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SOCIEDADE DA SOLIDÃO
“A solidão da vida contemporânea aparece por trás da alegria montada para as fotos, também irrelevantes. Nunca se tirou tanta foto e nunca se viu tão pouco uma. A solidão nos ataca como um enxame de abelhas” (PONDÉ, 2019, p. 48).
Se você é um daqueles que quando acorda, logo acessa as redes sociais, você vai perceber como através destas lentes, o mundo é perfeito, próspero e feliz. Já no mundo real, você vai constatar uma verdade bem oposta a esta. Nunca o ser humano esteve tão ansioso, depressivo e preocupado.
Algumas realidades são construídas na tentativa de algumas poucas pessoas venderem um estilo de vida que é falso, que não existe. Uma vida completamente feliz, sem problemas e dificuldades, além de ser uma vida falsa, é totalmente entediante.
É claro que eu não gosto de sofrer, mas sei como as dificuldades nos ensinam, também nos dão experiências e senso de propósito. Um mundo sem dor, dificuldades e desafios, é um mundo que não se move, que não busca crescer e construir. Tudo o que vale a pena demanda esforço, tentativa e erro e perseverança.
Vivemos dias onde todos querem tudo na mão, onde cultivar uma amizade verdadeira é para poucos, o melhor mesmo (segundo estes) é ter uma quantidade grande de seguidores e com isso priorizar muito mais a quantidade do que a qualidade. Nunca o mundo tem seguido tão solitário, apesar de todos os “amigos” e seguidores, já que cultivar uma amizade dá trabalho e demanda tempo. E com isso, a sociedade segue só, sem relacionamentos concretos e comunhão.
Eu tenho poucos amigos, nunca fui uma pessoa cercada de pessoas, prezo mais pela qualidade do que pela quantidade. E por ter amigos, eu sei muito bem que nem sempre é fácil. Conviver, dialogar e lidar com os pontos divergentes, não são coisas simples, mas é o caminho da verdadeira amizade.
O mundo tem seguido cada vez mais solitário, apesar das festas cheias, ele deixa de construir relacionamentos sólidos e concretos. A superficialidade invadiu o nosso cotidiano, ensinando que o segredo é esperar que tudo caia do céu, um ensino equivocado, diga-se de passagem.
As amizades verdadeiras, as dificuldades e os esforços nos ensinam, nos moldam e nos dão resiliência. Quando aprendemos que construir é trabalhoso, mas que o resultado é duradouro, percebemos a superficialidade do mundo e entendemos porque a sociedade caminha cada vez mais em direção as contradições.
Deus nos livre de um mundo de quantidades, de superficialidades e felicidades abstratas. Que possamos aprender que ter amigos verdadeiros nunca foi sinônimo de quantidade e sim, do quanto você está disposto a se doar.
No final, a solidão demonstra nosso egoísmo, revela uma quantidade grande de individualismo de pessoas que acreditam que o mundo deve seguir segundo seus pontos de vista. Não é possível cultivar uma amizade sendo egoísta, ou você aprende a compartilhar e a respeitar uma opinião oposta, ou caminhará sempre só, cercado apenas de conhecidos ao invés de amigos.
BIBLIOGRAFIA
PONDÉ, Luiz. Felipe. A era do ressentimento. 2. ed. São Paulo: Globo Livros, 2019.
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SINCERIDADE MASCARADA
Nunca foi tão fácil ofender como hoje, basta ter um computador, que qualquer pessoa consegue xingar, ofender ou “falar a verdade” sobre algo, segundo alguns afirmam. Uma verdade que geralmente insiste em impor e diminuir as pessoas.
Enquanto na frente de uma pessoa um indivíduo não consegue esboçar a mais educada opinião, por traz da tela do computador, as palavras mais ofensivas são proferidas em nome da liberdade de expressão.
Hoje é possível observar um fenômeno interessante que é a máscara que o computador dá a um indivíduo. Uma pessoa atrás de um computador consegue falar e desafiar qualquer um, além de diminuir e ofender alguém. A coragem surge com o anonimato que a tecnologia proporciona.
