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FLUTUANDO NA DÚVIDA
O senso de direção é algo aplicado apenas a vida aqui na terra ou em qualquer outro lugar semelhante. Quando falamos do espaço sideral, conceitos como em cima ou embaixo, perdem o sentido, visto que o espaço é uma imensidão que parece não ter fim e lá não tem lado, muito menos frente e atrás. Nós só temos noção de direção, quando possuímos uma referência que no nosso caso é a terra. Experimente, em um final de semana, fazer uma viagem ao espaço, que você vai constatar justamente isso.
A dúvida também se assemelha muito ao exemplo do espaço, visto que é um lugar onde a direção ou mesmo um lugar determinado, não existe. Tudo parece ser igual, todas as opções são aparentemente boas, por isso, flutuamos na indecisão. É como quando decidirmos assistir algo naqueles sites de filmes e séries online e demoramos muito para escolher. Como não temos um norte, um tema ou uma opção em mente, flutuamos eternamente tentando decidir, a dúvida tem este poder. O excesso de opções diante de uma vida que não tem critérios bem estabelecidos, provoca isso, um eterno flutuar na indecisão.
Perceba bem que a palavra-chave é “critérios”, se você não tem critérios ou não delimitou seu caminho e aonde quer chegar, você seguirá flutuando na dúvida. Trabalhando só por trabalhar, sem um propósito no qual se dedicar.
Um propósito nos guia, ele nos dá força e principalmente, nos oferece uma direção a seguir. Viver sem um norte, sem ponto de partida, trabalhando apenas para sobreviver, estudando apenas para ter uma oportunidade de trabalho melhor é seguir flutuando neste espaço sem fim, sem um porquê.
Eu já tive muitas dúvidas quando era novo, eu pensava demais e fazia de menos. Um dia uma chave virou e eu aprendi que em meio a dúvida, busco antes conhecer, para ter um pouco de critério para escolher, contudo, às vezes, o melhor caminho é mergulhar mesmo, experimentando algo novo, conhecendo realidades que antes nos era realmente desconhecidas.
Normalmente ficamos com dúvidas quando não temos certeza e tal falta de certeza, pode surgir ou por acreditarmos que há opções importantes em ambas as oportunidades, ou quem sabe, por não conhecermos a fundo aquele assunto. Nos dois casos, quando temos critérios, decidimos de forma mais rápida. Mas chegará um momento no qual é melhor decidir, do que flutuar, as vezes entrar em algo novo te traz crescimento e o conhecimento de algo antes desconhecido. Baltasar Gracián pontua justamente isso quando fala:
“É mais desejado errar do que não fazer” (2018, p. 32).
Pelo menos fazendo, você sai da indecisão e experimenta algo novo, e em meio ao erro que uma empreitada nova pode provocar, aprendemos, e isso já vale muito. Errando ou acertando, ganhamos de igual modo, esta é justamente a questão.
Hoje eu sei muito bem decidir, eu tenho um norte e critérios para as coisas que eu quero fazer, mas as vezes a dúvida aparece, todavia, não tenho medo de mergulhar em empreitadas novas, por isso decido com calma e sigo.
A dúvida é sempre um problema, ela nos paralisa, as indecisões nos fazem flutuar e se não decidirmos, seguiremos perdendo oportunidades, seja de aprender ou mesmo de perceber mundos novos.
Não existe uma receita para alguém sair da dúvida, todos nós temos medo de errar e perdermos tempo por conta disso, é por isso que a dúvida surge. Contudo, não agir e seguir flutuado na indecisão é igualmente complicado. Por isso, não tenha medo do novo e aprenda a decidir.
Ou você decide ou seguirá flutuando na indecisão!
BIBLIOGRAFIA
BARROS FILHO, C. B.; CALABREZ, Pedro. Em busca de nós mesmos. 10. ed. Porto Alegre: Citadel Grupo Editorial, 2021.
GRACIÁN, Baltasar. A arte da sabedoria. Barueri: Faro Editorial, 2018.
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O SENSO COMUM E A MOTIVAÇÃO PARA ESTUDAR
Existe um senso comum reinante em nossa sociedade, seja o tema que for, ele sempre está presente em meio aqueles que leem e estudam pouco, mas que possuem muitas certezas, sendo esta a fórmula da ignorância. Na igreja ele é visto com muito mais presença, evidenciando uma grande verdade: “Apesar da Bíblia ser a palavra de Deus, poucos se preocupam em entendê-la”.
