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  • BÍBLIA E O DARWINISMO

    “A humanidade, ao equiparar-se aos animais, finalmente se libertou das amarras do divino” (SHAPIRO, 2019, p. 111).

    Gosto muito de criar, sejam textos, poemas ou músicas, como eu fazia antigamente em minha banda, o Hawthorn. Pensar e ir lapidando um texto ou uma música, até ver a obra tomar forma, é algo que eu considero realmente surreal e a prova de como a mente humana é fascinante. Mas sobre criação ou invenções, nem todos pensam assim. Alguns acreditam que é possível criações das mais complexas surgirem do acaso.

    Segundo Darwin, não fomos criados por Deus, somos apenas fruto de um acidente, de uma cadeia evolutiva tendo como principal impulso a seleção natural, que culminou nos seres que somos agora (SHAPIRO, 2019, p. 111).

    A Bíblia diz que somos a imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26-28). Darwin, já afirma que somos descendentes de um outro ancestral, fruto de um acaso ao invés de sermos parte dos planos de um Divino criador, um arquiteto soberano. Com isso, surgiu não só uma teoria, mas também, valores que pegaram carona nesta hipótese.

    Bem Shapiro (2019) acrescenta e explica que foi o Darwinismo que rompeu com os valores quando explicou a razão como uma simples função no cérebro, com o propósito de ajudar o ser humano a se adaptar ao ambiente.

    Se Deus não é o centro, se Ele não é o criador e sustentador de tudo e a vida é um mero acaso, sem qualquer propósito, seguimos a vida como dá, na contramão de tudo, nos destruindo, deixando a seleção natural fazer o seu papel. Se a razão é um conceito abstrato, fruto de pontos de vistas ou do contexto que alguém vive, não temos valores ou fundamentos que nos guiem e nos amparem. É tudo um grande e aleatório acaso. Paulo discorre sobre como é possível perceber Deus na criação, quando ele diz que:

    “Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis; porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e os seus corações insensatos se obscureceram. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (Romanos 1:20-22).

    Deus se revela por meio da criação. A natureza, o céu e todas as maravilhas do espaço, testemunham uma grande verdade: “existe um poderoso criador de tudo”. O nada não cria, sendo que, tudo o que é criado, tem um autor, o problema é que tal conclusão lógica, segundo os darwinistas, não serve para explicarmos o mundo e todo o intrínseco espaço.

    Existe um mundo muito complexo no espaço, as maravilhas que podemos constatar ao admirarmos o céu, através de uma ferramenta adequada, é realmente sem igual. O mesmo podemos dizer de uma célula. Existe um micro universo inimaginável, que é de tirar o fôlego, com tudo funcionando de forma perfeita. E tudo isso aponta para Deus, o soberano criador. Pensar que toda a complexa vida veio do acaso, de uma explosão misteriosa, é seguir a meu ver em meio a uma contradição lógica.

    O nada não cria coisas, assim como tudo o que existe em nossa sociedade é fruto de um inventor, na criação não é diferente, tudo o que existe é fruto de uma mente inteligente e soberana. É contraditório pensarmos diferente. Mas como tal pensamento se encontra no centro da nossa sociedade, hoje é comum alguém ver uma maravilha natural e concluir que ele veio do acaso.

    É normal vermos contradições na sociedade, verdades sendo aviltadas, tidas como conceitos ilógicos e mentiras sendo vendidas como a verdade. O nosso desafio é transitar com coerência, sem cair nestas armadilhas e não largarmos a verdade para não sermos vistos como irracionais. A verdade é que a simples fé em Deus, já é um motivo para ser visto de forma diferente. Não tenho a necessidade de seguir o pensamento da moda, pensar, refletir e buscar a verdade em inúmeros momentos, é andar na contramão. É bater de frente com o que é vendido como verdade e mostrar, a quem quer ouvir, o quão ilógico são algumas linhas de pensamento.

    A natureza, a vida e toda a beleza que podemos ver ao pararmos para contemplar a criação de Deus revelam uma verdade: “Existe um Deus, um arquiteto soberano que pensou e criou tudo o que existe”. Não obscurecer tal verdade com conceitos ilógicos é não se esquecer que não somos autossuficientes, somos dependentes e sem Deus, nós só criamos caos e desconstrução.

    BIBLIOGRAFIA

    SHAPIRO, Ben. O lado certo da história: Como a razão e o propósito moral tornaram o ocidente grande. Rio de Janeiro: Alta Cult Editora, 2019.

