Início

  • AMPLIANDO OS HORIZONTES

    “Toda ciência, cultivada isoladamente, não é somente imperfeita, mas oferece perigos que todos os homens sensatos reconheceram” (SERTILLANGES, 2019, p. 101).

    Mergulhar em um tema, conhecendo todos os autores e pontos daquela linha de pensamento é realmente algo fundamental para sairmos do raso do saber. Por muitos anos eu me dediquei a estudar um determinado tema teológico, sendo ele, um assunto que eu gosto muito e me fez ler, estudar e analisar cada ponto com muita profundidade.

    É muito prazeroso mergulhar em uma área de estudos, ler e pesquisar é uma das atividades que eu mais me identifico. Quem escolhe a carreira acadêmica ou é atraído por ela, tem esta particularidade que é gostar de pesquisar. A parte perigosa é se alienar, é se fechar em sua área de estudos sem olhar em volta ou dialogar com outras áreas do conhecimento.

    Ter uma especialidade garante que o profissional ou pesquisador, tenha um foco e assim, consiga se aprofundar cada vez mais em um assunto. É legítimo e muito vantajoso ser um professor ou profissional expert em uma área, já que é impossível saber de tudo. Porém é também importante ter um conhecimento amplo em várias áreas, garantindo uma reflexão um pouco mais ampliada.

    Se você almeja a carreira acadêmica, tenha em mente que é fundamental escolher uma área de estudos. Se dedique a estudar e mergulhar nela cada vez mais, este é o melhor caminho que você pode tomar. Mas opte também em conhecer outras ciências, para não se fechar apenas em um universo do conhecimento e deixar de ampliar um pouco o seu repertório. É claro, como eu disse, não é impossível ter um conhecimento profundo de tudo. Quem tenta conhecer tudo, termina por ter um conhecimento superficial de várias coisas, mas isso não impede você de se desafiar e olhar para outras áreas conhecendo assim outros saberes, de tempos em tempos.

    Com uma certa frequência, eu me arrisco em ler algumas obras diferentes, de temas que normalmente eu não leio, tudo e apenas, para que em alguns momentos, eu consiga sair do comum. É um ótimo desafio e serve como uma oportunidade de se abrir para algo novo, saindo assim da nossa zona de estagnação.

    Com este hábito, descobri muitos caminhos novos e adquiri novas perspectivas, conseguindo cultivar e dialogar a minha área de estudos com algumas outras áreas. Quanto mais conhecemos mais ampliamos a visão. Mergulhar em um assunto, nos faz sairmos do raso, para nos aprofundarmos cada vez mais em um tema. Parar de tempos em tempos para aprender algo novo é importante para ampliarmos a nossa visão.

    Não se feche para o novo, aprenda e buscar coisas diferentes em alguns momentos da sua vida, para que você possa dialogar e ampliar ainda mais a sua área de estudo.

    Estude e mergulhe cada vez mais em uma área, isso é fundamental, mas também separe um tempo para aprender coisas novas e se desafiar a sair da rotina de vez em quando.

    BIBLIOGRAFIA

    SERILLANGES, A. D. A vida intelectual. 1. ed. Campinas: Kírion, 2019.

  • ENTENDENDO AS PESSOAS

    “Você nunca entenderá um homem enquanto não calçar seus sapatos e olhar o mundo por meio de seus olhos” (MANNING, 2008, p. 124).

    Em um belo dia, acordei com dor de dente, era uma dor horrível, eu nem conseguia raciocinar direito. Com isso, fui ao hospital, e enquanto eu esperava um senhor se dirigiu a mim e falou que tinha uma dor crônica na perna, sendo que a sua dor era muito maior que a minha. Parecia que aquele homem queria competir, afirmando que a minha dor não era importante e realmente forte, mas a sua sim. Que forma estranha de ajudar alguém!

    A parte complicada que alguém enfrenta ao passar por muito sofrimento, onde existem dúvidas, dor e busca por respostas, é precisar lidar com as pessoas que possuem receitas prontas a toda a hora. Alguns não ajudam com o seu “conselho”, aliás, em alguns momentos ele pioram ainda mais.

    O mal do ser humano é querer sempre explicar, é uma ânsia de concluir sem saber, opinar sem conhecer ou definir sem entender. O pior é que quase sempre a atitude normalmente é tomada a partir dele, de como vive e o que ele já passou em sua vida, e não do outro, que seria forma certa de agir.