Eu tenho uma espécie de sede, um anseio por aprender, aprecio ouvir alguém que fala com propriedade e também, gosto de ter fundamentos nas coisas nos quais eu creio. Sendo que como sou um cristão, entender a palavra é uma das atitudes mais lógicas que existe. O que me levou a cursar um Bacharelado em teologia.
Estar preparado para o ministério dentro da igreja é fundamental, contudo, o ponto de partida coerente é entender que muito mais do que a nossa missão, está a nossa fé, os fundamentos daquilo que cremos. Sem eles, certamente teremos problemas.
Estudar teologia, conhecer bons autores e obras relevantes, são detalhes realmente essenciais primeiramente para a nossa vida. Se não tivermos um bom repertório teológico e bíblico, a nossa fé não estará alicerçada. É por isso que muitos seguem vacilantes, por justamente não conhecerem a Bíblia e a teologia, além de não orarem e buscarem a Deus. Este é o princípio da vida cristã, como tenho enfatizado muito ultimamente. Oliphint ensina que:
O cristianismo é um modo de ver. Ele oferece um alicerce para tudo o que pensamos, fazemos e cremos. Ele nos dá uma perspectiva correta sobre nós e o resto do mundo” (2018, p. 12).
O cristianismo nos dá alicerces, ele nos ajuda a realmente vermos e caminharmos, seguindo sempre a vontade de Deus. Ou partimos da Bíblia e do correto fundamento da palavra tendo assim uma perspectiva verdadeira de tudo. Ou seguiremos calcados no senso comum, naqueles ensinos que não são bíblicos, mas que são ensinados, como se assim o fossem. E como nem todos conhecem a Bíblia, são justamente estes que não percebem tais ensinos falsos.
Lembre-se que o senso comum tem sempre muitas certezas, mas pouco ou nenhum conhecimento. Ele se pauta apenas em suposições, nunca em estudos, conhecimento e no saber.
O site me motivou a estudar, como já pontuei em outros textos, ele me manteve ativo, buscando conhecimento e produzindo. Isso agregou muito, tanto em minha vida pessoal, quanto ministerial e profissional. O crescimento que eu consegui alcançar tudo e porque, escolhi continuar estudando e produzindo conteúdo, não tem preço. Eu foquei em apenas uma coisa, ou seja, ter sempre textos novos no site, mas terminei por alcançar resultados em outras áreas.
É fundamental estarmos sempre estudando, é só assim que conseguimos sair do senso comum e termos uma vida realmente fundamentada. E ter ferramentas que ajudem você a seguir tendo propósitos para escrever e estudar, é algo realmente definidor, é a diferença que fará com que você tenha constância e disciplina. Por isso, reflita sobre a sua realidade, estude, curse uma faculdade e busque por ferramentas que faça com que você esteja sempre estudando e construindo o saber.
Pense que as vezes alguns detalhes, aquelas coisas que parecem não serem importantes, podem ser justamente as ferramentas que farão você crescer.
Cordialmente, Guilherme.
BIBLIOGRAFIA
OLIPHINT, K. Scott. Por que você acredita?. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2018.
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A EVIDÊNCIA DO MAL
“Concordamos quanto ao mal. Quanto ao bem, arrancaríamos os olhos uns aos outros” (CHESTERTON, 2013, p. 27).
A epígrafe não pode estar mais certa, o mal é muito evidente, basta um simples olhar para percebermos, agora o bem que é um desafio, visto que, cada um possui a sua fórmula para fazer o bem ou mesmo para solucionar os inúmeros problemas da sociedade.
E se falarmos em política, modo de governar ou modelos econômicos, a coisa piora ainda mais. Todos se indignam com a fome, a pobreza ou com a exploração. A forma de colocarmos um fim a estes problemas que é o obstáculo. Eu ainda diria que o mal é sempre os outros, a fórmula ruim nunca é a nossa. O ponto de vista errado é sempre o do meu vizinho. Por isso que, diante do desafio de fazermos o bem, o caos se instala.
Neste nosso universo polarizado é impressionante ver como os mocinhos, defensores da ordem e do bem, se posicionam. A maioria fala colocando a culpa no outro, como se o seu ponto de partida fosse o correto e do próximo o responsável por toda a calamidade da vida e do mundo.
