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  • NÃO OLHE PARA A TEMPESTADE

    “Levantou-se um forte vendaval, e as ondas se lançavam sobre o barco, de forma que este foi se enchendo de água” (Referência: Marcos 4:35 ao 41) (NVI).

    Em minha cidade, principalmente no verão, é comum vermos tempestades realmente aterradoras se precipitarem. Com ventos fortes, muita chuva e um céu escuro e sombrio, tais eventos não só nos assustam, mas também revelam toda a fragilidade humana. Principalmente quando casas, muros e janelas se desfazem como papel durante a tormenta.

    Temporais sempre surgem em nossa vida, seja em forma de ventos e tempestades ou de problemas que nos pegam de surpresa e em muitos casos, nos deixam sem ação, mergulhando a nossa vida em medo e em um sentimento de insegurança.

    A Bíblia fala de um temporal (Marcos 4:35 ao 41) em meio a travessia que Jesus e seus discípulos faziam. Segundo a Bíblia, aquele temporal era realmente aterrador, mas a questão complexa era que os discípulos estavam com Cristo no barco e em tese, eles não deveriam ter medo, mas tiveram.

    O medo é normal, faz parte da nossa vida, sendo que ele é útil para que consigamos ter cautela diante de situações difíceis. O problema é quando o medo nos paralisa, nos impedindo de fazermos o que precisamos fazer. No caso dos discípulos de Jesus, o medo havia deixado eles aterrorizados, o texto bíblico deixa este fato bem destacado:

    Jesus estava na popa, dormindo com a cabeça sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e clamaram: “Mestre, não te importas que morramos? ” (Marcos 4:38) (NVI).

    O sentimento diante daquele caos era o de morte, eles acreditavam que iriam morrer, enquanto Cristo dormia tranquilamente. Um sono que parecia que incomodava os discípulos. Quem é que dorme durante uma tempestade furiosa? Deus é claro e é justamente isso que eles não entendiam. Carson et al complementa, resumindo a principal lição deste texto:

    A lição principal para nós é a repreensão de Jesus aos seus discípulos pela falta de confiança nele. Precisamos aprender a confiar plenamente, mesmo que a nossa obediência a ele nos conduza para o olho da tempestade, seja por perseguição ou outra coisa qualquer” (CARSON et al, 2012, p. 1442).

    É interessante notar como a tempestade assustou os discípulos, assim como nos assusta também. Mas tal qual nós, em meio às tormentas da vida, os discípulos focavam mais na tempestade do que em Cristo que estava com eles no barco. As ondas eram grandes, a tempestade amedrontava, mas Jesus não os havia abandonado. Cristo estava com eles, por isso que confiar deveria ser a única ação que eles deveriam tentar tomar naquela situação.

    Um destaque importante para passagem é justamente o fato de Cristo ter acalmado a tempestade, uma ação que impressionou os discípulos (V. 41). Jesus já havia demonstrado o seu poder, ele havia curado, expulsado demônios, mostrando assim toda a sua soberania e capacidade, mas nunca havia demostrado o poder de controlar a natureza. O milagre revela que Jesus é o senhor de tudo (CARSON et al, 2012, 1442).

    As vezes focamos muito na tormenta quando estamos passando por tempestades, esquecendo desta forma de perceber que não estamos sozinhos no barco da vida, Cristo está conosco e o seu poder é infinito. E um barco onde Jesus está presente, tempestade nenhuma pode derrubar pois Jesus Cristo é o Senhor.

    Focar no ponto certo é fundamental quando passamos por dificuldades. Confiar na soberania de Deus é fundamental para passarmos pelos vales com paz. A vida cristã não nos isenta de termos problemas e passarmos por tempestades, mas ela nos dá a esperança e a certeza de que não estamos sozinhos. Deus está conosco nos protegendo.

    Um barco onde Cristo está presente, nunca é afundado, por isso que em meio as tempestades da vida, não olhe para a tempestade, e sim para Cristo, que é o Senhor de tudo!

    BIBLIOGRAFIA

    CARSON. DA.; FRANCE, RT.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

  • NOTAS DA DECEPÇÃO

    O fracasso tem o poder de nublar a nossa visão, deixando todo o nosso dia com um ar de desesperança. Não é legal ver nossos planos desmoronarem, mas este é o preço de quem tenta algo. Se não quiser se decepcionar, não tente e permaneça no lugar.

