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  • HIPOCRISIA ON-LINE

    Eu sou um indivíduo bem desconfiado quanto aos conteúdos da internet. Desconfio da bondade online ou de salvadores que usam a publicidade e precisam anunciar os seus feitos, com intuito de gerar engajamento. Normalmente o motivo é apenas este, o que se torna um grande problema.

    Creio na bondade silenciosa, no bem praticado com a intenção de ajudar realmente alguém e não, nas atitudes feitas para gerar likes. Luiz Felipe Pondé fala algo realmente verdadeiro sobre a moral pública, quando ele diz que:

    “A substância da moral pública sempre foi a hipocrisia, portanto não há nada de novo em se tentar fingir virtudes que não se tem” (2016, p. 127).

    A motivação da moral pública sempre foi questionável, sendo que o ponto de partida, em uma boa parte das vezes, é a hipocrisia. Em um mundo onde conseguir engajamento é a prioridade, a hipocrisia termina por ser o melhor combustível. Vender uma imagem para gerar likes e engajamento nas redes sociais é se vender, usando o próximo como escada. É usar o problema do seu semelhante como trampolim para conseguir visualizações.

    O bem verdadeiro, aquele feito para ajudar realmente os outros, não precisa de marketing visto que o ato em si é a principal motivação. A atitude já possui o seu significado próprio, que é ajudar alguém e ponto final. O bem público, já tem outro objetivo, que é espalhar aos quatro cantos do mundo, como alguém parece ser bom, sendo que isso não é bondade e sim, atuação, é um papel que alguém escolhe interpretar em nome de algum lucro.

    Já participei que várias ações de igrejas, desde distribuir alimentos para moradores de ruas, até roupas e assistência pessoal, sendo que em tais ações, em momento algum foi usado o marketing. O propósito era levar a palavra de Deus e também um pouco de dignidade as pessoas. A bondade não faz alarde, ela é silenciosa e discreta.

    Existem inúmeros heróis que dedicam a sua vida para ajudar o próximo, são anônimos que ajudam, sem querer outra coisa em troca. Não há segundas intenções, apenas o sincero desejo de ajudar. Já a moral pública vende um serviço e faz uma troca. É a ajuda, em troca de visualizações.

    Portanto, desconfie sempre da moral pública e daqueles vídeos que as pessoas postam para apenas mostrar como elas são boas. Na maioria das vezes tais ações são atuações, mesmo que a pessoa afirme que está divulgando o vídeo apenas para influenciar as pessoas e levarem elas a fazerem o mesmo, pois os motivos normalmente não são estes.

    O bem é discreto e não aguarda segundas intenções, a mão que você estende, não precisa de visualizações e muito menos likes. Ou você faz o bem pelo bem, ou a atitude será apenas um afago no seu ego

    BIBLIOGRAFIA

    PONDÉ, Luiz Felipe. Filosofia para corajosos. São Paulo: Planeta, 2016.

  • O SCHABAT JUDAICO E A REVERÊNCIA

    Não é tão difícil transformarmos coisas importantes ou mesmo sagradas, em banais. Com o tempo a Bíblia sagrada vira um simples livrinho e o culto uma reunião comum, onde nós precisamos apenas cumprir um protocolo. Em nome de deixamos o ambiente cristão menos formal, uma atitude que eu acredito ser muito positiva, terminamos por perder a reverência por aquelas coisas que são essenciais. E este é um dos desafios da vida cristã.

    Gosto muito de ler sobre outras religiões, tenho uma curiosidade em tentar entender o porquê alguém segue determinada fé. E o judaísmo é uma destas religiões que têm muito a nos ensinar e neste texto, eu quero falar um pouco sobre o Schabat e de uma lição indispensável que podemos aplicar em nossa vida.

    O Schabat tem o seu início em Gênesis (2:1-3), quando Deus criou o mundo em seis dias e separou o sétimo para descansar. Sendo que o sétimo dia seria um dia sagrado, conforme o texto Bíblico informa (Gênesis 2:3). É neste texto que o Schabat tem a sua origem, é por isso que para um Judeu o sábado é um dia sagrado, visto que a própria Bíblia diz que o descanso e o culto a Deus são fundamentais. Abraham Joshua Heschel explica que ao invés de Deus criar um local Santo ou um objeto Santo, ele separou um dia, um tempo que seria consagrado (HESCHEL, 2014, p. 17).