    Eu tenho medo de quem trata as pessoas como se fossem todos robôs, como se estivéssemos programados para sermos iguais, e com isso, sujeitos as mesmas soluções.

    Ninguém é igual a ninguém, cada ser humano tem a capacidade de olhar o mundo com os seus óculos, suas vivências e experiências. É a partir daí, que tomamos nossas decisões.

    Você nunca vai entender o seu próximo a partir do seu olhar, de suas experiências e vivências. Cada ser humano é um universo, sendo que, a forma como fomos criados e o caminho no qual trilhamos, define muito quem somos.

    Para entender alguém, primeiramente você vai ter que conhecer o contexto daquela pessoa e a sua visão de mundo. Caminhar com uma pessoa tendo como norte sua visão de mundo é algo equivocado. Calçar os sapatos e olhar para o caminho usando seus olhos, sua visão é a melhor forma de mergulhar no mundo de alguém.

    Nós temos medos diferentes, histórias distintas, sonhos e limitações únicas, que tocam a cada um de uma forma. O medo de uma pessoa não é o mesmo da outra, as coisas que alguém valoriza, não são as mesmas que o outro valoriza.

    Em um segundo momento, para entender uma pessoa, após conhecer o mundo dela através dos seus olhos, é preciso se colocar no lugar dela e trabalhar a empatia. Você nunca vai sentir a sua dor e muito menos vai conseguir ter uma total empatia, mas se estiver consciente, sentirá pelo menos um pouquinho ou conseguirá aprender a respeitar o seu momento.

    Eu sou bem prático, com isso, enfrento problemas de saúde, desemprego ou qualquer dificuldade de forma menos dolorosa, pois já sofri muito e com isso, são poucas as coisas que me abalam.

    Quem teve uma vida mais estável, certamente não vai conseguir lidar com um problema do mesmo modo que eu, entender isso, é o primeiro passo ser um amigo de verdade, daqueles que realmente se importam e fazem a diferença na vida das pessoas.

    Ao projetar o que eu sinto e penso na realidade de alguém, cometo inúmeros erros, mas ao vestir seus sapatos e vivenciar, conhecer e entender alguém a partir da sua realidade, eu entendo quem ela é a partir dela e não através das minhas projeções e consigo desta forma, produzir ações coerentes com a realidade da pessoa.

    É difícil discorrer sobre algo que você não conheceu ou vivenciou, o mesmo se aplica ao sentimento alheio, por isso seja mais humilde, e aprenda a calçar o sapato da pessoa antes de opinar ou nem opine.

    BIBLIOGRAFIA

    MANNING, Brennan. O impostor que vive em mim. 2. ed. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2008.

  • A HABILIDADE DE FALAR

    “Pode ser útil observar a nossa própria comunicação. Palavras que louvam a Deus são palavras que geram vida, que incentivam a vida do outro, que o encorajam e fortalecem” (HEYES, 2020, p. 63).

    O modo como falamos diz muito sobre nós. Dependendo da forma como falamos, é possível transmitirmos amor, consideração ou mesmo arrogância e desprezo a alguém. A fala é uma ótima ferramenta, mas também pode se tornar um perigoso veneno.

    Perceba que a forma como nos comunicamos não é unânime, cada um tem um estilo de falar e se expressar. Cada indivíduo tem o seu critério para ouvir e dialogar e para contextualizar, deixo a história de dois tipos de pessoas que eu já conversei muito durante a minha vida.

    A primeira história é sobre um amigo sincero que eu tive. Conheci alguém muito sincero, ele costumava falar quando não gostava de algo, sem qualquer freio e de forma bem natural. O interessante é que se você fosse sincero com ele e dissesse também as coisas que não gostava, mesmo sendo algo que ele gostasse muito, ele dialogava de forma tranquila, sem qualquer problema, visto que esta era a sua característica, não se ofender e nem ligar muito para a opinião alheia.

    Há também aquele que é sincero, mas que não gosta muito da sinceridade dos outros, e estes são muitos. Ao falar e ser sincero, a pessoa deveria aceitar a sinceridade dos outros, mas isso não acontece com estes. Nos dois exemplos, alguns vão considerar a sinceridade uma grosseria outros não. Pois como eu afirmei, cada um tem o seu padrão para ouvir e falar. São as nossas lentes que regulam como ouvimos e falamos.

