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  • PALESTRA MOTIVACIONAL

    Não é fácil algumas vezes estar no olho do furacão, nem em meio ao menor problema que seja. As vezes desanimamos por conta das muitas lutas, o que é algo totalmente normal. Contudo, por conta disso, alguns buscam palestras motivacionais, literaturas de autoajuda e coisas do tipo e acabam usando isso para trilhar uma saída do olho do furacão. O problema destes materiais motivadores, é que eles não ajudam, eles apenas colocam fogo, nos animam, para nos induzir a seguir de qualquer maneira.

    É evidente que todos nós precisamos de motivação, e é claro também que muitos livros de autoajuda são bons, principalmente por ser legal ver o relato de alguém que venceu algum problema e analisar suas estratégias. O grande perigo é quando o autor coloca sua solução como norma, como regra para todos vencerem seus obstáculos.

    Existem muitas variantes antes de darmos uma opinião, uma saída ou a fórmula para uma solução. Quando se trata de pessoas e não de robôs, é preciso levar em consideração inúmeros pontos. Desde perfil da pessoa, conhecimento, como ele se motiva e principalmente, qual é o impacto que aquele problema causa em sua vida. Não se motive antes de refletir muito, não busque solução se acompanhado a ela não tiver consciência e planejamento.

    Enfrentar problemas apenas com motivação, nos fará trocarmos os pés pelas mãos, ou mesmo darmos passos maiores do que a perna. Pensando, conseguimos ver mais longe. Buscar analisar onde erramos e quais são as possíveis soluções mais coerentes, são atitudes mais eficazes do que apenas seguir fórmulas ou motivações.

    Quando enxergamos onde erramos, quando refletimos e pontuamos nossos erros, corremos o risco de não mais cair nas mesmas ciladas, não mais tomarmos decisões equivocadas e com isso, seguirmos sendo mais assertivos nos próximos obstáculos.

    Motive-se, mas não fuja dos problemas, aprenda a mergulhar nele, entender todos os seus pontos, esgotá-lo, para quando acabar vindo novamente, você saber com o que está lidando.

    Todas as ótimas invenções e as maiores descobertas surgiram quando pessoas estiveram em meio aos problemas. A adversidade nos tira de nossa zona de estagnação, nos obriga a irmos além, a criar e inovar. Problemas são ótimos e fundamentais para nosso crescimento, adversidades são professores que nos obrigam a olhar mais longe.

    Por isso, quando estiver em meio ao olho do furacão, pingue um colírio e siga (como diria um amigo), buscando sempre forças em Deus para entender sua situação e conseguir sair do caos de forma assertiva.

    Não existe atalho para o crescimento, sendo que, o melhor caminho é enfrentar os problemas de cabeça erguida e aprender com as adversidades.  

  • CARTA AO LEITOR: MAIS ALGUMAS CONFISSÕES

    Em plena era tecnológica, onde temos podcasts, vídeos dos mais diversos e um cem número de opções, nem sempre é fácil manter um blog voltado para textos e conteúdos teológicos e filosóficos. Eu sei bem como a leitura não é algo mais tão presente na vida das pessoas, somando a isso, tem o conteúdo que eu me propus oferecer.

    Por ter tal consciência, optei em definir metas bem realistas quanto ao blog e a minha própria escrita. Não pretendi ter um número grande de visualizações. Me concentrei apenas em produzir conteúdo relevante, que estaria, por fim, disponível no site.

    Aprendi a dar passos coerentes e sólidos, sem queimar etapas ou desejar algo aquém da realidade. Me concentrei em produzir e divulgar, da melhor maneira possível, colhendo os resultados de forma bem consciente, entendendo que nem tudo é fácil.

    Por fim, o que o blog acabou virando foi uma ferramenta para alinhar a minha escrita, para me dar disciplina, ampliando ainda mais a minha prática. Com o intuito de manter o blog atualizado, busquei escrever muito e com isso, eu ganhei ao conseguir ter o hábito consolidado. Eu foquei no blog e na escrita, mas ele acabou me ajudando em outras áreas da minha vida.

    A parte curiosa é que eu não acreditei que aquele simples plano me ajudaria muito em minha carreira profissional. Aprendi a construir metas realistas, sem idealizar muito. É comum fazermos planos e imaginarmos um resultado e isso é muito perigoso, pois você pode se frustrar por demais, caso o fim não seja igual ao que você teria imaginado.

