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DILEMAS DA CRUZ
“É um dilema inexplicável – como duas pessoas podem ouvir as mesmas palavras e ver o mesmo Salvador, e uma ver esperança e a outra nada ver além de si mesma” (LUCADO, 2007, p. 93).
Se formos enumerar os motivos nos quais alguém vai a igreja, perceberemos como eles são muitos. Algumas pessoas vão a igreja para se sentirem bem, outros por conta da música, tem gente que vai por causa de amigos ou eventos. E com isso alguns passam a frequentar e se convertem e muitos não, apesar de gostarem do ambiente. Esta dinâmica sobre o porquê algumas pessoas aceitam a Jesus e outras não, me deixa pensativo.
O evangelho é misterioso, não é só Deus que é inexplicável, com certeza todo o processo de conversão também é. E a parte mais complicada é entender o motivo no qual Deus morreria por seres humanos caídos, nunca entenderemos o seu amor e muito menos descobriremos por que uma divindade lavaria os pés de discípulos, além de ter mandado que nós fizéssemos o mesmo. O evangelho é loucura, a salvação é inexplicável, não tenha dúvidas. O evangelho usa uma lógica bem oposta a lógica humana.
O episódio que Max Lucado se refere na epígrafe do texto é o da crucificação. Cristo estava pregado e ao seu lado também estavam dois criminosos. O dilema, que considero difícil de explicar, é que um dos criminosos estava vendo um salvador e o outro, via apenas um homem, e zombava dele, como todos em volta zombavam. Um seguia a multidão, mas o outro visualizava um salvador e percebia o quão injusto era aquela crucificação.
Em nosso cotidiano é possível vermos atitudes semelhantes, pessoas que ouvem o evangelho e se convertem, vivendo depois uma vida dedicada a Deus. E outras que ouvem e até acham legal a mensagem, mas não se convertem, a mensagem não toca em seus corações.
Desde os pais da igreja, como Agostinho, até alguns reformadores, como Calvino, este mistério segue sem explicação. Alguns até tentam explicar, mas a verdade é que não podemos concluir de forma realmente acertada tal assunto.
Algumas sementes frutificam, outras não, e são sufocadas pelos espinhos deste mundo (Mateus 13:22-23). Principalmente quando acreditamos estarmos certos, quando cremos que sabemos qual é o melhor caminho para seguir.
O orgulho é uma doença perigosa, acreditar que estamos certos e todos os outros errados, nos impede de realmente ouvirmos e entendermos de verdade as coisas espirituais e principalmente, impede que o Espírito Santo trabalhe em nosso coração.
A Bíblia diz que é o Espírito Santo que convence do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8). É ele que nos mostra quem somos e do quanto precisamos da graça. Contudo, a Bíblia também nos dá um alerta e nos manda não resistirmos ao Espírito Santo (Atos 7:51). Com isso, quando optamos em resistir, seguindo assim nosso orgulho, certamente pereceremos.
A cruz é o sinal de um tempo, um período onde Deus veio até a terra, morreu por nós e nos trouxe salvação. Mas para que ela seja efetiva em nossa vida, precisamos permitir que o Espírito Santo atue. A salvação não é um mérito nosso, ela é única e exclusivamente oriunda da graça de Deus através da sua graça capacitadora, mas precisamos permitir que o Espírito atue e transforme a nossa vida. Caso contrário, seguiremos os nossos próprios caminhos e vontades, sem frutificar, sem termos a vida transformada, nos perdendo em nosso próprio engano.
BIBLIOGRAFIA
LUCADO, Max. Seis horas de uma sexta-feira. 2. ed. São Paulo: Editora Vida, 2007.
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APRENDENDO A APRENDER
O aprendizado é algo constante, não é um período com começo meio e fim, e sim, um estilo de vida de quem entendeu que nunca deixamos de aprender. Quem acredita que aprender é algo instantâneo, não entendeu e muito menos vivenciou tal cenário.
Partindo desta lógica, desenvolvi um hábito curioso, que é sempre ler e pesquisar sobre estudos, leitura e vida acadêmica. Não é porque eu já tenho a minha rotina e um método de estudo próprio que eu não leio e muito menos pesquiso mais sobre o assunto. É possível sempre aprender mais, descobrir novas técnicas e aperfeiçoar a nossa metodologia.
Por isso, gosto de ir atrás dos clássicos que eu ainda não li e também conhecer obras de autores contemporâneos para ver o que há de novo para aprender. E sempre há, acredite em mim, ter contato com clássicos ou com quem se dedica a pesquisar o tema é minerar pedras preciosas.