    Observar o modo como falamos é fundamental, caso queiramos ser agentes assertivos do reino. As vezes desanimamos alguém, por conta do nosso estilo de falar. E como cada um tem uma forma de receber o que é falado, não é justo considerar a atitude do outro como incoerente, na verdade a opinião dependerá de quem ouve. É claro que uma fala grosseira é visível, mas nem tudo o que muitos consideram grosseria, termina por ser. E acima de tudo, algumas críticas que recebemos dos nossos líderes na igreja ou amigos, são totalmente construtivas.

    É preciso ser consciente sobre o modo como falamos, aprender a ajustar a nossa fala é fundamental para que consigamos comunicar a todos a verdade do evangelho, do que acreditamos e defendemos. Quem fala bem e de forma contextualizada é sempre ouvido. Já quem comunica, sem olhar para o próximo, dificilmente é ouvido.

    Quem fala bem, gera vida, incentivo e motivação, já quem não sabe falar fecha a porta para o diálogo. Construa jardins ao invés de precipícios, pois nunca sabemos com quem estamos conversando e o quanto ela pode estar precisando do nosso auxílio.

    Aprenda a entender o ambiente, a pessoa e o local no qual você está falando, sinta o terreno, e aprenda a comunicar conforme os vários públicos que te ouvem ou nos quais você lidera. Esta é a atitude de um cristão que entende a força da boa comunicação.

    BIBLIOGRAFIA

    HEYES, Z. Rituais para o encontro consigo mesmo. 1. ed. Petrópolis: Vozes, 2020.

  • SOBRE A FALSA LUTA DE CLASSES

    Algumas ideias surgem de tempos em tempos com o intuito de se mostrarem salvadoras, principalmente quando o mundo está enfrentando algum problema. Sendo que foi em um contexto semelhante que a filosofia de Karl Marx surgiu, ela pretendia se mostrar a única salvação. Marx acreditava ter descoberto as leis que culminariam ao total fracasso e derrota do capitalismo para que o socialismo tivesse a sua ascensão (MISES, 2016, p. 11).

    O tempo já nos mostrou como algumas políticas “salvadoras” são perigosas. Não existem soluções mágicas e muito menos receitas inerrantes para salvar a humanidade. Por sermos limitados é possível focarmos na solução, sem vermos nossa contradição.

    A contradição de Marx é primeiramente, do âmbito lógico. Ele lutava contra os burgueses, sendo ele e o seu grande parceiro, dois burgueses. Ele avaliava a situação, sem estar no mesmo contexto ou mesmo sem buscar perceber a complexidade da realidade. 

    Apesar da não ter dinheiro, Marx se sustentava com a ajuda de seu parceiro Engels e de sua esposa, filha de um nobre. Ele mesmo estava longe de ser um proletário, já que era filho de um próspero advogado. E Engels era um homem muito rico, mostrando assim que os dois estavam longe de serem o que afirmavam ser. Estes dois que acreditavam que um burguês pensava muito diferente de um proletário, terminaram por se justificar afirmando que alguns membros da burguesia haviam acordado, se unido as outras classes. Uma afirmação que servia como justificativa, já que a posição deles não era confortável por serem burgueses (MISES, 2016, 32).

    E é possível vermos este mesmo fenômeno acontecer em outros lugares ao vermos pessoas proporem soluções mágicas para a sociedade, sem entenderem o contexto no qual estão falando. Não que eu acredite que apenas quem passou por certas situações pode opinar. E sim que, muitos falam ou propõem soluções sem conhecer. Um médico trata de doenças que ele mesmo nunca teve, contudo, ele estudou e conheceu as enfermidades no qual trata.

    Outro ponto interessante, discutindo ainda a questão de classes é que Marx acreditava que os proletários deveriam seguir os interesses de sua classe, o que fica difícil de entender é, por que a classe proletária pensa de modo tão diverso? Não há isonomia de pensamento, como Marx acreditava existir. Ludwig Von Mises complementa, pontuando que:

    “Se os proletários devem pensar de acordo com os “interesses” de sua classe, como explicar quando existem desentendimentos e divergências entre eles? A confusão torna a situação muito difícil de esclarecer. Quando há divergências entre proletários, eles chamam a pessoa que diverge de “traidor da sociedade” (2016, 44).

    O interessante é que ideias opostas não eram e ainda não são aceitas pelo comunismo, ou você aceita o pensamento padrão, o senso comum, ou você é visto como um traidor. É como se ninguém pensasse e muito menos tivesse o direito de apontar outras soluções ou mesmo mostrar pontos deficientes de uma forma de pensar.

