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A DOR COMO CENTRO DE TUDO
Quem já teve algum problema de saúde que trouxesse dor, sabe muito bem como a dor é debilitante. Mesmo as mais suportáveis, nos paralisam e mudam a forma como vemos as situações e o que está acontecendo em nosso entorno.
A dor tira toda a nossa alegria e vontade de estar em qualquer lugar, mesmo naqueles locais que gostamos muito. Em contrapartida, quando conseguimos a cura da dor, sentimos um alívio inexplicável. Saber que eu não terei mais aqueles episódios de dores é um sentimento muito maravilhoso.
Quem está sofrendo, certamente se desconstrói, não pensa em outra coisa e acaba fazendo com que o centro do universo seja ele e o seu sofrimento. A dor faz com que pensemos apenas em nós e em nosso problema, ela amplifica tudo, amargando o gosto pelas coisas que mais gostamos. O sofrimento tem o poder de retirar o sabor e o prazer de fazer as atividades que deveriam nos deixar alegres. Rubem Alves acrescenta afirmando que:
“O centro do universo se encontra no lugar que está doendo” (ALVES, 2015, p. 103).
Creio que a dor sentimental ou uma decepção também tem um efeito parecido. Ela nos deixa no centro, faz com que tudo gire a nossa volta, nos deixando sem saber como podemos silenciar ou amainar a falta. Quando tudo está doendo ou mesmo quando estamos sofrendo, nos sentindo injustiçados, pensamos apenas em nós, e paramos de perceber o outro.
Eu já conversei com muitos que passavam por momentos difíceis, seja por conta de uma separação, a perda de um ente querido ou mesmo por conta de enfermidades, e era visível constatar como estes não conseguiam olhar para outro lado. Em uma atitude totalmente normal, já que perder alguém não é muito fácil. O problema é quando o luto se estende e tampa a visão da vida, das possibilidades ou do próximo.
Não existe uma fórmula para passar por um momento difícil, só precisamos entender que a dor faz parte da vida, não adianta querer fugir. Em momentos difíceis eu sempre olho para a cruz, lembrando-me que Deus entende muito bem o que é sofrer. Se a dor tapa a nossa visão, a cruz e a palavra de Deus, nos faz olharmos para Ele, sendo que é através desta atitude, tendo esperança, e buscando o conforto em sua graça, que conseguimos colocar a nossa vida no centro da vontade de Deus. Que diga-se de passagem, é o melhor lugar para estar.
Ao olhar para Deus, eu olho também em volta. A sua graça tem o poder de nos sustentar e nos fazer olhar para o próximo, percebendo que cada um tem as suas dores e dificuldades. Mas quando olho só para mim, deixando de olhar para a cruz, eu me fecho em um egoísmo, me colocando como o centro, o único que sofre e que tem problemas.
Entregar nossos problemas nas mãos de Deus é ter a certeza que seja qual dor que for, Ele vai entender. Pois além de ser Deus, Ele foi também um ser humano, sentiu dor, a falta e a fragilidade que é estar encarnado na condição de um homem. Mas olhar para Deus é também ser liberto do meu egoísmo, tendo a minha vida inundada pela sua graça que me ajuda a realmente ver.
Sem Deus, seguimos olhando apenas para nós, nossas dores e prioridades, mas quando temos Deus no centro de tudo, além de termos esperança, conseguimos olhar em volta e perceber as pessoas.
Que Deus possa estar no centro da nossa vida, que a sua graça nos ajude a perceber o quanto somos pequenos e falhos sem Ele!
BIBLIOGRAFIA
ALVES, Rubem. O Deus que conheço. 4. ed. Campinas: Verus Editora, 2015.
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CARTA AO LEITOR: AS PRIMEIRAS CONFISSÕES
Quando eu resolvi começar o blog, não tomei tal atitude por crer que sabia escrever bem. O intuito era apenas escrever, oferecer bons conteúdos as pessoas e ter uma ferramenta que me obrigasse a estudar, como já mencionei em alguns textos. Eu estava estudando teologia e queria ser útil e também não estagnar, com isso, um blog me pareceu um bom projeto.
A dúvida que surgiu ao pensar no empreendimento, era se eu seria capaz de tal missão. O que eu menos tinha era capacidade, aos meus olhos, visto que eu poderia cometer e sem dúvida cometi, muitos erros no começo do projeto, mas persisti, estudei e busquei sempre me aprimorar. Já que o intuito era crescer e vencer meus limites, insisti, sem medo de errar.
