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VIVENDO NO PILOTO AUTOMÁTICO
“O morrer pode ficar para amanhã, mas o viver, é melhor que seja hoje” (ARANTES, 2021, p. 18).
Não é tão raro assim vermos pessoas vivendo no piloto automático, seguindo seus dias sem perceber a riqueza e o prazer que é viver. As vezes não valorizamos muito a vida, só percebemos o seu valor diante da morte ou doença. A vida é um dom de Deus, por isso valorize.
Alguns vivem no passado, revivendo momentos que se foram. Sendo que, entre um saudosismo e outro, não é raro ouvirmos estas pessoas falarem que no seu tempo tudo era melhor, quando se vive no passado tal conclusão é a mais óbvia. Tenho medo de saudosistas, tanto quanto tenho das pessoas que vivem apenas para cumprir seus planos, para realizar um sonho do futuro, pois ambos não vivem o hoje. É bom relembrar momentos felizes, mas confesso que vivo suficientemente o hoje, para ficar revivendo o passado. Além de também saber como é ótimo planejar e ter perspectivas, mas não podemos deixar de viver, de desfrutar os nossos escassos dias.
Viver remoendo mágoas e frustrações, buscando a cada memória, encontrar o culpado de sua miséria ao invés de assumir a responsabilidade por resolver e consertar tais momentos difíceis é tão errado quanto aqueles que trabalham e planejam sempre para o manhã, para um dia que virá, mas que pode acabar não vindo. São estes que só pensam no futuro. Que se preparam para as suas carreiras e se esquecem do hoje, da sua família, de aproveitar o momento. É fundamental nos prepararmos, estudarmos e estar preparado para uma emergência. A questão é que também precisamos viver e a vida se vive no hoje, por isso que o equilíbrio, saber dosar tais questões é fundamental.
É fácil ligarmos o piloto automático e seguirmos sem realmente enxergarmos ou desfrutarmos da vida e dos seus detalhes. A falta de reflexão faz isso, quando não aprendemos a parar para refletir, seguimos o fluxo, deixando que a vida leve você para qualquer lugar.
Perceba como é importante pensar no futuro, relembrar bons momentos, isso não é ruim, o problema é viver só no futuro ou preso apenas ao passado e permitir que a vida passe.
Pense nos momentos que você pode construir saindo para caminhar no parque, com toda a calma e de preferência sem celular. Ou mesmo planejando uma viagem a algum lugar que fique longe da cidade, em meio a natureza, bem distante dos estímulos desta sociedade. A vida não é só trabalhar ou pensar em um futuro que não existe, viva o hoje, construa bons momentos.
E para quem é saudosista, entenda que o seu tempo é hoje, visto que você ainda está vivo. A frase: “No meu tempo…” não é correta, o seu tempo é agora, aprenda a conviver com as mudanças e desfrutar dos pontos bons que a nossa sociedade oferece, apesar dos pontos complicados.
Eu sei que muitos sentem saudade da sua mocidade, dos dias onde a responsabilidade não era tão grande assim. Talvez os costumes daquela época te agradavam mais, mas temos bons motivos para celebrar inúmeras oportunidades que os nossos dias trouxeram. Aprenda a ver o lado positivo e o quanto avançamos em muitas áreas, seja tecnológica, na saúde ou qualidade de vida.
Nem tudo é do nosso jeito, mas podemos aceitar as mudanças e buscar caminhos novos, ampliando os nossos horizontes. Desligue o piloto automático e aprenda a viver. Descubra o poder de construir bons momentos, aproveitando os dias e o tempo que Deus lhe deu.
A vida é um presente de Deus, por isso, não estrague o presente!
BIBLIOGRAFIA
ARANTES, A. C. Q. Pra vida toda valer a pena viver: Pequeno manual para envelhecer com alegria. Rio de Janeiro: Sextante, 2021.
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CRISTIANISMO PRÁTICO: VIVENDO LONGE DA TEORIA
Ao conhecer um certo líder de um projeto, me impressionei ao descobrir que o indivíduo era um pastor. O cidadão era arrogante e tratava a todos com desdém, salvo se a pessoa fosse alguém importante.