    Uma mente um pouco mais mística esperaria que Deus estabelece um local ou uma pedra do poder, mas ele separou um tempo. Sendo que foi apenas em um momento depois, após o povo ter adorando o Bezerro de ouro, que o tabernáculo foi erigido e a santidade tomou lugar também do espaço, conforme explica Heschel (2014, p. 17).

    Heschel pontua que em primeiro lugar veio a santidade do tempo, quando Deus instituiu o sábado para o descanso, em segundo lugar veio a santidade do homem, quando Deus escolheu um povo e os fez Santos, depois veio a santidade do espaço, quando Moisés construiu o Tabernáculo (Números 7:1) (2014, p.17-18). Heschel complementa explicando que:

    “O significado do Schabat é, antes, o de celebrar o tempo, e não o espaço. Seis dias da semana vivemos sob a tirania das coisas do espaço; no Schabat tentamos nos tornar harmônicos com a santidade do tempo” (2014, p. 19).

    Neste sentido podemos aprender muito com o Schabat, visto que, nós cristãos erramos muito quando muitas vezes não separarmos o devido tempo para Deus, seja para orar ou estudar a palavra. Diante disso, seguimos abandonando o que é essencial pelo caminho e aderindo as coisas que não são tão fundamentais.

    Não quero com este texto defender a ideia de que precisamos guardar o sábado, continuo crendo que a lei foi ressignificada (Gálatas 2:15-16, 3:10-14), não somos salvos pela lei e sim pela graça, mas o Schabat nos mostra o quão importante é separarmos o nosso momento com Deus, para falar com Ele e estudar a Sua palavra. Por mais que um cristão não guarde o sábado, isso não significa que não deveríamos ter o nosso tempo com Deus bem estabelecido, para assim não negociamos um momento muito rico e essencial, por migalhas do mundo.

    Cumprimos as nossas demandas, somos pontuais no trabalho ou com as nossas coisas, mas muitas vezes esquecemos das coisas de Deus. Trocamos o que é eterno, pelas coisas terrenas. E é neste sentido, que os Judeus podem muito nos ajudar. A prioridade deles com a sua fé e com o estudo da Torá, é realmente impressionante.

    É fácil trocarmos o que é prioritário, por coisas secundárias, fazemos isso sem ao menos perceber. E é neste momento que eu fico constrangido com a reverência e com o compromisso que a maioria dos judeus tem e envergonhado com os cristãos. Ao ler este livro do Abraham Joshua Heschel eu percebi como o Schabat, neste mundo que prioriza tudo, menos o indivíduo, pode virar um princípio, uma ferramenta para não esquecermos de priorizar Deus.

    Não precisamos guardar o sábado, mas podemos aprender a separar um tempo para as coisas que são essenciais para a nossa fé. Precisamos aprender a termos reverência com as coisas de Deus, buscando sempre, colocar como prioridade o nosso tempo com Ele. Lembrando de uma coisa que eu sempre falo: “Ninguém tem tempo, sendo que o tempo é uma prioridade”. Por isso, separe um tempo, não se esqueça de Deus.

    BIBLIOGRAFIA

    HESCHEL, Abraham Joshua. O Schabat: Seu significado para o homem moderno. São Paulo: Perspectiva, 2014.

  • LITERATURA CRÍTICA

    “Quem controla o passado”, diz o slogan do Partido, “controla o futuro: quem controla o presente controla o passado” (ORWELL, 2021, p. 38).

    Alguns livros possuem o poder de nos transportar para outros lugares, de fazer críticas e observações a realidade de um modo muito mais artístico, mas igualmente ácido e direto. O livro 1984 é um deles, revelando uma sociedade “fictícia” marcada pelo totalitarismo e a opressão. Nada tão diferente do que o comunismo já fez na vida real. É interessante perceber como um dos slogans do livro resume um pouco a contradição que tais regimes autoritários buscaram fazer, como bem pontua Orwell em sua história:

    “Guerra é paz

    Liberdade é escravidão

    Ignorância é força” (ORWELL, 2021, p. 11).

    Ao estudarmos sobre o comunismo, perceberemos justamente a presença destes três elementos. A guerra, em nome de combater um inimigo injusto e opressor é sempre o ponto de partida deles. Por isso que a guerra em nome da tal paz é sempre justificada. A estratégia de discurso que monta um inimigo, escondendo informações, para validar um monte de barbáries já é velha. E a parte complicada é que qualquer um que discorde, já vira um potencial inimigo. Conviver com o contraditório não é uma habilidade do comunismo.

