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A ODISSEIA DA DOR XXI: FINAL
Era mais um dia no qual eu me dirigia a faculdade, já estava no final da graduação em teologia, e no começo de uma grande certeza, eu acreditava que a minha fé havia esfriado, cheguei a pensar na possibilidade de abandonar a fé. Por isso, subi a avenida bem pensativo, quando senti Deus falar comigo em meio a todas as dúvidas que me assombravam.
Quem me conhece sabe que eu não sou movido a experiências e emoções, mas naquele momento senti Deus me abraçando, sem me dar respostas algumas, mas me proporcionando o melhor, que é a sua companhia e a certeza de que eu não estava sozinho.
Em meio a dor, a dúvida e a impotência, precisei me curvar e confessar, que no final, eu só não queria aceitar, que eu não tinha controle algum. Nem sempre temos respostas, nem sempre Deus fala conosco, nem sempre temos o que queremos, mas nunca estamos sozinhos. E foi este sentimento que me sustentou. Entre o cinza e a dúvida, eu tinha apenas uma certeza, Deus estava comigo, desde o começo da busca, quando eu quase caí no ateísmo, até aquele momento, quando eu sentia Deus comigo, mesmo sem ter explicações.
Deus aparece para Jó, depois de muito tempo de sofrimento, mas não dá nenhum esclarecimento. Ele apenas coloca Jó no lugar, e deixa claro quem era o Deus naquela situação toda (Jó 38:1-3). Já José, não viu Deus como Jó, mas seguiu sempre confiando, apesar de todo o caos, ele sabia que no final, Deus estava com ele, por isso ele seguiu e confiou.
A verdade é que algumas de nossas dúvidas são arrogantes, são tentativas de pontuar e controlar. Queremos saber por que sofremos, por que aconteceu determinada coisa com a pessoa que amamos, ou por que Deus não nos responde. No final, as dúvidas soam arrogantes, como uma falta de capacidade em aceitar e entender que nós somos humanos, e Deus é Deus, ele sabe de tudo, e ele vai sempre fazer como bem lhe apraz.
Quem somos nós para pôr em dúvida os planos de Deus? O que é o homem, para acreditar que ele pode tudo e controla tudo, sem Deus não somos nada, já Deus sem nós, continua sendo soberano. Cheguei a algumas conclusões no que diz respeito ao sofrimento, algumas eu até já falei, outras não, mas procurarei concluir tudo em um só texto, para que possamos encerrar esta odisseia pontuando o assunto de forma bem clara e resumida.
Entenda uma coisa, Deus não é obrigado nos responder, e servir a ele não é ter as nossas vontades atendidas e muito menos perguntas respondidas, e sim, é confiar nele e crer que ele sabe de tudo e vai nos ajudar da melhor maneira possível.
Em primeiro lugar, o mundo é um caos por causa do homem e do pecado. Toda a dor e todo o caos são frutos do pecado do homem, o problema de todo o mal, é o livre-arbítrio humano e a sua complicada forma de viver. O mundo é esta anarquia, vivemos dia a dia, tendo que lidar com doenças, catástrofes, e problemas, justamente porque ele é um retrato do ser humano. É por conta disso que é complicado culpar Deus das nossas mazelas.
Em segundo lugar, o sofrimento demonstra o tamanho da nossa ignorância e o quanto somos limitados. A dor é o resultado de quem o homem realmente é por baixo da máscara de prepotência.
Quando sofremos não vemos em volta, não percebemos nossos erros e falhas, e não demoramos em culpar alguém, ou mesmo a Deus. Não podemos simplificar a dor e o caos, mas também, não podemos acreditar que somos os únicos a sofrer. Todo mundo sofre, e quem não percebe isso, na verdade mergulha na ignorância de acreditar que a sua dor é única, ou que muitas vezes somos os maiores injustiçados. O sofrimento revela a nossa ignorância, e o quanto deixamos de perceber nossas falhas ou mesmo o mundo a nossa volta.
Em terceiro lugar, o sofrimento aponta para Deus. Se a dor nos limita, nos deixa sem ação, uma coisa é óbvia. Quando não temos saída, buscamos a única saída, que muitas vezes, por conta da dor, esquecemos, que é Deus.
A dor nos leva a olhar para Deus, é quando paralisamos e percebemos que não controlamos nada, que enxergamos ele e entendemos que o nosso sentimento de controle é falso. A dor mostra quem somos e o quanto Deus é soberano. É a dor que, quando estamos sem saída, nos obriga a confiar e entregar a nossa vida em suas mãos.
