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  • E SE O PLANO DER ERRADO?

    “O mundo não é um mar calmo de evidências. É um oceano cheio de pequenas tempestades a serem vencidas. (PONDÉ, 2019, p.11).

    Gastei um bom tempo em um projeto, pensei em todos os detalhes, me dediquei, estudei e tentei me aprimorar. Consegui até encontrar as pessoas certas e qualificadas para me ajudar, mas no final deu tudo errado.

    É fácil descobrir uma fórmula mágica para resolvermos nossos problemas, as redes sociais estão cheias de pessoas que ensinam o passo a passo para uma vida de vitória. É impressionante constatar como muitos acreditam que conseguem resolver o problema de todos com um simples passo.

    Uma coisa que ensinam pouco hoje em dia é como perder ou o que fazer caso você fracasse em sua empreitada. Veja bem, o fracasso é sempre certo, nós o encontramos a toda a hora e em todas as esquinas. Já a vitória, para vermos, é preciso de um pouco de insistência, foco e perseverança. Fracassar é comum, com isso, saber o que fazer quando tudo dá errado, já é um bom ponto de partida para conseguirmos seguir errando menos.

    O primeiro passo é entender que fracassar não é o fim do mundo e saber aprender com os fracassos é o posicionamento daqueles que aprenderam a aprender. Se você deixa de aprender com as derrotas, você perde duas vezes, mas se você aprende, pode ter certeza de que você vai cometer um erro a menos.

    O segundo passo é corrigir seus pontos fracos. Os erros revelam pontos nos quais precisamos melhorar, são áreas nos quais o aprimoramento e o estudo se fazem necessários, entender isso é o primeiro passo para o crescimento.

    Veja bem, é normal não percebermos nossas falhas e pontos fracos, as vezes acreditamos termos certas habilidades que no fim, se mostram insuficientes, mas o fracasso revela e aponta as áreas que precisamos cuidar, estudar e praticar.

    O terceiro passo é nunca desistir. Não é fácil planejar e executar algo, seja uma graduação, um estudo ou até mesmo um negócio. Saber planejar e não desistir é o caminho daqueles que sabem que as coisas que valem a pena não são fáceis. Quem crê que as coisas são fáceis, na verdade nunca deve ter tentado algo.

    O quarto passo é saber a hora de parar. Assim como não percebemos os nossos pontos fracos, muitas vezes não percebemos como algumas empreitadas não valem a pena. Assim como o fracasso ensina, nos mostra as áreas que precisamos melhorar, ele também revela que algumas empreitadas não são boas, ou mesmo, não são para nós.

    É claro que esta conclusão é sempre complicada, pois como eu disse, a maioria dos planos não são simples e custam muito trabalho. Mas alguns objetivos não valem a pena, já nascem perdidos e só percebemos isso após um bom tombo.

    Saber persistir é tão importante quanto saber a hora de parar e para isso, praticar o autoconhecimento é fundamental para não sermos vítimas de um autoengano. Aprenda a refletir, meditar e perceber seus pontos fracos e fortes, o que você gosta e o que não lhe interessa muito. Uma boa consciência de quem somos, já ajuda na missão de decidir. 

    A derrota nunca é o fim, ela pode ser o começo, um momento de crescimento e aprendizado, tudo vai depender de como você encara este momento. Mais do que saber escalar, é importante saber cair e se levantar de uma forma mais assertiva.

    E quem diz isso é alguém que tentou muito e também fracassou muito, por isso eu aprendi e consegui ter sucesso em muitas áreas. Saber lidar com os fracassos, tirando deles o maior proveito possível é a atitude daqueles que estão sempre buscando aprender.

    BIBLIOGRAFIA

    PONDÉ, L. F. Filosofia do cotidiano: Um pequeno tratado sobre questões menores. 1. São Paulo: Contexto, 2019.

  • NÃO PERCA O CONTROLE

    “Como a cidade derrubada, sem muro, assim é o homem que não pode conter o seu espírito” (Provérbios 25: 28).

