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CERTEZAS POLÍTICAS
Na politica não é incomum vermos a história se repetir, seja no Brasil ou fora dele. No final é a certeza moral que rege as discussões políticas. Em nome dela, inúmeras batalhas são travadas e seguem sem propor mudanças realmente duradouras a população. São apenas pontos de vistas calcados em interesses próprios, de pessoas que creem que todos são os bandidos, enquanto eles são os “mocinhos”.
Em primeiro lugar, eu lamento muito estarmos ancorados nessas discussões como se a sociedade estivesse fadada a escolher o seu lado e se contentar com tal alternativa. Opções descentralizadas, caminhos que focam no bem comum são esquecidos, enquanto a briga por interesses particulares continua. A política virou uma guerra de interesses, enquanto muitos problemas seguem sem solução e a corrupção vira rotina nos noticiários diários.
Em segundo lugar, a meu ver, tal guerra de certezas, já que ambos os lados acreditam estar de posse da infalível solução política, só demonstra o quanto o problema é muito maior do que imaginamos. Onde no final, se não aprendermos a dialogar e construir caminhos mais centralizados, seguiremos sem solução. Ben Shapiro acrescenta:
“Se tem uma atitude que caracterize a política moderna é a completa e absoluta certeza moral. Os que estão na esquerda política têm certeza de que aqueles que se opõe a eles são monstros nazistas, determinados a dominar vidas individuais; aqueles na direita política estão certos de que o oposto é verdadeiro” (2019, p. 73).
A minha única certeza é que a militância, no final, não tem ajudado e a ignorância é a pauta que tem dado o tom da discussão. Sem diálogo, continuaremos à deriva, sem boas soluções inclusive contra a corrupção e as regalias políticas, que são realizadas às custas do povo trabalhador, que tem sido endêmica em nosso setor político.
Veja bem, por mais que seja possível classificarmos os dois modelos políticos em esquerda e direita, por conta de características específicas que ambos os pensamentos políticos possuem, a questão vai muito mais além do que tal classificação. Temos problemas que precisam ser resolvidos, seja a corrupção que corre solta dos dois lados ou o enorme gasto público com coisas que não são essenciais e por aí vai. Diante de tais fatos, eu não consigo de deixar de concluir que esta briga serve apenas para não permitir que a população foque nestas questões. Enquanto as pessoas brigam, eles fazem festas com o dinheiro do pagador de impostos.
Tenho uma certa desconfiança daqueles discursos que apontam os erros de todos, mas se colocam como os salvadores. Não há salvador aqui na terra e muito menos a certeza de que nossos atos sejam moralmente corretos e infalíveis. Ser cristão é justamente entender que somos falhos e incompletos e que é só a partir de Deus, que conseguiremos caminhar pelos trilhos da verdade.
A minha proposta não é levar você a abandonar a sua opinião política e sim, incentivar você a olhar para os dois lados. Aprenda a primeiramente, aceitar as críticas e contradições da sua vertente política, pare de defender o seu lado como se ele fosse infalível. Ignorar os erros e equívocos faz de você alguém desonesto, esta é a verdade, e para conseguirmos mudanças precisamos de honestidade.
Entenda também que muito mais do que esquerda e direita, o Brasil está mergulhado em corrupção e gastos excessivos, muitos políticos, se não a maioria, não servem o país e sim, se aproveitam, se apropriando de tudo o que é nosso. Quanto mais regalias e mais corrupção, mais pagaremos impostos e sustentaremos as pessoas que deveriam cuidar do nosso país, como eu já pontuei.
Existem na verdade dois lados, o lado dos políticos desonestos e o lado do povo, que não aguenta mais pagar impostos e viver na falta. Por isso que, se for para dividirmos a política em dois lados, que os lados sejam estes: O povo e os políticos.
Que possamos cultivar sabedoria na hora de dialogar sobre o assunto e não deixar de ver os pontos que realmente importam. A política existe para servir o povo e não ser servida, por isso, olhar para a política e refletir sobre o papel que ela está exercendo na sociedade deve ser a primeira atitude. É só assim que vamos conseguir dialogar de forma construtiva e propor mudanças relevantes em nossa sociedade.
BIBLIOGRAFIA
SHAPIRO, Ben. O lado certo da história: Como a razão e o propósito moral tornaram o Ocidente grande. Rio de Janeiro: Alta Books, 2019.