A arrogância e a prepotência são comuns no homem. O pecado nos fez egoístas, e suscetíveis a estes males, diante do menor sinal de dinheiro, status e poder. Contudo as dores nos moldam, transformam o nosso coração e nos obriga a olhar para Deus e confiar nele, independente da situação. Tudo vai depender do quanto você confia ou não em Deus.
Eu sei que a dor é complicada, não quero transformar o seu problema em algo fácil e simples de se enfrentar. Não é fácil ter que lidar com as adversidades, existem muitas variantes, muitos casos e não é legal sentir dor, ver alguém que amamos sentir ou ser privado de alguma coisa. Mas confiar e ter em mente que Deus de tudo sabe e nós, quase sempre não sabemos, normalmente nós confundimos as coisas e não percebemos o óbvio, é uma atitude honesta a se tomar.
Que o sofrimento nos leve a Deus, nos faça confiar ainda mais nele e entregar, de forma verdadeira, todos os problemas em suas mãos.
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O PERIGO DA INDEPENDÊNCIA
“A recusa em ser dependente dos outros não é um sinal de maturidade, mas de imaturidade” (STOTT, 2011, p. 91).
Quando eu era novo, um dos meus grandes anseios era ser independente. Eu queria muito sair, trabalhar e viver a minha vida. Sendo que um tempo depois eu consegui fazer isso e aprendi que na verdade, não somos totalmente independentes.
Vivemos em sociedade e como é característico nesta forma de viver, cada um depende um pouco do outro. Não é possível sermos totalmente independentes, visto que precisamos uns dos outros para termos a mínima condição de existir. Desde o profissional que faz o pão, aquele que corta a carne, dependemos dos agricultores e nas inúmeras pessoas que nos prestam serviços. Não dá para viver sozinho, ninguém é uma ilha, totalmente independente.
O dinheiro tem a característica de nos dar este sentimento de superioridade e independência. As riquezas nos colocam em um patamar e conseguem separar as pessoas em classes. Mas quando refletimos e aprendemos a pensar, percebemos como somos dependentes. Até o mais rico dos homens, depende dos trabalhadores para o seu negócio, a sua casa ou projeto. Sem as pessoas, nada em sua vida conseguiria ir para frente.
Na igreja não é diferente, pois é impossível sermos cristãos solitários. Precisamos uns dos outros, o próprio ato de amar, aprender e conviver, que são pontos essenciais da fé cristã, são ações que não podem ser praticadas sozinhas. Não existe cristianismo quando estamos trancados em nossas quatro paredes. A fé é exercida através da vida em comunidade.
Isso sem contar que todos os trabalhos dentro da igreja possuem a sua importância. O pastor prega e pastoreia as pessoas, o músico toca no louvor, o pessoal da limpeza faz a manutenção do prédio e por aí vai. Todos dentro da obra são importantes. Não há hierarquia dentro do reino, pois todos possuem as suas funções. O que há são responsabilidades diferentes, sendo que algumas funções possuem responsabilidades maiores e mais desafiadoras, mas todos estão unidos em um propósito apenas.
Lembre-se que somos um corpo só, sendo que Jesus é a cabeça deste corpo (Romanos 12:4-5). A igreja é uma só, sendo composta por várias partes, cada uma com a sua função, igual ao corpo humano. Não há lugar para a caminhada solitária quando falamos de vida cristã e muito menos há uma função mais importante do que outra no reino. Todos são úteis e fundamentais para a obra de Deus.
Por isso, cuide do seu sentimento de independência, perceba como somos dependentes e o quando a vida em comunidade é essencial. Caminhar com os outros e aprendermos a servir uns aos outros é um ponto fundamental do evangelho.
Somos dependentes um dos outros, a vida cristã é isso, é viver em comunhão, apoiando e cuidando como um cristão maduro deve ser!
BIBLIOGRAFIA
STOTT, John. O discípulo radical. 1. ed. Viçosa: Ultimato, 2011.
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LEIS SOBRE A TOLICE HUMANA
Enquanto aguardava a minha esposa no carro, optei por ficar observando o lugar, nem sempre eu saio com o celular, as vezes prefiro me desligar dos estímulos para relaxar ou apreciar o ambiente. E foi quando de repente, avistei dois homens fumando e bebendo, encostados em uma cabine com inúmeros botijões de gás. Isso me deixou pensativo, num misto de riso e preocupação que a própria cena provocava. O dia em que você parar para refletir sobre o quanto a tolice pode ser perigosa, lembre-se deste episódio.