A verdade é que o nosso cristianismo começa no modo como tratamos as pessoas, nas lentes nos quais nós os enxergamos. Se estas lentes são o evangelho, a graça divina deveria ser sempre o ponto de partida para tratarmos o próximo. Cristo só não foi paciente com os religiosos hipócritas da sua época ou com as pessoas interesseiras, com os outros, ele os recebeu bem e com amor cuidou, ensinando o caminho do evangelho.
Ser cristão é muito mais do que apenas ir à Igreja, é iluminar, refletir o evangelho, aquele mesmo que mudou a sua vida. É amar, ter paz, ser amável, tolerante, bom. E caso tenha dúvidas, estes são os frutos do espírito, daqueles que são salvos pela graça de Deus (Gálatas 5:22).
Não adianta falar e não viver, é preferível muito mais seguir com sinceridade, sem mascarar suas dificuldades, do que vestir uma máscara, atuando como um ator no palco. Isso não é evangelho e sim, uma vida hipócrita, tais quais os fariseus, que Jesus inúmeras vezes argumentou.
Não estou pedindo para ser perfeito, alguém que não erra nunca, nós erramos, eu sei bem disso e sim, que trate o outro como igual, com respeito e empatia. Seja uma pessoa transparente e humilde, creio que isso já é um bom começo. Aprenda a tratar a todos com a mesma bondade que trataria alguém no qual você gosta muito.
Se você humilha ou trata o próximo como inferior, como alguém menor, você tem um problema muito sério, pelo menos se você se diz cristão, visto que tal atitude não combina com o exemplo de Cristo e os ensinos que ele deixou para que seguíssemos.
Se o evangelho não começar em nossas atitudes, em como tratamos as pessoas, não vai adiantar você ficar na esquina evangelizando, falando de um ensino que você não vive.
Na Bíblia existe uma lógica, um ensino que nos coloca em outro lugar e nos obriga a sermos humildes. Em um dos evangelhos (Marcos 9:35), Cristo ensina algo fundamental aos apóstolos e também a nós, sobre a humildade:
Assentando-se, Jesus chamou os Doze e disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, será o último, e servo de todos”.
A humildade é o cerne da vida cristã e não holofotes ou posições elevadas, entender tal ponto muda a nossa atitude e a forma como tratamos as pessoas. Carson complementa comentando esta passagem:
Serviço e humildade são os únicos caminhos para a verdadeira grandeza cristã, razão pela qual Jesus tomou, aqui, uma criança como exemplo (36)” (2012, p. 1452).
Reveja a forma como você trata o próximo, busque entender se as suas atitudes partem da graça, do serviço e da humildade ou mesmo da arrogância. E não se esqueça: Ou praticamos a humildade ou seguiremos tendo uma atitude que não deveria fazer parte da nossa vida!
BIBLIOGRAFIA
CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.
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A VERDADEIRA POSSE
“Só possuímos aquilo que não se pode perder em um naufrágio” (PERCY, 2012, p. 51).
Provérbio Indiano.
Quando eu vou viajar, procuro levar apenas o necessário para a viajem. Não gosto que o excesso de bagagem atrapalhe e transforme um momento de descontração em um período de desconforto.
Eu creio que não precisamos de um monte de bugigangas em uma viagem, pois a quantidade pode tirar a qualidade do momento. Levar o mínimo de bagagem e saber aproveitar o ambiente com as coisas que temos, é essencial, para que a viagem siga proveitosa e mais leve.
Na vida a reflexão não é diferente, não precisamos de muita coisa para a nossa caminhada e por mais que seja legal ter as coisas ou conseguir um certo conforto, não precisamos de muito, sendo que o excesso constantemente nos tira a qualidade, a paz e o sossego, que são fundamentais para um bom viver.
A epígrafe que abre o texto não pode estar mais certa, tudo o que realmente possuímos são as coisas que não podemos perder, eu diria também, que são as coisas que não estragam, não fazem volume e não enferrujam. E se você parar para pensar, uma boa parte do que temos gera empecilhos.
Os bens deveriam existir para nos servir, eles possuem utilidades, mas nem sempre são necessários. Entender a função de cada coisa e viver com os pés no chão, é o primeiro passo caso você queira descobrir o que vale a pena levar em sua caminhada.
Conheço muitos que são escravos do seu estilo de vida ou perdem a paz tentando manter um padrão irreal e terminam gastando o que mais importa, que é o tempo, tudo e apenas em nome de um status. Pois não podemos esquecer que não gastamos apenas o nosso dinheiro, quando compramos algo, mas também o tempo que levamos para ganhar aquele dinheiro.