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ATIVISMO RELIGIOSO
Um dos pontos fundamentais da vida cristã é o nosso secreto com Deus. Não existe um cristão, se este não separa um tempo para orar e estudar a Bíblia. Para sermos, precisamos separar o nosso tempo com Deus, ser cristão é isso.
Conheço inúmeras pessoas que passam a semana toda dentro de uma igreja, mas mal separam um período para se colocar aos pés do Criador e muito menos ler a sua palavra. Isso sem contar com o seu convívio familiar, o qual também é fundamental.
É claro que é essencial sermos úteis para o reino. Trabalhar na igreja é muito bom e muito importante, mas a vida cristã não se resume apenas a isso. Por isso, precisamos entender que estabelecer limites é o único caminho do cristão que tem uma vida equilibrada.
Aprender a parar, separar um tempo para ler, estudar ou estar com a família, além do próprio secreto, como já falei, é igualmente fundamental. O ativismo, apenas fazer e trabalhar para o reino, como muitos dizem, é somente um dos lados da moeda, existem outros que devem ser considerados.
Você não sabe como é precioso se colocar aos pés de Deus em silêncio, buscando ouvir sem pressa ou mesmo ler a Bíblia com calma, fazendo pausas para refletir. E isso só se faz com algum tempo reservado, sem afobação e ativismo.
Por isso que enfatizo, trabalhe na igreja sim, busque ser útil para o reino. A sua comunidade precisa certamente de pessoas dedicadas, úteis para servir as pessoas e cuidar da casa de Deus. Mas não se esqueça de que ser cristão não é apenas isso. Você precisa olhar para a sua família, tirar um tempo com as pessoas que você ama e também descansar.
Aquela história de que o cristão vai descansar apenas quando estiver no céu é lorota. Para o bem da nossa saúde física e mental, precisamos aprender a parar, cultivar um pouco de ócio criativo e recarregar as baterias.
Cuidado com o ativismo religioso, pois estar na igreja apenas não significa ser cristão. Ao contrário, muitos estão na igreja, mas distantes de Deus. Ser cristão é um estilo de vida, é um modo de ser e viver, sendo que para ser, você precisa estar cultivando o seu secreto, cuidar das pessoas de sua família e seguir tendo uma vida equilibrada.
Nós não descansamos de sermos cristãos, pois ser é um estilo de vida. Mas precisamos descansar, parar e relaxar, afinal, ativismo não combina com vida cristã. O tempo do secreto, do descanso e do convívio em família são também pontos fundamentais que fazem parte da vida de todo o cristão genuíno. Por isso, busque equilíbrio e não deixe que o excesso de atividades atrapalhe a sua vida espiritual e pessoal.
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SILÊNCIO ENSURDECEDOR
“Se todo mundo pensasse antes de falar, o silêncio seria ensurdecedor” (George Barzan) (BONDER, 2010, p. 30).
Eu gosto muito de conversar, pelo menos quando o assunto é interessante, mas confesso que tenho dificuldade com conversas banais ou mesmo com aquelas pessoas prolixas, que falam sem medida e sem reflexão. Quem muito fala, além de não ouvir, na maioria das vezes não pensa no que está dizendo.
Creio que quando aprendemos a pensar e refletir sobre o que falamos e acreditamos, percebemos durante o processo, muitas das nossas contradições. Quem fala demais não percebe suas incongruências, por estar naufragando no excesso de palavras.
O silêncio é ouro, segundo diz um provérbio, sendo que ele grita e também mostra a realidade que mascaramos com todos os nossos excessos. Nos orgulhamos da nossa tecnologia, mas não percebemos que estamos vivendo cada vez mais no impulso, falando, comprando e consumindo sem pensar.
Quem fala demais, tende a controlar, sem perceber que em uma conversa, no final, o que ele está fazendo é monopolizar um diálogo. O mesmo acontece quando ficamos o dia inteiro nas redes sociais, televisão ou qualquer outra coisa que nos controla. Estamos sendo monopolizados, sem percebermos. Estamos sendo controlados, para finalidades que desconhecemos.
Quando aprendemos a pensar antes de falar ou mesmo antes de fazer alguma coisa, buscando sempre enxergar além daquela situação, percebemos detalhes que antes era impossível de vermos.
