a ser livre e construa limites!
BIBLIOGRAFIA
CURY, Augusto. Ansiedade: Como enfrentar o mal do século. São Paulo: Editora Saraiva, 2014.
WOLF, Maryanne. O cérebro no mundo digital: os desafios da leitura na nossa era. São Paulo: Contexto, 2019.
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BÍBLIA E O DARWINISMO
“A humanidade, ao equiparar-se aos animais, finalmente se libertou das amarras do divino” (SHAPIRO, 2019, p. 111).
Gosto muito de criar, sejam textos, poemas ou músicas, como eu fazia antigamente em minha banda, o Hawthorn. Pensar e ir lapidando um texto ou uma música, até ver a obra tomar forma, é algo que eu considero realmente surreal e a prova de como a mente humana é fascinante. Mas sobre criação ou invenções, nem todos pensam assim. Alguns acreditam que é possível criações das mais complexas surgirem do acaso.
Segundo Darwin, não fomos criados por Deus, somos apenas fruto de um acidente, de uma cadeia evolutiva tendo como principal impulso a seleção natural, que culminou nos seres que somos agora (SHAPIRO, 2019, p. 111).
A Bíblia diz que somos a imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26-28). Darwin, já afirma que somos descendentes de um outro ancestral, fruto de um acaso ao invés de sermos parte dos planos de um Divino criador, um arquiteto soberano. Com isso, surgiu não só uma teoria, mas também, valores que pegaram carona nesta hipótese.
Bem Shapiro acrescenta que foi o Darwinismo que rompeu com os valores quando explicou a razão como uma simples função no cérebro, com o propósito de ajudar o ser humano a se adaptar ao ambiente (SHAPIRO, 2019, p. 111).
Se Deus não é o centro, se Ele não é o criador e sustentador de tudo e a vida é um mero acaso, sem qualquer propósito, seguimos a vida como dá, na contramão de tudo, nos destruindo, deixando a seleção natural fazer o seu papel. Se a razão é um conceito abstrato, fruto de pontos de vistas ou do contexto que alguém vive, não temos valores ou fundamentos que nos guiem e nos amparem. É tudo um grande e aleatório acaso. Paulo discorre sobre como é possível perceber Deus na criação, quando ele diz que:
“Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis; porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e os seus corações insensatos se obscureceram. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (Romanos 1:20-22).
Deus se revela por meio da criação. A natureza, o céu e todas as maravilhas do espaço, testemunham uma grande verdade: “existe um poderoso criador de tudo”. O nada não cria, sendo que, tudo o que é criado, tem um autor, o problema é que tal conclusão lógica, segundo os darwinistas, não serve para explicarmos o mundo e todo o intrínseco espaço.
Existe um mundo muito complexo no espaço, as maravilhas que podemos constatar ao admirarmos o céu, através de uma ferramenta adequada, é realmente sem igual. O mesmo podemos dizer de uma célula. Existe um micro universo inimaginável, que é de tirar o fôlego, com tudo funcionando de forma perfeita. E tudo isso aponta para Deus, o soberano criador. Pensar que toda a complexa vida veio do acaso, de uma explosão misteriosa, é seguir a meu ver em meio a uma contradição lógica.
O nada não cria coisas, assim como tudo o que existe em nossa sociedade é fruto de um inventor, na criação não é diferente, tudo o que existe é fruto de uma mente inteligente e soberana. É contraditório pensarmos diferente. Mas como tal pensamento se encontra no centro da nossa sociedade, hoje é comum alguém ver uma maravilha natural e concluir que ele veio do acaso.
É normal vermos contradições na sociedade, verdades sendo aviltadas, tidas como conceitos ilógicos e mentiras sendo vendidas como a verdade. O nosso desafio é transitar com coerência, sem cair nestas armadilhas e não largarmos a verdade para não sermos vistos como irracionais. A verdade é que a simples fé em Deus, já é um motivo para ser visto de forma diferente. Não tenho a necessidade de seguir o pensamento da moda, pensar, refletir e buscar a verdade em inúmeros momentos, é andar na contramão. É bater de frente com o que é vendido como verdade e mostrar, a quem quer ouvir, o quão ilógico são algumas linhas de pensamento.