Eu tenho visto poucos dialogarem, principalmente quando o assunto é política, a maioria discute e opta por arranjar um culpado, ao invés de conversar e pontuar os erros e acertos que todas as vertentes políticas possuem. Não é justo colocar a culpa apenas no outro, na religião alheia e muito menos na opção política do próximo, muitos problemas são mais complexos do que uma mera opinião.
É muito bom saber que o mal é evidente, isso denota um padrão que é intrínseco e fácil de perceber, a parte triste é que o homem não consegue dialogar. Cada um quer fazer o bem de sua forma e discorda, da forma do próximo em ajudar
Creio que uma das evidencias do mal e do pecado é justamente o orgulho, é crer estar correto, sem perceber seus equívocos. A arrogância não é inteligente e nos cega para vermos a verdade e percebermos os detalhes do nosso entorno.
Em nome do bem, brigas e discussões políticas acontecem sempre e em alguns casos, vão até as vias de fato. Em nome da verdade, radicais religiosos matam, torturam e segregam sempre em nome do seu deus ou deuses, ou mesmo das suas opiniões políticas.
No final, o mal é não termos humildade para dialogar e confessar nossos equívocos, é não percebermos nossas falhas e seguirmos arrogantes, crendo que possuímos as soluções para salvar nosso planeta.
O pior mal é aquele disfarçado de boas intenções!
BIBLIOGRAFIA
CHESTERTON, G. K. O que há de errado com o mundo. Campinas: Ecclesiae, 2013.
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O AMOR EM PRÁTICA
Assim devem os maridos amar a sua própria mulher como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher ama-se a si mesmo. Porque nunca ninguém aborreceu a sua própria carne; antes, a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja; porque somos membros do seu corpo (Efésios 5: 28-30) (NVI).
Em nossa sociedade plural, como eu sempre falo, nem sempre o ser humano consegue pontuar o significado de um termo de forma coerente. Muitas palavras sofrem com as percepções falhas de uma época, sendo que a palavra amor é uma destas injustiçadas.
Amar, segundo a Bíblia é um mandamento (Mateus 22:37-39), não é só ver corações e ter um sentimento por alguém, é agir, fazer e ser, é cumprir um mandamento de Deus. No livro: O monge e o executivo, o autor conceitua o amor de uma forma que eu acho muito coerente:
“[…] o amor é o que o amor faz” (HUNTER, 2004, p. 76).
O texto demonstra como amar é mais do que sentir, é uma atitude, uma ação e porque não, também um sentimento. O problema a meu ver é pensar que ele é só um sentimento. E é inevitável, quando falamos de relacionamentos, me lembrar da história de José e Maria, mãe de Jesus (Mateus 1:18-25).
A história começa com um fato, a virgem Maria, que era noiva de José, estava grávida. Imagine você ouvindo da sua noiva, a mulher que você ama, que ela estava grávida do Espírito Santo, o que você pensaria? O que você faria? Quando lemos a história de Jesus, nós nem nos atentamos para o papel de José e a sua atitude perante a gravidez de Maria.
O noivado em Israel, tem um significado muito mais profundo do que significa para nós hoje. A sombra da lei, o noivado naquele tempo equivalia a um casamento, visto que a noiva já era considerada como uma esposa, segundo a lei da época (RIENECKER, 2012, p. 38).
E se a noiva durante este período, tivesse relações em outra pessoa, o fato seria visto como adultério, já que o noivado, como eu expliquei, já era uma espécie de casamento. Rienecker complementa:
“Quando uma noiva tinha mantido relações com outro homem que não o seu noivo, o direito judaico considerava esse fato como adultério. O adultério era castigado com a morte por apedrejamento, aplicado a ambos, ao homem e à mulher” (RIENECKER, 2012, p. 38).
Com isso, foi inevitável José ver a gravidez como fruto de um adultério. Lembre-se que Deus ainda não havia falado com José. Imagine a mente dele neste período, vendo a sua noiva, que até então era uma religiosa e tinha uma conduta pura, estar grávida.