O silêncio é ensurdecedor, ele revela quem somos e o quanto a nossa superficialidade é mascarada pelos nossos excessos. O muito falar, denota as vezes, alguma necessidade, um desejo de controle ou aceitação. Já quem se aquieta, se despe, deixa de querer controlar e permite que o ambiente apareça mais que a sua voz.
Aprenda a ouvir, caso você seja aquela pessoa que gosta muito de falar. O impulso de falar pode ser resultado de querer controlar uma conversa. Aprenda a parar e a pensar sobre isso.
Todos têm algo para dizer e sim, nem sempre nos interessamos no assunto que o outro está abordando, isso é totalmente normal. Mas deixar o próximo falar é saber amar, respeitar aquela pessoa e o que ela é.
Fale, não há problema algum em falar, mas também deixe o outro se expressar, um diálogo construtivo é feito de trocas, de ouvir e também falar, de aprender e também colaborar. É uma via onde as pessoas falam e ouvem de forma igual e respeitosa.
BIBLIOGRAFIA
BONDER, Nilton. Exercícios d’alma. Rio de Janeiro: Rocco, 2010.
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SOBRE VIVER
“A vida divide-se em três etapas: O que se foi, o que está, aí; e o que será. Dessas três a que vivemos é a mais breve. A vindoura é duvidosa. A vivida é certa, mas irrevogável” (SÊNECA, 2007, p. 45).
Viver uma vida que realmente vale a pena é buscar o equilíbrio, um desafio que eu sei que é muito grande, já que, quase sempre pendemos para um dos extremos. É difícil viver de modo equilibrado.
Sobre a vida que vivemos, um dos grandes erros é seguirmos pensando muito no passado, preso a acontecimentos, decepções ou momentos felizes. Não que seja errado relembrar tais fatos e sim que, seguir preso no saudosismo é perigoso. Use tais lembranças apenas para relembrar as lições e assim, não cometer mais os mesmos erros. E caso queira recordar bons momentos, não fique preso ao passado, aprenda a olhar para o hoje e desfrutar do agora. Aprenda a superar o que aconteceu não sendo assim, vítima do passado. Pois o hoje é muito curto e passa rápido.
Em contrapartida, o futuro é incerto, não dá para adivinhar como será. E por mais que nós possamos nos programar e também nos preparar, fazer planos e estudar tendo em vista uma oportunidade melhor na carreira, não podemos ter certeza de como será. Imprevistos e os mais diversos acontecimentos ainda podem acontecer.
Já o hoje é certo, é a vida que temos, é o presente que ganhamos, por isso, viva o presente, aprenda a se contentar com o que tem e se planejar para crescer um pouco mais. Tudo com muito equilíbrio e sobriedade, sem deixar de olhar para o agora. Sêneca complementa de forma genial o assunto pontuando que:
“É um privilégio a mente segura e tranquila percorrer todas as etapas de sua vida. A mente dos atarefados, como se estivesse sob um jugo, não consegue nem refletir sobre si mesma nem se contemplar” (2007, p. 46).
Aprender a desfrutar do hoje, mergulhar em um estado de contentamento e alegria, nos ajuda a sermos gratos. Se você não consegue aproveitar a vida do jeito que ela é neste momento, dificilmente, quando você conseguir alcançar seus objetivos, você será contente. A mente segura, como bem pontua Sêneca, percorre todas as fases da vida, ela sabe refletir, aproveitar e ser grata. O descontentamento, em contrapartida, segue vivendo sempre no amanhã, com uma existência pesada e negativa. O descontente não vive o hoje, pensa apenas no futuro não aceitando o seu estado atual.
Aprenda a largar o controle, entenda que faz parte da vida passar por dificuldades e aceite o seu momento, busque sempre ser grato e olhar para os pontos positivos para depois, aprender a lidar com tal situação.
No final, o velho equilíbrio, que eu sempre falo, é muito desafiador. Conseguir andar pelo caminho do meio e dar passos coerentes, nem sempre é tão fácil. Mas olhar para o hoje e buscar ser sempre grato, é um bom começo. As vezes somos traídos por nossa memória, nos esquecemos de todos os momentos bons que vivemos e mergulhamos em uma existência triste e negativa.