  • A ODISSEIA DA DOR: EBOOK GRATUITO

    Falar sobre sofrimento é sempre complexo, visto que a dor provoca inúmeras reflexões e conclusões. A Bíblia ilustra precisamente isso ao relatar a história de muitos homens de Deus e suas atitudes diante do sofrimento.

    O objetivo deste livro é compartilhar o caminho que percorremos quando estamos em meio à dor, ao sofrimento e à dúvida e os inúmeros lugares aonde algumas odisseias podem nos levar. No final, a descoberta que fazemos é que, mesmo em meio à dor, nós não estamos abandonados.

    Seja bem-vindo a esta odisseia, e que durante a leitura, você perceba que, nem sempre temos respostas, mas Deus não dos deixa sozinhos.

    Boa leitura!

    Livro físico pela loja UICLAP:

    Em ebook:

  • A SABEDORIA DA CURIOSIDADE: A HABILIDADE FILOSÓFICA DE CULTIVAR O SABER

    Já reparou como naturalmente uma criança pergunta sobre as coisas? Ela tem uma curiosidade inata, fruto de um espanto em ver coisas diferentes e em querer saber sobre estas coisas. Este espanto, gradualmente, o ser humano vai perdendo, deixando muitas vezes de perguntar e questionar durante a sua vida.

    Saber perguntar é essencial para conseguirmos resultados ou sairmos da zona de estagnação. Boas perguntas nos tiram do comum, e isso a filosofia faz bem. Ela auxilia as pessoas com suas indagações, ajudando-nos a seguir em direção ao saber. Já a certeza nos acorrenta, acreditar que sabemos, nos faz estagnar e assim, deixamos de aprender.

    A necessidade de saber e buscar explicações é algo enraizado na estrutura do ser humano, sendo que a filosofia tem como raiz justamente esta necessidade. É o assombro que brota no âmago que leva alguém a olhar o todo com o intuito de buscar a origem das coisas (ANTISERI; REALE, 2017, p. 21). Karl Jaspers, no livro: Caminhos para a sabedoria, pontua que:

    “Filosofia significa: estar a caminho. Suas perguntas são mais essenciais do que suas respostas, e cada resposta se transforma em uma nova pergunta” (2023, p. 30).

    A filosofia é especialista em propor questionamentos e nos tirar do comum, ela mostra nossas contradições e os pontos nos quais precisamos melhorar. E o ser humano é mestre em se estagnar, ele consegue ficar preso em sua caverna acreditando ser a vida real, parafraseando a caverna de Platão.

    O perguntar filosófico tem o seu início quando as nossas experiências e explicações perdem o sentido, principalmente quando o ser humano se encontra em situações de calamidade e sofrimento. Os problemas fazem o ser humano sair do comum em busca de respostas, sendo que ambos os impulsos principais do perguntar filosófico são a admiração e a dúvida (ANZENBACHER, 2002, p. 12).

    Duvidar, segundo a filosofia, não é cair em um oceano cético e sim, aprender a fazer uma crítica ao que sabemos, é revisitar de tempos em tempos o conhecimento, para que assim possamos nos atualizar, corrigir ou ressignificar nosso conhecimento. É também entender que podemos nos enganar e, por isso, é importante estar sempre abertos a nos autoavaliar.

    Aprenda a questionar, a começar por si, por seus medos, dificuldades e crenças. É normal acreditarmos em coisas que cremos serem verdades, mas que não são. Depois, descubra como é saudável refletir sobre as verdades que você ouve e, por meio de questionamentos, avaliar a verdade em tudo.

    Boas perguntas colocam você no caminho, às vezes não trazem respostas, mas fazem você caminhar em direção ao saber e a própria busca já é uma rica recompensa. Ganhamos muito por sairmos do lugar, a certeza certamente às vezes nos deixa estagnados, mas boas perguntas nos movimentam.

    As minhas dúvidas e questionamentos sempre me levaram aos livros e aos estudos. Sempre tive esta sede em encontrar respostas sobre Deus, quem ele é, sobre a fé e muitos outros tópicos sobre a vida cristã. Nem sempre encontrei o caminho, mas as perguntas me levaram a caminhar, a estudar e assim crescer.