O espírito do nosso tempo é este, uma ofensa mascarada de sinceridade. Onde alguém fala e opina, acreditando que tem o direito de ofender e diminuir as pessoas.
Aprendi que a sinceridade que ofende, não é sinceridade e sim grosseria, de quem se acha no direito de rebaixar qualquer pessoa que não pensa igual. Não precisamos ofender para sermos sinceros, basta com educação sabermos nos expressar, mas eu creio que a gana de alguns não é ser sincero e sim, bater de frente, ofender e impor uma opinião, em uma ação totalmente narcisista, como é comum hoje em dia.
A sinceridade é educada, ela busca colaborar e incentivar uma pessoa. Quem é realmente sincero, escolhe as palavras e possui boas ideias. Na verdade, a inteligência se revela justamente através da atitude de uma pessoa que sabe se comunicar e se expressar conforme as características do seu interlocutor. Convivi com muitos destes “sinceros” e uma boa parte deles eram ágeis em encontrar defeitos, mas inaptos em propor uma solução para um problema.
Aprenda uma coisa, se você não consegue encontrar uma ideia melhor ao pensar em fazer uma crítica, opte em se calar. Pois é claro que as coisas podem sempre melhorar, mas se não tivermos uma colaboração, a crítica não é tão útil.
Outra coisa, entes de fazer uma crítica, opte em dar uma sugestão, caso a pessoa esteja aberta a isso, é claro. Se você quer ajudar, uma ideia é um ponto de partida melhor do que apenas criticar de forma aleatória.
As vezes algo pode melhorar, eu sei disso, o problema é que nem sempre contamos com o tempo que alguém gastou para fazer determinado empreendimento. É por isso que nestes casos, a crítica se torna injusta e desanimadora, caso não seja colocada de uma forma apropriada, visto que ela não leva em conta a pessoa e toda a sua dedicação.
É fácil fazer uma crítica quando não foi você quem gastou tempo em um projeto. Sendo que muitos dos críticos que eu conheci, eram pessoas que não faziam nada. Eles gostavam de apenas criticar, afinal, fazer algo dava muito trabalho.
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O PRINCÍPIO DA VIDA DISCIPLINADA
“Existem muito mais atividades e oportunidades no mundo do que tempo e recursos para investir nelas. E, embora muitas possam até ser muito boas, o fato é que a maioria é trivial” (MCKEOWN, 2015, p. 13).
Eu gosto muito de escrever e estudar, creio que escrever e lapidar uma estátua em pedra bruta, são coisas semelhantes. Pois para tais atividades, o foco e a disciplina são fundamentais.
O essencial passo que precisamos dar quando queremos desenvolver uma rotina de estudos ou mesmo para termos disciplina para praticar algo, é entender muito bem o que queremos, qual é o propósito com tal atividade.
Veja bem, vivemos em um mundo com muitas oportunidades, principalmente no quesito interação ou passa tempo. São muitas plataformas de vídeos, de streamings e as mais variadas oportunidades. São canais que servem tanto como ferramentas, quanto como empecilhos. O que vai determinar é a sua prioridade e como você usa tais canais. Sendo que entender bem aonde você quer chegar, já é um primeiro passo para o cultivo da disciplina.
Eu sei bem onde eu quero chegar com os meus estudos, pesquisa e escrita, é por conta disso que eu me dedico e cumpro a risca toda a minha rotina. Greg Mckeows inclui algo importante sobre o tema prioridade:
“Se não estabelecermos prioridades, alguém fará isso por nós (MCKEOWN, 2015, p. 18).
É fundamental delimitamos bem o caminho que queremos percorrer, caso contrário você caminhará a esmo, caindo em muitas armadilhas ou seguirá perdendo o seu tempo com futilidades. Lembrando bem que o foco vai ajudar você a não sucumbir diante de todas as opções ou boas oportunidades.