Desfrutar do hoje e construir bons momentos é a habilidade daqueles que entendem as contradições e ambivalências da vida e conseguem mesmo assim aproveitar da melhor forma possível.
BIBLIOGRAFIA
SÊNECA. A brevidade da vida. 1. ed. São Paulo: Editora Escala, 2007.
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A DOR COMO CENTRO DE TUDO
Quem já teve algum problema de saúde que trouxesse dor, sabe muito bem como a dor é debilitante. Mesmo as mais suportáveis, nos paralisam e mudam a forma como vemos as situações e o que está acontecendo em nosso entorno.
A dor tira toda a nossa alegria e vontade de estar em qualquer lugar, mesmo naqueles locais que gostamos muito. Em contrapartida, quando conseguimos a cura da dor, sentimos um alívio inexplicável. Saber que eu não terei mais aqueles episódios de dores é um sentimento muito maravilhoso.
Quem está sofrendo, certamente se desconstrói, não pensa em outra coisa e acaba fazendo com que o centro do universo seja ele e o seu sofrimento. A dor faz com que pensemos apenas em nós e em nosso problema, ela amplifica tudo, amargando o gosto pelas coisas que mais gostamos. O sofrimento tem o poder de retirar o sabor e o prazer de fazer as atividades que deveriam nos deixar alegres. Rubem Alves acrescenta afirmando que:
“O centro do universo se encontra no lugar que está doendo” (ALVES, 2015, p. 103).
Creio que a dor sentimental ou uma decepção também tem um efeito parecido. Ela nos deixa no centro, faz com que tudo gire a nossa volta, nos deixando sem saber como podemos silenciar ou amainar a falta. Quando tudo está doendo ou mesmo quando estamos sofrendo, nos sentindo injustiçados, pensamos apenas em nós, e paramos de perceber o outro.
Eu já conversei com muitos que passavam por momentos difíceis, seja por conta de uma separação, a perda de um ente querido ou mesmo por conta de enfermidades, e era visível constatar como estes não conseguiam olhar para outro lado. Em uma atitude totalmente normal, já que perder alguém não é muito fácil. O problema é quando o luto se estende e tampa a visão da vida, das possibilidades ou do próximo.
Não existe uma fórmula para passar por um momento difícil, só precisamos entender que a dor faz parte da vida, não adianta querer fugir. Em momentos difíceis eu sempre olho para a cruz, lembrando-me que Deus entende muito bem o que é sofrer. Se a dor tapa a nossa visão, a cruz e a palavra de Deus, nos faz olharmos para Ele, sendo que é através desta atitude, tendo esperança, e buscando o conforto em sua graça, que conseguimos colocar a nossa vida no centro da vontade de Deus. Que diga-se de passagem, é o melhor lugar para estar.
Ao olhar para Deus, eu olho também em volta. A sua graça tem o poder de nos sustentar e nos fazer olhar para o próximo, percebendo que cada um tem as suas dores e dificuldades. Mas quando olho só para mim, deixando de olhar para a cruz, eu me fecho em um egoísmo, me colocando como o centro, o único que sofre e que tem problemas.
Entregar nossos problemas nas mãos de Deus é ter a certeza que seja qual dor que for, Ele vai entender. Pois além de ser Deus, Ele foi também um ser humano, sentiu dor, a falta e a fragilidade que é estar encarnado na condição de um homem. Mas olhar para Deus é também ser liberto do meu egoísmo, tendo a minha vida inundada pela sua graça que me ajuda a realmente ver.
Sem Deus, seguimos olhando apenas para nós, nossas dores e prioridades, mas quando temos Deus no centro de tudo, além de termos esperança, conseguimos olhar em volta e perceber as pessoas.
Que Deus possa estar no centro da nossa vida, que a sua graça nos ajude a perceber o quanto somos pequenos e falhos sem Ele!
BIBLIOGRAFIA
ALVES, Rubem. O Deus que conheço. 4. ed. Campinas: Verus Editora, 2015.
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CARTA AO LEITOR: AS PRIMEIRAS CONFISSÕES
Quando eu resolvi começar o blog, não tomei tal atitude por crer que sabia escrever bem. O intuito era apenas escrever, oferecer bons conteúdos as pessoas e ter uma ferramenta que me obrigasse a estudar, como já mencionei em alguns textos. Eu estava estudando teologia e queria ser útil e também não estagnar, com isso, um blog me pareceu um bom projeto.