    Sou conhecido hoje como alguém disciplinado, mas eu sou um indivíduo comum, com as mesmas propensões a procrastinar que todos têm, o que me diferencia dos outos é o hábito que eu busquei construir. E o blog me obrigou a ter metas de escrita e estudo e a buscar ferramentas para me manter produzindo. Isso me ajudou em minha disciplina de escrita. Se hoje eu sou disciplinado, é por conta do simples plano de manter um blog atualizado. Nem sempre eu tenho vontade de escrever e estudar, mas quando o horário destas atividades chega eu não procrastino e mergulho na atividade.

    Hoje ao estudar sobre o assunto, descobri que para termos hábitos concretizados, precisamos estabelecer metas e horários para escrever, produzir e ler. Isso nos ajuda a termos constância e a não procrastinarmos.

    Estabelecer metas realistas é outro ponto importante, se você lê pouco ou escreve pouco, precisa aprender a dar um passo realista ao invés de buscar seguir o ritmo de alguém que escreve e lê muito. É um erro muito grande tentarmos nos mediar por alguém que já caminha em uma determinada área há muito tempo. Na verdade, este é o caminho do fracasso. Metas coerentes, que condizem com quem você é neste momento é o primeiro passo para você conseguir cultivar a disciplina e melhorar cada vez mais.

    A verdade é que se hoje eu sou escritor, é porque fracassei e esta é a minha confissão. Por não ter oportunidades de desenvolver o meu ministério na igreja, criei um caminho próprio e me desenvolvi como professor, escritor e pesquisador. Não sou acostumado a esperar sentado por algo. Aprendi, diante da falta de oportunidades, a arregaçar as mangas e a trabalhar.

    Com isso, agradeço a Deus pelo blog e todas as oportunidades que a escrita e o estudo me trouxeram. O motivo pelo qual hoje eu tenho disciplina, foi porque um dia resolvi dar o simples e humilde passo de montar um blog e oferecer bons conteúdos as pessoas.

    A você que me acompanha, sou imensamente grato. E hoje se eu sou um professor e pesquisador, autor de artigos acadêmicos e livros, foi porque eu resolvi não aguardar sentado por uma oportunidade.

    Cordialmente,  Guilherme.

  • SOCIEDADE DA DESCONSTRUÇÃO

    Vivemos em mundos bem diferentes, mesmo aqueles que vivem na mesma cidade. Pessoas com realidades díspares, percebem a sociedade de forma diferente. E assim seguem os indivíduos, sempre juntos, mas no final, separados por suas visões de mundo.

    Neste solitário e tecnológico universo, enquanto alguns adoecem com males frutos da tecnologia, outros inventam softwares que solucionarão o problema de muitos. Enquanto a cura para uma doença é encontrada, outras doenças são descobertas ou mesmo fabricadas por nossa sociedade hiperconectada e tecnológica.

    Nunca tivemos tanto acesso à informação, mas também a tanto erro e fake News. Nós temos todo o potencial para aprendermos e crescermos como cidadãos, mas somos traídos pelos nossos egoísmos e falhos pontos de vistas. E nesta ambivalência, o ser humano segue se desconstruindo, solitário e vulnerável as muitas mudanças, sonhos e desejos.

    Quando me perguntam sobre o meu posicionamento político, costumo falar que eu sou muito protestante para militar por um dos lados (esquerda e direita). É muito claro em minha mente, como o pecado desconstrói e aliena o ser humano e é inevitável, em uma sociedade composta por estes seres humanos, vermos tais contradições. Como por exemplo os avanços tecnológicos seguidos de caos em várias áreas, como pontuei.

    Satisfazemos nossas egoístas vontades, aderimos a teoria que mais nos agrada e não percebemos o quanto estamos sendo contraditórios. Temos conhecimento, mas nos falta controle e uma reflexão sincera, além de critérios, fruto daquela reflexão que exige tempo, paciência e estudo. Poucos hoje aprenderam a parar sem constantemente serem interrompidos pela tecnologia e não são todos que percebem a contradição desta realidade.

    Quando eu leio Eclesiastes (1:9) onde diz que: “Não há nada de novo, debaixo do céu”, a frase me arranca um sorriso, por ser muito atual, mas também me deixa muito preocupado. Ela nos mostra direta e indiretamente uma verdade: “Longe de Deus não há vida, muito menos paz verdadeira e equilíbrio, sendo que, longe de Deus, o ser humano segue sempre repetindo erros”.