As amizades, o conhecimento e as experiências, são as únicas coisas que permanecem, nós nunca perdemos, mas os bens se vão ou com o tempo perdem o seu valor. No final em um naufrágio ou mesmo em um período de dificuldade e falta de saúde, percebemos que a única coisa que realmente temos e não podemos perder é o conhecimento, as lembranças e experiências.
Aprenda a separar o que você realmente precisa das coisas que são inúteis e ocupam espaço. Pois são estas bagagens que tornam a vida um pouco mais pesada.
Com o tempo aprendi a lidar com as coisas, descobri como ter menos é ter muito mais, pois as vezes enchemos a nossa vida de coisas inúteis, que só ocupam espaço e deixamos de desfrutar a paisagem já que as bugigangas as vezes tapam a nossa visão.
BIBLIOGRAFIA
PERCY, Allan. Kafka para sobrecarregados: 99 pílulas de sabedoria para lidar com a locutora do dia a dia. Rio de Janeiro: Sextante, 2012.
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VIDA INSATISFEITA: QUANTIDADE NÃO SIGNIFICA QUALIDADE
“A atenção do mundo assemelha-se à da mosca, que, com centenas de olhos focados em centenas de objetos, nunca se estabiliza, nunca descansa e vive apenas para o momento” (FOSTER, 2008, p. 235, 236).
Eu sou uma pessoa avessa a ambientes cheios, prefiro sempre locais mais simples e enxutos. Um shopping, por exemplo, me deixa cansado por causa dos excessos de estímulos e pessoas. Uma boa festa, no meu ponto de vista, são aquelas com poucos amigos, onde o diálogo é possível e onde não há um milhão de coisas acontecendo ao mesmo tempo.
O problema dos muitos estímulos desta vida, que muitas vezes é calcada na quantidade, é a falta de oportunidade para conseguirmos aproveitar algo. A quantidade e os excessos, nos dão uma falsa sensação de uso, pois na verdade, você apenas tem, sem aproveitar realmente tudo o que adquiriu. Esta é a minha crítica aqueles que só tem, mas não aproveitam. O mesmo se aplica aos ambientes cheios, com excessos e muitos estímulos, você não desfruta realmente da companhia das pessoas. É uma falsa sensação de relacionamento.
É como a epígrafe diz, quanto mais coisas, mais instáveis ficamos e terminamos em viver só aquele momento. Sem descansar e desfrutar realmente de algo. Com isso, muitos seguem só comprando, transformando a compra em uma fuga dos estresses que o próprio mundo e as escolhas de vida que esta pessoa fez traz. Ao invés de consertar o problema, ela desabafa criando mais problemas ainda, transformando a sua vida em uma bola de neve de caos e confusão.
Quem vive para as coisas, vive para aquele objeto, sem realmente saborear os seus dias. Os excessos fazem isso com a gente. Nos tiram a paz e a capacidade de seguirmos satisfeitos. A insatisfação muitas vezes surge justamente por conta dos excessos, que não acrescentam a nossa vida, nos deixando incompletos. A mente insatisfeita é aquela que só quer as coisas e se esquece de aproveitar e ser grato por tudo.
O propósito da vida simples e da busca por equilíbrio é justamente incentivar as pessoas a viverem um dia de cada vez, a aproveitar o que tem seguindo calcado no hoje. Não há problema algum em ter, em comprar e realizar os nossos sonhos, o problema é apenas ter, sem viver e desfrutar dos momentos que se vão rápido.
Aprenda a parar, se desligar dos estímulos constantes, descubra também que é legal refletir sobre o que você tem, e pensar se você precisa realmente adquirir mais coisas. Aprenda a usar as suas coisas e só comprar o que você realmente precisa, guardando espaço da sua casa, para as coisas úteis. Quantas tralhas que você já adquiriu, mas nunca usou? Pense sobre isso e aprenda a ter consciência na hora de comprar.
Nenhum excesso é benéfico, menos é sempre mais, parafraseando uma frase que ouvimos muito na música, por isso, aprenda a desfrutar do que tem, e não transforme o hábito de comprar, em um hábito automático, realizado sem qualquer reflexão. Pois corre o risco de você ficar com a sua casa cheia de bugigangas, mas sem as coisas que realmente importam.
