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OS DESAFIOS DA CRIATIVIDADE
Eu sempre fui uma pessoa criativa, sempre gostei de compor e escrever letras de músicas, no tempo em que eu tinha banda e hoje eu gosto muito de escrever, sejam textos para o blog, um livro ou artigos acadêmicos. O que eu nunca imaginei era que tal habilidade poderia ser um problema, caso não houvesse uma técnica certa para lidar com as muitas ideias.
Em primeiro lugar, ideias são ótimas, ainda mais quando conseguimos usar a criatividade, mas o excesso delas, podem nos paralisar, é possível terminarmos tendo um monte de ideias, mas sem nada concreto concluído.
Costumo anotar todas as minhas ideias, as vezes quando estou na rua caminhando e do nada, me vem uma ideia na cabeça, busco gravá-la ou escrevê-la no celular. Mas eu tenho a consciência que se eu não trabalhar em determinadas ideias, os textos nunca ganharão vida. Por isso, existe um período na minha rotina para produzir e desenvolver tais temas, para que eles não se tornem apenas meras abstrações colocadas em um rascunho.
Lembre-se da frase clichê, mas que é muito verdadeira: “escolher é perder”, e por conta disso, é preciso existir em sua rotina um tempo determinado no qual você desenvolverá tais ideias até a sua conclusão. Nada pior do que começarmos um monte de coisas ou anotarmos muitas inspirações e nunca desenvolvermos. Por isso, escolha um tempo para desenvolver, e anote as próximas ideias, para serem trabalhadas justamente neste momento da sua rotina, caso a inspiração apareça.
Normalmente as minhas ideias geram um panorama geral de um texto ou um conteúdo que eu quero produzir. Nunca é algo pronto, sempre é um ponto de partida, por isso que, parar e trabalhar tal tema é fundamental.
O blog me ensinou como tais conteúdos são úteis e podem tornar-se textos ou livros, contudo, ele também me mostrou que deve existir um momento em nossa vida, onde o trabalho em cima dos rascunhos se torna fundamental.
A criatividade nos traz muitos desafios, mas para produzir, precisamos de um tempo separado, para desenvolver, criar e dar vida a algo, que a princípio, pode parecer apenas uma abstração em sua caderneta. Escreva, estude e aprenda a usar tais ideias para criar, tendo em sua mente que, apenas ideias, não são úteis.
A dica para quem gosta de escrever é: Separe um tempo para refletir, pensar e anotar as ideias e outro período, para trabalhar os rascunhos, e não permita transigir o momento de trabalhar as ideias, caso contrário, você será alguém cheio de ideias e sem nada concreto pronto. Ou mesmo ser aquela pessoa que começa um monte de coisas e não termina nada nunca.
Nem sempre é fácil desenvolver tais rascunhos, é realmente desafiador concluir alguns temas. Em meu blog você vai perceber desde textos livres, um pouco mais reflexivos até conteúdos ou séries de textos, mais acadêmicos. E não são publicações fáceis de se compor, mas com disciplina, tudo fica possível.
O disciplinado é alguém realmente livre, que não cede a preguiça e muito menos desanima diante dos desafios. Por isso, cultive a disciplina, aprenda a lidar com todas as suas ideias e descubra que concluir é sempre o melhor ponto de partida.
Nem tudo é fácil, existem momentos, nas atividades que gostamos, que são complexos e as vezes até um pouco chatos. Mas com disciplina, conseguimos dar vida a um texto, lapidar as ideias e construir o conhecimento.
Cordialmente, Guilherme.
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INVERSÃO DE VALORES: CONTRADIÇÕES DA SOCIEDADE SEM DEUS
Uma nova vida é um milagre, o modo como nascemos e nos desenvolvemos é algo realmente impressionante. A meu ver, revela a mão de um Arquiteto realmente soberano. Mas há algum tempo, a vida tem sido tratada com leviandade na atual discussão sobre o aborto.
O aborto é um assunto que tem sido muito discutido ultimamente, sendo que em meio ao debate, dois grupos se destacam: Os que são a favor da vida e os que defendem o aborto.
A parte contraditória daqueles que defendem o aborto é que estes, em sua maioria, são os mesmos que se posicionam a favor dos animais e da natureza. Parece que a vida inocente, que não pode se proteger, não inclui os indefesos fetos. Diante disso, eu não entendo bem o que leva alguém a defender a vida animal e não defender a vida humana.