    Não tenho um conceito formado sobre todas as coisas, Deus mesmo, é um ser que hoje me abstenho de responder. Após estudar tanto e ler muito, aprendi como delimitar, conceituar e entender a partir de nós, é sempre um primeiro passo para o equívoco. E, de igual forma, creio que muitos temas são complexos por natureza, e não precisamos ter uma opinião formada sobre tudo. Às vezes, dizer que não temos opinião é a resposta mais coerente. No entanto, sou grato às perguntas que me fizeram caminhar e ir em direção ao conhecimento.

    Aprenda a sempre estar a caminho, a ter esta sede de perguntar e aprender. Tudo começa com boas perguntas e nem sempre temos respostas, ainda mais quanto a questões complexas como Deus, mas a caminhada que algumas perguntas nos propõem já vale todo o esforço.

    BIBLIOGRAFIA

    JASPERS. Karl. Caminhos para a sabedoria: uma introdução à vida filosófica. Petrópolis, Editora Vozes; Goiânia: Editora Vida Integral, 2023.

    ANZENBACHER, Arno. Introdução à filosofia ocidental. 4. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2002.

    REALE, Giovanni.; ANTISERI, Dario. Filosofia: Antiguidade e Idade Média. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2020.

  • PROTAGONISTAS DA ANSIEDADE

    Já abandonei o discurso do “o importante é ser feliz”, há muito tempo. Ainda muito novo, aprendi como tais formas de pensar são apenas miragens que não nos levam a lugar algum. Na verdade, a questão é muito mais complexa, não sendo possível ser resumida em tal frase.

    Mais do que ser feliz, o óbvio é a dor e o fracasso, isso é constante e rotineiro, para qualquer ser humano de qualquer classe social, pois cada um tem as suas dificuldades. E a tristeza nunca foi uma sensação negativa, mas uma consequência da vida. É impossível estarmos alegres o tempo todo ou termos sucesso a todo o momento. Entender que perder é um fato da vida, nos dá disposição para seguir e persistir.

    Vivemos em dias onde ter sucesso é a grande missão da vida e ser feliz a busca unânime de todos. Palestrantes vendem fórmulas de sucesso, pseudointelectuais ensinam como é a vida da pessoa vitoriosa e o mais contraditório, estes palestrantes, que possuem sucesso apenas em vender a sua fórmula, colocam a sua vida como exemplo.

    Nunca a ansiedade tem aumentado como hoje, na missão de não sofrer ou de conseguir sucesso em algo, as pessoas têm ficado cada vez mais descontroladas. São os protagonistas da ansiedade, como diria Luiz Felipe Pondé no livro: “Você é ansioso?”, pessoas que não aceitam que a incerteza e a dor, são constantes. Conclusão que qualquer um que entende a dinâmica da vida já teve.

    Não é possível encontrarmos a felicidade, como diria Agostinho, em coisas e objetos, só encontramos quando buscamos em algo além de nós, esta é a raiz da verdadeira felicidade. É só em Deus, que conseguiremos ter a real felicidade. Agostinho complementa:

    “E esta é a felicidade: alegrar-nos em ti, de ti e por ti. É esta a felicidade, e não outra. Quem acredita que exista outra felicidade, persegue uma alegria que não é a verdadeira. Contudo, a sua vontade não se afasta de certa imagem de alegria” (2016, p. 295).

    É apenas em Deus que encontramos a verdadeira felicidade, é quando paramos de olhar apenas para nós, nossas vontades e desejos e buscamos além de nós. Não é possível estar realmente feliz, partindo de nós, a verdadeira felicidade precisa partir do eterno, para que consigamos experimentar e viver ela por completo.

    Ser feliz é um estado de espírito, um sentimento duradouro de alguém que sabe lidar com a dor, com o fracasso e as incertezas da vida. Na vida teremos muitas tristezas, mas continuaremos a ser felizes, caso tenhamos encontrado a real felicidade.

    Eu costumo separar a alegria da felicidade. Alegria é passageira, momentânea, é um instante que acaba, a felicidade é um estado de espírito que caminha conosco, não nos abandona, pois a felicidade verdadeira está em Deus.

    Quando depositamos em Deus a nossa esperança, seguimos mais calmos, sabemos lidar com a dor, o caos e a desesperança. Fracassar é um fato, ficar triste uma realidade e a esperança a ferramenta daqueles que sabem que vivem em um mundo incerto e de dor, mas que, no entanto, não estão sozinhos.

