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  • A MISSÃO DE ORAR

    Nem todos os cristãos conseguem ter disciplina suficiente para separar um tempo do seu dia para a oração. Orar não é só fundamental, é um ponto realmente necessário para todos os cristãos, junto com a arte de ler e estudar a Bíblia. Se eu não falar com Deus todos os dias e muito menos ler a sua palavra, todo o resto do dia perde o sentido. A vida cristã é constituída destes importantes hábitos, mas como toda a prática que é fundamental, nem sempre é fácil.

    Perceba como todas as coisas relevantes, que produzem frutos em nossa vida, são hábitos difíceis de se cultivar. Ler, estudar, escrever e também, orar e ler a Bíblia, são habilidades difíceis de se construir. Em contrapartida, o que não é importante, que não traz resultados em nossa vida, é simples e fácil de se fazer. É possível alguém ficar o dia inteiro rolando o feed de uma rede social, mas não é tão fácil, esta mesma pessoa gastar dez minutos lendo e falando com Deus.

    Orar é um ponto tão fundamental que até Cristo fez, orar é atender a um chamado, é abrir a porta do nosso coração e criar intimidade com o Deus que nos encontrou e nos salvou. Ole Hallesby, no ótimo livro Oração: O segredo de abrir o coração, acrescenta uma característica fundamental da função da oração em nossa vida, ele diz que:

    “A oração é o fôlego da alma, o órgão pelo qual recebemos a Cristo em nosso ressecado e mirrado coração” (2011, p. 10).

    Orar é ter contato com Deus, é derramar o nosso coração e deixar que a sua graça invada toda a nossa vida e nos sustente. Em meus dias cinzas eu orava, derramava o meu coração e clamava por sua graça e eram estes momentos que me sustentavam e me davam forças para seguir e continuar. Nos meus dias bons, com vitórias e realizações, a oração era de alegria e de agradecimento, era um derramar de gratidão, entendendo que não somos merecedores de nada, somos simples alvos da graça de Deus. E como é legal conseguir alguma vitória em nossos sonhos e projetos, agradecer é o único caminho daqueles que sabem que dependem da graça do Criador.

    No dia 04 de março comemoramos o Dia Mundial da Oração, um dia fundamental para aqueles que foram alcançados pela graça de Deus. Orar é o nosso sustento, é o que nos dá força e impulso para seguir nos desafios da vida cristã. Por isso ore, aprenda a cultivar o seu secreto e entenda que esta é uma missão fundamental de todos os cristãos.

    O cristão que não ora e não lê a Bíblia vive em uma contradição, pois tais hábitos, devem estar incorporados na vida daqueles que seguem a Deus. Por isso que, se você não costuma orar, aprenda a separar um tempo, nem que seja um pouco para começar, e cultive o hábito de falar com o seu Deus.

    Se você não priorizar falar com aquele que te deu a vida, não sei quais serão as suas prioridades como cristão. Mais do que apenas ir na igreja e estar em comunhão com os irmãos, orar e ler a Bíblia são pontos fundamentais daqueles que foram alcançados pela graça de Deus.

    BIBLIOGRAFIA

    HALLESBY, O. Oração: O segredo de abrir o coração. 1. ed. Curitiba: Encontro Publicações, 2011. 

  • REFÉM TECNOLÓGICO

    Gosto muito da natureza e é por isso que as vezes vou almoçar em um lugar, aqui em minha cidade, que possui vários restaurantes em chácaras e ambientes naturais. Além de ir comer comidas típicas, é legal também poder aproveitar a natureza. O problema é que as vezes eu não consigo deixar de notar que existem pessoas que mesmo em meio a um bosque, ou em um ambiente bonito, insistem em permanecerem conectados, estando apenas de corpo presente no local.

    O ser humano está constantemente sendo levado do tempo presente, é por conta disso que muitos nem conseguem desfrutar de um local, por não estarem ali de verdade. Seja por conta das notificações da internet, que insistem em nos levar para outros lugares. Pelas facilidades na comunicação onde muitos transformam o seu momento de descanso ou relaxamento em um dia de trabalho. Ou mesmo por conta das notícias ruins, que nos transportam para lugares de medo e incerteza, ao nos fazer imaginar cenários catastróficos. A tentação de não vivermos no hoje é sempre grande.