Eu sempre digo que, um problema não pode ser resolvido sem alguma reflexão. Normalmente a solução para muitos casos é sempre complexa, coisa que um militante ou ideólogo, nunca consegue perceber. Norman Doidge, no prefácio de um livro do Jordan Peterson, resume um pouco estes militantes e as suas contraditórias soluções para problemas complexos quando ele diz que:
“As ideologias substituem o conhecimento verdadeiro, e os ideólogos são sempre perigosos quando ganham poder, pois um comportamento simplista e sabe-tudo não é páreo para a complexidade da existência” (PETERSON, 2018, p. 13).
Questões sobre o abordo, são sempre complexas, mas descartar um feto, como se ele não fosse nada, nem mesmo um potencial ser humano, é ter um pensamento simplista na hora de discutir uma questão destas.
Eu sou a favor da vida, seja ela humana ou não, descartar um ser humano como se ele fosse um produto, que alguém rejeita após enjoar é realmente perturbador. Não me refiro ao aborto que é feito com o intuito de salvar a vida da mãe, sabemos que isso existe e as vezes é necessário, entre duas vidas, as vezes é preciso escolher salvar apenas uma. Eu falo do descarte humano, tudo e por conta, de uma opção em não ter, da falta de desejo e vontade.
A minha impressão as vezes, é que as pessoas seguem cada vez mais fugindo das suas responsabilidades. Toda a ação levanta consequências, assumir nossa responsabilidade e não fugir das implicações das nossas atitudes, é básico. Para tudo o que vamos fazer existe o bônus e o ônus, com isso, as vezes uma gravidez surge, como fruto de uma falta de cuidado, mas descartar um ser vivo, é deixar de assumir o ônus de uma ação.
Não vivemos em um mundo de flores e tudo o que fazemos, traz uma certa consequência, as vezes boa e em outros momentos ruins ou complicadas. Aprender a aceitar, é a diferença daqueles que assumem a sua responsabilidade e fazem as coisas acontecerem.
Por mais que seja complexo assumir e criar uma vida, já que há sempre muitos gastos, a nossa rotina realmente muda, contudo, a questão é que eu não creio que abortar seja a solução. Descartar um ser vivo, como se ele não fosse nada, é uma ação realmente injusta, ainda mais para aqueles que se dizem ser a favor da vida.
Uma vida não é um produto, algo que perde o valor e você descarta, ou que você joga fora quando está atrapalhando. A vida é algo único, intrínseco e realmente importante. Impedir que um ser venha a vida, tudo e por causa das nossas atitudes incoerentes, é tratar uma dádiva de Deus, como um produto barato. O texto de Isaías nos dá um importante aviso:
“Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo, doce e do doce, amargo” (Isaías 5:20).
A inversão de valores tem sido grande em nossa sociedade, ela tem sido mestra em transformar algo que é ruim, em algo bom. O mundo tem transformado coisas vis em ações naturais e benéficas, atitudes realmente malignas em ações válidas e justas.
A sociedade tem trocado Deus por seus pontos de vistas e seguem construindo ídolos semelhantes aos seus enganos!
BIBLIOGRAFIA
PETERSON, Jordan. 12 regras para a vida: Um antídoto para o caos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2018.
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CRISTIANISMO RETRIBUTIVO
A minha primeira oração, logo que eu levanto, é sempre de agradecimento. Aprendi a agradecer e a ser grato a Deus por tudo. Mesmo em momentos difíceis, é sempre possível agradecer. Carrego comigo um grande sentimento de gratidão, creio sempre que Deus em todas as situações é muito mais do que bondoso.
Falar de cristianismo é discorrer sobre uma profusão de igrejas, teologias e ensinos, sendo que o cristianismo público que vemos a todos os momentos é justamente aquela religião que crê na fé retributiva. É um cristianismo que acredita em retornos, mediante uma fidelidade a Deus. Ter fé, fidelidade e obediência a palavra de Deus, garante retornos financeiros, segundo estes.
Creio que hoje muitos estão vendendo um Deus retributivo, que por causa da sua fidelidade, recompensa as pessoas. É comum vermos sombras destas visões em várias postagens das redes sociais. Como se a fidelidade e o poder de Deus, fosse a certeza de que ele iria nos ajudar a prosperar. O cristianismo não é isso, seguir a Deus não é ter nossos desejos atendidos em todos os momentos.
O cerne do evangelho, a base da fé é justamente entender que precisamos ser gratos porque ele nos salvou. As boas novas falam de salvação e de um Deus que morreu por nós na cruz. Nós merecemos a morte, mas Deus nos deu vida. O resto é consequência, Deus faz segundo a sua divina bondade. O apóstolo Paulo na Epístola ao Romanos diz:
Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus (Romanos 3:23,24).
