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  • O PERIGO DO SOFRIMENTO

    “O sofrimento distorce o julgamento” (ROBINSON, 2017, p. 139).

    Viver é sofrer, é ter que lidar com situações que as vezes fogem do nosso controle, é inevitável, para quem está vivo, ter que encarar o caos. Esta é uma realidade que muitos tentam disfarçar, mas que resume bem o que é a vida. Por mais que possamos ter uma vida boa, o caos é sempre inevitável.

    Sofremos por vários motivos, seja por conta de um problema inesperado de saúde, que nos tira o chão e nos força a mudarmos de planos, perspectivas e até de rotina. Ou mesmo pela falta de emprego, dinheiro ou a condição de viver com dignidade, que é o direito de todo o ser humano. E também, sofremos por causa das decepções, ou por algo que não aconteceu como esperávamos, entre tantos motivos.

    A questão é que todo o ser humano tem as suas perspectivas e a maioria não espera pelos problemas, apesar de serem constantes e palpáveis. E mesmo nós cristãos, que fomos avisados por Cristo que no mundo teríamos aflições (João 16:33), muitas vezes insistimos em creditar que por termos Deus em nossa vida, não vamos sofrer, o que é um grande erro.

    O sofrimento distorce o nosso julgamento, não deixa espaço para a reflexão, não permitindo que vejamos a saída e muito menos de percebermos o óbvio. Quem sofre vê apenas a si, sua dor e sua vida. Além de levar a pessoa a buscar soluções mágicas, por não entender que nem tudo pode ser resolvido na hora.

    Aprendi a ter calma com o sofrimento, a tentar entender a dor, e esperar, confiando sempre em Deus e no seu soberano tempo. Foi em meio a dor que eu senti Deus, que eu percebi que não estava sozinho e acima de tudo, que eu entendi que a paz em meio a dificuldade, é impagável, é o verdadeiro milagre de servir a Deus.

     O modo como encaramos o sofrimento define a nossa caminhada, a forma como você confia em Deus e entende a sua soberania, resume muita coisa. Se o sofrer é uma certeza ou as decepções são os fatos mais verídicos, a soberania de Deus é algo muito mais que certo.

    Diante do sofrimento, tente não julgar, foque em buscar uma saída em Deus, ao invés de procurar um culpado ou se sentir injustiçado. As vezes é melhor se calar e seguir, do que ficar remoendo um problema e permanecer ancorado.

    BIBLIOGRAFIA

    ROBINSON, Haddon W. Decisões: Fazendo escolhas com sabedoria. Curitiba: Publicações Pão Diário, 2017.

  • SABEDORIA E INSENSATEZ

    “A língua dos sábios torna atraente o conhecimento, mas a boca dos tolos derrama insensatez” (Provérbios 15:2).

    Em um antigo trabalho, no período que eu cursava teologia, eu costumava conversar nos intervalos, sobre a Bíblia e a teologia com alguns colegas de labuta. Neste tempo, surgiam dúvidas, questionamentos e muitas reflexões, o que me levava a ler e a estudar ainda mais. Aprendi e pude ensinar muitas pessoas neste período. Mas em um determinado dia, um rapaz que costumava apenas nos observar, chegou em nosso meio e falou que estávamos perdendo tempo estudando a Bíblia e a teologia, bastava apenas confiar na palavra do pastor. Se o indivíduo é um pastor, ele dizia, é porque ele entende da Bíblia. Uma frase que eu creio ser um tanto quanto equivocada.

    O conhecimento é algo realmente lindo, poder mergulhar em um assunto e entendê-lo de um modo realmente aprofundado, não tem preço, seja a Bíblia ou mesmo quaisquer outros temas. Muitos esquecem do quão prazeroso é poder aprender, e talvez alguns nunca nem experimentaram isso. Mas o ponto principal desta questão é a importância de alguém realmente ter profundidade e repertório na hora de abordar um assunto. É este um dos principais focos e indispensáveis motivos pelos quais precisamos estudar e buscar o saber. Assim, seremos cristãos com fundamentos, ou profissionais e indivíduos com conhecimento e propriedade para falar de um tema.

    Sobre a Bíblia, o conhecimento e o estudo nos leva a termos uma fé fundamentada, uma teologia que parte do real entendimento da palavra de Deus, além de estarmos protegidos de enganos e interpretações equivocadas. O salmista nos ensina justamente isso quando diz:

    Guardei tua palavra em meu coração, para não pecar contra ti (Salmos 119:11) (NVT).