A vida acadêmica é muito mais um modo de pensar, um estilo de vida que parte do pressuposto que aprender é algo dinâmico e constante. Por isso que, engessar o seu método, se fechando para o saber, não deve ser a prática adotada pelo acadêmico. É possível seguir uma vida de estudos e pesquisa, fechada em técnicas que limitam mais do que desenvolvem e é aí que entra a constante busca por materiais relevantes.
Aprender a aprender é um desafio, é saber se abrir cultivando a humildade que nos dará a mentalidade certa para escutar, refletir e saber reter aqueles pontos fundamentais para o nosso aprendizado. Sem humildade, terminaremos com uma mente fechada, que se basta em seus pontos de vistas, ignorando o todo.
Emilio Mira y López, que é mais um destes autores que falam muito sobre estudo e que está presente em minha biblioteca particular, diz que existem vários tipos de estudantes em uma sala de aula. Alguns deles são os que estão apenas de corpo presente, sem realmente “estar na aula”. Outros até assistem e prestam atenção na aula, mas não conseguem construir um edifício de conhecimento, muito menos formular de forma coerente o conceito que está sendo abordado, sendo que, isso acontece por inúmeros motivos. Existem alunos que enxergam os estudos como uma árdua tarefa, acreditam que o importante é tirar boas notas e passar de ano. A dedicação destes alunos se restringe a isso, estudar para passar e depois, acabar esquecendo do conteúdo, para estes o diploma é a coisa mais importante do que o próprio saber. E a minoria dos alunos são aqueles que estudam por possuírem uma sede pelo conhecimento, apreciando assim, a verdade e a beleza que é o saber (2020, p. 16, 17).
Este é o ponto de partida correto daqueles que buscam uma vida acadêmica. É preciso aprender a gostar e entender a profunda beleza que é poder aprender, descobrir coisas e retirar o véu de ignorância que as vezes cobre a nossa vida.
Com este ponto de partida, não vai ser incomum você conseguir cultivar a humildade suficiente para escutar, se abrindo assim para o conhecimento e buscando constantemente o saber.
É muito perigoso se engessar e acreditar que uma mente fechada é uma condição relevante. O saber é muito amplo para colocarmos um ponto final em nosso aprendizado!
BIBLIOGRAFIA
López, E. M. Como estudar e como aprender. 1 ed. Campinas: Kírion, 2020.
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CORRUPÇÃO ENDÊMICA
Foi em meio a pandemia que coloquei em prática o costume de filtrar informações. Ao fazer isso, percebi como o excesso de más notícias nos tocam. Para complementar o cenário de caos, a corrupção e a má gestão eram vistas em qualquer noticiário, ampliando ainda mais a sensação de falência que a pandemia tem nos trazido, produzindo em nossa vida, aquele desespero ou sensação de descontrole. E agora com a guerra, a sensação continua.
Não basta a pandemia, que já é destrutiva por si mesmo, precisamos nos proteger também do governo que deveria ajudar a população, uma função que eles esqueceram de exercer há muito tempo. No final, eu tenho que concordar com Pondé, quando ele escreve sobre a farsa da vida em sociedade e afirma que:
“Desempenhamos papéis de coadjuvantes num roteiro em que os protagonistas são sempre uns cretinos” (2020, p. 24).
E é esta sensação que tenho ao olhar para a nossa política, neste tempo todo. Parece que o sistema virou uma brincadeira, enquanto muitos perecem outros enchem os bolsos e se banqueteiam com o dinheiro da população. Na verdade, a corrupção e a má administração dos governos, sempre existiram, evidenciando um problema que até agora não foi resolvido. Vivemos em um país que não só possui uma política ruim, mas também com um sistema que favorece todo este caos.
Mas no mundo fora da política o cenário não é diferente. Principalmente quando vemos gente dita honestas, se aproveitarem de descuidos. Um troco a mais, um preço trocado, um furto dito inocente, com alguma justificativa qualquer. Como aquela velha explicação que eu já ouvi muito: “Ele tem dinheiro, não tem problema levar sem pagar”, como se isso justificasse um roubo.
É quando uma notícia figura a primeira página de um jornal, divulgando que alguém foi honesto suficiente para devolver algum dinheiro que não era dele, que eu percebo o quanto o país é corrupto. É quando o óbvio vira notícia que eu noto o quanto estamos perdidos. Com isso, ao olhar para a política, enxergo o óbvio, constato que ela é o reflexo da nossa sociedade. Se brincamos aqui fora, quem dirá na política, que termina por ser uma extensão da nossa sociedade.