    Estar plenamente atento ao que estamos fazendo, fugindo do ativismo e do hábito de fazer um monte de coisas ao mesmo tempo. E não executar algo pensando em outra coisa, segundo neurocientistas, faz com que o cérebro produza substâncias para o nosso bem-estar e equilíbrio emocional (LENOIR, 202, p. 60, 61). Com isso, percebemos que o bem-estar é muito ligado a viver o hoje, a fazer uma coisa de cada vez.

    Hoje em dia é comum vermos pessoas dirigirem enquanto conversam no celular. Trabalharem enquanto olham notificações nas redes sociais, ou passearem enquanto cuidam de coisas do trabalho ou enquanto pensam em inúmeros problemas e preocupações. Viver bem, não é isso, fugir da ansiedade e da depressão está totalmente ligado ao nosso estilo de vida.

    Precisamos aprender a nos desligar, a saborear o momento, sem sermos interrompidos pelas coisas que insistem em tirar a nossa paz e concentração, ofuscando a visão do ambiente onde estamos, roubando a paz em nosso momento de lazer.

    Apreciar o dia, desfrutar do local onde você está ou do seu momento de silêncio e solitude é uma prática realmente restauradora. Pois, a cada feed que você acessa e segue sendo zumbi dos excessos, você termina por gastar a sua vida com coisas que só capturam a sua paz e planta em sua mente sentimentos negativos, isso sem contar, que tal atitude tira você do local onde está.

    Eu constantemente desligo o celular, transformando meus dias em momentos revigorantes e de crescimento. Eu tenho redes sociais, mas imponho limites. Quando eu saio visitar outros lugares, não ligo a internet, e busco desfrutar daquele momento, vivendo cada instante e novidade, sem estar constantemente me transportando para outros lugares.

    Sem limites e sem cultivar uma vida equilibrada, você trocará a sua vida e a sua saúde, por coisas que só trazem estímulos passageiros e roubam a sua paz.

    Aprenda a realmente estar em um lugar e a desfrutar das coisas e dos momentos, sem ser interrompido pelas notificações. Não troque as notificações pelo prazer de estar verdadeiramente em um lugar!

    BIBLIOGRAFIA

    LENOIR, F. Viver!: Um manual de resiliência para um mundo imprevisível. 1. ed. Petrópolis: Vozes, 2020.

  • A VERTIGEM DA REFLEXÃO

    “A sensação de vertigem acompanha toda a reflexão séria sobre as coisas” (PONDÉ, 2019, p. 21).

    Alguns assuntos são complicados, não dá para simplificar, principalmente quando você realmente entende e percebe, por conta de todas as variantes, como o tema pode não ser tão simples assim. E quem soluciona de forma rápida algumas questões é porque muitas vezes não tem informação suficiente para perceber o quão simplista está sendo.

    Gosto de ouvir a opinião de algumas pessoas quanto a assuntos complicados, principalmente sobre crenças, hábitos e pontos de vista, mas é preocupante perceber como alguns possuem crenças simplistas e sem fundamentos. Em contrapartida, já ouvi muitas pessoas sábias, que realmente abalaram o meu modo de pensar.

    Às vezes eu realmente me preocupo ao ver muitos opinando sem conhecer, sendo que infelizmente isso é muito comum. É totalmente normal encontrar pessoas que não demoram em opinar, mesmo sem informação, e não se preocupam em entender primeiro o assunto, antes de emitir um ponto de vista.

    O diálogo sério é sempre construtivo, discutir sobre opiniões e crenças com uma pessoa que sabe dialogar não tem preço. Sendo que esta é a melhor forma de percebermos nossas falhas e contradições. Aprendi muito estando entre amigos onde o diálogo era constante. Principalmente, aqueles que possuíam opiniões embasadas ou coerentes.

    Por outro lado, este tipo de diálogo é sempre desafiador, pois muitas vezes abala as nossas crenças, opiniões e tradições que carregamos, e é preciso muita humildade para aceitar e refletir sobre isso para conseguir mudar.