A dúvida que surgiu ao pensar no empreendimento, era se eu seria capaz de tal missão. O que eu menos tinha era capacidade, aos meus olhos, visto que eu poderia cometer e sem dúvida cometi, muitos erros no começo do projeto, mas persisti, estudei e busquei sempre me aprimorar. Já que o intuito era crescer e vencer meus limites, insisti, sem medo de errar.
Quando eu era bem novo resolvi aprender a tocar bateria, sendo que durante o processo e as primeiras vezes que fui tocar com um grupo de louvor na igreja, cometi muitos deslizes. Mas ao olhar para trás e perceber como a minha insistência e constante busca por aprimoramento fez com que eu virasse um bom músico, não pude deixar de me alegrar com todo o processo, apesar dos deslises. Com o blog não foi diferente.
O intuito do texto não é me diminuir, longe disso, mas mostrar como é possível vencermos nossas dificuldades. O engraçado é que escrever hoje é algo comum em minha rotina, sendo que a escrita me abriu portas em muitas áreas da minha vida. Foi escrevendo que estudei, que busquei me aprimorar e crescer mais.
A lição que fica, primeiramente para aqueles que insistem em serem chatos, que não toleram erros e ridicularizam os outros por seus deslises, é que sempre podemos aprender, crescer e evoluir, ninguém nasce sabendo e as vezes, quando começamos, descobrimos que sabemos bem menos do que imaginamos. E eu consegui crescer por conta dos amigos, que apontaram meus equívocos e mostraram o caminho para que eu pudesse melhorar e seguir na minha busca pelo saber, como já mencionei.
Em segundo lugar, fica a lição para quem quer começar e não se sente capaz. Comece, não desista, tente e insista. Lembrando sempre que é muito importante ouvir críticas, buscar ferramentas e materiais para o nosso aprimoramento.
Na filosofia existe um filósofo chamado de Heráclito, tal pensador acreditava que tudo flui, ninguém conseguiria entrar no mesmo rio duas vezes, visto que nem o rio e muito menos a pessoa seriam as mesmas. O rio, assim como nós, está sempre em movimento, mudando, aprendendo e se transformando (MONDIN, 2018, p. 28). O meu desafio é procurar me transformar sempre para melhor, por isso, não tenho medo de errar ao tentar algo novo.
Hoje além de ter aprendido a escrever melhor, meus textos já saíram em jornais como A Gazeta do Povo, mostrando como é possível crescermos em nosso conhecimento.
As vezes por conta daquela ironia da vida, crescemos com algumas dificuldades, sem sabermos pontos que seriam fundamentais para o nosso crescimento e nesta questão, você não pode fazer nada. O que você pode fazer é buscar mudança, entendendo que sempre e a todos os momentos, podemos aprender um pouco mais. Sendo você um graduado, mestre ou alguém que ainda não concluiu os estudos.
Viver é aprender, quando você entende isso, você não desiste, segue firme, sem medo de errar!
Cordialmente, Guilherme.
BIBLIOGRAFIA
MONDIN, Battista, Curso de filosofia, Editora Paulus, São Paulo, 2018.
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DISCURSO REVOLUCIONÁRIO
Tenho um certo receio daqueles discursos revolucionários, que pregam sobre a importância de derrubar o sistema, calar os opressores e a burguesia, justamente porque a fala é genérica e o suposto inimigo nem sempre é tão definido assim.
Eu sempre digo que sou a favor da liberdade, não creio em qualquer tipo de imposição e muito menos tenho problema com as pessoas que têm dinheiro. Acredito em um país com liberdade de expressão, liberdade política, inclusive para aqueles que possuem uma opinião política e uma religião diferente da minha. Liberdade é isso.
O problema da exploração dos mais pobres, da falta de condições dignas para as pessoas viverem, são problemas genuínos, mas não é uma questão simples e muito menos a culpa é, propriamente dita, dos chamados burgueses.
Tais pautas são verdadeiras, mas não devem ser trabalhadas a partir de um levante de guerra contra os ricos e sim, de programas governamentais que fomentem o estudo, mais moradias e ferramentas para que as pessoas possam mudar de vida.