    Por fim, ao verificarmos o resultado da ideia de Marx nos vários regimes comunistas que já surgiram até agora, percebemos que nada mudou, tudo era semelhante ao capitalismo. Sempre existiu uma cúpula que comandava. Os burgueses, que tal qual o burguês Marx, viviam fechados em suas classes sociais, desfrutando das regalias de um país que vivia da exploração do pobre e de outro lado havia a classe trabalhadora. Não vou discutir se o capitalismo é bom ou ruim e sim que, não havia e nem há nada de diferente entre os governos capitalistas e os comunistas. A luta de classes era apenas desculpas para tomar um determinado poder e perpetrar um determinado regime político.

    Temo toda e qualquer ideia que se mostre impositora, que queira forçar um pensamento. E também não consigo acreditar em soluções rápidas e mágicas. Na maioria dos casos, precisamos discutir muito, refletir, errar e acertar para conseguirmos assim propor soluções coerentes.

    Quem crê em respostas mágicas no fundo não se informou e refletiu sobre o assunto, terminando por muitas vezes simplificar problemas que são muito mais complexos do que imagina ser!

    BIBLIOGRAFIA

    MISES, Ludwig. Von. Marxismo Desmascarado. 1. ed. Campinas: Vide Editorial, 2016.

  • NÃO OLHE PARA A TEMPESTADE

    “Levantou-se um forte vendaval, e as ondas se lançavam sobre o barco, de forma que este foi se enchendo de água” (Referência: Marcos 4:35 ao 41) (NVI).

    Em minha cidade, principalmente no verão, é comum vermos tempestades realmente aterradoras se precipitarem. Com ventos fortes, muita chuva e um céu escuro e sombrio, tais eventos não só nos assustam, mas também revelam toda a fragilidade humana. Principalmente quando casas, muros e janelas se desfazem como papel durante a tormenta.

    Temporais sempre surgem em nossa vida, seja em forma de ventos e tempestades ou de problemas que nos pegam de surpresa e em muitos casos, nos deixam sem ação, mergulhando a nossa vida em medo e em um sentimento de insegurança.

    A Bíblia fala de um temporal (Marcos 4:35 ao 41) em meio a travessia que Jesus e seus discípulos faziam. Segundo a Bíblia, aquele temporal era realmente aterrador, mas a questão complexa era que os discípulos estavam com Cristo no barco e em tese, eles não deveriam ter medo, mas tiveram.

    O medo é normal, faz parte da nossa vida, sendo que ele é útil para que consigamos ter cautela diante de situações difíceis. O problema é quando o medo nos paralisa, nos impedindo de fazermos o que precisamos fazer. No caso dos discípulos de Jesus, o medo havia deixado eles aterrorizados, o texto bíblico deixa este fato bem destacado:

    Jesus estava na popa, dormindo com a cabeça sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e clamaram: “Mestre, não te importas que morramos? ” (Marcos 4:38) (NVI).

    O sentimento diante daquele caos era o de morte, eles acreditavam que iriam morrer, enquanto Cristo dormia tranquilamente. Um sono que parecia que incomodava os discípulos. Quem é que dorme durante uma tempestade furiosa? Deus é claro e é justamente isso que eles não entendiam. Carson et al complementa, resumindo a principal lição deste texto:

    A lição principal para nós é a repreensão de Jesus aos seus discípulos pela falta de confiança nele. Precisamos aprender a confiar plenamente, mesmo que a nossa obediência a ele nos conduza para o olho da tempestade, seja por perseguição ou outra coisa qualquer” (CARSON et al, 2012, p. 1442).

    É interessante notar como a tempestade assustou os discípulos, assim como nos assusta também. Mas tal qual nós, em meio às tormentas da vida, os discípulos focavam mais na tempestade do que em Cristo que estava com eles no barco. As ondas eram grandes, a tempestade amedrontava, mas Jesus não os havia abandonado. Cristo estava com eles, por isso que confiar deveria ser a única ação que eles deveriam tentar tomar naquela situação.

    Um destaque importante para passagem é justamente o fato de Cristo ter acalmado a tempestade, uma ação que impressionou os discípulos (V. 41). Jesus já havia demonstrado o seu poder, ele havia curado, expulsado demônios, mostrando assim toda a sua soberania e capacidade, mas nunca havia demostrado o poder de controlar a natureza. O milagre revela que Jesus é o senhor de tudo (CARSON et al, 2012, 1442).

    As vezes focamos muito na tormenta quando estamos passando por tempestades, esquecendo desta forma de perceber que não estamos sozinhos no barco da vida, Cristo está conosco e o seu poder é infinito. E um barco onde Jesus está presente, tempestade nenhuma pode derrubar pois Jesus Cristo é o Senhor.