    Conversar sobre assuntos relevantes e não sentir vertigem ou perceber como opiniões ou pontos de vista muitas vezes desaparecem diante dos fatos é certamente conversar apenas com quem concorda com você ou mesmo com pessoas que não possuem conteúdo. A arte de pensar e aprender se encontra no hábito de ter contato com o conhecimento que nos desafia. É realmente mergulhar no assunto, para desta forma perceber a nossa ignorância e ser impactado pelo conhecimento.

    Por isso, antes de emitir uma opinião, mergulhe no assunto, pesquise, leia livros e palestras de quem realmente entende. Depois, busque autores que possuem uma opinião contrária àqueles que você pesquisou. Ter contato com quem discorda é fundamental para percebermos todas as variantes de um tema. Depois disso, e apenas após isso, formule uma opinião, mas não coloque um ponto final e sim, apenas uma vírgula, por ser normal nos depararmos com outros fatos que podem nos fazer repensar tais conceitos.

    A reflexão séria faz parte da vida do verdadeiro acadêmico e ela abala a nossa vida, nos dá vertigem, faz-nos pensar e assim crescer, sendo que ela tem como base o saber, o conhecimento, e não opiniões infundadas. É preciso ter fundamentos para assim termos opiniões sólidas e um bom repertório, para refletir com uma certa precisão.

    Ao dar os meus primeiros passos na vida acadêmica, senti muitas vertigens e percebi alguns dos meus conceitos desmoronarem. Mas estes passos me fizeram buscar, ler e estudar, construindo assim um conhecimento íntegro e longe do senso comum.

    BIBLIOGRAFIA

    PONDÉ, L. F. Como aprendi a pensar: Os filósofos que me formaram. 1. ed. São Paulo: Editora Planeta, 2019.

  • TEMPO É VIDA

    A visão que eu tenho de um paraíso perfeito é bem simples, qualquer lugar que tenha uma mata, um rio e muita paz, eu considero um verdadeiro paraíso. Descansar, no meu ponto de vista, é estar em meio a paz e a tranquilidade da natureza.

    É comum eu ir para alguns lugares e não levar o celular ou ir viajar e manter ele bloqueado, sem acesso à internet e a todos os seus estímulos. Nem sempre ser encontrado é uma boa opção, principalmente quando você quer manter um momento de descanso.

    Sou do tipo que precisa de silêncio e um pouco de solitude para conseguir recarregar as baterias, para mim, barulho e excesso de pessoas são sinônimos de muita canseira. 

    Viver está muito mais ligado às escolhas e como priorizamos nosso tempo, sendo que isso determina o ritmo da nossa vida. Quem vive para o trabalho, por exemplo, colhe o bônus, mas também o ônus, e isso deve estar bem claro na vida de quem opta por viver assim. O mesmo eu digo para quem fica o dia inteiro nas redes sociais ou qualquer outra atividade do tipo, existe o bônus e o ônus em tudo o que escolhemos. Caso você decida viver destas maneiras, tenha plena consciência disso e entenda todas as suas implicações.

    A tecnologia é maravilhosa, nos dá inúmeras ferramentas e oportunidade de aprender, nos comunicar e compartilhar coisas importantes. Mas ela pode ser também uma ferramenta de alienação.

    Gastar tempo é usar o que temos de mais valioso, pois no final, o que usamos é na verdade a nossa vida. Vendemos nosso tempo no trabalho e o gastamos ao fazermos nossas escolhas. O tempo é tudo e um dia acaba.

    É comum desperdiçarmos tempo com coisas fúteis ou mesmo vivermos para o que não vale a pena. Como se o tempo, assim como as bugigangas que compramos pela internet, estivesse acessível, ao alcance das mãos.

    O tempo vai ser sempre escasso, por isso que gastar com sabedoria é a opção do sábio. Não estou falando que você não deva ter seu tempo de descontração ou deixar de usar as redes sociais e sim, saber dosar e não gastar à toa de forma desmedida.

    A frase popular “Tempo é dinheiro” é muito equivocada, pois nem tudo é dinheiro, apesar de ele ser importante para a nossa subsistência. Viver é muito mais que poder comprar ou acumular riquezas. É muito bom ter, mas quando o ter domina você, você vira escravo e com isso, acaba perdendo o seu tempo. O escravo é alguém preso a algo, não tem liberdade e muito menos vontade própria.