Sou protestante o suficiente para não me impressionar com tais notícias e quando lembro do que Paulo falou é quando eu noto o quanto a Bíblia é verdadeira:
“Não há um justo, nem um sequer” (Romanos 3:10) (JFA).
Este caos é uma constatação óbvia que a palavra de Deus já nos dá há muito tempo. O que me deixa triste, é a aparente apatia dos cristãos em todas estas situações. Penso que poderíamos fazer muito mais diferença, mas estamos preocupados com nossas prioridades. Só ajudamos o próximo que frequenta a nossa igreja ou quando ele é útil para algo no “reino”, como eles afirmam.
A corrupção é um fato em todos os setores da sociedade, mas o nosso exemplo deve ser também uma verdade, aquele sal e luz que ilumina e aponta para Deus. Se não formos diferença, justamente nós, que temos a palavra como norte, não sei quem mais vai olhar para a nossa sociedade e através da verdade, propor mudanças.
Precisamos ser protagonistas nesta sociedade contraditória, mostrando através dos nossos exemplos, como existe um caminho de ética e verdade que constrói um mundo com menos injustiça. E tudo começa por nós, em nossas pequenas ações éticas, para terminar influenciando áreas mais altas.
Ou nos posicionamos como sal e luz, ou seguiremos sendo irrelevantes nos lugares onde nós atuamos!
BIBLIOGRAFIA
PONDÉ, L. F. Você é ansioso?: Reflexões contra o medo. 1. ed. São Paulo: Planeta do Brasil, 2020.
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GUERRA DE OPINIÕES
Uma guerra, seja por quais motivos ela for travada, nunca é justa, visto que na maioria das vezes, quem paga por todo o caos, são as pessoas inocentes. São justamente aqueles que não têm culpa, que assumem as responsabilidades por todas as catástrofes de um conflito. Sendo que diante de um acontecimento destes é normal vermos todos opinarem, apontarem erros e soluções.
Em tempos ruins, vemos também circular opiniões ruins, palavras de quem não percebe suas contradições e muito menos busca entender mais sobre um assunto ao se expressar. Eu não sei por que as pessoas têm esta gana em opinar e racionalizar sobre temas complicados. Quanto mais complexo um tema é, percebemos que mais absurdas são as ideias. Antigamente uma opinião ficava presa entre amigos ou no âmbito familiar, hoje, teorias da conspiração ganham sites próprios e gurus especializados. São os famosos especialistas.
Os canais de notícia terminam também por fazer o mesmo desserviço, eles usam o assunto como pauta para se promoverem e terminam por opinarem de forma simplista de um modo que não colabora em nada com a situação e muito menos informa, na verdade em alguns casos termina sendo até uma desinformação. Ou eles seguem usando um viés político, que acaba por oferecer uma visão parcial sobre o tema. Já faz um tempo que os jornais e veículos de comunicação viraram canais para divulgar pautas ideológicas. Não há mais aquela responsabilidade de apenas comunicar uma notícia.
E as igrejas também se mobilizam nestas horas, muitas delas, começam a fazer as suas previsões para o fim do mundo e a volta de Cristo, como sempre fizeram. Ao invés de colaborar com as pessoas que estão enfrentando a guerra ou buscar orar e interceder por elas, preferem espalhar o caos e fazer previsões equivocadas.
No final, surge uma guerra de opiniões, de pessoas que teimam em estarem certas. O problema é que na maioria das vezes o motivo não é a busca por uma conclusão centrada ou mesmo de levantar pessoas para ajudar a solucionar um problema e sim, ganhar visibilidade.
Não estou condenando as pessoas que emitem opinião, eu mesmo estou emitindo a minha agora e estou usando os mesmos caminhos que muitos destes “especialistas” usam. A minha crítica em primeiro lugar é sobre as pessoas que usam a pauta para se promoverem. Em segundo lugar, é sobre aqueles que opinam, sem ter a visão geral do assunto, sem entender todos os lados da questão ou usam a pauta como pregação política.