    Sonhar e depois planejar é ótimo, um desafio nos move e nos obriga a sair do comum, o problema é quando tudo dá errado. É interessante perceber como o mesmo sonho que nos move pode também nos iludir e até nos manter ancorados, com medo, sem disposição.

    Eu tenho bastante experiência com o fracasso, pois já tentei muito e fracassei por demais, sendo que entre as minhas histórias, decepções e vitórias, existe uma verdade: Não é possível saber se realmente fracassamos, visto que alguns fracassos nos direcionam para o novo, para um outro projeto ou para uma área que antes não nos era conhecida.

    Com os inúmeros fracassos eu não só aprendi, já que como sempre falo, é possível tirar lições de tudo, mas também descobri outros mundos e realidades, percebendo como havia muito mais do que a minha visão alcançava. Foi fracassando que enxerguei e percebi coisas que durante a euforia de alguns momentos eu não via. Eu só cheguei aonde cheguei porque eu tentei, mas também porque fracassei.

    A decepção nunca foi o fim de tudo, na verdade ela é o começo, é o momento onde através da melancolia, podemos enxergar, refletir e avaliar. A euforia nos impede de ver, já o fracasso e a decepção nos mantêm em um estado de silêncio e reflexão, um cenário perfeito para pensar e recomeçar. Tudo vai depender de como você lida com ele.

    No final, não há como saber se realmente fracassamos, pois a decepção momentânea, pode ser na verdade uma outra porta se abrindo, uma oportunidade que não estávamos vendo por conta do foco do momento.

    As minhas maiores decepções não foram fracassos e sim todas as vezes que fiquei com receio de tentar, este é a verdadeira definição de fracasso. Fracassar é muito mais não fazer ou desistir, do que ver algo dar errado. Quem tem consciência sabe que o fracasso é constante, mas na tentativa e erro vamos aprendendo, conseguindo e descobrindo.

    Eu realmente não sei o que seria da minha vida se eu não tivesse fracassado, agradeço a Deus por todas as intempéries e dificuldades, pois elas me mostraram outros caminhos. As tempestades me ajudaram a ver, a refletir e a recomeçar.

    Tenho em minha história muitas decepções, frustrações que são atreladas a muitos aprendizados e a crescimentos. Estas derrotas foram arautos de novos olhares e alguns recomeços.

    Ao cair, descobri o que valia a pena e ampliei o conhecimento para os meus próximos passos, por isso, eu dou graças a Deus por todos os meus fracassos!

  • CONVERSA PERDIDA

    “Não vale a pena conversar com o tolo, pois ele despreza a sabedoria do que você fala” (Provérbios 23:9).

    Eu gosto muito de conversar, a parte boa em uma conversa é que você pode tanto aprender, conhecer alguém pelo modo como ele fala e até se informar e crescer, quando a pessoa possui conhecimento em uma área específica. É com um bom diálogo que conseguimos fortalecer amizades e estreitar os nossos laços além de aprender, como pontuei.

    A parte complicada é que quando você vai conversar as primeiras vezes com alguém, nem sempre você conhece a pessoa suficientemente. Em um primeiro momento, podemos crer que alguém é uma pessoa muito boa e especial, sem percebermos quem ela realmente é. Não é possível, em um primeiro diálogo, identificar como realmente é o nosso interlocutor. 

    Provérbios novamente nos dá um importante aviso, ele nos mostra que com o tolo não vale a pena conversar. Na verdade, estes versículos são parte de trinta ditos, influenciados por algumas antigas obras, que ofereciam ensinos a pessoas que eram envolvidas em serviços públicos. Como Deus é soberano, além de ser o Deus de Israel, ele também é o senhor de todas as nações e da vida. Não é de se admirar que algumas verdades, encontradas em outros lugares, foram compiladas e usadas em provérbios. Uma verdade não deixa de ser verdade quando é também encontrada em outro livro ou cultura (CARSON et al, 2012, p. 910).

    Tolo é alguém que não é esperto e é desprovido de inteligência, a questão apenas é que não podemos confundir cultura, conhecimento, com inteligência ou a falta dela. Pois é possível encontrar pessoas que não cursaram uma escola formal, mas são inteligentes e sábios. No final os tolos são pessoas que não se importam com nada, são sujeitos que preferem não ouvir, muito menos se informar ou nem ligam para o conhecimento e a sabedoria.