    Tempo é vida, é na verdade tudo o que temos e perceber como é grande a responsabilidade de gastar nosso tempo, é entender que ele vai sempre estar em falta, já que os nossos dias na terra são contados.

    Por mais que tenhamos a crença em uma vida futura e eterna ao lado de Deus, aqui na terra, o tempo é limitado, por isso, gaste-o com sabedoria!

  • CIDADÃO INVISÍVEL

    Gosta de poesia? Esta era a pergunta que eu costumava fazer no período em que eu trabalhava na rua, durante a minha juventude. Por três anos, mais ou menos, vivi a vida vendendo zines de poesia para amantes da arte. Era um tempo onde a vida era incerta, não era possível imaginar se naquele dia eu conseguiria dinheiro suficiente para uma refeição, mas a liberdade que eu experimentei foi muito grande.

    Na rua, aprendi que algumas pessoas são invisíveis, vivenciei esta realidade na pele, percebendo como no final, enxergamos o que queremos enxergar. O mundo é o que priorizamos olhar, sendo que para olhos atentos, existe mais do que aparentemente parece existir. São universos percebidos através de cada pessoa e cada contexto social.

    Certas profissões também têm o poder de tornar invisível um ser humano, ainda mais quando alguém exerce uma tarefa que é vista como inferior. Muitos ignoram pessoas consideradas inferiores e percebem apenas quem para si são importantes ou que de alguma maneira, conseguem agregar valor à sua carreira ou relação social, em uma amizade totalmente utilitária.

    No tempo de Jesus não era diferente, na sociedade da época, tal qual a nossa, havia muitos que eram invisíveis e considerados inferiores. Mas Jesus andou justamente com eles, ouviu desde pessoas tidas como impuras, como os leprosos, alguns vistos como traidores como os cobradores de impostos até alguns mestres da lei ele dialogou. Foram estes que ele atendeu e ofereceu a mão, sem pensar em qualquer tipo de retorno como muitos hoje em dia pensam.

    Cada um tem uma história, este é um fato fundamental que precisamos guardar, e a rua esconde justamente estas pessoas e disfarça o seu rosto fazendo-os parecer insignificantes. Por isso que ouvir, acolher e receber é importante caso queiramos agir como Cristo.

    É fácil nos considerarmos melhores que o outro, visto que, a sociedade tem o poder de dividir as pessoas em classes e se você estiver em uma classe importante e não tiver uma mente crítica, você certamente vai olhar alguns com desdém, reproduzindo assim uma injustiça que sempre foi vista desde que o mundo é mundo.

    Mas como seguimos a Cristo, precisamos receber a todos como iguais e levar a luz do evangelho sem qualquer preconceito. E eu espero que neste ínterim você consiga ouvir as várias histórias que cada um leva consigo, aprendendo desta forma, a enxergar outras realidades.

    Ver é muito mais que admirar algo, é perceber o outro, é entender alguém ou uma realidade, não a partir das nossas vivências e sim, do contexto real. É fácil projetarmos a nossa realidade para a realidade do outro, distorcendo assim, uma história e a nossa conclusão sobre o fato.

    No mundo existem muitos cidadãos invisíveis, com histórias e contextos que são desconhecidos, percebê-los é a missão daqueles que seguem a Cristo e buscam seguir os seus passos.

    Saber olhar com amor, com aquele calor que só quem está aberto a ouvir consegue olhar é a atitude de quem acima de tudo, busca fazer a diferença na vida das pessoas.

  • A FORÇA DA ROTINA

    Vivemos em um contexto onde estudar não é visto com bons olhos, uma boa parte das pessoas acreditam que é maçante ler um livro, estudar ou pesquisar. Somando isso ao fato que temos muitas ferramentas para nos distrair, é possível cairmos em um limbo existencial e sermos levados por hábitos que não nos trarão crescimento.

    Quando falamos em hábitos, discorremos sobre regras que podem ser tanto boas quanto ruins. Apesar de ser verdade que adquirimos de forma muito rápida maus hábitos, é possível cultivarmos uma vida com bons hábitos, basta seguirmos persistentes. Por isso, proponho alguns passos que ajudarão você a construir uma rotina relevante.

