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  • MUITO ALÉM DO MERO OBSERVAR: A VIDA CRISTÃ NA PRÁTICA

    Eu gosto muito de observar quando estou em um local diferente, ver os detalhes do lugar e perceber nuances que só alguém comprometido em ver consegue. Nesta nossa sociedade dos exageros, muitas vezes não vemos, por conta de nossa falta de comprometimento em ver. É comum as pessoas buscarem ver apenas o que lhes interessam, com isso, não conseguem ver as coisas que estão além de si.

    Na vida não somos apenas observadores, mas também narradores, intérpretes do que vemos, vivenciamos e sentimos, por isso que, saber olhar é fundamental para poder interpretar com coerência os fatos e criar pensamentos centrados. Já que muito do que pensamos, se torna na maioria das vezes crenças, conhecimento e narrativas. Jordan Peterson complementa:

    “Contamos para nós mesmos histórias sobre quem somos, onde gostaríamos de estar e como vamos chegar lá. Essas histórias regulam nossas emoções, determinando a significância de todas as coisas que encontramos e todos os eventos que vivenciamos” (2021, p. 53).

    Somos narradores da nossa história, vemos os fatos e situações, construímos significados e narrativas que explicam, justificam e nos guiam. Já parou para avaliar como suas interpretações e os significados que você dá para o que você sente, acredita e experimenta, determina muita coisa em sua caminhada?

    Esta nossa capacidade de ver, está também ligada a ação de permitir ou não que o externo nos influencie, principalmente quando não filtramos as informações. E todo o processo é definido por nossas crenças, reflexões e ponderações. Por isso que refletir e ter definido dentro de você alguns fundamentos é o caminho para continuarmos na direção certa da caminhada. O pior ébrio é aquele que não percebe a sua contradição. E a ideia que você tem das coisas, da existência de Deus ou da Bíblia, guia a sua vida e ajuda você a ter um pensamento equilibrado ou quem sabe, termine sendo a visão ruim que guiará você em direção ao caos.  

    Existem consequências que vão muito mais além do mero observar. São as narrativas que construímos e que dirige o nosso olhar e a lente no qual vemos o mundo. E este olhar e o significado que você dá para a história ou o que aconteceu, define muito o seu modo de agir.

    Eu por exemplo, entendo a vida como algo complexo e aleatório, não creio em um Deus que determina tudo e sei que precisamos enfrentar algumas calamidades na vida, sendo isso tudo fruto do pecado do ser humano. Cristo falou destas aflições, mas precisamos ter bom ânimo e confiar nele (João 16:33), seguindo sem desistir. Por isso que diante das dificuldades eu me abstenho de reclamar e sigo batalhando, buscando sempre forças em Deus, com a certeza de que ele sempre nos trará a saída.

    Alguns já buscam ver significados em tudo, acreditam que Deus determina tudo, por isso em alguns momentos, estas pessoas deixam de ver suas responsabilidades. Seguem acreditando que seus erros são culpa do inimigo e que Deus deve ter algum propósito com aquele sofrimento, sendo que, nem sempre há propósito, as vezes é fruto de uma falha nossa ou consequências de um mundo de pecado, como eu já afirmei. Veja bem, são dois pontos de partida que determinam como alguém vai agir diante da calamidade e que tipo de ação ela terá.

    A Bíblia é o ponto de partida de todos os cristãos, ela nos instrui e nos dá um norte. Mas se você não estudar ou optar por seguir ensinos de “pastores” que estão longe do ensino Bíblico, você construirá uma fé sem fundamentos. E quando o vendaval chegar, pois ele sempre chega, você pode ter algumas dificuldades.

    Entender a Bíblia de forma correta, é ter bem delimitado o caminho para a sua vida, é construir uma fé fundamentada e inabalável. Por isso que ler e estudar a Bíblia é importantíssimo para ajustar as suas lentes e o modo como você vê a vida e o mundo.

    O cristão que não lê e muito menos estuda a Bíblia, está sendo contraditório, visto que temos a palavra de Deus como norte. Precisamos conhecer a palavra de Deus para que consigamos ter fundamentos e viver uma vida que vai muito além do posicionamento de um mero espectador.

    BIBLIOGRAFIA

    PETERSON, J. B. Mapas do significado: A arquitetura da crença. 2. ed. São Paulo: É Realizações, 2021.

  • ESTEJA PRESENTE

    A sexta-feira é sempre a melhor parte da semana, pelo menos era nisso que eu acreditava. Trabalhava a semana toda aguardando o tão maravilhoso dia, que marcava o período de descanso que parecia não ser suficiente.