    A questão é que eu creio que podemos ampliar ainda mais a reflexão e discorrer sobre aqueles que acreditam que sabem de tudo. São as pessoas que não ouvem, por acreditarem que sabem, seja pelo fato de terem um diploma ou crerem que não precisam de ninguém. Normalmente estes não ouvem, não dialogam e seguem acreditando que sabem de tudo. Não vale a pena perder tempo com estas pessoas, pois eles nunca lhe ouvirão e tratarão as suas palavras com arrogância e orgulho.

    Uma pessoa sábia, sabe muito bem que não é possível conhecer tudo, ele entende que o conhecimento é inesgotável, e por isso, é possível aprender e se reciclar. A pessoa que é inteligente está sempre aprendendo, ouvindo e refletindo sobre o que é dito, por mais que não concorde com determinada opinião, ele sabe que é bom sempre refletir.

    Muitas vezes não percebemos a falta de profundidade em nossas opiniões, por isso que ouvir e refletir, é uma boa saída para não sermos vítimas de uma opinião simplista.

    Não perca tempo com aqueles que acreditam que de tudo sabem, que rejeitam uma boa opinião ou que se colocam como o dono de todo o conhecimento. Além da conversa não render e de ser difícil de aturar alguém assim, você jogará fora o seu precioso tempo.

     BIBLIOGRAFIA

    CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.

  • IDEOLOGIAS TOTALITÁRIAS

    “Portanto, as ideologias totalitárias invariavelmente dividem os seres humanos em grupos de inocentes e culpados” (SCRUTON, 2015, p. 70).

    Tenho um certo receio de ideologias totalitárias, como tem ficado claro nesta série de textos. Esta forma de pensamento transforma o mundo em um grande cenário de guerra. Como se a sociedade fosse dividida em nós (os mocinhos) e os outros (os bandidos). É fácil seguir apontando os culpados, enquanto você se considera inocente, o desafio é conseguir olhar os problemas de forma ampla e perceber todos os detalhes.  Sendo que é possível ver estas ideologias totalitárias em vários setores da sociedade.

    Esta atitude existe na política, na religião e também no convívio familiar. Nestes ambientes é comum vermos culpados serem apontados, são bodes expiatórios que levam com eles todas as nossas culpas e responsabilidades. O curioso é que a culpa nunca é destas pessoas, são sempre os outros os culpados. Ver alguém assumir suas responsabilidades por seus fracassos é sempre raro.

    Conheço muitos destes que se colocam como vítimas, como seres injustiçados por um mundo cruel. Mas ao ouvirmos seus problemas, constatamos a sua culpa velada, disfarçada ao apontar o próximo. Veja bem, viver não é fácil e em alguns momentos somos atingidos por pessoas sem caráter. A minha desconfiança paira apenas naqueles que acreditam que não possuem culpa alguma por seus problemas e acreditam serem detentoras de soluções infalíveis. São destes que eu estou falando. Temo aqueles que se veem como inerrantes!

    O totalitarismo basicamente é um estilo de governo, seja ele político ou religioso, que busca abolir qualquer tipo de discordância. É um regime onde ideias opostas não existem, o contraditório é abolido e combatido como se fosse um inimigo ou culpado por todos os erros da vida (CHAMPLIN, 2013, p. 459). Normalmente a justificativa destes regimes de governo ou lideranças, para as suas imposições, é combater um problema e suprimir o mal. Diante disso, o diálogo não existe, visto que a solução, segundo estes, parte somente deles.

    É fácil culpar alguém e seguir combatendo um suposto vilão, o desafio é justamente assumir a culpa e dialogar em busca de soluções. Entenda que qualquer solução simples, para a nossa sociedade que é complexa por si só, já tende a ser errada. O erro do totalitarismo é pensar ser detentor da solução e seguir forçando a todos, obrigando-os a seguir seus ideais.

    Nesta mesma direção seguem algumas igrejas que não dialogam tendo líderes que lideram suas comunidades com mão de ferro. Apesar de termos princípios inegociáveis que partem da Bíblia, o diálogo é fundamental para que possamos construir pontes. E acima de tudo, conviver com o pensamento oposto é sinal de inteligência e equilíbrio. Obrigar alguém a seguir nossa fé é algo desconexo e incoerente.

    O totalitarismo começa procurando um culpado, arranjando um responsável pelos problemas da vida. Depois ele se mostra como alguém detentor da solução, e obriga a todos a seguirem suas regras. Este é o caminho do caos, construído por líderes que talvez por serem tão inseguros, não possuem a menor capacidade de dialogar e conviver com o contraditório.