     A disciplina e a rotina na vida acadêmica são os primeiros passos, sendo eles fatores determinantes do processo. Sem disciplina, não conseguiremos construir uma rotina diária de estudos, leitura e pesquisa neste nosso mundo de constantes estímulos e distrações. Greg Mckeown acrescenta:

    “A rotina é uma das ferramentas mais poderosas para remover obstáculos. Sem ela, a atração das distrações não essenciais nos domina. Mas se criarmos uma rotina capaz de preservar o essencial, começaremos a executá-la no piloto automático” (2015, p. 214).

    A rotina aliada a disciplina, tem o poder de nos manter no foco, na direção dos nossos objetivos. Uma vida calcada em algumas boas rotinas é uma vida que segue rumo ao alvo. Sendo que, ela não serve apenas para os estudos ou para a vida acadêmica e sim, para tudo. Seja para praticar um instrumento musical, um esporte, entre tantos hábitos que nem sempre são fáceis de adquirir. Entenda uma coisa, a maioria das coisas que nos fazem crescer e melhorar, não são fáceis de cultivar.

    Uma outra vantagem da rotina é que ela transforma uma prática, até então difícil, em algo que fazemos no piloto automático. Com isso, liberamos a nossa mente para nos concentrar em outra coisa. Quando pegamos o hábito de fazer algo, não precisamos mais nos esforçar para conseguir fazer, a prática se torna parte da nossa vida (2015, p. 215). Por isso, se existe algo que você precisa cultivar é a disciplina.

    O primeiro passo para conseguirmos construir uma rotina é entender bem o que queremos e delimitar detalhadamente nossos objetivos. Saber o que você quer com a rotina é um passo importante. Opte por definir objetivos sólidos e siga focado, escolha poucos alvos e aprenda a dar um passo de cada vez.

    O segundo passo é definir um horário, um tempo que será apenas para executar aquela determinada tarefa. Como estamos falando de vida acadêmica, escolha um tempo para ler e estudar, e de preferência, em um local reservado, sem interrupções. Se você ainda não tem o hábito, não precisa ser muito tempo. É muito melhor você cultivar a constância, do que a quantidade. Não adianta muito um dia você ler e estudar por horas e no outro não. É preciso constância, para que aquela determinada rotina se torne parte da sua vida.

    E a última dica é a mais importante, é aprender a fazer as coisas mesmo sem vontade, na verdade, disciplina é justamente isso. Entenda uma coisa, nem sempre eu tinha vontade de estudar e ler, principalmente quando eu tinha um dia de trabalho cheio. É claro que em alguns momentos da nossa vida, chegamos em casa e queremos mais é cair no sofá e nos desligar. E nos primeiros dias da rotina, você vai enfrentar muito isso, mas para conseguir, você deve ser disciplinado e fazer mesmo que sem vontade.

    Com o tempo, aquela prática entra em nossa vida e torna-se parte da nossa rotina. E acima de tudo, entenda que você vai fracassar muitas vezes, o que vai definir o seu sucesso é a capacidade de recomeçar quantas vezes for preciso. Eu gosto de uma frase da bailarina russa Anna Pavlova:

    “Seguir uma meta sem hesitar: eis o segredo do sucesso” (2015, p. 127).

    Não vacile, siga firme e recomece sempre que for preciso, o sucesso em algo é construído apenas por aqueles que não desistem. E acima de tudo, mesmo que alguém fale que você não vai conseguir, persista, pois o segredo é apenas este, persistência.

    Uma das ferramentas mais poderosas é a rotina, é ela que nos coloca nos trilhos e nos ajuda a termos uma vida com hábitos relevantes, que nos trazem frutos, conhecimento ou mesmo saúde. Sendo que é através dela que um acadêmico vai chegar em seu alvo.

    A disciplina é elemento fundamental da vida acadêmica e a rotina é a melhor ferramenta!

    BIBLIOGRAFIA

    MCKEOWN, Greg. Essencialismo: A disciplinada busca por menos. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2015.

  • SOCIEDADE DA SOLIDÃO

    “A solidão da vida contemporânea aparece por trás da alegria montada para as fotos, também irrelevantes. Nunca se tirou tanta foto e nunca se viu tão pouco uma. A solidão nos ataca como um enxame de abelhas” (PONDÉ, 2019, p. 48).