    E ao chegar no final de semana, dormia até tarde, e separava um tempo apenas para preparar alguns detalhes da reunião de segunda. Era uma reunião importante, nada poderia dar errado e após os preparos, já próximo ao horário do almoço, optava em sair para almoçar com um amigo.

    Os amigos são peças fundamentais, é essencial termos com quem contar e também poder desabafar. Sendo que o assunto conversado era sempre o trabalho, queria ouvir a sua opinião sobre alguns fatos, este meu amigo sempre me ajudava.

    Depois disso, eu me dirigia a igreja em um culto voltado aos empresários e os negócios, o trabalho é fundamental na vida da gente. Uma ênfase que eu também consegui dar no almoço em família.

    Em meus períodos de folga, eu sempre resolvia problemas ou alinhava as reuniões com o meu chefe. Até durante uma sessão de cinema, conseguia separar um tempo para ajudar um colega de trabalho. É como eu costumo ouvir das pessoas, quando eu morrer eu descanso, até que o fim vem, e descobrimos como vivemos de forma equivocada.

    Esta narrativa não é minha e nem de alguém em especial e sim, um resumo da vida de muitos que eu já conheci em minha caminhada. Pessoas que priorizavam apenas uma coisa e se esqueciam de viver, até ser acometido por uma doença ou problema grave. Algumas catástrofes nos ajudam a enxergar, a pena é que em muitos momentos, vemos os nossos erros tarde demais.

    O trabalho é a rotina de muita gente, existem profissionais que estão sempre ligados no trabalho, não descansam nem um minuto e não conseguem estar em um lugar de forma verdadeira. Mesmo que estejam de corpo presente, a mente está sempre longe, em outro lugar, sendo que para estes o trabalho é tudo o que mais importa.

    Existe muito mais do que só o trabalho, a vida é muito rica para vivermos apenas pensando em uma coisa, em nossas metas e propósitos profissionais. A mesma crítica eu faço aqueles que só vivem para a igreja, banda ou qualquer coisa que seja. Viver é planejar, ajudar e ser um bom profissional e também um bom cristão, é importante trabalhar na igreja e ser útil, mas dedicar a sua vida apenas a isso, e deixar família, filhos e outras prioridades de lado é tão errado quanto ser workaholic. Se você vive na igreja, mas falha com o seu secreto, com a leitura da palavra ou tira um tempo apressado para falar com o seu Deus, repense sua atitude, pois você certamente está invertendo as prioridades.

    Estar em um lugar é se entregar ao ambiente, é desfrutar do que realmente importa ou se dedicar para as coisas que também são importantes. É ter um tempo em família, sem os compromissos atrapalhando, é tirar um momento de ócio para descansar e recarregar as baterias e também ter um tempo de qualidade com o seu secreto com Deus.

    Tem gente que no final de semana não descansa, pois só pensa no trabalho ou em compromissos e não entende por que segue a vida um pouco cansado ou até se sentindo vazio.

    Viver é mais do que apenas fazer, é entender que a vida profissional não pode nos definir e muito menos o ativismo. Se você não tem algo no qual lutar, nem uma atividade importante no qual se dedicar e vive apenas para o trabalho, você está vivendo errado.

    Aprenda a olhar em volta, perceba que a vida é mais de estar envolvido em atividades e descubra que viver é para hoje. Quem vive só para executar tarefas, está se esquecendo de viver!

  • ATRITO CONSTRUTIVO

    “Grupos de pessoas são pedras sendo limadas e roladas pelo exercício da convivência” (KARNAL, 2021, p. 54).

    Somos seres únicos e mesmo os amigos com gostos semelhantes, que possuem costumes e estilos parecidos com os nossos, possuem suas diferenças. A única coisa que certamente temos de igual é a nossa diferença. Não existe duas pessoas completamente iguais, as distinções com o tempo aparecem mesmo entre semelhantes.

    E estas características são essenciais em nossa convivência. O desafio de ter amigos, nos testa e nos ensina a respeitar, a refletir, a ter contato com o diferente, além de nos ajudar a aprender a lidar com o pensamento oposto. É claro que tudo tem um limite, o atrito e as diferenças são importantes, desde que não sejam exageradas e extremas.

    Nós crescemos muito aprendendo a lidar com as diferenças, a convivência ou a comunhão, que nós cristãos constantemente estamos experimentando, nos ensina e nos aperfeiçoa. É convivendo com o próximo que aprendemos a ser equilibrados, empáticos e respeitosos quanto ao pensamento oposto.