Não duvido que Deus responda as nossas orações, mas eu sei bem que ele sempre faz a sua vontade, ele responde na hora que quer e faz o que soberanamente quer. Este é Deus, um ser que é poderoso, soberano e faz o que bem lhe apraz. E mesmo sem entendermos muitas vezes, a sua vontade sempre é a melhor.
Uma relação retributiva é muito contraditória, visto que ela se agarra muito mais nas obras, no fazer, em ser fiel para receber, do que na graça. A real vida cristã é baseada na obediência, em seguir a Deus e aceitar a sua vontade entendendo que ele já fez muito pelas nossas vidas, que foi dar o seu filho em amor a nós. O resto são consequências.
Quando eu cultivo um ponto de vista retributivo, o meu ponto de partida é o interesse, é ser fiel para ser atendido, e isso não é fidelidade. Agir em troca de algo é uma barganha, e não uma prática calcada no evangelho.
Há um pouco mais de dois mil anos atrás, um Deus veio até a terra como um homem, escolheu alguns discípulos deixando desta forma, todo um legado de ensinos e lições e morreu por nós. A grande mensagem que ele deixou é que o ser humano merece a morte, mas Cristo morreu por nós em nosso lugar, ele nos deu vida e este é o maior, o principal feito que Deus fez pelo ser humano. Ele deu o seu filho para morrer em nosso lugar.
O cerne do evangelho é este, nós fomos salvos pela graça, o resto são acréscimos, que falsos pastores incluem e oferecem as pessoas como se fossem mensagens do evangelho.
Seguir a Deus com aquela mentalidade retributiva é diminuir um ponto fundamental do evangelho e transformar a vida cristã em uma relação de barganha e troca!
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SANTO AGOSTINHO E O PROBLEMA DO MAL
O mal é um tema muito falado tanto na teologia quanto na filosofia, sendo que entender de quem é a responsabilidade do mal, principalmente quando falamos de Deus, que é justo, poderoso e soberano, nem sempre é fácil. Muitos não aceitam as inúmeras explicações e acreditam ser contraditório o mal existir ao mesmo tempo que há um Deus bom, mas Agostinho meditou sobre o problema e ofereceu uma boa explicação para esta questão.
Santo Agostinho, um pensador que nasceu em Tagaste em 354, foi um grande filósofo, que depois de convertido, teve como ênfase o estudo da Bíblia e da filosofia, tendo como principal influência a filosofia de Platão (MONDIN, 2018, p. 146-147).
Após buscar respostas em muitos lugares sobre o problema do mal, enfim ele resolve este problema que o afligia há muito tempo. O primeiro ponto de partida de Agostinho para o problema do mal é a conclusão de que Deus é bom, além de soberano e criador de tudo, sendo inclusive a fonte única do bem, não existindo nada acima ou fora dele (GILSON, 2010, p. 271). Agostinho, no livro: “O livre-arbítrio”, pontua que:
“E ninguém terá de Deus um alto conceito, se não crer que ele é todo-poderoso e que não possui parte alguma de sua natureza submissa a qualquer mudança” (1995, p. 29).
Deus é imutável, além de eterno e poderoso, Ele não muda e muito menos sofre variações, somente o ser humano muda e sofre variações. É só alguém que não está pronto que sofre mudanças, quem é eterno e poderoso, não muda.
O segundo ponto de partida de Agostinho foi concluir que, se o mal existe, ele tem um agente, e se é Deus que pune todas as injustiças e maldades, Ele não pode ser o autor do mal e ao mesmo tempo ser aquele que pune, sendo que se Deus pune, é porque o mal foi praticado voluntariamente por outra pessoa (2019, p. 25-26).
Por fim, fechando a conclusão de Agostinho, ele conclui que o mal não existe ontologicamente, ele é apenas uma deturpação das coisas que são boas, ele é um “não ser”. Battista Mondin complementa acrescentando que:
“Do exame das coisas que o homem denomina más, Agostinho chega à conclusão de que o mal não pode estar só, não pode subsistir, mas que deve existir em uma substância que, em si mesma, é boa. O mal é privação de uma perfeição que a substância deveria ter. Por isso, o mal não é realidade positiva, mas privação de realidade. Pode-se, pois, definir o mal como privatio boni (privação de [algum] bem) (MONDIN, 2018, p. 156)”.
O mal não pode ter vindo de um Deus que é bom, e o mal também não é uma substância que existe e sim, uma privação, uma ferrugem no bem. Com isso, ele não existe, por ser uma privação ou a falta de algo.