BIBLIOGRAFIA
FOSTER, Richard. A liberdade da simplicidade: Encontrando harmonia num mundo complexo. São Paulo: Editora Vida, 2008.
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A DISCIPLINA DO SILÊNCIO
“Um dos meios de nos educar para a simplicidade é pela disciplina do silêncio” (FOSTER, 2008, p. 134).
Conheci alguém que deixava a televisão ligada o dia inteiro. Tendo alguém assistindo ou não, a telinha estava sempre ativada. A justificativa dela era que ela precisava estar sempre ouvindo algo enquanto estivesse em casa. Um costume que reflete um pouco o seu interior barulhento. Se você não consegue se relacionar com o silêncio, possivelmente, o barulho dentro de você deve ser muito mais alto do que o som a sua volta. Quando falamos em silêncio, discorremos tanto sobre os barulhos externos quando os internos.
O silêncio é uma prática que podemos aprender a cultivar e eu sei que para alguns é muito mais fácil do que para outros. Eu mesmo gosto do silêncio, consigo passar horas ouvindo a melodia do silêncio aproveitando estes momentos. Mas conheço pessoas que não suportam o barulho do silêncio, se sentem agoniadas em um ambiente sem som.
Considero reconfortante estar em silêncio, sendo que é neste momento que aprendemos a calar os barulhos internos e nos acalmar, já que não adianta ter o exterior silencioso e o interior barulhento. Muitas das minhas orações foram períodos de silêncio, em momentos nos quais eu nem conseguia falar, por isso, deixava o meu interior falar e me entregava a Deus.
Acalmar a mente antes de falar com Deus é fundamental, aprender a se aquietar e agradecer as vezes é a melhor opção. Orar é muito mais uma entrega, um momento de intimidade e rendição. A oração não se resume apenas em soltarmos uma torrente de palavras.
A arte do silêncio é entender que o excesso é sempre prejudicial e que parar, refletir e se acalmar é fundamental. Aprender a estar em silêncio é entregar o controle, é perceber que não comandamos nada a nossa volta, sendo que é só assim que realmente confiamos em Deus.
Separe um tempo em sua casa, de preferência em um horário onde o ambiente esteja bem quieto, no meu caso, como eu acordo bem cedo todos os dias, eu separo a minha manhã. Depois sente em uma posição confortável e busque o silêncio. E caso algo passe por sua mente, deixe o pensamento seguir, não o segure.
Comece separando um tempo curto, caso você seja alguém que não vive sem os estímulos das redes sociais e aos poucos, siga aumentando os períodos de silêncio. A meditação e a solitude, servem justamente para isso, nos acalmar, nos desligar dos excessos e dos inúmeros estímulos.
Em meio a minha solitude eu penso, escrevo, leio e descanso, visto que o silêncio é revigorante. É durante o silêncio que passamos a ouvir, a perceber todos os detalhes e terminamos também por exercitar a nossa capacidade de ouvir alguém, sem pensar em falar o tempo todo. É comum encontrarmos pessoas que ouvem apenas para responder e falam sem parar, por isso que exercitar a nossa capacidade de ficar em silêncio é imprescindível.
No afã de controlar, falamos sem parar, perdendo assim todos os detalhes que são relevantes. Por isso que a disciplina do silêncio é um hábito essencial, é o caminho daqueles que querem realmente ver e ouvir, sem se perderem nas torrentes de palavras.
BIBLIOGRAFIA
FOSTER, Richard. A liberdade da simplicidade: Encontrando harmonia num mundo complexo. São Paulo: Editora Vida, 2008.
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O PERIGO DO IMEDIATISMO: O CAMINHO DO CONHECIMENTO
Em nossos dias temos muitas facilidades na palma de nossa mão, e isso é um fato literal. Caso tenhamos vontade de comer algo, assistir um filme ou mesmo comprar um livro, basta um click, que o pedido já estará feito. O problema é que para construirmos o conhecimento o processo não é o mesmo. Estudar um tema, escrever um texto, ou cursarmos uma graduação ou pós-graduação, a nossa atitude deve ser bem oposta à esta, pois não é possível buscar o saber da mesma forma que você pede um lanche pela internet.