Quando eu era bem novo resolvi aprender a tocar bateria, sendo que durante o processo e as primeiras vezes que fui tocar com um grupo de louvor na igreja, cometi muitos deslizes. Mas ao olhar para trás e perceber como a minha insistência e constante busca por aprimoramento fez com que eu virasse um bom músico, não pude deixar de me alegrar com todo o processo, apesar dos deslises. Com o blog não foi diferente.
O intuito do texto não é me diminuir, longe disso, mas mostrar como é possível vencermos nossas dificuldades. O engraçado é que escrever hoje é algo comum em minha rotina, sendo que a escrita me abriu portas em muitas áreas da minha vida. Foi escrevendo que estudei, que busquei me aprimorar e crescer mais.
A lição que fica, primeiramente para aqueles que insistem em serem chatos, que não toleram erros e ridicularizam os outros por seus deslises, é que sempre podemos aprender, crescer e evoluir, ninguém nasce sabendo e as vezes, quando começamos, descobrimos que sabemos bem menos do que imaginamos. E eu consegui crescer por conta dos amigos, que apontaram meus equívocos e mostraram o caminho para que eu pudesse melhorar e seguir na minha busca pelo saber, como já mencionei.
Em segundo lugar, fica a lição para quem quer começar e não se sente capaz. Comece, não desista, tente e insista. Lembrando sempre que é muito importante ouvir críticas, buscar ferramentas e materiais para o nosso aprimoramento.
Na filosofia existe um filósofo chamado de Heráclito, tal pensador acreditava que tudo flui, ninguém conseguiria entrar no mesmo rio duas vezes, visto que nem o rio e muito menos a pessoa seriam as mesmas. O rio, assim como nós, está sempre em movimento, mudando, aprendendo e se transformando (MONDIN, 2018, p. 28). O meu desafio é procurar me transformar sempre para melhor, por isso, não tenho medo de errar ao tentar algo novo.
Hoje além de ter aprendido a escrever melhor, meus textos já saíram em jornais como A Gazeta do Povo, mostrando como é possível crescermos em nosso conhecimento.
As vezes por conta daquela ironia da vida, crescemos com algumas dificuldades, sem sabermos pontos que seriam fundamentais para o nosso crescimento e nesta questão, você não pode fazer nada. O que você pode fazer é buscar mudança, entendendo que sempre e a todos os momentos, podemos aprender um pouco mais. Sendo você um graduado, mestre ou alguém que ainda não concluiu os estudos.
Viver é aprender, quando você entende isso, você não desiste, segue firme, sem medo de errar!
Cordialmente, Guilherme.
BIBLIOGRAFIA
MONDIN, Battista, Curso de filosofia, Editora Paulus, São Paulo, 2018.
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DISCURSO REVOLUCIONÁRIO
Tenho um certo receio daqueles discursos revolucionários, que pregam sobre a importância de derrubar o sistema, calar os opressores e a burguesia, justamente porque a fala é genérica e o suposto inimigo nem sempre é tão definido assim.
Eu sempre digo que sou a favor da liberdade, não creio em qualquer tipo de imposição e muito menos tenho problema com as pessoas que têm dinheiro. Acredito em um país com liberdade de expressão, liberdade política, inclusive para aqueles que possuem uma opinião política e uma religião diferente da minha. Liberdade é isso.
O problema da exploração dos mais pobres, da falta de condições dignas para as pessoas viverem, são problemas genuínos, mas não é uma questão simples e muito menos a culpa é, propriamente dita, dos chamados burgueses.
Tais pautas são verdadeiras, mas não devem ser trabalhadas a partir de um levante de guerra contra os ricos e sim, de programas governamentais que fomentem o estudo, mais moradias e ferramentas para que as pessoas possam mudar de vida.
Trabalho em uma grande universidade que realmente valoriza os funcionários e dá condições para que eles cresçam e se desenvolvam. E tal qual esta empresa, existem muitas, que proporcionam as mesmas oportunidades. Existem muitos empresários conscientes, por isso, acaba sendo injusto, colocar todos em um mesmo patamar a fim de combater a tal burguesia exploradora, conforme muitos da esquerda falam. Esta suposta guerra é incoerente e parte de um senso comum, que acredita que prosperar e mudar de vida é algo errado.
George Orwell no livro O caminho para Wigan Pier, faz críticas realmente ácidas ao socialismo. Sendo que o autor busca mostrar as pautas incoerente de muitos destes revolucionários e como, por fim, ele acaba atraindo gente estranha e também charlatões. Orwell complementa:
“Além disso, há a horrível – na verdade, inquietante – predominância de excêntricos onde quer que haja socialistas” (2021, p. 143).