Entretanto uma pergunta ainda havia ficado por responder: Qual é a motivação do mal? O que colabora para que ele exista? A conclusão de Agostinho foi que o mal existe por conta do livre-arbítrio. O mal tem a sua origem no uso incorreto do livre-arbítrio humano (FERREIRA, 2007, p. 132-133). Agostinho novamente complementa pontuando que:
“Se o caminho da verdade permanecer oculto, de nada vale a liberdade, a não ser para pecar” (FERREIRA, 2007, p. 132).
Sem Deus e a sua graça, a nossa liberdade acaba servindo apenas para pecarmos e nos distanciarmos de Deus. O homem pecador sem Deus, seguirá sempre em direção do pecado.
Marcos Roberto Nunes da Costa, acrescenta um resumo em forma de cinco pontos para entendermos a dinâmica da responsabilidade humana e do livre-arbítrio, segundo Agostinho. Em primeiro lugar ele pontua que é o ser humano o único ser que tem a capacidade de pensar e refletir, por ser inteligente, ele julga, reflete e pensa. O segundo ponto é a constatação de que o ser humano é dotado da razão, o que o torna superior a toda a criação e aos animais. O terceiro ponto é que, se o ser humano é dotado com esta capacidade da razão, ele é o único ser capaz de ir em busca de respostas e de obter conhecimento. Os animais usam o seu instinto, mas o ser humano vive através da sua reflexão e da faculdade da razão. Em quarto lugar está o fato de que é no ser humano que a iluminação divina atua, fazendo-o ver a perceber Deus e a ordem que Ele estabeleceu em toda a criação. Em quinto e último lugar está o fato de que é o ser humano que conhece e assim, tem a capacidade de escolher. Optando por ser aproximar (ou não), de Deus, a fonte do bem e da felicidade. Sendo que estes pontos estão totalmente interligados, servem como um resumo do pensamento de Agostinho sobre esta questão (COSTA, 2012, p. 37).
Um Deus bom não pode ser a fonte do bem e também o autor do mal. E se o nosso Deus é justo e é aquele que julga e pune, novamente, Ele não pode punir e ao mesmo tempo ser autor. A conclusão de Agostinho é que na vã tentativa de ser feliz, o ser humano usa o seu livre-arbítrio de modo errado, deturpando o que é perfeito.
O mal não existe, ele na verdade é um “não ser”, uma ferrugem que deturpa e corrói as coisas boas. O mal é se afastar de Deus, a fonte única de todo o bem. Se afastar de Deus, é seguir em direção do mal, visto que nos afastamos do próprio bem.
BIBLIOGRAFIA
AGOSTINHO, Santo. A natureza do bem: O castigo e o perdão dos pecados: O batismo das crianças. São Paulo: Editora Paulus, 2019.
AGOSTINHO, Santo. O livre-arbítrio. São Paulo: Editora Paulus, 2019.
FERREIRA. Franklin. Agostinho de A a Z. São Paulo: Editora Vida Acadêmica, 2007.
GILSON. Étienne. Introdução ao estudo de Santo Agostinho. São Paulo: Editora Paulus, 2010.
MONDIN, Battista. Introdução à filosofia: problemas, sistemas, autores, obras. São Paulo: Editora Paulus, 2019.
MONDIN. Battista. Curso de Filosofia. São Paulo: Editora Paulus, 2018.
COSTA, Marcos. Roberto. 10 lições sobre Santo Agostinho. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2012.
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CONHECIMENTO E ENFADO
“Quanto mais se tem consciência da realidade, maiores são as chances da asfixiar a singeleza e o prazer” (CURY, 2006, p. 145).
Costumo estudar todos os dias, em uma rotina que já virou um hábito consolidado em minha vida. Gasto a minha manhã toda lendo, estudando e escrevendo. Tenho uma imensa satisfação em cultivar este importante momento, pois gosto muito de aprender, me aprofundar e escrever.
Aprender é muito gratificante, mergulhar no mundo do conhecimento ou mesmo da literatura, é sempre prazeroso. Embora eu tenha consciência que o excesso pode afogar o prazer e a capacidade de parar, meditar e admirar o belo. O autor de Eclesiastes já nos avisou sobre o excesso de conhecimento, por isso, é sempre bom tomar cuidado (Eclesiastes 1:18).
Quanto mais conhecemos, mais vemos e percebemos as coisas. Quanto mais estudamos, mais notamos a miserável condição humana. Em um mundo onde habita o pecado, quem consegue ver de forma um pouco mais clara, não vê coisa boa.
