-
NAUFRAGANDO NOS EXCESSOS
“A raposa sabe muitas coisas, mas o ouriço sabe uma coisa importante ” (Arquíloco) (MCKEOWN, 2021, p. 186).
Nestes nossos dias de excessos, percebemos algumas verdades, que na prática nós já sabemos, mas que constantemente esquecemos, talvez por conta da distração ou pelo acúmulo de informações e a tal verdade é: “A quantidade nunca foi importante”.
O mundo mudou por conta da tecnologia, isso não temos dúvidas, a questão é que este milagroso e importante acesso a informações, demandou outra importante necessidade, que são os critérios. Sem critérios, é possível nos perder neste mar de informações. E a curiosa frase do poeta grego Arquíloco suscita justamente está lição: a qualidade do que sabemos ou o foco em entender e mergulhar no que realmente importa, é o ponto fundamental.
Eu gosto de fábulas, creio que é a forma mais pedagógica de aprendermos uma lição, e a fábula “A Lebre e a Tartaruga”, de Esopo, é uma daquelas que possui um grande ensinamento.
Na conhecida fábula, a tartaruga ganha da lebre, tudo e porque a tartaruga tinha muito mais foco e constância. A lebre era muito mais capaz, era mais rápida e com isso ganharia a corrida de forma bem mais tranquila, mas não ganhou, pois faltou foco.
Vivemos em um tempo onde sabemos de muita coisa, aprendemos a toda a hora e com uma facilidade grande, acompanhamos notícias em tempo real, mas seguimos perdidos, naufragando neste oceano de informações, pois sabemos de tudo, mas não entendemos as coisas que realmente importam.
Eu nunca liguei para a quantidade, ela em momento algum foi o meu ponto de partida, eu acredito mais na qualidade, naqueles passos lentos, porém precisos e relevantes. O excesso de títulos acadêmicos, de likes ou de bugigangas que compramos esconde uma superficialidade, quando vivemos apenas para estas coisas.
Não é curioso constatar como o ser humano tem ficado cada vez mais doente, ansioso ou depressivo, mesmo podendo lançar mão de tantas coisas? Isso prova que com os avanços, precisamos criar pontos de partidas mais eficazes para não sermos prejudicados por coisas, que a princípio, são boas, mas que não estamos sabendo usar.
Procure o que realmente importa e mergulhe nisso, a quantidade nunca foi um ponto fundamental. Aprenda a se dedicar as coisas relevantes e a realmente desfrutar de algo.
Quando eu digo que busco viver uma vida simples, escolhendo apenas as coisas que são essenciais, eu quero afirmar que eu busco viver assim em todas as áreas da minha vida. Eu procuro seguir um padrão financeiro equilibrado, me dedicar apenas as oportunidades que importam e estudar apenas as coisas essenciais para mim, na medida do possível é claro. Nunca liguei em ter muito, sejam coisas, diplomas ou oportunidades, e sim, ter as coisas que valem a pena ou obter apenas aquele conhecimento duradouro e relevante. Ter só por ter ou estudar apenas para poder pendurar na parede um diploma, é seguir com as motivações erradas.
Quem muito tem, aproveita pouco, é impossível usar todas as coisas, roupas ou equipamentos que compramos ao mesmo tempo. Quem sabe muito não é aquele que sabe de tudo, mas aquele que busca ser relevante em sua área, que procura conhecer e mergulhar no saber de forma eficaz e assertiva.
Por isso, livre-se dos excessos e aprenda a se dedicar as coisas que valem a pena, aprenda a ter critérios e desta forma, não naufragar no mar de excessos!
BIBLIOGRAFIA
MCKEOWN, Greg. Sem esforço: Torne mais fácil o que é mais importante. 1. ed. Rio de Janeiro, Sextante, 2021.
-
DISCORDÂNCIA ALEATÓRIA
Após uma semana corrida, tirei o meu final de semana para ler um livro bem tranquilo, o autor era ótimo, mas o conteúdo não era acadêmico. É bom sempre alternarmos livros mais densos com alguns um pouco mais fáceis de ler, costumo fazer isso sempre.
