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  • ESFORÇO SUFICIENTE: CUIDANDO COM O PONTO DE EXAUSTÃO

    “O que aprendi: esforçar-se além da conta torna mais difícil obter o resultado que se quer” (MCKEOWN, 2021, p. 42).

    Gosto de estudar e escrever de manhã, justamente porque é mais fácil, depois de uma boa noite de descanso, se dedicar a atividade intelectual. O descanso apropriado está intimamente ligado ao desempenho, descansar é a atitude fundamental para aqueles que pretendem seguir a vida acadêmica.

    Muitos não valorizam o descanso e acreditam que dormir bem e relaxar é perder tempo. Em uma sociedade ativista e que dorme pouco, torna-se um verdadeiro impropério o descanso e o cultivo de um tempo de ócio.

    Não se desgastar além da conta e buscar dormir bem, está totalmente ligado a capacidade de constância e de manter foco em uma atividade. Saber se esforçar em uma quantidade suficiente é o segredo para manter o ritmo na vida acadêmica, sem desanimar e procrastinar. Greg Mckeown acrescenta:

    “Muita gente luta com o dilema entre não fazer o suficiente e fazer demais. Você já se esforçou tanto além do ponto de exaustão em determinado dia que, no dia seguinte, acordou totalmente esgotado e precisou do dia inteiro para descansar? Para interromper logo este ciclo vicioso, experimente esta regra simples: não faça hoje mais do que conseguiria se recuperar completamente hoje” (MCKEOWN, 2021, p. 85).

    Existe um limite, um ponto de exaustão que você não pode ultrapassar. Não adianta você se dedicar muito em um dia e pouco (ou nada) no outro. Para conseguir manter seus planos de estudos é importante delimitar bem este ponto de exaustão e não ultrapassar.

    Um bom desempenho é ligado ao quanto estamos descansados, quanto mais descansado melhor a execução. Por isso, descansar não é perder tempo, é na verdade ganhar, é a atitude de alguém responsável que entende seus limites e não os ultrapassa para conseguir assim manter seus objetivos.

    Na vida acadêmica, o esforço deve ser sempre suficiente e na quantidade certa visto que a constância é o segredo da construção relevante do conhecimento.

    Ao passarmos de um ponto, o nosso esforço resulta em um resultado sem eficiência, o nosso desempenho cai e não permanecemos mais no que estamos fazemos. Delimitar bem um tempo para fazer e aprender, sem passar do ponto de exaustão é o segredo para produzir sempre e com qualidade.

    A saída é traçar um plano, separar um período certo para aquela atividade e não exagerar. Entendendo que é aos poucos que vamos construindo as coisas, sempre com constância e foco.

    Não passe do ponto de exaustão, aprenda a estudar numa quantidade certa e parar para relaxar. É só assim, que o seu tempo de estudos seguirá produzindo frutos e a sua constância seguirá inabalável.

    Quando nos cansamos além da conta, corremos o risco de não conseguirmos dar continuidade em nossa rotina, por isso, fique atento a estes detalhes.

    BIBLIOGRAFIA

    MCKEOWN, Greg. Sem esforço: Torne mais fácil o que é mais importante. 1. ed. Rio de Janeiro, Sextante, 2021.

  • ESPANTO CONSTRUTIVO

    Eu aprendi a tocar bateria ainda muito novo, a vontade surgiu na primeira vez em que eu havia ido em um show e fiquei impressionado em ver um baterista tocar com tanta habilidade. Na verdade, desde novo a música me espantava, tirava todo o meu fôlego, isso me fez querer aprender.

    O espanto é um elemento fundamental para o aprendizado. Quem se espanta, aprende e mergulha no conhecimento, quem não se espanta não vê, não contempla e muito menos aprende com algo. Segundo a tradição filosófica, a contemplação provoca o espanto, que seria uma realidade que tira todo o nosso fôlego e nos assombra, sendo que é através deste espanto que aprendemos, pois este sentimento nos tira do comum e nos leva em direção ao conhecimento (PIEPER, 2020, p. 169). Se você sabe ou acredita que sabe de tudo, você não se espanta e com isso, permanece estagnado. Josef Pieper complementa:

    “Na tradição, a contemplação é qualificada como ato de conhecimento acompanhado de assombro” (PIEPER, 2020, p. 169).