Sobre a separação, poderia ser de forma pública, mas com isso, Maria seria apedrejada, ou mesmo privada, como José mesmo fez (Mateus 1:19). Neste caso, mediante um acordo, ele concederia a carta de divórcio e se separaria dela. Mas logo depois, Deus falou com José e ele entendeu o propósito divino (Mateus 1:20-21). Se ele fosse alguém impulsivo, certamente Maria teria problemas.
Em nossos dias o adultério não é algo normal, ser traído não é fácil, quem dirá em uma cultura como a de José. Por isso que ao ler a sua história, percebo como ele não foi impulsivo e como agiu de forma justa e sábia. Ele conhecia a sua esposa, sabia bem quem ela era, por isso, tal gravidez deve ter deixado José com a cabeça bem confusa, mas certamente ele foi sábio através das suas ações. Não foi à toa que Deus escolheu tal casal para a sua missão.
Amar é uma ação, é um jeito de ser, amar não é apenas algo abstrato, que fica no mundo dos sentimentos, é uma forma de se comportar perante o objeto do seu amor. É algo que gera frutos e uma ação visível e concreta.
José, durante toda narrativa bíblica da infância de Jesus, aparece como alguém que cuidou e amou desta forma, ele zelou pela família em meio as perseguições e protegeu a todos. Os sentimentos são inconstantes, mas a ação de amar não, ela permanece com as atitudes de amor.
Amar é uma ação, é mais do que palavras é um estilo de ser que demonstra o amor nas atitudes. Falar, qualquer pessoa fala, mas amar de forma genuína, não é para qualquer um.
BIBLIOGRAFIA
HUNTER, James C. O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança. Rio de janeiro: Sextante, 2004.
RIENECKER, Fritz. Evangelho de Mateus: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 2012.
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EGO INFLADO
Uma vida que foi marcada pela graça, que realmente teve um novo nascimento (João 3:3-8), têm algumas marcas, alguns sinais de regeneração. É impossível sermos os mesmos após termos sido tocados por Deus, sendo que um dos principais frutos é a humildade.
É claro que um cristão não é perfeito, ele erra, ao contrário do que normalmente alguns jogam em nossa cara. Não é disso que estou falando e sim, que existem algumas evidências que mostram que fomos tocados por Deus, conforme Gálatas 5:22 aponta. Os frutos dizem respeito as consequências, resultados que alguém que foi tocado por Deus produz.
Confesso que tenho certa dificuldade em entender como um cristão pode ser orgulhoso ao mesmo tempo que segue a Cristo, é contraditório tal atitude, foge da lógica e da própria palavra de Deus. O orgulho e a vida cristã são incompatíveis, vai de encontro com os ensinamentos do Evangelho.
Um cristão com ego inflado, é aquele ser humano que olha apenas para si, esquece de olhar para as pessoas e não tem em sua vida a prática da comunhão, do servir, enfim, do ser cristão. Assim como um ego com autoestima baixa, também só pensa em si, e o seu sofrimento o ego inflado é igualmente prejudicial para a vida cristã. Não tem como ser cristão e olhar apenas para si, sem amar, e muito menos conviver e se relacionar, pois o cristianismo é basicamente isso.
O amor é uma das marcas da vida cristã, não é possível amar a Deus, que não vemos, e não amar os irmãos, a própria Bíblia mostra que isso é contraditório (1João 4:7-21). Timothy Keller, no livro Ego transformado complementa dizendo que:
“A humildade do evangelho mata a necessidade que tenho em pensar em mim” (KELLER, 2014, p. 34).
É quando olhamos menos para nós que vamos conseguir olhar para as pessoas e com isso, nos preocuparmos mais com elas. Pelo menos quando falamos de uma preocupação genuína. Sobre o ego, Timothy Keller, neste mesmo livro aponta que:
“A humildade verdadeira que brota do evangelho significa ter ego satisfeito, não inflado” (KELLER, 2014, p. 35).
É comum falarmos para quem tem baixa autoestima que ela tem que aprender a se valorizar, contudo, esta atitude nada mais é, em muitos casos, do que inflar o ego. Por mais que o conselho possa até ajudar alguém que possui baixa autoestima, a saída nem sempre é tão satisfatória. Em muitos casos, podemos atrapalhar com tal conselho. A saída certa é buscar em Cristo o equilíbrio, é colocar o exemplo dele no centro de nossa vida, para assim, não sermos orgulhosos, seguindo a vida só pensando em nós.