    Conheci muitas pessoas que não podíamos contestá-las, pois ao menor sinal de uma opinião contrária, a enxurrada de palavras e justificativas surgiam como uma furiosa torrente de água. E não importava se a crítica tivesse sido feita com muita educação e respeito, a reação era sempre igual.

    Uma das lições que eu aprendi ainda bem novo, por conta das muitas oportunidades que eu estava perdendo, foi justamente o autocontrole, não deixar que situações me deixasse sem paciência ou mesmo tirasse a minha capacidade de refletir e ponderar.

    Quem não consegue conter o espírito é desprotegido, fala qualquer coisa e se descontrola com qualquer situação, terminando por perder tudo, apenas e porque, se descontrolou.

     O interessante é que este descontrole serve para muitas áreas, seja a financeira, quando você gasta sem medidas e não aprende a economizar. Na saúde, quando você não costuma cultivar um bom hábito alimentar ou mesmo nas relações no trabalho, quando a falta de paciência e de capacidade de ouvir críticas, prejudica seu trabalho. Por conta disso, reuni algumas lições que eu aprendi ao longo da minha vida, espero que possa lhe ajudar.

     A primeira delas é não me justificar diante de uma crítica. Ao invés de responder, eu busco antes refletir sobre o que estão me falando e se for preciso, eu converso com a pessoa apenas depois, isso quando eu converso. É claro que algumas críticas são desonestas, feitas por pessoas que querem o nosso mal, ou mesmo, por colegas que não nos conhecem e terminam por ter uma ideia equivocada de nós. Mas em todos estes casos, vale a pena parar e pensar, é possível existir alguma verdade e com isso, alguma lição para tirar da crítica.

    A segunda lição é não tomar decisão alguma sem tirar um tempo para pensar. É importante pensar um pouco sobre algumas propostas ou decisões que precisamos executar, sendo que algumas escolhas feitas por impulso podem nos prejudicar. O problema é que não existe receita, e o pior é que existem momentos em que precisamos decidir rápido, com o intuito de não perdermos uma oportunidade, mas o problema é que algumas armadilhas são disfarçadas de boas oportunidades, com isso, pensar é o melhor caminho.

     Aprender a ter domínio próprio é uma lição muito importante, serve principalmente para você ter uma vida centrada e protegida. A falta de controle expõe uma pessoa, deixa um indivíduo a mercê de inúmeras armadilhas.

    Eu sempre digo que o equilíbrio é um grande desafio, uma tarefa realmente árdua, que devemos buscar viver e cultivar. E saber manter o controle é um destes desafios que você deve aceitar e aprender a lidar. Quem não contém o seu espírito, se perde em emoções e ações desmedidas. 

    Por isso, cultive uma vida de reflexão, aprenda a conter o espírito e colha os frutos de uma vida equilibrada.

  • O PROPÓSITO DA DISCIPLINA

    Eu sou músico e aprendi a tocar bateria na igreja, vendo o meu irmão e outros bateristas tocarem. Mas foi quando fiquei um pouco mais velho e decidi tocar alguns estilos musicais mais complexos, que eu descobri a importância de buscarmos constantemente aperfeiçoamento. A disciplina surgiu neste tempo, foi inevitável ter que cultivar esta disposição, visto que, o desafio e o aprendizado eram muito grandes.

    Na faculdade, eu precisei ser igualmente disciplinado pois eu trabalhava e estudava. E mais tarde, quando decidi escrever, estudar e ler mais, a disciplina precisou estar presente em todos estes processos. Ela é um elemento fundamental para quem quer se desenvolver.

    A disciplina é a arte de fazer mesmo sem vontade, é a ação de quem tem consciência e entende que o aperfeiçoamento só vem como muita constância, estudo e muita prática. Richard Foster no livro Celebração da disciplina, resume o termo afirmando que:

    “A pessoa disciplinada é aquela que consegue fazer o que precisa ser feito na hora em que precisa ser feito”. (FOSTER, 2020, p. 147).