    Eu gosto da palavra ambivalente, creio que ela descreve bem a nossa sociedade. O termo significa que algo pode ser tanto bom, quanto ruim, dependendo apenas de como é usado ou como um cidadão se comporta e é assim que costumo descrever a sociedade e as pessoas. Não sou um ser humano perfeito, mas busco estar atento aos exageros e neste sentido, penso que o nosso estilo de vida, nos revela muita coisa.

    Busco ser um cristão centrado, estudo e leio a palavra, além de estar em comunhão com os irmãos na Igreja, mas também não deixo a família e as coisas particulares serem engolidas por compromissos. O mesmo eu faço com o trabalho, busco estar atento a preocupações que invadem o âmbito particular. A vida saudável se cultiva, não é algo que nasce com você. Com a tecnologia eu tomo o mesmo posicionamento. Eu gosto muito de tecnologia e estou sempre usando, eu apenas não permito que ela me use.

    A sociedade da desconstrução não percebe muitas vezes suas contradições e segue proferindo discursos e posicionamentos ilógicos. Ser cristão é não se esquecer da nossa prioridade e estar atentos às mentiras disfarçadas de verdade. São estas coisas que arrebatam a nossa vida e nos faz aderimos a prioridades que tiram o nosso foco de Deus e com isso, nos faz cairmos na desconstrução.

    Quando a Bíblia diz que Deus é a fonte da vida (Salmos 36:9; João 14:6), ela enfatiza justamente uma verdade fundamental, que longe de Deus, nós não somos nada. O ser humano se desconstrói, transformando o que é legitimamente bom em um veneno, por isso, tome cuidado com a sociedade da desconstrução.

    É fácil trocarmos valores importantes por migalhas, verdadeiros tesouros por ouro de tolo. A nossa sociedade tem este dom de diminuir o que é fundamental e colocar em um pedestal valores inúteis. Por isso, fique atento!

  • PERIGOSA IMPACIÊNCIA

    “A impaciência pode se tornar o mais cruel e exigente agiota” (GIANNETTI, 2012, p. 65).

    Fui um grande frequentador de bibliotecas, sendo que, era para lá que íamos quando queríamos emprestar um livro novo ou precisávamos pesquisar um determinado assunto do colégio. Acredite, houve um tempo onde a internet não existia. A ação de pesquisar algo terminava por ser um evento, uma cerimônia dedicada a tal missão. Hoje é possível pesquisar através de dicionários online, artigos acadêmicos, em sites especializados ou mesmo, comprar um livro, entre tantas ótimas facilidades que nos ajudam. E apesar de nos auxiliar, estas facilidades nos fizeram também pessoas impacientes.

    Saber esperar é um verdadeiro tesouro, uma riqueza que precisamos aprender a cultivar em nossa vida. Em dias tecnológicos, todas as facilidades só nos ajudaram a sermos imediatistas, nos fazendo perder a nossa capacidade de esperar. A impulsividade tomou o lugar do planejamento.

    Nem tudo é na hora que queremos, existem casos onde aguardar o momento é essencial, sendo que, quando entendemos isso, conseguimos sucesso em vários dos nossos planos. Às vezes, para termos resultados positivos, precisamos amadurecer, estudar ou treinar mais, aguardando assim o momento certo de colocar um plano em prática. Eclesiastes (3:1) é sábio ao afirmar que para tudo há o seu tempo:

    “Para tudo há uma ocasião, e um tempo para cada propósito debaixo do céu:”

    Entender tais princípios é o caminho para a paciência e para agir de modo assertivo. Quando buscamos nos preparar para a hora certa, com certeza, colheremos frutos de ações coerentes e planejadas ao invés de colher fracassos por sermos impulsivos.

    Logo depois de formado, decidi ser professor, mas só consegui concretizar o plano cinco anos depois. Enquanto eu planejava e aguardava uma oportunidade, busquei estudar e me preparar para quando eu conseguisse um espaço para lecionar.

    Neste tempo eu estudei muito, fiz pós-graduação, consegui uma oportunidade de dar aulas em um seminário teológico e usei estes momentos para aprender, me preparar e crescer. Se hoje eu sou professor, eu devo muito a estes momentos, espaços e o preparo que eu busquei construir.

    Esperar é uma prática, precisamos aprender que para tudo existe uma hora certa. E caso você não consiga uma oportunidade no momento que você quer, dedique-se a se aperfeiçoar e estar preparado para quando a oportunidade chegar.