Nem sempre bons convites são boas oportunidades. Pois se eles desviarem você de onde você quer chegar, você vai se perder, sem cumprir o que você estabeleceu para a sua vida, com isso, apesar de parecerem boas, elas não são. Tudo o que desvia você do seu propósito não é boa oportunidade.
Basicamente viver é tomar decisões, é fazer escolhas, descobrindo neste processo que escolher é também perder. Mas com o tempo descobrirmos que não existe perda para quem tem um objetivo. Uma boa oportunidade que não está consoante com seus planos, não é boa, por isso, recusar não é perder, mas ganhar. O princípio da disciplina é saber bem o seu objetivo, sendo que quem tem este plano bem claro e estabelecido, não se vende para qualquer tipo de distração.
Delimite o seu caminho, coloque no papel todos os seus planos e siga focado, fugindo de tudo o que parece ser bom, mas que você sabe que não é, pelo menos para você. Boas oportunidades levam você mais próximo dos seus objetivos as ruins desviam você deles.
BIBLIOGRAFIA
MCKEOWN, Greg, Essencialismo: A disciplinada busca por menos, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2015.
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QUANTO MAIS ALIENADO MELHOR
O bom das redes sociais é poder publicar conteúdo ou divulgar algo, além de conseguir ter contato com amigos, dicas e inúmeros benefícios. Mas a verdade é que eu não tenho mais tanto tempo para as redes, por isso, evito gastar tanto tempo nestes lugares. Prefiro me dedicar a outras atividades.
Eu conheço pessoas que ficam totalmente aflitas quando as redes sociais saem do ar por algum tempo, como já aconteceu várias vezes. É como se fosse uma questão de vida ou morte, sendo que aquele sentimento de incompletude se instala quando estas pessoas não conseguem se conectar.
É interessante perceber como as mesmas ferramentas que usamos para aprender, nos comunicar e disponibilizar bons conteúdos, podem também serem ferramentas de alienação. Ainda mais que a internet, mesmo sendo vasta, exige que o usuário tenha conhecimento e muito critério para tirar um bom proveito e não cair na cilada dos conteúdos irrelevantes e Fake News.
Jaron Lanier, um cientista de computação e uma das maiores autoridades sobre realidade virtual, explica o fator viciante que as redes sociais possuem, em seu livro: “Dez Argumentos Para Você Deletar Agora Suas Redes Sociais”.
Ele argumenta que Parker, um empreendedor que participou dos primeiros passos do Facebook, diz que a intenção desde o princípio era realmente viciar as pessoas na rede social. As técnicas usadas são as mesmas para tratar vícios, mas também criá-los. A dopamina, que é um neurotransmissor responsável pela sensação de prazer é uma das bases do processo para viciar as pessoas (LANIER, 2018, p. 19, 20). Jaron Lanier explica resumidamente o processo acrescentando que:
“O prazer viciante e os padrões de recompensa no cérebro – a “pequena dose de dopamina” mencionada por Sean Parker – integram a base do vício em redes sociais, mas não é só isso, porque a rede social também usa a punição e o reforço negativo” (2018, p. 21).
O interessante é que estas punições e recompensas eram usadas em vários experimentos de laboratório. Você já pensou que no fundo, você faz parte de um grande experimento científico com intuito de controlar e alienar as pessoas? A intenção não é assustar e muito menos fazer um alarde e sim, abrir a sua cabeça, principalmente se você é uma daquelas pessoas que não conseguem viver sem as redes sociais. Se está é a sua realidade, você deveria pensar sobre o assunto.
Quanto mais alienado uma pessoa é, mais fácil é de controlar, vender coisas inúteis ou mesmo manipular opiniões. As notícias, quando não são honestas, já são perigosas e podem manipular fatos e realidades, se unirmos isso as redes sociais, que possuem o propósito de viciar e controlar pessoas, já temos alguns fatos para refletir a ponderar.
A intenção do texto não é levar você a deletar as suas redes e sim, refletir e pensar no impacto que ela tem em sua vida. Como eu disse no começo do texto, as redes são úteis, eu divulgo meus textos através delas, mas não tenho qualquer vício e muito menos perco o meu tempo navegando o dia inteiro. Mas se você tem tais problemas, eu aconselharia tratar ou mesmo a deletar tais armadilhas.