    Eu sou um professor que busca sempre estudar, considero fundamental para um bom profissional aprender e estar sempre se reciclando. Sendo que o espanto é um elemento que eu estou sempre tentando manter vivo, entendendo principalmente que não sabemos de tudo e sempre podemos aprender mais, este é um primeiro passo para o espanto.

    O espanto nos traz duas lições, a primeira é que precisamos tomar cuidado e não deixar que o conhecimento roube de nós a capacidade de nos espantar, de admirar e perder o folego com a vida e com as coisas. As vezes estudamos tanto, que perdemos aquele olhar simples de criança que se espanta com tudo o que é novo. Não racionalize tudo, não permita que o conhecimento tire de você aquela simplicidade que é rica e inspiradora.

    Eu sou músico há muito tempo e ainda me espanto com os habilidosos bateristas que eu assisto. Eu sei como é desafiador estudar e aprender, por isso, quando eu vejo um bom músico eu me espanto, me assombro com aquela habilidade e busco me inspirar como músico e profissional. É este espanto que não podemos perder, principalmente porque a habilidade não é fácil de construir, ela é fruto de muito empenho e isso é uma verdade que não podemos esquecer.

    A segunda lição é entender a importância de sempre buscarmos algo novo, de sempre nos desafiarmos intelectualmente, seja aprendendo algo diferente, lendo um livro diferente ou mesmo visitando um lugar onde você nunca esteve. É bom sair do comum e deixar que a novidade tire o seu fôlego e inspire você através do espanto.

    Assistir a aula de um bom professor ou mesmo de um músico habilidoso. Buscar bons livros, autores que tirem o nosso fôlego é um importante passo para o espanto e para aprendermos e crescermos sempre.

    É comum paralisarmos, perdendo o encanto pelo saber, principalmente se você teve sucesso em seus planos, por isso, fique atento e não permita que a vida engesse a sua capacidade de se espantar e com isso, deixar de aprender ou se inspirar.

    BIBLIOGRAFIA

    PIEPER, Josef. Ócio & contemplação: Ócio e culto, felicidade e contemplação. 1 ed. São Paulo: Kírion, 2020.

  • LIBERDADE VIGIADA

    Eu costumo avaliar o que vejo e ouço, tento sempre me demorar ao máximo na reflexão, lendo, estudando e me informando antes de ter alguma conclusão. Esta série de textos é a prova disso, demorei muito para falar sobre o totalitarismo e inclusive sobre o comunismo. Foi apenas após um bom tempo de leituras e estudos que resolvi emitir uma opinião sobre esta visão política.

    Um fenômeno interessante que acontece neste cenário político brasileiro é que a troca de ideias ou a discussão não são bem-vindas. Não é possível alguém divergir de qualquer ponto do pensamento de esquerda, sem ter algum problema. É muito raro encontrar uma pessoa desta vertente política, que dialogue e reflita sobre um pensamento oposto. Normalmente quem discorda, mesmo sendo apenas em alguns pontos, logo é chamado de inimigo, de fascista ou qualquer um destes termos, em uma atitude que curiosamente replica o que alguns pensadores comunistas acabaram fazendo.

    Ludwig Von Mises traz à tona um pensamento curioso do escritor comunista Nikolai Bukharin (1888 – 1938). Ele relembra um panfleto de Nikolai quando ele afirma que em tempos passados, a liberdade de imprensa, a liberdade civil e de pensamento eram exigências daqueles comunistas, eles brigaram por isso até chegar ao poder. Já de posse do poder, em um tempo em que o regime comunista dominava, já não era mais necessária tal liberdade (2015, p. 35).

    A contradição deste fato é que no final, Nikolai Bukharin, um dos dirigentes dos Bolcheviques, tendo também atuado ao lado de Stalin e ocupado cargos importantes na política, terminou por ser condenado a morte, acusado de deslealdade. Ele acabou sendo vítima da sua própria teoria. Von Mises complementa:

    “Infelizmente, expurgos não acontecem só porque os homens são imperfeitos. Expurgos são a consequência necessária dos fundamentos filosóficos do socialismo marxista. Se você não consegue discutir diferenças de opinião filosóficas do mesmo jeito que discute outros problemas, precisa achar outra solução – por meio da violência e da força” (2016, p. 45).