    Se você é um daqueles que quando acorda, logo acessa as redes sociais, você vai perceber como através destas lentes, o mundo é perfeito, próspero e feliz. Já no mundo real, você vai constatar uma verdade bem oposta a esta. Nunca o ser humano esteve tão ansioso, depressivo e preocupado.

    Algumas realidades são construídas na tentativa de algumas poucas pessoas venderem um estilo de vida que é falso, que não existe. Uma vida completamente feliz, sem problemas e dificuldades, além de ser uma vida falsa, é totalmente entediante.

    É claro que eu não gosto de sofrer, mas sei como as dificuldades nos ensinam, também nos dão experiências e senso de propósito. Um mundo sem dor, dificuldades e desafios, é um mundo que não se move, que não busca crescer e construir. Tudo o que vale a pena demanda esforço, tentativa e erro e perseverança.

     Vivemos dias onde todos querem tudo na mão, onde cultivar uma amizade verdadeira é para poucos, o melhor mesmo (segundo estes) é ter uma quantidade grande de seguidores e com isso priorizar muito mais a quantidade do que a qualidade. Nunca o mundo tem seguido tão solitário, apesar de todos os “amigos” e seguidores, já que cultivar uma amizade dá trabalho e demanda tempo. E com isso, a sociedade segue só, sem relacionamentos concretos e comunhão.

    Eu tenho poucos amigos, nunca fui uma pessoa cercada de pessoas, prezo mais pela qualidade do que pela quantidade. E por ter amigos, eu sei muito bem que nem sempre é fácil. Conviver, dialogar e lidar com os pontos divergentes, não são coisas simples, mas é o caminho da verdadeira amizade.

    O mundo tem seguido cada vez mais solitário, apesar das festas cheias, ele deixa de construir relacionamentos sólidos e concretos. A superficialidade invadiu o nosso cotidiano, ensinando que o segredo é esperar que tudo caia do céu, um ensino equivocado, diga-se de passagem.

    As amizades verdadeiras, as dificuldades e os esforços nos ensinam, nos moldam e nos dão resiliência. Quando aprendemos que construir é trabalhoso, mas que o resultado é duradouro, percebemos a superficialidade do mundo e entendemos porque a sociedade caminha cada vez mais em direção as contradições.

    Deus nos livre de um mundo de quantidades, de superficialidades e felicidades abstratas. Que possamos aprender que ter amigos verdadeiros nunca foi sinônimo de quantidade e sim, do quanto você está disposto a se doar.

    No final, a solidão demonstra nosso egoísmo, revela uma quantidade grande de individualismo de pessoas que acreditam que o mundo deve seguir segundo seus pontos de vista. Não é possível cultivar uma amizade sendo egoísta, ou você aprende a compartilhar e a respeitar uma opinião oposta, ou caminhará sempre só, cercado apenas de conhecidos ao invés de amigos.

    BIBLIOGRAFIA

    PONDÉ, Luiz. Felipe. A era do ressentimento. 2. ed. São Paulo: Globo Livros, 2019.

  • SINCERIDADE MASCARADA

    Nunca foi tão fácil ofender como hoje, basta ter um computador, que qualquer pessoa consegue xingar, ofender ou “falar a verdade” sobre algo, segundo alguns afirmam. Uma verdade que geralmente insiste em impor e diminuir as pessoas.

    Enquanto na frente de uma pessoa um indivíduo não consegue esboçar a mais educada opinião, por traz da tela do computador, as palavras mais ofensivas são proferidas em nome da liberdade de expressão.

    Hoje é possível observar um fenômeno interessante que é a máscara que o computador dá a um indivíduo. Uma pessoa atrás de um computador consegue falar e desafiar qualquer um, além de diminuir e ofender alguém. A coragem surge com o anonimato que a tecnologia proporciona.

    O espírito do nosso tempo é este, uma ofensa mascarada de sinceridade. Onde alguém fala e opina, acreditando que tem o direito de ofender e diminuir as pessoas.