    O disciplinado é alguém que ao invés de arranjar desculpas, procura meios e estratégias para conseguir se aperfeiçoar. Uma pessoa disciplinada não é alguém que tem muito tempo, dons ou facilidades, pois nem sempre esta é a realidade de alguém que conseguiu se desenvolver e aprender. Normalmente ele é alguém que tem foco para cumprir suas metas e objetivos, apesar de todas as dificuldades que possam existir.

    Entenda que a regularidade é fundamental em todas as áreas da nossa vida, seja para aprendermos um instrumento, fazermos um curso, melhorar nossa rotina de leitura e estudo, ou mesmo para cultivarmos uma vida de oração, entre inúmeros objetivos que ela nos traz. Perceba que o comum do ser humano é estagnar, é fugir do esforço e do que é difícil. O problema é que para conseguirmos ter habilidade em algo, precisamos praticar e enfrentar os momentos de estudo que nem sempre são prazerosos.

    Eu por exemplo, escrevo todos os dias, seja textos para o blog, o livro que estou escrevendo ou algum artigo acadêmico. Eu tenho também um horário para ler e estudar, que eu cumpro sem faltar, por entender que este é o caminho para conseguir chegar em um nível de excelência. Seja como professor, teólogo ou filósofo.

    Descobri que vontade e inspiração você não espera surgir e sim, você faz aparecer, com muita disciplina, constância e estudos. Esperar ter vontade ou inspiração, é o caminho da estagnação. Prefiro colocar a mão na massa, que normalmente em meio ao trabalho ela surge e me ajuda.

    A minha técnica é simples, e você pode também seguir de forma fácil e rápida. Basta estabelecer os horários e seguir, sem faltar. Pois como eu disse, a constância é que traz resultados e buscar dar o primeiro passo, mesmo não sendo fácil, é o caminho para conseguirmos disciplina, foco e por fim, excelência.

    A disciplina é a ferramenta que ajuda a transformar uma tarefa, que em um primeiro momento parece ser complicada, em um hábito. 

    BIBLIOGRAFIA

    FOSTER, Richard. Celebração da disciplina: O caminho do crescimento espiritual. 2. ed. São Paulo: Editora Vida, 2020.

  • O VALOR DO TEMPO

    Acordei bem cedo, como sempre faço, para me arrumar com calma e poder sair sem pressa. Nunca gostei de atrasos e sou conhecido como alguém que é bem pontual, sendo que na maioria das vezes, é comum chegar adiantado e com isso, acabar tomando um café em algum lugar, para não chegar tão cedo no compromisso.

    Sou amigo das panificadoras e lanchonetes, estes ambientes não só matam a nossa fome, mas também abrigam aqueles que não costumam chegar atrasados. Tenho o hábito de falar que eu já cheguei atrasado, mas eu não me atraso. Ou seja, eu sempre saio no horário de casa e só me atraso quando acontece situações que fogem do meu controle, como acidentes na estrada, pane na condução ou coisas do tipo.

    Espero o horário tomando um café até o momento que o relógio me avisa que o tempo já está próximo, com isso, levanto e me dirijo ao local, para receber o aviso que a pessoa iria se atrasar mais ou menos uma hora.

    Esta é a minha rotina, é comum na maioria dos compromissos, precisar esperar visto que a pontualidade não é coisa de brasileiro, como alguns afirmam, e atrasar dez minutos é normal. A parte contraditória é que eu sou brasileiro e não costumo atrasar.

    O tempo para alguns é relativo, funciona em uma frequência particular e deixar outra pessoa esperando não é nada importante para estes cidadãos. Como se o tempo valesse mais para quem se atrasa do que para quem espera. A pontualidade comunica respeito e demonstra como nos importamos com a outra pessoa.