Trabalho em uma grande universidade que realmente valoriza os funcionários e dá condições para que eles cresçam e se desenvolvam. E tal qual esta empresa, existem muitas, que proporcionam as mesmas oportunidades. Existem muitos empresários conscientes, por isso, acaba sendo injusto, colocar todos em um mesmo patamar a fim de combater a tal burguesia exploradora, conforme muitos da esquerda falam. Esta suposta guerra é incoerente e parte de um senso comum, que acredita que prosperar e mudar de vida é algo errado.
George Orwell no livro O caminho para Wigan Pier, faz críticas realmente ácidas ao socialismo. Sendo que o autor busca mostrar as pautas incoerente de muitos destes revolucionários e como, por fim, ele acaba atraindo gente estranha e também charlatões. Orwell complementa:
“Além disso, há a horrível – na verdade, inquietante – predominância de excêntricos onde quer que haja socialistas” (2021, p. 143).
Por fim, Orwell usa alguns capítulos do livro para justificar tal forma de pensar e falar do socialismo certo, da real luta contra as injustiças. Ele é corajoso em fazer críticas a ideologia que ele acredita, o que fica no ar é se realmente existe ou é possível existir um socialismo verdadeiro. A história nos mostra apenas que todos os regimes socialistas foram tirânicos, por conta disso, não são confiáveis.
O problema é que discorrer sobre o verdadeiro socialismo, se é que ele existe, buscando criar um mundo igual para todos, não é o caminho certo, a meu ver. Promover justiça, acesso a oportunidade e condições para que uma pessoa possa mudar de vida, isso sim é verdadeiro. Na política eu não acredito neste tipo de igualdade e sim na equidade, visto que muitos, por estarem em condições inferiores, precisam ser tratados de forma diferente, eles precisam receber o que eles realmente precisam. É assim que funciona a equidade.
A vida não é uma corrida, como alguns descrevem, é uma caminhada onde a dignidade deve ser o ponto de partida. Não é possível existir um país onde todos sejam milionários, mas é possível existir um lugar onde todos possam viver com dignidade.
Como eu já provei em outros textos desta série a partir da história e de muitas obras relevantes, o socialismo já criou muitas injustiças, com certeza mais do que o capitalismo. E muito mais do que combater um suposto inimigo, precisamos nos posicionar e brigar por políticas que ajudem as pessoas a mudarem de vida, a crescerem e poderem viver com dignidade.
Não sonho com um país sem classes e sim, com um lugar onde a dignidade seja a prioridade em sua política.
BIBLIOGRAFIA
ORWELL, George. O caminho para Wigan Pier. 1. ed. São Paulo: Lafonte, 2021.
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UM BREVE ENSAIO SOBRE A TRISTEZA
O dia era realmente de tristeza, perder alguém que amamos, nunca é fácil. Por isso relembrei alguns momentos felizes que eu vivenciei com esta pessoa e chorei, já que nunca mais vivenciaria tais episódios com ele. Já perdi muitos parentes para deixar de entender que a tristeza, para quem ama é um sentimento natural.
Algumas frases ditas em tempos complicados são ilógicas e descontextualizadas e é no luto ou quando passamos por problemas, que percebemos isso. Considero realmente bizarro alguém acreditar que não devemos nos irar, quando alguém nos afronta ou não ficarmos tristes diante de uma perda. É como se a pessoa quisesse que não fôssemos humanos, agíssemos de forma mecânica e sem emoções. É muito comum encontrar pessoas tentando combater sentimentos legítimos e naturais em todos os seres humanos. Como se a raiva, o medo e a tristeza não fossem naturais.
Nós seres humanos vivenciamos várias sensações durante a nossa vida, como uma resposta natural ao que acontece em nosso entorno. Ser contra tais sentimentos é estranho e anormal. O que precisamos aprender é não sermos ancorados pelo medo e muito menos deixar que a tristeza vire algo doentio, mas desejar não sentir é ilógico.
A tristeza e o amor são totalmente interligados, quem ama, fica triste, quem realmente gosta de alguém, quando perde, certamente sentirá tristeza. Assim como aqueles que não amam, não conseguem sentir tristeza ao perder o contato com uma pessoa. A indiferença é o sentimento de quem não gosta, já a tristeza revela o amor, diante da falta (ARANTES, 2021, p. 47). Ana Claudia Quintana Arantes explica muito bem está verdade acrescentando que:
“Só sentirá tristeza quem amou. Às vezes amamos a pessoa errada, o projeto errado, o trabalho errado, a realidade errada, mas amamos! E quem experimenta o amor experimenta também a tristeza” (2021, p. 47).