A natureza, a vida e toda a beleza que podemos ver ao pararmos para contemplar a criação de Deus revelam uma verdade: “Existe um Deus, um arquiteto soberano que pensou e criou tudo o que existe”. Não obscurecer tal verdade com conceitos ilógicos é não se esquecer que não somos autossuficientes, somos dependentes e sem Deus, nós só criamos caos e desconstrução.
BIBLIOGRAFIA
SHAPIRO, Ben. O lado certo da história: Como a razão e o propósito moral tornaram o ocidente grande. Rio de Janeiro: Alta Cult Editora, 2019.
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A ODISSEIA DA DOR: EBOOK GRATUITO

Falar sobre sofrimento é sempre complexo, visto que a dor provoca inúmeras reflexões e conclusões. A Bíblia ilustra precisamente isso ao relatar a história de muitos homens de Deus e suas atitudes diante do sofrimento.
O objetivo deste livro é compartilhar o caminho que percorremos quando estamos em meio à dor, ao sofrimento e à dúvida e os inúmeros lugares aonde algumas odisseias podem nos levar. No final, a descoberta que fazemos é que, mesmo em meio à dor, nós não estamos abandonados.
Seja bem-vindo a esta odisseia, e que durante a leitura, você perceba que, nem sempre temos respostas, mas Deus não dos deixa sozinhos.
Boa leitura!
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A SABEDORIA DA CURIOSIDADE: A HABILIDADE FILOSÓFICA DE CULTIVAR O SABER
Já reparou como naturalmente uma criança pergunta sobre as coisas? Ela tem uma curiosidade inata, fruto de um espanto em ver coisas diferentes e em querer saber sobre estas coisas. Este espanto, gradualmente, o ser humano vai perdendo, deixando muitas vezes de perguntar e questionar durante a sua vida.
Saber perguntar é essencial para conseguirmos resultados ou sairmos da zona de estagnação. Boas perguntas nos tiram do comum, e isso a filosofia faz bem. Ela auxilia as pessoas com suas indagações, ajudando-nos a seguir em direção ao saber. Já a certeza nos acorrenta, acreditar que sabemos, nos faz estagnar e assim, deixamos de aprender.
A necessidade de saber e buscar explicações é algo enraizado na estrutura do ser humano, sendo que a filosofia tem como raiz justamente esta necessidade. É o assombro que brota no âmago que leva alguém a olhar o todo com o intuito de buscar a origem das coisas (ANTISERI; REALE, 2017, p. 21). Karl Jaspers, no livro: Caminhos para a sabedoria, pontua que:
“Filosofia significa: estar a caminho. Suas perguntas são mais essenciais do que suas respostas, e cada resposta se transforma em uma nova pergunta” (2023, p. 30).
A filosofia é especialista em propor questionamentos e nos tirar do comum, ela mostra nossas contradições e os pontos nos quais precisamos melhorar. E o ser humano é mestre em se estagnar, ele consegue ficar preso em sua caverna acreditando ser a vida real, parafraseando a caverna de Platão.
O perguntar filosófico tem o seu início quando as nossas experiências e explicações perdem o sentido, principalmente quando o ser humano se encontra em situações de calamidade e sofrimento. Os problemas fazem o ser humano sair do comum em busca de respostas, sendo que ambos os impulsos principais do perguntar filosófico são a admiração e a dúvida (ANZENBACHER, 2002, p. 12).
Duvidar, segundo a filosofia, não é cair em um oceano cético e sim, aprender a fazer uma crítica ao que sabemos, é revisitar de tempos em tempos o conhecimento, para que assim possamos nos atualizar, corrigir ou ressignificar nosso conhecimento. É também entender que podemos nos enganar e, por isso, é importante estar sempre abertos a nos autoavaliar.
Aprenda a questionar, a começar por si, por seus medos, dificuldades e crenças. É normal acreditarmos em coisas que cremos serem verdades, mas que não são. Depois, descubra como é saudável refletir sobre as verdades que você ouve e, por meio de questionamentos, avaliar a verdade em tudo.