    Neste longo texto, o maior Salmo da Bíblia, o salmista discorre sobre o que a palavra de Deus representava para ele. E no conteúdo fica claro o comprometimento que ele tinha com a leitura e meditação no Texto Sagrado. Mais uma vez o salmista dá justamente esta ênfase:

    Oh! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia!

    Tu, pelos teus mandamentos, me fazes mais sábio que meus inimigos, pois estão sempre comigo (Salmos 119:97,98).

    A Palavra de Deus é a nossa fonte de sabedoria, é através dela que entendemos a vontade de Deus. Não dá para saber se o que um pastor ou pregador fala é realmente bíblico ou apenas um ponto de vista qualquer, sem termos conhecimento. É através dele que conseguimos filtrar o que é bíblico dos ensinos que não são, além de entendermos o que é realmente ser um cristão.

    A Bíblia, em muitos momentos, fala sobre a importância de meditar e estudar a palavra de Deus (2 Timóteo 3:15-17; Deuteronômio 6:5-9; João 5:3-9; 2 Timóteo 2:15). Mas Paulo dá um conselho fundamental sobre isso em um texto que é bem conhecido:

    “Porque desde criança você conhece as Sagradas Letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra” (2 Timóteo 3:15-17).

    São as sagradas letras, a palavra de Deus, que nos faz sábios, a fé nunca foi desligada do conhecimento, e é uma atitude muito insensata crer que nós não precisamos estudar. Ou mesmo, que não precisamos separar um tempo para ler e conhecer ainda mais as escrituras.

    O conhecimento para o sábio é algo natural, e por ele ter fundamentos, ele consegue tornar realmente atrativo o conhecimento e a busca pelo saber. Agora, ouvir alguém falar coisas sem fundamentos, que partem de uma opinião infundada é algo realmente aterrador.

    Descubra como é realmente maravilhoso estudar, aprender e mergulhar em um assunto. Aprenda exercitar a mente com os estudos e conhecer a Palavra de Deus, com afinco e dedicação, a fim de ter uma fé muito mais sólida.

    Ou aprendemos a conhecer a vontade de Deus através da sua Palavra, ou seguiremos a mercê, sujeito a equívocos dos mais diversos!

  • UM ANTÍDOTO PARA O MEDO

    A política é uma das grandes conquistas do ser humano, ter um governo que estabeleça leis e condições favoráveis para alguém morar e viver é um privilégio. A parte complicada são as instabilidades que muitas vezes surgem, sendo que tais cenários trazem aquele ar de medo e insegurança.

    É ótimo ter estabilidade. Um bom trabalho e um confortável lugar para morar é um objetivo que a maioria das pessoas buscam. Sendo tais propósitos totalmente sinceros e legítimos. Só precisamos nos lembrar que a estabilidade não é e nunca foi algo constante, ela é uma condição na maioria das vezes temporária.

    Estamos sempre enfrentando mudanças, seja no trabalho, onde comumente precisamos nos adaptar ou seguir em busca de recolocação. Ou mesmo na saúde e família, em todos os instantes estamos enfrentando transições. A vida é assim mesmo, nunca é estática, ela é sempre dinâmica.

    Por conta desta mentalidade, nunca tive medo de enfrentar mudanças. Entendo bem o quanto a vida é instável e ativa. Sendo que em meio a tais momentos, eu busco constantemente não construir ainda mais problemas, como alguns costumam fazer. As vezes se aquietar e aguardar os dias e oportunidades surgirem, é a melhor atitude. Nos desgastamos muito ao seguirmos imaginando cenários catastróficos por conta da instabilidade. É como a máxima estoica ensina através de Epicteto: “Ocupe-se apenas do que você pode controlar” (LEBELL, 2018, p. 23). Ou seja, se preocupe com pouca coisa, já que poucas coisas estão sob o nosso controle.

    É fácil se desgastar por imaginar cenários ruins, por conta dos períodos de caos. O melhor mesmo é viver o hoje e deixar que as coisas sigam acontecendo ao seu tempo. A incerteza traz consigo o medo, sendo que é justamente ele que nos leva a construir estes cenários que idealizamos. Não gaste o seu tempo imaginando cenários ruins. É muito melhor pensar em soluções, propósitos e direcionamentos em meio aos dias complexos, do que ficar pensando em algo, que nem sabemos se vai acontecer. Não temos ideia de como será o futuro e é justamente por isso que não podemos imaginar o pior.

    O antídoto para o caos é justamente largar as rédeas, já que na verdade, não controlamos os eventos. E isso não seria uma ação displicente, mas algo consciente, para conseguirmos focar nos pontos que podemos atuar.