Por conta disso, eu sempre ensino meus alunos e amigos sobre a importância de parar. Praticar a contemplação, admirar o belo ou mesmo parar para ouvir uma boa música que é fundamental para recarregarmos as baterias e não sermos esmagados pelos excessos de atividades e pela vida real. A vida equilibrada, vivida com qualidade e coerência, é sempre a melhor. E sobre o equilíbrio, Abraham Joshua Heschel tem uma explicação bem inteligente sobre a vida e o equilíbrio, ele ensina que:
“A vida é comparada a duas estradas: uma de fogo e outra de gelo. “Se você anda por uma, será queimado e, se anda por outra, será congelado. O que se deve fazer? Andar no meio”” (2014, p. 62).
Manter o equilíbrio é a garantia de não colhermos resultados desastrosos e desmedidos. A vida fica um pouco mais simples e leve, quando cultivamos o equilíbrio.
Gasto também um tempo lendo livros de literatura ou livros leves e descontraídos. Costumo mesclar livros de estudo e pesquisa, que normalmente são mais densos, com obras mais tranquilas. Assim arejo a cabeça e não transformo o hábito de estudar em uma tortura ou em uma frenética e ensandecida pratica de pesquisa e estudo. O hábito de leitura e estudo deve vir para somar em sua vida ao invés de descontruir ou destruir o prazer.
Estudar, pesquisar e ler são hábitos ótimos, mas devem ser feitos com moderação e responsabilidade, pois um hábito desmedido, pode servir mais como desconstrução do que como construção do conhecimento. Aprenda a dar passos concisos, sem afobações e exageros, não podemos queimar etapas quando o assunto é construir conhecimento.
Não afogue o prazer, e use o estudo como um caminho para o crescimento e não como uma âncora!
BIBLIOGRAFIA
CURY, Augusto. Os segredos do Pai-Nosso a solidão de Deus: Um estudo psicológico da oração mais conhecida do mundo. 1. ed. Rio de Janeiro: sextante, 2006.
HESCHEL, Abraham Joshua. O schabat: Seu significado para o homem moderno. São Paulo: Perspectiva, 2014.
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MANIPULAÇÃO DIRIGIDA
Costumo ler notícias através de canais que dispõem de informações descentralizadas, ou seja, são meios de comunicação que não possuem propósitos políticos. E desde o dia que eu comecei com este hábito pude perceber, creio que de forma ainda mais clara, a manipulação da mídia e como vários veículos de comunicação usam a notícia como meio de manipular as pessoas.
Quando falamos de mídias, falamos de um veículo de informação que leva ou deveria levar, a informação para todos. Hoje estes veículos, não levam informação, mas manipulação, notícias tendenciosas com o intuito de manipular a opinião das pessoas ao invés de informar.
É interessante nos lembrar que algumas vertentes políticas não permitem opiniões, não há diálogo, apenas imposição. Por mais que estas pessoas lutem contra um inimigo que eles chamam de fascista, impositor e injusto, no fim, eles reproduzem o que afirmam combater. Tal fato ficou evidente na eleição de 2022 para presidente do Brasil.
Cuidado com as notícias que você consome, porque elas influenciam sua opinião, ainda mais quando ela é oriunda de vertentes políticas que não dialogam. Opte por canais que passam a informação e caso queira ouvir alguma opinião, aprenda a ouvir os dois lados ou busque canais com notícias descentralizadas.
O totalitarismo começa justamente com a gana de querer calar a todos, controlar o que as pessoas falam e combater qualquer tipo de opinião contrária. No livro Viagens aos confins do comunismo, Theodore Dalrymple narra a sua visita a Albânia no período em que o país era comunista e durante a sua narrativa, é realmente estarrecedor perceber como o governo buscou manipular as provas e modificar a sua história. Uma realidade que faz parte deste tipo de regime político.
A vida é muito mais complexa do que imaginamos, ainda mais quando falamos de política ou discutimos soluções, que na maioria das vezes, não são simples. Uma boa parte dos problemas são complexos, não existe fórmulas políticas mágicas, por isso que as ideias precisam ser postas à mesa, respeitadas e discutidas.
Não se permita ser manipulado por veículos que querem apenas controlar a sua opinião. Aprenda a refletir sobre o que é dito e ouvir notícias por mais de um canal. Ter uma real noção de como uma notícia é fundamental para termos um pensamento crítico sobre inúmeros assuntos e ainda mais quando falamos sobre temas políticos importantes, é um importante ponto de partida.
Quando você começar a buscar notícias descentralizadas, você percebe como muitos temas são mais complexos do que imaginamos e algumas opiniões nada mais são do que conclusões que tais canais querem que as pessoas tenham.