    Estes expurgos foram comuns na URSS durante o poder de Stalin. Muitos foram presos e mortos, todas as pessoas que possuíam alguma crítica a sua política foram exterminadas, calados a força. Não era permitido discordar, ou você concordava ou pagava o preço com a própria vida. Sendo que muitos foram mortos mesmo sem prova, mostrando como na dúvida, matar era a opção. Milhões morreram em nome de uma ideologia política totalitária, injusta e cruel.

    Na URSS, por exemplo, os dois grupos de oposição ao regime Czarista russo que se consideravam a favor da classe proletária, os Bolcheviques e os Mencheviques, divergiam quanto a como tudo deveria acontecer, acreditavam que eliminar o adversário era a única maneira de resolver o problema. E dentro do próprio grupo dos Bolcheviques, que ganharam o poder um tempo depois, as pessoas que discordavam foram exiladas e mortas a machadadas. A receita é parecida, calar o adversário ou ridicularizar, sem pensar e buscar um ponto de união entre as duas formas de pensar é a única forma de resolver a questão, segundo estes (MISES, 2016, 45).

    É inevitável relembrar estas histórias quando ouço alguém se intitular de comunista. E mesmo que alguns afirmem que a intenção é criar um novo comunismo, não consigo esquecer como algumas revoluções ou levantes políticos surgiram com as melhores intenções, mas no final, se mostraram como sendo tirânicos e opressores.

    Sou contra qualquer tipo de totalitarismo, eu creio na liberdade de pensamento, crença e ideologia. E por conta disso, tenho sempre um pontual conceito destas ideias que se mostraram infelizes.

    Eu me preocupo com aqueles que colocam a sua esperança em ideais milagrosos, que não dialogam e querem impor a força as suas mágicas soluções políticas. Pois são estes que ao chegar no poder, na maioria das vezes, praticam as mais cruéis atrocidades. 

    BIBLIOGRAFIA

    MISES, Ludwig. Von. Marxismo Desmascarado. 1. ed. Campinas: Vide Editorial, 2016.

  • O ÓBVIO INAUDÍVEL

    Não é incomum mergulharmos em uma atividade e não percebermos as falhas e pontos que precisamos melhorar. As vezes o foco e a disciplina em fazer algo, nos trai e não nos deixa vermos as imperfeições por conta da motivação momentânea, ainda mais se você faz algo que gosta muito. Eu mesmo, já escrevi alguns textos repetidos, já que eram temas nos quais eu gostava e fui perceber apenas depois, sendo que críticas honestas me ajudaram justamente neste sentido. Um olhar de alguém que está de fora do projeto, pode se mostrar como uma ferramenta acurada contra tais equívocos.

    Uma crítica tem o poder de ser o que você permite que ela seja. Mesmo aquelas observações que tocam o seu ego, se você souber receber ela servirá como ponte ou como aquele despertador que não deixa você perder o seu compromisso. O desafio é escutar, pois nem sempre estamos dispostos ou preparados para receber tais opiniões. Acordar é importante, mas alguns sonos são confortáveis demais, requer muita força para aceitarmos e abrirmos os olhos.  

    Não são todas as pessoas que conseguem receber uma crítica sem se sentirem incomodados, alguns se sentem realmente ofendidos até pelas observações mais respeitosas que alguém faz. Sendo que são justamente estes que têm a gana de se justificarem quando ouvem algo, justamente por não conseguirem parar para ouvir e refletir.

    Mas também existem aqueles períodos que não estamos bem e não conseguimos receber uma crítica. Mesmo para aqueles que aprenderam a ouvir, que praticam o autoconhecimento e a escuta. As dificuldades e desafios as vezes nos tiram do nosso normal, transformando algo corriqueiro, que estamos acostumados a fazer, como escutar por exemplo, em um desafio realmente grande.

    Nem sempre percebemos a realidade a nossa volta, é comum acreditarmos estar vendo a paisagem, sem perceber a miragem nos enganando. Com isso, é possível alguém buscar viver uma vida relevante, sem se atentar para todas as suas contradições. Por isso, estou sempre aberto as críticas, elas em alguns momentos, nos marcam, mas também nos acordam, já que nem tudo para nós é óbvio.

    O termo óbvio significa algo que nos salta a vista, que para nós é muito claro, a questão é que nem sempre é para o próximo. Muitas vezes não percebemos a miragem nos enganando, até vermos tudo dar errado. Isso quando não culpamos o outro pelo erro, sem perceber que estamos deixando de assumir a responsabilidade. E se você não assume a responsabilidade, também não muda.

