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EVANGELHO ENCOLHIDO
“Podemos diminuir o evangelho quando consideramos que ele apenas “nos salva” – que se trata de um tipo de seguro contra incêndio, sem entender que tem implicações para a totalidade da vida”. (STILES, 2015, p. 35-36).
O que eu sempre ouvi quando criança era que o domingo era o dia do Senhor. Com isso, precisávamos estar preparados para passar uma boa parte do nosso dia na igreja. Por isso, colocávamos a nossa melhor roupa e cultuávamos, louvávamos e depois, vivíamos os outros dias da semana como dava, afinal um dia da semana era do Senhor, apenas isso.
Não é só o domingo que é do Senhor e sim, todos os dias, assim como o evangelho não é apenas um chamado para a salvação e sim, um estilo de vida, um modo de ser, que invade todas as áreas da nossa vida.
Ser cristão é ser um imitador de Cristo, é levar uma vida que esteja de acordo com o ensino da palavra. Não é apenas ser salvo, é muito mais do que isso, visto que, quando Deus entra na nossa vida, todas as outras áreas dela são transformadas. O novo nascimento, que um encontro com Deus nos dá, implica em uma vida transformada por sua mão. É claro que separamos o domingo para cultuar a Deus, contudo, precisamos entender que ser cristão é muito mais que frequentar o culto. Stiles complementa afirmando que:
“Como o evangelho manifesta o coração de Deus, é lógico que os temas do evangelho nos digam como viver – temas como amor, reconciliação, perdão, fé, humildade, arrependimento e mais. Assim percebemos que o evangelho se torna a porta para a salvação e o padrão para a vida” (2015, p. 36).
O evangelho é um padrão de vida, é um estilo de viver, e quando não vivemos esta verdade, encolhemos o evangelho e deixamos de seguir conforme a vontade de Deus e também, deixamos de viver e mostrar as pessoas, a realidade de quem vive o caminho da fé.
Por isso, não encolha e evangelho e viva a vida cristã por completo. Aprenda a perdoar, a amar as pessoas e ser humilde, vivendo todos os importantes pontos que a Bíblia nos ensina. Faça isso, principalmente, porque ser cristãos é justamente seguir estes ensinos, mas também porque o seu exemplo, pode comunicar a palavra ao seu próximo.
Creio que um dos maiores problemas em nossos dias é um novo convertido não ser ensinado e discipulado. Sendo que, questões simples como esta, muitas vezes não são passadas e a pessoas seguem vivendo, sem compreender o real sentido do cristianismo, de ter sido alcançado por Deus.
BIBLIOGRAFIA
STILES, J. Mack. Evangelização: como criar uma cultura contagiante de evangelismo na igreja local. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2015.
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O CICLO DAS GERAÇÕES
Não tive uma vida fácil e isso não é uma reclamação e sim, apenas uma constatação. Todas as dificuldades me deram ferramentas para enfrentar tempos difíceis ou mesmo, para começar planos novos. Como a maioria das coisas na vida não vêm sem um pouco de luta, as dificuldades me ajudaram a adquirir resiliência e persistência e é por isso que eu sempre agradeço a Deus pelas dificuldades. Quando eu falo que a minha vida não foi fácil, é de um modo muito positivo.
É curioso constatar como um pai ou mãe, que sofreu muito na vida e teve uma infância marcada por faltas e restrições, busca dar tudo ao seu filho. Uma atitude lógica, principalmente se este tem o mínimo de condições. O problema é que o exagero, a falta de limites, terminam por deixar estes filhos sem uma característica fundamental de quem sofreu muito, que é a resiliência e a experiência que ganhamos com as dificuldades. Existe um provérbio oriental que descreve justamente este ciclo de gerações, ele diz que:
“Homens fortes criam tempos fáceis e tempos fáceis geram homens fracos, mas homens fracos criam tempos difíceis e tempos difíceis geram homens fortes”.
Eu não sou pai, mas já sofri um bocado. E acredito que todos os pais que buscam dar tudo aos seus filhos, assim o fazem, com a mais sincera intenção. A minha crítica apenas é que estes, esquecem do quanto os limites são saudáveis e as vezes, dizer não a um filho, é comunicar de forma indireta, que a vida não é centrada neles. Ouvir um não, é comum para quem tenta algo. Saber lidar com os problemas e os nãos da vida, é um resumo do que é ser uma pessoa independente.