    Em uma amizade não é possível excluir a pessoa, muito menos bloquear e deixar de seguir, como normalmente alguém faz nas redes sociais. Ou você aprende a respeitar e transitar entre os pensamentos diferentes ou você terá que se retirar do convívio social e viver em uma caverna, como um misantropo. E se formos justos e percebermos que todos nós temos estas diferenças, nos dedicaremos a aprender a lidar com o semelhante, justamente porque o próximo deve também fazer o mesmo conosco.

    É uma via de mão dupla, precisamos respeitar as diferenças justamente porque eu também tenho minhas diferenças. Estamos sempre convivendo e nos relacionando, seja em uma amizade ou comunhão com os irmãos na igreja, consciente ou inconscientemente, precisamos lidar com as pessoas e suas distinções.

    A parte ruim das redes sociais é justamente este sentimento de amizade descartável, os amigos são superficiais, visto que ao menor sinal de diferença, eu posso com um click, me separar da pessoa. Os atritos e o pensamento oposto são evitáveis. Sendo que eu não acredito que em uma sociedade tão plural como a nossa, onde o diferente deva ser evitado. Penso bem diferente disso, creio que aprender a conviver com a pluralidade é fundamental, é a atitude de alguém realmente centrado e inteligente.

    Conviver é uma arte, saber transitar entre o pensamento oposto e ter a habilidade de refletir e entender aquele pensamento, é a atitude da pessoa sábia, que entende que o mundo e a vida são complexos. Aceitar o ponto de vista no qual não acreditamos, não é propriamente dito, acreditar naquilo e sim, conhecer outro ponto de partida e respeitar.

    Quanto mais conhecemos, melhor conseguiremos conviver com as diferenças e pensamentos divergentes, que existem mesmo dentro da igreja e entre irmãos que professam a mesma fé.

    Somos limados e aperfeiçoados durante a convivência, é justamente aquele que pensa de forma diferente que me ajudará a crescer e a aparar as arestas da minha vida. A arte de conviver e estar em comunhão é a habilidade de também crescermos e aprendermos com as diferenças uns dos outros.

    BIBLIOGRAFIA

    KARNAL, Leandro. O dilema do porco-espinho: como encarar a solidão. 14. ed. São Paulo: Editora Planeta, 2021.

  • PASSANDO PELOS INVERNOS DA VIDA

    Costumo acordar bem cedo para assim cumprir a minha rotina de estudos, sendo que no inverno, começo o meu dia lendo, sentado no sofá enrolado em um cobertor e com a perna apoiada em um pufe. É nesta hora que os meus gatos sobem em minhas pernas e se preparam para dormir. Eles são ótimos aquecedores naturais.

    É principalmente no frio que os meus pets estão sempre juntos, buscando companhia ou um pouco de calor em uma manhã fria. Até eles entendem que em tempos gelados, estar próximo uns dos outros é a melhor opção.

    Passar por invernos em nossa vida não é incomum, a vida é dinâmica e pode mudar de uma hora para outra. Seja por conta de um problema de família, saúde ou desemprego, o caos mais dia ou menos dia aparece. Saber gerenciar estes momentos faz uma grande diferença e ajuda a dirimir o impacto negativo destes desafios.

    Mas tais quais meus animais de estimação, estar perto de Deus, buscando calor e esperança deve ser uma das nossas principais atitudes. Crer em seu cuidado e não esmorecer é a melhor ação. Longe de Deus certamente congelaríamos no mar gelado do mundo. Ou mergulhamos em sua graça que nos sustenta e aquece a nossa vida ou congelaremos no gélido mar da nossa sociedade.  

    Uma segunda e fundamental opção para passarmos por estes vales gelados é sempre estar perto dos amigos e irmãos, não é possível viver uma vida cristã solitária e muito menos passar por dificuldades enfrentando o caos sozinho. É nos unindo que conseguimos nos fortalecer e nos apoiar sendo suportes uns aos outros. Gosto do conhecido Provérbios 17:17, ele é clichê no meio cristão, mas não deixa de ser muito real:

    “Em todo o tempo ama o amigo; e na angústia nasce o irmão”.

    São nos momentos de dificuldade e angústia, que o apoio de um amigo é fundamental. Sozinho, ninguém consegue viver, É importante ter parceria e a amizade de pessoas de confiança. Este é um dos segredo para não congelarmos nos invernos do mundo. Em meus piores dias, me lembro dos amigos, da ajuda e do sustento que eles me ofereceram, sem eles certamente eu teria seguido dias mais complicados.