A estupidez humana não tem limites e a cada dia ela se supera ainda mais. Seja pela ação de políticos, líderes ou mesmo militantes, que não percebem suas contradições antes de executar algo ou propor alguma mudança, terminando por prejudicar os outros e também a si. Esta é a habilidade do estúpido, disseminar o caos e a desconstrução.
Em seu curto tratado, Carlo M. Cipolla, nos revela algumas características e perigos destes tolos que seguem semeando caos e problemas. O autor propõe cinco leis que nos ajudam a entendê-los e a conceituá-los, mas neste texto não abordarei todas as leis, apenas duas, a primeira e a terceira lei.
Cipolla inicia o livro falando que existem mais estúpidos do que imaginamos. A quantidade é sempre muito grande e quase sempre subestimamos estas pessoas (CIPOLLA, 2020, p. 23). Acreditamos não existir muitos até nos depararmos com inúmeros deles. É por isso que caímos em algumas frias, visto que não aceitamos que a quantidade é realmente elevada, sendo que status, dinheiro e diplomas ou mesmo a falta destes elementos, não definem um tolo, eles estão em todos os lugares, com dinheiro, estudos ou não. Sendo esta a primeira lei da estupidez humana.
A terceira lei esclarece que um estúpido, segundo Cipolla, é alguém que prejudica a si e também aos outros. É um indivíduo que faz o outro perder, mas que também não ganha nada com as suas atitudes (CIPOLLA, 2020, p. 48). Sendo que com esta definição já conseguimos enumerar uma quantidade grande deles. São aqueles que gostam de ver os outros perderem e se prejudicarem, sem ao menos ganharem alguma coisa com isso. É aquele mórbido prazer de ver o seu semelhante não se dar bem ou de forma inconsciente, é aquele que faz todos perderem o seu tempo ou se prejudicarem, em nome de causa alguma.
Já uma pessoa inteligente é aquela que ganha e também faz com que o próximo também ganhe (CIPOLLA, 2020, p. 49). Se contextualizarmos o conceito perceberemos que ele vale para todas as áreas da vida, não só para o dinheiro ou bens materiais.
O inteligente é aquele que promove boas conversas, diálogos construtivos, ele ajuda o próximo com informações e apoio, sendo que ele termina ganhando também com isso. Quem compartilha, ganha, seja ensinando ou com a alegria e satisfação em poder ajudar alguém. Um tolo não, ele quer ser o centro, seus pensamentos são desinformados e egoístas, seu maior prazer é ver o próximo derrotado, se dando mal.
O perigo destas pessoas, conforme Cipolla expõe no livro é que suas ações não são racionais e com isso, é difícil prever o ataque de um estúpido. Mais dia ou menos dia, você terá que lidar com a ação destes que vivem para desconstruir e atrapalhar, por isso que ficar atento é primordial (CIPOLLA, 2020, p. 68-69).
Em um mundo de aparências, saber perceber além do que vemos é fundamental, para assim, não cairmos nas ciladas destes que com as suas tolices, podem nos prejudicar ou mesmo nos fazer perder tempo, que é algo realmente complicado, já que tempo não é algo que se tem de sobra. Provérbios já nos avisa:
Todo homem prudente age com base no conhecimento, mas o tolo expõe a sua insensatez (Provérbios 13:16).
Que Deus nos ajude a termos discernimento!
BIBLIOGRAFIA
CIPOLLA, C. M. As leis fundamentais da estupidez humana. São Paulo: Editora Planeta, 2020.
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O PRIMEIRO PASSO
“Você não precisa se sentir sobrecarregado pelos seus projetos essenciais. Concentre-se no primeiro passo óbvio e você evitará gastar energia mental demais pensando no quinto, no sétimo ou no vigésimo terceiro passo” (MCKEOWN, 2021, p. 127).
Livros são verdadeiras ferramentas, eles nos trazem conhecimento, reflexão e aprendizado, o único problema dos livros físicos é quando você tem muitos deles e precisa se mudar.
Eu me mudei há alguns anos e foi uma verdadeira epopeia ter que encaixotar todos os volumes, transportar para o novo endereço com muito cuidado e depois, ter que arrumar tudo. Esta é a parte que não é tão divertida quando se tem muitos livros, mas este acontecimento me trouxe uma grande lição, que é saber dar o primeiro passo.