Saia desta caverna e não permita que você seja manipulado!
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SEDE INSACIÁVEL
“Aprenda a maravilhosa verdade de que crescer em qualidade de vida significa reduzir o desejo pelas coisas materiais, e não o contrário” (FOSTER, 2008, p. 180).
Vivemos tempos onde o excesso é exaltado. Quem tem muitos bens ou mesmo aquele que trabalha muitas horas é visto como alguém de sucesso. Como se a quantidade fosse sinônimo de sucesso.
O exagero quase sempre revela uma falta, nem que seja de controle, que já é um problema bem grande. Quem não sabe se contentar com o que tem, demonstra principalmente a incapacidade de se satisfazer com as suas coisas, levando este individuo a buscar cada vez mais, sem parar, por coisas inúteis, sem realmente aproveitar o que tem de forma real.
A simplicidade voluntária ou mesmo a prática de ter uma vida comedida, nos ensina a sermos gratos com o que temos, impondo alguns limites aos exageros. Estes limites nos levam a frear os impulsos de apenas querer ter, nos ensinando a refletir, pensar e desfrutar do que Deus nos deu.
Parece-me que junto com o dinheiro e a capacidade de adquirir as coisas que o dinheiro ou o crédito fácil traz, vem também aquela sede insaciável. E tal sede, quando não controlada, nos leva a inconstante e ávida busca sem fim.
A vida simples nos traz para o hoje, os limites nos levam a aproveitarmos o que temos e de quebra, sermos gratos. Mais uma vez, como eu sempre busco deixar claro quando falo de simplicidade voluntária. A intensão deste estilo de vida não é viver uma vida pobre, com faltas e sim, não viver a miserável vida consumista, calcada apenas em ter.
Muitas vezes a sociedade nos faz termos necessidades de coisas que não precisamos, o consumista cai justamente neste erro. Mas quando você delimita limites, aprende a parar e refletir, fugindo assim dos exageros, você consegue caminhar de forma diferente. É só desta forma que manteremos nossos pés no chão, desfrutando realmente das coisas ao invés de vivermos para o ter ou para acumular cada vez mais objetos.
A qualidade de vida está ligada muito mais a satisfação, em saber o que nós realmente queremos e não em termos muitas coisas. Ao reduzir os desejos e o consumismo desenfreado, aprendemos a aproveitar, a desfrutar realmente do que temos.
Talvez você não saiba o quão maravilhoso é poder realmente usufruir de algo, o quanto aproveitar não é ligado a palavra posses. O equilíbrio te mostra todas as coisas que são importantes e as que não precisamos em nossa vida. É triste perceber como muitos correm e gastam o seu tempo indo atrás do que não precisam. Eles tapam a visão das coisas fundamentais com inúmeras bugigangas e depois, não entendem o seu sentimento de vazio e de falta de propósito.
Cultive o equilíbrio, aprenda a valorizar as coisas que são importantes e fuja do consumismo, antes que ele consuma a sua paz!
BIBLIOGRAFIA
FOSTER, R. A liberdade da simplicidade: encontrando harmonia num mundo complexo. São Paulo: Editora Vida, 2008.
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HIPOCRISIA ON-LINE
Eu sou um indivíduo bem desconfiado quanto aos conteúdos da internet. Desconfio da bondade online ou de salvadores que usam a publicidade e precisam anunciar os seus feitos, com intuito de gerar engajamento. Normalmente o motivo é apenas este, o que se torna um grande problema.
Creio na bondade silenciosa, no bem praticado com a intenção de ajudar realmente alguém e não, nas atitudes feitas para gerar likes. Luiz Felipe Pondé fala algo realmente verdadeiro sobre a moral pública, quando ele diz que:
“A substância da moral pública sempre foi a hipocrisia, portanto não há nada de novo em se tentar fingir virtudes que não se tem” (2016, p. 127).
A motivação da moral pública sempre foi questionável, sendo que o ponto de partida, em uma boa parte das vezes, é a hipocrisia. Em um mundo onde conseguir engajamento é a prioridade, a hipocrisia termina por ser o melhor combustível. Vender uma imagem para gerar likes e engajamento nas redes sociais é se vender, usando o próximo como escada. É usar o problema do seu semelhante como trampolim para conseguir visualizações.