    Frequentar uma comunidade nos traz muitos desafios, nem sempre é fácil aprender a conviver com todos os tipos de pessoas, mas a solidão é uma condição insuportável e contrário a palavra de Deus. A Bíblia descreve a igreja como um corpo, dividido em muitas partes, tendo cada um à sua função neste corpo e sendo Cristo o cabeça (1Coríntios 1:27). Este é o princípio da vida cristã, nós somos uma igreja, um corpo, por isso que estar sozinho é contraditório.

    É claro que temos mais afinidade com algumas pessoas dentro da igreja, normal, mas isso não exclui a importância de congregar e estar em comunhão com os irmãos.

    A vida cristã é vivida em união, seguir solitário é uma ação contraditória, visto que o amor e a comunhão são essenciais para uma espiritualidade saudável. Nós não somos ilhas, precisamos de irmãos, amigos e parceiros. Seja para aprender, através das diferenças, atritos construtivos e convívio, ou mesmo para não congelarmos nos invernos da vida.

  • A MÚSICA DA VERDADE: RITMO, MELODIA E VERDADE SEGUNDO A FILOSOFIA

    A música é incrível, ela é um misto de emoção e sentimento, de matemática e ritmo. Ela é uma arte, mas também para um filósofo, pode ser a síntese da definição da palavra verdade.

    A verdade é um tema muito discutido na filosofia, sendo que as definições não são unânimes. Há filósofos que acreditam que a verdade é relativa, como os sofistas, há aqueles defendem que ela existe, e se parece muito com a música, como Platão e muitas outras explicações para o termo. E como eu sou músico, termino por ter uma predileção pela forma como Platão explica a verdade.

    A música é muito poderosa, ela tem o poder de tocar a nossa vida. O seu ritmo e melodia nos transporta para outro lugar ou traz à tona momentos importantes, visto que algumas músicas servem como verdadeiras trilhas sonoras, evocando lembranças e histórias.

    Platão é um filósofo que acreditava que entre todas as expressões artísticas, a música era a única verdadeira e que valia a pena. A música é uma arte poderosa e possui a capacidade de tocar no fundo da alma do ser humano. O filósofo Platão acrescenta:

    “— Não é então por este motivo, Glauco, que a educação pela música é capital, porque o ritmo e a harmonia penetram mais fundo na alma e afetam-na fortemente, trazendo consigo a perfeição, e tornando aquela perfeita, se se tiver sido educado?” (2004, p.94).

    Para Platão a verdade é como a música, quando bem tocada ela tem um ritmo e melodia, onde por fim tudo faz sentido. Já a mentira é como uma canção mal tocada, ela não tem afinação, muito menos ritmo e desagrada o nosso ouvido. A verdade tem um compasso e um ritmo, a verdade não desafina, ela é aquela ferramenta que abre os nossos olhos e permite que vejamos o que antes não conseguíamos perceber.

    Quando falamos de música, discorremos sobre algo que possui três principais elementos: A melodia, ritmo e harmonia. A melodia é o modo como o som é emitido, sendo que cada canção tem a sua melodia, ela é a sequência de notas musicais. A harmonia é quando dois ou mais sons são produzidos, surgindo assim um acorde, é a combinação de todos os elementos da canção. Já o ritmo é o que dita o tempo e estilo musical de uma música.

    Trazendo para a nossa reflexão, e verdade é uma combinação lógica de um argumento que produz coerência e ritmo. A verdade é afinada e toca a nossa vida. Já a mentira é desafinada, sem ritmo e ilógica.

    Em tempos de pós-verdade, onde fatos estão sempre em segundo plano e as emoções é que ditam o ritmo, entender a melodia da verdade é fundamental para não nos perdermos nas desafinações do relativismo.

    A verdade é como uma música bem tocada, ela tem ritmo, sincronia e lógica. A verdade nos toca, é como uma canção que chega em nosso coração, abre os nossos olhos e muda a nossa vida!

    BIBLIOGRAFIA

    PLATÃO. A República. 1. ed. São Paulo: Martin Claret, 2004.

  • A IMPORTÂNCIA DO ESFORÇO

    “Sem esforço pessoal as boas intenções não duram muito nem vão para frente. A própria qualidade do trabalho prestado deixa muito a desejar” (CÉSAR, 2014, p. 92).

    Aprendi, ainda novo, como o esforço é importante, o quanto gostar de algo não basta para alcançarmos nossos objetivos. Não tenha dúvidas, o esforço é um elemento necessário para conseguirmos colocar em prática o plano que for. Acreditar que empreender algo é uma ação fácil e simples é não entender a complexidade que é ter que embarcar em algo novo ou em um projeto que exija tempo, estudo e dedicação.