    Focar no ponto certo é fundamental quando passamos por dificuldades. Confiar na soberania de Deus é fundamental para passarmos pelos vales com paz. A vida cristã não nos isenta de termos problemas e passarmos por tempestades, mas ela nos dá a esperança e a certeza de que não estamos sozinhos. Deus está conosco nos protegendo.

    Um barco onde Cristo está presente, nunca é afundado, por isso que em meio as tempestades da vida, não olhe para a tempestade, e sim para Cristo, que é o Senhor de tudo!

    BIBLIOGRAFIA

    CARSON. DA.; FRANCE, RT.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

  • NOTAS DA DECEPÇÃO

    O fracasso tem o poder de nublar a nossa visão, deixando todo o nosso dia com um ar de desesperança. Não é legal ver nossos planos desmoronarem, mas este é o preço de quem tenta algo. Se não quiser se decepcionar, não tente e permaneça no lugar.

    Sonhar e depois planejar é ótimo, um desafio nos move e nos obriga a sair do comum, o problema é quando tudo dá errado. É interessante perceber como o mesmo sonho que nos move pode também nos iludir e até nos manter ancorados, com medo, sem disposição.

    Eu tenho bastante experiência com o fracasso, pois já tentei muito e fracassei por demais, sendo que entre as minhas histórias, decepções e vitórias, existe uma verdade: Não é possível saber se realmente fracassamos, visto que alguns fracassos nos direcionam para o novo, para um outro projeto ou para uma área que antes não nos era conhecida.

    Com os inúmeros fracassos eu não só aprendi, já que como sempre falo, é possível tirar lições de tudo, mas também descobri outros mundos e realidades, percebendo como havia muito mais do que a minha visão alcançava. Foi fracassando que enxerguei e percebi coisas que durante a euforia de alguns momentos eu não via. Eu só cheguei aonde cheguei porque eu tentei, mas também porque fracassei.

    A decepção nunca foi o fim de tudo, na verdade ela é o começo, é o momento onde através da melancolia, podemos enxergar, refletir e avaliar. A euforia nos impede de ver, já o fracasso e a decepção nos mantêm em um estado de silêncio e reflexão, um cenário perfeito para pensar e recomeçar. Tudo vai depender de como você lida com ele.

    No final, não há como saber se realmente fracassamos, pois a decepção momentânea, pode ser na verdade uma outra porta se abrindo, uma oportunidade que não estávamos vendo por conta do foco do momento.

    As minhas maiores decepções não foram fracassos e sim todas as vezes que fiquei com receio de tentar, este é a verdadeira definição de fracasso. Fracassar é muito mais não fazer ou desistir, do que ver algo dar errado. Quem tem consciência sabe que o fracasso é constante, mas na tentativa e erro vamos aprendendo, conseguindo e descobrindo.

    Eu realmente não sei o que seria da minha vida se eu não tivesse fracassado, agradeço a Deus por todas as intempéries e dificuldades, pois elas me mostraram outros caminhos. As tempestades me ajudaram a ver, a refletir e a recomeçar.

    Tenho em minha história muitas decepções, frustrações que são atreladas a muitos aprendizados e a crescimentos. Estas derrotas foram arautos de novos olhares e alguns recomeços.

    Ao cair, descobri o que valia a pena e ampliei o conhecimento para os meus próximos passos, por isso, eu dou graças a Deus por todos os meus fracassos!

  • CONVERSA PERDIDA

    “Não vale a pena conversar com o tolo, pois ele despreza a sabedoria do que você fala” (Provérbios 23:9).

    Eu gosto muito de conversar, a parte boa em uma conversa é que você pode tanto aprender, conhecer alguém pelo modo como ele fala e até se informar e crescer, quando a pessoa possui conhecimento em uma área específica. É com um bom diálogo que conseguimos fortalecer amizades e estreitar os nossos laços além de aprender, como pontuei.

    A parte complicada é que quando você vai conversar as primeiras vezes com alguém, nem sempre você conhece a pessoa suficientemente. Em um primeiro momento, podemos crer que alguém é uma pessoa muito boa e especial, sem percebermos quem ela realmente é. Não é possível, em um primeiro diálogo, identificar como realmente é o nosso interlocutor. 