    Liberdade é escravidão, pontua justamente outra característica dos governos totalitários que é impor, por isso que, justificar a imposição com a escravidão velada (ou não), ensinando que aquela realidade é a melhor para ela, é a única forma de manter este estilo de regime em pé. E ignorância é a força, termina sendo a única forma de fazer com que as pessoas não aprendam a serem cidadãos críticos, trazendo assim, problemas ao governo. O conhecimento nos faz mais críticos, por isso que, para manter tal realidade, a ignorância deve ser cultivada.

    É comum vermos a história ser manipulada em nome de um ideal político. Geralmente quem conta a história, em um lugar onde o contraditório não existe, fala discorrendo apenas de um lado, focando em encontrar culpados e fugindo de suas responsabilidades.

    Em tenho um certo medo tanto da ganância do capitalismo, que em nome do poder destrói, consome e manipula. Mas também do comunismo, que com um discurso montado, responsabiliza os capitalistas, os burgueses e imperialistas por tudo. Sendo que no final, calar a oposição, termina sendo justificado, já que o cenário que eles pintam já explica tais ações.

    A liberdade é tudo, ela não tem preço e a consciência de que a maioria dos problemas não são simples, deve ser o ponto de partida de uma pessoa centrada. Se você pesquisar vai perceber como ideias simplistas, já causaram muito caos. A maioria dos problemas exigem muita reflexão para serem resolvidos.

    Temo qualquer tipo de poder que tenta calar uma opinião. Não concordo com tudo, mas também não acredito que a oposição deve ser calada.

    BIBLIOGRAFIA

    ORWELL, George. 1984. 1. ed. São Paulo: Lafonte, 2021.

  • O AMOR COMO PROVA DA LEGÍTIMA CONVERSÃO

    “Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor”. (Referência: 1João 4:7-21).

    Cresci em um ambiente cristão e desde pequeno frequentei a igreja, contudo, apesar disso, o que eu via onde frequentava era muito mais hostilidade do que amor. Nada diferente de hoje, onde muitos sem escrúpulo algum julgam, condenam e ofendem seus irmãos e também quem não é cristão. O resultado você vê nas ruas, onde pessoas sem pestanejar, muitas vezes classificam os cristãos de intolerantes, porém, este é um problema pequeno, visto que, a Bíblia fala palavras muito mais duras a quem não ama o próximo.

    Primeiro, quero pontuar o que é “amor”. Em meio a tantas definições, temo que estejamos perdendo o verdadeiro sentido que a palavra traz. Amar não é sentir e sim uma atitude, amar é mais do que ter uma vontade e sim fazer, apesar da falta de vontade. Amor em grego “ágape”, significa: Amar alguém ou algo com base num profundo apreço e na alta consideração para com este algo ou alguém, amar é tratar com afeição o próximo (LOUW; NIDA, 2013, p. 263). Com estes significados de amor, não fica difícil entender o que o texto nos manda fazer. Ágape é o amor de entrega, o amor que se doa e faz algo para o outro.

    Em grego temos vários tipos de amor, aqui nesta passagem de João, a palavra Ágape, que é o amor divino, incondicional, de um Deus que nos ama, apesar de quem somos, é um amor que não espera nada em troca, que nos leva a amar, apesar do próximo, é mais uma atitude do que um sentimento. O texto de João nos manda amar uns aos outros e ainda de lambuja, nos dá o motivo pelo qual devemos amar:

    Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor” (v. 8).

    É impossível servirmos a um Deus de amor, sem também amarmos, está é uma incoerência muito grande. É por isso que considero o amor uma das provas da legítima conversão, afinal, se nos entregamos ao Deus de amor, como resultado de sermos tocado por Ele, nós também devemos amar. Um outro versículo deste mesmo texto diz algo muito importante:

    “Se alguém afirmar: “Eu amo a Deus”, mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (v. 20).