    Ouvir é sempre um desafio, uma crítica então, termina por ser uma missão ainda maior, pois separar os joios das críticas sábias e honestas, ou as observações sem sentido e fruto de motivações negativas das opiniões boas, são sempre difíceis.

    Creio que não levar algo que alguém fala, para o lado pessoal, é um bom ponto de partida. Busco ouvir a opinião sempre com este olhar, entendendo que alguém está falando da minha atividade e não do meu caráter. Muitos se descontroem com uma crítica, justamente por levar para o lado pessoal, com isso, deixam de ouvir e tirar qualquer lição da observação feita.

    Outra coisa que eu faço é refletir sobre as observações em si, sem me preocupar se o que a pessoa falou foi em um sentido negativo ou não. Creio que até uma observação com intenção má, pode haver algum fundo de verdade, por isso que, refletir e buscar tirar uma lição, é uma atitude inteligente.

    Por fim relaxe, uma crítica não é o fim do mundo, a verdadeira catástrofe é não ouvir e precisar lidar com um fracasso. E por mais que os erros ensinem, é legal acertar, ninguém entra em uma empreitada para errar.

  • NAUFRAGANDO NOS EXCESSOS

    “A raposa sabe muitas coisas, mas o ouriço sabe uma coisa importante ” (Arquíloco) (MCKEOWN, 2021, p. 186).

    Nestes nossos dias de excessos, percebemos algumas verdades, que na prática nós já sabemos, mas que constantemente esquecemos, talvez por conta da distração ou pelo acúmulo de informações e a tal verdade é: “A quantidade nunca foi importante”.

    O mundo mudou por conta da tecnologia, isso não temos dúvidas, a questão é que este milagroso e importante acesso a informações, demandou outra importante necessidade, que são os critérios. Sem critérios, é possível nos perder neste mar de informações. E a curiosa frase do poeta grego Arquíloco suscita justamente está lição: a qualidade do que sabemos ou o foco em entender e mergulhar no que realmente importa, é o ponto fundamental.

    Eu gosto de fábulas, creio que é a forma mais pedagógica de aprendermos uma lição, e a fábula “A Lebre e a Tartaruga”, de Esopo, é uma daquelas que possui um grande ensinamento.

    Na conhecida fábula, a tartaruga ganha da lebre, tudo e porque a tartaruga tinha muito mais foco e constância. A lebre era muito mais capaz, era mais rápida e com isso ganharia a corrida de forma bem mais tranquila, mas não ganhou, pois faltou foco.

    Vivemos em um tempo onde sabemos de muita coisa, aprendemos a toda a hora e com uma facilidade grande, acompanhamos notícias em tempo real, mas seguimos perdidos, naufragando neste oceano de informações, pois sabemos de tudo, mas não entendemos as coisas que realmente importam.

    Eu nunca liguei para a quantidade, ela em momento algum foi o meu ponto de partida, eu acredito mais na qualidade, naqueles passos lentos, porém precisos e relevantes. O excesso de títulos acadêmicos, de likes ou de bugigangas que compramos esconde uma superficialidade, quando vivemos apenas para estas coisas.

    Não é curioso constatar como o ser humano tem ficado cada vez mais doente, ansioso ou depressivo, mesmo podendo lançar mão de tantas coisas? Isso prova que com os avanços, precisamos criar pontos de partidas mais eficazes para não sermos prejudicados por coisas, que a princípio, são boas, mas que não estamos sabendo usar.

    Procure o que realmente importa e mergulhe nisso, a quantidade nunca foi um ponto fundamental. Aprenda a se dedicar as coisas relevantes e a realmente desfrutar de algo.

    Quando eu digo que busco viver uma vida simples, escolhendo apenas as coisas que são essenciais, eu quero afirmar que eu busco viver assim em todas as áreas da minha vida. Eu procuro seguir um padrão financeiro equilibrado, me dedicar apenas as oportunidades que importam e estudar apenas as coisas essenciais para mim, na medida do possível é claro. Nunca liguei em ter muito, sejam coisas, diplomas ou oportunidades, e sim, ter as coisas que valem a pena ou obter apenas aquele conhecimento duradouro e relevante. Ter só por ter ou estudar apenas para poder pendurar na parede um diploma, é seguir com as motivações erradas.