    Provérbios novamente nos dá um importante aviso, ele nos mostra que com o tolo não vale a pena conversar. Na verdade, estes versículos são parte de trinta ditos, influenciados por algumas antigas obras, que ofereciam ensinos a pessoas que eram envolvidas em serviços públicos. Como Deus é soberano, além de ser o Deus de Israel, ele também é o senhor de todas as nações e da vida. Não é de se admirar que algumas verdades, encontradas em outros lugares, foram compiladas e usadas em provérbios. Uma verdade não deixa de ser verdade quando é também encontrada em outro livro ou cultura (CARSON et al, 2012, p. 910).

    Tolo é alguém que não é esperto e é desprovido de inteligência, a questão apenas é que não podemos confundir cultura, conhecimento, com inteligência ou a falta dela. Pois é possível encontrar pessoas que não cursaram uma escola formal, mas são inteligentes e sábios. No final os tolos são pessoas que não se importam com nada, são sujeitos que preferem não ouvir, muito menos se informar ou nem ligam para o conhecimento e a sabedoria.

    A questão é que eu creio que podemos ampliar ainda mais a reflexão e discorrer sobre aqueles que acreditam que sabem de tudo. São as pessoas que não ouvem, por acreditarem que sabem, seja pelo fato de terem um diploma ou crerem que não precisam de ninguém. Normalmente estes não ouvem, não dialogam e seguem acreditando que sabem de tudo. Não vale a pena perder tempo com estas pessoas, pois eles nunca lhe ouvirão e tratarão as suas palavras com arrogância e orgulho.

    Uma pessoa sábia, sabe muito bem que não é possível conhecer tudo, ele entende que o conhecimento é inesgotável, e por isso, é possível aprender e se reciclar. A pessoa que é inteligente está sempre aprendendo, ouvindo e refletindo sobre o que é dito, por mais que não concorde com determinada opinião, ele sabe que é bom sempre refletir.

    Muitas vezes não percebemos a falta de profundidade em nossas opiniões, por isso que ouvir e refletir, é uma boa saída para não sermos vítimas de uma opinião simplista.

    Não perca tempo com aqueles que acreditam que de tudo sabem, que rejeitam uma boa opinião ou que se colocam como o dono de todo o conhecimento. Além da conversa não render e de ser difícil de aturar alguém assim, você jogará fora o seu precioso tempo.

     BIBLIOGRAFIA

    CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.

  • IDEOLOGIAS TOTALITÁRIAS

    “Portanto, as ideologias totalitárias invariavelmente dividem os seres humanos em grupos de inocentes e culpados” (SCRUTON, 2015, p. 70).

    Tenho um certo receio de ideologias totalitárias, como tem ficado claro nesta série de textos. Esta forma de pensamento transforma o mundo em um grande cenário de guerra. Como se a sociedade fosse dividida em nós (os mocinhos) e os outros (os bandidos). É fácil seguir apontando os culpados, enquanto você se considera inocente, o desafio é conseguir olhar os problemas de forma ampla e perceber todos os detalhes.  Sendo que é possível ver estas ideologias totalitárias em vários setores da sociedade.

    Esta atitude existe na política, na religião e também no convívio familiar. Nestes ambientes é comum vermos culpados serem apontados, são bodes expiatórios que levam com eles todas as nossas culpas e responsabilidades. O curioso é que a culpa nunca é destas pessoas, são sempre os outros os culpados. Ver alguém assumir suas responsabilidades por seus fracassos é sempre raro.

    Conheço muitos destes que se colocam como vítimas, como seres injustiçados por um mundo cruel. Mas ao ouvirmos seus problemas, constatamos a sua culpa velada, disfarçada ao apontar o próximo. Veja bem, viver não é fácil e em alguns momentos somos atingidos por pessoas sem caráter. A minha desconfiança paira apenas naqueles que acreditam que não possuem culpa alguma por seus problemas e acreditam serem detentoras de soluções infalíveis. São destes que eu estou falando. Temo aqueles que se veem como inerrantes!

    O totalitarismo basicamente é um estilo de governo, seja ele político ou religioso, que busca abolir qualquer tipo de discordância. É um regime onde ideias opostas não existem, o contraditório é abolido e combatido como se fosse um inimigo ou culpado por todos os erros da vida (CHAMPLIN, 2013, p. 459). Normalmente a justificativa destes regimes de governo ou lideranças, para as suas imposições, é combater um problema e suprimir o mal. Diante disso, o diálogo não existe, visto que a solução, segundo estes, parte somente deles.