Boas perguntas colocam você no caminho, às vezes não trazem respostas, mas fazem você caminhar em direção ao saber e a própria busca já é uma rica recompensa. Ganhamos muito por sairmos do lugar, a certeza certamente às vezes nos deixa estagnados, mas boas perguntas nos movimentam.
As minhas dúvidas e questionamentos sempre me levaram aos livros e aos estudos. Sempre tive esta sede em encontrar respostas sobre Deus, quem ele é, sobre a fé e muitos outros tópicos sobre a vida cristã. Nem sempre encontrei o caminho, mas as perguntas me levaram a caminhar, a estudar e assim crescer.
Não tenho um conceito formado sobre todas as coisas, Deus mesmo, é um ser que hoje me abstenho de responder. Após estudar tanto e ler muito, aprendi como delimitar, conceituar e entender a partir de nós, é sempre um primeiro passo para o equívoco. E, de igual forma, creio que muitos temas são complexos por natureza, e não precisamos ter uma opinião formada sobre tudo. Às vezes, dizer que não temos opinião é a resposta mais coerente. No entanto, sou grato às perguntas que me fizeram caminhar e ir em direção ao conhecimento.
Aprenda a sempre estar a caminho, a ter esta sede de perguntar e aprender. Tudo começa com boas perguntas e nem sempre temos respostas, ainda mais quanto a questões complexas como Deus, mas a caminhada que algumas perguntas nos propõem já vale todo o esforço.
BIBLIOGRAFIA
JASPERS. Karl. Caminhos para a sabedoria: uma introdução à vida filosófica. Petrópolis, Editora Vozes; Goiânia: Editora Vida Integral, 2023.
ANZENBACHER, Arno. Introdução à filosofia ocidental. 4. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2002.
REALE, Giovanni.; ANTISERI, Dario. Filosofia: Antiguidade e Idade Média. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2020.
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PROTAGONISTAS DA ANSIEDADE
Já abandonei o discurso do “o importante é ser feliz”, há muito tempo. Ainda muito novo, aprendi como tais formas de pensar são apenas miragens que não nos levam a lugar algum. Na verdade, a questão é muito mais complexa, não sendo possível ser resumida em tal frase.
Mais do que ser feliz, o óbvio é a dor e o fracasso, isso é constante e rotineiro, para qualquer ser humano de qualquer classe social, pois cada um tem as suas dificuldades. E a tristeza nunca foi uma sensação negativa, mas uma consequência da vida. É impossível estarmos alegres o tempo todo ou termos sucesso a todo o momento. Entender que perder é um fato da vida, nos dá disposição para seguir e persistir.
Vivemos em dias onde ter sucesso é a grande missão da vida e ser feliz a busca unânime de todos. Palestrantes vendem fórmulas de sucesso, pseudointelectuais ensinam como é a vida da pessoa vitoriosa e o mais contraditório, estes palestrantes, que possuem sucesso apenas em vender a sua fórmula, colocam a sua vida como exemplo.
Nunca a ansiedade tem aumentado como hoje, na missão de não sofrer ou de conseguir sucesso em algo, as pessoas têm ficado cada vez mais descontroladas. São os protagonistas da ansiedade, como diria Luiz Felipe Pondé no livro: “Você é ansioso?”, pessoas que não aceitam que a incerteza e a dor, são constantes. Conclusão que qualquer um que entende a dinâmica da vida já teve.
Não é possível encontrarmos a felicidade, como diria Agostinho, em coisas e objetos, só encontramos quando buscamos em algo além de nós, esta é a raiz da verdadeira felicidade. É só em Deus, que conseguiremos ter a real felicidade. Agostinho complementa:
“E esta é a felicidade: alegrar-nos em ti, de ti e por ti. É esta a felicidade, e não outra. Quem acredita que exista outra felicidade, persegue uma alegria que não é a verdadeira. Contudo, a sua vontade não se afasta de certa imagem de alegria” (2016, p. 295).
É apenas em Deus que encontramos a verdadeira felicidade, é quando paramos de olhar apenas para nós, nossas vontades e desejos e buscamos além de nós. Não é possível estar realmente feliz, partindo de nós, a verdadeira felicidade precisa partir do eterno, para que consigamos experimentar e viver ela por completo.