    Quem muito tem, aproveita pouco, é impossível usar todas as coisas, roupas ou equipamentos que compramos ao mesmo tempo. Quem sabe muito não é aquele que sabe de tudo, mas aquele que busca ser relevante em sua área, que procura conhecer e mergulhar no saber de forma eficaz e assertiva.

    Por isso, livre-se dos excessos e aprenda a se dedicar as coisas que valem a pena, aprenda a ter critérios e desta forma, não naufragar no mar de excessos!

    BIBLIOGRAFIA

    MCKEOWN, Greg. Sem esforço: Torne mais fácil o que é mais importante. 1. ed. Rio de Janeiro, Sextante, 2021.

  • DISCORDÂNCIA ALEATÓRIA

    Após uma semana corrida, tirei o meu final de semana para ler um livro bem tranquilo, o autor era ótimo, mas o conteúdo não era acadêmico. É bom sempre alternarmos livros mais densos com alguns um pouco mais fáceis de ler, costumo fazer isso sempre.

    Já quase no final do dia e após ler uma boa parte do livro, posto a foto da capa como sugestão de leitura aos seguidores das minhas redes sociais. Eu gosto de compartilhar boas obras para colaborar com a divulgação de bons conteúdos. Mas logo após a postagem, recebo a minha primeira crítica, coisa um tanto quanto comum para quem produz conteúdos na internet. São muitos os que criticam, mas poucos que propõem temas e conteúdos expressivos.

    O seguidor considerava o livro fraco e irrelevante, e é claro que ele tem todo o direito de opinar e inclusive ter tal opinião. Nem tudo o que lemos agrada o próximo e é normal alguém que tem uma maior expertise em uma área, conhecer autores melhores e com mais repertório. Com isso, fiz o que eu sempre faço ao receber uma crítica deste nível, pedi para o seguidor sugerir um autor melhor. O que ele acabou não fazendo.

    É comum as pessoas criticarem, é normal discordarem de um gosto pessoal, mas o que eu mais tenho visto são pessoas que criticam apenas por criticar. Ou mesmo avaliam um autor pela sua opinião política, religião ou coisas semelhantes ao invés de analisar pelo conteúdo.

    Quando estou buscando entender algo, costumo ler autores que possuem opiniões bem opostas à minha. Gosto de entender o ponto de partida que o pensador toma ao discordar de um determinado viés, e com esta prática, aprendo muito mais e em alguns casos, revejo a minha opinião e ponto de vista.

    Não tenho problema algum com ideias opostas, o meu problema são as críticas sem fundamentos ou mesmo rasas. Ou aquelas opiniões que possuem um cunho mais político do que de conteúdo, como mencionei. Eu posso discordar da opinião política de qualquer autor ou pensador, mas é errado não aceitar um ponto verdadeiro, tudo e porque eu não concordo com a sua escolha pessoal.

    Vivemos em um tempo onde discordar é um crime, muitos se ofendem quando alguém discorda. Contudo, muitos discordam sem qualquer justificativa plausível para tal ato.

    Discordar é fundamental, mas tal discordância deve ter como ponto de partida o conceito que está sendo discutido e não a escolha política ou a religião de quem opinou. E acima de tudo, se você considera algo irrelevante, você deve com isso, ter um parâmetro melhor, um livro melhor ou autor muito mais especializado e por isso, precisará discorrer sobre o assunto com alguma fundamentação visto que a sua opinião é embasada. Mas se você não consegue ou mesmo não lhe vem à mente qualquer autor ou livro, repense a sua opinião e reflita, para ver se você não está sendo traído por uma falsa opinião de si e de seu ponto de vista.

    Uma boa opinião é fruto de um bom momento e tempo reflexão, da busca por informação e ótimas referências. É perigoso opinar sem conhecer, visto que você sem perceber, pode estar sendo superficial.

    Quem busca entender um assunto, opina com propriedade e consegue fazer uma crítica equilibrada e assertiva, saindo do senso comum ou da argumentação rasa. E conhecer ótimos autores é uma das provas que alguém pesquisou sobre determinado conceito.

    É evidente que precisamos ter opinião própria, mas antes é fundamental conhecer, partindo das referências, estudos, autores clássicos e contemporâneos sobre o tema. Esta é a atitude básica de quem opina de forma relevante, o que passa disso é senso comum.