Apesar de preferir usar a palavra amor apenas para relacionamentos e amizades, a citação tem o seu fundo de verdade. Só nos decepcionamos quando gostamos de algo ou amamos verdadeiramente alguém. Ninguém se decepciona com algo que não lhe toca.
Eu desconfio dos intocáveis, daqueles que sempre estão alegres, dispostos a fazer tudo e nunca estão tristes. Ou tal sentimento é falso, é um disfarce para não mostrar seus problemas e inseguranças, ou mesmo tal pessoa não está percebendo a complexidade da vida, está ignorando a dor. O mundo é demasiadamente duro para estarmos motivados a todo o tempo.
Em contrapartida, quem está sempre com um humor ruim, que possui uma visão pessimista e amarga de tudo, também tem problemas. A vida não é só problemas, basta olhar, agradecer e perceber a mão de Deus nos guiando. São dois extremos perigosos, calcados em pontos de partidas simplistas e fracos.
Quando eu estou triste, termino por refletir mais, meditar sobre a vida que estou vivendo e as minhas escolhas. Já a alegria, me dá motivação para fazer as coisas, embora a euforia muitas vezes não permita vermos os detalhes da caminhada.
Por isso que aprender a vivenciar tais momentos, extraindo deles o máximo de lições possíveis, é fundamental, e para isso, precisamos aprender a não fugir e muito menos disfarçar os momentos de tristeza, aproveitando as horas de silêncio para meditar e pensar.
A vida é para ser vivida, por isso, não disfarce e aprenda a lidar com todas as fases da sua vida de modo sincero e inteligente!
BIBLIOGRAFIA
ARANTES, A. C. Q. Pra vida toda valer a pena viver: Pequeno manual para envelhecer com alegria. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2021.
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SAÚDE ESPIRITUAL
“Todo o cristão concordaria que a saúde espiritual de uma pessoa é exatamente proporcional ao seu amor por Deus” (LEWIS, 2017, p. 14).
Há muito tempo eu fui tocado por Deus, foi quando Ele veio ao meu encontro e me resgatou, desde então, passei a me chamar de cristão, um seguidor de Jesus Cristo, e desde este tempo percebi a minha vida ser transformada por sua graça.
Tudo começa com Deus, é Ele que nos acha, que toca a nossa vida e nos salva, cabe a nós apenas decidir segui-lo ou não. Sendo que a nossa saúde espiritual não foge muito destes pressupostos.
Quanto mais amamos a Deus e o priorizamos em nossa vida, mais a nossa vida espiritual estará equilibrada. Quanto mais buscarmos e o amarmos, mais estaremos bem, mais procuraremos ter a sua vontade como centro em nossa vida. Sendo que, a consequência disso, acaba por ser, viver uma vida equilibrada aqui na terra.
A vida cristã centrada, que tem como prioridade Deus e a sua palavra, produz alguns frutos, consequências de termos sido alvo da graça de Deus. Sendo que a nossa saúde espiritual é marcada pelo amor a Deus e pelas pessoas.
Quanto mais amamos a Deus mais amamos ao próximo. Quando amamos a Deus olhamos o nosso entorno e buscamos ser diferença para as pessoas. Este amor nos livra do egoísmo e nos leva a olhar além de nós. Não é possível amarmos a Deus e termos uma saúde espiritual desequilibrada, visto que, o amor nos empurra para buscá-lo e a busca nos leva além de nós.
Se Deus não é o centro de tudo, com certeza, quem se torna o centro somos nós onde de forma automática, estaremos mergulhados em nossos egoísmos e prioridades falsas. Se amamos mais a nós e o nosso jeito de caminhar, com certeza, seguiremos com a nossa saúde espiritual em frangalhos, pois o padrão da nossa vida estará trocado.
Perceba que o lugar onde você coloca Deus em sua vida, faz toda a diferença. Se Ele é o centro, a nossa principal prioridade, todas as outras áreas da nossa vida serão influenciadas. Se Ele não está, o desequilíbrio termina por ser a principal consequência.