    Que a liberdade e o respeito possa ser o ponto de partida das nossas ideias, atitudes e da nossa fé!

    BIBLIOGRAFIA

    SCRUTON, Roger. As vantagens do pessimismo: E o perigo da falsa esperança. 1. ed. São Paulo: É Realizações Editora, 2015.

    CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, teologia & filosofia: Volume 6. 11. ed. São Paulo: Hagnos, 2013.

  • PRIORIZANDO AS COISAS IMPORTANTES

    A nossa frenética vida, não nos proporciona como rotina apenas um dia atribulado e corrido, mas também, o erro de pararmos de priorizar o que é essencial, como por exemplo, Deus.

    Quando estamos sem tempo, na maioria das vezes, o que acabamos colocando de lado é a oração diária e a leitura da palavra, como se tais hábitos não fossem essenciais para todo o cristão. Por conta dos muitos compromissos, deixamos Deus na periferia da nossa vida e mantemos na capital, o que é importante aos nossos olhos, como o trabalho, carreira e estudos, entre tantas prioridades.

    Não que estas coisas não sejam importantes, mas precisamos entender que a vida simples é justamente aprender a arte de colocar no centro as coisas fundamentais, e deixar em segundo plano, o que pode esperar.

    Cultivar a simplicidade cristã é também descomplicar e saber dizer não. É se livrar dos excessos, tendo bem delimitado o que realmente vale a pena em nossa vida.

    Ao colocarmos Deus como centro, perceberemos que no final, quem estava na periferia éramos nós, por não percebermos que quando Deus está em segundo plano, certamente nós, estamos com a vida totalmente desequilibrada.

    A simplicidade em Deus, revela quem somos e evidencia o quão perdidos estamos. Nos afogando em compromissos sem importância, ficando desta forma, cada vez mais distante do que realmente vale a pena.

    Quando Deus está no centro, percebemos melhor quais devem ser nossas prioridades e vivemos uma vida mais saudável e equilibrada, descobrindo como os excessos são nocivos, para assim escolhermos ter menos, mas com muito mais qualidade.

    A quantidade nunca foi um termômetro para a vida boa, já a qualidade sim. Por isso que, optar por menos compromissos, menos tempo gasto em redes sociais e menos coisas, pode ser o caminho da vida feliz e saudável. E também de uma espiritualidade que sai da mera teoria.

    Aprendi ao longo da vida, como nem sempre várias oportunidades ou vários compromissos, são sinais de uma vida relevante. Quando cultivamos a vida simples, aprendemos a escolher e a ter foco para as coisas que realmente são fundamentais.

    Quando falamos de Deus e da leitura da sua palavra, falamos de um ponto nevrálgico, caso queira ter uma vida com propósito. Pois é ele que nos sustenta e é a leitura da Bíblia que nos mantêm no foco e nos ajuda a seguirmos no caminho da sua perfeita vontade.

    Por isso que, quando você estiver sem tempo, priorize o que realmente importa, que é Deus, que no mais, tudo será acrescentado.

  • LIDERANÇA EFICAZ

    Quando eu sonhei em montar uma banda, isso há muito tempo, não levei em conta o quanto liderar era desafiador. Um bom líder com certeza, define o tom de uma empreitada e tem a capacidade de manter um teor de paz ou caos dentro de um ambiente, tudo vai depender da sua atitude e posicionamento.

    Eu tive muitos líderes complicados, tanto na igreja quanto no trabalho. Pessoas que a própria presença em um ambiente já causava desconforto, não era agradável estar no mesmo espaço que eles e quando eles saíam o sentimento de alívio era o único que causavam. E apesar de muitos acreditarem que líderes e chefes causam esta sensação, Carol Dweck aborda alguns pontos complicados destes tipos de pessoas e mostra como é possível ser um bom líder e não causar este desconforto.  

    Um líder complicado, que não ouve, muito menos respeita e valoriza o próximo, modifica o ambiente e canaliza todo o esforço dos liderados em satisfazer seus gostos. O intuito do líder seja em uma igreja ou empresa, é cuidar para que determinada área tenha frutos, que cresça e atenda uma certa demanda. O líder deve fazer o empreendimento funcionar e não cuidar para que as suas vontades sejam satisfeitas. A missão não é massagear o seu ego ou mostrar que lidera bem e sim, fazer um determinado setor caminhar (DWECK, 2017 p. 135).