    Falar sem conhecer é opinar sem propriedade!

  • A MENTIRA OFICIAL

    “Tirando os massacres, as mortes e as fomes pelas quais o comunismo foi responsável, a pior coisa do sistema era a mentira oficial, isto é, a mentira de que todos eram obrigados a participar, por repetição, por consentimento ou por não contradizê-la” (DALRYMPLE, 2017, p. 9-10).

    Temo por um governo onde a liberdade não exista, eu acredito em um país onde todos possam ter a autonomia de falar, crer ou seguir a ideologia que bem entendem, desde que tal pensamento não prejudique a liberdade do outro.

    É fundamental entendermos, quando falamos de política, que o pensamento oposto, o contraditório, a oposição devem existir, para que o equilíbrio na forma de pensar possa se fazer presente e a política siga bem longe do totalitarismo. E quando falamos de governos totalitários, discorremos justamente sobre a falta de liberdade de uma política que não permite oposição.

    A mentira oficial é aquele discurso ensaiado para maquiar uma realidade, é quando você obriga as pessoas a repetirem um mantra para dar a entender que tudo está bem ou mesmo para proporcionar as pessoas a sensação de que tudo está funcionando como deveria funcionar.

    Há algum tempo, em um período que eu estava sem trabalho, prestei serviço em um hotel e neste lugar conheci um Chinês que adorava o Brasil e toda a liberdade e oportunidade que o país proporcionava. Mas quando ele falava sobre a China ele dizia que lá esta liberdade não deveria existir, pois ele acreditava que era só tolhendo a liberdade e controlando as pessoas que o seu país seguiria crescendo. Imagine só, o rapaz vivia bem no Brasil, mas acreditava na mentira oficial, que justificava o regime opressor do seu país.

    No livro Viagens aos confins do comunismo, Theodore Dalrymple descreve uma série de viagens a países comunistas, constatando por experiência própria, a realidade de quem vive em tais regimes opressores. É triste ler suas narrativas ao mesmo tempo que eu reforço a minha repulsa por tais regimes totalitários. Durante a sua narrativa, ele descrevia a fome e a extrema necessidade que as pessoas passavam, ao mesmo tempo que percebia que existia uma mentira oficial que estava estampada em todos os lugares e falas, dando a falsa sensação de paz, harmonia e crescimento.

    Existe uma mentira oficial que tenta estampar uma falsa verdade sobre o comunismo. Muitos veem tal ideologia política como a solução, mas se esquecem que a história mostra que onde o comunismo passou, ele fracassou, ele matou e dirimiu o direito das pessoas perguntarem e questionarem. E o pior, também não era permitido cultuar, ter uma religião ou fé. Seguir as orientações do estado não era uma opção e sim, uma obrigação, caso você quisesse seguir vivo.

    O capitalismo não é perfeito e o objetivo da série de textos não é exaltar tal sistema econômico e sim, mostrar que o que alguns veem como uma solução, na verdade é uma armadilha.

    Em todos os lugares que o comunismo passou a opressão se fez presente, além da fome, miséria e falta. Não vivemos no paraíso, muitos em nosso país precisam ser atendidos e cuidados, mas a liberdade que temos não tem preço.

    É só quando lemos como as pessoas vivem em tais regimes que olhamos para a nossa vida e percebemos como somos privilegiados. Não há nada mais opressor que ser obrigado a repetir uma mentira, enquanto a injustiça circunda pelo país comunista.

    BIBLIOGRAFIA

    DALRYMPLE, Theodore. Viagens aos confins do comunismo. 1. ed. São Paulo: É Realizações, 2017.

  • RESPONDER SEM ESCUTAR

    “Quem responde antes de ouvir, comete insensatez e passa vergonha” (Provérbios 18:13).

    Gosto de livros e palestras sobre inteligência emocional, considero fundamental desenvolvermos esta parte da nossa inteligência e saber ouvir, é um dos assuntos mais interessantes deste tema. A minha crítica apenas é que só nos ensinam a ouvir, ninguém nos ensina a escapar daquelas pessoas que não param de falar nunca, que transformam uma conversa em um monólogo e não conseguem ouvir em momento algum.