Um cristão com a saúde espiritual equilibrada, trata o próximo bem e busca sempre ser centrado e comedido. Quem prioriza Deus em primeiro lugar, acaba por ter outras áreas de sua vida atingidas por este equilíbrio.
Quanto mais amamos a Deus, mais somos influenciados pelo seu amor, um amor que atinge também outras pessoas e espalha a sua graça por onde passamos.
É através do nosso amor a Deus, que a nossa saúde espiritual pode ser verificada, e os frutos podem ser produzidos para a honra e glória Dele. Quando caminhamos segundo a vontade de Deus, toda a nossa vida passa a ter sentido. A saúde espiritual é medida por quanto o evangelho se tornou prática em sua vida e não apenas por meras palavras decoradas.
BIBLIOGRAFIA
LEWIS, C. S. Os quatro amores. 1. ed. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2017.
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TALENTO NATURAL OU ESFORÇO
Cresci em uma família que acreditava que não existia esforço para alguém construir o conhecimento, tudo era oriundo de um talento natural. Era comum ouvirmos que uma certa pessoa tinha dom para a música, ou que um determinado amigo tinha o dom para falar em público. Mas um acontecimento me fez parar para pensar sobre este ponto de vista.
Há muito tempo, quanto eu era ainda bem jovem, eu estava ouvindo um grupo de guitarristas falarem sobre música e estudo, quando um dos melhores, entre eles, afirmou “Eu nunca tive o dom para a música, tudo o que eu aprendi foi fruto de muito esforço, dedicação e insistência”. Aquela frase me chocou, pois foi de encontro a tudo o que eu havia aprendido durante a minha infância, sendo que, ela me fez pensar, pesquisar e buscar uma real definição de talento e esforço.
Vamos deixar uma coisa bem pontuada, eu acredito que algumas pessoas possuem certas facilidades que podemos denominar de dom, não estou negando isso. Eu mesmo, aprendi a tocar bateria ainda muito novo, apenas olhando o meu irmão tocar. A questão é que mesmo com o meu talento natural, precisei praticar, principalmente quando eu decidi estudar para aprender coisas novas na bateria. Precisei gastar muito tempo e empenho para conseguir dominar algumas técnicas que não eram fáceis.
Mas eu também me dediquei a estudar áreas que a priori, eu não tinha nenhum dom para aquilo. Não foi fácil, mas com muita insistência, estudo e dedicação eu consegui desenvolver tais habilidades. E esta é a grande vantagem do ser humano, ele possui um cérebro que se adequa e muda conforme ele se desafia, o cérebro não é um órgão estático.
Não existe talento natural, pelo menos não da forma como as pessoas acreditam existir, o que existe é o estudo e a dedicação, para que assim, possamos nos desenvolver em uma determinada área. Sem estudo ninguém consegue crescer, mesmo aquela pessoa que possui uma certa facilidade para alguma atividade.
Entenda que para aprender precisamos suar muito, estudar e praticar para desta forma chegarmos à excelência, sendo que, alguns acabam se desenvolvendo mais rápido, tudo e por conta do seu posicionamento. Por isso, mude a sua mentalidade e descubra como é poderoso separar um tempo para praticar e estudar e aos poucos, ver a sua habilidade decolar.
Uma sugestão que eu deixo é buscar áreas ou temas que você goste, isso já ajuda no processo de estudo. Eu mesmo gostava muito de música, por isso que, praticar e estudar para mim, foi um pouco mais fácil. Quando eu também estava tentando consolidar a minha rotina de leitura, agi da mesma forma, comecei lendo livros de temas que me agradavam muito e ao adquirir o hábito de leitura, fui me desafiando como leitor.
Não existe talento natural, o que existe é empenho e dedicação. É fácil você falar que alguém tem o dom para determinada área, visto que, você não viu o quanto de empenho e horas de estudo ela gastou. Parafraseando um ditado que eu já ouvi muito: “Nós só vemos as vitórias das pessoas, não vemos os tombos e fracassos que ela precisou enfrentar”.
Aprenda a estudar, entenda que o foco e a disciplina é o único caminho para você conseguir ter a habilidade que você quer ter em uma determinada área. Entenda que, para cada habilidade que adquirimos, ou vitórias que alcançamos, existem muitos tombos.
É fácil acreditar que alguém tem um determinado dom, visto que, não foi você que precisou suar a camisa!