Já quase no final do dia e após ler uma boa parte do livro, posto a foto da capa como sugestão de leitura aos seguidores das minhas redes sociais. Eu gosto de compartilhar boas obras para colaborar com a divulgação de bons conteúdos. Mas logo após a postagem, recebo a minha primeira crítica, coisa um tanto quanto comum para quem produz conteúdos na internet. São muitos os que criticam, mas poucos que propõem temas e conteúdos expressivos.
O seguidor considerava o livro fraco e irrelevante, e é claro que ele tem todo o direito de opinar e inclusive ter tal opinião. Nem tudo o que lemos agrada o próximo e é normal alguém que tem uma maior expertise em uma área, conhecer autores melhores e com mais repertório. Com isso, fiz o que eu sempre faço ao receber uma crítica deste nível, pedi para o seguidor sugerir um autor melhor. O que ele acabou não fazendo.
É comum as pessoas criticarem, é normal discordarem de um gosto pessoal, mas o que eu mais tenho visto são pessoas que criticam apenas por criticar. Ou mesmo avaliam um autor pela sua opinião política, religião ou coisas semelhantes ao invés de analisar pelo conteúdo.
Quando estou buscando entender algo, costumo ler autores que possuem opiniões bem opostas à minha. Gosto de entender o ponto de partida que o pensador toma ao discordar de um determinado viés, e com esta prática, aprendo muito mais e em alguns casos, revejo a minha opinião e ponto de vista.
Não tenho problema algum com ideias opostas, o meu problema são as críticas sem fundamentos ou mesmo rasas. Ou aquelas opiniões que possuem um cunho mais político do que de conteúdo, como mencionei. Eu posso discordar da opinião política de qualquer autor ou pensador, mas é errado não aceitar um ponto verdadeiro, tudo e porque eu não concordo com a sua escolha pessoal.
Vivemos em um tempo onde discordar é um crime, muitos se ofendem quando alguém discorda. Contudo, muitos discordam sem qualquer justificativa plausível para tal ato.
Discordar é fundamental, mas tal discordância deve ter como ponto de partida o conceito que está sendo discutido e não a escolha política ou a religião de quem opinou. E acima de tudo, se você considera algo irrelevante, você deve com isso, ter um parâmetro melhor, um livro melhor ou autor muito mais especializado e por isso, precisará discorrer sobre o assunto com alguma fundamentação visto que a sua opinião é embasada. Mas se você não consegue ou mesmo não lhe vem à mente qualquer autor ou livro, repense a sua opinião e reflita, para ver se você não está sendo traído por uma falsa opinião de si e de seu ponto de vista.
Uma boa opinião é fruto de um bom momento e tempo reflexão, da busca por informação e ótimas referências. É perigoso opinar sem conhecer, visto que você sem perceber, pode estar sendo superficial.
Quem busca entender um assunto, opina com propriedade e consegue fazer uma crítica equilibrada e assertiva, saindo do senso comum ou da argumentação rasa. E conhecer ótimos autores é uma das provas que alguém pesquisou sobre determinado conceito.
É evidente que precisamos ter opinião própria, mas antes é fundamental conhecer, partindo das referências, estudos, autores clássicos e contemporâneos sobre o tema. Esta é a atitude básica de quem opina de forma relevante, o que passa disso é senso comum.
Falar sem conhecer é opinar sem propriedade!
-
A MENTIRA OFICIAL
“Tirando os massacres, as mortes e as fomes pelas quais o comunismo foi responsável, a pior coisa do sistema era a mentira oficial, isto é, a mentira de que todos eram obrigados a participar, por repetição, por consentimento ou por não contradizê-la” (DALRYMPLE, 2017, p. 9-10).
Temo por um governo onde a liberdade não exista, eu acredito em um país onde todos possam ter a autonomia de falar, crer ou seguir a ideologia que bem entendem, desde que tal pensamento não prejudique a liberdade do outro.