    Uma coisa que eu aprendi é que, não adianta termos oportunidade, se não estivermos preparados e a altura da oportunidade. Com isso, buscar ter fundamentos e repertório é o caminho decisivo para conseguir ter sucesso em seus objetivos.

    O meu conselho é simples e muito repetido aqui no site ou nas aulas: cultive uma rotina de estudos, sem exageros. Busque conhecer, se aprofundar em um tema, mas também conhecer outras áreas, para desta forma ser desafiado como estudante.

    Valorize também aquelas oportunidades simples, que muitas vezes nós não damos valor. É por baixo que você começa e aproveita para se preparar, errar e se consertar. Um equívoco, em um local pequeno, tem muito menos impacto, por isso, aproveite.

    A impaciência quebra ciclos e impede você de aprender, de vivenciar uma oportunidade e crescer. Não queime etapas e aprenda a aproveitar os momentos e as oportunidades que você tem para aprender.

    BIBLIOGRAFIA

    GIANNETTI, Eduardo. O valor do amanhã. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

  • O SENSO COMUM E A SUA FORMA DE RESOLVER PROBLEMAS

    Um certo dia precisei ir ao centro da cidade resolver alguns problemas. E em um determinado momento, me deparei com dois homens conversando realmente alto. Eles falavam sobre um morador de rua sentado em uma calçada do outro lado do caminho. A frase era curta e o julgamento que uma das pessoas fez ressoou em minha mente por muito tempo, o cidadão dizia, apontando para o mendigo: “Estas pessoas estão na rua, passando necessidade, porque são fracas”.

    Olhar para alguém que está em uma situação bem diferente da sua ou que possui uma realidade financeira bem abaixo do que a sua realidade e emitir um juízo de valor, não é justo. Principalmente se você nunca vivenciou aquela situação ou não conhece aquela realidade. Outra coisa muito importante que precisamos entender é que não é inteligente colocar todas as pessoas em uma mesma realidade e fazer uma conclusão geral sobre eles. Cada um tem a sua história e suas particularidades. E apesar de crer que alguns vivem na rua por estilo de vida, e isso existe, por mais que soe estranho, esta não é a realidade de todas as pessoas. Existem histórias, intenções e muitas vezes freios, que seguram alguns, impedindo que avancem mais em suas realidades.

    Quando eu vejo alguém concluir e opinar sobre um assunto desta forma, calcado em muito senso comum e opiniões simplistas, é quando eu acabo por ter certeza da insistência do ser humano em se abster de se informar. É evidente a falta de repertório de uma pessoa assim.

    Todos nós temos uma opinião sobre um assunto ou fato, já reparou nisso? Olhamos alguém, lemos uma notícia ou vemos algo acontecer e já emitimos um juízo de valor. O ser humano é alguém que está sempre pensando, o que ele não costuma fazer é se informar antes de emitir o seu ponto de vista, com isso, ele argumenta tendo como ponto de partida apenas as suas informações, e em alguns casos, isso não é suficiente. É preciso buscar mais, para conseguir falar melhor e não falar bobagem.

    Concluir sobre alguém, avaliando apenas o estilo das suas roupas, orientação sexual ou escolhas pessoais, é complicado. Existe uma história por trás das pessoas, uma batalha que só quem está passando consegue refletir. O mundo de alguém muitas vezes fica escondido em nossa ignorância e falta de vontade de conhecer mais outras realidades.

    O senso comum insiste sempre em impor as suas opiniões. A maioria que segue esta linha de raciocínio, crê em um universo fundamentado em projeções pessoais, que são injustas por si só.

    Quando você vive um pouco mais, você percebe que até as pessoas mais fortes, são derrubadas pela vida, pelos problemas e situações que nos pegam de surpresa. Viver não é uma arte tão simples assim, não é à toa que inclusive pastores e cristão realmente relevantes, acabam desanimando por conta dos problemas da vida. E alguns, como vimos alguns anos atrás, até tiram a sua vida.

    É fácil olhar para o próximo e emitir um juízo de valor, agora, estar naquela situação já é outra realidade, por isso que, nos demorar em emitir uma conclusão é a ação mais sábia que podemos ter. É melhor se informar, tentar ajudar, do que concluir com uma reflexão simplista como esta.

