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  • SACOLA DE FRACASSOS

    “Nada se arrasta mais teimosamente do que uma sacola de fracassos” (LUCADO, 2007, p. 65).

    O fracasso é algo que nos prende e tolhe toda a nossa alegria. É bom ter sucesso, acertar o alvo é o objetivo daqueles que tentam e não desistem. Mas pare para pensar como o sucesso também não é tão simples assim, no quanto ele exige tempo e dedicação. Quando idealizamos as vitórias dos outros, vemos as conquistas através de lentes brilhantes e bonitas. Contudo, quando vivenciamos o processo, percebemos todas as etapas da escalada e entendemos o quanto o sucesso é difícil.

    Primeiro você planeja, define uma meta e segue dando os primeiros passos. Sendo que nestas primeiras caminhadas, nem sempre vemos frutos. É tudo incerto, duvidoso e nebuloso. Errar, nesta etapa, é comum, é quase uma lei, visto que em meio a motivação e o foco, não vemos os nossos equívocos.

    Quando decidi tocar bateria foi assim, demorei para conseguir ter a minha evolução. O mesmo aconteceu quando eu decidi cursar a minha graduação. Por ser um processo longo e por não termos ideia de como seria o futuro, seguimos na dúvida. Após formado, levei alguns anos para me estabelecer e seguir na carreira de professor, que era um dos meus planos.

    Depois, caso você não desista, você percebe que o foco e a disciplina, transformam sua missão em rotina. Você aprende a parar, se preparar e lidar com os fracassos, e constrói assim, um tempo que faz você crescer e aprender cada dia mais. Neste estágio você já ganhou, visto que, boas rotinas já são empreendimentos de sucesso, em um mundo onde o instantâneo e o prazer momentâneo, que não leva você em lugar algum, é uma constante em nossa vida.

    É inevitável juntarmos uma sacola de fracassos, para quem tenta, este é um resultado lógico e até constante. Mas há algo a mais no fracasso, que é aprender, é saber cair e continuar, sem desistir. E como eu sempre digo: “Quem não aprende com os seus erros, erra duas vezes”. Se errar é o resultado de quem sempre está tentando algo, aprender com os nossos erros, deve ser uma habilidade importante a se cultivar.

    Aprenda que o sucesso é o resultado de uma boa construção de tempo e estudo. É um caminho que você vai trilhando sem pressa, sem afobação. E por mais que as sacolas de fracassos pesem e insistam em nos fixar no chão. A persistência mostrará a você que é só com o tempo que conseguiremos obter resultados.

    Aprenda a usar a motivação a seu favor, quando ela surgir, mergulhe em seus planos e siga se aperfeiçoando e se preparando. Mas aprenda também a estudar ou fazer as coisas mesmo sem motivação, visto que, nem sempre você estará motivado. A disciplina e o constante estudo, são atitudes básicas para quem quer colher resultados.

    Com isso, tendo as atitudes certas, mesmo com uma sacola de fracassos, você não vai desistir e colher, depois de um tempo, o resultado da sua persistência.

    BIBLIOGRAFIA

    LUCADO, Max. Seis horas de uma sexta-feira. 2. ed. São Paulo: Editora Vida, 2007.

  • O VENENO DO ORGULHO

    “Intelectualmente, o orgulho é o pai das aberrações e das falsas criações; a humildade é o olhar que lê o livro da vida e o livro do universo” (SERTILLANGES, 2019, p. 120).

    O orgulho na vida de um acadêmico é um veneno, é uma droga que mantém o estudioso preso na superfície, ancorado em pontos de vistas equivocados e simplistas.

    É fundamental, caso você queira ser um acadêmico, professor ou mesmo pastor, que normalmente ensina e influencia pessoas, ter em mente que o estudo deve ser constante, você nunca para, estará sempre aprendendo e se reciclando. Não existe um ponto final, pois aprender é uma prática, um ato contínuo.