    Quem chega no horário não só honra a sua palavra, mas também demonstra como o tempo de todos têm valor, já que ele nunca sobra, na maioria das vezes falta. O tempo é uma parte da vida da pessoa que não mais volta. Quem dá o seu tempo, oferece a própria vida. Eu valorizo muito ele para deixar alguém esperando. Pontualidade além denotar compromisso é também uma atitude de respeito com o próximo.

    A parte curiosa de quem espera é que se alguém não tem paciência de esperar, acaba não sendo bem-visto, muitos se ofendem quando o outro não espera. Já que se atrasar é comum, esperar implícita ou explicitamente, acaba sendo a obrigação de todo mundo.

    Outra curiosidade interessante que eu já vivenciei é que o atrasado não gosta muito de esperar. Uma boa parte deles, perde a paz, quando precisa aguardar alguém muito mais atrasado que ele, em um fenômeno que mostra como no final, ninguém gosta de esperar.

    O tempo é muito valioso e quando é o tempo de alguém que você está desperdiçando, você acaba gastando algo que não é seu. A pontualidade é o mínimo que uma pessoa pode ter visto que a vida, pelo menos aqui na terra, é constituída basicamente de um tempo limitado.

    Chegar no horário é respeitar o tempo e a vida de cada um, pense nisso!

  • O COMPOSITOR DE SENTIMENTOS

    Eu gosto muito de música, desde novo a música faz parte da minha vida, sendo que tocar bateria é uma das minhas maiores alegrias. Poder tocar um instrumento musical é ter a oportunidade de se expressar de uma forma inigualável, só quem é músico entende um pouco isso.

    Apesar de ser baterista, aprendi a tocar guitarra apenas para poder compor as músicas da minha antiga banda, o Hawthorn, e o que surgiu como necessidade, terminou por ser uma arte que fez e ainda faz parte da minha vida. Compor, escrever e produzir são algumas das minhas maiores alegrias.

    Compor uma música, ver surgir de uma simples melodia uma canção é algo sem igual, sendo que muitas das minhas músicas começaram com um solfejo ao imaginar uma melodia. Após isso, eu buscava as notas deste solfejo no violão e seguia aos poucos construindo a música.

    Quando falamos de música falamos de algo muito interessante, discorremos sobre uma arte muito particular, que a cada um alcança de uma maneira única. É interessante perceber como uma canção, em alguns, causa uma boa sensação, sendo que em outros não. Por isso que ela tem este poder de ser única, de evocar lembranças ou sentimentos bem diferentes entre inúmeros ouvintes.

    Uma balada, para alguns ouvintes, pode causar desde alegria, nostalgia até repulsa, já que nem todos gostam de tal estilo. Assim é o rock ou o metal extremo e todas as suas vertentes, que era justamente o estilo musical que eu compunha e tocava. Alguns gostavam das músicas outros não entendiam e chamavam a música de barulho.

    Compor é isso, é transformar em melodia algo único e diverso, é construir uma arte que em cada ouvinte trará uma sensação, e é por isso que considero a arte mágica, e quem compõe termina sendo um construtor de sensações, que como eu disse, podem ser diversas.

    Eu não sei o que seria da minha vida se não fosse a música, com ela aprendi a construir, a ter disciplina e foco. A música me ajudou em várias partes da minha carreira, além de ter sido alento e também uma ferramenta de descontração e comemoração.

    Dia 15 de Janeiro comemoramos O Dia Mundial do Compositor. Que neste dia possamos lembrar dos compositores como construtores de sensações, como criadores de vida, de histórias e memórias. Parabéns a estas pessoas que dominam a arte de criar e conseguem através de uma melodia, trazer as inúmeras sensações que contagia quem ouve uma canção.

  • A VOZ DA PROCRASTINAÇÃO

    O bom de fazer um mestrado é que temos muitos desafios que nos fazem crescer, como por exemplo, a leitura de livros recomendados, artigos e resumos que nos tiram do comum entre tantas coisas. A parte complicada é que grandes desafios exigem também uma grande força de vontade e foco, caso contrário, cederemos a preguiça ou ao tamanho da missão.