Por fim, Orwell usa alguns capítulos do livro para justificar tal forma de pensar e falar do socialismo certo, da real luta contra as injustiças. Ele é corajoso em fazer críticas a ideologia que ele acredita, o que fica no ar é se realmente existe ou é possível existir um socialismo verdadeiro. A história nos mostra apenas que todos os regimes socialistas foram tirânicos, por conta disso, não são confiáveis.
O problema é que discorrer sobre o verdadeiro socialismo, se é que ele existe, buscando criar um mundo igual para todos, não é o caminho certo, a meu ver. Promover justiça, acesso a oportunidade e condições para que uma pessoa possa mudar de vida, isso sim é verdadeiro. Na política eu não acredito neste tipo de igualdade e sim na equidade, visto que muitos, por estarem em condições inferiores, precisam ser tratados de forma diferente, eles precisam receber o que eles realmente precisam. É assim que funciona a equidade.
A vida não é uma corrida, como alguns descrevem, é uma caminhada onde a dignidade deve ser o ponto de partida. Não é possível existir um país onde todos sejam milionários, mas é possível existir um lugar onde todos possam viver com dignidade.
Como eu já provei em outros textos desta série a partir da história e de muitas obras relevantes, o socialismo já criou muitas injustiças, com certeza mais do que o capitalismo. E muito mais do que combater um suposto inimigo, precisamos nos posicionar e brigar por políticas que ajudem as pessoas a mudarem de vida, a crescerem e poderem viver com dignidade.
Não sonho com um país sem classes e sim, com um lugar onde a dignidade seja a prioridade em sua política.
BIBLIOGRAFIA
ORWELL, George. O caminho para Wigan Pier. 1. ed. São Paulo: Lafonte, 2021.
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UM BREVE ENSAIO SOBRE A TRISTEZA
O dia era realmente de tristeza, perder alguém que amamos, nunca é fácil. Por isso relembrei alguns momentos felizes que eu vivenciei com esta pessoa e chorei, já que nunca mais vivenciaria tais episódios com ele. Já perdi muitos parentes para deixar de entender que a tristeza, para quem ama é um sentimento natural.
Algumas frases ditas em tempos complicados são ilógicas e descontextualizadas e é no luto ou quando passamos por problemas, que percebemos isso. Considero realmente bizarro alguém acreditar que não devemos nos irar, quando alguém nos afronta ou não ficarmos tristes diante de uma perda. É como se a pessoa quisesse que não fôssemos humanos, agíssemos de forma mecânica e sem emoções. É muito comum encontrar pessoas tentando combater sentimentos legítimos e naturais em todos os seres humanos. Como se a raiva, o medo e a tristeza não fossem naturais.
Nós seres humanos vivenciamos várias sensações durante a nossa vida, como uma resposta natural ao que acontece em nosso entorno. Ser contra tais sentimentos é estranho e anormal. O que precisamos aprender é não sermos ancorados pelo medo e muito menos deixar que a tristeza vire algo doentio, mas desejar não sentir é ilógico.
A tristeza e o amor são totalmente interligados, quem ama, fica triste, quem realmente gosta de alguém, quando perde, certamente sentirá tristeza. Assim como aqueles que não amam, não conseguem sentir tristeza ao perder o contato com uma pessoa. A indiferença é o sentimento de quem não gosta, já a tristeza revela o amor, diante da falta (ARANTES, 2021, p. 47). Ana Claudia Quintana Arantes explica muito bem está verdade acrescentando que:
“Só sentirá tristeza quem amou. Às vezes amamos a pessoa errada, o projeto errado, o trabalho errado, a realidade errada, mas amamos! E quem experimenta o amor experimenta também a tristeza” (2021, p. 47).
Apesar de preferir usar a palavra amor apenas para relacionamentos e amizades, a citação tem o seu fundo de verdade. Só nos decepcionamos quando gostamos de algo ou amamos verdadeiramente alguém. Ninguém se decepciona com algo que não lhe toca.
Eu desconfio dos intocáveis, daqueles que sempre estão alegres, dispostos a fazer tudo e nunca estão tristes. Ou tal sentimento é falso, é um disfarce para não mostrar seus problemas e inseguranças, ou mesmo tal pessoa não está percebendo a complexidade da vida, está ignorando a dor. O mundo é demasiadamente duro para estarmos motivados a todo o tempo.
Em contrapartida, quem está sempre com um humor ruim, que possui uma visão pessimista e amarga de tudo, também tem problemas. A vida não é só problemas, basta olhar, agradecer e perceber a mão de Deus nos guiando. São dois extremos perigosos, calcados em pontos de partidas simplistas e fracos.