    Em segundo lugar, para que a rotina e constante busca pelo aprendizado tenha um efeito real, é preciso ter muita humildade. Sem a humildade, dificilmente conseguiremos aprender. Estudar é se despir do orgulho e mergulhar no conteúdo, assimilando, refletindo sem deixar que o falso sentimento de superioridade, sabote o processo de aprendizado. É claro que não nos desligamos das nossas crenças, pontos de vistas ou de todos os conceitos que regem a nossa vida, mas para aprender, precisamos nos calar e saber olhar para o conhecimento.

    O orgulho nos cega e nos coloca em um patamar onde não mais ouvimos ninguém, apenas a nossa arrogância e o falso sentimento de saber. Gosto de como Sertillanges define o estudo, a sua definição acrescenta muito a esta reflexão:

    “Poderíamos definir o estudo dizendo: é Deus tomando consciência em nós de sua própria obra. Assim como toda a ação, a intelecção sai de Deus e retorna a Deus através de nós” (SERTILLANGES, 2019, p. 121).

    Cultive a humildade caso ela esteja em falta em sua vida, pois sem ela, você certamente vai se perder em becos de ignorância. Entenda que não sabemos tudo, perceba também que as nossas certezas podem estar infundadas e não estarmos vendo isso diante de nós. O orgulho tem o poder de tirar a nossa percepção da verdade, nos impedindo de ver e ouvir o próximo.

    Quem crê que sabe de tudo, acaba se fechando para o conhecimento e vai terminar ancorado em um cais de estagnação. Falando como se soubesse de tudo, sem perceber que o seu discurso na verdade é contraditório.

    Ao conhecer e buscar uma prática de constante aprendizado, você vai perceber como a verdade e o conhecimento são complexos e infindáveis. Com isso, é inevitável terminar nascendo humildade em seu coração.

    Mas caso ela esteja em falta, reveja seus conceitos, verifique se o orgulho não sabotou o seu coração. Pois quem vê, aquele que realmente conhece, também é humilde.

    A humildade é a mãe do conhecimento! 

    BIBLIOGRAFIA

    SERTILLANGES, A. D. A vida intelectual. Campinas: Editora Kírion, 2019.

  • O VAZIO DO SER HUMANO

    Não é incomum vermos pessoas entrando nas empreitadas mais diversas, com o intuito de preencher um vazio que o incomoda. Sendo que alguns terminam por seguir a vida como carros desgovernados, experimentando de tudo, tentando seguir inúmeras fórmulas, mas sem sucesso algum.

    Eu descreveria o ser humano como um indivíduo eternamente vazio, sempre em busca de preencher suas faltas com inúmeras distrações. Sejam os bens ou mesmo os propósitos de vida, travestidos de ações sociais, embora tais atividades sejam tentativas de uma pessoa se destacar na multidão, para que desta forma, seu ego seja afagado e ele se sinta melhor. Este é o ser humano sem Deus, um indivíduo desesperado buscando ser completo. Austin Fischer tem uma citação em uma de suas obras, que resume bem esta verdade:

    “Somos buracos negros – ambulantes, buracos falantes de narcisismo e autopiedade, saqueando o mundo ao nosso redor na desesperada tentativa de preencher o vazio dentro de nós” (2015, p. 11).

    O narcisista que a citação menciona é aquele indivíduo que valoriza muito a si mesmo. Ele opta sempre por se ver como superior, como alguém que está acima dos outros, diminuindo os demais. Em contrapartida, a autopiedade é a ação de alguém que se vê como inferior perante as outras pessoas. Normalmente esta pessoa é vitimista, acredita ser a vítima das vítimas, em uma atitude que também soa egoísta, visto que tais indivíduos também se colocam como o centro de tudo, buscando a atenção de todos, mas de uma forma diferente do narcisista.

    Deus não é só a nossa esperança, mas também o único capaz de preencher o nosso vazio. A sede que sentimos só é saciada com a verdadeira água da vida (João 7:37-38). É ele que nos satisfaz, nos dá propósito e direção. Sem ele, seguiríamos cegos, tateando no escuro sem encontrar o rumo.