    Lembre-se que é sempre muito mais fácil resolver os problemas dos outros, principalmente quando não estamos vivenciando aquela realidade. O desafio é resolver nossos problemas. Por isso, se abstenha de condenar as pessoas e não se esqueça que todos nós temos as nossas dificuldades.

    “Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês”. (Mateus 7:2).

  • A VANTAGEM DA HUMILDADE

    “Riqueza gera arrogância; comedimento leva à humildade. Muito melhor ser humilde do que arrogante” (CONFÚCIO, 2019, p. 53).

    A parte boa do dinheiro é que ele pode nos proporcionar uma vida confortável, com ele, podemos ter acesso a facilidades, conseguimos viajar e estudar, entre tantas coisas boas. A parte ruim do dinheiro é que ele pode nos deixar arrogantes, pois riqueza e poder geram soberba e aquele sentimento de superioridade. Tudo vai depender de como você enxerga o dinheiro e qual é o lugar que ele ocupa em sua vida.  Caso ele esteja no cômodo principal, ele vai ditar as regras, terminando por virar um fim em si mesmo. Caso você coloque em seu devido lugar, ele vai ser o meio de realizar algo ou mesmo, de ajudar as pessoas.

    O dinheiro é uma ferramenta que nos dá a capacidade de fazermos muitas coisas. Nunca vivi para o dinheiro, eu apenas faço uso para os diversos fins, como tudo deve ser. A vida é curta para termos como principal meta, acumular muito dinheiro e riqueza. Não precisamos de tudo, por isso, ser comedido é o caminho para o verdadeiro equilíbrio.

    Saber como você quer viver é o primeiro passo para uma vida humilde. Lembrando que ser humilde, não é se diminuir, e muito menos achar que somos menores que as outras pessoas, e sim, saber bem quem você é, e como você considera (ou não), o próximo.

    Quem é comedido, acaba sendo humilde, por saber que é importante não viver por impulso. Além de saber bem o lugar das coisas e do dinheiro. O comedimento e a humildade andam juntos, por ter o mesmo princípio que é o equilíbrio. Quem busca o equilíbrio, primeiramente deve ser humilde e entender sua falibilidade. Quem sabe quem é, e o quão sujeito está ao autoengano, acaba sendo humilde. Sendo que no mais, são consequências deste estilo de ser. A humildade não tem preço, viver para coisas e objetos é muito pouco e nos leva por estradas muito esburacadas.

    Quando descobrimos quem somos e percebemos que o dinheiro proporciona são apenas mitos. Sentimentos que são falsos em si mesmo, percebemos que a busca por equilíbrio é fundamental.

    O sentimento de superioridade que alguém tem por conta de dinheiro e status, é falso, é um mito. Ele não traduz quem somos, muito menos nossas habilidades e conhecimentos. O dinheiro constrói uma falsa imagem de nós, e nos engana.

    Ser humilde é apenas para os fortes, para aqueles que não têm medo de mostrar a sua cara, e de admitir tanto suas qualidades, quanto seus defeitos. A vida humilde, o comedimento, nos leva a entender que precisamos de limites, e é o limite que constrói pessoas humildes.

    A simplicidade é o resultado de quem dia a dia busca o equilíbrio, de quem não precisa de tudo para “ser”. Quem esconde o seu rosto atrás de coisas ou do dinheiro e posição social, no final mostra que não tem nada para mostrar, por isso, precisa de um monte de coisas para se tornar alguém.

    BIBLIOGRAFIA

    CONFÚCIO. As lições do mestre. São Paulo: Editora Jardim dos Livros, 2019.

  • AGOSTINHO E O TEMPO

    Cresci assistindo filmes e séries sobre viagens no tempo, era realmente interessante pensar na possibilidade de poder voltar e revisitar histórias e acontecimentos famosos ou mesmo, consertar decisões equivocadas que tomamos.

    A nossa vida é construída com histórias, acontecimentos que muitas vezes guardamos como lições. É normal as vezes pararmos e lembrarmos do passado, de dificuldades e lições aprendidas. São tempos que passam e ficam na lembrança.

    E sobre o tempo, lembranças e acontecimentos, se pararmos para refletir, entraremos em algumas áreas realmente complicadas, pois afinal, o que seria o passado, o presente e o futuro? O passado existe ao ponto de podermos revisitar? E o futuro é um lugar ou ele acaba sendo apenas uma projeção da nossa mente, apenas uma interpretação dos dias que se foram? São muitas perguntas que o assunto levanta.