    Se concentre naquelas áreas que você tem controle, se dedique, economize e busque construir conhecimento, que são as coisas que estão em seu poder e que podem ajudar muito você no futuro. Largar o controle de forma inteligente é isso, é se ocupar de forma sábia com as poucas coisas que você comanda. Estes pontos farão muita diferença em um tempo de mudanças, recolocação ou em meio a busca por respostas.

    O medo é uma realidade, ele surge em muitos momentos, seja por conta de tempos de instabilidade ou diante de situações novas. A inquietação sempre aparece, tenha certeza disso, por isso que saber agir, tendo atitudes realmente assertivas, é o melhor posicionamento.

    A angústia agiganta os desafios, por isso se acalme, entregue o controle a Deus e siga de forma corajosa!

    Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas.

    Provérbios 3:5-6.

    BIBLIOGRAFIA

    LEBELL, Sharon. Epicteto a arte de viver: Uma nova interpretação de Sharon Lebell. Rio de Janeiro: Sextante, 2018.

  • OS DESAFIOS DA CRIATIVIDADE

    Eu sempre fui uma pessoa criativa, sempre gostei de compor e escrever letras de músicas, no tempo em que eu tinha banda e hoje eu gosto muito de escrever, sejam textos para o blog, um livro ou artigos acadêmicos. O que eu nunca imaginei era que tal habilidade poderia ser um problema, caso não houvesse uma técnica certa para lidar com as muitas ideias.

    Em primeiro lugar, ideias são ótimas, ainda mais quando conseguimos usar a criatividade, mas o excesso delas, podem nos paralisar, é possível terminarmos tendo um monte de ideias, mas sem nada concreto concluído.

    Costumo anotar todas as minhas ideias, as vezes quando estou na rua caminhando e do nada, me vem uma ideia na cabeça, busco gravá-la ou escrevê-la no celular. Mas eu tenho a consciência que se eu não trabalhar em determinadas ideias, os textos nunca ganharão vida. Por isso, existe um período na minha rotina para produzir e desenvolver tais temas, para que eles não se tornem apenas meras abstrações colocadas em um rascunho.

    Lembre-se da frase clichê, mas que é muito verdadeira: “escolher é perder”, e por conta disso, é preciso existir em sua rotina um tempo determinado no qual você desenvolverá tais ideias até a sua conclusão. Nada pior do que começarmos um monte de coisas ou anotarmos muitas inspirações e nunca desenvolvermos. Por isso, escolha um tempo para desenvolver, e anote as próximas ideias, para serem trabalhadas justamente neste momento da sua rotina, caso a inspiração apareça.

    Normalmente as minhas ideias geram um panorama geral de um texto ou um conteúdo que eu quero produzir. Nunca é algo pronto, sempre é um ponto de partida, por isso que, parar e trabalhar tal tema é fundamental.

    O blog me ensinou como tais conteúdos são úteis e podem tornar-se textos ou livros, contudo, ele também me mostrou que deve existir um momento em nossa vida, onde o trabalho em cima dos rascunhos se torna fundamental.

    A criatividade nos traz muitos desafios, mas para produzir, precisamos de um tempo separado, para desenvolver, criar e dar vida a algo, que a princípio, pode parecer apenas uma abstração em sua caderneta. Escreva, estude e aprenda a usar tais ideias para criar, tendo em sua mente que, apenas ideias, não são úteis.

    A dica para quem gosta de escrever é: Separe um tempo para refletir, pensar e anotar as ideias e outro período, para trabalhar os rascunhos, e não permita transigir o momento de trabalhar as ideias, caso contrário, você será alguém cheio de ideias e sem nada concreto pronto. Ou mesmo ser aquela pessoa que começa um monte de coisas e não termina nada nunca.

    Nem sempre é fácil desenvolver tais rascunhos, é realmente desafiador concluir alguns temas. Em meu blog você vai perceber desde textos livres, um pouco mais reflexivos até conteúdos ou séries de textos, mais acadêmicos. E não são publicações fáceis de se compor, mas com disciplina, tudo fica possível.

    O disciplinado é alguém realmente livre, que não cede a preguiça e muito menos desanima diante dos desafios. Por isso, cultive a disciplina, aprenda a lidar com todas as suas ideias e descubra que concluir é sempre o melhor ponto de partida.

    Nem tudo é fácil, existem momentos, nas atividades que gostamos, que são complexos e as vezes até um pouco chatos. Mas com disciplina, conseguimos dar vida a um texto, lapidar as ideias e construir o conhecimento.