Um ego inflado é incompatível com a própria Bíblia e os ensinamentos que Cristo nos deixou. Ele nos deu exemplo de humildade sendo Deus, e ao mesmo tempo servo. Por isso que o orgulho é contraditório.
O cristão com ego inflado, que segue acreditando ser superior ou melhor que os outros, só demonstra que no final, ele não aprendeu a lição. Quando olhamos para a Bíblia, para Jesus nos evangelhos e os muitos servos que foram instrumento nas mãos de Deus, a humildade fica clara, ela é o principio norteador de todos os cristãos.
Por isso, caso você tenha um coração orgulhoso, entregue este orgulho nas mãos de Deus, reconheça a sua falibilidade e olhe para a cruz, visto que orgulho e vida cristã não combinam.
“E ele, assentando-se, chamou os doze, e disse-lhes: Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos” (Marcos 9:35).
BIBLIOGRAFIA
KELLER, Timothy. Ego transformado: A humildade que brota do evangelho e traz a verdadeira alegria. São Paulo: Editora Vida Nova, 2014.
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VOCAÇÃO E ESTUDO
Nem todos veem o estudo com bons olhos dentro da igreja. É comum ainda encontrarmos pessoas que acreditam que o estudo mata a parte espiritual da vida de um cristão. Por isso que eu acho legal ver em seu livro: “A vida intelectual”, Sertillanges discorrer também sobre o tema vocação para o estudo. Na obra ele coloca o estudo como uma prática espiritual e o conhecimento, um hábito importante para quem quer conhecer a Deus.
A igreja tem necessitado de pastores e teólogos comprometidos com o estudo e a pesquisa, que sabem o quão espiritual é estudar, entender a palavra de Deus, além de pregar e ensinar de forma fundamentada. O cristão precisa de uma vez por todas, despir-se do preconceito e da preguiça e mergulhar nos estudos, para constatar como é espiritual entender a palavra de Deus ou aprender lendo bons livros, de autores comprometidos com a verdade.
Vagas leituras e pouco conhecimento, faz com que a igreja cresça doente (isso quando cresce) e despreparada ao deixar de oferecer respostas para os questionamentos que muitos fazem. O estudo e o conhecimento nos ajudam nos diversos desafios que o mundo nos traz. Sertillanges ensina que:
“Uma vocação não se satisfaz com vagas leituras e pequenos trabalhos dispersos. Exige penatração e continuidade, um esforço metódico, que vise uma plenitude que corresponda ao apelo do Espírito e aos recursos que Ele nos quis comunicar” (2019, p. 27).
Se Deus te deu uma vocação para ensinar, busque estudar, e perceba que um bom ensino bíblico é fruto de muito comprometimento com livros, com horas estudando e pesquisando, e também orando, é claro. Uma coisa não elimina a outra. Estudar é levar a sério o chamado que Deus nos deu e poder oferecer respostas e fundamentos para uma vida cristã equilibrada.
Pense que o mundo tem levantado cada vez mais desafios, isso sem contar, que o relativismo tem transformado a verdade em um conto de fadas, com isso, é imprescindível, buscarmos conhecimento e termos um repertório bíblico e teológico, com o intuito de ajudar as pessoas e sermos relevantes na obra de Deus.
Uma vocação é uma espécie de disposição natural para executar algo, é uma missão, dentro da obra de Deus. É ser alguém que tem um chamado e obedece de forma eficaz, por isso que, ser professor e ser um acadêmico, além de ser uma vocação nobre, já que é pouco valorizada na sociedade, é uma área de grande responsabilidade.
Por isso estude, construa um repertório, entendendo que tal prática é fundamental no reino e também não deixa de ser uma prática espiritual, como pontuei. Quem constrói conhecimento, tem um repertório e ferramentas para ajudar o próximo com suas dúvidas e dificuldades.
BIBLIOGRAFIA
SERTILLANGES, A. D, A vida intelectual, Campinas: Editora Kírion, 2019.
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O CAMINHO DA VERDADEIRA ALEGRIA
“Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: alegrem-se!” (Filipenses 4:4).
Nem todos os nossos dias são de alegria, não podemos ser hipócritas. Alguns dias são complicados, começam com a possibilidade de tudo dar errado, com isso, a alegria torna-se impossível. Algumas manhãs são complexas, nem deveriam existir.