Na vida acadêmica não é diferente, ainda mais quando estamos há muito tempo sem estudar e decidimos cursar uma graduação. São muitos livros para ler, artigos e aulas que nos tiram do comum, mexendo em toda a nossa rotina. Pesquisar para escrever um artigo ou mesmo um livro, também não é diferente e muitas vezes nos imobiliza por conta do tamanho do desafio. Por isso que, saber dar o primeiro passo é fundamental. Greg Mckeown acrescenta um ponto que é muito verdadeiro sobre o assunto, já vivenciei isso várias vezes em minha caminhada:
“Frequentemente ficamos estagnados porque avaliamos mal qual é o primeiro passo. O que achamos que é o primeiro na verdade são vários. Mas, assim que decompomos esse passo em ações físicas e concretas, aquela primeira ação óbvia começa a parecer sem esforço” (MCKEOWN, 2021, p. 127).
Dividir uma tarefa que é complicada, em vários passos e ir executando aos poucos o trabalho é o caminho mais tranquilo para continuarmos com constância e finalizarmos um projeto. Mas tudo vai depender do primeiro passo.
Para a mudança que eu citei no começo do texto, por exemplo, eu fiz isso, dividi a árdua missão em várias etapas e fui executando. Quando preciso escrever um artigo acadêmico ou pesquisar para um livro que eu estou escrevendo, eu faço o mesmo, transformo a missão em várias etapas e vou executando, entendendo que o primeiro passo é fundamental. Começar e fugir da procrastinação é o melhor caminho para o sucesso de uma empreitada, sendo este um passo muito importante.
Quanto mais você procrastinar mais vai perder, seja deixando de crescer com um estudo, leitura ou perdendo uma ótima oportunidade de trabalho, por isso que, dar o primeiro passo, nem que seja pequeno é o começo de uma jornada de sucesso. Gosto de um provérbio Chinês que pontua justamente isso, ele diz que:
“Uma jornada de duzentos quilômetros começa com um simples passo”.
É essencial aprendermos a dar o primeiro passo, fugir da procrastinação é a primeira missão daqueles que querem mergulhar na vida acadêmica.
BIBLIOGRAFIA
MCKEOWN, Greg. Sem esforço: Torne mais fácil o que é mais importante. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2021.
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VIVENDO NO PILOTO AUTOMÁTICO
“O morrer pode ficar para amanhã, mas o viver, é melhor que seja hoje” (ARANTES, 2021, p. 18).
Não é tão raro assim vermos pessoas vivendo no piloto automático, seguindo seus dias sem perceber a riqueza e o prazer que é viver. As vezes não valorizamos muito a vida, só percebemos o seu valor diante da morte ou doença. A vida é um dom de Deus, por isso valorize.
Alguns vivem no passado, revivendo momentos que se foram. Sendo que, entre um saudosismo e outro, não é raro ouvirmos estas pessoas falarem que no seu tempo tudo era melhor, quando se vive no passado tal conclusão é a mais óbvia. Tenho medo de saudosistas, tanto quanto tenho das pessoas que vivem apenas para cumprir seus planos, para realizar um sonho do futuro, pois ambos não vivem o hoje. É bom relembrar momentos felizes, mas confesso que vivo suficientemente o hoje, para ficar revivendo o passado. Além de também saber como é ótimo planejar e ter perspectivas, mas não podemos deixar de viver, de desfrutar os nossos escassos dias.
Viver remoendo mágoas e frustrações, buscando a cada memória, encontrar o culpado de sua miséria ao invés de assumir a responsabilidade por resolver e consertar tais momentos difíceis é tão errado quanto aqueles que trabalham e planejam sempre para o manhã, para um dia que virá, mas que pode acabar não vindo. São estes que só pensam no futuro. Que se preparam para as suas carreiras e se esquecem do hoje, da sua família, de aproveitar o momento. É fundamental nos prepararmos, estudarmos e estar preparado para uma emergência. A questão é que também precisamos viver e a vida se vive no hoje, por isso que o equilíbrio, saber dosar tais questões é fundamental.
É fácil ligarmos o piloto automático e seguirmos sem realmente enxergarmos ou desfrutarmos da vida e dos seus detalhes. A falta de reflexão faz isso, quando não aprendemos a parar para refletir, seguimos o fluxo, deixando que a vida leve você para qualquer lugar.
Perceba como é importante pensar no futuro, relembrar bons momentos, isso não é ruim, o problema é viver só no futuro ou preso apenas ao passado e permitir que a vida passe.