    É muito comum não percebermos como as nossas ideias são falhas ao liderarmos, mas quando cultivamos um ambiente de respeito, sempre aberto a novas opiniões e ao diálogo, conseguiremos ouvir outros pontos de vistas e aprimorar os nossos planos. Esta é a função do verdadeiro líder. É claro que nem todas as sugestões são boas, mas ouvir todas elas e respeitar a ideia de cada um é o primeiro passo para que seus liderados não tenham medo de falar e colaborar com o trabalho.

    Muitos acreditam que o respeito é algo que se impõe, por isso, quando assumem um cargo de liderança, entendem que impor é o ponto de partida para um verdadeiro líder. Alguns até afirmam que quando o chefe é bonzinho demais as outras pessoas passam a não o respeitar, o que não é verdade. Um bom líder sabe ser respeitoso e ao mesmo tempo eficiente, ele sabe ouvir e mudar de opinião para o bem de uma empreitada. E acima de tudo, ele não precisa ter a glória toda para si, ao contrário, ele sabe fazer a equipe toda brilhar e trabalhar em prol de um bem comum.

    Outro problema que este tipo de líder traz é a estagnação, visto que, o medo e a preocupação em ser julgado pelo chefe, freia a inovação e as boas ideias. Apenas em um ambiente de respeito e liberdade é que as boas ideias surgem e ganham vida (DWECK, 2017 p. 136).Carol Dweck complementa pontuando que:

    “Quando chefes humilham os demais, há uma mudança no ambiente. Tudo começa a girar em torno da satisfação do chefe” (DWECK, 2017 p. 135). 

    A parte interessante em me lembrar dos antigos líderes era o fato que, mesmo que você não fosse a pessoa mais atingida pelas grosserias dele, as atitudes que víamos terminava por nos deixar receosos em colaborar com uma ideia para também não sermos alvos das suas grosserias. No final, éramos apenas pessoas que executavam uma função e mesmo que entre nós existissem pessoas competentes, aptas a colaborar e solucionar um determinado problema, eles permaneciam caladas, oprimidas pelo estilo de liderança.

    Um dos principais problemas destes líderes é serem controladores e terem medo de serem julgados ou de serem alvos de críticas. Isso leva estas pessoas a imporem sua forma de pensar e se fecharem para sugestões, críticas ou opiniões. Sendo que esta mesma atitude transforma o ambiente em um lugar medíocre, sem inovação e crescimento, ela mata aquele espírito empreendedor. Saber ouvir opiniões contrárias, críticas e sugestões sem medo, é a atitude daqueles líderes que entendem que não sabem de tudo, que não são fechados e trabalham em prol de um bem comum (DWECK, 2017 p. 135-136).

    O desafio da igreja é muitas vezes saber servir, é conseguir olhar além e aprender a escutar. Um líder com boas ideias as vezes cala algumas sugestões ou não escutam críticas importantes para os seus empreendimentos. Talvez pela euforia ou mesmo orgulho, terminam por não ouvir e criar um ambiente engessado.

    Não é tão simples liderar, motivar pessoas e conseguir com que todos trabalhem em prol de um bem comum, principalmente em uma igreja, mas escutar e ter a humildade suficiente para refletir sobre o que é dito, já é um bom princípio. E principalmente, criar um ambiente agradável, com diálogo e respeito, deve ser o ponto de partida de todos os líderes relevantes.

    O líder que olha para além de si e não tem medo de críticas, transforma o ambiente em um lugar frutífero e cheio de ideias!

    BIBLIOGRAFIA

    DWECK, C. S. Mindset: A nova psicologia do sucesso. 1. ed. São Paulo: Objetiva, 2017.

  • ESFORÇO SUFICIENTE: CUIDANDO COM O PONTO DE EXAUSTÃO

    “O que aprendi: esforçar-se além da conta torna mais difícil obter o resultado que se quer” (MCKEOWN, 2021, p. 42).

    Gosto de estudar e escrever de manhã, justamente porque é mais fácil, depois de uma boa noite de descanso, se dedicar a atividade intelectual. O descanso apropriado está intimamente ligado ao desempenho, descansar é a atitude fundamental para aqueles que pretendem seguir a vida acadêmica.

    Muitos não valorizam o descanso e acreditam que dormir bem e relaxar é perder tempo. Em uma sociedade ativista e que dorme pouco, torna-se um verdadeiro impropério o descanso e o cultivo de um tempo de ócio.