    Existe uma voz que grita quando queremos fazer algo importante e é a voz da preguiça. Uma voz que convida você a largar suas prioridades e se entregar a procrastinação. Entenda que quanto maior for o desafio, mais alto a voz vai gritar e convidar você a se entregar ao mais fácil, deixando o que é importante de lado.

    O princípio da procrastinação é o desânimo diante de algo desafiador, é quando percebemos o quão custoso é cultivar o hábito de fazer exercícios, comer bem e de forma regrada ou mesmo manter uma rotina de estudos e leitura. Estes hábitos são complicados pois fogem do comum e também nos dão apenas prazeres a longo prazo, por isso, a mente tende a focar no que é imediato ou nas coisas que são mais fáceis.

     Entenda que as atividades que proporcionam prazeres imediatos, normalmente são aquelas que não nos trazem recompensas duradouras. É quando você opta por passar o dia inteiro vendo televisão, ao invés de estudar ou assistir séries, ao invés de se exercitar, ler e se aperfeiçoar. A maioria dos prazeres imediatos são nocivos, por isso, precisamos de disciplina e foco para conseguirmos construir uma rotina relevante e de crescimento.

    Lembrando que o problema do prazer imediato é deixamos de fazer o que é importante em troca da satisfação momentânea. É legal tirarmos um tempo para vermos séries ou mesmo para relaxar, mas isso não deve ser uma rotina e sim, a exceção e principalmente, estas coisas não podem impedir você de cumprir com os seus objetivos.

    A primeira dica é identificar o gatilho dos seus maus hábitos. Veja bem, todo os maus hábitos possuem gatilhos, situações que acionam aqueles hábitos, por isso, você precisa buscar identificar estes gatilhos para conseguir mudar. Se você tem o costume de acordar e acessar as redes sociais, por exemplo, você deve fugir deste gatilho deixando o seu celular em outro lugar. Dificulte o máximo possível o acesso ao celular, para que ele não seja o fator que faça você procrastinar. Você identificando a deixa que empurra você para esta rotina ruim, você deve agir de modo diferente, para não cair nesse hábito e ser saciado pelo prazer momentâneo.

    A segunda dica que eu dou para calar a voz da procrastinação é dividir a sua empreitada em vários pedaços pequenos. Eu por exemplo, quando precisei escrever um artigo de um tema que eu estava pesquisando, usei está tática, justamente porque a missão iria exigir muito da minha força de vontade.

    Comecei definindo o tema e o título do artigo e depois de tudo pronto e com as ideias no papel. Listei a bibliografia e comecei a ler e a pesquisar, fazendo muitas anotações. Depois juntei todas as pesquisas e fui escrevendo. O princípio é se concentrar em um livro apenas, concluído a missão você passa ler o outro e assim por diante. Eram pequenas tarefas, com horas determinadas para ler e pesquisar, mesclada com momentos de descanso. Ao se ver diante de um grande desafio, divida-o em pequenas tarefas e vá cumprindo aos poucos, sem afobação.

    A terceira dica é definir um horário para esta atividade e cumprir religiosamente. Não espere ter vontade de fazer, pois na maioria das vezes, não vamos ter. O cérebro sempre opta por economizar a energia dedicando-se as coisas que exigem menor esforço. Mas ao definir o horário, em um ambiente propício e afastado de todos os estímulos, você cumpre com o seu objetivo e mesmo sem vontade, cultiva o hábito que aos poucos vai se tornando parte de você.

    A voz da procrastinação grita, sendo que ela quer sempre o mais fácil. A procrastinação quer prender você no lugar e fazer com que você perca o seu tempo com coisas sem sentido. Para crescer e aprender, você precisa calar esta voz e cultivar aquela autonomia que ajudará você a construir e cultivar o conhecimento.

  • FOLHAS NO JARDIM DA VIDA

    “Como um caminho no outono: assim que é varrido, volta a cobrir-se de folhas secas” (PERCY, 2012, p. 31).