    A fórmula para combatemos estas ansiedades do mundo moderno é olhar além de nós e depositar no eterno Deus toda as nossas preocupações. É só em Deus que encontramos a verdadeira felicidade!

    BIBLIOGRAFIA

    AGOSTINHO, Santo. Confissões. 1. ed. São Paulo: Paulus, 2016.

  • FATOS EM TEMPOS DE PÓS-VERDADE

    Hoje é abundante o número de pessoas que se guiam muito mais por seus anseios e pontos de vistas, do que pela verdade dos fatos. Isso acontece justamente porque é fácil encontrar argumentos que corroboram com um ponto de vista. A internet ampliou o cardápio e o relativismo, transformou a verdade em um conto de fadas. A nossa política tem provado justamente isso, mostrando como é fácil manipular a opinião, usando como ferramenta a pós-verdade para modificar fatos ou adulterar a realidade.

    Stephen Hicks argumenta que a ideia de que o ser humano entrou em uma nova fase intelectual é bem popular em nossos dias. Estamos na pós-modernidade hoje. Alguns pensadores informam que o modernismo acabou e um tempo revolucionário se ascendeu – são dias de liberdade em relação as estruturas que oprimiam o ser humano no passado (2021, p. 7).

    Todavia, o que mais vemos são discursos inflamados e a verdade sendo manipulada. Bons argumentos partem de provas e fatos, já a pós-verdade, parte de discursos emocionais, que passam longe do que é genuíno. Pós-verdade não é sinônimo de mentira e sim, pode ser definida como uma verdade distorcida que muitas vezes até parte de uma verdade, contudo, tem em seu âmago um conceito manipulado.

    A pós-modernidade trouxe em seu bojo a chamada pós-verdade, que nada mais é do que um discurso fervoroso, que distorce a verdade e que parte muito mais de argumentos emotivos do que dos fatos propriamente dito. Sendo que eu tenho visto tal fenômeno há muito tempo seja dentro da igreja ou fora dela e infelizmente, ele tem ganhado cada vez mais força. D’ancona complementa:

    “Pós-verdade não é a mesma coisa que mentira. Os políticos, afinal, mentem desde o início dos tempos. O que a pós-verdade traz de novo “não é a desonestidade dos políticos, mas a resposta do público a isso. A indignação dá lugar à indiferença e, por fim, à convivência […]”” (D’ANCONA, 2018, p. 9-10).

    Por fim, após um mar de informações, com a verdade virando instrumento para manipular opiniões, a indiferença dá lugar a toda a indignação, o excesso causa uma dormência mental e assim, o ser humano segue no rumo das injustiças.

    Alain de Botton em seu livro: Notícias: Manual do usuário, pontua justamente isso ao explicar como o excesso de notícias, sem o mínimo de explicação do contexto no qual a notícia está sendo passada, é o suficiente para estragar a capacidade das pessoas de compreender a realidade. Botton explica que:

    “Uma enxurrada de notícias, e não a sua proibição, seria o suficiente para deixar o status quo inalterado para sempre” (2015, 29).

    Um fato vira mera notícia casual, uma mentira se confunde com a verdade e o ser humano segue inerte por conta dos excessos. Uma pessoa, normalmente, já lê e estuda pouco, somando isso, com o mar de informações, por fim, a apatia termina por surgir.

    Uma profusão de informações, sem a visão real do contexto ou mesmo sem o conhecimento fundamentado dos fatos, realmente modifica uma realidade. Ou o ser humano muda a sua mentalidade, buscando veículos sérios, sendo seletivo e cultivando uma rotina de estudos. Ou ele será sempre o alvo desta enxurrada de pós-verdades.

    A tecnologia é uma benção, a capacidade de podermos ter acesso a informação, conhecimento ou mesmo de poder postar conteúdo, é um privilégio. Só precisamos ter cuidado e desenvolver uma mente seletiva, evitando assim, consumir conteúdos de certos veículos de comunicação ou mesmo buscar se informar mais.

    Quem tem informação, tem poder, segundo o adágio popular, porém, nos dias de hoje não é só isso. Um indivíduo com informação e conhecimento, consegue ter uma reflexão centrada e não será manipulado por fatos distorcidos.

    Por isso, como eu sempre insisto aqui no blog, estude, leia e construa o seu conhecimento para que você não seja massa de manobra. Quem tem repertório é mais assertivo em suas reflexões!