Quando eu estou triste, termino por refletir mais, meditar sobre a vida que estou vivendo e as minhas escolhas. Já a alegria, me dá motivação para fazer as coisas, embora a euforia muitas vezes não permita vermos os detalhes da caminhada.
Por isso que aprender a vivenciar tais momentos, extraindo deles o máximo de lições possíveis, é fundamental, e para isso, precisamos aprender a não fugir e muito menos disfarçar os momentos de tristeza, aproveitando as horas de silêncio para meditar e pensar.
A vida é para ser vivida, por isso, não disfarce e aprenda a lidar com todas as fases da sua vida de modo sincero e inteligente!
BIBLIOGRAFIA
ARANTES, A. C. Q. Pra vida toda valer a pena viver: Pequeno manual para envelhecer com alegria. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2021.
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SAÚDE ESPIRITUAL
“Todo o cristão concordaria que a saúde espiritual de uma pessoa é exatamente proporcional ao seu amor por Deus” (LEWIS, 2017, p. 14).
Há muito tempo eu fui tocado por Deus, foi quando Ele veio ao meu encontro e me resgatou, desde então, passei a me chamar de cristão, um seguidor de Jesus Cristo, e desde este tempo percebi a minha vida ser transformada por sua graça.
Tudo começa com Deus, é Ele que nos acha, que toca a nossa vida e nos salva, cabe a nós apenas decidir segui-lo ou não. Sendo que a nossa saúde espiritual não foge muito destes pressupostos.
Quanto mais amamos a Deus e o priorizamos em nossa vida, mais a nossa vida espiritual estará equilibrada. Quanto mais buscarmos e o amarmos, mais estaremos bem, mais procuraremos ter a sua vontade como centro em nossa vida. Sendo que, a consequência disso, acaba por ser, viver uma vida equilibrada aqui na terra.
A vida cristã centrada, que tem como prioridade Deus e a sua palavra, produz alguns frutos, consequências de termos sido alvo da graça de Deus. Sendo que a nossa saúde espiritual é marcada pelo amor a Deus e pelas pessoas.
Quanto mais amamos a Deus mais amamos ao próximo. Quando amamos a Deus olhamos o nosso entorno e buscamos ser diferença para as pessoas. Este amor nos livra do egoísmo e nos leva a olhar além de nós. Não é possível amarmos a Deus e termos uma saúde espiritual desequilibrada, visto que, o amor nos empurra para buscá-lo e a busca nos leva além de nós.
Se Deus não é o centro de tudo, com certeza, quem se torna o centro somos nós onde de forma automática, estaremos mergulhados em nossos egoísmos e prioridades falsas. Se amamos mais a nós e o nosso jeito de caminhar, com certeza, seguiremos com a nossa saúde espiritual em frangalhos, pois o padrão da nossa vida estará trocado.
Perceba que o lugar onde você coloca Deus em sua vida, faz toda a diferença. Se Ele é o centro, a nossa principal prioridade, todas as outras áreas da nossa vida serão influenciadas. Se Ele não está, o desequilíbrio termina por ser a principal consequência.
Um cristão com a saúde espiritual equilibrada, trata o próximo bem e busca sempre ser centrado e comedido. Quem prioriza Deus em primeiro lugar, acaba por ter outras áreas de sua vida atingidas por este equilíbrio.
Quanto mais amamos a Deus, mais somos influenciados pelo seu amor, um amor que atinge também outras pessoas e espalha a sua graça por onde passamos.
É através do nosso amor a Deus, que a nossa saúde espiritual pode ser verificada, e os frutos podem ser produzidos para a honra e glória Dele. Quando caminhamos segundo a vontade de Deus, toda a nossa vida passa a ter sentido. A saúde espiritual é medida por quanto o evangelho se tornou prática em sua vida e não apenas por meras palavras decoradas.
BIBLIOGRAFIA
LEWIS, C. S. Os quatro amores. 1. ed. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2017.
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TALENTO NATURAL OU ESFORÇO
Cresci em uma família que acreditava que não existia esforço para alguém construir o conhecimento, tudo era oriundo de um talento natural. Era comum ouvirmos que uma certa pessoa tinha dom para a música, ou que um determinado amigo tinha o dom para falar em público. Mas um acontecimento me fez parar para pensar sobre este ponto de vista.
Há muito tempo, quanto eu era ainda bem jovem, eu estava ouvindo um grupo de guitarristas falarem sobre música e estudo, quando um dos melhores, entre eles, afirmou “Eu nunca tive o dom para a música, tudo o que eu aprendi foi fruto de muito esforço, dedicação e insistência”. Aquela frase me chocou, pois foi de encontro a tudo o que eu havia aprendido durante a minha infância, sendo que, ela me fez pensar, pesquisar e buscar uma real definição de talento e esforço.