    Sou músico e sempre gostei de bateria, mas gostar não foi suficiente, precisei gastar horas estudando e praticando. O mesmo foi com a minha graduação e pós-graduação, não bastou eu gostar de teologia e filosofia, o esforço foi importante para eu conseguir me dedicar, aprender e crescer. No mundo, as boas intenções são muitas, mas boas intenções, sem esforço pessoal, não servem para muita coisa.

    Na caminhada, obstáculos e intempéries sempre aparecerão, o que vai definir o sucesso ou o fracasso de uma empreitada é justamente a persistência e o esforço. Gosto de uma frase de Bruce Cockburn que eu sempre cito, sendo que eu a carrego comigo há muito tempo:

    “Nada daquilo que tem valor vem sem algum tipo de luta” (ELDREDGE, 2004, p. 79).

    Não existe mágica, nem um caminho ladrilhado, com uma calçada perfeita para você caminhar e ir em busca dos seus objetivos. Na maioria das vezes, o caminho é lamacento e cheio de buracos. Por isso, em tudo o que formos fazer, a persistência e o esforço devem estar sempre presente, pois afinal, nem tudo é fácil, os resultados positivos são frutos de muito empenho, recomeço e dedicação.

    A intenção não é romantizar as lutas, somente pontuar como as coisas fundamentais requerem esforço, o que vale a pena, na maioria das vezes não vem fácil. Quem já cursou uma faculdade, fez um mestrado ou empreendeu sabe muito bem disso. E este esforço é sempre recompensado, seja com o conhecimento que adquirimos ou mesmo pelas oportunidades que alcançamos.

    Entender que a maioria das coisas que valem a pena precisa de esforço e dedicação, é ser consciente que um bom projeto demanda tempo, preparo e insistência. E ao ter esta consciência, você não desistirá fácil.

    O meu segredo é colocar o projeto no papel, eu escrevo todos os passos e medito sobre o que quero fazer. Depois divido as tarefas em pequenas atividades, para ir completando a empreitada gradualmente.

    É fácil desanimar ao nos depararmos com uma empreitada enorme, que demanda muito tempo e muito esforço. Um bom projeto não precisa ser assim tão difícil, por isso que dividir em várias partes e ir cumprindo um passo de cada vez é um bom caminho, que inclusive lhe auxiliará a não desanimar, além de lhe dar aquela sensação de que você terminou algo.

    Aprenda que o esforço é a condição básica para empreender algo, mas também descubra formas de tornar a atividade menos cansativa. Esforço, dedicação e entender que é preciso dar um passo de cada vez para construir algo são os elementos básicos para você montar algo de sucesso.

    BIBLIOGRAFIA

    ELDREDGE, John. Coração selvagem: descobrindo os segredos da alma do homem. 2. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

    CÉSAR, Elben M. Lenz, Teologia para o Cotidiano: A sabedoria Bíblica para a vida diária. Viçosa: Editora Ultimato, 2014.

  • SEGUINDO A CRISTO

    Eu sou grato a Deus por tudo, sendo que, com certeza, o principal ponto é ter sido resgatado por Ele. Ter sido salvo da morte e de uma vida longe de sua vontade. No final, o grande tormento é estar longe da vontade de Deus, pois sem Ele, não somos nada.

    Seguir a Jesus é o nosso maior desafio, é atender ao seu chamado em um mundo que já nos chama para tantos lugares ou nos propõe tantas opções, que no final, não resultam em nada. Seguir a Cristo é ter a vida transformada por inteiro.

    A parte importante neste conceito de seguir a Cristo é justamente entender que o chamado deve ser aceito de forma incondicional. Jesus não nos chama para seguirmos conforme nossas vontades, e sim de acordo com a sua, que é boa, perfeita e agradável (Romanos 12:2), com isso, impor nossas condições para segui-lo é contraditório. É acreditar, mesmo que de forma subjetiva, que nós sabemos o que é melhor. É estar pautado em nossa arrogância e prepotência. Karl Barth complementa pontuando que:

    “Seguir a Jesus consiste em um comando incondicional, e assim não pode ser aceito se não for incondicionalmente (BARTH, 2006, p. 20).

    O convite é para a obediência, por isso que acordos ou concessões não fazem parte deste chamado, o convite é bem pontuado, “vem e segue-me”, é ir em direção a sua vontade e não a nossa. O jovem rico não seguiu (Marcos 10:17-18), suas prioridades eram outras, sendo que o convite, a prioridade é apenas uma, ou é Ele ou nada.