Entenda que não é feio e muito menos é falta de inteligência, falar que você não tem uma opinião sobre um acontecimento e muito menos afirmar que não entende do tema, visto que, ninguém entende de tudo. As vezes não temos um parecer, justamente por não entendermos o fato por todos os vieses. O Covid 19 mostrou isso, ninguém sabia ao certo o que estava acontecendo, por conta disso, não era fácil opinar. E a própria invasão Russa a Ucrânia, que aconteceu dia 24 de fevereiro de 2022, também revelou isso. E eu não quis opinar, justamente por perceber que em um primeiro momento, o assunto era complicado. Não havia motivos claros e coerentes para a invasão e nenhuma justificativa plausível. Optei por me calar, por orar pelo país que estava enfrentando tal catástrofe e me informar, sendo que ao ler e ouvir sobre a invasão, usando fontes variadas e de comentadores especializados, constatei que a guerra era realmente intrínseca. As motivações da Rússia não eram claras, pelo menos até este momento.
Aprendi a tomar cuidado com aqueles que possuem opinião sobre tudo e dão a entender que entendem de todos os assuntos. Na maioria das vezes, a certeza é fruto da falta de informação, de pouca leitura e nenhum estudo. É possível opinar como um leigo, deixando sempre claro em nossa opinião o quanto não entendemos. Mas o melhor posicionamento nestes casos é realmente o de não opinar, por isso fiquei em silêncio e busquei me informar e orar ao invés de ser aquele tagarela que muito fala, mas pouco faz. Hoje em dia vemos muitos opinarem e poucos serem ferramentas de apoio.
Ore pela Ucrânia, um cristão que ora, com certeza é uma pessoa que se posiciona em favor das pessoas. Há tempo para tudo (como diz Eclesiastes 3:1), e o tempo agora não é de opinar ou formular explicações e sim, de orar por todos os que estão sofrendo com esta guerra.
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A MISSÃO DE ORAR
Nem todos os cristãos conseguem ter disciplina suficiente para separar um tempo do seu dia para a oração. Orar não é só fundamental, é um ponto realmente necessário para todos os cristãos, junto com a arte de ler e estudar a Bíblia. Se eu não falar com Deus todos os dias e muito menos ler a sua palavra, todo o resto do dia perde o sentido. A vida cristã é constituída destes importantes hábitos, mas como toda a prática que é fundamental, nem sempre é fácil.
Perceba como todas as coisas relevantes, que produzem frutos em nossa vida, são hábitos difíceis de se cultivar. Ler, estudar, escrever e também, orar e ler a Bíblia, são habilidades difíceis de se construir. Em contrapartida, o que não é importante, que não traz resultados em nossa vida, é simples e fácil de se fazer. É possível alguém ficar o dia inteiro rolando o feed de uma rede social, mas não é tão fácil, esta mesma pessoa gastar dez minutos lendo e falando com Deus.
Orar é um ponto tão fundamental que até Cristo fez, orar é atender a um chamado, é abrir a porta do nosso coração e criar intimidade com o Deus que nos encontrou e nos salvou. Ole Hallesby, no ótimo livro Oração: O segredo de abrir o coração, acrescenta uma característica fundamental da função da oração em nossa vida, ele diz que:
“A oração é o fôlego da alma, o órgão pelo qual recebemos a Cristo em nosso ressecado e mirrado coração” (2011, p. 10).
Orar é ter contato com Deus, é derramar o nosso coração e deixar que a sua graça invada toda a nossa vida e nos sustente. Em meus dias cinzas eu orava, derramava o meu coração e clamava por sua graça e eram estes momentos que me sustentavam e me davam forças para seguir e continuar. Nos meus dias bons, com vitórias e realizações, a oração era de alegria e de agradecimento, era um derramar de gratidão, entendendo que não somos merecedores de nada, somos simples alvos da graça de Deus. E como é legal conseguir alguma vitória em nossos sonhos e projetos, agradecer é o único caminho daqueles que sabem que dependem da graça do Criador.
No dia 04 de março comemoramos o Dia Mundial da Oração, um dia fundamental para aqueles que foram alcançados pela graça de Deus. Orar é o nosso sustento, é o que nos dá força e impulso para seguir nos desafios da vida cristã. Por isso ore, aprenda a cultivar o seu secreto e entenda que esta é uma missão fundamental de todos os cristãos.
O cristão que não ora e não lê a Bíblia vive em uma contradição, pois tais hábitos, devem estar incorporados na vida daqueles que seguem a Deus. Por isso que, se você não costuma orar, aprenda a separar um tempo, nem que seja um pouco para começar, e cultive o hábito de falar com o seu Deus.