    É fácil culpar alguém e seguir combatendo um suposto vilão, o desafio é justamente assumir a culpa e dialogar em busca de soluções. Entenda que qualquer solução simples, para a nossa sociedade que é complexa por si só, já tende a ser errada. O erro do totalitarismo é pensar ser detentor da solução e seguir forçando a todos, obrigando-os a seguir seus ideais.

    Nesta mesma direção seguem algumas igrejas que não dialogam tendo líderes que lideram suas comunidades com mão de ferro. Apesar de termos princípios inegociáveis que partem da Bíblia, o diálogo é fundamental para que possamos construir pontes. E acima de tudo, conviver com o pensamento oposto é sinal de inteligência e equilíbrio. Obrigar alguém a seguir nossa fé é algo desconexo e incoerente.

    O totalitarismo começa procurando um culpado, arranjando um responsável pelos problemas da vida. Depois ele se mostra como alguém detentor da solução, e obriga a todos a seguirem suas regras. Este é o caminho do caos, construído por líderes que talvez por serem tão inseguros, não possuem a menor capacidade de dialogar e conviver com o contraditório.

    Que a liberdade e o respeito possa ser o ponto de partida das nossas ideias, atitudes e da nossa fé!

    BIBLIOGRAFIA

    SCRUTON, Roger. As vantagens do pessimismo: E o perigo da falsa esperança. 1. ed. São Paulo: É Realizações Editora, 2015.

    CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, teologia & filosofia: Volume 6. 11. ed. São Paulo: Hagnos, 2013.

  • PRIORIZANDO AS COISAS IMPORTANTES

    A nossa frenética vida, não nos proporciona como rotina apenas um dia atribulado e corrido, mas também, o erro de pararmos de priorizar o que é essencial, como por exemplo, Deus.

    Quando estamos sem tempo, na maioria das vezes, o que acabamos colocando de lado é a oração diária e a leitura da palavra, como se tais hábitos não fossem essenciais para todo o cristão. Por conta dos muitos compromissos, deixamos Deus na periferia da nossa vida e mantemos na capital, o que é importante aos nossos olhos, como o trabalho, carreira e estudos, entre tantas prioridades.

    Não que estas coisas não sejam importantes, mas precisamos entender que a vida simples é justamente aprender a arte de colocar no centro as coisas fundamentais, e deixar em segundo plano, o que pode esperar.

    Cultivar a simplicidade cristã é também descomplicar e saber dizer não. É se livrar dos excessos, tendo bem delimitado o que realmente vale a pena em nossa vida.

    Ao colocarmos Deus como centro, perceberemos que no final, quem estava na periferia éramos nós, por não percebermos que quando Deus está em segundo plano, certamente nós, estamos com a vida totalmente desequilibrada.

    A simplicidade em Deus, revela quem somos e evidencia o quão perdidos estamos. Nos afogando em compromissos sem importância, ficando desta forma, cada vez mais distante do que realmente vale a pena.

    Quando Deus está no centro, percebemos melhor quais devem ser nossas prioridades e vivemos uma vida mais saudável e equilibrada, descobrindo como os excessos são nocivos, para assim escolhermos ter menos, mas com muito mais qualidade.

    A quantidade nunca foi um termômetro para a vida boa, já a qualidade sim. Por isso que, optar por menos compromissos, menos tempo gasto em redes sociais e menos coisas, pode ser o caminho da vida feliz e saudável. E também de uma espiritualidade que sai da mera teoria.

    Aprendi ao longo da vida, como nem sempre várias oportunidades ou vários compromissos, são sinais de uma vida relevante. Quando cultivamos a vida simples, aprendemos a escolher e a ter foco para as coisas que realmente são fundamentais.

    Quando falamos de Deus e da leitura da sua palavra, falamos de um ponto nevrálgico, caso queira ter uma vida com propósito. Pois é ele que nos sustenta e é a leitura da Bíblia que nos mantêm no foco e nos ajuda a seguirmos no caminho da sua perfeita vontade.

    Por isso que, quando você estiver sem tempo, priorize o que realmente importa, que é Deus, que no mais, tudo será acrescentado.

  • LIDERANÇA EFICAZ

    Quando eu sonhei em montar uma banda, isso há muito tempo, não levei em conta o quanto liderar era desafiador. Um bom líder com certeza, define o tom de uma empreitada e tem a capacidade de manter um teor de paz ou caos dentro de um ambiente, tudo vai depender da sua atitude e posicionamento.