As dificuldades nos ajudam a termos resiliência, com elas, descobrimos que nem tudo vem fácil e em alguns momentos, é preciso ter força e persistência. Dependendo de como um filho é ensinado, é possível propor a ele lições preciosas que ele precisará aprender, para não se bater na vida.
A verdade é que eu sou como sou, tudo e apenas, porque aprendi a ser resiliente, a insistir e entender que antes de um sim ou uma oportunidade, existem muitos e muitos nãos. Buscar dar limites, ensinar um filho a ter inteligência emocional é fundamental para o futuro deles. Todas as dificuldades que passamos servem de lições para cultivar a resiliência e aprender a ser adaptável, visto que nem tudo é do nosso jeito.
Entenda que a responsabilidade de um pai é preparar o filho para a vida. Por isso, não tirar deles ensinos e ferramentas que o pai mesmo aprendeu em momentos difíceis é uma atitude sábia. Ensine tais preceitos e descubra uma forma de ajudá-lo a ver o mundo com um olhar menos idealizado.
Os limites e as faltas, nos ensinam, nos ajudam a sermos persistentes e a cultivarmos muitas características fundamentais para os desafios da vida. Tirar isso do seu filho, não é salvá-lo, mas subtrair dele algumas ferramentas que com o tempo ele vai precisar.
Quem ama ensina, prepara um filho para os desafios da vida, por isso, não prive seus filhos das lições que a própria vida lhe deu. Tempos bons são ótimos, mas são nos momentos difíceis que nos tornamos seres humanos melhores. É no calor que somos forjados!
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VIDA FUNDAMENTADA
“Onde há luz, também há mosquitos” (SWINDOLL, 1987, p. 214).
Quando eu era criança, costumava passar uma boa parte das minhas férias escolares na praia. Sendo que a casa onde ficávamos, era ao lado de uma grande mata, o que era muito legal visto que eu sempre gostei de natureza. O problema era que mato atrai mosquito e mosquito não é nada legal, por mais que ele seja muito pequeno, o incômodo que ele causa é muito grande.
Uma atitude comum no meio cristão é vermos pessoas tentando separar o joio do trigo, dividir quem é cristão, daqueles que não são verdadeiramente cristãos. Mas no afã de tentar ajudar, muitos terminam por fazer um julgamento equivocado.
A verdade é que só Deus pode separar o joio do trigo (Mateus 13:24-30), o que cabe a nós é obedecer e cumprir o ide (Marcos 16:15), além de ensinar o evangelho as pessoas. Estas deveriam ser as nossas missões, sendo que no mais cabe apenas a Deus. Quem separa o cristão verdadeiro do falso é somente Deus, que é o único que conhece realmente o coração do ser humano.
A igreja atrai todos os tipos de pessoas, a luz não apenas ilumina o ambiente, mas também atrai mosquito, como pontua a epígrafe de Charles Swindoll. O que cabe a nós não é separar e muito menos segregar e sim, ajudar, acolher e ensinar as pessoas. A grande questão é que para um cristão ajudar e ensinar, de forma realmente centrada, é imprescindível estar amparado pela palavra e também é fundamental conhecê-la e estudá-la constantemente.
Gosto quando alguém descreve a igreja como hospital de almas, pois tal termo resume bem o que é (ou deveria ser) a igreja. Um hospital é um local onde as pessoas vão em busca de ajuda para os seus problemas e as suas dores. E é onde há muitos profissionais preparados para oferecer tal auxílio.
O cristão na igreja precisa partir da mesma lógica, ele precisa estar preparado, conhecer a palavra, ter o seu secreto com Deus e estudar a Bíblia, que são pontos fundamentais para que possamos ser ferramentas nas mãos de Deus. Este deve ser o ponto de partida real da igreja e não segregar.
Não tenha dúvidas que a igreja não atrai apenas pessoas necessitadas, ela atrai aproveitadores, que tentarão de alguma forma tirar proveito das pessoas, sendo que, em todos estes casos, uma vida fundamentada na oração e no conhecimento, fará toda a diferença.
A Bíblia é o nosso Norte, por isso, conhecê-la é ter a certeza de que você vai seguir o caminho certo. Se a igreja é um hospital de almas, sendo que no hospital vai todo o tipo de pessoas, nós precisamos ser aqueles cristãos preparados para receber e ajudar as pessoas. E conhecer a palavra de Deus é o principal preparo que um cristão deve ter, como estou pontuando.