    Na minha infância e adolescência, cresci em uma casa que havia algumas árvores frutíferas. Era ótimo comer ameixas direto do pé ou mesmo goiaba, o problema era deixar o chão livre das folhas, que nos caso destas árvores, eram grandes e em abundância.

    Ter em seu quintal algumas árvores é ótimo pois elas embelezam o ambiente, e nos proporcionam alguns frutos, caso a árvore seja frutífera. A natureza é realmente impressionante, mas também nos dá algum trabalho.

    Para quem gosta de um jardim bem cuidado, ter alguma árvore é complicado, visto que por mais que você varra o quintal, haverá sempre alguma folha caída no chão, principalmente no outono. Para um perfeccionista, isso pode ser uma tortura, para quem entende a dinâmica da vida, isso é apenas um dos fatos corriqueiros da vida.

    Viver é entender que precisaremos sempre estar resolvendo problemas, não existe uma vida perfeita, assim como não é possível termos algumas árvores e ao mesmo tempo ter o chão impecável, sem folhas algumas. E o próprio medo dos problemas é um problema, é antecipar um sofrimento e sofrer antes da hora. Por isso que relaxar e lidar com os desafios de uma forma centrada é o caminho para uma caminhada mais tranquila.

    Aceitar a realidade da vida, buscando sempre não sofrer por antecipação, é a melhor saída, ao invés de antecipar catástrofes ainda não vividas. Sofremos muito imaginando problemas, sendo que muitos deles não se concretizam.

    Durante a pandemia era possível encontrar “especialistas” prevendo as maiores catástrofes, aumentando ainda mais o medo que o Covid 19 já causava nas pessoas. Estar preparado é importante, mas nem sempre conseguiremos prever tudo, ou mesmo deixaremos de sofrer, vivendo uma vida sem quaisquer dificuldades.

    Assim como manter um jardim limpo é desafiador, requer paciência e muito empenho, viver de forma equilibrada é igualmente complicado, pois a vida está em constante mudança, as folhas não param de cair e as ervas daninhas da existência, insistem em aparecer para estragar o nosso belo jardim.

    Por isso viva tranquilo, buscando dar um passo de cada vez, juntando as folhas do seu quintal, mas sem se desesperar, pois antecipar problemas é o caminho para vivermos uma caminhada, sem qualquer paz.

    As folhas caem aos poucos, assim como os problemas, por isso, viva um dia de cada vez e aproveite o jardim.

    BIBLIOGRAFIA

    PERCY, Allan. Kafka para sobrecarregados: 99 pílulas de sabedoria para lidar com a loucura do dia a dia. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2012.

  • O DIA DO LEITOR

    Ler é uma das minhas grandes alegrias, quem segue o meu blog a mais tempo, já percebeu isso, sendo que a leitura faz parte da minha vida por inteiro. Na parte profissional eu leio por conta da profissão, já que eu sou professor e pesquisador, ler no meu caso é fundamental para estar sempre aprendendo e ensinando. Mas eu também leio para descansar, é comum em um momento de descanso, tirar um tempo para ler e me divertir. A leitura está presente em todas as áreas da minha vida, seja a profissional ou a pessoal.

    Para quem quer aprender, exercitar a mente ou mesmo se desenvolver cada vez mais, a leitura é fundamental, existem inúmeras vantagens para quem cultiva tal hábito, uma prática que se assemelha muito a um exercício, já que com a leitura, malhamos o cérebro. E para coroar esta importante prática, dia 07/01 comemoramos o Dia do leitor.

    A data foi instituída em homenagem a criação do jornal cearense “O Povo”, idealizado em 7 de janeiro de 1928 por Demócrito Rocha, um poeta e jornalista. Sendo que podemos ver tal data não só como uma homenagem a quem lê, mas também, como um incentivo para cultivarmos tal hábito que é fundamental.