Vamos deixar uma coisa bem pontuada, eu acredito que algumas pessoas possuem certas facilidades que podemos denominar de dom, não estou negando isso. Eu mesmo, aprendi a tocar bateria ainda muito novo, apenas olhando o meu irmão tocar. A questão é que mesmo com o meu talento natural, precisei praticar, principalmente quando eu decidi estudar para aprender coisas novas na bateria. Precisei gastar muito tempo e empenho para conseguir dominar algumas técnicas que não eram fáceis.
Mas eu também me dediquei a estudar áreas que a priori, eu não tinha nenhum dom para aquilo. Não foi fácil, mas com muita insistência, estudo e dedicação eu consegui desenvolver tais habilidades. E esta é a grande vantagem do ser humano, ele possui um cérebro que se adequa e muda conforme ele se desafia, o cérebro não é um órgão estático.
Não existe talento natural, pelo menos não da forma como as pessoas acreditam existir, o que existe é o estudo e a dedicação, para que assim, possamos nos desenvolver em uma determinada área. Sem estudo ninguém consegue crescer, mesmo aquela pessoa que possui uma certa facilidade para alguma atividade.
Entenda que para aprender precisamos suar muito, estudar e praticar para desta forma chegarmos à excelência, sendo que, alguns acabam se desenvolvendo mais rápido, tudo e por conta do seu posicionamento. Por isso, mude a sua mentalidade e descubra como é poderoso separar um tempo para praticar e estudar e aos poucos, ver a sua habilidade decolar.
Uma sugestão que eu deixo é buscar áreas ou temas que você goste, isso já ajuda no processo de estudo. Eu mesmo gostava muito de música, por isso que, praticar e estudar para mim, foi um pouco mais fácil. Quando eu também estava tentando consolidar a minha rotina de leitura, agi da mesma forma, comecei lendo livros de temas que me agradavam muito e ao adquirir o hábito de leitura, fui me desafiando como leitor.
Não existe talento natural, o que existe é empenho e dedicação. É fácil você falar que alguém tem o dom para determinada área, visto que, você não viu o quanto de empenho e horas de estudo ela gastou. Parafraseando um ditado que eu já ouvi muito: “Nós só vemos as vitórias das pessoas, não vemos os tombos e fracassos que ela precisou enfrentar”.
Aprenda a estudar, entenda que o foco e a disciplina é o único caminho para você conseguir ter a habilidade que você quer ter em uma determinada área. Entenda que, para cada habilidade que adquirimos, ou vitórias que alcançamos, existem muitos tombos.
É fácil acreditar que alguém tem um determinado dom, visto que, não foi você que precisou suar a camisa!
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A ODISSEIA DA DOR XXI: FINAL
Era mais um dia no qual eu me dirigia a faculdade, já estava no final da graduação em teologia, e no começo de uma grande certeza, eu acreditava que a minha fé havia esfriado, cheguei a pensar na possibilidade de abandonar a fé. Por isso, subi a avenida bem pensativo, quando senti Deus falar comigo em meio a todas as dúvidas que me assombravam.
Quem me conhece sabe que eu não sou movido a experiências e emoções, mas naquele momento senti Deus me abraçando, sem me dar respostas algumas, mas me proporcionando o melhor, que é a sua companhia e a certeza de que eu não estava sozinho.
Em meio a dor, a dúvida e a impotência, precisei me curvar e confessar, que no final, eu só não queria aceitar, que eu não tinha controle algum. Nem sempre temos respostas, nem sempre Deus fala conosco, nem sempre temos o que queremos, mas nunca estamos sozinhos. E foi este sentimento que me sustentou. Entre o cinza e a dúvida, eu tinha apenas uma certeza, Deus estava comigo, desde o começo da busca, quando eu quase caí no ateísmo, até aquele momento, quando eu sentia Deus comigo, mesmo sem ter explicações.
Deus aparece para Jó, depois de muito tempo de sofrimento, mas não dá nenhum esclarecimento. Ele apenas coloca Jó no lugar, e deixa claro quem era o Deus naquela situação toda (Jó 38:1-3). Já José, não viu Deus como Jó, mas seguiu sempre confiando, apesar de todo o caos, ele sabia que no final, Deus estava com ele, por isso ele seguiu e confiou.