    O texto nos dá mais alguns ótimos ensinos, mas vou me concentrar apenas nestes dois: “O amor vem de Deus” e “quem ama a Deus ama o próximo”. É impossível dizermos que amamos a Deus, que não vemos e odiarmos nosso irmão, a quem nós vemos. É interessante como John Stott coloca esta questão:

    “Amar é sacrificar a si mesmo para servir aos outros; e onde não existe nem sacrifício nem serviço não existe amor” (STOTT, 2004, p. 144)

    Não é fácil amar, suportar o próximo, ou amar nosso inimigo, como Cristo mandou (Mateus 5:44), mas amar é justamente passar por cima de nossos orgulhos e sentimentos, com isso, a máxima: “amar os nossos inimigos” faz sentido. Afinal, amar não é sentir, é fazer. John Stott faz mais uma pontuação interessante sobre o tema:

    “Sé nós amamos verdadeiramente as pessoas vamos respeitar seus direitos, desejar o seu bem e empenhar-nos em prol do seu bem-estar. (STOTT, 2004, p.155)

    Amar é o segredo da vida cristã, que junto com esta atitude acaba gerando também, respeito, amizade e empatia. Lawrence Richards otimamente acrescenta:

    “O amor não usa vendas para descartar alguns e se concentrar em outros. Quando o amor nos toca, toda nossa personalidade é afetada. Vemos a Deus, sentimos seu amor e somos atraídos a ele. Nós vemos as pessoas pela primeira vez. Vamos ao encontro dos outros para tocar e nos importar. O amor nos transforma” (RICHARDS, 2013, p. 1236).

    João (3:16) diz que Deus amou tanto o mundo que deu o seu filho para morrer por nós, pecadores e ingratos. Tamanho amor, tamanha entrega e é assim que devemos agir com o próximo. Amar nossos irmãos, ou quem nos rodeia, é a prova da legítima conversão, é a consequência de seguimos o Deus de amor e praticamos seus mandamentos. 

    Por isso, avalie a sua vida, pontue a sua atitude e verifique se há nela aquele amor que a Bíblia menciona. Se você não ama, pode estar no caminho errado, pode estar seguindo muito mais um ponto de vista, do que o real ensino da palavra.

    Quando somos amados, nós amamos, nossas atitudes transbordam aquele mesmo amor que Deus teve por nós!

    BIBLIOGRAFIA

    LOUW, Johannes.; NIDA, Eugene. Léxico Grego-português do Novo Testamento. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2013.

    RICHARDS, Lawrence. Comentário Bíblico do Professor: Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse. São Paulo: Editora Vida Acadêmica, 2013.

    STOTT, John. Firmados Na Fé. Curitiba: Editora Encontro, 2004.

  • O PERIGO DA EVANGELIZAÇÃO NÃO BÍBLICA

    “A evangelização não bíblica é um método de suicídio assistido da igreja; assim, há muito em jogo ao compreendermos corretamente a evangelização” (STILES, 2015, p. 45).

    Eu acredito que a evangelização é o caminho natural que uma igreja centrada na palavra acaba tomando. Principalmente quando ela tem o foco certo para assim, obter resultados coerentes.

    O foco da evangelização não deve ser aumentar o número de membros da igreja ou divulgar uma denominação e sim, levar a palavra da verdade a todas as pessoas. Mas é fácil cairmos no equívoco, caso estes pontos não estejam bem claros.

    E a prioridade em ensinar em uma evangelização é muito mais que pregar uma moral ou costume, como as vezes vemos por aí. É pregar o evangelho e mostrar uma vida centrada na palavra. É perigoso pregarmos costumes e atitudes de acordo com uma moral, pois além da verdade não estar sendo pregada, uma pessoa nunca vai olhar para si e perceber a sua miséria e quem ela realmente é sem Deus. A vida cristã é muito mais do que costumes ou uma vida ética, é uma maneira de ser alicerçada na palavra de Deus.

    Tudo começa pela Bíblia, pelo ensino e discipulado, está é uma parte importante e não é porque alguém aceitou Jesus lá na frente de igreja, que o trabalho em sua vida está encerrado. Na verdade, é neste ponto que o trabalho começa e o ensino deve ser efetivo.

    A evangelização na bíblica foca no agora, em número de pessoas, em quantidade, a evangelização bíblica tem o seu foco no ensino e no discipulado, que é uma parte importante do evangelismo. Jesus nos mandou irmos e fazermos discípulos (Mateus 28: 19-20), ou seja, vá e ensine, caminhe com as pessoas e mostre o evangelho de forma prática.

    Sem ensino não há evangelismo, se uma pessoa não aprender sobre o evangelho, a ação terminará sendo apenas emocional, gerando membros que não entendem o básico do que é ser cristão.

    Toda a vez que alguém que diz ser cristão segue com práticas ou conceitos que estão distantes da Bíblia, eu me lembro da importância de estudar a palavra e constato como muitas vezes a igreja está errando nisso.