    Ninguém nasce um leitor, ao contrário, tal hábito é construído, fruto de muito empenho e incentivo. É claro que alguns cultivaram o hábito de forma mais tranquila, visto que tinham em casa livros, pais que liam ou a referência de amigos, parentes ou mesmo a ajuda da escola. Isso faz uma diferença muito grande para que o hábito da leitura se torne efetivo na vida de alguém, mas a boa notícia é que ele é cultivável, não é um dom ou uma habilidade inata.

    Conheço muita gente que gostaria até de conseguir ler todos os dias, mas segundo estes, eles não conseguem, com isso, proponho alguns caminhos, para que você consiga ter o hábito incorporado em sua vida. São dicas simples, mas eficazes.

    Comece separando livros de temas que você gosta, pois tal hábito, para se tornar parte de você, precisa começar com o incentivo de um tema que lhe agrada muito. Isso trará a você a força que você precisa para persistir. Como não é fácil transformar uma prática em hábito, escolher algo no qual gostamos muito, já nos dá alguma vantagem.

    Depois separe um tempo para ler, um horário determinado só para a leitura. O tempo de leitura não importa, o que importa mais é a constância em ler, e busque fazer isso todos os dias, lembrando que tempo não existe, ninguém tem tempo, o que existe são as prioridades, é o quanto você coloca tal prática como fundamental, por isso, para passar a ser um leitor, você precisa estabelecer este hábito como prioridade.

    Dê preferência a leitura, aprenda a desligar as coisas que distraiam você e busque lugares calmos, onde você não vai ser interrompido, sem esquecer que a qualidade é mais importante do que a quantidade.

    Por fim, quando estiver com o seu hábito estabelecido, aprenda a se desafiar como leitor e busque ler, de tempos em tempos, temas um pouco mais complexos, buscando sempre dar um passo de cada vez, cuidando sempre para não dar um passo maior do que a perna. Este desafio trará a você mais conhecimento e aumentará a sua visão de mundo e repertório.

    Aproveite tal data para começar a ler e insista em cultivar tal hábito, para que no próximo ano, você possa comemorar esta importante data e ver como avançou um pouco mais no conhecimento.

  • FORÇA DE VONTADE

    “Força de vontade não é só uma habilidade. É um músculo, como os músculos dos seus braços ou pernas, e ela fica cansada quando faz mais esforço, por isso sobra menos força para outras coisas” (DUHIGG, 2012, p. 152).

    Normalmente quando a manhã acaba estou bem cansado, não é porque eu trabalho de manhã, eu trabalho apenas a tarde e a noite, e sim porque é de manhã que eu estudo, pesquiso e escrevo.

    Optei por começar o dia com esta rotina, justamente porque levanto descansado e com a cabeça tranquila. Por conta disso, eu não acesso as redes sociais, não vejo e-mail, e não faço outra coisa além de me concentrar em minha rotina.

    Veja bem, a força de vontade, como a epígrafe otimamente explica, é parecida com um músculo, ou seja, ela precisa ser exercitada e também, ela cansa. Quando mais fazemos exercícios, mais ficamos cansados, a força de vontade não é diferente. Por isso que, preservá-la é fundamental para que você consiga fazer as coisas que realmente são relevantes. Charles Duhigg complementa:

    Se você quer fazer alguma coisa que exige força de vontade – como sair para correr depois do trabalho –, precisa preservar seu músculo da força de vontade durante o dia” (DUHIGG, 2012, p. 152).

    Quando você exerce a força de vontade para fazer inúmeras coisas, seja respondendo e-mails, alinhando coisas do trabalho que ficaram pendentes, ou resolvendo problemas logo que levanta, quando você for parar para fazer o que importa, você estará muito cansado.

    Caso você estude de manhã, aprenda a nem ligar o celular, dedique-se as coisas que realmente valem a pena, construa uma manhã de leitura e estudo, e também é claro, separe pausas para parar, refletir e relaxar. Tenho buscado deixar claro que a vida não é só fazer, quando eu escrevo sobre o assunto ou dou aula sobre dicas de estudo.