    Cordialmente, Guilherme.

  • INVERSÃO DE VALORES: CONTRADIÇÕES DA SOCIEDADE SEM DEUS

    Uma nova vida é um milagre, o modo como nascemos e nos desenvolvemos é algo realmente impressionante. A meu ver, revela a mão de um Arquiteto realmente soberano. Mas há algum tempo, a vida tem sido tratada com leviandade na atual discussão sobre o aborto.

    O aborto é um assunto que tem sido muito discutido ultimamente, sendo que em meio ao debate, dois grupos se destacam: Os que são a favor da vida e os que defendem o aborto.

    A parte contraditória daqueles que defendem o aborto é que estes, em sua maioria, são os mesmos que se posicionam a favor dos animais e da natureza. Parece que a vida inocente, que não pode se proteger, não inclui os indefesos fetos. Diante disso, eu não entendo bem o que leva alguém a defender a vida animal e não defender a vida humana.

    Eu sempre digo que, um problema não pode ser resolvido sem alguma reflexão. Normalmente a solução para muitos casos é sempre complexa, coisa que um militante ou ideólogo, nunca consegue perceber. Norman Doidge, no prefácio de um livro do Jordan Peterson, resume um pouco estes militantes e as suas contraditórias soluções para problemas complexos quando ele diz que:

    “As ideologias substituem o conhecimento verdadeiro, e os ideólogos são sempre perigosos quando ganham poder, pois um comportamento simplista e sabe-tudo não é páreo para a complexidade da existência” (PETERSON, 2018, p. 13).

    Questões sobre o abordo, são sempre complexas, mas descartar um feto, como se ele não fosse nada, nem mesmo um potencial ser humano, é ter um pensamento simplista na hora de discutir uma questão destas.

    Eu sou a favor da vida, seja ela humana ou não, descartar um ser humano como se ele fosse um produto, que alguém rejeita após enjoar é realmente perturbador. Não me refiro ao aborto que é feito com o intuito de salvar a vida da mãe, sabemos que isso existe e as vezes é necessário, entre duas vidas, as vezes é preciso escolher salvar apenas uma. Eu falo do descarte humano, tudo e por conta, de uma opção em não ter, da falta de desejo e vontade.

    A minha impressão as vezes, é que as pessoas seguem cada vez mais fugindo das suas responsabilidades. Toda a ação levanta consequências, assumir nossa responsabilidade e não fugir das implicações das nossas atitudes, é básico. Para tudo o que vamos fazer existe o bônus e o ônus, com isso, as vezes uma gravidez surge, como fruto de uma falta de cuidado, mas descartar um ser vivo, é deixar de assumir o ônus de uma ação.

    Não vivemos em um mundo de flores e tudo o que fazemos, traz uma certa consequência, as vezes boa e em outros momentos ruins ou complicadas. Aprender a aceitar, é a diferença daqueles que assumem a sua responsabilidade e fazem as coisas acontecerem.

    Por mais que seja complexo assumir e criar uma vida, já que há sempre muitos gastos, a nossa rotina realmente muda, contudo, a questão é que eu não creio que abortar seja a solução. Descartar um ser vivo, como se ele não fosse nada, é uma ação realmente injusta, ainda mais para aqueles que se dizem ser a favor da vida.

    Uma vida não é um produto, algo que perde o valor e você descarta, ou que você joga fora quando está atrapalhando. A vida é algo único, intrínseco e realmente importante. Impedir que um ser venha a vida, tudo e por causa das nossas atitudes incoerentes, é tratar uma dádiva de Deus, como um produto barato. O texto de Isaías nos dá um importante aviso:

    “Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo, doce e do doce, amargo” (Isaías 5:20).

    A inversão de valores tem sido grande em nossa sociedade, ela tem sido mestra em transformar algo que é ruim, em algo bom. O mundo tem transformado coisas vis em ações naturais e benéficas, atitudes realmente malignas em ações válidas e justas.

    A sociedade tem trocado Deus por seus pontos de vistas e seguem construindo ídolos semelhantes aos seus enganos!

    BIBLIOGRAFIA

    PETERSON, Jordan. 12 regras para a vida: Um antídoto para o caos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2018.

  • CRISTIANISMO RETRIBUTIVO

    A minha primeira oração, logo que eu levanto, é sempre de agradecimento. Aprendi a agradecer e a ser grato a Deus por tudo. Mesmo em momentos difíceis, é sempre possível agradecer. Carrego comigo um grande sentimento de gratidão, creio sempre que Deus em todas as situações é muito mais do que bondoso.