    Evangelizar tendo em mente apenas números, só traz volume para dentro da igreja. Mas quando evangelizamos e ensinamos as pessoas a palavra da verdade, temos cristãos comprometidos com o evangelho.  

    BIBLIOGRAFIA

    STILES, J. Mack. Evangelização: como criar uma cultura contagiante de evangelismo na igreja local, 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2015.

  • O PREÇO DA TECNOLOGIA: A IMPORTÂNCIA DA SOLITUDE PARA A VIDA CRISTÃ

    “É inegável! Há um ar de cansaço nos olhos das pessoas em qualquer lugar do planeta” (PARAIZO; FALCÃO, 2021, p. 35).

    Acredito existir um limite entre preocupação e responsabilidade, os nossos objetivos e o desgaste mental. E entre um plano e outro, o ser humano segue se perdendo. Por isso, é importante cultivar disciplina para sair da zona da estagnação, com o intuito de avançar um pouco mais na carreira e no conhecimento, mas também para aprender a parar, acalmar a mente e tirar um tempo para meditar. Existe, ou deveria existir, uma divisa que ser humano nenhum deveria ultrapassar, contudo, eu creio que ele já está há algum tempo ultrapassando.

    Seguimos cansados, desgastados pelos excessos de estímulos. Preocupados com o que vai vir ou com os resultados que deveriam acontecer, enquanto a saúde fica pelo meio do caminho como se ela não fosse necessária.

    Em tempos tecnológicos a ansiedade e a depressão viraram males comuns, enquanto a solitude, a contemplação e a busca pela paz e tranquilidade, vira lembranças de dias obsoletos. Bom mesmo é estar hiperconectado, atento a tudo e a todos e cumprindo a famosa lista de objetivos do dia.

    Sonhávamos e ficávamos maravilhados com o futuro que os filmes desenhavam para nós. Carros que voavam, vídeo conferência e informações a todos os momentos, eram coisas que nos deslumbrávamos. O que ninguém imaginava eram as consequências destas tecnologias. Sendo que hoje, estamos colhendo algumas delas.

    A Bíblia narra inúmeros momentos onde Cristo se retirava para orar (Mt 18:23; Mc 1:35; Lc 6:12). E uma missão como a dele, com os embates e perseguições que ele sofreu com a religião da época, pedia um bom tempo de solitude e oração. A solidão saudável, conforme pontua Marcos Kopeska Paraízo e Guilherme Falcão, é um hábito fundamental para quem busca cultivar um pouco de saúde:

    “É natural que queiramos desfrutar de períodos de retiro e recolhimento. Esses momentos são verdadeiros refrigérios para nossas mentes; eles, são o que poderíamos chamar de “solidão saudável”. É o que Jesus buscava quando deixava as multidões para estar sós com o Pai” (PARAIZO; FALCÃO, 2021, p. 42).

    Não há problema algum com a tecnologia, só não podemos nos esquecer daqueles conceitos e lições que estamos deixando para trás, como se fossem temas arcaicos. E buscar a solitude, cultivar a solidão e a oração meditativa, sem pressa, separando realmente o nosso tempo com Deus são coisa essenciais para a fé, são pontos que transcendem o tempo, são hábitos que precisamos manter vivos em nossa vida.

    Além de nos deixar mais próximos a Deus, tais práticas nos obrigam a parar, meditar e ter um tempo de relaxamento. Aprenda a se desconectar em um período do seu dia, para desta forma conseguir se conectar com Deus, ler e estudar a Bíblia ou mesmo ter um tempo de reflexão e meditação.

    O ser humano tem perdido tais práticas e vivido no impulso, sendo guiado pelas notificações e incansáveis estímulos. Aprenda a estimular a mente com outras práticas, com hábitos muito mais saudáveis e que trará a você mais crescimento, seja espiritual, bíblico ou crescimento intelectual.

    Ou aprendemos a nos desligar ou o nosso hábito de estar sempre conectado afetará a nossa vida e saúde. Não siga o senso comum, aprenda a ter momentos de crescimento e relaxamento, unindo as práticas cristãs que são fundamentais, como a leitura, estudo da Bíblia e oração, em conjunto com um período de solitude e meditação.

    Lembrando que a saúde é uma prioridade e prioridades são escolhas, por isso, escolha o que é saudável!