Quando decidi seguir na carreira acadêmica, tive que percorrer um caminho um tanto quanto longo. Eu cursei uma graduação, depois algumas especializações, me dediquei a leitura e busquei mergulhar em alguns temas e áreas para ter um conhecimento mais profundo em alguns assuntos.
O mesmo processo se dá quando quero escrever um livro ou artigo. Eu preciso pesquisar em uma boa bibliografia, estudar, escrever e aos poucos ir construindo o texto. Sendo este um processo lento, é um passo de cada vez, onde aos poucos, vamos lapidando e construindo o saber.
O imediatismo para a vida acadêmica é muito perigoso, visto que, não é possível construir o saber de forma rápida, o processo é lento, mas deve também ser cuidadoso e sem pressa. Alguém que não possui esta consciência sobre o saber, corre o risco de não construir um repertório relevante. Caso seja imediatista, ele terá um diploma, mas não possuirá o conhecimento.
Eu escrevo todos os dias, tenho a hora certa na minha manhã para escrever e lapidar um texto até que ele esteja pronto. Começo pensando em um tema e depois vou desenvolvendo, com calma e cuidado. Um bom texto, na maioria das vezes, leva um bom período até estar pronto. O conhecimento não é diferente disso, é um processo, é como lapidar uma pedra bruta, até vermos a obra de arte pronta. A pressa, em todos estes casos, termina por estragar a construção final.
Por isso, não tenha pressa, caso queira se dedicar a vida acadêmica. Aprender é um processo, um caminho lento e precisa ser uma caminhada constante e persistente. É construir uma rotina de leitura e de estudos, como eu sempre falo, entendendo que o resultado não é instantâneo.
Quase no final da minha graduação eu montei este blog, fiz isso por vários motivos, entre todos eles, o ponto principal foi ter uma ferramenta que me motivasse a escrever e estudar. Na época eu não era professor e pesquisador, mas o blog me ajudou ao longo destes muitos anos a ter uma rotina de escrita diária. Foi um processo, que resultou neste hábito. Eu comecei com um simples passo e fui progredindo e me aperfeiçoando conforme aprendia.
Caminhe com calma pela estrada do saber, não tenha pressa, procure desfrutar do conhecimento e aprender da melhor forma que você puder. Construa bons hábitos e tenha o seu precioso tempo de leitura, estudos e escrita, dando sempre passos calmos, sem afobação, mas firmes, calcando na busca pelo conhecimento.
Quando você aprender a focar mais no processo, você vai aprender que o caminho é mais importante do que a chegada. Um diploma, não é o fim do caminho e sim, apenas o começo, os primeiros passos, então não pare, continue a caminhar. A vida acadêmica é muito mais um estilo de vida do que apenas hábitos consolidados.
A beleza da vida acadêmica e da carreira de escritor é o próprio processo, pois o restante, são apenas consequências!
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MUITO ALÉM DO MERO OBSERVAR: A VIDA CRISTÃ NA PRÁTICA
Eu gosto muito de observar quando estou em um local diferente, ver os detalhes do lugar e perceber nuances que só alguém comprometido em ver consegue. Nesta nossa sociedade dos exageros, muitas vezes não vemos, por conta de nossa falta de comprometimento em ver. É comum as pessoas buscarem ver apenas o que lhes interessam, com isso, não conseguem ver as coisas que estão além de si.
Na vida não somos apenas observadores, mas também narradores, intérpretes do que vemos, vivenciamos e sentimos, por isso que, saber olhar é fundamental para poder interpretar com coerência os fatos e criar pensamentos centrados. Já que muito do que pensamos, se torna na maioria das vezes crenças, conhecimento e narrativas. Jordan Peterson complementa:
“Contamos para nós mesmos histórias sobre quem somos, onde gostaríamos de estar e como vamos chegar lá. Essas histórias regulam nossas emoções, determinando a significância de todas as coisas que encontramos e todos os eventos que vivenciamos” (2021, p. 53).
Somos narradores da nossa história, vemos os fatos e situações, construímos significados e narrativas que explicam, justificam e nos guiam. Já parou para avaliar como suas interpretações e os significados que você dá para o que você sente, acredita e experimenta, determina muita coisa em sua caminhada?