    Quebramos sempre a cara quando acreditamos saber o que é melhor para nós. Não percebemos nossas contradições, nossos orgulhos e autoenganos que nos atrapalham e nos sabotam. Só o evangelho é capaz de ajudar a termos equilíbrio, é ele que nos faz amar de verdade, perdoar, olhar e servir o próximo, tal qual Cristo serviu.

    O homem que é desequilibrado em seus próprios desejos, com certeza já sucumbiu, e não percebe o quanto é falho e contraditório. O chamado do discipulado é um largar de si, é despir-se dos nossos orgulhos e seguir a Deus. Novamente Barth complementa afirmando que:

    “Seguir a Jesus significa ir além de si mesmo em uma ação e atitude específicas, é portanto, virar as costas pra si mesmo e deixar o eu pra trás” (BARTH, 2006, p. 27).

    E esta atitude é a melhor que podemos praticar, não é um convite a subserviência, ao contrário, é largar uma bagagem, entendendo que é só seguindo a Cristo que teremos o verdadeiro equilíbrio, que vamos ter a real nova vida.

    O convite não é para viver uma vida fácil, é o contrário, pois seguir na contramão do mundo é sempre complicado, contudo, apesar de difícil, é o melhor caminho que uma pessoa pode trilhar, não tenha dúvidas.

    BIBLIOGRAFIA

    BARTH, Karl, Chamado ao discipulado, Fonte Editorial, São Paulo, 2006.

  • O VENENO DAS NOTÍCIAS

    “As notícias que recebemos sobre a nação não são a nação” (BOTTON, 2015, p. 39).

    Cresci ouvindo sobre o quanto é fundamental estarmos informados, por isso, desde novo busquei assistir ou ler noticiários. Existem até teólogos que falam que um bom pregador precisa estar com a Bíblia em uma mão e o jornal em outra, parafraseando uma frase que é atribuída a Karl Barth. E eu concordo que precisamos estar informados, a questão é que nem todos os jornais realmente informam.

    Conforme fui amadurecendo, lendo e aprendendo, descobri o quão tendencioso pode ser um veículo de informação. É possível manipular opiniões através de uma notícia, uma simples foto ou opinião tendenciosa. Saber separar o joio do trigo, é básico para aqueles que assistem ou leem noticiários. Nos ensinaram que precisamos ser informados, mas não nos mostraram como lidar com a mídia manipuladora e muito menos, como identificar os veículos manipuladores dos descentralizados, que optam por oferecer notícias sem vieses políticos, se é que existem ainda jornais assim. Alain de Botton complementa:

    “As manchetes não constituem o reflexo supremo da realidade, apenas palpites iniciais sobre o que pode ser importante, todos emitidos por mortais, homens sujeitos aos mesmos preconceitos, erros e fragilidades que todos nós” (BOTTON, 2015, p. 64).

    Não é coerente generalizarmos, quando assistimos ao noticiário. O mundo não é só caos, más notícias e calamidades, que muitas vezes estes veículos fazem parecer. Nem tudo é catástrofe, existe sempre o outro lado da moeda ou a opinião oposta. Saber filtrar, avaliar o que é dito e refletir é fundamental para um pensamento coerente.

    Perceber o modo como as notícias são colocadas é muito importante, como alguns assuntos são valorizados em detrimento de outros e como nem sempre teremos boas conclusões por não conhecermos o contexto do acontecimento. Por conta disso, manipular opiniões é muito mais fácil, já que nem todos conhecem o assunto por inteiro e muito menos se interessam em buscar conhecer. Não é raro vermos pessoas serem envenenadas por notícias que não abordam o todo, que ao invés de informar opina de forma simplista e manipuladora em nome de uma corrente política ou algum propósito obscuro.

    Alguns noticiários fazem os problemas parecerem fáceis de serem solucionados, culpando assim, alguém e alguma instituição, fazendo com que as pessoas acreditem em uma imagem montada sem informar o problema real.

    Isso sem contar com as enxurradas de notícias sem contexto, que confundem e impedem que as pessoas compreendam o todo, como bem pontua Alain de Botton, em seu livro Notícias: Manual do usuário. O excesso serve para tapar a visão de quem assiste, impedindo que o indivíduo tenha uma compreensão geral do fato ou de um assunto muito relevante (2015, p. 29).

    O veneno que alguns noticiários destilam é sutil, não percebemos, quando aos poucos, somos levados a ter conclusões equivocadas. Fugir deste veneno é perceber como no final, há sempre um contexto a se entender para depois termos uma conclusão sobre um assunto.