É fundamental entendermos, quando falamos de política, que o pensamento oposto, o contraditório, a oposição devem existir, para que o equilíbrio na forma de pensar possa se fazer presente e a política siga bem longe do totalitarismo. E quando falamos de governos totalitários, discorremos justamente sobre a falta de liberdade de uma política que não permite oposição.
A mentira oficial é aquele discurso ensaiado para maquiar uma realidade, é quando você obriga as pessoas a repetirem um mantra para dar a entender que tudo está bem ou mesmo para proporcionar as pessoas a sensação de que tudo está funcionando como deveria funcionar.
Há algum tempo, em um período que eu estava sem trabalho, prestei serviço em um hotel e neste lugar conheci um Chinês que adorava o Brasil e toda a liberdade e oportunidade que o país proporcionava. Mas quando ele falava sobre a China ele dizia que lá esta liberdade não deveria existir, pois ele acreditava que era só tolhendo a liberdade e controlando as pessoas que o seu país seguiria crescendo. Imagine só, o rapaz vivia bem no Brasil, mas acreditava na mentira oficial, que justificava o regime opressor do seu país.
No livro Viagens aos confins do comunismo, Theodore Dalrymple descreve uma série de viagens a países comunistas, constatando por experiência própria, a realidade de quem vive em tais regimes opressores. É triste ler suas narrativas ao mesmo tempo que eu reforço a minha repulsa por tais regimes totalitários. Durante a sua narrativa, ele descrevia a fome e a extrema necessidade que as pessoas passavam, ao mesmo tempo que percebia que existia uma mentira oficial que estava estampada em todos os lugares e falas, dando a falsa sensação de paz, harmonia e crescimento.
Existe uma mentira oficial que tenta estampar uma falsa verdade sobre o comunismo. Muitos veem tal ideologia política como a solução, mas se esquecem que a história mostra que onde o comunismo passou, ele fracassou, ele matou e dirimiu o direito das pessoas perguntarem e questionarem. E o pior, também não era permitido cultuar, ter uma religião ou fé. Seguir as orientações do estado não era uma opção e sim, uma obrigação, caso você quisesse seguir vivo.
O capitalismo não é perfeito e o objetivo da série de textos não é exaltar tal sistema econômico e sim, mostrar que o que alguns veem como uma solução, na verdade é uma armadilha.
Em todos os lugares que o comunismo passou a opressão se fez presente, além da fome, miséria e falta. Não vivemos no paraíso, muitos em nosso país precisam ser atendidos e cuidados, mas a liberdade que temos não tem preço.
É só quando lemos como as pessoas vivem em tais regimes que olhamos para a nossa vida e percebemos como somos privilegiados. Não há nada mais opressor que ser obrigado a repetir uma mentira, enquanto a injustiça circunda pelo país comunista.
BIBLIOGRAFIA
DALRYMPLE, Theodore. Viagens aos confins do comunismo. 1. ed. São Paulo: É Realizações, 2017.
-
RESPONDER SEM ESCUTAR
“Quem responde antes de ouvir, comete insensatez e passa vergonha” (Provérbios 18:13).
Gosto de livros e palestras sobre inteligência emocional, considero fundamental desenvolvermos esta parte da nossa inteligência e saber ouvir, é um dos assuntos mais interessantes deste tema. A minha crítica apenas é que só nos ensinam a ouvir, ninguém nos ensina a escapar daquelas pessoas que não param de falar nunca, que transformam uma conversa em um monólogo e não conseguem ouvir em momento algum.
É muito bom falar e discorrer sobre um assunto e também é ótimo ouvir quem entende de um determinado tema. Mas uma conversa é sempre uma via de mão dupla, nós falamos e precisamos também ouvir.