    Não se desgastar além da conta e buscar dormir bem, está totalmente ligado a capacidade de constância e de manter foco em uma atividade. Saber se esforçar em uma quantidade suficiente é o segredo para manter o ritmo na vida acadêmica, sem desanimar e procrastinar. Greg Mckeown acrescenta:

    “Muita gente luta com o dilema entre não fazer o suficiente e fazer demais. Você já se esforçou tanto além do ponto de exaustão em determinado dia que, no dia seguinte, acordou totalmente esgotado e precisou do dia inteiro para descansar? Para interromper logo este ciclo vicioso, experimente esta regra simples: não faça hoje mais do que conseguiria se recuperar completamente hoje” (MCKEOWN, 2021, p. 85).

    Existe um limite, um ponto de exaustão que você não pode ultrapassar. Não adianta você se dedicar muito em um dia e pouco (ou nada) no outro. Para conseguir manter seus planos de estudos é importante delimitar bem este ponto de exaustão e não ultrapassar.

    Um bom desempenho é ligado ao quanto estamos descansados, quanto mais descansado melhor a execução. Por isso, descansar não é perder tempo, é na verdade ganhar, é a atitude de alguém responsável que entende seus limites e não os ultrapassa para conseguir assim manter seus objetivos.

    Na vida acadêmica, o esforço deve ser sempre suficiente e na quantidade certa visto que a constância é o segredo da construção relevante do conhecimento.

    Ao passarmos de um ponto, o nosso esforço resulta em um resultado sem eficiência, o nosso desempenho cai e não permanecemos mais no que estamos fazemos. Delimitar bem um tempo para fazer e aprender, sem passar do ponto de exaustão é o segredo para produzir sempre e com qualidade.

    A saída é traçar um plano, separar um período certo para aquela atividade e não exagerar. Entendendo que é aos poucos que vamos construindo as coisas, sempre com constância e foco.

    Não passe do ponto de exaustão, aprenda a estudar numa quantidade certa e parar para relaxar. É só assim, que o seu tempo de estudos seguirá produzindo frutos e a sua constância seguirá inabalável.

    Quando nos cansamos além da conta, corremos o risco de não conseguirmos dar continuidade em nossa rotina, por isso, fique atento a estes detalhes.

    BIBLIOGRAFIA

    MCKEOWN, Greg. Sem esforço: Torne mais fácil o que é mais importante. 1. ed. Rio de Janeiro, Sextante, 2021.

  • ESPANTO CONSTRUTIVO

    Eu aprendi a tocar bateria ainda muito novo, a vontade surgiu na primeira vez em que eu havia ido em um show e fiquei impressionado em ver um baterista tocar com tanta habilidade. Na verdade, desde novo a música me espantava, tirava todo o meu fôlego, isso me fez querer aprender.

    O espanto é um elemento fundamental para o aprendizado. Quem se espanta, aprende e mergulha no conhecimento, quem não se espanta não vê, não contempla e muito menos aprende com algo. Segundo a tradição filosófica, a contemplação provoca o espanto, que seria uma realidade que tira todo o nosso fôlego e nos assombra, sendo que é através deste espanto que aprendemos, pois este sentimento nos tira do comum e nos leva em direção ao conhecimento (PIEPER, 2020, p. 169). Se você sabe ou acredita que sabe de tudo, você não se espanta e com isso, permanece estagnado. Josef Pieper complementa:

    “Na tradição, a contemplação é qualificada como ato de conhecimento acompanhado de assombro” (PIEPER, 2020, p. 169).

    Eu sou um professor que busca sempre estudar, considero fundamental para um bom profissional aprender e estar sempre se reciclando. Sendo que o espanto é um elemento que eu estou sempre tentando manter vivo, entendendo principalmente que não sabemos de tudo e sempre podemos aprender mais, este é um primeiro passo para o espanto.

    O espanto nos traz duas lições, a primeira é que precisamos tomar cuidado e não deixar que o conhecimento roube de nós a capacidade de nos espantar, de admirar e perder o folego com a vida e com as coisas. As vezes estudamos tanto, que perdemos aquele olhar simples de criança que se espanta com tudo o que é novo. Não racionalize tudo, não permita que o conhecimento tire de você aquela simplicidade que é rica e inspiradora.

    Eu sou músico há muito tempo e ainda me espanto com os habilidosos bateristas que eu assisto. Eu sei como é desafiador estudar e aprender, por isso, quando eu vejo um bom músico eu me espanto, me assombro com aquela habilidade e busco me inspirar como músico e profissional. É este espanto que não podemos perder, principalmente porque a habilidade não é fácil de construir, ela é fruto de muito empenho e isso é uma verdade que não podemos esquecer.