    Falar de cristianismo é discorrer sobre uma profusão de igrejas, teologias e ensinos, sendo que o cristianismo público que vemos a todos os momentos é justamente aquela religião que crê na fé retributiva. É um cristianismo que acredita em retornos, mediante uma fidelidade a Deus. Ter fé, fidelidade e obediência a palavra de Deus, garante retornos financeiros, segundo estes.

    Creio que hoje muitos estão vendendo um Deus retributivo, que por causa da sua fidelidade, recompensa as pessoas. É comum vermos sombras destas visões em várias postagens das redes sociais. Como se a fidelidade e o poder de Deus, fosse a certeza de que ele iria nos ajudar a prosperar. O cristianismo não é isso, seguir a Deus não é ter nossos desejos atendidos em todos os momentos.

    O cerne do evangelho, a base da fé é justamente entender que precisamos ser gratos porque ele nos salvou. As boas novas falam de salvação e de um Deus que morreu por nós na cruz. Nós merecemos a morte, mas Deus nos deu vida. O resto é consequência, Deus faz segundo a sua divina bondade. O apóstolo Paulo na Epístola ao Romanos diz:

    Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus (Romanos 3:23,24).

    Não duvido que Deus responda as nossas orações, mas eu sei bem que ele sempre faz a sua vontade, ele responde na hora que quer e faz o que soberanamente quer. Este é Deus, um ser que é poderoso, soberano e faz o que bem lhe apraz. E mesmo sem entendermos muitas vezes, a sua vontade sempre é a melhor.

    Uma relação retributiva é muito contraditória, visto que ela se agarra muito mais nas obras, no fazer, em ser fiel para receber, do que na graça. A real vida cristã é baseada na obediência, em seguir a Deus e aceitar a sua vontade entendendo que ele já fez muito pelas nossas vidas, que foi dar o seu filho em amor a nós. O resto são consequências.

    Quando eu cultivo um ponto de vista retributivo, o meu ponto de partida é o interesse, é ser fiel para ser atendido, e isso não é fidelidade. Agir em troca de algo é uma barganha, e não uma prática calcada no evangelho.

    Há um pouco mais de dois mil anos atrás, um Deus veio até a terra como um homem, escolheu alguns discípulos deixando desta forma, todo um legado de ensinos e lições e morreu por nós. A grande mensagem que ele deixou é que o ser humano merece a morte, mas Cristo morreu por nós em nosso lugar, ele nos deu vida e este é o maior, o principal feito que Deus fez pelo ser humano. Ele deu o seu filho para morrer em nosso lugar.

    O cerne do evangelho é este, nós fomos salvos pela graça, o resto são acréscimos, que falsos pastores incluem e oferecem as pessoas como se fossem mensagens do evangelho.

    Seguir a Deus com aquela mentalidade retributiva é diminuir um ponto fundamental do evangelho e transformar a vida cristã em uma relação de barganha e troca!

  • SANTO AGOSTINHO E O PROBLEMA DO MAL

    O mal é um tema muito falado tanto na teologia quanto na filosofia, sendo que entender de quem é a responsabilidade do mal, principalmente quando falamos de Deus, que é justo, poderoso e soberano, nem sempre é fácil. Muitos não aceitam as inúmeras explicações e acreditam ser contraditório o mal existir ao mesmo tempo que há um Deus bom, mas Agostinho meditou sobre o problema e ofereceu uma boa explicação para esta questão.

    Santo Agostinho, um pensador que nasceu em Tagaste em 354, foi um grande filósofo, que depois de convertido, teve como ênfase o estudo da Bíblia e da filosofia, tendo como principal influência a filosofia de Platão (MONDIN, 2018, p. 146-147).

    Após buscar respostas em muitos lugares sobre o problema do mal, enfim ele resolve este problema que o afligia há muito tempo. O primeiro ponto de partida de Agostinho para o problema do mal é a conclusão de que Deus é bom, além de soberano e criador de tudo, sendo inclusive a fonte única do bem, não existindo nada acima ou fora dele (GILSON, 2010, p. 271). Agostinho, no livro: “O livre-arbítrio”, pontua que:

     “E ninguém terá de Deus um alto conceito, se não crer que ele é todo-poderoso e que não possui parte alguma de sua natureza submissa a qualquer mudança” (1995, p. 29).

    Deus é imutável, além de eterno e poderoso, Ele não muda e muito menos sofre variações, somente o ser humano muda e sofre variações. É só alguém que não está pronto que sofre mudanças, quem é eterno e poderoso, não muda.