    BIBLIOGRAFIA

    BOTTON, Alain. Notícias: Manual do usuário.Rio de Janeiro: Intrínseca, 2015.

    D’ANCONA, Matthew. Pós-verdade: A nova guerra contra os fatos em tempos de Fake News. Barueri: Faro Editorial, 2018.

    HICKS, Stephen R. C. Guerra cultural: Como o pós-modernismo criou uma narrativa de desconstrução do ocidente. São Paulo: Faro Editorial, 2021.

  • O CRISTIANISMO PRÁTICO E A ROTINA RELIGIOSA

    A Bíblia é a palavra de Deus! Tal frase pode parecer meio óbvia, mas em tempos onde a Bíblia é lida por poucos cristãos, creio que o óbvio precisa ser dito. O ser humano constantemente cai em um contínuo automatismo, se esquecendo das coisas que são centrais e valorizando hábitos que de longe são essenciais para a fé. Ele vai a igreja todos os domingos, menos a Bíblia, ele é voluntário na igreja todos os dias, mas não busca voluntariamente a Deus em sua casa. Com isso, ser cristão vira sinônimo de frequentador de igreja, a prática é substituída pelos ritos vazios.

    David Foster Walllace, em um conhecido texto chamado: “Isto é água “, trabalha justamente a questão da vida automática quando conta a história dos dois peixinhos. Ele começa contando que: “Dois peixinhos nadavam tranquilamente quando um peixe um pouco mais velho pergunta: Como está a água? Sendo que depois de um tempo os dois peixinhos se olham, com aquele ar de dúvida e se perguntam: O que é água?” (2021, p. 263). A vida daqueles peixes estava tão no automático que eles nem sabiam mais o que era água. Eles nadavam, sem qualquer consciência dos pontos fundamentais para a sua existência.

    A vida cristã é muito semelhante, visto que, é possível seguirmos tão no automático que todos os pontos que são fundamentais viram rotina, um mero ritual a se seguir. Sendo que ser cristão é muito mais um estilo de vida, como eu sempre pontuo, do que seguir uma agenda.

    Não sei bem o que precisa acontecer para o ser humano valorizar o que é essencial, mas aprender a sair do automático para que a fé não seja um estilo de roupa, um tipo de música e uma linguagem, é uma ação fundamental, para que enfim o ser humano consiga ser realmente sal e luz na vida das pessoas.

    Quando não oramos ou lemos a Bíblia, Deus vira aquela ideia abstrata, fruto de crenças que não são vividas por inteiro e de forma genuína. Torna-se apenas teoria ou um rito, que é preciso ser cumprido.

    Costumo falar que existe o cristão e o religioso. O cristão é aquele que busca viver o evangelho. O religioso é uma pessoa que frequenta a igreja e segue um ritual vazio. No mesmo culto, dependendo apenas do posicionamento de cada indivíduo, é possível encontrar estas duas situações. Sendo que é fácil trocar as prioridades quando em meio ao ativismo vamos negociando nossos valores.

    O cristianismo prático é vivido com os joelhos no chão, com o estudo da palavra e a leitura. Não há como falar de algo que você não vive e muito menos conhece. Este cristianismo é um estilo de ser, é aquela prática vivida no dia a dia, fundamentada na palavra e na vida de oração diária.

    É uma vida desafiadora, eu sei bem disso. Nem sempre é fácil manter tais hábitos, ainda mais em nossos dias hiperconectados e com os inúmeros compromissos profissionais que assumimos. Mas conseguir priorizar, deve ser uma das nossas ênfases, não negociar aquelas coisas fundamentais, é o melhor ponto de partida.

    Cuidado para não trocar o que é essencial, por ritos vazios, lute contra a sua agenda, e comece priorizando o que é importante. Relembrando algo que eu sempre falo: “Ninguém tem tempo, tempo é muito mais uma prioridade”, por isso, priorize as coisas de Deus. Comece orando e lendo, foque em fortalecer o hábito, para depois ir ajustando para um período adequado. Opte por um primeiro passo, para depois chegar no que é ideal.

    Que Deus nos ajude a termos uma vida que o agrade, que possamos realmente viver um evangelho na prática, fugindo das meras teorias. Que consigamos desaprender a viver esta vida cristã banal, para vivermos o evangelho genuíno!