O interessante é que quem está nos aconselhando é Paulo, alguém que estava passando por muitos momentos amargos na vida e nunca deixou de trazer esperança, orientação e aconselhamento as pessoas, mesmo passando por dificuldades, preso ou com muitos problemas. E é isso que eu mais fico admirado em seus textos, alguns de seus conselhos e palavras de motivação foram escritos em contextos onde ele mesmo, estava em condições realmente deploráveis, mas nem por este motivo, ele deixou de ajudar. Hahn e Boor enfatizam justamente isso, quando eles explicam que:
“Nem o escritor nem os destinatários dessas palavras viviam num clima de bem-estar e conforto exterior. Essa palavra de alegria é escrita por um preso, cujo processo de vida e morte acaba de entrar em um estágio decisivo. Por essa razão tem peso o “sempre”!” (2006, p. 260).
Creio existir dois tipos de alegria. A primeira é aquela superficial, daqueles que seguem sem refletir e possuem aquela positividade que não é lógica, na verdade é bem forçada. É como se a vida fosse sempre perfeita e não existissem problemas. Desconfio destes que pintam um mundo muito colorido.
Mas existe um segundo tipo de alegria, que é aquela que é fruto da esperança, da fé em Deus. Não é fácil termos que lidar com problemas, mas ter a esperança que não estamos sozinhos, é uma atitude que nos deixa alegres e confiantes. Hahn e Boor novamente complementam:
“No Senhor a igreja “sempre” possui alegria! Até mesmo as aflições na verdade são “participações nos sofrimentos dele” (Fp 3.10) e, por isso, “alegria”” (2006, p. 260).
A alegria é uma condição importante na vida do cristão, ela é resultado da confiança em Deus e fruto da esperança que é calcada nele. Já passei por vales escuros, por tempestades realmente avassaladoras, que consumiram toda a minha alegria. Mas em meio ao caos, me alegrei, visto que eu tinha uma esperança, uma alegria que era fundamentada em Deus. Saber que não estamos sozinhos é libertador e diante desta verdade, é imprescindível não nos alegrarmos.
O texto bíblico usado na epígrafe é claro: Alegrem-se no Senhor. Não em si mesmo ou nas coisas passageiras do mundo, é no senhor. Com isso percebemos como a verdadeira alegria está nele, é calcada em sua soberania e poder.
Não permita que o caos do mundo roube a sua alegria, alegre-se sempre no senhor e lembre-se quem é que está comandando o barco, em meio a tempestade. Se regozije, se entregue aquele que não deixa você sozinho.
BIBLIOGRAFIA
HAHN, Eberhard.; BOOR, Werner.Carta aos Efésios, Filipenses e Colossenses: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 2006.
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OS FRUTOS DO ESTUDO
“As raízes da educação são amargas, mas seu fruto é doce” (Aristóteles) (PIAZZI, 2014, p. 25).
Eu era ainda bem novo quando um amigo parou de sair e tocar em uma banda, para cursar uma faculdade. Na época não entendi a sua atitude, só um tempo depois que percebi que, para algumas missões, escolher e desta forma, abrir mão de algumas coisas que gostamos, as vezes se faz necessário. E a parte ruim é que nem todos os nossos amigos entendem isso, por isso, as vezes o início da jornada é um tanto quanto solitária.
Tanto a ação de investir dinheiro em livros ou na mensalidade de uma faculdade, quanto gastar tempo lendo, estudando e pesquisando, não são práticas comuns ou simples de se fazer. A luta de ter que parar de sair para economizar dinheiro ou mesmo de usar o tempo livre para estudar, é sempre colossal, mas vale cada centavo gasto e cada minuto investido.
Primeiro pelo próprio aprendizado, esta é a parte mais doce do fruto. Sendo que quanto mais aprendemos, nos informamos e mergulhamos nos estudos, mais conseguimos ver e perceber as coisas. Quem estuda consegue enxergar os acontecimentos com outros olhos.
Em segundo lugar estão as oportunidades que o estudo pode trazer. Quem estuda percebe que as portas se abrem um pouco mais fáceis. Um diploma, aliado ao empenho, estudo e o conhecimento que você consegue construir, muda a sua vida.