Você já notou como muitos estão sempre prontos a responder? Parece que mal terminamos de falar e a pessoa já responde, sendo que, em alguns momentos nós nem terminamos e a pessoa já está emitindo a sua opinião. Ela não ouviu e muito menos refletiu sobre o que está sendo dito e já tem uma resposta. Muitos parecem querer falar apenas por falar, para serem ouvidas, como se fosse uma necessidade urgente.
Quando a língua é mais rápida que a mente, a vergonha é certa. E respostas das mais estranhas aparecem para comprometer quem responde, por conta da falta de capacidade de ouvir, parar e refletir. Aprendi que falar é legal, mas refletir e pensar é fundamental para não falarmos incoerências. Muito mais do que apenas tagarelar, precisamos ser assertivos e ter propriedade no que falamos. Provérbios 17:27 diz:
“Quem tem conhecimento é comedido no falar, e quem tem entendimento é de espírito sereno” (NVI).
Quem realmente tem conhecimento, é comedido, sabe ponderar e pensar. Quem muito fala, pensa pouco, justamente por não conhecer e se ater a teorias e conceitos oriundos do senso comum.
Conversar é muito bom, a troca de experiências, conhecimento e vivências é ouro em uma conversa, isso quando o interlocutor é sensato, quando pondera a sua fala e é sempre pronto a ouvir. Infelizmente quando isso não existe a conversa se torna cansativa.
Eu vou ainda mais longe, quem tenta teorizar tudo e arranjar soluções, que em sua maioria não funcionam, certamente não sabe do que está falando. Quem tem conhecimento percebe como alguns detalhes ou conceitos são muito mais complexos do que imaginamos. Quanto mais conhecemos, mais nos calamos, refletimos e percebemos as variações e pensamentos opostos de um assunto.
Ouvir é um elemento fundamental em uma conversa e o falar, deve estar acompanhado da reflexão, do comedimento e da honestidade em admitir que não conhecemos alguns assuntos. Falar apenas por falar ou para alimentar a necessidade de ser ouvido é perigoso, além de não nos dar frutos.
Aprenda a falar bem, com propriedade, mas aprenda também a ouvir e refletir sobre as coisas que alguém está falando, este é o caminho do bom diálogo.
-
PERDÃO LIBERTADOR
“Quando nos livramos de nossa necessidade de punir quem nos magoou, não é o culpado que se liberta. Somos nós” (MCKEOWN, 2021, p. 78).
Quando eu era novo eu errei muito, principalmente com os meus familiares, tomei decisões impensadas e agi por impulso várias vezes. Sendo que eu fui revisitar minhas atitudes e buscar mudar, muito tempo depois. E nesse ínterim, magoei muitas pessoas.
Não é legal magoar pessoas e muito menos é interessante errar, ninguém pede para errar, mas nós cometemos erros, justamente porque acreditamos estar certos. Este é o maior problema.
É claro que com o tempo e conforme a “ficha” comecava a cair, eu fui procurando os amigos e familiares para pedir perdão. Mas alguns deles nunca me perdoaram. Seguiram resolutos com suas mágoas e rancores.
Aparentemente a falta de perdão soa até como uma atitude justa, de quem não aceita injustiças ou mesmo de alguém que se considera forte, que possui opinião e está de posse da verdade. E em alguns casos, podemos até ter razão, mas a verdade é que a atitude não é justa, visto que todo mundo erra. Não perdoar é acreditar estar em um nível de perfeição que não existe aqui na terra. Em segundo lugar, a falta de perdão é a consequência de quem não sabe resolver uma situação complicada. E perdoar é mais que resolver, é se curar e colocar um ponto final em um determinado problema.
A falta de perdão é um problema, principalmente porque ele vira uma âncora, um veneno que tomamos sem percebermos. Perdoar não é só cumprir um mandamento de Deus (Colossenses 3:13-14), mas também é se libertar, é tirar o peso do pé e seguir mais leve.
Quem perdoa e quem recebe o perdão, na verdade se cura, estanca um sangramento que só nos enfraquece e nos destrói. Não perdoar é carregar um problema durante a caminhada, uma bagagem que só atrapalha, e nos impede de seguirmos mais tranquilos, rumo ao verdadeiro alvo.