Uma vida sem fundamentos não resiste as intempéries e muito menos tem qualquer palavra de auxílio para oferecer as pessoas!
BIBLIOGRAFIA
SWINDOLL, Charles. Vivendo sem máscaras: Como cultivar relacionamentos abertos e leais. Belo Horizonte: Editora Betânia, 1987.
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SIMPLICIDADE E EQUILÍBRIO
As vezes algumas pessoas não entendem quando eu digo que busco viver uma vida um pouco mais simples ou uma vida essencialista. A maioria não aceita e responde que nunca conseguiriam viver sem ter as coisas, sem sair para viajar ou ir em restaurantes. Muitos creem que viver uma vida essencialista é viver na falta, deixando de sair e aproveitar, cultivando uma vida de escassez.
É muito legal ter um lugar para viver, com uma boa estrutura capaz de nos dar conforto e tranquilidade. Além da segurança que é possível ter ao possuirmos o nosso lar, o nosso castelo, já que é em nossa casa que descansamos. E é também muito legal sair, viajar ou conhecer alguns restaurantes. A questão apenas é que luxo é muito diferente de conforto, viver uma vida simples, não é viver uma vida de falta e restrições.
Existe uma grande diferença de luxo e conforto, e é justamente isso que muitos não entendem. Luxo é viver uma vida de ostentação, de despesas altas e exageros. Quem vive no luxo é cercado por coisas supérfluas e geralmente compra algo por conta do status, não pela utilidade de um objeto, sendo que por fim, estes são os que vivem de modo nababesco, exagerando sempre, mas sem aproveitar realmente de um bem.
E não pense que este estilo de vida é apenas daqueles que possuem muito dinheiro. Muita gente simples, que não ganha tanto, vive de forma semelhante quando compra um carro muito caro, insiste em comprar roupas caras acreditando que a marca é mais importante do que a qualidade de algo. Estas pessoas vivem mais pelo status que um produto proporciona do que pela utilidade de um objeto.
Já o conforto é uma atitude totalmente oposta o luxo, enquanto o luxo prioriza o excesso, o preço e a ostentação, o conforto olha mais para a utilidade de algo, priorizando viver de uma forma equilibrada.
Quando eu digo que busco viver uma vida simples, eu não quero afirmar que vivo sem conforto, morando em uma caverna, caçando para sobreviver e sim que, eu busco usar as coisas, sem deixar que as coisas me usem. Eu compro um carro ou roupa, buscando a qualidade e não uma marca que me traga status e principalmente, eu busco ter pouco, na verdade o suficiente, pois é desta forma que realmente desfrutamos de algo.
Perceba que o excesso não permite que você desfrute realmente de algo. Se você tem muitas roupas, inúmeros sapatos, você vai perceber que muito do que você tem, acaba nem sendo usado. O mesmo podemos falar sobre carros, calçados, objetos eletrônicos, você não usa tudo ao mesmo tempo, isso é impossível, assim como não consegue dormir em um monte de camas em uma noite, parafraseando a letra da banda Katsbarnea.
É muito bom ter conforto, até eu que busco viver a simplicidade voluntária, gosto. A questão é que muitos confundem luxo, desperdício e exagero, com conforto. Uma vida confortável, usa do que é possível adquirir para que assim possamos ter uma vida mais tranquila. O luxo já gosta de exagerar e prioriza mostrar uma forma de vida através das marcas, do carro e das roupas.
Use as coisas, mas não permita que as coisas usem você. Aprenda a ter e principalmente, questione sempre se você precisa comprar mais uma bugiganga para fazer volume em sua casa. Aprenda a desfrutar de algo ao invés de viver como se ter as coisas fosse mais importante.
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O PROBLEMA DE JULGAR O PRÓXIMO
“O julgamento dos outros nos torna cegos para as nossas próprias falhas” (GRÜN, 1994, p. 62).
Conheci uma pessoa que era muito crítica, ele sempre percebia os defeitos de tudo e todos, para tal indivíduo era fácil notar as atitudes contraditórias das pessoas, ele só não conseguia perceber as suas. Segundo este crítico, todos estavam errados, menos ele.