Quando eu comecei a estudar a minha maior motivação era aprender, não pensava em minha profissão, visto que eu estava cursando Teologia para conhecimento próprio, mas depois, eu percebi que poderia aliar a teologia, que eu gostava e ainda gosto muito, com a carreira de professor, e foi o que eu acabei fazendo.
Não é fácil estudar, o processo é realmente desafiador e em alguns momentos, acreditamos que nem vamos conseguir. Tive esta sensação em vários períodos da minha vida, principalmente nas primeiras vezes que eu precisei produzir trabalhos, resumos, estudar livros complexos e até no ano no qual precisei me dedicar a pesquisar para escrever o TCC. Foram dias difíceis, mas que me prepararam. Pois hoje, depois de muitos anos, consigo escrever um artigo, um texto ou mergulhar em uma pesquisa, de forma muito mais tranquila. Os dias difíceis me ensinaram e me deram habilidades, sendo que hoje, o fruto é bem doce, visto que eu gosto muito de escrever e pesquisar, já publiquei artigos e livros como resultado deste esforço e continuo nesta missão.
A maioria das vezes o estudo nos desafia, mas conforme vamos vencendo os obstáculos, o processo começa a ficar fácil, e vamos crescendo com aqueles desafios. O aprendizado é assim mesmo, começa sendo algo desafiador, até se tornar parte da nossa rotina.
No começo, você pode sentir o amargor do desafio, mas os frutos que você colhe com ele, muda a sua vida. Por isso, entenda que tudo é um processo, aceitar os desafios, enfrentar o amargor e se dedicar, é o caminho que você precisa tomar para conseguir colher bons frutos.
BIBLIOGRAFIA
PIAZZI, Pierluigi. Aprendendo inteligência. 3. ed. São Paulo: Aleph, 2014.
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CONHECER A DEUS PELO DESCONHECIMENTO
Considero realmente desafiador falar qualquer coisa sobre Deus e isso se dá, não por desconhecer a Bíblia e a teologia, e sim, por ter entendido a imensidão, a infinitude e soberania de Deus. E seria uma atitude arrogante, querer definir e explicar de forma inesgotável, quem Deus é. Cabe a nós estudarmos e entendermos a sua palavra, a Bíblia, mas mesmo ela, será sempre limitada ao falarmos de Deus, visto que ele é muito maior do que imaginamos e do que a própria palavra fala, mas ela é o que conseguimos entender e assimilar, por isso, se contente com estas explicações.
Foi Pseudo-Dionísio Aeropagita, uma figura desconhecida, confundida com o juiz Dionísio, no qual foi convertido em um discurso proferido pelo apóstolo Paulo no Aerópago, que formulou o que denominamos de teologia apofática ou negativa. Seu pensamento se ressume na afirmação de que Deus só pode ser conhecido pelo desconhecimento, quando negamos qualquer atributo a ele (ANTISERI et al, 2020, p. 434-435).
Podemos resumir o seu pensamento da seguinte forma, ao negarmos tudo o que afirmarmos sobre Deus, seja a sabedoria, bondade ou poder, colocamos ele em outra categoria, em um grau mais elevado e superior, já que Deus está acima de qualquer categorização e também de qualquer compreensão humana. Ao colocarmos Deus neste patamar de mistério e de incognoscibilidade, percebemos a sua superioridade e com isso, passamos a conhecer realmente Deus, por entendermos que é impossível o conhecermos ou racionalizarmos (ALLEN et al, 2017, p. 112). Philotheus Boehner e Etienne Gilson complementam:
“Ao invés de proceder do alto, ela parte das criaturas mais humildes, negando de Deus o que lhes delimita a finitude, e terminando por verificar que Deus, em sua absoluta transcendência, esconde-se nas trevas do mistério” (2021, p. 11).
Ao invés de usar elementos que buscam explicar Deus a partir dele, usando a sua trindade, a bondade ou sabedoria como ponto de partida, ele faz o caminho inverso, negando qualquer explicação que delimite Deus e o coloque em padrões finitos.
É comum ao tentarmos explicar Deus, criarmos algo que ele na verdade não é, uma explicação que acaba sendo muito mais um ídolo, do que uma explicação resumida dele. Deus é incognoscível e por mais que a Bíblia revele quem ele é e pontuar que Jesus é a revelação de Deus (Colossenses 1:15), nós jamais conseguiríamos explicar, resumir e pontuar de forma exaustiva Deus. Qualquer conclusão ou explicação sobre ele, vindo de nós, criaturas finitas, será sempre uma conclusão simplista.