Pense nos momentos que você pode construir saindo para caminhar no parque, com toda a calma e de preferência sem celular. Ou mesmo planejando uma viagem a algum lugar que fique longe da cidade, em meio a natureza, bem distante dos estímulos desta sociedade. A vida não é só trabalhar ou pensar em um futuro que não existe, viva o hoje, construa bons momentos.
E para quem é saudosista, entenda que o seu tempo é hoje, visto que você ainda está vivo. A frase: “No meu tempo…” não é correta, o seu tempo é agora, aprenda a conviver com as mudanças e desfrutar dos pontos bons que a nossa sociedade oferece, apesar dos pontos complicados.
Eu sei que muitos sentem saudade da sua mocidade, dos dias onde a responsabilidade não era tão grande assim. Talvez os costumes daquela época te agradavam mais, mas temos bons motivos para celebrar inúmeras oportunidades que os nossos dias trouxeram. Aprenda a ver o lado positivo e o quanto avançamos em muitas áreas, seja tecnológica, na saúde ou qualidade de vida.
Nem tudo é do nosso jeito, mas podemos aceitar as mudanças e buscar caminhos novos, ampliando os nossos horizontes. Desligue o piloto automático e aprenda a viver. Descubra o poder de construir bons momentos, aproveitando os dias e o tempo que Deus lhe deu.
A vida é um presente de Deus, por isso, não estrague o presente!
BIBLIOGRAFIA
ARANTES, A. C. Q. Pra vida toda valer a pena viver: Pequeno manual para envelhecer com alegria. Rio de Janeiro: Sextante, 2021.
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CRISTIANISMO PRÁTICO: VIVENDO LONGE DA TEORIA
Ao conhecer um certo líder de um projeto, me impressionei ao descobrir que o indivíduo era um pastor. O cidadão era arrogante e tratava a todos com desdém, salvo se a pessoa fosse alguém importante.
A verdade é que o nosso cristianismo começa no modo como tratamos as pessoas, nas lentes nos quais nós os enxergamos. Se estas lentes são o evangelho, a graça divina deveria ser sempre o ponto de partida para tratarmos o próximo. Cristo só não foi paciente com os religiosos hipócritas da sua época ou com as pessoas interesseiras, com os outros, ele os recebeu bem e com amor cuidou, ensinando o caminho do evangelho.
Ser cristão é muito mais do que apenas ir à Igreja, é iluminar, refletir o evangelho, aquele mesmo que mudou a sua vida. É amar, ter paz, ser amável, tolerante, bom. E caso tenha dúvidas, estes são os frutos do espírito, daqueles que são salvos pela graça de Deus (Gálatas 5:22).
Não adianta falar e não viver, é preferível muito mais seguir com sinceridade, sem mascarar suas dificuldades, do que vestir uma máscara, atuando como um ator no palco. Isso não é evangelho e sim, uma vida hipócrita, tais quais os fariseus, que Jesus inúmeras vezes argumentou.
Não estou pedindo para ser perfeito, alguém que não erra nunca, nós erramos, eu sei bem disso e sim, que trate o outro como igual, com respeito e empatia. Seja uma pessoa transparente e humilde, creio que isso já é um bom começo. Aprenda a tratar a todos com a mesma bondade que trataria alguém no qual você gosta muito.
Se você humilha ou trata o próximo como inferior, como alguém menor, você tem um problema muito sério, pelo menos se você se diz cristão, visto que tal atitude não combina com o exemplo de Cristo e os ensinos que ele deixou para que seguíssemos.
Se o evangelho não começar em nossas atitudes, em como tratamos as pessoas, não vai adiantar você ficar na esquina evangelizando, falando de um ensino que você não vive.
Na Bíblia existe uma lógica, um ensino que nos coloca em outro lugar e nos obriga a sermos humildes. Em um dos evangelhos (Marcos 9:35), Cristo ensina algo fundamental aos apóstolos e também a nós, sobre a humildade:
Assentando-se, Jesus chamou os Doze e disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, será o último, e servo de todos”.
A humildade é o cerne da vida cristã e não holofotes ou posições elevadas, entender tal ponto muda a nossa atitude e a forma como tratamos as pessoas. Carson complementa comentando esta passagem:
Serviço e humildade são os únicos caminhos para a verdadeira grandeza cristã, razão pela qual Jesus tomou, aqui, uma criança como exemplo (36)” (2012, p. 1452).