Ser feliz é um estado de espírito, um sentimento duradouro de alguém que sabe lidar com a dor, com o fracasso e as incertezas da vida. Na vida teremos muitas tristezas, mas continuaremos a ser felizes, caso tenhamos encontrado a real felicidade.
Eu costumo separar a alegria da felicidade. Alegria é passageira, momentânea, é um instante que acaba, a felicidade é um estado de espírito que caminha conosco, não nos abandona, pois a felicidade verdadeira está em Deus.
Quando depositamos em Deus a nossa esperança, seguimos mais calmos, sabemos lidar com a dor, o caos e a desesperança. Fracassar é um fato, ficar triste uma realidade e a esperança a ferramenta daqueles que sabem que vivem em um mundo incerto e de dor, mas que, no entanto, não estão sozinhos.
A fórmula para combatemos estas ansiedades do mundo moderno é olhar além de nós e depositar no eterno Deus toda as nossas preocupações. É só em Deus que encontramos a verdadeira felicidade!
BIBLIOGRAFIA
AGOSTINHO, Santo. Confissões. 1. ed. São Paulo: Paulus, 2016.
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FATOS EM TEMPOS DE PÓS-VERDADE
Hoje é abundante o número de pessoas que se guiam muito mais por seus anseios e pontos de vistas, do que pela verdade dos fatos. Isso acontece justamente porque é fácil encontrar argumentos que corroboram com um ponto de vista. A internet ampliou o cardápio e o relativismo, transformou a verdade em um conto de fadas. A nossa política tem provado justamente isso, mostrando como é fácil manipular a opinião, usando como ferramenta a pós-verdade para modificar fatos ou adulterar a realidade.
Stephen Hicks argumenta que a ideia de que o ser humano entrou em uma nova fase intelectual é bem popular em nossos dias. Estamos na pós-modernidade hoje. Alguns pensadores informam que o modernismo acabou e um tempo revolucionário se ascendeu – são dias de liberdade em relação as estruturas que oprimiam o ser humano no passado (2021, p. 7).
Todavia, o que mais vemos são discursos inflamados e a verdade sendo manipulada. Bons argumentos partem de provas e fatos, já a pós-verdade, parte de discursos emocionais, que passam longe do que é genuíno. Pós-verdade não é sinônimo de mentira e sim, pode ser definida como uma verdade distorcida que muitas vezes até parte de uma verdade, contudo, tem em seu âmago um conceito manipulado.
A pós-modernidade trouxe em seu bojo a chamada pós-verdade, que nada mais é do que um discurso fervoroso, que distorce a verdade e que parte muito mais de argumentos emotivos do que dos fatos propriamente dito. Sendo que eu tenho visto tal fenômeno há muito tempo seja dentro da igreja ou fora dela e infelizmente, ele tem ganhado cada vez mais força. D’ancona complementa:
“Pós-verdade não é a mesma coisa que mentira. Os políticos, afinal, mentem desde o início dos tempos. O que a pós-verdade traz de novo “não é a desonestidade dos políticos, mas a resposta do público a isso. A indignação dá lugar à indiferença e, por fim, à convivência […]”” (D’ANCONA, 2018, p. 9-10).
Por fim, após um mar de informações, com a verdade virando instrumento para manipular opiniões, a indiferença dá lugar a toda a indignação, o excesso causa uma dormência mental e assim, o ser humano segue no rumo das injustiças.
Alain de Botton em seu livro: Notícias: Manual do usuário, pontua justamente isso ao explicar como o excesso de notícias, sem o mínimo de explicação do contexto no qual a notícia está sendo passada, é o suficiente para estragar a capacidade das pessoas de compreender a realidade. Botton explica que:
“Uma enxurrada de notícias, e não a sua proibição, seria o suficiente para deixar o status quo inalterado para sempre” (2015, 29).
Um fato vira mera notícia casual, uma mentira se confunde com a verdade e o ser humano segue inerte por conta dos excessos. Uma pessoa, normalmente, já lê e estuda pouco, somando isso, com o mar de informações, por fim, a apatia termina por surgir.