    Sem Deus perdemos o controle e seguimos vidas autodestrutivas e equivocadas, seja fundamentada no narcisismo ou no vitimismo e autopiedade. A graça muda a nossa vida e o evangelho, quando está no centro, nos traz equilíbrio e uma forma centrada de viver esta vida.

    Com Deus não temos uma vida sem problemas, pois continuamos a passar por lutas, como Cristo mesmo já nos avisou (João 16:33), contudo, temos a sua mão para nos sustentar e o direcionamento de seguirmos fazendo a sua vontade, que é sempre a melhor.

    Sem ele seguimos desgovernados, como buracos negros engolindo tudo ao nosso entorno, mas sem saciar a sede, que só pode ser acalmada com a água da vida.

    BIBLIOGRAFIA

    FISCHER, Austin. Jovem incansável não mais reformado. Maceió: Editora Sal Cultura, 2015.

  • EVANGELHO ENCOLHIDO

    “Podemos diminuir o evangelho quando consideramos que ele apenas “nos salva” – que se trata de um tipo de seguro contra incêndio, sem entender que tem implicações para a totalidade da vida”. (STILES, 2015, p. 35-36).

    O que eu sempre ouvi quando criança era que o domingo era o dia do Senhor. Com isso, precisávamos estar preparados para passar uma boa parte do nosso dia na igreja. Por isso, colocávamos a nossa melhor roupa e cultuávamos, louvávamos e depois, vivíamos os outros dias da semana como dava, afinal um dia da semana era do Senhor, apenas isso.

    Não é só o domingo que é do Senhor e sim, todos os dias, assim como o evangelho não é apenas um chamado para a salvação e sim, um estilo de vida, um modo de ser, que invade todas as áreas da nossa vida.

    Ser cristão é ser um imitador de Cristo, é levar uma vida que esteja de acordo com o ensino da palavra. Não é apenas ser salvo, é muito mais do que isso, visto que, quando Deus entra na nossa vida, todas as outras áreas dela são transformadas. O novo nascimento, que um encontro com Deus nos dá, implica em uma vida transformada por sua mão. É claro que separamos o domingo para cultuar a Deus, contudo, precisamos entender que ser cristão é muito mais que frequentar o culto. Stiles complementa afirmando que:

    “Como o evangelho manifesta o coração de Deus, é lógico que os temas do evangelho nos digam como viver – temas como amor, reconciliação, perdão, fé, humildade, arrependimento e mais. Assim percebemos que o evangelho se torna a porta para a salvação e o padrão para a vida” (2015, p. 36).

    O evangelho é um padrão de vida, é um estilo de viver, e quando não vivemos esta verdade, encolhemos o evangelho e deixamos de seguir conforme a vontade de Deus e também, deixamos de viver e mostrar as pessoas, a realidade de quem vive o caminho da fé.

    Por isso, não encolha e evangelho e viva a vida cristã por completo. Aprenda a perdoar, a amar as pessoas e ser humilde, vivendo todos os importantes pontos que a Bíblia nos ensina. Faça isso, principalmente, porque ser cristãos é justamente seguir estes ensinos, mas também porque o seu exemplo, pode comunicar a palavra ao seu próximo.

    Creio que um dos maiores problemas em nossos dias é um novo convertido não ser ensinado e discipulado. Sendo que, questões simples como esta, muitas vezes não são passadas e a pessoas seguem vivendo, sem compreender o real sentido do cristianismo, de ter sido alcançado por Deus.

    BIBLIOGRAFIA

    STILES, J. Mack. Evangelização: como criar uma cultura contagiante de evangelismo na igreja local. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2015.

  • O CICLO DAS GERAÇÕES

    Não tive uma vida fácil e isso não é uma reclamação e sim, apenas uma constatação. Todas as dificuldades me deram ferramentas para enfrentar tempos difíceis ou mesmo, para começar planos novos. Como a maioria das coisas na vida não vêm sem um pouco de luta, as dificuldades me ajudaram a adquirir resiliência e persistência e é por isso que eu sempre agradeço a Deus pelas dificuldades. Quando eu falo que a minha vida não foi fácil, é de um modo muito positivo.