    É muito bom falar e discorrer sobre um assunto e também é ótimo ouvir quem entende de um determinado tema. Mas uma conversa é sempre uma via de mão dupla, nós falamos e precisamos também ouvir.

    Você já notou como muitos estão sempre prontos a responder? Parece que mal terminamos de falar e a pessoa já responde, sendo que, em alguns momentos nós nem terminamos e a pessoa já está emitindo a sua opinião. Ela não ouviu e muito menos refletiu sobre o que está sendo dito e já tem uma resposta. Muitos parecem querer falar apenas por falar, para serem ouvidas, como se fosse uma necessidade urgente.

    Quando a língua é mais rápida que a mente, a vergonha é certa. E respostas das mais estranhas aparecem para comprometer quem responde, por conta da falta de capacidade de ouvir, parar e refletir. Aprendi que falar é legal, mas refletir e pensar é fundamental para não falarmos incoerências. Muito mais do que apenas tagarelar, precisamos ser assertivos e ter propriedade no que falamos. Provérbios 17:27 diz:

    “Quem tem conhecimento é comedido no falar, e quem tem entendimento é de espírito sereno” (NVI).

    Quem realmente tem conhecimento, é comedido, sabe ponderar e pensar. Quem muito fala, pensa pouco, justamente por não conhecer e se ater a teorias e conceitos oriundos do senso comum.

    Conversar é muito bom, a troca de experiências, conhecimento e vivências é ouro em uma conversa, isso quando o interlocutor é sensato, quando pondera a sua fala e é sempre pronto a ouvir. Infelizmente quando isso não existe a conversa se torna cansativa.

    Eu vou ainda mais longe, quem tenta teorizar tudo e arranjar soluções, que em sua maioria não funcionam, certamente não sabe do que está falando. Quem tem conhecimento percebe como alguns detalhes ou conceitos são muito mais complexos do que imaginamos. Quanto mais conhecemos, mais nos calamos, refletimos e percebemos as variações e pensamentos opostos de um assunto.

    Ouvir é um elemento fundamental em uma conversa e o falar, deve estar acompanhado da reflexão, do comedimento e da honestidade em admitir que não conhecemos alguns assuntos. Falar apenas por falar ou para alimentar a necessidade de ser ouvido é perigoso, além de não nos dar frutos.

    Aprenda a falar bem, com propriedade, mas aprenda também a ouvir e refletir sobre as coisas que alguém está falando, este é o caminho do bom diálogo.

  • PERDÃO LIBERTADOR

    “Quando nos livramos de nossa necessidade de punir quem nos magoou, não é o culpado que se liberta. Somos nós” (MCKEOWN, 2021, p. 78).

    Quando eu era novo eu errei muito, principalmente com os meus familiares, tomei decisões impensadas e agi por impulso várias vezes. Sendo que eu fui revisitar minhas atitudes e buscar mudar, muito tempo depois. E nesse ínterim, magoei muitas pessoas.

    Não é legal magoar pessoas e muito menos é interessante errar, ninguém pede para errar, mas nós cometemos erros, justamente porque acreditamos estar certos. Este é o maior problema.

    É claro que com o tempo e conforme a “ficha” comecava a cair, eu fui procurando os amigos e familiares para pedir perdão. Mas alguns deles nunca me perdoaram. Seguiram resolutos com suas mágoas e rancores.

    Aparentemente a falta de perdão soa até como uma atitude justa, de quem não aceita injustiças ou mesmo de alguém que se considera forte, que possui opinião e está de posse da verdade. E em alguns casos, podemos até ter razão, mas a verdade é que a atitude não é justa, visto que todo mundo erra. Não perdoar é acreditar estar em um nível de perfeição que não existe aqui na terra. Em segundo lugar, a falta de perdão é a consequência de quem não sabe resolver uma situação complicada. E perdoar é mais que resolver, é se curar e colocar um ponto final em um determinado problema.

    A falta de perdão é um problema, principalmente porque ele vira uma âncora, um veneno que tomamos sem percebermos. Perdoar não é só cumprir um mandamento de Deus (Colossenses 3:13-14), mas também é se libertar, é tirar o peso do pé e seguir mais leve.

    Quem perdoa e quem recebe o perdão, na verdade se cura, estanca um sangramento que só nos enfraquece e nos destrói. Não perdoar é carregar um problema durante a caminhada, uma bagagem que só atrapalha, e nos impede de seguirmos mais tranquilos, rumo ao verdadeiro alvo.