Esta nossa capacidade de ver, está também ligada a ação de permitir ou não que o externo nos influencie, principalmente quando não filtramos as informações. E todo o processo é definido por nossas crenças, reflexões e ponderações. Por isso que refletir e ter definido dentro de você alguns fundamentos é o caminho para continuarmos na direção certa da caminhada. O pior ébrio é aquele que não percebe a sua contradição. E a ideia que você tem das coisas, da existência de Deus ou da Bíblia, guia a sua vida e ajuda você a ter um pensamento equilibrado ou quem sabe, termine sendo a visão ruim que guiará você em direção ao caos.
Existem consequências que vão muito mais além do mero observar. São as narrativas que construímos e que dirige o nosso olhar e a lente no qual vemos o mundo. E este olhar e o significado que você dá para a história ou o que aconteceu, define muito o seu modo de agir.
Eu por exemplo, entendo a vida como algo complexo e aleatório, não creio em um Deus que determina tudo e sei que precisamos enfrentar algumas calamidades na vida, sendo isso tudo fruto do pecado do ser humano. Cristo falou destas aflições, mas precisamos ter bom ânimo e confiar nele (João 16:33), seguindo sem desistir. Por isso que diante das dificuldades eu me abstenho de reclamar e sigo batalhando, buscando sempre forças em Deus, com a certeza de que ele sempre nos trará a saída.
Alguns já buscam ver significados em tudo, acreditam que Deus determina tudo, por isso em alguns momentos, estas pessoas deixam de ver suas responsabilidades. Seguem acreditando que seus erros são culpa do inimigo e que Deus deve ter algum propósito com aquele sofrimento, sendo que, nem sempre há propósito, as vezes é fruto de uma falha nossa ou consequências de um mundo de pecado, como eu já afirmei. Veja bem, são dois pontos de partida que determinam como alguém vai agir diante da calamidade e que tipo de ação ela terá.
A Bíblia é o ponto de partida de todos os cristãos, ela nos instrui e nos dá um norte. Mas se você não estudar ou optar por seguir ensinos de “pastores” que estão longe do ensino Bíblico, você construirá uma fé sem fundamentos. E quando o vendaval chegar, pois ele sempre chega, você pode ter algumas dificuldades.
Entender a Bíblia de forma correta, é ter bem delimitado o caminho para a sua vida, é construir uma fé fundamentada e inabalável. Por isso que ler e estudar a Bíblia é importantíssimo para ajustar as suas lentes e o modo como você vê a vida e o mundo.
O cristão que não lê e muito menos estuda a Bíblia, está sendo contraditório, visto que temos a palavra de Deus como norte. Precisamos conhecer a palavra de Deus para que consigamos ter fundamentos e viver uma vida que vai muito além do posicionamento de um mero espectador.
BIBLIOGRAFIA
PETERSON, J. B. Mapas do significado: A arquitetura da crença. 2. ed. São Paulo: É Realizações, 2021.
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ESTEJA PRESENTE
A sexta-feira é sempre a melhor parte da semana, pelo menos era nisso que eu acreditava. Trabalhava a semana toda aguardando o tão maravilhoso dia, que marcava o período de descanso que parecia não ser suficiente.
E ao chegar no final de semana, dormia até tarde, e separava um tempo apenas para preparar alguns detalhes da reunião de segunda. Era uma reunião importante, nada poderia dar errado e após os preparos, já próximo ao horário do almoço, optava em sair para almoçar com um amigo.
Os amigos são peças fundamentais, é essencial termos com quem contar e também poder desabafar. Sendo que o assunto conversado era sempre o trabalho, queria ouvir a sua opinião sobre alguns fatos, este meu amigo sempre me ajudava.
Depois disso, eu me dirigia a igreja em um culto voltado aos empresários e os negócios, o trabalho é fundamental na vida da gente. Uma ênfase que eu também consegui dar no almoço em família.
Em meus períodos de folga, eu sempre resolvia problemas ou alinhava as reuniões com o meu chefe. Até durante uma sessão de cinema, conseguia separar um tempo para ajudar um colega de trabalho. É como eu costumo ouvir das pessoas, quando eu morrer eu descanso, até que o fim vem, e descobrimos como vivemos de forma equivocada.
Esta narrativa não é minha e nem de alguém em especial e sim, um resumo da vida de muitos que eu já conheci em minha caminhada. Pessoas que priorizavam apenas uma coisa e se esqueciam de viver, até ser acometido por uma doença ou problema grave. Algumas catástrofes nos ajudam a enxergar, a pena é que em muitos momentos, vemos os nossos erros tarde demais.