A verdade é que algumas de nossas dúvidas são arrogantes, são tentativas de pontuar e controlar. Queremos saber por que sofremos, por que aconteceu determinada coisa com a pessoa que amamos, ou por que Deus não nos responde. No final, as dúvidas soam arrogantes, como uma falta de capacidade em aceitar e entender que nós somos humanos, e Deus é Deus, ele sabe de tudo, e ele vai sempre fazer como bem lhe apraz.
Quem somos nós para pôr em dúvida os planos de Deus? O que é o homem, para acreditar que ele pode tudo e controla tudo, sem Deus não somos nada, já Deus sem nós, continua sendo soberano. Cheguei a algumas conclusões no que diz respeito ao sofrimento, algumas eu até já falei, outras não, mas procurarei concluir tudo em um só texto, para que possamos encerrar esta odisseia pontuando o assunto de forma bem clara e resumida.
Entenda uma coisa, Deus não é obrigado nos responder, e servir a ele não é ter as nossas vontades atendidas e muito menos perguntas respondidas, e sim, é confiar nele e crer que ele sabe de tudo e vai nos ajudar da melhor maneira possível.
Em primeiro lugar, o mundo é um caos por causa do homem e do pecado. Toda a dor e todo o caos são frutos do pecado do homem, o problema de todo o mal, é o livre-arbítrio humano e a sua complicada forma de viver. O mundo é esta anarquia, vivemos dia a dia, tendo que lidar com doenças, catástrofes, e problemas, justamente porque ele é um retrato do ser humano. É por conta disso que é complicado culpar Deus das nossas mazelas.
Em segundo lugar, o sofrimento demonstra o tamanho da nossa ignorância e o quanto somos limitados. A dor é o resultado de quem o homem realmente é por baixo da máscara de prepotência.
Quando sofremos não vemos em volta, não percebemos nossos erros e falhas, e não demoramos em culpar alguém, ou mesmo a Deus. Não podemos simplificar a dor e o caos, mas também, não podemos acreditar que somos os únicos a sofrer. Todo mundo sofre, e quem não percebe isso, na verdade mergulha na ignorância de acreditar que a sua dor é única, ou que muitas vezes somos os maiores injustiçados. O sofrimento revela a nossa ignorância, e o quanto deixamos de perceber nossas falhas ou mesmo o mundo a nossa volta.
Em terceiro lugar, o sofrimento aponta para Deus. Se a dor nos limita, nos deixa sem ação, uma coisa é óbvia. Quando não temos saída, buscamos a única saída, que muitas vezes, por conta da dor, esquecemos, que é Deus.
A dor nos leva a olhar para Deus, é quando paralisamos e percebemos que não controlamos nada, que enxergamos ele e entendemos que o nosso sentimento de controle é falso. A dor mostra quem somos e o quanto Deus é soberano. É a dor que, quando estamos sem saída, nos obriga a confiar e entregar a nossa vida em suas mãos.
A arrogância e a prepotência são comuns no homem. O pecado nos fez egoístas, e suscetíveis a estes males, diante do menor sinal de dinheiro, status e poder. Contudo as dores nos moldam, transformam o nosso coração e nos obriga a olhar para Deus e confiar nele, independente da situação. Tudo vai depender do quanto você confia ou não em Deus.
Eu sei que a dor é complicada, não quero transformar o seu problema em algo fácil e simples de se enfrentar. Não é fácil ter que lidar com as adversidades, existem muitas variantes, muitos casos e não é legal sentir dor, ver alguém que amamos sentir ou ser privado de alguma coisa. Mas confiar e ter em mente que Deus de tudo sabe e nós, quase sempre não sabemos, normalmente nós confundimos as coisas e não percebemos o óbvio, é uma atitude honesta a se tomar.
Que o sofrimento nos leve a Deus, nos faça confiar ainda mais nele e entregar, de forma verdadeira, todos os problemas em suas mãos.
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O PERIGO DA INDEPENDÊNCIA
“A recusa em ser dependente dos outros não é um sinal de maturidade, mas de imaturidade” (STOTT, 2011, p. 91).
Quando eu era novo, um dos meus grandes anseios era ser independente. Eu queria muito sair, trabalhar e viver a minha vida. Sendo que um tempo depois eu consegui fazer isso e aprendi que na verdade, não somos totalmente independentes.
Vivemos em sociedade e como é característico nesta forma de viver, cada um depende um pouco do outro. Não é possível sermos totalmente independentes, visto que precisamos uns dos outros para termos a mínima condição de existir. Desde o profissional que faz o pão, aquele que corta a carne, dependemos dos agricultores e nas inúmeras pessoas que nos prestam serviços. Não dá para viver sozinho, ninguém é uma ilha, totalmente independente.