    Tive estes problemas de família e carreguei durante um tempo algumas mágoas. A mais breve lembrança de algumas pessoas, me deixava com raiva e fazia com que todo o problema viesse à tona.

    Quando eu perdoei e consegui resolver a questão, consegui ver o acontecido por outros ângulos e até percebi de forma clara, os meus erros. É como se eu observasse o acontecido através de outra narrativa e percebesse que eu também tinha culpa.

    A falta de perdão tem este poder de fechar a nossa visão, perdoar já nos liberta e amplia a nossa mente. É claro que algumas coisas nós não temos culpa, eu sei bem disso, mas perdoar é comunicar a verdade que “Todo mundo erra”, e por conta deste fato, precisamos ter a humildade de perdoar, já que mais dia ou menos dia, somos nós que pediremos perdão.

    BIBLIOGRAFIA

    MCKEOWN, Greg. Sem esforço: Torne mais fácil o que é mais importante. 1. ed. Rio de Janeiro, Sextante, 2021.

  • TEORIAS ABSTRATAS

    “No comunismo, verde é a árvore da teoria, mas cinza é a vida” (DALRYMPLE, 2017, p. 111).

    Eu sou professor e pesquisador e a todo o momento busco estar em contato com bons livros, pesquisas relevantes e toda a teoria que já foi construída. Procuro conhecer tudo o que há de relevante, mas também tento sempre que possível unir a teoria com a prática, resumindo em uma teoria que gere resultados palpáveis.

    A teoria sem a prática serve apenas para afagar o ego, entender que existem problemas que estão distantes das ações teóricas é fundamental para construirmos ações relevantes. Gosto do termo práxis, que é uma prática que caminha, que se contextualiza gerando frutos concretos e coerentes. São muitas as teorias abstratas, que não estão presentes na realidade da vida, apenas nos livros e estatísticas equivocadas. 

    Ao estudar sobre o totalitarismo me deparei com algumas destas teorias abstratas, que anunciavam a importância de construirmos um mundo igualitário, justo e com oportunidades para todos, mas onde na teoria, se mostrava outro. Na teoria, o comunismo é uma ideologia que busca construir um mundo melhor e igualitário, na prática, ele se mostra um tirano, que não consegue conviver com a opinião contrária.

    Algumas teorias comunistas são até interessantes. É legal, nesse nosso mundo injusto e de muita miséria, imaginar um lugar onde todos têm o suficiente para viver, ninguém passa fome ou perece na rua por falta de moradia. Um mundo assim é um paraíso, um lugar onde a bondade segue sendo o ponto central da vida é fenomenal. Mas na prática nunca é assim.

    Em todos os lugares onde o comunismo se estabeleceu a teoria poderia ser até que bonita, mas a prática não era esta. Imposição, miséria e fome, eram as evidências mais comuns para quem visitava estes lugares. Sem contar com o fato de que ninguém poderia dar uma opinião que fosse contrário ao da política dominante. Uma sociedade onde ninguém pode opinar ou mesmo ter uma opinião diferente, não deveria existir, com isso, não entendo como alguém ainda defende um regime político destes. Talvez por ignorância ou mesmo por opinião equivocada.

    Precisamos aprender a sair da teoria e buscar uma sociedade onde a equidade esteja presente. Não sou contra os ricos, mas sou a favor que todos tenham o acesso ao básico para se viver com dignidade. E para isso, olhar para as pessoas e propor soluções práticas é a única saída.

    O comunismo até cria um mundo igual, mas no sentido totalmente negativo. É uma sociedade onde na prática, a oposição não tem vez e nem voz. Um mundo assim é inaceitável. A liberdade, acima de tudo, deve ser o ponto de partida de uma sociedade honesta. Poder falar, opinar e divergir, é o direito de todos, por isso que o comunismo é uma linha de pensamento que não deveria existir. E não é por ser uma linha política diferente da minha e sim, porque na prática, ela cala todas as opiniões.

    O diálogo deve ser sempre o ponto de partida, quem cala o opositor, mais cedo ou mais tarde, calará todas as outras opiniões!

    BIBLIOGRAFIA

    DALRYMPLE, Theodore. Viagens aos confins do comunismo. 1. ed. São Paulo: É Realizações, 2017.