O bem verdadeiro, aquele feito para ajudar realmente os outros, não precisa de marketing visto que o ato em si é a principal motivação. A atitude já possui o seu significado próprio, que é ajudar alguém e ponto final. O bem público, já tem outro objetivo, que é espalhar aos quatro cantos do mundo, como alguém parece ser bom, sendo que isso não é bondade e sim, atuação, é um papel que alguém escolhe interpretar em nome de algum lucro.
Já participei que várias ações de igrejas, desde distribuir alimentos para moradores de ruas, até roupas e assistência pessoal, sendo que em tais ações, em momento algum foi usado o marketing. O propósito era levar a palavra de Deus e também um pouco de dignidade as pessoas. A bondade não faz alarde, ela é silenciosa e discreta.
Existem inúmeros heróis que dedicam a sua vida para ajudar o próximo, são anônimos que ajudam, sem querer outra coisa em troca. Não há segundas intenções, apenas o sincero desejo de ajudar. Já a moral pública vende um serviço e faz uma troca. É a ajuda, em troca de visualizações.
Portanto, desconfie sempre da moral pública e daqueles vídeos que as pessoas postam para apenas mostrar como elas são boas. Na maioria das vezes tais ações são atuações, mesmo que a pessoa afirme que está divulgando o vídeo apenas para influenciar as pessoas e levarem elas a fazerem o mesmo, pois os motivos normalmente não são estes.
O bem é discreto e não aguarda segundas intenções, a mão que você estende, não precisa de visualizações e muito menos likes. Ou você faz o bem pelo bem, ou a atitude será apenas um afago no seu ego
BIBLIOGRAFIA
PONDÉ, Luiz Felipe. Filosofia para corajosos. São Paulo: Planeta, 2016.
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O SCHABAT JUDAICO E A REVERÊNCIA
Não é tão difícil transformarmos coisas importantes ou mesmo sagradas, em banais. Com o tempo a Bíblia sagrada vira um simples livrinho e o culto uma reunião comum, onde nós precisamos apenas cumprir um protocolo. Em nome de deixamos o ambiente cristão menos formal, uma atitude que eu acredito ser muito positiva, terminamos por perder a reverência por aquelas coisas que são essenciais. E este é um dos desafios da vida cristã.
Gosto muito de ler sobre outras religiões, tenho uma curiosidade em tentar entender o porquê alguém segue determinada fé. E o judaísmo é uma destas religiões que têm muito a nos ensinar e neste texto, eu quero falar um pouco sobre o Schabat e de uma lição indispensável que podemos aplicar em nossa vida.
O Schabat tem o seu início em Gênesis (2:1-3), quando Deus criou o mundo em seis dias e separou o sétimo para descansar. Sendo que o sétimo dia seria um dia sagrado, conforme o texto Bíblico informa (Gênesis 2:3). É neste texto que o Schabat tem a sua origem, é por isso que para um Judeu o sábado é um dia sagrado, visto que a própria Bíblia diz que o descanso e o culto a Deus são fundamentais. Abraham Joshua Heschel explica que ao invés de Deus criar um local Santo ou um objeto Santo, ele separou um dia, um tempo que seria consagrado (HESCHEL, 2014, p. 17).
Uma mente um pouco mais mística esperaria que Deus estabelece um local ou uma pedra do poder, mas ele separou um tempo. Sendo que foi apenas em um momento depois, após o povo ter adorando o Bezerro de ouro, que o tabernáculo foi erigido e a santidade tomou lugar também do espaço, conforme explica Heschel (2014, p. 17).
Heschel pontua que em primeiro lugar veio a santidade do tempo, quando Deus instituiu o sábado para o descanso, em segundo lugar veio a santidade do homem, quando Deus escolheu um povo e os fez Santos, depois veio a santidade do espaço, quando Moisés construiu o Tabernáculo (Números 7:1) (2014, p.17-18). Heschel complementa explicando que:
“O significado do Schabat é, antes, o de celebrar o tempo, e não o espaço. Seis dias da semana vivemos sob a tirania das coisas do espaço; no Schabat tentamos nos tornar harmônicos com a santidade do tempo” (2014, p. 19).
Neste sentido podemos aprender muito com o Schabat, visto que, nós cristãos erramos muito quando muitas vezes não separarmos o devido tempo para Deus, seja para orar ou estudar a palavra. Diante disso, seguimos abandonando o que é essencial pelo caminho e aderindo as coisas que não são tão fundamentais.
Não quero com este texto defender a ideia de que precisamos guardar o sábado, continuo crendo que a lei foi ressignificada (Gálatas 2:15-16, 3:10-14), não somos salvos pela lei e sim pela graça, mas o Schabat nos mostra o quão importante é separarmos o nosso momento com Deus, para falar com Ele e estudar a Sua palavra. Por mais que um cristão não guarde o sábado, isso não significa que não deveríamos ter o nosso tempo com Deus bem estabelecido, para assim não negociamos um momento muito rico e essencial, por migalhas do mundo.