O dinheiro tem a característica de nos dar este sentimento de superioridade e independência. As riquezas nos colocam em um patamar e conseguem separar as pessoas em classes. Mas quando refletimos e aprendemos a pensar, percebemos como somos dependentes. Até o mais rico dos homens, depende dos trabalhadores para o seu negócio, a sua casa ou projeto. Sem as pessoas, nada em sua vida conseguiria ir para frente.
Na igreja não é diferente, pois é impossível sermos cristãos solitários. Precisamos uns dos outros, o próprio ato de amar, aprender e conviver, que são pontos essenciais da fé cristã, são ações que não podem ser praticadas sozinhas. Não existe cristianismo quando estamos trancados em nossas quatro paredes. A fé é exercida através da vida em comunidade.
Isso sem contar que todos os trabalhos dentro da igreja possuem a sua importância. O pastor prega e pastoreia as pessoas, o músico toca no louvor, o pessoal da limpeza faz a manutenção do prédio e por aí vai. Todos dentro da obra são importantes. Não há hierarquia dentro do reino, pois todos possuem as suas funções. O que há são responsabilidades diferentes, sendo que algumas funções possuem responsabilidades maiores e mais desafiadoras, mas todos estão unidos em um propósito apenas.
Lembre-se que somos um corpo só, sendo que Jesus é a cabeça deste corpo (Romanos 12:4-5). A igreja é uma só, sendo composta por várias partes, cada uma com a sua função, igual ao corpo humano. Não há lugar para a caminhada solitária quando falamos de vida cristã e muito menos há uma função mais importante do que outra no reino. Todos são úteis e fundamentais para a obra de Deus.
Por isso, cuide do seu sentimento de independência, perceba como somos dependentes e o quando a vida em comunidade é essencial. Caminhar com os outros e aprendermos a servir uns aos outros é um ponto fundamental do evangelho.
Somos dependentes um dos outros, a vida cristã é isso, é viver em comunhão, apoiando e cuidando como um cristão maduro deve ser!
BIBLIOGRAFIA
STOTT, John. O discípulo radical. 1. ed. Viçosa: Ultimato, 2011.
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LEIS SOBRE A TOLICE HUMANA
Enquanto aguardava a minha esposa no carro, optei por ficar observando o lugar, nem sempre eu saio com o celular, as vezes prefiro me desligar dos estímulos para relaxar ou apreciar o ambiente. E foi quando de repente, avistei dois homens fumando e bebendo, encostados em uma cabine com inúmeros botijões de gás. Isso me deixou pensativo, num misto de riso e preocupação que a própria cena provocava. O dia em que você parar para refletir sobre o quanto a tolice pode ser perigosa, lembre-se deste episódio.
A estupidez humana não tem limites e a cada dia ela se supera ainda mais. Seja pela ação de políticos, líderes ou mesmo militantes, que não percebem suas contradições antes de executar algo ou propor alguma mudança, terminando por prejudicar os outros e também a si. Esta é a habilidade do estúpido, disseminar o caos e a desconstrução.
Em seu curto tratado, Carlo M. Cipolla, nos revela algumas características e perigos destes tolos que seguem semeando caos e problemas. O autor propõe cinco leis que nos ajudam a entendê-los e a conceituá-los, mas neste texto não abordarei todas as leis, apenas duas, a primeira e a terceira lei.
Cipolla inicia o livro falando que existem mais estúpidos do que imaginamos. A quantidade é sempre muito grande e quase sempre subestimamos estas pessoas (CIPOLLA, 2020, p. 23). Acreditamos não existir muitos até nos depararmos com inúmeros deles. É por isso que caímos em algumas frias, visto que não aceitamos que a quantidade é realmente elevada, sendo que status, dinheiro e diplomas ou mesmo a falta destes elementos, não definem um tolo, eles estão em todos os lugares, com dinheiro, estudos ou não. Sendo esta a primeira lei da estupidez humana.
A terceira lei esclarece que um estúpido, segundo Cipolla, é alguém que prejudica a si e também aos outros. É um indivíduo que faz o outro perder, mas que também não ganha nada com as suas atitudes (CIPOLLA, 2020, p. 48). Sendo que com esta definição já conseguimos enumerar uma quantidade grande deles. São aqueles que gostam de ver os outros perderem e se prejudicarem, sem ao menos ganharem alguma coisa com isso. É aquele mórbido prazer de ver o seu semelhante não se dar bem ou de forma inconsciente, é aquele que faz todos perderem o seu tempo ou se prejudicarem, em nome de causa alguma.