Uma pessoa que passa o dia inteiro em uma rede social, está gastando o que tem de mais importante que é o seu tempo. Se tal plataforma controla você, é neste momento que você precisa ter consciência e excluir da sua vida um mal que só lhe prejudicará.
Delete da sua vida todas as coisas que alienam você, antes que você pare de pensar por si só!
BIBLIOGRAFIA
LANIER, Jaron. Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais. 1. ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2018.
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E SE O PLANO DER ERRADO?
“O mundo não é um mar calmo de evidências. É um oceano cheio de pequenas tempestades a serem vencidas. (PONDÉ, 2019, p.11).
Gastei um bom tempo em um projeto, pensei em todos os detalhes, me dediquei, estudei e tentei me aprimorar. Consegui até encontrar as pessoas certas e qualificadas para me ajudar, mas no final deu tudo errado.
É fácil descobrir uma fórmula mágica para resolvermos nossos problemas, as redes sociais estão cheias de pessoas que ensinam o passo a passo para uma vida de vitória. É impressionante constatar como muitos acreditam que conseguem resolver o problema de todos com um simples passo.
Uma coisa que ensinam pouco hoje em dia é como perder ou o que fazer caso você fracasse em sua empreitada. Veja bem, o fracasso é sempre certo, nós o encontramos a toda a hora e em todas as esquinas. Já a vitória, para vermos, é preciso de um pouco de insistência, foco e perseverança. Fracassar é comum, com isso, saber o que fazer quando tudo dá errado, já é um bom ponto de partida para conseguirmos seguir errando menos.
O primeiro passo é entender que fracassar não é o fim do mundo e saber aprender com os fracassos é o posicionamento daqueles que aprenderam a aprender. Se você deixa de aprender com as derrotas, você perde duas vezes, mas se você aprende, pode ter certeza de que você vai cometer um erro a menos.
O segundo passo é corrigir seus pontos fracos. Os erros revelam pontos nos quais precisamos melhorar, são áreas nos quais o aprimoramento e o estudo se fazem necessários, entender isso é o primeiro passo para o crescimento.
Veja bem, é normal não percebermos nossas falhas e pontos fracos, as vezes acreditamos termos certas habilidades que no fim, se mostram insuficientes, mas o fracasso revela e aponta as áreas que precisamos cuidar, estudar e praticar.
O terceiro passo é nunca desistir. Não é fácil planejar e executar algo, seja uma graduação, um estudo ou até mesmo um negócio. Saber planejar e não desistir é o caminho daqueles que sabem que as coisas que valem a pena não são fáceis. Quem crê que as coisas são fáceis, na verdade nunca deve ter tentado algo.
O quarto passo é saber a hora de parar. Assim como não percebemos os nossos pontos fracos, muitas vezes não percebemos como algumas empreitadas não valem a pena. Assim como o fracasso ensina, nos mostra as áreas que precisamos melhorar, ele também revela que algumas empreitadas não são boas, ou mesmo, não são para nós.
É claro que esta conclusão é sempre complicada, pois como eu disse, a maioria dos planos não são simples e custam muito trabalho. Mas alguns objetivos não valem a pena, já nascem perdidos e só percebemos isso após um bom tombo.
Saber persistir é tão importante quanto saber a hora de parar e para isso, praticar o autoconhecimento é fundamental para não sermos vítimas de um autoengano. Aprenda a refletir, meditar e perceber seus pontos fracos e fortes, o que você gosta e o que não lhe interessa muito. Uma boa consciência de quem somos, já ajuda na missão de decidir.
A derrota nunca é o fim, ela pode ser o começo, um momento de crescimento e aprendizado, tudo vai depender de como você encara este momento. Mais do que saber escalar, é importante saber cair e se levantar de uma forma mais assertiva.