Uma profusão de informações, sem a visão real do contexto ou mesmo sem o conhecimento fundamentado dos fatos, realmente modifica uma realidade. Ou o ser humano muda a sua mentalidade, buscando veículos sérios, sendo seletivo e cultivando uma rotina de estudos. Ou ele será sempre o alvo desta enxurrada de pós-verdades.
A tecnologia é uma benção, a capacidade de podermos ter acesso a informação, conhecimento ou mesmo de poder postar conteúdo, é um privilégio. Só precisamos ter cuidado e desenvolver uma mente seletiva, evitando assim, consumir conteúdos de certos veículos de comunicação ou mesmo buscar se informar mais.
Quem tem informação, tem poder, segundo o adágio popular, porém, nos dias de hoje não é só isso. Um indivíduo com informação e conhecimento, consegue ter uma reflexão centrada e não será manipulado por fatos distorcidos.
Por isso, como eu sempre insisto aqui no blog, estude, leia e construa o seu conhecimento para que você não seja massa de manobra. Quem tem repertório é mais assertivo em suas reflexões!
BIBLIOGRAFIA
BOTTON, Alain. Notícias: Manual do usuário.Rio de Janeiro: Intrínseca, 2015.
D’ANCONA, Matthew. Pós-verdade: A nova guerra contra os fatos em tempos de Fake News. Barueri: Faro Editorial, 2018.
HICKS, Stephen R. C. Guerra cultural: Como o pós-modernismo criou uma narrativa de desconstrução do ocidente. São Paulo: Faro Editorial, 2021.
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O CRISTIANISMO PRÁTICO E A ROTINA RELIGIOSA
A Bíblia é a palavra de Deus! Tal frase pode parecer meio óbvia, mas em tempos onde a Bíblia é lida por poucos cristãos, creio que o óbvio precisa ser dito. O ser humano constantemente cai em um contínuo automatismo, se esquecendo das coisas que são centrais e valorizando hábitos que de longe são essenciais para a fé. Ele vai a igreja todos os domingos, menos a Bíblia, ele é voluntário na igreja todos os dias, mas não busca voluntariamente a Deus em sua casa. Com isso, ser cristão vira sinônimo de frequentador de igreja, a prática é substituída pelos ritos vazios.
David Foster Walllace, em um conhecido texto chamado: “Isto é água “, trabalha justamente a questão da vida automática quando conta a história dos dois peixinhos. Ele começa contando que: “Dois peixinhos nadavam tranquilamente quando um peixe um pouco mais velho pergunta: Como está a água? Sendo que depois de um tempo os dois peixinhos se olham, com aquele ar de dúvida e se perguntam: O que é água?” (2021, p. 263). A vida daqueles peixes estava tão no automático que eles nem sabiam mais o que era água. Eles nadavam, sem qualquer consciência dos pontos fundamentais para a sua existência.
A vida cristã é muito semelhante, visto que, é possível seguirmos tão no automático que todos os pontos que são fundamentais viram rotina, um mero ritual a se seguir. Sendo que ser cristão é muito mais um estilo de vida, como eu sempre pontuo, do que seguir uma agenda.
Não sei bem o que precisa acontecer para o ser humano valorizar o que é essencial, mas aprender a sair do automático para que a fé não seja um estilo de roupa, um tipo de música e uma linguagem, é uma ação fundamental, para que enfim o ser humano consiga ser realmente sal e luz na vida das pessoas.
Quando não oramos ou lemos a Bíblia, Deus vira aquela ideia abstrata, fruto de crenças que não são vividas por inteiro e de forma genuína. Torna-se apenas teoria ou um rito, que é preciso ser cumprido.
Costumo falar que existe o cristão e o religioso. O cristão é aquele que busca viver o evangelho. O religioso é uma pessoa que frequenta a igreja e segue um ritual vazio. No mesmo culto, dependendo apenas do posicionamento de cada indivíduo, é possível encontrar estas duas situações. Sendo que é fácil trocar as prioridades quando em meio ao ativismo vamos negociando nossos valores.