    O segundo ponto de partida de Agostinho foi concluir que, se o mal existe, ele tem um agente, e se é Deus que pune todas as injustiças e maldades, Ele não pode ser o autor do mal e ao mesmo tempo ser aquele que pune, sendo que se Deus pune, é porque o mal foi praticado voluntariamente por outra pessoa (2019, p. 25-26).

    Por fim, fechando a conclusão de Agostinho, ele conclui que o mal não existe ontologicamente, ele é apenas uma deturpação das coisas que são boas, ele é um “não ser”. Battista Mondin complementa acrescentando que:

    “Do exame das coisas que o homem denomina más, Agostinho chega à conclusão de que o mal não pode estar só, não pode subsistir, mas que deve existir em uma substância que, em si mesma, é boa. O mal é privação de uma perfeição que a substância deveria ter. Por isso, o mal não é realidade positiva, mas privação de realidade. Pode-se, pois, definir o mal como privatio boni (privação de [algum] bem) (MONDIN, 2018, p. 156)”.

    O mal não pode ter vindo de um Deus que é bom, e o mal também não é uma substância que existe e sim, uma privação, uma ferrugem no bem. Com isso, ele não existe, por ser uma privação ou a falta de algo.

    Entretanto uma pergunta ainda havia ficado por responder:  Qual é a motivação do mal? O que colabora para que ele exista? A conclusão de Agostinho foi que o mal existe por conta do livre-arbítrio. O mal tem a sua origem no uso incorreto do livre-arbítrio humano (FERREIRA, 2007, p. 132-133). Agostinho novamente complementa pontuando que:

    “Se o caminho da verdade permanecer oculto, de nada vale a liberdade, a não ser para pecar” (FERREIRA, 2007, p. 132).

    Sem Deus e a sua graça, a nossa liberdade acaba servindo apenas para pecarmos e nos distanciarmos de Deus. O homem pecador sem Deus, seguirá sempre em direção do pecado.

    Marcos Roberto Nunes da Costa, acrescenta um resumo em forma de cinco pontos para entendermos a dinâmica da responsabilidade humana e do livre-arbítrio, segundo Agostinho. Em primeiro lugar ele pontua que é o ser humano o único ser que tem a capacidade de pensar e refletir, por ser inteligente, ele julga, reflete e pensa. O segundo ponto é a constatação de que o ser humano é dotado da razão, o que o torna superior a toda a criação e aos animais. O terceiro ponto é que, se o ser humano é dotado com esta capacidade da razão, ele é o único ser capaz de ir em busca de respostas e de obter conhecimento. Os animais usam o seu instinto, mas o ser humano vive através da sua reflexão e da faculdade da razão. Em quarto lugar está o fato de que é no ser humano que a iluminação divina atua, fazendo-o ver a perceber Deus e a ordem que Ele estabeleceu em toda a criação. Em quinto e último lugar está o fato de que é o ser humano que conhece e assim, tem a capacidade de escolher. Optando por ser aproximar (ou não), de Deus, a fonte do bem e da felicidade. Sendo que estes pontos estão totalmente interligados, servem como um resumo do pensamento de Agostinho sobre esta questão (COSTA, 2012, p. 37).

    Um Deus bom não pode ser a fonte do bem e também o autor do mal. E se o nosso Deus é justo e é aquele que julga e pune, novamente, Ele não pode punir e ao mesmo tempo ser autor. A conclusão de Agostinho é que na vã tentativa de ser feliz, o ser humano usa o seu livre-arbítrio de modo errado, deturpando o que é perfeito.

    O mal não existe, ele na verdade é um “não ser”, uma ferrugem que deturpa e corrói as coisas boas. O mal é se afastar de Deus, a fonte única de todo o bem. Se afastar de Deus, é seguir em direção do mal, visto que nos afastamos do próprio bem.

    BIBLIOGRAFIA

    AGOSTINHO, Santo. A natureza do bem: O castigo e o perdão dos pecados: O batismo das crianças. São Paulo: Editora Paulus, 2019.

    AGOSTINHO, Santo. O livre-arbítrio. São Paulo: Editora Paulus, 2019.

    FERREIRA. Franklin. Agostinho de A a Z. São Paulo: Editora Vida Acadêmica, 2007.

    GILSON. Étienne. Introdução ao estudo de Santo Agostinho. São Paulo: Editora Paulus, 2010.

    MONDIN, Battista. Introdução à filosofia: problemas, sistemas, autores, obras. São Paulo: Editora Paulus, 2019.

    MONDIN. Battista. Curso de Filosofia. São Paulo: Editora Paulus, 2018.