Tive estes problemas de família e carreguei durante um tempo algumas mágoas. A mais breve lembrança de algumas pessoas, me deixava com raiva e fazia com que todo o problema viesse à tona.
Quando eu perdoei e consegui resolver a questão, consegui ver o acontecido por outros ângulos e até percebi de forma clara, os meus erros. É como se eu observasse o acontecido através de outra narrativa e percebesse que eu também tinha culpa.
A falta de perdão tem este poder de fechar a nossa visão, perdoar já nos liberta e amplia a nossa mente. É claro que algumas coisas nós não temos culpa, eu sei bem disso, mas perdoar é comunicar a verdade que “Todo mundo erra”, e por conta deste fato, precisamos ter a humildade de perdoar, já que mais dia ou menos dia, somos nós que pediremos perdão.
BIBLIOGRAFIA
MCKEOWN, Greg. Sem esforço: Torne mais fácil o que é mais importante. 1. ed. Rio de Janeiro, Sextante, 2021.
-
TEORIAS ABSTRATAS
“No comunismo, verde é a árvore da teoria, mas cinza é a vida” (DALRYMPLE, 2017, p. 111).
Eu sou professor e pesquisador e a todo o momento busco estar em contato com bons livros, pesquisas relevantes e toda a teoria que já foi construída. Procuro conhecer tudo o que há de relevante, mas também tento sempre que possível unir a teoria com a prática, resumindo em uma teoria que gere resultados palpáveis.
A teoria sem a prática serve apenas para afagar o ego, entender que existem problemas que estão distantes das ações teóricas é fundamental para construirmos ações relevantes. Gosto do termo práxis, que é uma prática que caminha, que se contextualiza gerando frutos concretos e coerentes. São muitas as teorias abstratas, que não estão presentes na realidade da vida, apenas nos livros e estatísticas equivocadas.
Ao estudar sobre o totalitarismo me deparei com algumas destas teorias abstratas, que anunciavam a importância de construirmos um mundo igualitário, justo e com oportunidades para todos, mas onde na teoria, se mostrava outro. Na teoria, o comunismo é uma ideologia que busca construir um mundo melhor e igualitário, na prática, ele se mostra um tirano, que não consegue conviver com a opinião contrária.
Algumas teorias comunistas são até interessantes. É legal, nesse nosso mundo injusto e de muita miséria, imaginar um lugar onde todos têm o suficiente para viver, ninguém passa fome ou perece na rua por falta de moradia. Um mundo assim é um paraíso, um lugar onde a bondade segue sendo o ponto central da vida é fenomenal. Mas na prática nunca é assim.
Em todos os lugares onde o comunismo se estabeleceu a teoria poderia ser até que bonita, mas a prática não era esta. Imposição, miséria e fome, eram as evidências mais comuns para quem visitava estes lugares. Sem contar com o fato de que ninguém poderia dar uma opinião que fosse contrário ao da política dominante. Uma sociedade onde ninguém pode opinar ou mesmo ter uma opinião diferente, não deveria existir, com isso, não entendo como alguém ainda defende um regime político destes. Talvez por ignorância ou mesmo por opinião equivocada.
Precisamos aprender a sair da teoria e buscar uma sociedade onde a equidade esteja presente. Não sou contra os ricos, mas sou a favor que todos tenham o acesso ao básico para se viver com dignidade. E para isso, olhar para as pessoas e propor soluções práticas é a única saída.
O comunismo até cria um mundo igual, mas no sentido totalmente negativo. É uma sociedade onde na prática, a oposição não tem vez e nem voz. Um mundo assim é inaceitável. A liberdade, acima de tudo, deve ser o ponto de partida de uma sociedade honesta. Poder falar, opinar e divergir, é o direito de todos, por isso que o comunismo é uma linha de pensamento que não deveria existir. E não é por ser uma linha política diferente da minha e sim, porque na prática, ela cala todas as opiniões.