É comum vermos muitos gastarem um bom tempo avaliando defeitos dos outros, em algumas rodas de conversa, fala-se apenas disso, de pessoas e suas falhas. O problema é não haver pelo menos um pouco de tempo gasto em avaliar a si e os seus pontos fracos ou mesmo, para falar sobre ideias. Lembrando que é muito melhor falar de ideias do que de pessoas.
Quem perde tempo quantificando problemas alheios, perde uma boa oportunidade de se autoavaliar, de pontuar seus defeitos, falhas e dificuldades para assim, buscar mudança.
Viver não é seguir julgando o próximo, nem crer na missão de consertar o mundo. Viver é olhar para si, é seguir na busca de mudanças que tragam aprendizados. A mudança começa sempre em nós, para depois, oferecermos a mão e conseguirmos ajudar o próximo com suas dificuldades.
É fácil avaliar o outro e pontuar várias críticas, principalmente quando estamos de fora de uma situação, vendo a pessoa apenas como observadores. O desafio é parar, pensar sobre nós, nossas atitudes e em como lidamos com as dificuldades. A autoavaliação é sempre desafiadora, sendo que esta prática deve ser constante, sem contar que sempre caímos no erro de nos avaliar de forma equivocada.
Cristo falou (Mateus 7:1 a 5) que muitos gastam seus dias para olhar o cisco nos olhos dos outros, sem perceber a trava em seus próprios olhos, parafraseando a passagem, e tal afirmação é muito verdadeira. Muitas vezes não percebemos nossas imensas contradições, mas somos mestres em ver os equívocos dos outros e com uma precisão admirável. Sobre este versículo, D. A. Carson explica que:
“Os v. 1-5 advertem contra a atitude de criticar outras pessoas sem verificar primeiro se nós mesmos estamos abertos à crítica […]” (2012, p. 1372).
Se a mudança não começar em nós, seguiremos sendo hipócritas, exigindo mudanças, mas não nos esforçando para assumirmos nossos erros. É fácil perceber os erros e dificuldades alheias, o desafio é tirarmos a trave dos nossos olhos e aceitarmos todas as nossas contradições.
O problema em julgar o próximo é que quase sempre não vemos nossas contradições antes de falar e por isso, terminamos sendo injustos, sendo que muitas vezes queremos julgar, mas não queremos ser julgados, não aceitamos críticas das pessoas, embora ofereçamos as nossas sem critérios.
Clamamos pela graça de Deus, oramos a ele pedindo a sua misericórdia, mas em meio ao nosso julgamento, esquecemos de toda a graça que Deus teve conosco.
Se você quer mudar o mundo, comece mudando a sua atitude, aparando as suas arestas, buscando sempre se reciclar. Aprenda a refletir e a aceitar as suas dificuldades e entenda que a dificuldade do outro, aos nossos olhos, é sempre mais fácil.
BIBLIOGRAFIA
GRÜN, Anselm. O céu começa em você: A sabedoria dos padres do deserto para hoje. 14. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1994.
CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova, 1 ed. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.
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PRAGMATISMO CRISTÃO
A igreja, em cada período, teve um desafio que precisou aprender a lidar. Os primeiros cristãos, por exemplo, corriam risco de vida por seguirem a Jesus. E, apesar de hoje, em alguns locais, ainda existirem perseguições, não são mais em todos os países. É possível hoje ser cristão em quase todos os lugares e não correr risco de vida.
Outro grande problema em alguns países é que a fé está se esfriando, e as igrejas estão se esvaziando em muitos lugares. Com isso, ela tem o desafio de entender o seu papel e de ver onde está errando. A igreja sempre teve que lidar com obstáculos, sendo que hoje, creio que um dos grandes problemas, pelo menos da igreja brasileira, é justamente o pragmatismo eclesiológico. Mas o que seria isso?
O pragmatismo eclesiológico é a prática de agradar pessoas, para a igreja crescer, ao invés de agradarmos a Deus e falarmos o que precisamos realmente falar. Os pastores adeptos ao pragmatismo são aqueles que pregam apenas o que as pessoas querem ouvir. O culto acaba tendo como foco agradar pessoas, e não cultuar a Deus. Josimaber Rezende resume bem o problema:
“Pastores adeptos do pragmatismo têm pregado apenas o que as pessoas querem ouvir, e não necessariamente o que elas necessitam ouvir” (2016, p. 37).