    BIBLIOGRAFIA

    PARAIZO, Marcos Kopeska.; FALCÃO, Guilherme. Enfrentando e superando a depressão. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 2021.

  • REVOLUÇÃO OU OPRESSÃO

    A história nos mostra como muitas revoluções durante a história, realmente mudaram os rumos da sociedade. Estes eventos dividiram em antes e depois a história de muitos países e em alguns casos, também do mundo. Poderíamos listar inúmeras delas, mostrando como a história é marcada por tais momentos.

    A revolução Gloriosa, por exemplo, que aconteceu na Inglaterra em 1688, colocou abaixo o absolutismo no país e instaurou a monarquia constitucional. A Rebelião dos Boxers foi um movimento de cunho anticolonialista na China em 1899, em um tempo de muito caos e destruição no país. A Revolução Francesa em 1789 é a principal, promovendo modificações no governo e cultura do país, sem contar com a Revolução Socialista na Rússia, entre tantas que aconteceram e marcaram a história.

    Algumas histórias revolucionárias são curiosas, pois elas surgem mostrando o levante de quem não concordava com o opressor ou com um sistema político. Sendo que muitas delas, mostraram a mão opressora destas revoluções, visto que a maioria dos levantes se mostraram ainda mais cruéis. No final, o desafio termina por conseguirmos definir quem era o opressor ou não, sendo que no frenesi de derrubar um regime opressor, fazia-se muito mais opressão. Alguns afirmam que este é o preço da revolução e o caminho da mudança. Mas eu não estou tão certo sobre tais informações.

    Eu gosto muito do livro: “O caminho para Wigan Pier”, de George Orwell. Uma obra onde o autor retrata a realidade dos trabalhadores humildes da mineração de carvão. É impactante ler e perceber, que as condições de trabalho destes homens eram realmente deploráveis, trabalhavam sem quaisquer condições saudáveis de trabalho. Além, é claro, de não conseguirem ganhar o suficiente para uma vida digna. O livro não é de ficção e sim, uma espécie de reportagem que o autor fez nestes locais.

    A parte realmente profunda do livro é a crítica que o autor faz ao socialismo, mesmo sendo ele um socialista. Ele mostra as inúmeras contradições do movimento, mostrando toda a hipocrisia e incoerência dos socialistas da sua época. No final, a luta a favor destes proletários era apenas uma desculpa para derrubar os ricos. Eles não gostavam dos pobres, apenas odiavam os burgueses, esta era uma verdade que o autor e nós, ainda hoje percebemos ao vermos alguns militantes se posicionarem contra o capitalismo. Orwell resume bem o socialismo do seu tempo e também do nosso resumindo que:

    “A verdade é que, para muitas pessoas que se dizem socialistas, a revolução não significa um movimento de massas ao qual elas esperam se associar; significa um conjunto de reformas que “nós”, os inteligentes, iremos impor a “elas”, as ordens inferiores” (2021, p. 148).

    Muitas revoluções tornaram-se movimentos opressores. Em meio a caça aos opressores, o oprimido terminou por virar o opressor. Temos muitos exemplos que provam que o comunismo é contra a liberdade. Ou você concorda com os inteligentes, com a “boa opinião” que é sempre do outro e nunca sua, ou você é calado a força.

    Esta é uma realidade visível em muitos regimes comunistas, que em muitos casos, caçaram até os seus que discordavam deles. Por isso, quando eu vejo alguns com este tipo de pensamento se organizarem, fico bem receoso.

    Temo pela falta de liberdade e por toda a injusta imposição que a história nos mostrou. O próprio diálogo com pessoas que pensam assim, se torna inútil, visto que estes insistem em impor a sua forma de pensar com isso, não há diálogo algum.

    O ser humano é um misto de contradição e falta de percepção de si e nos outros. Por isso que, diante de levantes e manifestações, me abstenho de opinar. Ao mesmo tempo que impor e seguir, construindo uma revolução, se torna complicado. Tudo que é imposto é complicado e termina por ser injusto, mesmo que a motivação tenha sido boa.

    Dialogar é sempre o melhor caminho, a questão é que poucos seguem realmente por esta estrada. A intensão pode ser até dialogar, mas o diálogo nunca acontece.

    BIBLIOGRAFIA

    ORWELL, George. O caminho para Wigan Pier. 1. ed. São Paulo: Lafonte, 2021.