O diálogo deve ser sempre o ponto de partida, quem cala o opositor, mais cedo ou mais tarde, calará todas as outras opiniões!
BIBLIOGRAFIA
DALRYMPLE, Theodore. Viagens aos confins do comunismo. 1. ed. São Paulo: É Realizações, 2017.
-
DESENFREADA VIDA
“O descanso é irmão da contemplação, enquanto a prosperidade é gêmea da ansiedade” (PONDÉ, 2019, p. 113).
Moro ao lado de um belo parque e nos dias em que eu tenho muitas coisas para fazer, eu tiro um tempo para caminhar na natureza, orar e relaxar, entre tantas coisas que podemos fazer nestes locais. Pode ser contraditório tirar um tempo justamente nos dias mais corridos, mas a questão é que as vezes a correria da vida, nos tira a concentração, as boas ideias ou a sanidade, que é justamente o que precisamos nestas horas.
Descobri na contemplação e no descanso, uma forma de me desligar deste mundo que não relaxa em minuto algum. Conseguindo assim, recarregar as baterias e descansar a mente de todos os estímulos desta nossa sociedade ansiosa. É durante a contemplação, o ócio criativo, ou mesmo durante uma pausa programada que nos recompomos.
A prosperidade, o excesso de atividades e trabalhos, nos tiram o equilíbrio, além de transformar a nossa vida em um ativismo maçante e constante, que só nos destrói e nos leva a falta de paz. É por isso que eu me obrigo a parar e relaxar constantemente, sendo este um dos hábitos que me protege desta ativista vida.
O segundo habito é colocar limites. Aprendi a viver com moderação e descobri o quão rico é uma vida moderada. Seja no consumismo desenfreado ou no ativismo constante. É preciso colocarmos limites, para que o que é bom, não vire um pesadelo. Pois o problema é, na maioria das vezes, o excesso. Ele tira não só a sua paz, mas também a criatividade, a vontade e a motivação de se dedicar a algo.
Veja bem, eu estudo, leio e escrevo muito, estas práticas já fazem parte da minha vida, mas procuro sempre ser comedido e separar um tempo para dar uma pausa, refletir, e contemplar o belo que nos cerca.
Fazer algo ou se dedicar a um sonho ou projeto, é algo muito bom e genuíno, a questão é quando aquilo norteia toda a sua vida, transformando você em um escravo daquela atividade.
Se você não aprender a colocar um limite em tudo, o próprio ativismo encarregará de empurrar você ladeira abaixo. Fazendo que você acorde em um poço, doente, sem paz e com muitos problemas.
Sem limites ou mesmo sem um pouco de ócio, perderemos todo o nosso tempo para o ativismo, sem perceber a vida passar e com ela toda a nossa criatividade e sanidade.
Por isso eu sempre digo: “Se você não aprender a parar, a falta de saúde fará isso por você!”.
BIBLIOGRAFIA
PONDÉ, Luiz Felipe, Filosofia do cotidiano: Um pequeno tratado sobre questões menores, Editora Contexto, São Paulo, 2019.
-
O PINHEIRO E A ARROGÂNCIA
O céu anunciava uma tempestade, do azul anil, um cinza surgiu acompanhado de um vento que proclamava a tormenta, sendo que os relâmpagos e trovões, coroavam o caos que viria em forma de tempestade.
Em um dia quente a chuva ajuda a regar algumas poucas árvores do quintal e também refrescar o ambiente, ela é ótima, mas as tempestades não são legais, pois com a água, ventos fortes e muita destruição podem acompanhar este fenômeno natural.
E enquanto escurecia ainda mais o céu, eu me acomodava na janela, me preparando para observar o grande espetáculo que a natureza iria proporcionar. E não demorou para junto com os ventos, a água surgir e molhar tudo em volta.