    Ao discorrer sobre o conceito de tempo, em sua obra “Confissões”, Agostinho pontua que o tempo é algo que sabemos muito bem, quando não nos perguntam sobre. Mas que se precisarmos explicar, mostraremos a nossa inaptidão (2016, p. 342).

    A questão do tempo se faz presente na filosofia de Agostinho por conta de seu embate com os maniqueístas, que através de sua visão dualista de bem e mal, concebiam o mundo como uma mistura de bem, que era Deus e mal, que seria a matéria. Sendo que ambos possuíam uma natureza infinita e ilimitada, e seguiam em uma eterna batalha (COSTA, 2012, p. 53).

    Vinha também dos maniqueístas questionamentos sobre Deus e sobre o que ele estaria fazendo antes de criar tudo. A diversão deles era fazer soar ridícula a criação do tempo segundo Gênesis. Para Agostinho, o tempo havia sido criado por Deus, junto com tudo o que ele criou, sendo que antes, não havia nada, muito menos tempo (COSTA, 2012, p. 53). Dario Antiseri e Giovanni Reale complementam:

    Antes de criar céu e terra, não havia tempo e, portanto, como já acenamos acima, não se pode falar de um “antes” antes que o tempo fosse criado. O tempo é criação de Deus […]” (p. 466).

    O tempo é algo criado por Deus, e Deus vive em um eterno agora, para Ele, sempre é. Por fim, o tempo é algo que existe dentro do ser humano, visto que é ele que mantem suas lembranças e interpretações sobre o que aconteceu e também suas expectativas e planos para o futuro.

    O tempo, como diria Agostinho, é apenas o presente. O passado não existe, ele é uma interpretação que fazemos no presente sobre um dia que passou. O futuro é só uma projeção da nossa mente. E o presente é o dia em que vivemos, é o hoje. Com isso, ele resume a questão dividindo o tempo em: presente do passado, presente do presente e presente do futuro. O presente do passado, seria a memória, o presente do presente na nossa percepção e o presente do futuro a expectativa (2016, p. 348-349). Tal questão está bem pontuada em seu livro “Confissões”.

    Quando falamos em passado, discorremos sobre uma interpretação que fazemos no presente de algo que já passou. Em um dia que não mais existe e que se foi. O tempo é uma existência fragmentada visto que ele está sempre passando. Só há o presente, o passado é um momento que sobrevive na memória e o futuro permanece como uma espera tendo como base as nossas percepções no presente (GILSON, 2010, P. 365).

    No final, segundo Santo Agostinho, não existe passado, presente e futuro, e sim, apenas o presente que também não é, já que também passa e escoa com a fluidez da vida. Se o presente permanecesse, ele seria eternidade, com isso, concluímos que o presente é um eterno deixar de ser (GILSON, 2010, P. 365).

    Sobre as nossas histórias, é interessante pensar e colher a lição, contudo, esta reflexão é feita a partir de hoje, com uma interpretação atual, que pode não refletir o que realmente aconteceu. Olhamos nossas histórias, escolhas e acontecimentos, através do olhar atual e muitas vezes reinterpretando algo e assim, cometendo alguns erros.

    As lembranças, no final, são interpretações que fazemos no agora, sendo que estamos passíveis de erros, justamente por conta de como o momento que passou significa para nós. Interpretar nem sempre é uma ação calcada na verdade, as vezes erramos, por conta da percepção.

    Contudo, independentemente da conclusão que podemos ter do tempo, uma coisa é verdadeira, o tempo demonstra o quanto somos pequenos e frágeis e o quando Deus é soberano.

     Se nós vivemos em uma eterna fluidez, de dias que são e já deixam de ser, Deus vive em um agora eterno, pois para ele o tempo é sempre agora, já que ele é o criador de tudo, inclusive do tempo.  

    BIBLIOGRAFIA

    AGOSTINHO, Santo, Confissões, Editora Paulus, São Paulo, 2016.

    GILSON. Étienne, Introdução ao estudo de Santo Agostinho, Editora Paulus, São Paulo, 2010.

    COSTA. Marcos. Roberto, 10 lições sobre Santo Agostinho, Editora Vozes, Rio de Janeiro, 2012.

    GIOVANI, Reale.; ANTISERI, Dario. Filosofia: Antiguidade e Idade Média. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2020.

    RUSSEL, Bertrand. História da filosofia ocidental: Livro 2 A filosofia católica. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2015.