Se você não priorizar falar com aquele que te deu a vida, não sei quais serão as suas prioridades como cristão. Mais do que apenas ir na igreja e estar em comunhão com os irmãos, orar e ler a Bíblia são pontos fundamentais daqueles que foram alcançados pela graça de Deus.
BIBLIOGRAFIA
HALLESBY, O. Oração: O segredo de abrir o coração. 1. ed. Curitiba: Encontro Publicações, 2011.
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REFÉM TECNOLÓGICO
Gosto muito da natureza e é por isso que as vezes vou almoçar em um lugar, aqui em minha cidade, que possui vários restaurantes em chácaras e ambientes naturais. Além de ir comer comidas típicas, é legal também poder aproveitar a natureza. O problema é que as vezes eu não consigo deixar de notar que existem pessoas que mesmo em meio a um bosque, ou em um ambiente bonito, insistem em permanecerem conectados, estando apenas de corpo presente no local.
O ser humano está constantemente sendo levado do tempo presente, é por conta disso que muitos nem conseguem desfrutar de um local, por não estarem ali de verdade. Seja por conta das notificações da internet, que insistem em nos levar para outros lugares. Pelas facilidades na comunicação onde muitos transformam o seu momento de descanso ou relaxamento em um dia de trabalho. Ou mesmo por conta das notícias ruins, que nos transportam para lugares de medo e incerteza, ao nos fazer imaginar cenários catastróficos. A tentação de não vivermos no hoje é sempre grande.
Estar plenamente atento ao que estamos fazendo, fugindo do ativismo e do hábito de fazer um monte de coisas ao mesmo tempo. E não executar algo pensando em outra coisa, segundo neurocientistas, faz com que o cérebro produza substâncias para o nosso bem-estar e equilíbrio emocional (LENOIR, 202, p. 60, 61). Com isso, percebemos que o bem-estar é muito ligado a viver o hoje, a fazer uma coisa de cada vez.
Hoje em dia é comum vermos pessoas dirigirem enquanto conversam no celular. Trabalharem enquanto olham notificações nas redes sociais, ou passearem enquanto cuidam de coisas do trabalho ou enquanto pensam em inúmeros problemas e preocupações. Viver bem, não é isso, fugir da ansiedade e da depressão está totalmente ligado ao nosso estilo de vida.
Precisamos aprender a nos desligar, a saborear o momento, sem sermos interrompidos pelas coisas que insistem em tirar a nossa paz e concentração, ofuscando a visão do ambiente onde estamos, roubando a paz em nosso momento de lazer.
Apreciar o dia, desfrutar do local onde você está ou do seu momento de silêncio e solitude é uma prática realmente restauradora. Pois, a cada feed que você acessa e segue sendo zumbi dos excessos, você termina por gastar a sua vida com coisas que só capturam a sua paz e planta em sua mente sentimentos negativos, isso sem contar, que tal atitude tira você do local onde está.
Eu constantemente desligo o celular, transformando meus dias em momentos revigorantes e de crescimento. Eu tenho redes sociais, mas imponho limites. Quando eu saio visitar outros lugares, não ligo a internet, e busco desfrutar daquele momento, vivendo cada instante e novidade, sem estar constantemente me transportando para outros lugares.
Sem limites e sem cultivar uma vida equilibrada, você trocará a sua vida e a sua saúde, por coisas que só trazem estímulos passageiros e roubam a sua paz.
Aprenda a realmente estar em um lugar e a desfrutar das coisas e dos momentos, sem ser interrompido pelas notificações. Não troque as notificações pelo prazer de estar verdadeiramente em um lugar!
BIBLIOGRAFIA
LENOIR, F. Viver!: Um manual de resiliência para um mundo imprevisível. 1. ed. Petrópolis: Vozes, 2020.
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A VERTIGEM DA REFLEXÃO
“A sensação de vertigem acompanha toda a reflexão séria sobre as coisas” (PONDÉ, 2019, p. 21).
Alguns assuntos são complicados, não dá para simplificar, principalmente quando você realmente entende e percebe, por conta de todas as variantes, como o tema pode não ser tão simples assim. E quem soluciona de forma rápida algumas questões é porque muitas vezes não tem informação suficiente para perceber o quão simplista está sendo.
Gosto de ouvir a opinião de algumas pessoas quanto a assuntos complicados, principalmente sobre crenças, hábitos e pontos de vista, mas é preocupante perceber como alguns possuem crenças simplistas e sem fundamentos. Em contrapartida, já ouvi muitas pessoas sábias, que realmente abalaram o meu modo de pensar.