É claro que o evangelho deve ser prático e ir de encontro às pessoas, mas o foco nunca é agradar, mas cuidar, e quando falamos de cuidado, também falamos daquelas pregações que mexem conosco e revelam nossas dificuldades e contradições.
Aprendi há muito tempo que, se você só lê os versículos que te agradam, você não está realmente levando a sério a Bíblia e está tratando o texto sagrado como um livro de autoajuda. A Bíblia é a palavra de Deus, que nos ensina, confronta e nos ajuda a seguir rumo ao centro da sua vontade.
Uma das grandes missões do pastor é ensinar, é orientar as pessoas na palavra da verdade, mas isso se torna difícil se ele se concentra apenas em agradar. Creio que a vida cristã não é diferente. Um cristão, quando vai ler a Bíblia, não pode pinçar apenas o que lhe agrada. Ele precisa estudá-la toda e deixar que o ensino molde a sua vida.
Em muitos momentos, precisei refletir sobre temas complicados e buscar ajuda de Deus para mudar aquela determinada área. Este é o caminho honesto que todo cristão deve trilhar. E esta é a função da palavra e também do verdadeiro pastor, ensinar as pessoas e não agradar cristãos.
Nem sempre é fácil seguir a Cristo, pois somos confrontados em muitos momentos. Mas quando aprendemos a ler a Bíblia e somos orientados por pastores realmente centrados, nós só crescemos.
Tome cuidado com aqueles que só falam o que você quer ouvir, pois este tipo de mensagem é insípida e não causa mudança. Aprenda a ouvir a palavra que te desafia, que obriga você a olhar para as suas atitudes e seguir rumo à mudança. Pois esta é a palavra do verdadeiro pastor.
BIBLIOGRAFIA
REZENDE, Josimaber. Eclesiologia contemporânea: construindo igrejas bíblicas. Curitiba: Editora Intersaberes, 2016.
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O CRISTÃO E A VIDA INTELECTUAL
Nem sempre o estudo é levado a sério pelos cristãos. Estudar ou ser alguém relevante no meio acadêmico, produzindo conhecimento ao mesmo tempo que trata questões da fé ou da apologética, como muitos filósofos e teólogos cristãos fazem, é algo visto por muitos como algo sem importância. Bom mesmo é aquela irmã que fica dando profetadas na Igreja, falando revelações que são frutos das suas emoções.
Um judeu é alguém que leva muito a sério a Bíblia. Eles estudam o texto desde a sua língua original, memorizam grandes porções do que chamamos de Velho Testamento e tal dedicação ao estudo termina por também entrar em outras áreas da sua vida. Claudino Piletti e Nelson Piletti (2016), no livro História da educação, acrescentam que 20% dos ganhadores do prêmio Nobel e mais ou menos um terço dos alunos de Harvard, são judeus. Como o estudo é algo comum em suas vidas religiosas, ele transcende a religião e vai para outras áreas do conhecimento.
Na Igreja, o anti-intelectualismo é um problema muito grande, sendo que o estudo é visto por muitos cristãos como algo carnal. E muitos usam a própria Bíblia, de maneira descontextualizada, por conta da falta de estudos, para embasar tal pensamento.
Deus não só nos fez racionais, mas também nos deu um livro, um texto sagrado que precisamos meditar e estudar continuamente. Em Atos 17:11 temos o exemplo dos bereanos, que ouviam a pregação e conferiam tudo o que era falado na palavra.
“Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo” (NVI).
Ouvir e conferir na palavra o que é ensinado é uma atitude nobre e sábia. Isso não denota falta de fé, e sim preocupação com o que é ensinado. Todos aqueles que possuem a preocupação de ter a vida pautada no evangelho deveriam ter a mesma atitude que os bereanos tiveram.
Examinar as escrituras e buscar fundamentos é um bom princípio para a vida intelectual no meio cristão. E, gradualmente, é possível, após consolidar tal hábito, penetrar em outras áreas do saber, sendo um cristão relevante, que se posiciona, reflete e busca propor respostas, por possuir justamente este princípio.