    Eu tive muitos líderes complicados, tanto na igreja quanto no trabalho. Pessoas que a própria presença em um ambiente já causava desconforto, não era agradável estar no mesmo espaço que eles e quando eles saíam o sentimento de alívio era o único que causavam. E apesar de muitos acreditarem que líderes e chefes causam esta sensação, Carol Dweck aborda alguns pontos complicados destes tipos de pessoas e mostra como é possível ser um bom líder e não causar este desconforto.  

    Um líder complicado, que não ouve, muito menos respeita e valoriza o próximo, modifica o ambiente e canaliza todo o esforço dos liderados em satisfazer seus gostos. O intuito do líder seja em uma igreja ou empresa, é cuidar para que determinada área tenha frutos, que cresça e atenda uma certa demanda. O líder deve fazer o empreendimento funcionar e não cuidar para que as suas vontades sejam satisfeitas. A missão não é massagear o seu ego ou mostrar que lidera bem e sim, fazer um determinado setor caminhar (DWECK, 2017 p. 135).

    É muito comum não percebermos como as nossas ideias são falhas ao liderarmos, mas quando cultivamos um ambiente de respeito, sempre aberto a novas opiniões e ao diálogo, conseguiremos ouvir outros pontos de vistas e aprimorar os nossos planos. Esta é a função do verdadeiro líder. É claro que nem todas as sugestões são boas, mas ouvir todas elas e respeitar a ideia de cada um é o primeiro passo para que seus liderados não tenham medo de falar e colaborar com o trabalho.

    Muitos acreditam que o respeito é algo que se impõe, por isso, quando assumem um cargo de liderança, entendem que impor é o ponto de partida para um verdadeiro líder. Alguns até afirmam que quando o chefe é bonzinho demais as outras pessoas passam a não o respeitar, o que não é verdade. Um bom líder sabe ser respeitoso e ao mesmo tempo eficiente, ele sabe ouvir e mudar de opinião para o bem de uma empreitada. E acima de tudo, ele não precisa ter a glória toda para si, ao contrário, ele sabe fazer a equipe toda brilhar e trabalhar em prol de um bem comum.

    Outro problema que este tipo de líder traz é a estagnação, visto que, o medo e a preocupação em ser julgado pelo chefe, freia a inovação e as boas ideias. Apenas em um ambiente de respeito e liberdade é que as boas ideias surgem e ganham vida (DWECK, 2017 p. 136).Carol Dweck complementa pontuando que:

    “Quando chefes humilham os demais, há uma mudança no ambiente. Tudo começa a girar em torno da satisfação do chefe” (DWECK, 2017 p. 135). 

    A parte interessante em me lembrar dos antigos líderes era o fato que, mesmo que você não fosse a pessoa mais atingida pelas grosserias dele, as atitudes que víamos terminava por nos deixar receosos em colaborar com uma ideia para também não sermos alvos das suas grosserias. No final, éramos apenas pessoas que executavam uma função e mesmo que entre nós existissem pessoas competentes, aptas a colaborar e solucionar um determinado problema, eles permaneciam caladas, oprimidas pelo estilo de liderança.

    Um dos principais problemas destes líderes é serem controladores e terem medo de serem julgados ou de serem alvos de críticas. Isso leva estas pessoas a imporem sua forma de pensar e se fecharem para sugestões, críticas ou opiniões. Sendo que esta mesma atitude transforma o ambiente em um lugar medíocre, sem inovação e crescimento, ela mata aquele espírito empreendedor. Saber ouvir opiniões contrárias, críticas e sugestões sem medo, é a atitude daqueles líderes que entendem que não sabem de tudo, que não são fechados e trabalham em prol de um bem comum (DWECK, 2017 p. 135-136).

    O desafio da igreja é muitas vezes saber servir, é conseguir olhar além e aprender a escutar. Um líder com boas ideias as vezes cala algumas sugestões ou não escutam críticas importantes para os seus empreendimentos. Talvez pela euforia ou mesmo orgulho, terminam por não ouvir e criar um ambiente engessado.

    Não é tão simples liderar, motivar pessoas e conseguir com que todos trabalhem em prol de um bem comum, principalmente em uma igreja, mas escutar e ter a humildade suficiente para refletir sobre o que é dito, já é um bom princípio. E principalmente, criar um ambiente agradável, com diálogo e respeito, deve ser o ponto de partida de todos os líderes relevantes.

    O líder que olha para além de si e não tem medo de críticas, transforma o ambiente em um lugar frutífero e cheio de ideias!

    BIBLIOGRAFIA

    DWECK, C. S. Mindset: A nova psicologia do sucesso. 1. ed. São Paulo: Objetiva, 2017.