    Aprendi que a sinceridade que ofende, não é sinceridade e sim grosseria, de quem se acha no direito de rebaixar qualquer pessoa que não pensa igual. Não precisamos ofender para sermos sinceros, basta com educação sabermos nos expressar, mas eu creio que a gana de alguns não é ser sincero e sim, bater de frente, ofender e impor uma opinião, em uma ação totalmente narcisista, como é comum hoje em dia.

    A sinceridade é educada, ela busca colaborar e incentivar uma pessoa. Quem é realmente sincero, escolhe as palavras e possui boas ideias. Na verdade, a inteligência se revela justamente através da atitude de uma pessoa que sabe se comunicar e se expressar conforme as características do seu interlocutor. Convivi com muitos destes “sinceros” e uma boa parte deles eram ágeis em encontrar defeitos, mas inaptos em propor uma solução para um problema.

    Aprenda uma coisa, se você não consegue encontrar uma ideia melhor ao pensar em fazer uma crítica, opte em se calar. Pois é claro que as coisas podem sempre melhorar, mas se não tivermos uma colaboração, a crítica não é tão útil.

    Outra coisa, entes de fazer uma crítica, opte em dar uma sugestão, caso a pessoa esteja aberta a isso, é claro. Se você quer ajudar, uma ideia é um ponto de partida melhor do que apenas criticar de forma aleatória.

    As vezes algo pode melhorar, eu sei disso, o problema é que nem sempre contamos com o tempo que alguém gastou para fazer determinado empreendimento. É por isso que nestes casos, a crítica se torna injusta e desanimadora, caso não seja colocada de uma forma apropriada, visto que ela não leva em conta a pessoa e toda a sua dedicação.

    É fácil fazer uma crítica quando não foi você quem gastou tempo em um projeto. Sendo que muitos dos críticos que eu conheci, eram pessoas que não faziam nada. Eles gostavam de apenas criticar, afinal, fazer algo dava muito trabalho.

  • O PRINCÍPIO DA VIDA DISCIPLINADA

    “Existem muito mais atividades e oportunidades no mundo do que tempo e recursos para investir nelas. E, embora muitas possam até ser muito boas, o fato é que a maioria é trivial” (MCKEOWN, 2015, p. 13).

    Eu gosto muito de escrever e estudar, creio que escrever e lapidar uma estátua em pedra bruta, são coisas semelhantes. Pois para tais atividades, o foco e a disciplina são fundamentais.

    O essencial passo que precisamos dar quando queremos desenvolver uma rotina de estudos ou mesmo para termos disciplina para praticar algo, é entender muito bem o que queremos, qual é o propósito com tal atividade.

    Veja bem, vivemos em um mundo com muitas oportunidades, principalmente no quesito interação ou passa tempo. São muitas plataformas de vídeos, de streamings e as mais variadas oportunidades. São canais que servem tanto como ferramentas, quanto como empecilhos. O que vai determinar é a sua prioridade e como você usa tais canais. Sendo que entender bem aonde você quer chegar, já é um primeiro passo para o cultivo da disciplina.

    Eu sei bem onde eu quero chegar com os meus estudos, pesquisa e escrita, é por conta disso que eu me dedico e cumpro a risca toda a minha rotina. Greg Mckeows inclui algo importante sobre o tema prioridade:

    “Se não estabelecermos prioridades, alguém fará isso por nós (MCKEOWN, 2015, p. 18).

    É fundamental delimitamos bem o caminho que queremos percorrer, caso contrário você caminhará a esmo, caindo em muitas armadilhas ou seguirá perdendo o seu tempo com futilidades. Lembrando bem que o foco vai ajudar você a não sucumbir diante de todas as opções ou boas oportunidades.

    Nem sempre bons convites são boas oportunidades. Pois se eles desviarem você de onde você quer chegar, você vai se perder, sem cumprir o que você estabeleceu para a sua vida, com isso, apesar de parecerem boas, elas não são. Tudo o que desvia você do seu propósito não é boa oportunidade.

    Basicamente viver é tomar decisões, é fazer escolhas, descobrindo neste processo que escolher é também perder. Mas com o tempo descobrirmos que não existe perda para quem tem um objetivo. Uma boa oportunidade que não está consoante com seus planos, não é boa, por isso, recusar não é perder, mas ganhar. O princípio da disciplina é saber bem o seu objetivo, sendo que quem tem este plano bem claro e estabelecido, não se vende para qualquer tipo de distração.