O anti-intelectualismo é contraditório, uma vez que começa com o fato de que nós não precisamos conhecer a palavra e muito menos buscar embasamento bíblico, que muitas vezes é usado de forma errada, pela própria falta de estudo e conhecimento. Estudar, conhecer e se aprofundar no texto é primordial para um cristão e um hábito muito espiritual, como costumo falar, visto que você estará se aprofundando na palavra de Deus, no texto que ele nos deu para lermos, conhecermos e nos aperfeiçoarmos. Jesus foi o primeiro a nos dar um mandamento importante sobre isso:
“Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento” (Marcos 12:30) (ARC).
Neste importante mandamento, Cristo nos orienta a buscar conhecê-lo, com as nossas forças, coração e entendimento. Uma prática que pode ir muito além da palavra ao construirmos um hábito de estudar.
O intelectual cristão pode ser tanto uma pessoa versada na palavra, que conhece, entende dos principais pontos da fé cristã e coloca tais ensinos em prática, quanto alguém que procura ser um pensador relevante na sociedade. Uma pessoa assim pode ser um bom apologeta, que defende a fé dos muitos equívocos, até um erudito versado em outras áreas do conhecimento, mas que usa a sua mente para a glória de Deus.
A verdade é sempre oriunda de Deus, ele é a fonte e tudo quanto formos fazer, precisamos fazer sempre para a glória de Deus. Por isso, seja relevante!
BIBLIOGRAFIA
PILETTI, C.; PILETTI, N. História da educação: de Confúcio a Paulo Freire. 1. ed. São Paulo: Contexto, 2016.
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A FUNÇÃO DA DÚVIDA PARA AGOSTINHO
Eu cresci muito com as minhas dúvidas, foi por conta delas que eu mergulhei mais em busca do conhecimento. Neste mundo onde a maioria tem certeza, é só quem duvida de forma inteligente, que consegue realmente enxergar.
A dúvida não é algo incomum, durante a nossa caminhada, sentimos muitas dúvidas e fazemos questionamentos buscando assim as mais variadas respostas. Se soubermos usar nossas dúvidas, seguiremos rumo ao conhecimento e ao crescimento, caso contrário, teremos só problemas.
Um autor que soube usar a dúvida de forma realmente coerente foi Agostinho (354-430), e apesar de soar contraditório falar de fé e dúvida, veremos como o Bispo de Hipona soube usar tais momentos como uma ferramenta para chegar até Deus.
Quando novo, Agostinho foi muito cético, duvidando da possibilidade de existência da verdade, mas com o tempo, ele superou o ceticismo, usando a dúvida como o primeiro passo para filosofar (ANZENBACHER, 2002, p.13, 14).
Sobre a dúvida, Agostinho parte de um ponto muito importante, que não é possível duvidar que existimos, e mesmo se duvidarmos, não deixamos de existir. Sendo este um argumento bem semelhante a dúvida metódica de Descartes, deixando Agostinho como o primeiro a usar tal ponto de partida (ANZENBACHER, 2002, p. 14). Santo Agostinho complementa:
“Por consequência, quem quer que duvide da existência da verdade, possui em si mesmo, algo verdadeiro, de onde tira todo fundamento para a sua dúvida. Ora todo verdadeiro, só é verdadeiro pela verdade. Não possui, pois, o direito de duvidar da existência da verdade aquele que de um modo ou outro chegou à dúvida” (2021, p. 100).
Agostinho conclui que se alguém duvida é porque pensa, e só quem existe é que possui a capacidade de pensar. A nossa capacidade de pensar é fruto de uma verdade primária que foi colocada por Deus em nós. O pensamento demonstra a existência de Deus (GILSON, 2010, p. 44, 45).
A fé é um elemento fundamental na vida cristã, não há outra forma de chegarmos a Deus. Sem fé, certamente não conseguiremos. Contudo a razão é igualmente fundamental, ela é a ferramenta que usamos para chegarmos mais perto da verdade (COSTA, 2018, p. 26). Alguns insistem em separar a fé da razão, da reflexão e do racional. E são estes que esquecem que Deus nos fez seres racionais.
A dúvida foi um ponto de partida que o próprio Agostinho usou para provar a existência de Deus. Sendo que ele pontua que a verdade que nós encontramos é fruto do nosso conhecimento. Um fato que não é possível ser explicado partindo apenas da reflexão racional, por isso concluímos que existe uma luz que ilumina a mente e o coração do ser humano, que o leva a verdade eterna que é Deus (GILSON, 2010, p. 44).