O trabalho é a rotina de muita gente, existem profissionais que estão sempre ligados no trabalho, não descansam nem um minuto e não conseguem estar em um lugar de forma verdadeira. Mesmo que estejam de corpo presente, a mente está sempre longe, em outro lugar, sendo que para estes o trabalho é tudo o que mais importa.
Existe muito mais do que só o trabalho, a vida é muito rica para vivermos apenas pensando em uma coisa, em nossas metas e propósitos profissionais. A mesma crítica eu faço aqueles que só vivem para a igreja, banda ou qualquer coisa que seja. Viver é planejar, ajudar e ser um bom profissional e também um bom cristão, é importante trabalhar na igreja e ser útil, mas dedicar a sua vida apenas a isso, e deixar família, filhos e outras prioridades de lado é tão errado quanto ser workaholic. Se você vive na igreja, mas falha com o seu secreto, com a leitura da palavra ou tira um tempo apressado para falar com o seu Deus, repense sua atitude, pois você certamente está invertendo as prioridades.
Estar em um lugar é se entregar ao ambiente, é desfrutar do que realmente importa ou se dedicar para as coisas que também são importantes. É ter um tempo em família, sem os compromissos atrapalhando, é tirar um momento de ócio para descansar e recarregar as baterias e também ter um tempo de qualidade com o seu secreto com Deus.
Tem gente que no final de semana não descansa, pois só pensa no trabalho ou em compromissos e não entende por que segue a vida um pouco cansado ou até se sentindo vazio.
Viver é mais do que apenas fazer, é entender que a vida profissional não pode nos definir e muito menos o ativismo. Se você não tem algo no qual lutar, nem uma atividade importante no qual se dedicar e vive apenas para o trabalho, você está vivendo errado.
Aprenda a olhar em volta, perceba que a vida é mais de estar envolvido em atividades e descubra que viver é para hoje. Quem vive só para executar tarefas, está se esquecendo de viver!
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ATRITO CONSTRUTIVO
“Grupos de pessoas são pedras sendo limadas e roladas pelo exercício da convivência” (KARNAL, 2021, p. 54).
Somos seres únicos e mesmo os amigos com gostos semelhantes, que possuem costumes e estilos parecidos com os nossos, possuem suas diferenças. A única coisa que certamente temos de igual é a nossa diferença. Não existe duas pessoas completamente iguais, as distinções com o tempo aparecem mesmo entre semelhantes.
E estas características são essenciais em nossa convivência. O desafio de ter amigos, nos testa e nos ensina a respeitar, a refletir, a ter contato com o diferente, além de nos ajudar a aprender a lidar com o pensamento oposto. É claro que tudo tem um limite, o atrito e as diferenças são importantes, desde que não sejam exageradas e extremas.
Nós crescemos muito aprendendo a lidar com as diferenças, a convivência ou a comunhão, que nós cristãos constantemente estamos experimentando, nos ensina e nos aperfeiçoa. É convivendo com o próximo que aprendemos a ser equilibrados, empáticos e respeitosos quanto ao pensamento oposto.
Em uma amizade não é possível excluir a pessoa, muito menos bloquear e deixar de seguir, como normalmente alguém faz nas redes sociais. Ou você aprende a respeitar e transitar entre os pensamentos diferentes ou você terá que se retirar do convívio social e viver em uma caverna, como um misantropo. E se formos justos e percebermos que todos nós temos estas diferenças, nos dedicaremos a aprender a lidar com o semelhante, justamente porque o próximo deve também fazer o mesmo conosco.
É uma via de mão dupla, precisamos respeitar as diferenças justamente porque eu também tenho minhas diferenças. Estamos sempre convivendo e nos relacionando, seja em uma amizade ou comunhão com os irmãos na igreja, consciente ou inconscientemente, precisamos lidar com as pessoas e suas distinções.
A parte ruim das redes sociais é justamente este sentimento de amizade descartável, os amigos são superficiais, visto que ao menor sinal de diferença, eu posso com um click, me separar da pessoa. Os atritos e o pensamento oposto são evitáveis. Sendo que eu não acredito que em uma sociedade tão plural como a nossa, onde o diferente deva ser evitado. Penso bem diferente disso, creio que aprender a conviver com a pluralidade é fundamental, é a atitude de alguém realmente centrado e inteligente.