Ao largar o controle e não delimitar quem Deus é, passamos a realmente conhecer Deus, ao não definir, entenderemos a sua soberania e manteremos Deus em seu inesgotável e soberano lugar.
Quanto mais eu estudo a Bíblia, busco a Deus e tento compreender a sua palavra, mais eu percebo a minha insignificância e a dimensão de Deus. Não há como resumi-lo, explica-lo ou quantifica-lo sem cometer inúmeros equívocos. É melhor nos calar e aceitar a sua inesgotabilidade.
E por mais que você não aceite o pensamento total do Pseudo-Dionísio, entender que Deus é muito maior do que imaginamos é o passo mais coerente que todo o cristão deveria dar. As vezes acreditamos conhecer, por conta apenas da nossa ignorância, por não percebermos a sua dimensão e o tamanho do seu poder.
Deus é tão grande, tão soberano e infinito que delimitar quem ele é, através de nossa finita reflexão termina por ser um erro. Com isso, opte por se entregar a sua imensidão sem querer delimitá-lo!
BIBLIOGRAFIA
ALLEN, Diogenes; SPRINGSTED, Eric, Filosofia para entender teologia, Editora Paulus; Editora Academia Cristã, São Paulo, 2017.
ANTISERI, Dario.; REALE, Giovanni. Filosofia: Antiguidade e idade média. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2020.
BOEHNER, P.; GILSON, E. História da filosofia cristã. 13. ed. Petrópolis: Vozes, 2021.
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O HÁBITO DE LEITURA
Eu sempre gostei de ler, mas confesso que a minha disciplina de leitura nasceu de um tempo de insatisfação. Eu estava cursando a minha primeira graduação em teologia, quando percebi que eu queria e precisava aprender ainda mais. Eram muitos conteúdos, muitos autores e boas obras e por mais que eu lesse, entendi que não era suficiente. Com isso, foi fundamental eu ampliar o meu hábito de leitura e estudo. Eu tinha uma sede para saciar, um anseio pelo saber e usei tal motivação para buscar crescer.
A leitura mudou a minha vida, primeiramente na escrita. Se hoje eu escrevo bem, certamente foi por conta do meu habito de leitura, que eu mantenho vivo até hoje. Ler e escrever bem são ações que estão intrinsecamente interligadas. É inevitável escrever bem, quando a pessoa mantém um hábito de leitura.
O conhecimento é outro ponto importante que a leitura traz, principalmente quando não lemos apenas livros de literatura. A cada livro lido ou estudado, damos mais um passo rumo ao saber. Lembrando de algo que eu sempre falo: “A busca pelo conhecimento vem com um passo de cada vez, é algo gradativo e paciente”. Acreditar que aprender é algo instantâneo é não perceber que existem etapas que precisam ser cursadas, sendo que queimar tais etapas é por fim, deixar de aprender.
Nestes nossos dias hiperconectados, a leitura tem sido um dos hábitos pouco praticados, o problema é que ela é uma prática definidora. Quem lê certamente vai largar na frente em inúmeras áreas. Isso além do próprio crescimento pessoal, já que nem tudo se resume em retorno financeiro.
Entenda que tudo está ligado a bons hábitos, sejam eles hábitos intelectuais ou físicos, já que fazer exercícios é igualmente importante. Buscar bons hábitos, estando desta forma, crescendo pouco a pouco é um caminho que descobri tudo e por causa de uma insatisfação.
A tecnologia disponibilizou as pessoas verdadeiras ferramentas que nos ajudam a aprender, exercitar a mente ou mesmo a compartilhar conteúdos dos mais diversos com as pessoas, entretanto, ela também oferece armadilhas que consomem o nosso tempo, sem trazer para a nossa vida crescimento ou aprendizado.
Saber dosar e separar a hora de descontrair do momento de estudar e crescer é algo fundamental. Ou criamos hábitos de aprendizado ou seguiremos chafurdados em conteúdos que não agregam nada em nossa vida.
Separe um tempo para ler e estudar, e outro momento para escrever e produzir, um tempo pequeno, mas realmente conciso. Cultive em sua vida hábitos que farão você crescer e colha, um tempo depois, os frutos de tais rotinas.
Cordialmente, Guilherme.