É comum duvidarmos, mas convenhamos, conforme Agostinho e Descartes já afirmaram, ninguém duvida da sua existência. Se eu penso, é porque existo, parafraseando Descartes. E se pensamos é porque um Deus soberano colocou em nós esta capacidade de refletir, argumentar a avaliar.
A dúvida, quando é inteligente, nos leva a refletir, buscar fundamentos e explicações. É claro que não há respostas para tudo, muitos pontos a Bíblia não deixa explicações, mas uma coisa sabemos, se pensamos, se refletimos é porque existimos. E se existimos e possuímos a capacidade de pensar, é porque um Arquiteto Soberano elaborou tudo isso. Já que o acaso não produz vida inteligente!
BIBLIOGRAFIA
GILSON, Étienne. Introdução ao estudo de Santo Agostinho. 2. ed. São Paulo: Paulus; São Paulo: Discurso Editorial, 2010.
ANZENBACHER, Arno. Introdução à filosofia ocidental. 4. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2002.
COSTA. M. R. N. 10 lições sobre Santo Agostinho. 4. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2018.
AGOSTINHO, Santo. A verdadeira religião; O cuidado devido aos mortos. 1. ed. São Paulo: Paulus, 2021.
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A ARTE DE EVANGELIZAR
Eu sempre acreditei que o meu dom não era o de evangelista. Sempre tive receios de impactos evangelísticos, por considerar alguns um pouco extremos e exagerados. Por muito tempo acreditei na evangelização natural, na conversa, no bate papo sincero durante o desabafo de um amigo. Pois, evangelizar é muito mais do que fazer um grande barulho no bairro.
Há muito tempo eu entreguei a minha vida a Deus, eu aceitei a Jesus, como normalmente é falado na Igreja. Para oficializar está decisão, normalmente você vai até ao púlpito, na parte da frente da igreja e faz a sua confissão de fé. Depois disso, você é um cristão, em um processo simples e rápido de conversão.
É comum vermos cristãos focarem no apelo, quando fazem um evento ou culto evangelístico. Existem pastores e líderes que acreditam que fazer o apelo é a parte mais importante destas reuniões. O problema é que evangelizar não é isso. J. Mack Stiles, no livro Evangelização, define bem o termo para nos ajudar com o significado da palavra:
“Evangelização é o ensino (anúncio, proclamação, pregação), do evangelho (mensagem de Deus que nos conduz à salvação) com o objetivo (esperança, desejo, meta) de persuadir (convencer, converter) (2015, p. 30).
Evangelizar é proclamar a palavra e ensinar, e não simplesmente levantar a mão e ir receber uma oração do pastor. Sempre que falamos do evangelho para alguém, na verdade, estamos ensinando a palavra da verdade, além de estarmos também proclamando. Ensinar a sã doutrina deve ser a principal prioridade em um momento de evangelização, sendo que tal prática vai muito além de um impacto evangelístico. É claro que uma tarde evangelística no bairro é importante, mas precisamos entender os outros passos, para que a ação tenha frutos, e ensinar é um desses passos. Mack Stiles novamente complementa:
“O mais importante, no entanto, é lembrar-se de que o evangelho precisa ser ensinado antes que alguém possa se tornar cristão” (2015, p. 35).
É comum a igreja pecar na falta de ensino, eles dão ênfase na proclamação, e quando alguém aceita Jesus, muitos creem que o trabalho está concluído, e não está. Na verdade, é neste momento que o trabalho começa, que o discipulado deve acontecer e o ensino deve ser bem pontual, para que assim, o convertido possa se tornar um seguidor de Cristo.
Quando eu era novo eu era muito religioso, eu acreditava que ir a Igreja era uma das principais missões do cristão. O curioso era que eu mal conseguia explicar a minha fé e o motivo pelo qual eu havia sido salvo, eu frequentava a igreja, apenas isso. Aprendi muito pouco do evangelho onde eu congregava e segui muitos conceitos duvidosos, tudo e porque, eu achava que ir a Igreja já era o bastante. Quando eu lia a Bíblia, não entendia tanto, e terminava por não me aplicar ao estudo e a compreensão da palavra.
Ser cristão é seguir o exemplo de Cristo, mas para isso, eu preciso ler, estudar e procurar entender a Bíblia. Não tem como nos intitular cristãos, sem conhecer o evangelho. Por isso que ensinar e discipular os novos convertidos, é um passo fundamental que a igreja deve dar.