    A segunda lição é entender a importância de sempre buscarmos algo novo, de sempre nos desafiarmos intelectualmente, seja aprendendo algo diferente, lendo um livro diferente ou mesmo visitando um lugar onde você nunca esteve. É bom sair do comum e deixar que a novidade tire o seu fôlego e inspire você através do espanto.

    Assistir a aula de um bom professor ou mesmo de um músico habilidoso. Buscar bons livros, autores que tirem o nosso fôlego é um importante passo para o espanto e para aprendermos e crescermos sempre.

    É comum paralisarmos, perdendo o encanto pelo saber, principalmente se você teve sucesso em seus planos, por isso, fique atento e não permita que a vida engesse a sua capacidade de se espantar e com isso, deixar de aprender ou se inspirar.

    BIBLIOGRAFIA

    PIEPER, Josef. Ócio & contemplação: Ócio e culto, felicidade e contemplação. 1 ed. São Paulo: Kírion, 2020.

  • LIBERDADE VIGIADA

    Eu costumo avaliar o que vejo e ouço, tento sempre me demorar ao máximo na reflexão, lendo, estudando e me informando antes de ter alguma conclusão. Esta série de textos é a prova disso, demorei muito para falar sobre o totalitarismo e inclusive sobre o comunismo. Foi apenas após um bom tempo de leituras e estudos que resolvi emitir uma opinião sobre esta visão política.

    Um fenômeno interessante que acontece neste cenário político brasileiro é que a troca de ideias ou a discussão não são bem-vindas. Não é possível alguém divergir de qualquer ponto do pensamento de esquerda, sem ter algum problema. É muito raro encontrar uma pessoa desta vertente política, que dialogue e reflita sobre um pensamento oposto. Normalmente quem discorda, mesmo sendo apenas em alguns pontos, logo é chamado de inimigo, de fascista ou qualquer um destes termos, em uma atitude que curiosamente replica o que alguns pensadores comunistas acabaram fazendo.

    Ludwig Von Mises traz à tona um pensamento curioso do escritor comunista Nikolai Bukharin (1888 – 1938). Ele relembra um panfleto de Nikolai quando ele afirma que em tempos passados, a liberdade de imprensa, a liberdade civil e de pensamento eram exigências daqueles comunistas, eles brigaram por isso até chegar ao poder. Já de posse do poder, em um tempo em que o regime comunista dominava, já não era mais necessária tal liberdade (2015, p. 35).

    A contradição deste fato é que no final, Nikolai Bukharin, um dos dirigentes dos Bolcheviques, tendo também atuado ao lado de Stalin e ocupado cargos importantes na política, terminou por ser condenado a morte, acusado de deslealdade. Ele acabou sendo vítima da sua própria teoria. Von Mises complementa:

    “Infelizmente, expurgos não acontecem só porque os homens são imperfeitos. Expurgos são a consequência necessária dos fundamentos filosóficos do socialismo marxista. Se você não consegue discutir diferenças de opinião filosóficas do mesmo jeito que discute outros problemas, precisa achar outra solução – por meio da violência e da força” (2016, p. 45).

    Estes expurgos foram comuns na URSS durante o poder de Stalin. Muitos foram presos e mortos, todas as pessoas que possuíam alguma crítica a sua política foram exterminadas, calados a força. Não era permitido discordar, ou você concordava ou pagava o preço com a própria vida. Sendo que muitos foram mortos mesmo sem prova, mostrando como na dúvida, matar era a opção. Milhões morreram em nome de uma ideologia política totalitária, injusta e cruel.

    Na URSS, por exemplo, os dois grupos de oposição ao regime Czarista russo que se consideravam a favor da classe proletária, os Bolcheviques e os Mencheviques, divergiam quanto a como tudo deveria acontecer, acreditavam que eliminar o adversário era a única maneira de resolver o problema. E dentro do próprio grupo dos Bolcheviques, que ganharam o poder um tempo depois, as pessoas que discordavam foram exiladas e mortas a machadadas. A receita é parecida, calar o adversário ou ridicularizar, sem pensar e buscar um ponto de união entre as duas formas de pensar é a única forma de resolver a questão, segundo estes (MISES, 2016, 45).