    Delimite o seu caminho, coloque no papel todos os seus planos e siga focado, fugindo de tudo o que parece ser bom, mas que você sabe que não é, pelo menos para você. Boas oportunidades levam você mais próximo dos seus objetivos as ruins desviam você deles.

    BIBLIOGRAFIA

    MCKEOWN, Greg, Essencialismo: A disciplinada busca por menos, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2015.

  • QUANTO MAIS ALIENADO MELHOR

    O bom das redes sociais é poder publicar conteúdo ou divulgar algo, além de conseguir ter contato com amigos, dicas e inúmeros benefícios. Mas a verdade é que eu não tenho mais tanto tempo para as redes, por isso, evito gastar tanto tempo nestes lugares. Prefiro me dedicar a outras atividades.

    Eu conheço pessoas que ficam totalmente aflitas quando as redes sociais saem do ar por algum tempo, como já aconteceu várias vezes. É como se fosse uma questão de vida ou morte, sendo que aquele sentimento de incompletude se instala quando estas pessoas não conseguem se conectar.

    É interessante perceber como as mesmas ferramentas que usamos para aprender, nos comunicar e disponibilizar bons conteúdos, podem também serem ferramentas de alienação. Ainda mais que a internet, mesmo sendo vasta, exige que o usuário tenha conhecimento e muito critério para tirar um bom proveito e não cair na cilada dos conteúdos irrelevantes e Fake News.

    Jaron Lanier, um cientista de computação e uma das maiores autoridades sobre realidade virtual, explica o fator viciante que as redes sociais possuem, em seu livro: “Dez Argumentos Para Você Deletar Agora Suas Redes Sociais”.

     Ele argumenta que Parker, um empreendedor que participou dos primeiros passos do Facebook, diz que a intenção desde o princípio era realmente viciar as pessoas na rede social. As técnicas usadas são as mesmas para tratar vícios, mas também criá-los. A dopamina, que é um neurotransmissor responsável pela sensação de prazer é uma das bases do processo para viciar as pessoas (LANIER, 2018, p. 19, 20). Jaron Lanier explica resumidamente o processo acrescentando que:

    “O prazer viciante e os padrões de recompensa no cérebro – a “pequena dose de dopamina” mencionada por Sean Parker – integram a base do vício em redes sociais, mas não é só isso, porque a rede social também usa a punição e o reforço negativo” (2018, p. 21).

    O interessante é que estas punições e recompensas eram usadas em vários experimentos de laboratório. Você já pensou que no fundo, você faz parte de um grande experimento científico com intuito de controlar e alienar as pessoas? A intenção não é assustar e muito menos fazer um alarde e sim, abrir a sua cabeça, principalmente se você é uma daquelas pessoas que não conseguem viver sem as redes sociais. Se está é a sua realidade, você deveria pensar sobre o assunto.

    Quanto mais alienado uma pessoa é, mais fácil é de controlar, vender coisas inúteis ou mesmo manipular opiniões. As notícias, quando não são honestas, já são perigosas e podem manipular fatos e realidades, se unirmos isso as redes sociais, que possuem o propósito de viciar e controlar pessoas, já temos alguns fatos para refletir a ponderar.

    A intenção do texto não é levar você a deletar as suas redes e sim, refletir e pensar no impacto que ela tem em sua vida. Como eu disse no começo do texto, as redes são úteis, eu divulgo meus textos através delas, mas não tenho qualquer vício e muito menos perco o meu tempo navegando o dia inteiro. Mas se você tem tais problemas, eu aconselharia tratar ou mesmo a deletar tais armadilhas.

    Uma pessoa que passa o dia inteiro em uma rede social, está gastando o que tem de mais importante que é o seu tempo. Se tal plataforma controla você, é neste momento que você precisa ter consciência e excluir da sua vida um mal que só lhe prejudicará.

    Delete da sua vida todas as coisas que alienam você, antes que você pare de pensar por si só!

    BIBLIOGRAFIA

    LANIER, Jaron. Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais. 1. ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2018.