E quem diz isso é alguém que tentou muito e também fracassou muito, por isso eu aprendi e consegui ter sucesso em muitas áreas. Saber lidar com os fracassos, tirando deles o maior proveito possível é a atitude daqueles que estão sempre buscando aprender.
BIBLIOGRAFIA
PONDÉ, L. F. Filosofia do cotidiano: Um pequeno tratado sobre questões menores. 1. São Paulo: Contexto, 2019.
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NÃO PERCA O CONTROLE
“Como a cidade derrubada, sem muro, assim é o homem que não pode conter o seu espírito” (Provérbios 25: 28).
Conheci muitas pessoas que não podíamos contestá-las, pois ao menor sinal de uma opinião contrária, a enxurrada de palavras e justificativas surgiam como uma furiosa torrente de água. E não importava se a crítica tivesse sido feita com muita educação e respeito, a reação era sempre igual.
Uma das lições que eu aprendi ainda bem novo, por conta das muitas oportunidades que eu estava perdendo, foi justamente o autocontrole, não deixar que situações me deixasse sem paciência ou mesmo tirasse a minha capacidade de refletir e ponderar.
Quem não consegue conter o espírito é desprotegido, fala qualquer coisa e se descontrola com qualquer situação, terminando por perder tudo, apenas e porque, se descontrolou.
O interessante é que este descontrole serve para muitas áreas, seja a financeira, quando você gasta sem medidas e não aprende a economizar. Na saúde, quando você não costuma cultivar um bom hábito alimentar ou mesmo nas relações no trabalho, quando a falta de paciência e de capacidade de ouvir críticas, prejudica seu trabalho. Por conta disso, reuni algumas lições que eu aprendi ao longo da minha vida, espero que possa lhe ajudar.
A primeira delas é não me justificar diante de uma crítica. Ao invés de responder, eu busco antes refletir sobre o que estão me falando e se for preciso, eu converso com a pessoa apenas depois, isso quando eu converso. É claro que algumas críticas são desonestas, feitas por pessoas que querem o nosso mal, ou mesmo, por colegas que não nos conhecem e terminam por ter uma ideia equivocada de nós. Mas em todos estes casos, vale a pena parar e pensar, é possível existir alguma verdade e com isso, alguma lição para tirar da crítica.
A segunda lição é não tomar decisão alguma sem tirar um tempo para pensar. É importante pensar um pouco sobre algumas propostas ou decisões que precisamos executar, sendo que algumas escolhas feitas por impulso podem nos prejudicar. O problema é que não existe receita, e o pior é que existem momentos em que precisamos decidir rápido, com o intuito de não perdermos uma oportunidade, mas o problema é que algumas armadilhas são disfarçadas de boas oportunidades, com isso, pensar é o melhor caminho.
Aprender a ter domínio próprio é uma lição muito importante, serve principalmente para você ter uma vida centrada e protegida. A falta de controle expõe uma pessoa, deixa um indivíduo a mercê de inúmeras armadilhas.
Eu sempre digo que o equilíbrio é um grande desafio, uma tarefa realmente árdua, que devemos buscar viver e cultivar. E saber manter o controle é um destes desafios que você deve aceitar e aprender a lidar. Quem não contém o seu espírito, se perde em emoções e ações desmedidas.
Por isso, cultive uma vida de reflexão, aprenda a conter o espírito e colha os frutos de uma vida equilibrada.
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O PROPÓSITO DA DISCIPLINA
Eu sou músico e aprendi a tocar bateria na igreja, vendo o meu irmão e outros bateristas tocarem. Mas foi quando fiquei um pouco mais velho e decidi tocar alguns estilos musicais mais complexos, que eu descobri a importância de buscarmos constantemente aperfeiçoamento. A disciplina surgiu neste tempo, foi inevitável ter que cultivar esta disposição, visto que, o desafio e o aprendizado eram muito grandes.
Na faculdade, eu precisei ser igualmente disciplinado pois eu trabalhava e estudava. E mais tarde, quando decidi escrever, estudar e ler mais, a disciplina precisou estar presente em todos estes processos. Ela é um elemento fundamental para quem quer se desenvolver.