  • OLHAR ALTIVO: O ORGULHO E A VIDA CRISTÃ

    Costumo perceber ao chegar em um ambiente, como as pessoas me olham. O olhar fala muito e revela como alguém enxerga o seu semelhante. Você pode fingir, tentar atuar para agradar as pessoas, mas o nosso corpo e as nossas expressões podem revelar um sentimento contrário ao que estamos expressando.

    O olhar humilde é acolhedor, nos faz sentirmos que somos aceitos em determinado local. Já o olhar arrogante, que insiste em nos medir, como se não fossemos bons o bastante para estarmos no recinto, espanta, separa e divide.

    A igreja é um local de refúgio, é um ambiente onde a humildade deveria falar mais alto e também onde todos deveriam ser aceitos e acolhidos como são. Somos mordomos, servos de Deus, com isso, acolher como a graça nos acolhe, é um princípio básico para todos os cristãos.

    Nestas minhas andanças ao sair da igreja no qual havia sido membro há muitos anos, visitei muitas comunidades e com isso, pude notar como alguns lugares carecem desta humildade que a graça nos dá. Olhares julgadores, orgulhosos e com falta de abertura, foi o que eu mais percebi. É claro que não foram em todas as igrejas, mas em uma boa parte delas.

    Há comunidades onde perguntar o seu sobrenome é comum, para verificarem se você é realmente um descendente legítimo de determinada etnia, em outros as suas roupas e carro são avaliados. Atitudes que considero muito negativas, mesmo feita sem maldade, visto que ela segrega e separa as pessoas.

    O corpo de Cristo não tem etnia e nem classe social, somos cidadãos do céu, o nosso reino não é deste mundo, estamos só de passagem. Com isso, receber a todos, independentemente de onde uma pessoa nasceu é um ponto de partida fundamental. Santo Agostinho acrescenta:

    “Os que amam a Deus e fazem a sua vontade, formam com ele uma só família, da qual Deus é o Pai. Serão pais uns dos outros, quando deles cuidam; filhos, quando se aceitam mutualmente; mas serão especialmente irmão. Isso porque o testamento de um único e mesmo Pai os chama à mesma herança (2021, p. 115).

    Precisamos ter consciência e fugir da altivez, que é uma atitude contraditória com a palavra. A vida cristã e a arrogância, não combinam. A mesma graça que nos salvou, termina por ser as lentes nos quais vemos o próximo, ou pelo menos deveria ser assim. Por isso que o orgulho não deve ter o menor espaço na vida de um cristão.

    Cultuamos um Deus que se fez carne, que conviveu com os mais diversos e complicados tipos de pessoas. Só este fato já nos deveria levar a termos uma vida humilde.

    Tudo o que temos e somos, devemos a Deus, por isso, a humildade deve ser o nosso ponto de partida e o holofote que aponta para a misericórdia de Deus.

    BIBLIOGRAFIA

    AGOSTINHO, Santo. A verdadeira religião; O cuidado devido aos mortos. 1. ed. São Paulo: Paulus, 2021.

  • ENTENDENDO O AMOR

    “O amor é o que o amor faz” (HUNTER, 2004, p. 68).

    Imagine uma pessoa que gasta seus dias para cuidar de doentes, mais especificamente de leprosos, que ninguém quer saber. Ou uma pessoa que estuda anos para ser médico, para terminar sua carreira sendo missionário em países onde a doença e a pobreza são constantes. Imagine um empresário que separa uma parte dos lucros de sua empresa para a caridade. Na verdade, você nem precisa imaginar, basta ler a história de inúmeros missionários que se dedicaram a ajudar o próximo e empresários, engajados na missão de melhorar a vida de algumas pessoas. Quando leio sobre amor, não consigo deixar de fazer um link com todos estes exemplos práticos que resumem o significado da palavra.

    Muitos acreditam que amar envolve muito mais sentimento do que a razão, infelizmente, muitos destes idealizam o amor e o veem como algo sentimental e romântico. Mas para quem é pai, ou vive em um relacionamento de muitos anos, sabe muito bem o quanto tal conclusão é equivocada.

    O romance não dura muito tempo, os dias de flores de um pai ou casal, não são diários. O amor romântico dos filmes é até bonito, mas na vida real as pessoas adoecem, ficam de mau humor ou têm seus dias de melancolia.