Conviver é uma arte, saber transitar entre o pensamento oposto e ter a habilidade de refletir e entender aquele pensamento, é a atitude da pessoa sábia, que entende que o mundo e a vida são complexos. Aceitar o ponto de vista no qual não acreditamos, não é propriamente dito, acreditar naquilo e sim, conhecer outro ponto de partida e respeitar.
Quanto mais conhecemos, melhor conseguiremos conviver com as diferenças e pensamentos divergentes, que existem mesmo dentro da igreja e entre irmãos que professam a mesma fé.
Somos limados e aperfeiçoados durante a convivência, é justamente aquele que pensa de forma diferente que me ajudará a crescer e a aparar as arestas da minha vida. A arte de conviver e estar em comunhão é a habilidade de também crescermos e aprendermos com as diferenças uns dos outros.
BIBLIOGRAFIA
KARNAL, Leandro. O dilema do porco-espinho: como encarar a solidão. 14. ed. São Paulo: Editora Planeta, 2021.
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PASSANDO PELOS INVERNOS DA VIDA
Costumo acordar bem cedo para assim cumprir a minha rotina de estudos, sendo que no inverno, começo o meu dia lendo, sentado no sofá enrolado em um cobertor e com a perna apoiada em um pufe. É nesta hora que os meus gatos sobem em minhas pernas e se preparam para dormir. Eles são ótimos aquecedores naturais.
É principalmente no frio que os meus pets estão sempre juntos, buscando companhia ou um pouco de calor em uma manhã fria. Até eles entendem que em tempos gelados, estar próximo uns dos outros é a melhor opção.
Passar por invernos em nossa vida não é incomum, a vida é dinâmica e pode mudar de uma hora para outra. Seja por conta de um problema de família, saúde ou desemprego, o caos mais dia ou menos dia aparece. Saber gerenciar estes momentos faz uma grande diferença e ajuda a dirimir o impacto negativo destes desafios.
Mas tais quais meus animais de estimação, estar perto de Deus, buscando calor e esperança deve ser uma das nossas principais atitudes. Crer em seu cuidado e não esmorecer é a melhor ação. Longe de Deus certamente congelaríamos no mar gelado do mundo. Ou mergulhamos em sua graça que nos sustenta e aquece a nossa vida ou congelaremos no gélido mar da nossa sociedade.
Uma segunda e fundamental opção para passarmos por estes vales gelados é sempre estar perto dos amigos e irmãos, não é possível viver uma vida cristã solitária e muito menos passar por dificuldades enfrentando o caos sozinho. É nos unindo que conseguimos nos fortalecer e nos apoiar sendo suportes uns aos outros. Gosto do conhecido Provérbios 17:17, ele é clichê no meio cristão, mas não deixa de ser muito real:
“Em todo o tempo ama o amigo; e na angústia nasce o irmão”.
São nos momentos de dificuldade e angústia, que o apoio de um amigo é fundamental. Sozinho, ninguém consegue viver, É importante ter parceria e a amizade de pessoas de confiança. Este é um dos segredo para não congelarmos nos invernos do mundo. Em meus piores dias, me lembro dos amigos, da ajuda e do sustento que eles me ofereceram, sem eles certamente eu teria seguido dias mais complicados.
Frequentar uma comunidade nos traz muitos desafios, nem sempre é fácil aprender a conviver com todos os tipos de pessoas, mas a solidão é uma condição insuportável e contrário a palavra de Deus. A Bíblia descreve a igreja como um corpo, dividido em muitas partes, tendo cada um à sua função neste corpo e sendo Cristo o cabeça (1Coríntios 1:27). Este é o princípio da vida cristã, nós somos uma igreja, um corpo, por isso que estar sozinho é contraditório.
É claro que temos mais afinidade com algumas pessoas dentro da igreja, normal, mas isso não exclui a importância de congregar e estar em comunhão com os irmãos.
A vida cristã é vivida em união, seguir solitário é uma ação contraditória, visto que o amor e a comunhão são essenciais para uma espiritualidade saudável. Nós não somos ilhas, precisamos de irmãos, amigos e parceiros. Seja para aprender, através das diferenças, atritos construtivos e convívio, ou mesmo para não congelarmos nos invernos da vida.