A disciplina é a arte de fazer mesmo sem vontade, é a ação de quem tem consciência e entende que o aperfeiçoamento só vem como muita constância, estudo e muita prática. Richard Foster no livro Celebração da disciplina, resume o termo afirmando que:
“A pessoa disciplinada é aquela que consegue fazer o que precisa ser feito na hora em que precisa ser feito”. (FOSTER, 2020, p. 147).
O disciplinado é alguém que ao invés de arranjar desculpas, procura meios e estratégias para conseguir se aperfeiçoar. Uma pessoa disciplinada não é alguém que tem muito tempo, dons ou facilidades, pois nem sempre esta é a realidade de alguém que conseguiu se desenvolver e aprender. Normalmente ele é alguém que tem foco para cumprir suas metas e objetivos, apesar de todas as dificuldades que possam existir.
Entenda que a regularidade é fundamental em todas as áreas da nossa vida, seja para aprendermos um instrumento, fazermos um curso, melhorar nossa rotina de leitura e estudo, ou mesmo para cultivarmos uma vida de oração, entre inúmeros objetivos que ela nos traz. Perceba que o comum do ser humano é estagnar, é fugir do esforço e do que é difícil. O problema é que para conseguirmos ter habilidade em algo, precisamos praticar e enfrentar os momentos de estudo que nem sempre são prazerosos.
Eu por exemplo, escrevo todos os dias, seja textos para o blog, o livro que estou escrevendo ou algum artigo acadêmico. Eu tenho também um horário para ler e estudar, que eu cumpro sem faltar, por entender que este é o caminho para conseguir chegar em um nível de excelência. Seja como professor, teólogo ou filósofo.
Descobri que vontade e inspiração você não espera surgir e sim, você faz aparecer, com muita disciplina, constância e estudos. Esperar ter vontade ou inspiração, é o caminho da estagnação. Prefiro colocar a mão na massa, que normalmente em meio ao trabalho ela surge e me ajuda.
A minha técnica é simples, e você pode também seguir de forma fácil e rápida. Basta estabelecer os horários e seguir, sem faltar. Pois como eu disse, a constância é que traz resultados e buscar dar o primeiro passo, mesmo não sendo fácil, é o caminho para conseguirmos disciplina, foco e por fim, excelência.
A disciplina é a ferramenta que ajuda a transformar uma tarefa, que em um primeiro momento parece ser complicada, em um hábito.
BIBLIOGRAFIA
FOSTER, Richard. Celebração da disciplina: O caminho do crescimento espiritual. 2. ed. São Paulo: Editora Vida, 2020.
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O VALOR DO TEMPO
Acordei bem cedo, como sempre faço, para me arrumar com calma e poder sair sem pressa. Nunca gostei de atrasos e sou conhecido como alguém que é bem pontual, sendo que na maioria das vezes, é comum chegar adiantado e com isso, acabar tomando um café em algum lugar, para não chegar tão cedo no compromisso.
Sou amigo das panificadoras e lanchonetes, estes ambientes não só matam a nossa fome, mas também abrigam aqueles que não costumam chegar atrasados. Tenho o hábito de falar que eu já cheguei atrasado, mas eu não me atraso. Ou seja, eu sempre saio no horário de casa e só me atraso quando acontece situações que fogem do meu controle, como acidentes na estrada, pane na condução ou coisas do tipo.
Espero o horário tomando um café até o momento que o relógio me avisa que o tempo já está próximo, com isso, levanto e me dirijo ao local, para receber o aviso que a pessoa iria se atrasar mais ou menos uma hora.
Esta é a minha rotina, é comum na maioria dos compromissos, precisar esperar visto que a pontualidade não é coisa de brasileiro, como alguns afirmam, e atrasar dez minutos é normal. A parte contraditória é que eu sou brasileiro e não costumo atrasar.