    O noticiário não informa, a maioria manipula e mostra o que quer mostrar. Ter um bom senso crítico em relação a tudo o que ouvimos é fundamental para assim conseguirmos ter uma opinião relevante.

    Estar informado é muito importante, só cuide para que durante o processo você não seja manipulado!

    BIBLIOGRAFIA

    BOTTON, Alain. Notícias: Manual do usuário. 1. ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2015.

  • IDENTIDADE CRISTÃ

    “Mas o publicano ficou a distância. Ele nem ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador’” (Referência: Lucas 18:9-14).

    Nem sempre um rótulo é algo ruim, em algumas situações, ele mostra quem somos, quais são os nossos gostos e anseios. E isso acaba sendo totalmente positivo em alguns ambientes.  

    Quando eu era novo, por exemplo, gostava de ser visto como um músico que tocava metal. Aquele estilo era o meu preferido e me definia. Quem curte rock ou metal, tem um modo de se vestir, falar e se comportar bem único e isso na adolescência, era motivo de muito orgulho. Com isso, eu tinha a maior alegria em ser visto como um músico deste estilo, isso me fazia crer que eu tinha um propósito na vida.

    Hoje eu sou professor e teólogo, conhecido como alguém que lê muito, é assim que muitos me veem, seja no trabalho, igreja ou entre os amigos. A diferença é que hoje eu não me esforço para parecer algo. Eu apenas me dedico da melhor forma possível em minhas práticas profissionais ou mesmo as atividades pelas quais eu gosto, como ler e escrever. Tenho como princípio ser um ótimo professor, muito mais do que parecer um ótimo profissional.

    A primeira atitude tem como ponto de partida a aparência, em tentar parecer o máximo possível com aquilo que gostamos, a outra foca na habilidade, na prática, na atividade. Pois no final, são as nossas atitudes que nos definem, com isso, elas podem ser verdadeiras, ou fabricadas. No exemplo pessoal que eu dei, eu não era um músico de rock falso e sim, que a aparência contava muito mais do que o meu desempenho no instrumento musical. Eu queria muito mais me autoafirmar, do que realmente ser, neste tempo.

    Ser cristão não é muito diferente deste exemplo. Alguns usam a palavra apenas como rótulo, que acaba por não definir quem a pessoa realmente é. Sendo que são estes que, na maioria das vezes, causam muitos escândalos, já que suas vidas não refletem o evangelho. Como são as nossas atitudes que nos definem, estas pessoas acabam vivendo uma vida irreal.  Por isso que de tempos em tempos, pastores sem ética, pedófilos, ladrões entre tantos falsos pastores, aparecem na mídia com algum escândalo. Pois quem eles dizem que são, não combina com as suas práticas.

    Veja como até na igreja, por conta de cargos e títulos, corremos o risco de vivermos vidas pré-fabricadas, sem qualquer sinceridade. O pastor, na teoria, é um servo, alguém que lidera ou cuida das pessoas na igreja, mas o título, faz com que muitos deles se sintam superiores, vivendo vidas que não combinam com o evangelho. O que vem como uma responsabilidade, que é o cargo de pastor, músico ou líder de algum ministério, termina nos transformando em atores exercendo um papel cômico e contraditório na vida, crendo que o título lhes concede vantagens especiais.

    Estar neste mundo é conviver com realidades pré-fabricadas e em alguns momentos, sermos contaminados por elas. Às vezes, no frenesi de querermos ser, vestimos um personagem sem percebermos que estamos atuando ao invés de vivermos práticas genuínas e sinceras.

    O cristão deve acima de tudo ser alguém sincero, alguém que não se disfarça, que sabe suas falhas e não representa. O problema não é só pecar, existe também um grande perigo na falta de sinceridade, em falar que somos algo, sem sermos o que estamos afirmando ser. Deus ouve muito mais o nosso coração do que as nossas palavras. Deus vê muito mais as nossas atitudes e tentativas de melhorar, do que quem tentamos parecer para o próximo.

    A parábola do Fariseu e do Publicano fala principalmente de sinceridade. De alguém que representava um papel, se considerava mais santo do que todos, que confiava em sua própria justiça, sem perceber quem ele realmente era. E de outro lado, havia um Publicano, que sabia quem era, não escondia das pessoas isso, era consciente de suas falhas e buscava em Deus a sua misericórdia. 