Durante o rugir dos ventos, uma das árvores se curva por conta do sopro da tempestade, o vento era tão forte que a janela tremia e a natureza fazia quase que uma reverência por causa da borrasca que passava, menos o pinheiro. Aquela grande árvore permanecia ilesa, apenas seus galhos acenavam e se moviam ante o vendaval, travando uma batalha épica com o furioso evento natural.
Quem não se curva, deve resistir ao vendaval, o problema é que nem sempre é possível aguentar a ventania. As vezes o forte é quem cede, é aquele que sabe ser flexível para não quebrar. Aprender a ceder, refletir e ponderar é a missão daqueles que sabem que dialogar é sempre o melhor caminho. O flexível não é alguém fraco e sim, uma pessoa que consegue se adaptar e ser maleável para não quebrar.
O pinheiro depois de um tempo caiu, pois no final, o vendaval insistente conseguiu vencer e derrubou aquela grande árvore, mostrando que ao invés de resistir, em muitos casos, ser flexível é a melhor saída. Quem não cede, quebra, é fácil quebrar quando não aprendemos a ceder.
Enquanto o pinheiro tombava, curvadas as outras árvores cediam ao vento, mas continuavam fortes. A resiliência é isso, é saber se adaptar, buscando sempre as melhores alternativas diante da vida.
A lição que a tempestade trouxe foi aprender que se curvar e não ceder é melhor que resistir e cair. Ser flexível é a saída daqueles que entendem que ceder nem sempre é perder.
Ser flexível não é ser alguém sem opinião, que muda de ideia diante de qualquer ventinho da vida e sim, uma pessoa que sabe se adaptar aos inúmeros ambientes e situações. É uma pessoa que não impõe, que sabe discordar e dialogar.
Quem têm boas raízes e bons fundamentos, não tem medo de refletir, ceder e buscar se adaptar, pois sabe o quanto a vida muda e a saída é buscar ferramentas para lidar com as diferentes situações da caminhada.
-
A IMPORTÂNCIA DA ATENÇÃO NOS ESTUDOS
Certo dia eu estava tão envolto na leitura de um livro, que eu pedi a noção do tempo. O livro e a história eram tão incrivelmente bons, que eu não percebi o tempo passar, um fenômeno que sempre acontece comigo.
A atenção é um dos fatos fundamentais na vida acadêmica. É imprescindível desenvolver está habilidade caso você queira aprender a pesquisar ou mesmo escrever. Em um mundo onde a distração faz parte da nossa vida, procurar técnicas para aprimorar esta área é fundamental, caso queira ser um acadêmico relevante. Cleverson Bastos e Vicente Keller no livro “Aprendendo a Aprender”, propõe três princípios, caso você queira desenvolver a habilidade de concentração.
O primeiro princípio é a concentração única. É preciso saber focar em um objeto, sem segundas ou terceiras distrações, pois, quando há dois ou mais objetos, a sua atenção estará dividida e com isso, você vai perder a eficiência do seu foco em seu momento de estudo (2014, p. 25). Não é à toa que muitos professores pedem para os alunos desligarem seus smartphones, a intenção é fazer com que o aluno esteja cem por cento focado na aula.
O segundo princípio é a intermitência. Não é possível passarmos longos períodos de estudo, sem aos poucos, perdermos a eficácia na atenção. É normal começarmos bem focados e perdermos a força do foco. Por isso que, o estudo eficaz deve ser alternado com períodos de descanso ou mesmo com breves pausas. Seja para relaxar ou ouvir uma música com o propósito de recobrar o foco (2014, p. 25).
O terceiro princípio é o interesse. Quando maior é o interesse no assunto, maior é a sua capacidade de concentração, por isso que, escolher uma área de estudos no qual gostamos é fundamental para o sucesso da empreitada (2014, p. 25).
É claro que na vida acadêmica, muitas vezes nos deparamos com disciplinas que não são do nosso gosto, é preciso aprender a lidar com estes temas e é claro, as vezes também desafiar nosso intelecto e mergulhar em algo diferente.