Reveja a forma como você trata o próximo, busque entender se as suas atitudes partem da graça, do serviço e da humildade ou mesmo da arrogância. E não se esqueça: Ou praticamos a humildade ou seguiremos tendo uma atitude que não deveria fazer parte da nossa vida!
BIBLIOGRAFIA
CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.
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A VERDADEIRA POSSE
“Só possuímos aquilo que não se pode perder em um naufrágio” (PERCY, 2012, p. 51).
Provérbio Indiano.
Quando eu vou viajar, procuro levar apenas o necessário para a viajem. Não gosto que o excesso de bagagem atrapalhe e transforme um momento de descontração em um período de desconforto.
Eu creio que não precisamos de um monte de bugigangas em uma viagem, pois a quantidade pode tirar a qualidade do momento. Levar o mínimo de bagagem e saber aproveitar o ambiente com as coisas que temos, é essencial, para que a viagem siga proveitosa e mais leve.
Na vida a reflexão não é diferente, não precisamos de muita coisa para a nossa caminhada e por mais que seja legal ter as coisas ou conseguir um certo conforto, não precisamos de muito, sendo que o excesso constantemente nos tira a qualidade, a paz e o sossego, que são fundamentais para um bom viver.
A epígrafe que abre o texto não pode estar mais certa, tudo o que realmente possuímos são as coisas que não podemos perder, eu diria também, que são as coisas que não estragam, não fazem volume e não enferrujam. E se você parar para pensar, uma boa parte do que temos gera empecilhos.
Os bens deveriam existir para nos servir, eles possuem utilidades, mas nem sempre são necessários. Entender a função de cada coisa e viver com os pés no chão, é o primeiro passo caso você queira descobrir o que vale a pena levar em sua caminhada.
Conheço muitos que são escravos do seu estilo de vida ou perdem a paz tentando manter um padrão irreal e terminam gastando o que mais importa, que é o tempo, tudo e apenas em nome de um status. Pois não podemos esquecer que não gastamos apenas o nosso dinheiro, quando compramos algo, mas também o tempo que levamos para ganhar aquele dinheiro.
As amizades, o conhecimento e as experiências, são as únicas coisas que permanecem, nós nunca perdemos, mas os bens se vão ou com o tempo perdem o seu valor. No final em um naufrágio ou mesmo em um período de dificuldade e falta de saúde, percebemos que a única coisa que realmente temos e não podemos perder é o conhecimento, as lembranças e experiências.
Aprenda a separar o que você realmente precisa das coisas que são inúteis e ocupam espaço. Pois são estas bagagens que tornam a vida um pouco mais pesada.
Com o tempo aprendi a lidar com as coisas, descobri como ter menos é ter muito mais, pois as vezes enchemos a nossa vida de coisas inúteis, que só ocupam espaço e deixamos de desfrutar a paisagem já que as bugigangas as vezes tapam a nossa visão.
BIBLIOGRAFIA
PERCY, Allan. Kafka para sobrecarregados: 99 pílulas de sabedoria para lidar com a locutora do dia a dia. Rio de Janeiro: Sextante, 2012.
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VIDA INSATISFEITA: QUANTIDADE NÃO SIGNIFICA QUALIDADE
“A atenção do mundo assemelha-se à da mosca, que, com centenas de olhos focados em centenas de objetos, nunca se estabiliza, nunca descansa e vive apenas para o momento” (FOSTER, 2008, p. 235, 236).
Eu sou uma pessoa avessa a ambientes cheios, prefiro sempre locais mais simples e enxutos. Um shopping, por exemplo, me deixa cansado por causa dos excessos de estímulos e pessoas. Uma boa festa, no meu ponto de vista, são aquelas com poucos amigos, onde o diálogo é possível e onde não há um milhão de coisas acontecendo ao mesmo tempo.
O problema dos muitos estímulos desta vida, que muitas vezes é calcada na quantidade, é a falta de oportunidade para conseguirmos aproveitar algo. A quantidade e os excessos, nos dão uma falsa sensação de uso, pois na verdade, você apenas tem, sem aproveitar realmente tudo o que adquiriu. Esta é a minha crítica aqueles que só tem, mas não aproveitam. O mesmo se aplica aos ambientes cheios, com excessos e muitos estímulos, você não desfruta realmente da companhia das pessoas. É uma falsa sensação de relacionamento.