    É curioso constatar como um pai ou mãe, que sofreu muito na vida e teve uma infância marcada por faltas e restrições, busca dar tudo ao seu filho. Uma atitude lógica, principalmente se este tem o mínimo de condições. O problema é que o exagero, a falta de limites, terminam por deixar estes filhos sem uma característica fundamental de quem sofreu muito, que é a resiliência e a experiência que ganhamos com as dificuldades. Existe um provérbio oriental que descreve justamente este ciclo de gerações, ele diz que:

    “Homens fortes criam tempos fáceis e tempos fáceis geram homens fracos, mas homens fracos criam tempos difíceis e tempos difíceis geram homens fortes”.

    Eu não sou pai, mas já sofri um bocado. E acredito que todos os pais que buscam dar tudo aos seus filhos, assim o fazem, com a mais sincera intenção. A minha crítica apenas é que estes, esquecem do quanto os limites são saudáveis e as vezes, dizer não a um filho, é comunicar de forma indireta, que a vida não é centrada neles. Ouvir um não, é comum para quem tenta algo. Saber lidar com os problemas e os nãos da vida, é um resumo do que é ser uma pessoa independente.

    As dificuldades nos ajudam a termos resiliência, com elas, descobrimos que nem tudo vem fácil e em alguns momentos, é preciso ter força e persistência. Dependendo de como um filho é ensinado, é possível propor a ele lições preciosas que ele precisará aprender, para não se bater na vida.

    A verdade é que eu sou como sou, tudo e apenas, porque aprendi a ser resiliente, a insistir e entender que antes de um sim ou uma oportunidade, existem muitos e muitos nãos. Buscar dar limites, ensinar um filho a ter inteligência emocional é fundamental para o futuro deles. Todas as dificuldades que passamos servem de lições para cultivar a resiliência e aprender a ser adaptável, visto que nem tudo é do nosso jeito.

    Entenda que a responsabilidade de um pai é preparar o filho para a vida. Por isso, não tirar deles ensinos e ferramentas que o pai mesmo aprendeu em momentos difíceis é uma atitude sábia. Ensine tais preceitos e descubra uma forma de ajudá-lo a ver o mundo com um olhar menos idealizado.

    Os limites e as faltas, nos ensinam, nos ajudam a sermos persistentes e a cultivarmos muitas características fundamentais para os desafios da vida. Tirar isso do seu filho, não é salvá-lo, mas subtrair dele algumas ferramentas que com o tempo ele vai precisar.

    Quem ama ensina, prepara um filho para os desafios da vida, por isso, não prive seus filhos das lições que a própria vida lhe deu. Tempos bons são ótimos, mas são nos momentos difíceis que nos tornamos seres humanos melhores. É no calor que somos forjados!

  • VIDA FUNDAMENTADA

    “Onde há luz, também há mosquitos” (SWINDOLL, 1987, p. 214).

    Quando eu era criança, costumava passar uma boa parte das minhas férias escolares na praia. Sendo que a casa onde ficávamos, era ao lado de uma grande mata, o que era muito legal visto que eu sempre gostei de natureza. O problema era que mato atrai mosquito e mosquito não é nada legal, por mais que ele seja muito pequeno, o incômodo que ele causa é muito grande.

    Uma atitude comum no meio cristão é vermos pessoas tentando separar o joio do trigo, dividir quem é cristão, daqueles que não são verdadeiramente cristãos. Mas no afã de tentar ajudar, muitos terminam por fazer um julgamento equivocado.

    A verdade é que só Deus pode separar o joio do trigo (Mateus 13:24-30), o que cabe a nós é obedecer e cumprir o ide (Marcos 16:15), além de ensinar o evangelho as pessoas. Estas deveriam ser as nossas missões, sendo que no mais cabe apenas a Deus. Quem separa o cristão verdadeiro do falso é somente Deus, que é o único que conhece realmente o coração do ser humano.