    Um publicano era um judeu recrutado pelo império Romano para cobrar impostos. Eles eram vistos por todos como traidores, já que trabalhavam para o império que os dominavam. A comparação na parábola de Cristo era totalmente escandalosa aos olhos de quem ouvia. Já que um fariseu era um religioso muito dedicado, que sabia a Torá e as leis de cor e era fiel a todas as práticas (pelo menos parecia ser) e o publicano um traidor. A questão é que o fariseu se achava superior, merecedor de tudo e esquecia dos pobres e das pessoas. E o publicano sabia quem era, ele tinha certeza que precisava da misericórdia de Deus. Um estava vivendo um papel, o outro vivia uma vida sincera, ele sabia bem quem era, por isso, clamava pela misericórdia de Deus. D. A Carson complementa:

    “Deus está sempre pronto para receber os injustos quanto estes apelam a ele, mas fecha seus ouvidos àqueles cujo orgulho por suas práticas religiosas e boas obras fazem com que se sintam autossuficientes” (2012, p. 1518).

    Um fariseu era alguém realmente dedicado, onde muitas vezes, fazia muito mais do que a própria lei pedia, mas muitos deles, pois não dá para generalizar, terminavam por ficar autossuficientes, como se eles mesmos já se bastassem.

    Quando confiamos em nossa própria justiça, perdemos a nossa essência e aos poucos deixamos de ser quem somos. Com isso, esquecermos a pessoa pecadora que cada um é e da misericórdia de Deus, que nos alcançou e nos alcança todos os dias. Seguimos sendo arrogantes, crendo sermos melhores que os pecadores e publicanos.

    É importante lembrar que antes de qualquer rótulo, nós somos cristãos, esta deve ser a nossa real definição, por isso que, se as nossas atitudes não demonstrarem quem imitamos, vamos acabar virando atores, desempenhando um papel qualquer e muito longe da verdade.

    Nesta vida nós exercemos vários papeis, somos pais, profissionais, e inúmeras outras coisas, mas tem algo que nos define de verdade que é ser um discípulo de Cristo. E por sermos discípulos, temos que amar, servir e ter misericórdia, assim como Deus teve misericórdia de nós.

    BIBLIOGRAFIA

    CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. Ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.

  • EM BUSCA DE EQUILÍBRIO

    Foi inevitável quando eu estava formado, estudar um pouco mais sobre a história da igreja, por isso, empreendi uma busca por livros relevantes da área, e foi neste momento que eu cheguei nos livros de Roger Olson.

    Este autor é muito conhecido pelos livros “Contra Calvinismo” e “Teologia Arminiana”, contudo, Olson possui muitas outras obras, sendo que a ênfase que eu quero dar são nos livros “História da Teologia Cristã” e “História das Controvérsias na Teologia Cristã”.

    Buscar conhecer a história da igreja e da teologia cristã é fundamental, entender as controvérsias e como as doutrinas se formaram, é inevitável caso você queira ter uma teologia equilibrada. E o livro “História da Teologia Cristã” cumpre bem este papel.

    Escrito em uma linguagem acessível, tal livro é um ótimo material para aqueles que querem dar os primeiros passos no estudo e pesquisa teológica. Entender como tudo se formou é o melhor caminho para não cair nas falácias e ensinos distorcidos que não explicam como a teologia cristã foi construída.

    Outro livro que foi fundamental para a minha teologia foi “Histórias das Controvérsias na Teologia Cristã”.  O livro discorre sobre inúmeras controvérsias na teologia como: a escritura cristã, Deus, humanidade, entre inúmeros temas, sendo que em todos os pontos, o autor sempre propõe um caminho equilibrado para questões complexas. Mostrando como em vários assuntos, existe um caminho para uma opinião coerente e centrada.

    É fundamental entender que alguns ensinos são complicados e possuem várias variantes e pontos de vista, e é neste ponto que entra a obra de Roger Olson, que em um tom conciliador, propõe um caminho para uma opinião coerente, ele mostra como há saída para vários temas dentro da teologia.  

    Ter bons autores em sua biblioteca é fundamental, afinal, é importante ler além da Bíblia, também ótimos livros, como eu sempre afirmo aqui no blog, sendo que Roger Olson é um autor importante. E por mais que ele não discorra de forma exaustiva um assunto, suas obras são ótimos pontos de partida para o estudo e pesquisa. E para quem não quer estudar de forma profunda e busca apenas um conhecimento embasado sobre algo, seus livros são os mais adequados.

    Depois de suas obras, consegui mergulhar ainda mais em alguns assuntos, munido sempre do ótimo pano de fundo que o autor oferece. Não adianta mergulhar em algo sem ter uma base para se firmar. É por conta disso que os livros de Roger Olson são ótimos materiais para um primeiro passo desta jornada.