  • SIMPLICIDADE CRISTÃ: LER A BÍBLIA

    Existem inúmeros costumes que a igreja cristã inventa e que acabam caindo na moda. E muitos deles não são nem úteis, mas os cristãos fazem como se fossem práticas importantes ou mesmo espirituais, deixando de lado outras práticas muito mais essenciais para a vida cristã.

    Ler a Bíblia em um ano é um destes costumes cristãos, que é praticado como algo espiritual. O problema é que ler por ler, sem o estudo e a meditação na palavra, termina por ser um costume pelo costume, que não traz qualquer crescimento a quem pratica.

    Veja bem, é legal ler a Bíblia em um ano, caso você nunca tenha tentado é um bom desafio, mas só isso ou ficar apenas nisto não é o suficiente. Buscar ler e meditar na palavra é uma prática muito mais profícua que apenas ler de forma rápida para cumprir um cronograma. O texto de Josué diz:

    “Não deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está escrito. Só então os seus caminhos pros­perarão e você será bem-sucedido” (Josué 1:8) (NVI).

    Meditar é refletir, é pensar no que Deus quer falar conosco através de sua palavra. Quando fazemos isso conhecemos mais a sua vontade e nos aproximamos mais Dele, sendo que isso não pode ser feito sem tempo e reflexão. É uma ação que envolve muito mais do que apenas leitura.

    A Bíblia é a palavra de Deus, ela é a nossa bússola e é apta a nos guiar e a fundamentar a nossa vida, por isso que precisamos muito mais do que apenas ler a palavra. É importante conhecer, meditar e refletir em cima do texto, buscando tirar o máximo de proveito.

    Eu normalmente leio a Bíblia com calma, busco sem pressa alguma meditar e aprender com ela e em alguns momentos, se eu acho necessário, repito a leitura do capítulo novamente no outro dia. Não há segredos, nem fórmulas mágicas e sim, a leitura dedicada e o estudo compromissado. Sendo que a missão com a minha leitura e estudo bíblico não é contabilizar o quanto eu li e sim, aprender e crescer com os ensinamentos que a Bíblia tem a me oferecer.

    Por isso, mude a sua forma de ler a Bíblia, aprenda a ler com calma com o intuito de crescer em conhecimento. Muito mais do que apenas ler, buscar estudar e meditar, visto que precisamos conhecer e crescer com a palavra que transforma a nossa vida, é o único caminho.

    Se você lê a Bíblia e não se lembra das lições que a palavra tem a oferecer a sua vida, você está lendo a palavra de Deus de forma errada. Mais do que apenas ler, precisamos aprender e assimilar o que a palavra de Deus quer nos ensinar.

    Mistificaram a leitura bíblica de uma forma que, muitos leem a Bíblia em um ano, mas seguem sem fundamentos para a sua fé. São estes que não possuem critérios bíblicos ao ouvir pastores e seguem aceitando doutrinas que não são bíblicas. Um conhecido Salmo nos ensina uma prática fundamental:

    “Guardei no coração a tua palavra para não pecar contra ti” (Salmos 119:11) (NVI).

    E guardar é reter, é ter em nossa mente a palavra que nos guia, auxilia e nos ajuda a vivermos uma vida reta!

  • FREQUENTADORES DE IGREJA

    “Sempre haverá pessoas nas igrejas que parecerão crentes, e por isso é tão importante que continuemos a proclamar o evangelho” (STILES, 2015, p. 106-107).

    Mack Stiles.

    Nasci em um lar cristão, com isso, ir à igreja era uma das nossas rotinas. Era importante ir todos os domingos adorar a Deus e cantar louvores a Ele. O domingo tinha como prioridade a igreja e todos os seus eventos.

    Frequentar os cultos na igreja, não é ser cristão, faz parte do cristianismo a comunhão e ir aos cultos, mas isso não define um cristão e sim, como ele vive e como ele imita a Cristo. Ser cristão é seguir a Jesus, é aprender sobre o evangelho e viver este ensinamento, por isso que, ensinar sempre e a todo o momento, deve ser uma das grandes prioridades da igreja.

    Entender que nem todos os que frequentam a igreja são realmente cristãos, nos leva a ensinar, discipular e acompanhar estas pessoas. Frequência em culto, nunca determinou se alguém é ou não temente a Deus e sim, o seu comprometimento com Deus e com a sua palavra.

    Nós não conhecemos o coração das pessoas, muito menos podemos saber se suas atitudes são genuínas ou são apenas ações de alguém que quer parecer religioso. Às vezes em meio a massa, é comum agirmos da mesma forma, para não nos sentirmos diferentes.