    A igreja atrai todos os tipos de pessoas, a luz não apenas ilumina o ambiente, mas também atrai mosquito, como pontua a epígrafe de Charles Swindoll. O que cabe a nós não é separar e muito menos segregar e sim, ajudar, acolher e ensinar as pessoas. A grande questão é que para um cristão ajudar e ensinar, de forma realmente centrada, é imprescindível estar amparado pela palavra e também é fundamental conhecê-la e estudá-la constantemente.

    Gosto quando alguém descreve a igreja como hospital de almas, pois tal termo resume bem o que é (ou deveria ser) a igreja. Um hospital é um local onde as pessoas vão em busca de ajuda para os seus problemas e as suas dores. E é onde há muitos profissionais preparados para oferecer tal auxílio.

    O cristão na igreja precisa partir da mesma lógica, ele precisa estar preparado, conhecer a palavra, ter o seu secreto com Deus e estudar a Bíblia, que são pontos fundamentais para que possamos ser ferramentas nas mãos de Deus. Este deve ser o ponto de partida real da igreja e não segregar.

    Não tenha dúvidas que a igreja não atrai apenas pessoas necessitadas, ela atrai aproveitadores, que tentarão de alguma forma tirar proveito das pessoas, sendo que, em todos estes casos, uma vida fundamentada na oração e no conhecimento, fará toda a diferença.

    A Bíblia é o nosso Norte, por isso, conhecê-la é ter a certeza de que você vai seguir o caminho certo. Se a igreja é um hospital de almas, sendo que no hospital vai todo o tipo de pessoas, nós precisamos ser aqueles cristãos preparados para receber e ajudar as pessoas. E conhecer a palavra de Deus é o principal preparo que um cristão deve ter, como estou pontuando.

    Uma vida sem fundamentos não resiste as intempéries e muito menos tem qualquer palavra de auxílio para oferecer as pessoas!

    BIBLIOGRAFIA

    SWINDOLL, Charles. Vivendo sem máscaras: Como cultivar relacionamentos abertos e leais. Belo Horizonte: Editora Betânia, 1987.

  • SIMPLICIDADE E EQUILÍBRIO

    As vezes algumas pessoas não entendem quando eu digo que busco viver uma vida um pouco mais simples ou uma vida essencialista. A maioria não aceita e responde que nunca conseguiriam viver sem ter as coisas, sem sair para viajar ou ir em restaurantes. Muitos creem que viver uma vida essencialista é viver na falta, deixando de sair e aproveitar, cultivando uma vida de escassez.

    É muito legal ter um lugar para viver, com uma boa estrutura capaz de nos dar conforto e tranquilidade. Além da segurança que é possível ter ao possuirmos o nosso lar, o nosso castelo, já que é em nossa casa que descansamos. E é também muito legal sair, viajar ou conhecer alguns restaurantes. A questão apenas é que luxo é muito diferente de conforto, viver uma vida simples, não é viver uma vida de falta e restrições.

    Existe uma grande diferença de luxo e conforto, e é justamente isso que muitos não entendem. Luxo é viver uma vida de ostentação, de despesas altas e exageros. Quem vive no luxo é cercado por coisas supérfluas e geralmente compra algo por conta do status, não pela utilidade de um objeto, sendo que por fim, estes são os que vivem de modo nababesco, exagerando sempre, mas sem aproveitar realmente de um bem.

    E não pense que este estilo de vida é apenas daqueles que possuem muito dinheiro. Muita gente simples, que não ganha tanto, vive de forma semelhante quando compra um carro muito caro, insiste em comprar roupas caras acreditando que a marca é mais importante do que a qualidade de algo. Estas pessoas vivem mais pelo status que um produto proporciona do que pela utilidade de um objeto.

    Já o conforto é uma atitude totalmente oposta o luxo, enquanto o luxo prioriza o excesso, o preço e a ostentação, o conforto olha mais para a utilidade de algo, priorizando viver de uma forma equilibrada.