Às vezes eu realmente me preocupo ao ver muitos opinando sem conhecer, sendo que infelizmente isso é muito comum. É totalmente normal encontrar pessoas que não demoram em opinar, mesmo sem informação, e não se preocupam em entender primeiro o assunto, antes de emitir um ponto de vista.
O diálogo sério é sempre construtivo, discutir sobre opiniões e crenças com uma pessoa que sabe dialogar não tem preço. Sendo que esta é a melhor forma de percebermos nossas falhas e contradições. Aprendi muito estando entre amigos onde o diálogo era constante. Principalmente, aqueles que possuíam opiniões embasadas ou coerentes.
Por outro lado, este tipo de diálogo é sempre desafiador, pois muitas vezes abala as nossas crenças, opiniões e tradições que carregamos, e é preciso muita humildade para aceitar e refletir sobre isso para conseguir mudar.
Conversar sobre assuntos relevantes e não sentir vertigem ou perceber como opiniões ou pontos de vista muitas vezes desaparecem diante dos fatos é certamente conversar apenas com quem concorda com você ou mesmo com pessoas que não possuem conteúdo. A arte de pensar e aprender se encontra no hábito de ter contato com o conhecimento que nos desafia. É realmente mergulhar no assunto, para desta forma perceber a nossa ignorância e ser impactado pelo conhecimento.
Por isso, antes de emitir uma opinião, mergulhe no assunto, pesquise, leia livros e palestras de quem realmente entende. Depois, busque autores que possuem uma opinião contrária àqueles que você pesquisou. Ter contato com quem discorda é fundamental para percebermos todas as variantes de um tema. Depois disso, e apenas após isso, formule uma opinião, mas não coloque um ponto final e sim, apenas uma vírgula, por ser normal nos depararmos com outros fatos que podem nos fazer repensar tais conceitos.
A reflexão séria faz parte da vida do verdadeiro acadêmico e ela abala a nossa vida, nos dá vertigem, faz-nos pensar e assim crescer, sendo que ela tem como base o saber, o conhecimento, e não opiniões infundadas. É preciso ter fundamentos para assim termos opiniões sólidas e um bom repertório, para refletir com uma certa precisão.
Ao dar os meus primeiros passos na vida acadêmica, senti muitas vertigens e percebi alguns dos meus conceitos desmoronarem. Mas estes passos me fizeram buscar, ler e estudar, construindo assim um conhecimento íntegro e longe do senso comum.
BIBLIOGRAFIA
PONDÉ, L. F. Como aprendi a pensar: Os filósofos que me formaram. 1. ed. São Paulo: Editora Planeta, 2019.
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TEMPO É VIDA
A visão que eu tenho de um paraíso perfeito é bem simples, qualquer lugar que tenha uma mata, um rio e muita paz, eu considero um verdadeiro paraíso. Descansar, no meu ponto de vista, é estar em meio a paz e a tranquilidade da natureza.
É comum eu ir para alguns lugares e não levar o celular ou ir viajar e manter ele bloqueado, sem acesso à internet e a todos os seus estímulos. Nem sempre ser encontrado é uma boa opção, principalmente quando você quer manter um momento de descanso.
Sou do tipo que precisa de silêncio e um pouco de solitude para conseguir recarregar as baterias, para mim, barulho e excesso de pessoas são sinônimos de muita canseira.
Viver está muito mais ligado às escolhas e como priorizamos nosso tempo, sendo que isso determina o ritmo da nossa vida. Quem vive para o trabalho, por exemplo, colhe o bônus, mas também o ônus, e isso deve estar bem claro na vida de quem opta por viver assim. O mesmo eu digo para quem fica o dia inteiro nas redes sociais ou qualquer outra atividade do tipo, existe o bônus e o ônus em tudo o que escolhemos. Caso você decida viver destas maneiras, tenha plena consciência disso e entenda todas as suas implicações.
A tecnologia é maravilhosa, nos dá inúmeras ferramentas e oportunidade de aprender, nos comunicar e compartilhar coisas importantes. Mas ela pode ser também uma ferramenta de alienação.
Gastar tempo é usar o que temos de mais valioso, pois no final, o que usamos é na verdade a nossa vida. Vendemos nosso tempo no trabalho e o gastamos ao fazermos nossas escolhas. O tempo é tudo e um dia acaba.