Cumprimos as nossas demandas, somos pontuais no trabalho ou com as nossas coisas, mas muitas vezes esquecemos das coisas de Deus. Trocamos o que é eterno, pelas coisas terrenas. E é neste sentido, que os Judeus podem muito nos ajudar. A prioridade deles com a sua fé e com o estudo da Torá, é realmente impressionante.
É fácil trocarmos o que é prioritário, por coisas secundárias, fazemos isso sem ao menos perceber. E é neste momento que eu fico constrangido com a reverência e com o compromisso que a maioria dos judeus tem e envergonhado com os cristãos. Ao ler este livro do Abraham Joshua Heschel eu percebi como o Schabat, neste mundo que prioriza tudo, menos o indivíduo, pode virar um princípio, uma ferramenta para não esquecermos de priorizar Deus.
Não precisamos guardar o sábado, mas podemos aprender a separar um tempo para as coisas que são essenciais para a nossa fé. Precisamos aprender a termos reverência com as coisas de Deus, buscando sempre, colocar como prioridade o nosso tempo com Ele. Lembrando de uma coisa que eu sempre falo: “Ninguém tem tempo, sendo que o tempo é uma prioridade”. Por isso, separe um tempo, não se esqueça de Deus.
BIBLIOGRAFIA
HESCHEL, Abraham Joshua. O Schabat: Seu significado para o homem moderno. São Paulo: Perspectiva, 2014.
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LITERATURA CRÍTICA
“Quem controla o passado”, diz o slogan do Partido, “controla o futuro: quem controla o presente controla o passado” (ORWELL, 2021, p. 38).
Alguns livros possuem o poder de nos transportar para outros lugares, de fazer críticas e observações a realidade de um modo muito mais artístico, mas igualmente ácido e direto. O livro 1984 é um deles, revelando uma sociedade “fictícia” marcada pelo totalitarismo e a opressão. Nada tão diferente do que o comunismo já fez na vida real. É interessante perceber como um dos slogans do livro resume um pouco a contradição que tais regimes autoritários buscaram fazer, como bem pontua Orwell em sua história:
“Guerra é paz
Liberdade é escravidão
Ignorância é força” (ORWELL, 2021, p. 11).
Ao estudarmos sobre o comunismo, perceberemos justamente a presença destes três elementos. A guerra, em nome de combater um inimigo injusto e opressor é sempre o ponto de partida deles. Por isso que a guerra em nome da tal paz é sempre justificada. A estratégia de discurso que monta um inimigo, escondendo informações, para validar um monte de barbáries já é velha. E a parte complicada é que qualquer um que discorde, já vira um potencial inimigo. Conviver com o contraditório não é uma habilidade do comunismo.
Liberdade é escravidão, pontua justamente outra característica dos governos totalitários que é impor, por isso que, justificar a imposição com a escravidão velada (ou não), ensinando que aquela realidade é a melhor para ela, é a única forma de manter este estilo de regime em pé. E ignorância é a força, termina sendo a única forma de fazer com que as pessoas não aprendam a serem cidadãos críticos, trazendo assim, problemas ao governo. O conhecimento nos faz mais críticos, por isso que, para manter tal realidade, a ignorância deve ser cultivada.
É comum vermos a história ser manipulada em nome de um ideal político. Geralmente quem conta a história, em um lugar onde o contraditório não existe, fala discorrendo apenas de um lado, focando em encontrar culpados e fugindo de suas responsabilidades.
Em tenho um certo medo tanto da ganância do capitalismo, que em nome do poder destrói, consome e manipula. Mas também do comunismo, que com um discurso montado, responsabiliza os capitalistas, os burgueses e imperialistas por tudo. Sendo que no final, calar a oposição, termina sendo justificado, já que o cenário que eles pintam já explica tais ações.
A liberdade é tudo, ela não tem preço e a consciência de que a maioria dos problemas não são simples, deve ser o ponto de partida de uma pessoa centrada. Se você pesquisar vai perceber como ideias simplistas, já causaram muito caos. A maioria dos problemas exigem muita reflexão para serem resolvidos.
Temo qualquer tipo de poder que tenta calar uma opinião. Não concordo com tudo, mas também não acredito que a oposição deve ser calada.
BIBLIOGRAFIA
ORWELL, George. 1984. 1. ed. São Paulo: Lafonte, 2021.