    Eu mesmo quando novo, gostava de ir aos cultos, a música e as amizades me agradavam, mas eu não vivia o evangelho, eu era apenas um frequentador. Eu não orava, muito menos lia e entendia a Bíblia, e fui ter um encontro real com Deus muito tempo depois, quando comecei a aprender sobre o evangelho.

    Ensinar, fazer discípulos, deve ser uma das prioridades da igreja, principalmente porque não sabemos se alguém é cristão ou um frequentador. Mas quando priorizamos o ensino, e buscamos acompanhar a pessoa, podemos ter um resultado muito mais efetivo, visto que a pessoa está aprendendo sobre o verdadeiro ensino, sobre o que realmente é ser cristão.

    Em um país religioso, é comum vermos cristãos não praticantes ou mesmo, cristãos que vão a igreja apenas por ser o costume da família. É normal alguém ir apenas por habito familiar ou mesmo, por se sentir bem, gostar da música ou pelos amigos, como aconteceu comigo. 

    Ensinar deve ser a nossa prioridade, entender que o processo não acaba quando alguém aceita a Jesus é ter em mente o real processo que deve acontecer na vida das pessoas. Sendo que esta é uma responsabilidade da igreja.

    Precisamos tirar da cabeça que um frequentador é um cristão, e ensinar sempre e muito. Principalmente quando a pessoa é nova convertida, o que pode ter acontecido por uma ação genuína, ou emoção, não é possível saber, por isso que, mais uma vez, ensinar deve ser a nossa prioridade.

    É através do ensino que o evangelho entrará no coração das pessoas!

    BIBLIOGRAFIA

    STILES, J. Mack. Evangelização: como criar uma cultura contagiante de evangelismo na igreja local, 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2015.

  • O PODER DA GRATIDÃO

    “A gratidão é poderosa e catalítica. Ela tira das emoções negativas o oxigênio de que precisam para sobreviver” (MCKEOWN, 2021, p. 68).

    Em um período da minha vida, parecia que tudo o que eu fazia, dava errado. A minha carreira profissional, banda e todas as outras áreas da minha vida, pareciam seguir estagnadas, eu não entendia o motivo. Mas em um determinado dia, depois de um período de oração, meio que brabo com Deus e com um amigo que havia me dado um sermão, me falando que eu estava focando muito nas coisas erradas e deixando de olhar para as coisas que estavam dando certo, resolvi colocar em prática a dica do Apóstolo Paulo e do meu amigo:

    “Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus”. (1 Tessalonicenses 5:18)

    Na verdade, sendo bem sincero, foi muito mais uma atitude de ironia do que de vontade de agradecer, eu queria ver se tinha mesmo algo para agradecer para depois mostrar as pessoas e para Deus, o quanto eles estavam errados (como se Deus errasse). E quando me sentei no sofá em meio ao silêncio, percebi que eu tinha muita coisa para agradecer. Havia acontecido muitas vitórias na minha vida, o problema era que a ênfase que eu estava dando era justamente nas coisas que estavam dando errado. Eu focava muito mais nos fracassos do que nas vitórias.

    Greg Mckeown, no livro Sem Esforço, propõe um exercício bem interessante, com o intuito de não cairmos nessa armadilha de focarmos nos problemas, ele sugere que para cada reclamação, devemos proferir uma palavra de agradecimento. Assim, ele conseguia vincular um agradecimento a cada reclamação e desta forma conseguia ver como nem tudo eram problemas (MCKEOWN, 2021, p. 74).

    É fácil cairmos neste ciclo de reclamação, tendemos a enxergar muito mais os problemas do que as vitórias, o lado negativo do que o positivo e agradecer é uma forma de lembrar o quanto Deus tem sido bondoso conosco.

    Não quero com isso simplificar seus problemas, muito menos quero que você os esqueça, deixando de resolver o que precisa ser alinhado e sim, que você cultive um coração agradecido, que não deixe de se lembrar de todas as coisas boas que têm acontecido com você.

    A reclamação traz desconforto, peso e tristeza, a gratidão deixa tudo leve. E ao nos lembrarmos das coisas boas, trazemos para a nossa vida a esperança, alegria e a certeza de que o caos sempre acaba.

    BIBLIOGRAFIA

    MCKEOWN, Greg. Sem esforço: Torne mais fácil o que é mais importante. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2021.