    É inevitável relembrar estas histórias quando ouço alguém se intitular de comunista. E mesmo que alguns afirmem que a intenção é criar um novo comunismo, não consigo esquecer como algumas revoluções ou levantes políticos surgiram com as melhores intenções, mas no final, se mostraram como sendo tirânicos e opressores.

    Sou contra qualquer tipo de totalitarismo, eu creio na liberdade de pensamento, crença e ideologia. E por conta disso, tenho sempre um pontual conceito destas ideias que se mostraram infelizes.

    Eu me preocupo com aqueles que colocam a sua esperança em ideais milagrosos, que não dialogam e querem impor a força as suas mágicas soluções políticas. Pois são estes que ao chegar no poder, na maioria das vezes, praticam as mais cruéis atrocidades. 

    BIBLIOGRAFIA

    MISES, Ludwig. Von. Marxismo Desmascarado. 1. ed. Campinas: Vide Editorial, 2016.

  • O ÓBVIO INAUDÍVEL

    Não é incomum mergulharmos em uma atividade e não percebermos as falhas e pontos que precisamos melhorar. As vezes o foco e a disciplina em fazer algo, nos trai e não nos deixa vermos as imperfeições por conta da motivação momentânea, ainda mais se você faz algo que gosta muito. Eu mesmo, já escrevi alguns textos repetidos, já que eram temas nos quais eu gostava e fui perceber apenas depois, sendo que críticas honestas me ajudaram justamente neste sentido. Um olhar de alguém que está de fora do projeto, pode se mostrar como uma ferramenta acurada contra tais equívocos.

    Uma crítica tem o poder de ser o que você permite que ela seja. Mesmo aquelas observações que tocam o seu ego, se você souber receber ela servirá como ponte ou como aquele despertador que não deixa você perder o seu compromisso. O desafio é escutar, pois nem sempre estamos dispostos ou preparados para receber tais opiniões. Acordar é importante, mas alguns sonos são confortáveis demais, requer muita força para aceitarmos e abrirmos os olhos.  

    Não são todas as pessoas que conseguem receber uma crítica sem se sentirem incomodados, alguns se sentem realmente ofendidos até pelas observações mais respeitosas que alguém faz. Sendo que são justamente estes que têm a gana de se justificarem quando ouvem algo, justamente por não conseguirem parar para ouvir e refletir.

    Mas também existem aqueles períodos que não estamos bem e não conseguimos receber uma crítica. Mesmo para aqueles que aprenderam a ouvir, que praticam o autoconhecimento e a escuta. As dificuldades e desafios as vezes nos tiram do nosso normal, transformando algo corriqueiro, que estamos acostumados a fazer, como escutar por exemplo, em um desafio realmente grande.

    Nem sempre percebemos a realidade a nossa volta, é comum acreditarmos estar vendo a paisagem, sem perceber a miragem nos enganando. Com isso, é possível alguém buscar viver uma vida relevante, sem se atentar para todas as suas contradições. Por isso, estou sempre aberto as críticas, elas em alguns momentos, nos marcam, mas também nos acordam, já que nem tudo para nós é óbvio.

    O termo óbvio significa algo que nos salta a vista, que para nós é muito claro, a questão é que nem sempre é para o próximo. Muitas vezes não percebemos a miragem nos enganando, até vermos tudo dar errado. Isso quando não culpamos o outro pelo erro, sem perceber que estamos deixando de assumir a responsabilidade. E se você não assume a responsabilidade, também não muda.

    Ouvir é sempre um desafio, uma crítica então, termina por ser uma missão ainda maior, pois separar os joios das críticas sábias e honestas, ou as observações sem sentido e fruto de motivações negativas das opiniões boas, são sempre difíceis.

    Creio que não levar algo que alguém fala, para o lado pessoal, é um bom ponto de partida. Busco ouvir a opinião sempre com este olhar, entendendo que alguém está falando da minha atividade e não do meu caráter. Muitos se descontroem com uma crítica, justamente por levar para o lado pessoal, com isso, deixam de ouvir e tirar qualquer lição da observação feita.

    Outra coisa que eu faço é refletir sobre as observações em si, sem me preocupar se o que a pessoa falou foi em um sentido negativo ou não. Creio que até uma observação com intenção má, pode haver algum fundo de verdade, por isso que, refletir e buscar tirar uma lição, é uma atitude inteligente.

    Por fim relaxe, uma crítica não é o fim do mundo, a verdadeira catástrofe é não ouvir e precisar lidar com um fracasso. E por mais que os erros ensinem, é legal acertar, ninguém entra em uma empreitada para errar.