Eu já mergulhei em temas que não eram da minha área de estudos e descobri um verdadeiro universo que eu passei a gostar. Em um primeiro momento, resolvi aproveitar uma oportunidade, mas depois, descobri muitos temas interessantes. É claro que nem sempre isso acontece, mas o desafio é válido e serve para ampliarmos nosso escopo de conhecimento.
Estudar é uma arte, é um caminho que nem sempre é fácil, e por isso que buscar as melhores ferramentas para o sucesso é a melhor forma de nos desenvolvermos e crescermos ainda mais em nossa área de atuação.
BIBLIOGRAFIA
BASTOS, Cleverson.; KELLER, Vicente. Aprendendo a aprender: Introdução à metodologia científica. 28. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2014.
-
O ESPÍRITO DE UM TEMPO SEM REFLEXÃO
Não acredito que sou uma pessoa indiferente a vida e a tudo o que acontece na sociedade e na política, a questão apenas é que em alguns casos, ir contra o espírito do tempo, como alguns afirmam, é perca de tempo. Não me deixo moldar por falsas articulações políticas ou sociais, mas não me vejo representado por alguém há alguns anos.
Na política há anos que percebo a mesma discussão, a fórmula semelhante de soluções, que depois são esquecidas logo que começa o mandato de um político. Não vejo atitudes diferentes, por isso que em ano de eleição, opto por me abster de me posicionar. Enquanto a opção for o ruim e o menos ruim, acredito que a mudança nunca acontecerá. Já vi muitos salvadores em nossa política e todos seguiram o mesmo caminho que todos os outros insistem em pegar.
Na sociedade vemos modas e teorias surgirem e depois as ressacas aparecerem como resultado de um movimento sem reflexão. Os mesmos militantes que brigam para impor uma solução, constroem problemas ainda maiores para serem resolvidos, em um caminho que novamente insiste em ser igual. Como um bom conservador, desconfio de teorias mirabolantes, construídas sem reflexão e ponderação, e como um bom protestante, desconfio das intenções dos seres humanos.
A vida é muito mais intrínseca do que imaginamos e eu creio que este é o ponto que muitos destes militantes não percebem. Não existem teorias miraculosas e muito menos pessoas salvadoras, e uma solução colocada sem reflexão e ponderação, cria problemas ainda maiores.
Vemos isso no esporte e na questão de gênero, que trouxe muitos problemas as mulheres. Na política, que em meio a pandemia, não conseguiu ter uma atitude centrada e coerente. E também no grande caos econômico que a corrupção tem fabricado no Brasil. Não existe soluções simples, por isso que eu me abstenho de acreditar nestes discursos bem montados. Seja de políticos ou de militantes que na maioria das vezes não conseguem ver o todo de uma questão.
E na igreja cristã vemos ainda mais divisão, sendo que a igreja segue cada vez mais descontextualizada. Mesmo eu sendo cristão, tenho me impressionado ao entrar em lugares que parecem não falar a língua das pessoas e muito menos, estar olhando para a sociedade, buscando mostrar um caminho para as suas necessidades. Ao invés dos cristãos serem a luz do mundo, optam por serem a luz nos seus guetos, uma luz que não aponta para Deus e muito menos faz diferença. Jesus Cristo já nos avisou que precisamos brilhar no mundo, mas o ser humano insiste em ignorar estas lições:
“Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus” (Mateus 5:16).
O ser humano tem seguido o espírito deste tempo com um modo de ser calcado na falta de reflexão, com ações movidas a emoções e impulsos. Precisamos aprender a parar e refletir, formular ações conscientes, que realmente fazem a diferença.
Infelizmente vivemos um tempo em que podemos sofrer más influencias mesmo dentro da igreja e para o meu desespero, tenho ouvido reflexões coerentes de pessoas que nem possuem uma religião. E nós cristãos onde estamos? Seguimos fechados em nossos guetos, falando sem falar, agindo sem pensar e perceber que as nossas atitudes não estão fazendo efeito algum na vida das pessoas.