O tempo para alguns é relativo, funciona em uma frequência particular e deixar outra pessoa esperando não é nada importante para estes cidadãos. Como se o tempo valesse mais para quem se atrasa do que para quem espera. A pontualidade comunica respeito e demonstra como nos importamos com a outra pessoa.
Quem chega no horário não só honra a sua palavra, mas também demonstra como o tempo de todos têm valor, já que ele nunca sobra, na maioria das vezes falta. O tempo é uma parte da vida da pessoa que não mais volta. Quem dá o seu tempo, oferece a própria vida. Eu valorizo muito ele para deixar alguém esperando. Pontualidade além denotar compromisso é também uma atitude de respeito com o próximo.
A parte curiosa de quem espera é que se alguém não tem paciência de esperar, acaba não sendo bem-visto, muitos se ofendem quando o outro não espera. Já que se atrasar é comum, esperar implícita ou explicitamente, acaba sendo a obrigação de todo mundo.
Outra curiosidade interessante que eu já vivenciei é que o atrasado não gosta muito de esperar. Uma boa parte deles, perde a paz, quando precisa aguardar alguém muito mais atrasado que ele, em um fenômeno que mostra como no final, ninguém gosta de esperar.
O tempo é muito valioso e quando é o tempo de alguém que você está desperdiçando, você acaba gastando algo que não é seu. A pontualidade é o mínimo que uma pessoa pode ter visto que a vida, pelo menos aqui na terra, é constituída basicamente de um tempo limitado.
Chegar no horário é respeitar o tempo e a vida de cada um, pense nisso!
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O COMPOSITOR DE SENTIMENTOS
Eu gosto muito de música, desde novo a música faz parte da minha vida, sendo que tocar bateria é uma das minhas maiores alegrias. Poder tocar um instrumento musical é ter a oportunidade de se expressar de uma forma inigualável, só quem é músico entende um pouco isso.
Apesar de ser baterista, aprendi a tocar guitarra apenas para poder compor as músicas da minha antiga banda, o Hawthorn, e o que surgiu como necessidade, terminou por ser uma arte que fez e ainda faz parte da minha vida. Compor, escrever e produzir são algumas das minhas maiores alegrias.
Compor uma música, ver surgir de uma simples melodia uma canção é algo sem igual, sendo que muitas das minhas músicas começaram com um solfejo ao imaginar uma melodia. Após isso, eu buscava as notas deste solfejo no violão e seguia aos poucos construindo a música.
Quando falamos de música falamos de algo muito interessante, discorremos sobre uma arte muito particular, que a cada um alcança de uma maneira única. É interessante perceber como uma canção, em alguns, causa uma boa sensação, sendo que em outros não. Por isso que ela tem este poder de ser única, de evocar lembranças ou sentimentos bem diferentes entre inúmeros ouvintes.
Uma balada, para alguns ouvintes, pode causar desde alegria, nostalgia até repulsa, já que nem todos gostam de tal estilo. Assim é o rock ou o metal extremo e todas as suas vertentes, que era justamente o estilo musical que eu compunha e tocava. Alguns gostavam das músicas outros não entendiam e chamavam a música de barulho.
Compor é isso, é transformar em melodia algo único e diverso, é construir uma arte que em cada ouvinte trará uma sensação, e é por isso que considero a arte mágica, e quem compõe termina sendo um construtor de sensações, que como eu disse, podem ser diversas.
Eu não sei o que seria da minha vida se não fosse a música, com ela aprendi a construir, a ter disciplina e foco. A música me ajudou em várias partes da minha carreira, além de ter sido alento e também uma ferramenta de descontração e comemoração.
Dia 15 de Janeiro comemoramos O Dia Mundial do Compositor. Que neste dia possamos lembrar dos compositores como construtores de sensações, como criadores de vida, de histórias e memórias. Parabéns a estas pessoas que dominam a arte de criar e conseguem através de uma melodia, trazer as inúmeras sensações que contagia quem ouve uma canção.