É como a epígrafe diz, quanto mais coisas, mais instáveis ficamos e terminamos em viver só aquele momento. Sem descansar e desfrutar realmente de algo. Com isso, muitos seguem só comprando, transformando a compra em uma fuga dos estresses que o próprio mundo e as escolhas de vida que esta pessoa fez traz. Ao invés de consertar o problema, ela desabafa criando mais problemas ainda, transformando a sua vida em uma bola de neve de caos e confusão.
Quem vive para as coisas, vive para aquele objeto, sem realmente saborear os seus dias. Os excessos fazem isso com a gente. Nos tiram a paz e a capacidade de seguirmos satisfeitos. A insatisfação muitas vezes surge justamente por conta dos excessos, que não acrescentam a nossa vida, nos deixando incompletos. A mente insatisfeita é aquela que só quer as coisas e se esquece de aproveitar e ser grato por tudo.
O propósito da vida simples e da busca por equilíbrio é justamente incentivar as pessoas a viverem um dia de cada vez, a aproveitar o que tem seguindo calcado no hoje. Não há problema algum em ter, em comprar e realizar os nossos sonhos, o problema é apenas ter, sem viver e desfrutar dos momentos que se vão rápido.
Aprenda a parar, se desligar dos estímulos constantes, descubra também que é legal refletir sobre o que você tem, e pensar se você precisa realmente adquirir mais coisas. Aprenda a usar as suas coisas e só comprar o que você realmente precisa, guardando espaço da sua casa, para as coisas úteis. Quantas tralhas que você já adquiriu, mas nunca usou? Pense sobre isso e aprenda a ter consciência na hora de comprar.
Nenhum excesso é benéfico, menos é sempre mais, parafraseando uma frase que ouvimos muito na música, por isso, aprenda a desfrutar do que tem, e não transforme o hábito de comprar, em um hábito automático, realizado sem qualquer reflexão. Pois corre o risco de você ficar com a sua casa cheia de bugigangas, mas sem as coisas que realmente importam.
BIBLIOGRAFIA
FOSTER, Richard. A liberdade da simplicidade: Encontrando harmonia num mundo complexo. São Paulo: Editora Vida, 2008.
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A DISCIPLINA DO SILÊNCIO
“Um dos meios de nos educar para a simplicidade é pela disciplina do silêncio” (FOSTER, 2008, p. 134).
Conheci alguém que deixava a televisão ligada o dia inteiro. Tendo alguém assistindo ou não, a telinha estava sempre ativada. A justificativa dela era que ela precisava estar sempre ouvindo algo enquanto estivesse em casa. Um costume que reflete um pouco o seu interior barulhento. Se você não consegue se relacionar com o silêncio, possivelmente, o barulho dentro de você deve ser muito mais alto do que o som a sua volta. Quando falamos em silêncio, discorremos tanto sobre os barulhos externos quando os internos.
O silêncio é uma prática que podemos aprender a cultivar e eu sei que para alguns é muito mais fácil do que para outros. Eu mesmo gosto do silêncio, consigo passar horas ouvindo a melodia do silêncio aproveitando estes momentos. Mas conheço pessoas que não suportam o barulho do silêncio, se sentem agoniadas em um ambiente sem som.
Considero reconfortante estar em silêncio, sendo que é neste momento que aprendemos a calar os barulhos internos e nos acalmar, já que não adianta ter o exterior silencioso e o interior barulhento. Muitas das minhas orações foram períodos de silêncio, em momentos nos quais eu nem conseguia falar, por isso, deixava o meu interior falar e me entregava a Deus.
Acalmar a mente antes de falar com Deus é fundamental, aprender a se aquietar e agradecer as vezes é a melhor opção. Orar é muito mais uma entrega, um momento de intimidade e rendição. A oração não se resume apenas em soltarmos uma torrente de palavras.
A arte do silêncio é entender que o excesso é sempre prejudicial e que parar, refletir e se acalmar é fundamental. Aprender a estar em silêncio é entregar o controle, é perceber que não comandamos nada a nossa volta, sendo que é só assim que realmente confiamos em Deus.
Separe um tempo em sua casa, de preferência em um horário onde o ambiente esteja bem quieto, no meu caso, como eu acordo bem cedo todos os dias, eu separo a minha manhã. Depois sente em uma posição confortável e busque o silêncio. E caso algo passe por sua mente, deixe o pensamento seguir, não o segure.
Comece separando um tempo curto, caso você seja alguém que não vive sem os estímulos das redes sociais e aos poucos, siga aumentando os períodos de silêncio. A meditação e a solitude, servem justamente para isso, nos acalmar, nos desligar dos excessos e dos inúmeros estímulos.