    Quando eu digo que busco viver uma vida simples, eu não quero afirmar que vivo sem conforto, morando em uma caverna, caçando para sobreviver e sim que, eu busco usar as coisas, sem deixar que as coisas me usem. Eu compro um carro ou roupa, buscando a qualidade e não uma marca que me traga status e principalmente, eu busco ter pouco, na verdade o suficiente, pois é desta forma que realmente desfrutamos de algo.

    Perceba que o excesso não permite que você desfrute realmente de algo. Se você tem muitas roupas, inúmeros sapatos, você vai perceber que muito do que você tem, acaba nem sendo usado. O mesmo podemos falar sobre carros, calçados, objetos eletrônicos, você não usa tudo ao mesmo tempo, isso é impossível, assim como não consegue dormir em um monte de camas em uma noite, parafraseando a letra da banda Katsbarnea.

    É muito bom ter conforto, até eu que busco viver a simplicidade voluntária, gosto. A questão é que muitos confundem luxo, desperdício e exagero, com conforto. Uma vida confortável, usa do que é possível adquirir para que assim possamos ter uma vida mais tranquila. O luxo já gosta de exagerar e prioriza mostrar uma forma de vida através das marcas, do carro e das roupas.

    Use as coisas, mas não permita que as coisas usem você. Aprenda a ter e principalmente, questione sempre se você precisa comprar mais uma bugiganga para fazer volume em sua casa. Aprenda a desfrutar de algo ao invés de viver como se ter as coisas fosse mais importante.

  • O PROBLEMA DE JULGAR O PRÓXIMO

    “O julgamento dos outros nos torna cegos para as nossas próprias falhas” (GRÜN, 1994, p. 62).

    Conheci uma pessoa que era muito crítica, ele sempre percebia os defeitos de tudo e todos, para tal indivíduo era fácil notar as atitudes contraditórias das pessoas, ele só não conseguia perceber as suas. Segundo este crítico, todos estavam errados, menos ele.

    É comum vermos muitos gastarem um bom tempo avaliando defeitos dos outros, em algumas rodas de conversa, fala-se apenas disso, de pessoas e suas falhas. O problema é não haver pelo menos um pouco de tempo gasto em avaliar a si e os seus pontos fracos ou mesmo, para falar sobre ideias. Lembrando que é muito melhor falar de ideias do que de pessoas.

    Quem perde tempo quantificando problemas alheios, perde uma boa oportunidade de se autoavaliar, de pontuar seus defeitos, falhas e dificuldades para assim, buscar mudança.

    Viver não é seguir julgando o próximo, nem crer na missão de consertar o mundo. Viver é olhar para si, é seguir na busca de mudanças que tragam aprendizados. A mudança começa sempre em nós, para depois, oferecermos a mão e conseguirmos ajudar o próximo com suas dificuldades.

    É fácil avaliar o outro e pontuar várias críticas, principalmente quando estamos de fora de uma situação, vendo a pessoa apenas como observadores. O desafio é parar, pensar sobre nós, nossas atitudes e em como lidamos com as dificuldades. A autoavaliação é sempre desafiadora, sendo que esta prática deve ser constante, sem contar que sempre caímos no erro de nos avaliar de forma equivocada.

    Cristo falou (Mateus 7:1 a 5) que muitos gastam seus dias para olhar o cisco nos olhos dos outros, sem perceber a trava em seus próprios olhos, parafraseando a passagem, e tal afirmação é muito verdadeira. Muitas vezes não percebemos nossas imensas contradições, mas somos mestres em ver os equívocos dos outros e com uma precisão admirável. Sobre este versículo, D. A. Carson explica que:

    “Os v. 1-5 advertem contra a atitude de criticar outras pessoas sem verificar primeiro se nós mesmos estamos abertos à crítica […]” (2012, p. 1372).

    Se a mudança não começar em nós, seguiremos sendo hipócritas, exigindo mudanças, mas não nos esforçando para assumirmos nossos erros. É fácil perceber os erros e dificuldades alheias, o desafio é tirarmos a trave dos nossos olhos e aceitarmos todas as nossas contradições.