    BIBLIOGRAFIA

    WALLACE, David Foster. Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo. São Paulo: Companhia das Letras, 2021.

  • NÃO PERCA A ESPERANÇA

    “A esperança acaricia a alma” (Platão) (PERCY, 2016, p. 165)

    Uma frase que eu repito constantemente aos amigos é: “a única coisa que eu realmente tenho é a esperança”. Mesmo triste diante do caos, mesmo passando por problemas ou doente, no fim, eu sempre acho que vai dar tudo certo, pois no final, sempre dá. Creio que confiar em Deus é isso, é saber que em todo o momento Ele está conosco, sendo Ele a fonte de toda a nossa esperança.

    Os problemas tendem a tirar a nossa esperança e nos colocar em alguns becos sem saída, nos fazendo crer que tudo está acabado, mesmo que isso seja mentira. A desesperança suscita sentimentos negativos e uma visão obscura dos fatos, já a esperança nos ajuda a olharmos em volta e termos criatividade para vermos saída.

    A questão é que sempre haverá o amanhã, o inverno não é para sempre, a dor um dia vai acabar, ou nos surpreender quando percebemos que a saída estava em nossa frente, todo o tempo, nós é que não estávamos vendo. Ter esperança é saber esperar, é procurar a saída, mas também descansar entendendo que nem tudo está em nosso controle.

    Creio que temos que aprender a fazer o que está em nosso alcance, investir no que acreditamos e nos preparar. Aprender a cair, lidar com o fracasso e continuar entendendo que tudo é um processo e as vezes as coisas levam algum tempo mesmo, aceite isso.

    No final, você vai ver, por conta da esperança, não vai perecer, seguirá tentando, resistindo, caindo e continuando. Tirando o melhor que podemos tirar das dificuldades, que é o aprendizado.

    A esperança nos move, mas também nos mantém no chão, seguros diante dos ventos de problemas. Confiar em Deus, depositar nele a nossa esperança é ter a certeza de que tudo dará certo, que em breve virá a bonança. E enquanto não vier, não perca a esperança, pois você não está sozinho.

    Não estou propondo uma ação infantil ou inocente, a realidade as vezes se mostra cruel e eu sei bem disso. Muito menos quero que você deixe de se preocupar com o que é importante, adquirindo uma atitude irresponsável. A minha proposta é que você não se esqueça que ter esperança de mudança, que aliado a ação, pode ajudar você a seguir de forma mais tranquila e assertiva. Quem tem aquela esperança inteligente, não só sabe esperar, mas cultiva a criatividade para construir uma saída.

    Pense em todos os problemas que você superou e busque colocar em Deus a sua esperança. É fácil duplicarmos um problema, por conta de uma mentalidade negativa, por isso, tenha esperança e perceba que sempre há saída.

    BIBLIOGRAFIA

    PERCY, Allan, Platão para sonhadores, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2016.

  • FLUTUANDO NA DÚVIDA

    O senso de direção é algo aplicado apenas a vida aqui na terra ou em qualquer outro lugar semelhante. Quando falamos do espaço sideral, conceitos como em cima ou embaixo, perdem o sentido, visto que o espaço é uma imensidão que parece não ter fim e lá não tem lado, muito menos frente e atrás. Nós só temos noção de direção, quando possuímos uma referência que no nosso caso é a terra. Experimente, em um final de semana, fazer uma viagem ao espaço, que você vai constatar justamente isso.

    A dúvida também se assemelha muito ao exemplo do espaço, visto que é um lugar onde a direção ou mesmo um lugar determinado, não existe. Tudo parece ser igual, todas as opções são aparentemente boas, por isso, flutuamos na indecisão. É como quando decidirmos assistir algo naqueles sites de filmes e séries online e demoramos muito para escolher. Como não temos um norte, um tema ou uma opção em mente, flutuamos eternamente tentando decidir, a dúvida tem este poder. O excesso de opções diante de uma vida que não tem critérios bem estabelecidos, provoca isso, um eterno flutuar na indecisão.

    Perceba bem que a palavra-chave é “critérios”, se você não tem critérios ou não delimitou seu caminho e aonde quer chegar, você seguirá flutuando na dúvida. Trabalhando só por trabalhar, sem um propósito no qual se dedicar.

    Um propósito nos guia, ele nos dá força e principalmente, nos oferece uma direção a seguir. Viver sem um norte, sem ponto de partida, trabalhando apenas para sobreviver, estudando apenas para ter uma oportunidade de trabalho melhor é seguir flutuando neste espaço sem fim, sem um porquê.