É comum desperdiçarmos tempo com coisas fúteis ou mesmo vivermos para o que não vale a pena. Como se o tempo, assim como as bugigangas que compramos pela internet, estivesse acessível, ao alcance das mãos.
O tempo vai ser sempre escasso, por isso que gastar com sabedoria é a opção do sábio. Não estou falando que você não deva ter seu tempo de descontração ou deixar de usar as redes sociais e sim, saber dosar e não gastar à toa de forma desmedida.
A frase popular “Tempo é dinheiro” é muito equivocada, pois nem tudo é dinheiro, apesar de ele ser importante para a nossa subsistência. Viver é muito mais que poder comprar ou acumular riquezas. É muito bom ter, mas quando o ter domina você, você vira escravo e com isso, acaba perdendo o seu tempo. O escravo é alguém preso a algo, não tem liberdade e muito menos vontade própria.
Tempo é vida, é na verdade tudo o que temos e perceber como é grande a responsabilidade de gastar nosso tempo, é entender que ele vai sempre estar em falta, já que os nossos dias na terra são contados.
Por mais que tenhamos a crença em uma vida futura e eterna ao lado de Deus, aqui na terra, o tempo é limitado, por isso, gaste-o com sabedoria!
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CIDADÃO INVISÍVEL
Gosta de poesia? Esta era a pergunta que eu costumava fazer no período em que eu trabalhava na rua, durante a minha juventude. Por três anos, mais ou menos, vivi a vida vendendo zines de poesia para amantes da arte. Era um tempo onde a vida era incerta, não era possível imaginar se naquele dia eu conseguiria dinheiro suficiente para uma refeição, mas a liberdade que eu experimentei foi muito grande.
Na rua, aprendi que algumas pessoas são invisíveis, vivenciei esta realidade na pele, percebendo como no final, enxergamos o que queremos enxergar. O mundo é o que priorizamos olhar, sendo que para olhos atentos, existe mais do que aparentemente parece existir. São universos percebidos através de cada pessoa e cada contexto social.
Certas profissões também têm o poder de tornar invisível um ser humano, ainda mais quando alguém exerce uma tarefa que é vista como inferior. Muitos ignoram pessoas consideradas inferiores e percebem apenas quem para si são importantes ou que de alguma maneira, conseguem agregar valor à sua carreira ou relação social, em uma amizade totalmente utilitária.
No tempo de Jesus não era diferente, na sociedade da época, tal qual a nossa, havia muitos que eram invisíveis e considerados inferiores. Mas Jesus andou justamente com eles, ouviu desde pessoas tidas como impuras, como os leprosos, alguns vistos como traidores como os cobradores de impostos até alguns mestres da lei ele dialogou. Foram estes que ele atendeu e ofereceu a mão, sem pensar em qualquer tipo de retorno como muitos hoje em dia pensam.
Cada um tem uma história, este é um fato fundamental que precisamos guardar, e a rua esconde justamente estas pessoas e disfarça o seu rosto fazendo-os parecer insignificantes. Por isso que ouvir, acolher e receber é importante caso queiramos agir como Cristo.
É fácil nos considerarmos melhores que o outro, visto que, a sociedade tem o poder de dividir as pessoas em classes e se você estiver em uma classe importante e não tiver uma mente crítica, você certamente vai olhar alguns com desdém, reproduzindo assim uma injustiça que sempre foi vista desde que o mundo é mundo.
Mas como seguimos a Cristo, precisamos receber a todos como iguais e levar a luz do evangelho sem qualquer preconceito. E eu espero que neste ínterim você consiga ouvir as várias histórias que cada um leva consigo, aprendendo desta forma, a enxergar outras realidades.
Ver é muito mais que admirar algo, é perceber o outro, é entender alguém ou uma realidade, não a partir das nossas vivências e sim, do contexto real. É fácil projetarmos a nossa realidade para a realidade do outro, distorcendo assim, uma história e a nossa conclusão sobre o fato.
No mundo existem muitos cidadãos invisíveis, com histórias e contextos que são desconhecidos, percebê-los é a missão daqueles que seguem a Cristo e buscam seguir os seus passos.
Saber olhar com amor, com aquele calor que só quem está aberto a ouvir consegue olhar é a atitude de quem acima de tudo, busca fazer a diferença na vida das pessoas.
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A FORÇA DA ROTINA
Vivemos em um contexto onde estudar não é visto com bons olhos, uma boa parte das pessoas acreditam que é maçante ler um livro, estudar ou pesquisar. Somando isso ao fato que temos muitas ferramentas para nos distrair, é possível cairmos em um limbo existencial e sermos levados por hábitos que não nos trarão crescimento.