    COSTA, Marcos. Roberto. 10 lições sobre Santo Agostinho. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2012.

  • CONHECIMENTO E ENFADO

    “Quanto mais se tem consciência da realidade, maiores são as chances da asfixiar a singeleza e o prazer” (CURY, 2006, p. 145).

    Costumo estudar todos os dias, em uma rotina que já virou um hábito consolidado em minha vida. Gasto a minha manhã toda lendo, estudando e escrevendo. Tenho uma imensa satisfação em cultivar este importante momento, pois gosto muito de aprender, me aprofundar e escrever.

    Aprender é muito gratificante, mergulhar no mundo do conhecimento ou mesmo da literatura, é sempre prazeroso. Embora eu tenha consciência que o excesso pode afogar o prazer e a capacidade de parar, meditar e admirar o belo. O autor de Eclesiastes já nos avisou sobre o excesso de conhecimento, por isso, é sempre bom tomar cuidado (Eclesiastes 1:18).

    Quanto mais conhecemos, mais vemos e percebemos as coisas. Quanto mais estudamos, mais notamos a miserável condição humana. Em um mundo onde habita o pecado, quem consegue ver de forma um pouco mais clara, não vê coisa boa.

    Por conta disso, eu sempre ensino meus alunos e amigos sobre a importância de parar. Praticar a contemplação, admirar o belo ou mesmo parar para ouvir uma boa música que é fundamental para recarregarmos as baterias e não sermos esmagados pelos excessos de atividades e pela vida real. A vida equilibrada, vivida com qualidade e coerência, é sempre a melhor. E sobre o equilíbrio, Abraham Joshua Heschel tem uma explicação bem inteligente sobre a vida e o equilíbrio, ele ensina que:

    “A vida é comparada a duas estradas: uma de fogo e outra de gelo. “Se você anda por uma, será queimado e, se anda por outra, será congelado. O que se deve fazer? Andar no meio”” (2014, p. 62).

    Manter o equilíbrio é a garantia de não colhermos resultados desastrosos e desmedidos. A vida fica um pouco mais simples e leve, quando cultivamos o equilíbrio.

    Gasto também um tempo lendo livros de literatura ou livros leves e descontraídos. Costumo mesclar livros de estudo e pesquisa, que normalmente são mais densos, com obras mais tranquilas. Assim arejo a cabeça e não transformo o hábito de estudar em uma tortura ou em uma frenética e ensandecida pratica de pesquisa e estudo. O hábito de leitura e estudo deve vir para somar em sua vida ao invés de descontruir ou destruir o prazer.

    Estudar, pesquisar e ler são hábitos ótimos, mas devem ser feitos com moderação e responsabilidade, pois um hábito desmedido, pode servir mais como desconstrução do que como construção do conhecimento. Aprenda a dar passos concisos, sem afobações e exageros, não podemos queimar etapas quando o assunto é construir conhecimento.

    Não afogue o prazer, e use o estudo como um caminho para o crescimento e não como uma âncora!

    BIBLIOGRAFIA

    CURY, Augusto. Os segredos do Pai-Nosso a solidão de Deus: Um estudo psicológico da oração mais conhecida do mundo. 1. ed. Rio de Janeiro: sextante, 2006.

    HESCHEL, Abraham Joshua. O schabat: Seu significado para o homem moderno. São Paulo: Perspectiva, 2014.

  • MANIPULAÇÃO DIRIGIDA

    Costumo ler notícias através de canais que dispõem de informações descentralizadas, ou seja, são meios de comunicação que não possuem propósitos políticos. E desde o dia que eu comecei com este hábito pude perceber, creio que de forma ainda mais clara, a manipulação da mídia e como vários veículos de comunicação usam a notícia como meio de manipular as pessoas.

    Quando falamos de mídias, falamos de um veículo de informação que leva ou deveria levar, a informação para todos. Hoje estes veículos, não levam informação, mas manipulação, notícias tendenciosas com o intuito de manipular a opinião das pessoas ao invés de informar.

    É interessante nos lembrar que algumas vertentes políticas não permitem opiniões, não há diálogo, apenas imposição. Por mais que estas pessoas lutem contra um inimigo que eles chamam de fascista, impositor e injusto, no fim, eles reproduzem o que afirmam combater. Tal fato ficou evidente na eleição de 2022 para presidente do Brasil.

    Cuidado com as notícias que você consome, porque elas influenciam sua opinião, ainda mais quando ela é oriunda de vertentes políticas que não dialogam. Opte por canais que passam a informação e caso queira ouvir alguma opinião, aprenda a ouvir os dois lados ou busque canais com notícias descentralizadas.