    No fim, o amor é o que o amor faz, como a citação aponta, é uma atitude, uma ação que nem sempre envolve sentir. É chegar em casa depois de um dia de trabalho complicado e ainda conseguir dar atenção aos filhos, é sair de casa em um dia de descanso para ajudar um amigo. É tratar bem alguém que parece não ir muito com a nossa cara. Sendo que em muitos destes casos, sair da nossa posição cômoda ou mesmo, engolir nosso orgulho para ajudar uma pessoa que muitas vezes não gosta de nós é a verdadeira demonstração de amor.

    Amar não é sentir, é fazer, é ser diferença, sem depender dos sentimentos. Amar é muitas vezes fazer o oposto dos sentidos e cultivar atitudes construtivas e não destrutivas. Lembre-se que amar é um verbo e verbo denota ação.  

    É normal confundirmos as coisas, seguindo pontos de vistas criados por filmes ou propagandas. O que precisamos entender é que no mundo real, as coisas são muito mais diferentes e amar, é muito mais do que sentir algo por alguém ou ver coraçõezinhos voando.

    As vezes os nossos sentidos apontam para certas atitudes, contudo quem ama pensa, reflete e busca as melhores ações, mesmo que todo o corpo diga que você não deveria fazer nada. Amar é fazer, independente de quem a pessoa seja ou tenha feito para você.

    Lembre-se que Jesus não só demostrou o seu amor curando, acolhendo e recebendo os excluídos da sociedade, mas agiu de forma amorosa ao morrer em nosso lugar.

    Se “o amor é o que o amor faz”, na cruz um Deus demostrou o amor mais gigantesco que alguém pode demonstrar por alguém.  

    BIBLIOGRAFIA

    Hunter, James. C. O monge e o executivo: Uma história sobre a essência da liderança. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2004.

  • APRENDENDO A NÃO SABER

    Foi a sede pelo conhecimento que me levou a fazer uma graduação. Eu queria conhecer mais, por isso, cursei um Bacharelado em Teologia em uma relevante faculdade.

    Na época, alguns colegas de trabalho não entenderam a minha decisão, em um mundo onde o dinheiro move tudo, alguém que gasta quatro anos de sua vida apenas para conhecer ou se preparar para o ministério em sua igreja, é alguém fora da realidade. Em uma sociedade onde o dinheiro é o Norte, quem estuda para apenas conhecer, acaba sendo alguém fora da norma.

    A ironia foi que quando eu comecei os estudos, eu acreditava fielmente que sabia. Fui membro de uma igreja que incentivava as pessoas a ler e a estudar. O curioso foi que a cada estudo, cada pesquisa e aula que eu ouvia, apenas fazia com que eu percebesse o tamanho da minha ignorância e como o conhecimento é inesgotável. Entrei na faculdade acreditando que sabia e saí, tendo a certeza que precisava aprender ainda mais. 

    A frase “só sei que nada sei”, de Sócrates, não é apenas uma ironia, de um filósofo que conhecia muita coisa, mas também uma grande verdade. Aquele que verdadeiramente sabe é um indivíduo que tem a plena ideia do quanto não sabe.

    O orgulho é ignorante, ele não dialoga, coloca uma pessoa em um pedestal, como um intocável. Orgulho é coisa de quem não sabe e se convenceu ouvindo apenas um argumento, lendo apenas um livro ou ouvindo somente uma pessoa, seguindo assim de forma arrogante, se autoafirmando, para disfarçar a sua insegurança. Aprender a fina arte de não saber, requer muita humildade e a capacidade de abrir o peito para confessar as suas fragilidades. Quem realmente sabe, tem certeza de quem é e segue mais leve por conta disso.

    Aprendi a ser humilde diante de professores experientes, descobri que as mentes mais sábias eram simples, tranquilas e não precisavam provar nada a ninguém. Aprendi também com muita gente humilde, que não estudou em uma faculdade, mas aprendeu com a vida, sofrendo tombos e se levantando, provando que a vida é incerta e o certo é apenas a nossa ignorância.

    Aprendi a não saber e esta foi a minha principal lição na faculdade, por isso, sigo aprendendo, buscando conhecer e crescendo, mas com a certeza que quem realmente sabe, é aquele que sabe que de nada sabe. Reconhecer a própria ignorância, é se ver face a face com o saber e com a humildade. Quem consegue alcançar tal estágio, já conseguiu tudo.

    Desconfio de quem tem muita certeza, de quem com presteza, tenta convencer a todos e segue se achando o dono do conhecimento. Destes, me mantenho longe, quem tem muitas certezas não é confiável.