Quando falamos em hábitos, discorremos sobre regras que podem ser tanto boas quanto ruins. Apesar de ser verdade que adquirimos de forma muito rápida maus hábitos, é possível cultivarmos uma vida com bons hábitos, basta seguirmos persistentes. Por isso, proponho alguns passos que ajudarão você a construir uma rotina relevante.
A disciplina e a rotina na vida acadêmica são os primeiros passos, sendo eles fatores determinantes do processo. Sem disciplina, não conseguiremos construir uma rotina diária de estudos, leitura e pesquisa neste nosso mundo de constantes estímulos e distrações. Greg Mckeown acrescenta:
“A rotina é uma das ferramentas mais poderosas para remover obstáculos. Sem ela, a atração das distrações não essenciais nos domina. Mas se criarmos uma rotina capaz de preservar o essencial, começaremos a executá-la no piloto automático” (2015, p. 214).
A rotina aliada a disciplina, tem o poder de nos manter no foco, na direção dos nossos objetivos. Uma vida calcada em algumas boas rotinas é uma vida que segue rumo ao alvo. Sendo que, ela não serve apenas para os estudos ou para a vida acadêmica e sim, para tudo. Seja para praticar um instrumento musical, um esporte, entre tantos hábitos que nem sempre são fáceis de adquirir. Entenda uma coisa, a maioria das coisas que nos fazem crescer e melhorar, não são fáceis de cultivar.
Uma outra vantagem da rotina é que ela transforma uma prática, até então difícil, em algo que fazemos no piloto automático. Com isso, liberamos a nossa mente para nos concentrar em outra coisa. Quando pegamos o hábito de fazer algo, não precisamos mais nos esforçar para conseguir fazer, a prática se torna parte da nossa vida (2015, p. 215). Por isso, se existe algo que você precisa cultivar é a disciplina.
O primeiro passo para conseguirmos construir uma rotina é entender bem o que queremos e delimitar detalhadamente nossos objetivos. Saber o que você quer com a rotina é um passo importante. Opte por definir objetivos sólidos e siga focado, escolha poucos alvos e aprenda a dar um passo de cada vez.
O segundo passo é definir um horário, um tempo que será apenas para executar aquela determinada tarefa. Como estamos falando de vida acadêmica, escolha um tempo para ler e estudar, e de preferência, em um local reservado, sem interrupções. Se você ainda não tem o hábito, não precisa ser muito tempo. É muito melhor você cultivar a constância, do que a quantidade. Não adianta muito um dia você ler e estudar por horas e no outro não. É preciso constância, para que aquela determinada rotina se torne parte da sua vida.
E a última dica é a mais importante, é aprender a fazer as coisas mesmo sem vontade, na verdade, disciplina é justamente isso. Entenda uma coisa, nem sempre eu tinha vontade de estudar e ler, principalmente quando eu tinha um dia de trabalho cheio. É claro que em alguns momentos da nossa vida, chegamos em casa e queremos mais é cair no sofá e nos desligar. E nos primeiros dias da rotina, você vai enfrentar muito isso, mas para conseguir, você deve ser disciplinado e fazer mesmo que sem vontade.
Com o tempo, aquela prática entra em nossa vida e torna-se parte da nossa rotina. E acima de tudo, entenda que você vai fracassar muitas vezes, o que vai definir o seu sucesso é a capacidade de recomeçar quantas vezes for preciso. Eu gosto de uma frase da bailarina russa Anna Pavlova:
“Seguir uma meta sem hesitar: eis o segredo do sucesso” (2015, p. 127).
Não vacile, siga firme e recomece sempre que for preciso, o sucesso em algo é construído apenas por aqueles que não desistem. E acima de tudo, mesmo que alguém fale que você não vai conseguir, persista, pois o segredo é apenas este, persistência.
Uma das ferramentas mais poderosas é a rotina, é ela que nos coloca nos trilhos e nos ajuda a termos uma vida com hábitos relevantes, que nos trazem frutos, conhecimento ou mesmo saúde. Sendo que é através dela que um acadêmico vai chegar em seu alvo.
A disciplina é elemento fundamental da vida acadêmica e a rotina é a melhor ferramenta!
BIBLIOGRAFIA
MCKEOWN, Greg. Essencialismo: A disciplinada busca por menos. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2015.