    E se o seu caso for o de estudar depois do trabalho, aprenda a chegar e se desligar do serviço, para começar a sua rotina de estudos e leitura. Como eu sempre deixo claro, não é preciso estudar muitas horas, opte mais por buscar ter constância nos estudos e deixe que o resto aumente naturalmente.

    O hábito da leitura e de estudos deve ser algo que agregue em sua vida, e não uma rotina que te descontrua e o deixe desmotivado. Se você com prazer conseguir aprender, com certeza o conhecimento terá muito mais efeito em sua vida.

    O músculo da força de vontade cansa depois de usado, afinal, todos nós temos um limite, e é isso que precisamos delimitar bem este limite. Por isso que ficar atento e buscar fugas das coisas que gastam muito a nossa força de vontade é um caminho para que possamos construir a nossa rotina de estudos, e crescer na vida acadêmica.

    BIBLIOGRAFIA

    DUHIGG, Charles. O poder do hábito: Por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios. 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

  • INFELIZ AUTORRETRATO

    Nas redes sociais é comum pintarmos um autorretrato, de preferência bem pintado, com o intuito de mostrar a alguém o que não somos, para vender uma vida falsa, já que nem sempre é possível vendermos a vida que temos.

    A necessidade de ser aceito move o mundo e as redes sociais ampliaram ainda mais este problema. Eu não demonizo as redes sociais, elas são boas, nos conectam e é através dela que eu divulgo meus textos. A questão é que sem delimitação, podemos naufragar neste mar de futilidades através das armadilhas que nos aprisionam.

    O ser humano tem seguido cada vez mais solitário, sem vínculos, buscando ser ouvido por um mundo surdo, que ouve apenas a si e as suas vontades. Cultivando um vazio que só aumenta a cada like.

    A falta de significado é outro ponto que leva muitos a pintar um quadro falso de si. Entenda que a vida é simples, contraditória e nem sempre tem um significado, na verdade, a falta de significado é o que mais encontramos e isso nos confronta e nos assombra. Aceitar isso é cultivar um pouco de paz e ter um pouco de consciência que nos auxiliará a não cairmos nestas armadilhas.

    Aquele papo de jogar para o universo o bem e esperar ele dar o retorno. Ou tentar ser positivo para ter seus caminhos abertos, é uma tentativa light de tentar mascarar o caos, a aleatoriedade e a falta de significado que experimentamos todos os dias. Vivemos uma vida infeliz e sem significado justamente porque o ser humano se distanciou da verdade, que é Deus, é imprescindível colher tais frutos estando longe Dele.

    Quando o iluminismo colocou o ser humano no centro de tudo e vendeu a ideia de que a razão iria salvar a humanidade, ele na verdade, não percebeu o tamanho do erro. Se esqueceu da ambivalência que é o ser humano e colheu as suas consequências por este ato. É curioso perceber como o ser humano andou na contramão dos próprios ideais iluministas de liberdade, tolerância, progresso e fraternidade. A própria Primeira e Segunda Guerra Mundial atesta a falha destes ideais, isso só para citar estas duas catástrofes.  

    O erro do ser humano é não se perceber, é seguir seus autoenganos, crendo estar de posse da verdade. Ele quer ser importante, deixar uma marca no mundo, mas não aceita a sua própria condição e muito menos enxerga a contradição que é a sua vida.

    Eu temo crer que no final, o problema do ser humano é colocar muita fé em si, crendo que a sua razão é a única a lhe guiar. Mas é preciso olhar, enxergar de verdade para constatar que quase sempre o retrato que pintarmos de nós, nossa sabedoria e nossa vida, são quase todos falsos, frutos de uma visão equivocada de quem somos.

    Na verdade, o ser humano é infeliz e tenta disfarçar a tristeza com um monte de coisas fúteis. O problema é que a máscara que esconde a nossa tristeza e o peso da realidade, é a mesma que também nos engana.