    Eu já tive muitas dúvidas quando era novo, eu pensava demais e fazia de menos. Um dia uma chave virou e eu aprendi que em meio a dúvida, busco antes conhecer, para ter um pouco de critério para escolher, contudo, às vezes, o melhor caminho é mergulhar mesmo, experimentando algo novo, conhecendo realidades que antes nos era realmente desconhecidas.

    Normalmente ficamos com dúvidas quando não temos certeza e tal falta de certeza, pode surgir ou por acreditarmos que há opções importantes em ambas as oportunidades, ou quem sabe, por não conhecermos a fundo aquele assunto. Nos dois casos, quando temos critérios, decidimos de forma mais rápida. Mas chegará um momento no qual é melhor decidir, do que flutuar, as vezes entrar em algo novo te traz crescimento e o conhecimento de algo antes desconhecido. Baltasar Gracián pontua justamente isso quando fala:

    “É mais desejado errar do que não fazer” (2018, p. 32).

    Pelo menos fazendo, você sai da indecisão e experimenta algo novo, e em meio ao erro que uma empreitada nova pode provocar, aprendemos, e isso já vale muito. Errando ou acertando, ganhamos de igual modo, esta é justamente a questão.

    Hoje eu sei muito bem decidir, eu tenho um norte e critérios para as coisas que eu quero fazer, mas as vezes a dúvida aparece, todavia, não tenho medo de mergulhar em empreitadas novas, por isso decido com calma e sigo.

    A dúvida é sempre um problema, ela nos paralisa, as indecisões nos fazem flutuar e se não decidirmos, seguiremos perdendo oportunidades, seja de aprender ou mesmo de perceber mundos novos.

    Não existe uma receita para alguém sair da dúvida, todos nós temos medo de errar e perdermos tempo por conta disso, é por isso que a dúvida surge. Contudo, não agir e seguir flutuado na indecisão é igualmente complicado. Por isso, não tenha medo do novo e aprenda a decidir.

    Ou você decide ou seguirá flutuando na indecisão!

    BIBLIOGRAFIA

    BARROS FILHO, C. B.; CALABREZ, Pedro. Em busca de nós mesmos. 10. ed. Porto Alegre: Citadel Grupo Editorial, 2021.

    GRACIÁN, Baltasar. A arte da sabedoria. Barueri: Faro Editorial, 2018.

  • O SENSO COMUM E A MOTIVAÇÃO PARA ESTUDAR

    Existe um senso comum reinante em nossa sociedade, seja o tema que for, ele sempre está presente em meio aqueles que leem e estudam pouco, mas que possuem muitas certezas, sendo esta a fórmula da ignorância. Na igreja ele é visto com muito mais presença, evidenciando uma grande verdade: “Apesar da Bíblia ser a palavra de Deus, poucos se preocupam em entendê-la”.

    Eu tenho uma espécie de sede, um anseio por aprender, aprecio ouvir alguém que fala com propriedade e também, gosto de ter fundamentos nas coisas nos quais eu creio. Sendo que como sou um cristão, entender a palavra é uma das atitudes mais lógicas que existe. O que me levou a cursar um Bacharelado em teologia.

    Estar preparado para o ministério dentro da igreja é fundamental, contudo, o ponto de partida coerente é entender que muito mais do que a nossa missão, está a nossa fé, os fundamentos daquilo que cremos. Sem eles, certamente teremos problemas.

    Estudar teologia, conhecer bons autores e obras relevantes, são detalhes realmente essenciais primeiramente para a nossa vida. Se não tivermos um bom repertório teológico e bíblico, a nossa fé não estará alicerçada. É por isso que muitos seguem vacilantes, por justamente não conhecerem a Bíblia e a teologia, além de não orarem e buscarem a Deus. Este é o princípio da vida cristã, como tenho enfatizado muito ultimamente. Oliphint ensina que:

    O cristianismo é um modo de ver. Ele oferece um alicerce para tudo o que pensamos, fazemos e cremos. Ele nos dá uma perspectiva correta sobre nós e o resto do mundo” (2018, p. 12).