O cristianismo prático é vivido com os joelhos no chão, com o estudo da palavra e a leitura. Não há como falar de algo que você não vive e muito menos conhece. Este cristianismo é um estilo de ser, é aquela prática vivida no dia a dia, fundamentada na palavra e na vida de oração diária.
É uma vida desafiadora, eu sei bem disso. Nem sempre é fácil manter tais hábitos, ainda mais em nossos dias hiperconectados e com os inúmeros compromissos profissionais que assumimos. Mas conseguir priorizar, deve ser uma das nossas ênfases, não negociar aquelas coisas fundamentais, é o melhor ponto de partida.
Cuidado para não trocar o que é essencial, por ritos vazios, lute contra a sua agenda, e comece priorizando o que é importante. Relembrando algo que eu sempre falo: “Ninguém tem tempo, tempo é muito mais uma prioridade”, por isso, priorize as coisas de Deus. Comece orando e lendo, foque em fortalecer o hábito, para depois ir ajustando para um período adequado. Opte por um primeiro passo, para depois chegar no que é ideal.
Que Deus nos ajude a termos uma vida que o agrade, que possamos realmente viver um evangelho na prática, fugindo das meras teorias. Que consigamos desaprender a viver esta vida cristã banal, para vivermos o evangelho genuíno!
BIBLIOGRAFIA
WALLACE, David Foster. Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo. São Paulo: Companhia das Letras, 2021.
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NÃO PERCA A ESPERANÇA
“A esperança acaricia a alma” (Platão) (PERCY, 2016, p. 165)
Uma frase que eu repito constantemente aos amigos é: “a única coisa que eu realmente tenho é a esperança”. Mesmo triste diante do caos, mesmo passando por problemas ou doente, no fim, eu sempre acho que vai dar tudo certo, pois no final, sempre dá. Creio que confiar em Deus é isso, é saber que em todo o momento Ele está conosco, sendo Ele a fonte de toda a nossa esperança.
Os problemas tendem a tirar a nossa esperança e nos colocar em alguns becos sem saída, nos fazendo crer que tudo está acabado, mesmo que isso seja mentira. A desesperança suscita sentimentos negativos e uma visão obscura dos fatos, já a esperança nos ajuda a olharmos em volta e termos criatividade para vermos saída.
A questão é que sempre haverá o amanhã, o inverno não é para sempre, a dor um dia vai acabar, ou nos surpreender quando percebemos que a saída estava em nossa frente, todo o tempo, nós é que não estávamos vendo. Ter esperança é saber esperar, é procurar a saída, mas também descansar entendendo que nem tudo está em nosso controle.
Creio que temos que aprender a fazer o que está em nosso alcance, investir no que acreditamos e nos preparar. Aprender a cair, lidar com o fracasso e continuar entendendo que tudo é um processo e as vezes as coisas levam algum tempo mesmo, aceite isso.
No final, você vai ver, por conta da esperança, não vai perecer, seguirá tentando, resistindo, caindo e continuando. Tirando o melhor que podemos tirar das dificuldades, que é o aprendizado.
A esperança nos move, mas também nos mantém no chão, seguros diante dos ventos de problemas. Confiar em Deus, depositar nele a nossa esperança é ter a certeza de que tudo dará certo, que em breve virá a bonança. E enquanto não vier, não perca a esperança, pois você não está sozinho.
Não estou propondo uma ação infantil ou inocente, a realidade as vezes se mostra cruel e eu sei bem disso. Muito menos quero que você deixe de se preocupar com o que é importante, adquirindo uma atitude irresponsável. A minha proposta é que você não se esqueça que ter esperança de mudança, que aliado a ação, pode ajudar você a seguir de forma mais tranquila e assertiva. Quem tem aquela esperança inteligente, não só sabe esperar, mas cultiva a criatividade para construir uma saída.
Pense em todos os problemas que você superou e busque colocar em Deus a sua esperança. É fácil duplicarmos um problema, por conta de uma mentalidade negativa, por isso, tenha esperança e perceba que sempre há saída.
BIBLIOGRAFIA
PERCY, Allan, Platão para sonhadores, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2016.