    O problema em julgar o próximo é que quase sempre não vemos nossas contradições antes de falar e por isso, terminamos sendo injustos, sendo que muitas vezes queremos julgar, mas não queremos ser julgados, não aceitamos críticas das pessoas, embora ofereçamos as nossas sem critérios.

    Clamamos pela graça de Deus, oramos a ele pedindo a sua misericórdia, mas em meio ao nosso julgamento, esquecemos de toda a graça que Deus teve conosco.

    Se você quer mudar o mundo, comece mudando a sua atitude, aparando as suas arestas, buscando sempre se reciclar. Aprenda a refletir e a aceitar as suas dificuldades e entenda que a dificuldade do outro, aos nossos olhos, é sempre mais fácil.

    BIBLIOGRAFIA

    GRÜN, Anselm. O céu começa em você: A sabedoria dos padres do deserto para hoje. 14. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1994.

    CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova, 1 ed. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

  • PRAGMATISMO CRISTÃO

    A igreja, em cada período, teve um desafio que precisou aprender a lidar. Os primeiros cristãos, por exemplo, corriam risco de vida por seguirem a Jesus. E, apesar de hoje, em alguns locais, ainda existirem perseguições, não são mais em todos os países. É possível hoje ser cristão em quase todos os lugares e não correr risco de vida.

    Outro grande problema em alguns países é que a fé está se esfriando, e as igrejas estão se esvaziando em muitos lugares. Com isso, ela tem o desafio de entender o seu papel e de ver onde está errando. A igreja sempre teve que lidar com obstáculos, sendo que hoje, creio que um dos grandes problemas, pelo menos da igreja brasileira, é justamente o pragmatismo eclesiológico. Mas o que seria isso?

    O pragmatismo eclesiológico é a prática de agradar pessoas, para a igreja crescer, ao invés de agradarmos a Deus e falarmos o que precisamos realmente falar. Os pastores adeptos ao pragmatismo são aqueles que pregam apenas o que as pessoas querem ouvir. O culto acaba tendo como foco agradar pessoas, e não cultuar a Deus. Josimaber Rezende resume bem o problema:

    “Pastores adeptos do pragmatismo têm pregado apenas o que as pessoas querem ouvir, e não necessariamente o que elas necessitam ouvir” (2016, p. 37).

    É claro que o evangelho deve ser prático e ir de encontro às pessoas, mas o foco nunca é agradar, mas cuidar, e quando falamos de cuidado, também falamos daquelas pregações que mexem conosco e revelam nossas dificuldades e contradições.

    Aprendi há muito tempo que, se você só lê os versículos que te agradam, você não está realmente levando a sério a Bíblia e está tratando o texto sagrado como um livro de autoajuda. A Bíblia é a palavra de Deus, que nos ensina, confronta e nos ajuda a seguir rumo ao centro da sua vontade.

    Uma das grandes missões do pastor é ensinar, é orientar as pessoas na palavra da verdade, mas isso se torna difícil se ele se concentra apenas em agradar. Creio que a vida cristã não é diferente. Um cristão, quando vai ler a Bíblia, não pode pinçar apenas o que lhe agrada. Ele precisa estudá-la toda e deixar que o ensino molde a sua vida.

    Em muitos momentos, precisei refletir sobre temas complicados e buscar ajuda de Deus para mudar aquela determinada área. Este é o caminho honesto que todo cristão deve trilhar. E esta é a função da palavra e também do verdadeiro pastor, ensinar as pessoas e não agradar cristãos.

    Nem sempre é fácil seguir a Cristo, pois somos confrontados em muitos momentos. Mas quando aprendemos a ler a Bíblia e somos orientados por pastores realmente centrados, nós só crescemos.

    Tome cuidado com aqueles que só falam o que você quer ouvir, pois este tipo de mensagem é insípida e não causa mudança. Aprenda a ouvir a palavra que te desafia, que obriga você a olhar para as suas atitudes e seguir rumo à mudança. Pois esta é a palavra do verdadeiro pastor.