Muitos acabaram transformando estratégias em evangelização, sendo que, se não houver ensino, não há evangelismo, ensinar é o principal objetivo do evangelismo, sendo que a conversão é a consequência de tudo.
A arte de evangelizar começa com a proclamação do evangelho, mas também com o ensino. Proclamar é também ensinar, mostrar na palavra de Deus os pontos fundamentais da fé cristã.
Não podemos parar o processo de evangelização no momento que alguém aceita Jesus. É preciso continuar, ensinar esta pessoa sobre o evangelho e sobre quem é Cristo, caso contrário, seremos apenas frequentadores ou religiosos que mal saberão dar a razão da sua fé (1 Pedro 3:15).
BIBLIOGRAFIA
STILES, J. Mack. Evangelização: como criar uma cultura contagiante de evangelismo na igreja local, 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2015.
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O PONTO DE PARTIDA PARA O CRESCIMENTO
“O homem sábio sempre desejará estar com quem é mais sábio do que ele” (PERCY, 2016, p. 161)
Eu aprendi muito ao estar em meio as pessoas melhores do que eu, fui inspirado com o exemplo de bons músicos, ótimos professores e excelentes profissionais, e além de aprender e ter contato com bons conteúdos e livros, fui motivado a estudar e me preparar ainda mais.
Não existe talento inato, o que existe realmente é muito empenho e dedicação. E por mais que alguns tenham dons ou facilidades em algumas áreas, esta capacidade não exclui a necessidade de estudar e se preparar.
Ao contrário do que muita gente pensa, o esforço é a marca da pessoa inteligente, pois não há outro caminho para o preparo e principalmente, para o crescimento. É fácil elogiar alguém por um dom, pois ninguém vê o suor e o tempo que ele gastou para chegar lá. A maioria destas pessoas fracassou muito e teve que se empenhar muito para adquirir algum conhecimento.
É preciso entender que as derrotas ou fracassos são ambivalentes, eles podem ser tanto âncoras quanto molas propulsoras, tudo vai depender de como você encara a situação. Você pode sofrer ou lamentar uma derrota, mas também pode estudar e buscar crescer, usando o próprio fracasso como lição.
Outra coisa importante de entender é que sempre haverá alguém melhor que você e o melhor caminho é reconhecer isso e aprender com estas pessoas. Não adianta deixar o orgulho colocar você em um pedestal, pois este sentimento arrogante não permitirá que você aprenda e se desenvolva.
Agradeça a Deus por ter conseguido tal habilidade, mas não deixe que o orgulho faça você se sentir único ou superior, pois não somos. Entenda que alguém melhor que você não é uma ameaça, existe espaço para todos, sendo que sempre há a possibilidade de uma pessoa aprender com a outra.
Há muito tempo atrás, quando eu era adolescente, eu queria voltar a estudar, eu sempre gostei de aprender, sempre acreditei que o caminho da educação era o melhor para quem quer realmente crescer por isso, decidi terminar os estudos regulares. O meu problema eram os amigos e colegas de trabalho. Uma parte deles achavam o estudo desnecessário a outra parte não acreditava que eu iria conseguir, eles me falavam isso, sem qualquer pudor, lançando estas opiniões em meu rosto sem medida alguma.
Isso me fez vacilar várias vezes e eu só mergulhei nos estudos quando mudei a minha mente e busquei pessoas que eram melhores influências. Às vezes, sem percebemos, o meio nos influencia, principalmente quando somos novos. Por isso que estar com quem é melhor, é a mais eficiente saída para quem quer crescer. Ou mesmo estar munido de bons livros, assistir boas palestras e estar cercado de conteúdos que agregam em nossa vida.
Não é maldade, a questão é que alguns não possuem uma visão ampliada, e destilam suas opiniões como verdades. Com isso, se você não prestar atenção e buscar referências mais centradas, corre o risco de se manter no lugar, sendo sempre o mesmo, deixando de crescer e aprender ainda mais por conta de terceiros.
BIBLIOGRAFIA
PERCY, Allan. Platão para sonhadores: 80 pílulas de filosofia cotidiana para transformar suas melhores ideias em realidade. Rio de Janeiro: Sextante, 2016.