Já uma pessoa inteligente é aquela que ganha e também faz com que o próximo também ganhe (CIPOLLA, 2020, p. 49). Se contextualizarmos o conceito perceberemos que ele vale para todas as áreas da vida, não só para o dinheiro ou bens materiais.
O inteligente é aquele que promove boas conversas, diálogos construtivos, ele ajuda o próximo com informações e apoio, sendo que ele termina ganhando também com isso. Quem compartilha, ganha, seja ensinando ou com a alegria e satisfação em poder ajudar alguém. Um tolo não, ele quer ser o centro, seus pensamentos são desinformados e egoístas, seu maior prazer é ver o próximo derrotado, se dando mal.
O perigo destas pessoas, conforme Cipolla expõe no livro é que suas ações não são racionais e com isso, é difícil prever o ataque de um estúpido. Mais dia ou menos dia, você terá que lidar com a ação destes que vivem para desconstruir e atrapalhar, por isso que ficar atento é primordial (CIPOLLA, 2020, p. 68-69).
Em um mundo de aparências, saber perceber além do que vemos é fundamental, para assim, não cairmos nas ciladas destes que com as suas tolices, podem nos prejudicar ou mesmo nos fazer perder tempo, que é algo realmente complicado, já que tempo não é algo que se tem de sobra. Provérbios já nos avisa:
Todo homem prudente age com base no conhecimento, mas o tolo expõe a sua insensatez (Provérbios 13:16).
Que Deus nos ajude a termos discernimento!
BIBLIOGRAFIA
CIPOLLA, C. M. As leis fundamentais da estupidez humana. São Paulo: Editora Planeta, 2020.
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O PRIMEIRO PASSO
“Você não precisa se sentir sobrecarregado pelos seus projetos essenciais. Concentre-se no primeiro passo óbvio e você evitará gastar energia mental demais pensando no quinto, no sétimo ou no vigésimo terceiro passo” (MCKEOWN, 2021, p. 127).
Livros são verdadeiras ferramentas, eles nos trazem conhecimento, reflexão e aprendizado, o único problema dos livros físicos é quando você tem muitos deles e precisa se mudar.
Eu me mudei há alguns anos e foi uma verdadeira epopeia ter que encaixotar todos os volumes, transportar para o novo endereço com muito cuidado e depois, ter que arrumar tudo. Esta é a parte que não é tão divertida quando se tem muitos livros, mas este acontecimento me trouxe uma grande lição, que é saber dar o primeiro passo.
Na vida acadêmica não é diferente, ainda mais quando estamos há muito tempo sem estudar e decidimos cursar uma graduação. São muitos livros para ler, artigos e aulas que nos tiram do comum, mexendo em toda a nossa rotina. Pesquisar para escrever um artigo ou mesmo um livro, também não é diferente e muitas vezes nos imobiliza por conta do tamanho do desafio. Por isso que, saber dar o primeiro passo é fundamental. Greg Mckeown acrescenta um ponto que é muito verdadeiro sobre o assunto, já vivenciei isso várias vezes em minha caminhada:
“Frequentemente ficamos estagnados porque avaliamos mal qual é o primeiro passo. O que achamos que é o primeiro na verdade são vários. Mas, assim que decompomos esse passo em ações físicas e concretas, aquela primeira ação óbvia começa a parecer sem esforço” (MCKEOWN, 2021, p. 127).
Dividir uma tarefa que é complicada, em vários passos e ir executando aos poucos o trabalho é o caminho mais tranquilo para continuarmos com constância e finalizarmos um projeto. Mas tudo vai depender do primeiro passo.
Para a mudança que eu citei no começo do texto, por exemplo, eu fiz isso, dividi a árdua missão em várias etapas e fui executando. Quando preciso escrever um artigo acadêmico ou pesquisar para um livro que eu estou escrevendo, eu faço o mesmo, transformo a missão em várias etapas e vou executando, entendendo que o primeiro passo é fundamental. Começar e fugir da procrastinação é o melhor caminho para o sucesso de uma empreitada, sendo este um passo muito importante.
Quanto mais você procrastinar mais vai perder, seja deixando de crescer com um estudo, leitura ou perdendo uma ótima oportunidade de trabalho, por isso que, dar o primeiro passo, nem que seja pequeno é o começo de uma jornada de sucesso. Gosto de um provérbio Chinês que pontua justamente isso, ele diz que:
“Uma jornada de duzentos quilômetros começa com um simples passo”.
É essencial aprendermos a dar o primeiro passo, fugir da procrastinação é a primeira missão daqueles que querem mergulhar na vida acadêmica.
BIBLIOGRAFIA
MCKEOWN, Greg. Sem esforço: Torne mais fácil o que é mais importante. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2021.