    BIBLIOGRAFIA

    REZENDE, Josimaber. Eclesiologia contemporânea: construindo igrejas bíblicas. Curitiba: Editora Intersaberes, 2016.

  • O CRISTÃO E A VIDA INTELECTUAL

    Nem sempre o estudo é levado a sério pelos cristãos. Estudar ou ser alguém relevante no meio acadêmico, produzindo conhecimento ao mesmo tempo que trata questões da fé ou da apologética, como muitos filósofos e teólogos cristãos fazem, é algo visto por muitos como algo sem importância. Bom mesmo é aquela irmã que fica dando profetadas na Igreja, falando revelações que são frutos das suas emoções.

    Um judeu é alguém que leva muito a sério a Bíblia. Eles estudam o texto desde a sua língua original, memorizam grandes porções do que chamamos de Velho Testamento e tal dedicação ao estudo termina por também entrar em outras áreas da sua vida. Claudino Piletti e Nelson Piletti (2016), no livro História da educação, acrescentam que 20% dos ganhadores do prêmio Nobel e mais ou menos um terço dos alunos de Harvard, são judeus. Como o estudo é algo comum em suas vidas religiosas, ele transcende a religião e vai para outras áreas do conhecimento.

    Na Igreja, o anti-intelectualismo é um problema muito grande, sendo que o estudo é visto por muitos cristãos como algo carnal. E muitos usam a própria Bíblia, de maneira descontextualizada, por conta da falta de estudos, para embasar tal pensamento.

    Deus não só nos fez racionais, mas também nos deu um livro, um texto sagrado que precisamos meditar e estudar continuamente. Em Atos 17:11 temos o exemplo dos bereanos, que ouviam a pregação e conferiam tudo o que era falado na palavra.

    “Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo” (NVI).

    Ouvir e conferir na palavra o que é ensinado é uma atitude nobre e sábia. Isso não denota falta de fé, e sim preocupação com o que é ensinado. Todos aqueles que possuem a preocupação de ter a vida pautada no evangelho deveriam ter a mesma atitude que os bereanos tiveram.

    Examinar as escrituras e buscar fundamentos é um bom princípio para a vida intelectual no meio cristão. E, gradualmente, é possível, após consolidar tal hábito, penetrar em outras áreas do saber, sendo um cristão relevante, que se posiciona, reflete e busca propor respostas, por possuir justamente este princípio.

    O anti-intelectualismo é contraditório, uma vez que começa com o fato de que nós não precisamos conhecer a palavra e muito menos buscar embasamento bíblico, que muitas vezes é usado de forma errada, pela própria falta de estudo e conhecimento. Estudar, conhecer e se aprofundar no texto é primordial para um cristão e um hábito muito espiritual, como costumo falar, visto que você estará se aprofundando na palavra de Deus, no texto que ele nos deu para lermos, conhecermos e nos aperfeiçoarmos. Jesus foi o primeiro a nos dar um mandamento importante sobre isso:

    “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento” (Marcos 12:30) (ARC).

    Neste importante mandamento, Cristo nos orienta a buscar conhecê-lo, com as nossas forças, coração e entendimento. Uma prática que pode ir muito além da palavra ao construirmos um hábito de estudar.

    O intelectual cristão pode ser tanto uma pessoa versada na palavra, que conhece, entende dos principais pontos da fé cristã e coloca tais ensinos em prática, quanto alguém que procura ser um pensador relevante na sociedade. Uma pessoa assim pode ser um bom apologeta, que defende a fé dos muitos equívocos, até um erudito versado em outras áreas do conhecimento, mas que usa a sua mente para a glória de Deus.

    A verdade é sempre oriunda de Deus, ele é a fonte e tudo quanto formos fazer, precisamos fazer sempre para a glória de Deus. Por isso, seja relevante!

    BIBLIOGRAFIA

    PILETTI, C.; PILETTI, N. História da educação: de Confúcio a Paulo Freire. 1. ed. São Paulo: Contexto, 2016.