Em meio a minha solitude eu penso, escrevo, leio e descanso, visto que o silêncio é revigorante. É durante o silêncio que passamos a ouvir, a perceber todos os detalhes e terminamos também por exercitar a nossa capacidade de ouvir alguém, sem pensar em falar o tempo todo. É comum encontrarmos pessoas que ouvem apenas para responder e falam sem parar, por isso que exercitar a nossa capacidade de ficar em silêncio é imprescindível.
No afã de controlar, falamos sem parar, perdendo assim todos os detalhes que são relevantes. Por isso que a disciplina do silêncio é um hábito essencial, é o caminho daqueles que querem realmente ver e ouvir, sem se perderem nas torrentes de palavras.
BIBLIOGRAFIA
FOSTER, Richard. A liberdade da simplicidade: Encontrando harmonia num mundo complexo. São Paulo: Editora Vida, 2008.
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O PERIGO DO IMEDIATISMO: O CAMINHO DO CONHECIMENTO
Em nossos dias temos muitas facilidades na palma de nossa mão, e isso é um fato literal. Caso tenhamos vontade de comer algo, assistir um filme ou mesmo comprar um livro, basta um click, que o pedido já estará feito. O problema é que para construirmos o conhecimento o processo não é o mesmo. Estudar um tema, escrever um texto, ou cursarmos uma graduação ou pós-graduação, a nossa atitude deve ser bem oposta à esta, pois não é possível buscar o saber da mesma forma que você pede um lanche pela internet.
Quando decidi seguir na carreira acadêmica, tive que percorrer um caminho um tanto quanto longo. Eu cursei uma graduação, depois algumas especializações, me dediquei a leitura e busquei mergulhar em alguns temas e áreas para ter um conhecimento mais profundo em alguns assuntos.
O mesmo processo se dá quando quero escrever um livro ou artigo. Eu preciso pesquisar em uma boa bibliografia, estudar, escrever e aos poucos ir construindo o texto. Sendo este um processo lento, é um passo de cada vez, onde aos poucos, vamos lapidando e construindo o saber.
O imediatismo para a vida acadêmica é muito perigoso, visto que, não é possível construir o saber de forma rápida, o processo é lento, mas deve também ser cuidadoso e sem pressa. Alguém que não possui esta consciência sobre o saber, corre o risco de não construir um repertório relevante. Caso seja imediatista, ele terá um diploma, mas não possuirá o conhecimento.
Eu escrevo todos os dias, tenho a hora certa na minha manhã para escrever e lapidar um texto até que ele esteja pronto. Começo pensando em um tema e depois vou desenvolvendo, com calma e cuidado. Um bom texto, na maioria das vezes, leva um bom período até estar pronto. O conhecimento não é diferente disso, é um processo, é como lapidar uma pedra bruta, até vermos a obra de arte pronta. A pressa, em todos estes casos, termina por estragar a construção final.
Por isso, não tenha pressa, caso queira se dedicar a vida acadêmica. Aprender é um processo, um caminho lento e precisa ser uma caminhada constante e persistente. É construir uma rotina de leitura e de estudos, como eu sempre falo, entendendo que o resultado não é instantâneo.
Quase no final da minha graduação eu montei este blog, fiz isso por vários motivos, entre todos eles, o ponto principal foi ter uma ferramenta que me motivasse a escrever e estudar. Na época eu não era professor e pesquisador, mas o blog me ajudou ao longo destes muitos anos a ter uma rotina de escrita diária. Foi um processo, que resultou neste hábito. Eu comecei com um simples passo e fui progredindo e me aperfeiçoando conforme aprendia.
Caminhe com calma pela estrada do saber, não tenha pressa, procure desfrutar do conhecimento e aprender da melhor forma que você puder. Construa bons hábitos e tenha o seu precioso tempo de leitura, estudos e escrita, dando sempre passos calmos, sem afobação, mas firmes, calcando na busca pelo conhecimento.
Quando você aprender a focar mais no processo, você vai aprender que o caminho é mais importante do que a chegada. Um diploma, não é o fim do caminho e sim, apenas o começo, os primeiros passos, então não pare, continue a caminhar. A vida acadêmica é muito mais um estilo de vida do que apenas hábitos consolidados.
A beleza da vida acadêmica e da carreira de escritor é o próprio processo, pois o restante, são apenas consequências!