    O totalitarismo começa justamente com a gana de querer calar a todos, controlar o que as pessoas falam e combater qualquer tipo de opinião contrária. No livro Viagens aos confins do comunismo, Theodore Dalrymple narra a sua visita a Albânia no período em que o país era comunista e durante a sua narrativa, é realmente estarrecedor perceber como o governo buscou manipular as provas e modificar a sua história. Uma realidade que faz parte deste tipo de regime político.

    A vida é muito mais complexa do que imaginamos, ainda mais quando falamos de política ou discutimos soluções, que na maioria das vezes, não são simples. Uma boa parte dos problemas são complexos, não existe fórmulas políticas mágicas, por isso que as ideias precisam ser postas à mesa, respeitadas e discutidas.

    Não se permita ser manipulado por veículos que querem apenas controlar a sua opinião. Aprenda a refletir sobre o que é dito e ouvir notícias por mais de um canal. Ter uma real noção de como uma notícia é fundamental para termos um pensamento crítico sobre inúmeros assuntos e ainda mais quando falamos sobre temas políticos importantes, é um importante ponto de partida.

    Quando você começar a buscar notícias descentralizadas, você percebe como muitos temas são mais complexos do que imaginamos e algumas opiniões nada mais são do que conclusões que tais canais querem que as pessoas tenham.

    Saia desta caverna e não permita que você seja manipulado!

  • SEDE INSACIÁVEL

    “Aprenda a maravilhosa verdade de que crescer em qualidade de vida significa reduzir o desejo pelas coisas materiais, e não o contrário” (FOSTER, 2008, p. 180).

    Vivemos tempos onde o excesso é exaltado. Quem tem muitos bens ou mesmo aquele que trabalha muitas horas é visto como alguém de sucesso. Como se a quantidade fosse sinônimo de sucesso.

    O exagero quase sempre revela uma falta, nem que seja de controle, que já é um problema bem grande. Quem não sabe se contentar com o que tem, demonstra principalmente a incapacidade de se satisfazer com as suas coisas, levando este individuo a buscar cada vez mais, sem parar, por coisas inúteis, sem realmente aproveitar o que tem de forma real.

    A simplicidade voluntária ou mesmo a prática de ter uma vida comedida, nos ensina a sermos gratos com o que temos, impondo alguns limites aos exageros. Estes limites nos levam a frear os impulsos de apenas querer ter, nos ensinando a refletir, pensar e desfrutar do que Deus nos deu.

    Parece-me que junto com o dinheiro e a capacidade de adquirir as coisas que o dinheiro ou o crédito fácil traz, vem também aquela sede insaciável. E tal sede, quando não controlada, nos leva a inconstante e ávida busca sem fim.

    A vida simples nos traz para o hoje, os limites nos levam a aproveitarmos o que temos e de quebra, sermos gratos. Mais uma vez, como eu sempre busco deixar claro quando falo de simplicidade voluntária. A intensão deste estilo de vida não é viver uma vida pobre, com faltas e sim, não viver a miserável vida consumista, calcada apenas em ter.

    Muitas vezes a sociedade nos faz termos necessidades de coisas que não precisamos, o consumista cai justamente neste erro. Mas quando você delimita limites, aprende a parar e refletir, fugindo assim dos exageros, você consegue caminhar de forma diferente. É só desta forma que manteremos nossos pés no chão, desfrutando realmente das coisas ao invés de vivermos para o ter ou para acumular cada vez mais objetos.

    A qualidade de vida está ligada muito mais a satisfação, em saber o que nós realmente queremos e não em termos muitas coisas. Ao reduzir os desejos e o consumismo desenfreado, aprendemos a aproveitar, a desfrutar realmente do que temos.

    Talvez você não saiba o quão maravilhoso é poder realmente usufruir de algo, o quanto aproveitar não é ligado a palavra posses. O equilíbrio te mostra todas as coisas que são importantes e as que não precisamos em nossa vida. É triste perceber como muitos correm e gastam o seu tempo indo atrás do que não precisam. Eles tapam a visão das coisas fundamentais com inúmeras bugigangas e depois, não entendem o seu sentimento de vazio e de falta de propósito.

    Cultive o equilíbrio, aprenda a valorizar as coisas que são importantes e fuja do consumismo, antes que ele consuma a sua paz!

    BIBLIOGRAFIA

    FOSTER, R. A liberdade da simplicidade: encontrando harmonia num mundo complexo. São Paulo: Editora Vida, 2008.