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A VOZ DA PROCRASTINAÇÃO
O bom de fazer um mestrado é que temos muitos desafios que nos fazem crescer, como por exemplo, a leitura de livros recomendados, artigos e resumos que nos tiram do comum entre tantas coisas. A parte complicada é que grandes desafios exigem também uma grande força de vontade e foco, caso contrário, cederemos a preguiça ou ao tamanho da missão.
Existe uma voz que grita quando queremos fazer algo importante e é a voz da preguiça. Uma voz que convida você a largar suas prioridades e se entregar a procrastinação. Entenda que quanto maior for o desafio, mais alto a voz vai gritar e convidar você a se entregar ao mais fácil, deixando o que é importante de lado.
O princípio da procrastinação é o desânimo diante de algo desafiador, é quando percebemos o quão custoso é cultivar o hábito de fazer exercícios, comer bem e de forma regrada ou mesmo manter uma rotina de estudos e leitura. Estes hábitos são complicados pois fogem do comum e também nos dão apenas prazeres a longo prazo, por isso, a mente tende a focar no que é imediato ou nas coisas que são mais fáceis.
Entenda que as atividades que proporcionam prazeres imediatos, normalmente são aquelas que não nos trazem recompensas duradouras. É quando você opta por passar o dia inteiro vendo televisão, ao invés de estudar ou assistir séries, ao invés de se exercitar, ler e se aperfeiçoar. A maioria dos prazeres imediatos são nocivos, por isso, precisamos de disciplina e foco para conseguirmos construir uma rotina relevante e de crescimento.
Lembrando que o problema do prazer imediato é deixamos de fazer o que é importante em troca da satisfação momentânea. É legal tirarmos um tempo para vermos séries ou mesmo para relaxar, mas isso não deve ser uma rotina e sim, a exceção e principalmente, estas coisas não podem impedir você de cumprir com os seus objetivos.
A primeira dica é identificar o gatilho dos seus maus hábitos. Veja bem, todo os maus hábitos possuem gatilhos, situações que acionam aqueles hábitos, por isso, você precisa buscar identificar estes gatilhos para conseguir mudar. Se você tem o costume de acordar e acessar as redes sociais, por exemplo, você deve fugir deste gatilho deixando o seu celular em outro lugar. Dificulte o máximo possível o acesso ao celular, para que ele não seja o fator que faça você procrastinar. Você identificando a deixa que empurra você para esta rotina ruim, você deve agir de modo diferente, para não cair nesse hábito e ser saciado pelo prazer momentâneo.
A segunda dica que eu dou para calar a voz da procrastinação é dividir a sua empreitada em vários pedaços pequenos. Eu por exemplo, quando precisei escrever um artigo de um tema que eu estava pesquisando, usei está tática, justamente porque a missão iria exigir muito da minha força de vontade.
Comecei definindo o tema e o título do artigo e depois de tudo pronto e com as ideias no papel. Listei a bibliografia e comecei a ler e a pesquisar, fazendo muitas anotações. Depois juntei todas as pesquisas e fui escrevendo. O princípio é se concentrar em um livro apenas, concluído a missão você passa ler o outro e assim por diante. Eram pequenas tarefas, com horas determinadas para ler e pesquisar, mesclada com momentos de descanso. Ao se ver diante de um grande desafio, divida-o em pequenas tarefas e vá cumprindo aos poucos, sem afobação.
A terceira dica é definir um horário para esta atividade e cumprir religiosamente. Não espere ter vontade de fazer, pois na maioria das vezes, não vamos ter. O cérebro sempre opta por economizar a energia dedicando-se as coisas que exigem menor esforço. Mas ao definir o horário, em um ambiente propício e afastado de todos os estímulos, você cumpre com o seu objetivo e mesmo sem vontade, cultiva o hábito que aos poucos vai se tornando parte de você.
A voz da procrastinação grita, sendo que ela quer sempre o mais fácil. A procrastinação quer prender você no lugar e fazer com que você perca o seu tempo com coisas sem sentido. Para crescer e aprender, você precisa calar esta voz e cultivar aquela autonomia que ajudará você a construir e cultivar o conhecimento.