    O cristianismo nos dá alicerces, ele nos ajuda a realmente vermos e caminharmos, seguindo sempre a vontade de Deus. Ou partimos da Bíblia e do correto fundamento da palavra tendo assim uma perspectiva verdadeira de tudo. Ou seguiremos calcados no senso comum, naqueles ensinos que não são bíblicos, mas que são ensinados, como se assim o fossem. E como nem todos conhecem a Bíblia, são justamente estes que não percebem tais ensinos falsos.

    Lembre-se que o senso comum tem sempre muitas certezas, mas pouco ou nenhum conhecimento. Ele se pauta apenas em suposições, nunca em estudos, conhecimento e no saber.

    O site me motivou a estudar, como já pontuei em outros textos, ele me manteve ativo, buscando conhecimento e produzindo. Isso agregou muito, tanto em minha vida pessoal, quanto ministerial e profissional. O crescimento que eu consegui alcançar tudo e porque, escolhi continuar estudando e produzindo conteúdo, não tem preço. Eu foquei em apenas uma coisa, ou seja, ter sempre textos novos no site, mas terminei por alcançar resultados em outras áreas.

    É fundamental estarmos sempre estudando, é só assim que conseguimos sair do senso comum e termos uma vida realmente fundamentada. E ter ferramentas que ajudem você a seguir tendo propósitos para escrever e estudar, é algo realmente definidor, é a diferença que fará com que você tenha constância e disciplina. Por isso, reflita sobre a sua realidade, estude, curse uma faculdade e busque por ferramentas que faça com que você esteja sempre estudando e construindo o saber.

    Pense que as vezes alguns detalhes, aquelas coisas que parecem não serem importantes, podem ser justamente as ferramentas que farão você crescer.

    Cordialmente, Guilherme.

     BIBLIOGRAFIA

    OLIPHINT, K. Scott. Por que você acredita?. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2018.

  • A EVIDÊNCIA DO MAL

    “Concordamos quanto ao mal. Quanto ao bem, arrancaríamos os olhos uns aos outros” (CHESTERTON, 2013, p. 27).

    A epígrafe não pode estar mais certa, o mal é muito evidente, basta um simples olhar para percebermos, agora o bem que é um desafio, visto que, cada um possui a sua fórmula para fazer o bem ou mesmo para solucionar os inúmeros problemas da sociedade.

    E se falarmos em política, modo de governar ou modelos econômicos, a coisa piora ainda mais. Todos se indignam com a fome, a pobreza ou com a exploração. A forma de colocarmos um fim a estes problemas que é o obstáculo. Eu ainda diria que o mal é sempre os outros, a fórmula ruim nunca é a nossa. O ponto de vista errado é sempre o do meu vizinho. Por isso que, diante do desafio de fazermos o bem, o caos se instala.

    Neste nosso universo polarizado é impressionante ver como os mocinhos, defensores da ordem e do bem, se posicionam. A maioria fala colocando a culpa no outro, como se o seu ponto de partida fosse o correto e do próximo o responsável por toda a calamidade da vida e do mundo.

    Eu tenho visto poucos dialogarem, principalmente quando o assunto é política, a maioria discute e opta por arranjar um culpado, ao invés de conversar e pontuar os erros e acertos que todas as vertentes políticas possuem. Não é justo colocar a culpa apenas no outro, na religião alheia e muito menos na opção política do próximo, muitos problemas são mais complexos do que uma mera opinião.

    É muito bom saber que o mal é evidente, isso denota um padrão que é intrínseco e fácil de perceber, a parte triste é que o homem não consegue dialogar. Cada um quer fazer o bem de sua forma e discorda, da forma do próximo em ajudar

    Creio que uma das evidencias do mal e do pecado é justamente o orgulho, é crer estar correto, sem perceber seus equívocos. A arrogância não é inteligente e nos cega para vermos a verdade e percebermos os detalhes do nosso entorno.

    Em nome do bem, brigas e discussões políticas acontecem sempre e em alguns casos, vão até as vias de fato. Em nome da verdade, radicais religiosos matam, torturam e segregam sempre em nome do seu deus ou deuses, ou mesmo das suas opiniões políticas.

    No final, o mal é não termos humildade para dialogar e confessar nossos equívocos, é não percebermos nossas falhas e seguirmos arrogantes, crendo que possuímos as soluções para salvar nosso planeta.

    O pior mal é aquele disfarçado de boas intenções!

    BIBLIOGRAFIA

    CHESTERTON, G. K. O que há de errado com o mundo. Campinas: Ecclesiae, 2013.